Sebo - Antologia - por Isabel Pakes

 

Antologia Virtual - II

“Verso e Prosa”

2ª página

 

06 -

LÍVIA MARIA DARROZ MELLA

Nascida em 12 de setembro de 1989, formada no ano 2011 no curso de Educação Artística, teve seu primeiro contato com o mundo da poesia aos 10 anos, quando escreveu seu primeiro poema. Desde o ano de 2007, vem participando de festivais de poesia, onde foi diversas vezes premiada. Atualmente, somam-se mais de 150 poemas de sua autoria.

 

NO SILÊNCIO


É no silêncio que eu grito,
choro, esperneio-me feroz.
Revelo a beleza e a fúria,
o amor de uma criatura pura,
a brandura, uma fera e seu algoz.
 
Absorvo a luz e observo a sombra.
Canto baixinho, versifico alto...
Criança descalça, mulher de salto,
música inspiradora, uma onda,
onda contraditória, no silêncio...
 
No silêncio, eu rabisco cores,
dou vida à minha vida,
prazer, emoção infinita...
Mato medos, destruo dores...
Brilho discretamente em devaneios.
 
Mostro meu melhor sorriso,
sonho, realizo, me ofusco,
penetro o olhar que tanto busco,
poetizo as palavras que não digo.
E assim eu prossigo, no silêncio.

~ * ~ 
 
 
NOVO AMOR 


Mostre-me o caminho
a percorrer para chegar
ao calor dos teus braços.
 
Faça-me sentir o sabor
da tua sinceridade
através dos teus beijos.
 
Deixe-me entrar na freqüência
do teu pensar e agir
para eu poetizar a tua alma.
 
Fale-me sobre o amor
e ensina-me a senti-lo,
a enxergá-lo nos teus olhos.
 
Ganhe meu coração,
jure um amor momentâneo...
Mas me ame eternamente.

 

07 -

CELITA FLEURY GOLDONI

Nasceu em Tietê em 11/01/1947 - Filha de poetas - Euclydes Camargo Madeira e Celina Fleury Madeira - cresceu embalada pela poesia e sonhou ser, um dia, poeta também. Artista plástica, pintou em telas o que a alma ditou, mas a profunda admiração pelos poetas a instiga a escrever versos de quando em quando.
 

EM ALGUM LUGAR...


Tenho andando na vida,
procurando os passos
perdidos nas estradas.
Os olhares perdidos
no além.
 
Procuro os sorrisos,
o som das palavras,
Sussurros...
A boca amada.
 
Procuro a ternura
a ânsia sentida
nas imagens que acalanto
nos sonhos que invento.
 
Procuro nas esquinas,
nas trevas,
sacudindo as sombras
colorindo a luz.
 
Tenho andado por aí,
procurando...
 
Não encontro nada,
eu procuro a mim.

~ * ~

do Pai de

Celita Fleury Goldoni

EUCLYDES CAMARGO MADEIRA

  - “In Memoriam”

Nasceu em Tietê ( 26/04/1907 - 22/04/1990). Farmacêutico, agropecuarista, poeta e escritor – Aos treze anos compôs a primeira poesia: “A pétala de rosa”. Foi membro da Academia Paulista de  Letras e da Academia Sorocabana de Letras, colaborador do Jornal O Estado de São Paulo e jornais da cidade de Tietê. Publicações: “Pedras do meu garimpo” ( livro de poesias - 1980);  Numa noite de São João (poema); “Um teatro por acaso” e “Amores que se encontram” (romances); “Excertos de uma epopéia” (opúsculo); “Tietê, terra dos apelidos” (a história, vida e os apelidos); “Na terra de Cornélio Pires “ (a história, os imigrantes, os “causos” e mais apelidos); “Contos, Anedotas e Piadas”, entre outros.

 

A TUA AUSÊNCIA

 
Na ansiedade de rever-te,
busco nas vozes pelo espaço
a tua presença.
 
Sinto na cor do dia
pelas ruas agitadas
que não vens.
 
Surro minha alma
que te perdeu.
 
Mas ,
nos meus sonhos,
agarro-te
e te beijo desordenadamente...
 
