Antologia Virtual

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Setembro 2012

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21 - GENHA AUGA

Nascida em São Paulo - Capital aos 18 de fevereiro de 1954.
Formada em Jornalismo pelas FIAM - Faculdades Integradas Alcântara Machado.
Atuei por trinta e um anos junto à coordenação e, diretoria do núcleo de educação, exatas e saúde em Cursos do Ensino Superior das FMU - Faculdades Metropolitanas Unidas.
Atuei como Jornalista Responsável das Revistas na Área da Saúde e, pela publicação da “Coletânea das Semanas Científicas” na Faculdade Santa Marcelina e Escola Sophia Marchett.
Atualmente: Jornalista - Poetisa - Contista - Cronista.
Livros publicados: "Ecos da Alma" e “Moedas Para o Barqueiro Vol. II”- Editora Andross.
"Contos Cotidianos"- Editora Regência.
"Declaração de Amor à Poesia" - “Alma Vol. I” - E-Book- e Impresso - “Meninas Super Poéticas” - “Nos Meus Tempos de Criança Era Assim” – Grupo Editorial Beco dos Poetas & Escritores Ltda.
Participação no E-Book “Dueto com as Poetisas” de Eduardo Samuel Ferreira - Grupo Editorial Beco dos Poetas & Escritores Ltda.
Participação do programa de Anna mel, “Novos Autores”, com poemas de minha autoria - Rádio Online Gazeta Vale Paraibana.
Participação na abertura de show de danças e coreografias da Academia de danças “Carla Lazzazera”, homenageando Mulheres em Destaque com o poema, “Mulheres”, de minha autoria, no Teatro Maria Della Costa.
Participação na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo - junto ao estande da UBE – União Brasileira dos Escritores.
Publicação de crônicas e contos no Jornal Online: www.gazetavalearaibanana.com.br
Página no site: www.becodospoetas.com.br/profile/GenhaAuga
Página no site: www.encontrodepoetaseamigos.com.br
Blogs: www.genhaeamigos.blogspot.com

 

O AMOR


O amor vem e avassala tudo!
Nutre-nos mais que a necessidade.
Alimenta o corpo, sono e sonhos.
Torna-se o ar que respiramos e
a seiva do coração que bate.

Mas, quando os olhos se fecham pela poeira da ilusão,
impede-nos de ver a verdade,
faz-te abandonar os maiores desejos,
adentra o coração em silêncio
e o preenche com sofrimentos.

Domar o amor é querer domar o vento,
passa mas não acaba.
Às vezes te entrega sem maldade
a alguém que lhe rouba a paz,
leva um pouco de ti,
deixando tristeza e saudade .

Valoriza a presença da ausência,
agrega a dor e a tristeza.
Mas enquanto dura, o coração fica em paz, se acalma.
Semeia esperança de que nunca se acabe...
Mas quando o amor vai embora,
de novo tudo avassala!

Genha Auga

 

 

 

22 - GERCI OLIVEIRA GODOY

Gerci nasceu em 1938, costura panos e tece palavras sempre inspirada em muita leitura. Faz oficinas de literatura sempre que pode e com esforço tem conseguido classificações e prêmios literários, mas o maior prêmio são os amigos que durante esta trajetória tem conseguido. Pessoas encantadas que fazem vibrar minha alma de poeta. Durante toda a vida tem afastado as pedras e colhido muitas alegrias.
Prêmios: Concursos, Lila Ripoll 3 vezes, poemas no ônibus 3 vezes, poemas no ônibus, cidade de Viamão 1 vez, Histórias de trabalho 3 vezes, Mario Quintana, Expresso das letras,Amigos do livro/ Flipoços, Azabeça com poesia e crônica, Band RS conto de natal, concurso virtual Poesia de natal e mais classificações em antologias tais como:da Litteris, Um poema para Machado, De pessoa pra Pessoa, Palavras da alma para o coração, Prêmio Literário Porto Seguro Cronicas Selecionadas, várias edições da Habitasul Revelação Literária, Revista Água Viva do Grupo Cero entre outras.