E tu cada vez mais longe ,
a desfazer-te.

~ * ~


 
QUERO SABER


Por
que vim, onde estou
E o que serei?
 
Ninguém me responde,
nem a brisa nem o vento,
nem o sol nem a lua,
nem a noite ou as estrelas.
Vou ao mar, às praias
onde as ondas se arrebentam
e se derramam.
 
Adentro as brenhas
onde a lei silenciosa
comanda a sobrevivência
dos seres cautelosos.
 
Computo as conjeturas,
preencho vagas de interrogações
que não me respondem.
 
Vou aos homens
e não entendo bem as definições
das leis e da vida.
E me perco na complexidade
das afirmações e dos contrastes
filosóficos emitidos.
 
Quisera tanto saber
por que vim, onde estou
e que serei, mas em verdade,
em verdade mesmo,
ninguém me responde.

~ * ~

da Mãe de

Celita Fleury Goldoni

CELINA FLEURY MADEIRA

- “In Memoriam”

 

Nasceu em Tietê ( 18/02/1921 - 25/05/2002). Escritora e poetisa. Publicações: “Folhas ao vento” (contos e poesias); “Magnólias! (conto); “Assim nasceu a Fazenda Tietê”; “Tietê” (histórias da cidade); “Nossas Genealogias”: I – Nossas Origens (família Fleury Curado); II Nossas Origens (família Camargo Madeira). Em agosto de 1993, conquistou o 1º lugar no Concurso Literário na “Semana Cornélio Pires”, em Tietê, com a obra “Tietê – nosso jardim”.

 

PRA LÁ... PRA CÁ...


O embalar de dois numa rede
pra lá... pra cá...
- Duas vidas num só viver
dois lábios se beijando,
dois corpos se apertando
na rede que balança cantando
pra lá... pra cá...
 
Mãos se afagando,
carícias e bem-querer,
pulsar de dois corações
no ritmo de um só bater...
Ai! O embalar de dois, que prazer!
Nem o evaporar de perfumes
nas brisas do entardecer
tem mais doçura e encanto!
É tão bom a gente amar,
deixa a rede balançar
 
pra lá... pra cá...
pra lá... pra cá...

 

CAIXÃO DE VIRGEM


Joaninha, morena trigueira (cor de trigo maduro) de braços roliços, ancas rebolantes... provocantes, cabelos negros, presos em duas tranças que lhe pendiam pelos ombros, parecia esbanjar saúde e “pifou” de repente, numa noite fria de maio.
O pai, ricaço impertinente, intransigente... surdo e de pouca prosa, quis, ele mesmo, cuidar do funeral da filha querida. O noivo acompanhou-o.
- Quero um caixão melhor, o mais rico e mais caro, para nele depositar os restos mortais de minha filha.”
- Caixão branco, senhor?
- Atrevido, imbecil. Bruto. Animal. Não lhe disse que é para minha filha? Uma menina pura e santa como igual não existe por estas bandas.”
Saiu batendo duro as botas, como para machucar o assoalho já castigado pelos anos.
No limiar da porta, repetiu firmemente: “BRANCO COMO A NEVE!!!”
O noivo, consciência pesada, arriscou baixinho:
- Branco, amigo. Mas “chamusqueie” bem de roxo...

Nota: Antigamente, usavam-se caixões revestidos com panos coloridos: para crianças, róseos ou azuis, conforme o sexo; para adultos, casados, roxos; para as moças solteiras, brancos (símbolo de virgindade e pureza). Que sorte esses caixões encontrarem-se em desuso!!! Que seria dos brancos?

 

 

08 -

LUIZ ANTONIO SOUTO

Tabelião aposentado há dez anos, natural de Cerquilho-SP/BR, onde resido. Escrevo apenas para preencher o tempo ocioso, sem qualquer pretensão literária e para brincar com os amigos, sem a busca da rigidez das métricas (+ de 200 trabalhos) e, em sua maioria, como sonetos italianos (clássicos). Não tenho nada publicado em livros e todos os meus escritos eu divulgo pela internet (Facebook - Luiz Antonio Souto) Em julho de 2011, participei do primeiro Sarau de Artes Literárias, que junto à amiga Isabel Pakes e outros abnegados amigos poetas de nossa cidade, conseguimos realizar com sucesso:

 

AMOR VOLÁTIL
 
 
O amor anda mais volátil que volúvel,
Enquanto volúvel, usava-se a desculpa,
Embora esfarrapada, mas resolúvel,
De que não foi a minha culpa...
 
Agora, tão volátil, demais para meu gosto,
Como onda na areia se esfuma,
Causando tanto desgosto,
Com isso a gente não se acostuma.
 
Ora pois, quanta infelicidade
A se espalhar por aí
Com tanta volatilidade.
 
Afinal o amor, na verdade,
Igual ao que eu dedico a ti,
Nunca deveria ter, um prazo de validade.
 
 
ISSO LÁ FOI MANEIRA DE SE VIVER?
 
 
Ah! Coração descompassado,
Pare e me mate de uma vez!
Pedir isso pode até ser pecado,
Mas veja o que você me fez:
 
Me deixou em frangalhos,
Por causa de uma zinha.
E só agora, com meus cabelos já grisalhos,
Percebi que ela nunca seria minha!
Então, porque tanto sofrer?
Porque ela nunca saiu da minha lembrança?
Porque só me ofereceste tanta dor?
 
Isso lá foi maneira de se viver?
Viver assim, só de esperança?
Viver assim, sem um pouquinho de amor?

 

 

09 -

MARIA IVANETE GRANDO MELARÉ

É natural de Cerquilho, SP, Brasil. Ministrou aulas de Língua Portuguesa e Literaturas durante quarenta anos em escolas públicas. Sempre trabalhou muito o desenvolvimento do senso estético em seus alunos, levando-os a produzir textos merecedores de prêmios em concursos literários da região. Criou, na escola em que lecionou, o projeto Poesia e Vida, envolvendo os demais professores, todos os alunos, ex-alunos e comunidade. Criou e coordenou por dez anos o FESTPOPLI - Festival de Poemas da Escola Plínio, em Tietê. Conquistou vários prêmios como compositora e intérprete. Recebeu, em 1997, o título de Cidadã Tieteense e em 2008, o de Professora do Ano do Estado de São Paulo.

SUBMUNDO


No meio do lixo,
humanos suínos
farejam dejetos da ganância,
urubus sobrevoam atraídos
pelos fétidos odores,
disputando aos porcos
um alívio estomacal:
desarranjo intestinal
do futuro esqueleto.
No meio do lixo,
uma sombra de menino
busca mais que pão:
busca restos de esperança,
retalhos de bonança,
frascos de ilusão.
Para o menino triste
a ventura consiste
em o aterro explorar
grunhir, farejar,
sobreviver, dormitar,
sem sonhos...
sem rumo...
sem lar...
 
 
 
O REI DO MUNDO
 
Aqui, no último andar,
sou o primeiro, sou rei.
Não vejo o céu _ névoa cinzenta!
Não há estrelas _ manto negro!
Não há pássaros _ faíscas flutuantes!
Não há Lua, não há Sol!
Mas sou rei!
Acima de mim, o nada;
Abaixo, o tudo.
Da minha janela real,
meu olhar régio
compraz-se com o labirinto infernal,
distante, abismal,
onde um formigueiro incessante,
cambaleante
persegue seu pão,
seu destino fatal.
 
O meu arranha-céu
não é Torre de Babel.
Sou mais que coronel,
sou Rei.
Com um toque digital,
vejo o mundo,
controlo o mundo, o mundo é meu,
sou Reimundo.
Meus súditos não são africanos,
são Japoneses, Americanos.
Não são senhores,
são fulanos:
Fulano Fax,
Sicrano Micro,
Beltrana Internet
da minha Majestade Real.
 
Sou Adão sem Eva
neste Éden espacial!
 
Na maçã dou a mordida
proibida...
Erro o botão,
estou no chão.
 
Vem um menino
de olhos estrelados,
bochechas ensolaradas
sorrindo feliz.
 
Tomo o minha coroa
elejo Rei do Mundo
o pequeno petiz.

 

 
Para índice                                         para 3ª pág.

           

 

 

LIVRO de VISITAS