 

GOTA DE ELIXIR


é finita a gota que me resta
embora à guarde
em hermética candura
sei finito o badalar da aurora
nas palavras que me penetram
nas estrelas que contemplo
nos versos vivos que me completam

á finitude em meus desejos

mesmo que a passos largos
me contemple
mesmo que o infinito me sustente
serei nuvem dissipada ao vento
gota a gota
da chuva que secou

Gerci OLIveira Godoy

 

 

 

23 - HUMBERTO RODRIGUES NETO

 

CILADAS DA VIDA


Ao marulho das vagas que separam
este imenso Brasil de Portugal,
dois seres, num destino desigual,
em dois sonetos seu amor declaram.

Se amam demais, porém seria fatal
o malogro dos bens com que sonharam;
talvez nem um, nem outro, cogitaram
de não chegar tal sonho a um bom final.

Ah... quanto almejariam, pessoalmente,
trocar um beijo apenas, frente a frente,
pra consumar o amor que hoje os seduz!

Porém, a sorte, alheia a tais instantes,
coloca o Atlântico entre os dois amantes
e os crucifica sobre a mesma cruz!

Humberto Rodrigues Neto

 

 

 

24 - IEDA CUNHA CAVALHEIRO

Nascida a 23/03/1950, em São Gabriel/RS, advogada, professora, poetisa, escritora e ativista cultural. Livros publicados: Sinfonia de Vida, poesia, O Peixinho e a Menina Triste, conto infantil, 2008, organizou Nas Asas da Paz, Coletânea em Prosa e Verso, 2007 e Casa do Poeta Rio –Grandense, 43 Anos/2007, Casa do Poeta 44 Anos/2008, Casa do Poeta Rio-Grandense 45 Anos/2009, Casa do Poeta 46 Anos/2010 e Casa do Poeta Rio-Grandense 47 Anos - 2011. Participou de mais de trinta Coletâneas em Prosa e Verso, possui crônicas publicadas em alguns jornais. Foi Presidenta de 2007 a 2011 da Casa do Poeta Rio-Grandensee/RS - Porto Alegre/RS/BR.
www.iedacc.epoeta.com.br

 

HERANÇA MALDITA


Muitas vezes eles haviam discutido. Sempre a discussão terminava no abraço que a mãe ensinara, ainda pequeninos. Meio sem graça, meio em pejo, mas abraço e depois, o aperto de mãos de quem garante que nunca mais vai repetir o mesmo erro, sem palavras. O pai acabara de morrer. Fora o braço firme depois da morte da mãe. Deixou-lhes herança, muitos bens a dividir. Sentaram-se à mesa. Imóveis, valores, cálculos, um pra mim, um pra ti. Pronto, tudo certo. Ergueram-se os dois e tal como aprenderam, ao final do acordo, aperto de mãos e o abraço meio em dúvida, mas fraterno. Ficaram de chamar o advogado para fazer a partilha no papel.
Foram aos quartos, falaram com as mulheres, ajeitaram as crianças e partiram cada um para sua casa, deixando abandonada a casa da fazenda do pai até resolverem que fazer com ela para dividirem o valor, ambos já haviam feito suas vidas em outras paragens e a casa estava muito velha pra morar. Tempos depois se encontraram em frente à casa do irmão, o mais novo portava, ainda sem apear do cavalo, o revólver que fora do pai e não entrara na partilha. Nem se cumprimentaram: é meu, disse o mais velho. É meu, disse o outro. Entre é meu e é meu, o mais velho já avançara e a tomara da cintura do irmão. O mais novo girou nas quatro patas do cavalo e se foi, campo afora, sem a arma. E troteou até sumir no horizonte azul.
O outro, nem se sentiu culpado, era mais velho, tinha o direito. O filho pequeno que brincava além da porteira só viu o tio sair sem palavras e sem apear para lhe fazer agrados. Não entendeu nada. Nunca mais viu o tio. Passaram-se muitos anos. O Inventário nunca foi feito. O mais moço enviuvara e ficara com a filha, o genro e os netos, já tinha até bisnetos morando todos no mesmo casarão.
As crianças brincavam e reunidos no oitão, os adultos conversavam, tomando o chimarrão do fim da tarde. Repentinamente, se ouviu um trotear apressado de cavalo e se foi avistando o cavaleiro que surgia na reta da estrada, cada vez mais perto na direção da porteira. Pusera-se em pé para observar mais fácil, já lhe falhava a visão longa, em lusco-fusco o sol já se punha.
O cavaleiro velho, mas ainda empertigado em seus quase oitenta anos, aproximou-se. Chamou o irmão pelo nome. O outro se aproximou, reconhecendo-lhe a voz. - Apeia - disse-lhe, então. Já era tempo de perdão, pensou com seus botões. O outro não respondeu, não sorriu, apenas enfiou a mão na cintura desafivelou a guaiaca e jogou-a para o irmão – toma conta disso, agora é tudo teu. Girou o cavalo nas quatro patas e lá se foi na nuvem de poeira pela estrada de chão e sumiu no azul. Desapareceu mesmo o barulho de patas do cavalo. O irmão pegou o presente, assim julgou, tinha a arma do pai, ali, cuidadinha, brilhante e toda a munição pra garantir o uso. Não sabia o que dizer. As crianças ficaram impactadas, a filha, o genro, os netos não sabiam que fazer para ajudá-lo, tal o seu tremor.
Anoitecia quando chegou o vizinho trazendo a notícia da morte de um cavaleiro estranho que há pouco passara num sentido e depois pelo outro da estrada. Não possuía documentos, nem dinheiro, nem arma, nada que o identificasse. Levá-lo-iam para a cidade no carro de bois da família que tentara socorrê-lo, para ser identificado. O presenteado não teve dúvidas, correu ao galpão, ligou o motor, deu ré no jipe, correu quanto pode para ajudar: era seu irmão.
Juntou com as suas, as mãos do irmão, abraçou-o forte e chorou como em criança quando brigavam. Um abraço constrangido, doloroso. Pediu-lhe perdão pelo abandono. Rezou à mãe e ao pai para o receberem bem e a Deus para iluminá-lo.
Diabo de vida. É tão fácil abraçar. Poderia ter perdoado o irmão. Ele perdera toda a família. Há duas semanas morrera-lhe o último filho. Havia ficado só. Por que se sentia tão mal, tão triste, tão infeliz? Só agora tinha noção do que lhe teria representado a amizade do irmão e a dos parentes já idos. Poderiam ter tomado tanto chimarrão juntos. E agora faria o quê com a herança maldita?

Ieda Cunha Cavalheiro

 

 

 

 

25 - ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS

Isabel C.S.Vargas, professora, advogada, aposentada no serviço público, jornalista. Especialista em Linguagem e Tecnologias, com cerca de trezentas publicações no Diário da Manhã- Pelotas RS e no seu site:http://www.isabelcsvargas.com. Membro da AVSPE- BC-SC, da Associação Poetas Del Mundo (Chile), Clube Brasileiro da Língua Portuguesa-BH-MG, Portal do Poeta Brasileiro, Confrades da Poesia, Portugal, da União Hispanoamericana de Escritores. Portal CEN-Portugal. Participa da CBJE, além de mais uma centena de publicações em livros. Recebeu diversas premiações, entre elas 1º lugar em conto e crônica, menções honrosas, destaques em crônica, contos e poesia. Prefaciou obras para a Editora Celeiro de Escritores, além de revisão literária. Publicações na R. Eletrônica Lápis e Luz, no Varal do Brasil (Suíça)
Outros links:
http://ainternacionalpoetasdelmundo.blogspot.com.br/2012/04/memb o-isabel-cristina-silva-vargas.html
www.isabelcsvargas.com
http://www.icsvargas3.blogspot.com.br/
http://icsvargas.bloguepessoal.com/

 

CRIAÇÃO


Sob o manto anil do céu,
Estendem-se belezas sem par,
Natureza rica e virgem
Seres cheios de bons propósitos
Sentimentos nobres aflorados
Em corações imaculados.
Risos cristalinos
Que não foram atingidos
Pela violência gratuita.
Fortalecidas pelo calor do astro-rei,
Brotam as sementes de formosas flores
Que alegram os homens e,
Os fazem sonhar.
Nos sonhos dançam ilusões,
Sonhos que para não se perderem
O homem eterniza nas palavras,
Materializa nos substantivos,
Multiplica nos verbos,
Embeleza nos adjetivos,
Lançando-os no espaço
Criando novas realidades
Que produzirão mais sonhos,
Em um inesgotável movimento
De criação, morte, renascimento.

Isabel Cristina Silva Vargas

 
      

                                 para 7ª pág.