| Antologia
Virtual
VI
Abril
2012
ORGANIZADORA:
Maria Beatriz
Silva (Flor de Esperança)

Página 5

31 - ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS
Isabel C.S.Vargas,
professora, advogada, aposentada no serviço público,
jornalista. Especialista em Linguagem e Tecnologias,
com cerca de trezentas publicações no Diário da
Manhã- Pelotas RS e no seu
site:www.isabelcsvargas.com. Membro da AVSPE- BC-SC,
da Associação Poetas Del Mundo (Chile), Clube
Brasileiro da Língua Portuguesa-BH-MG, Portal do
Poeta Brasileiro, Confrades da Poesia, Portugal, da
União Hispanoamericana de Escritores. Portal
CEN-Portugal. Participa da CBJE, além de mais uma
centena de publicações em livros. Recebeu diversas
premiações, entre elas 1º lugar em conto e crônica,
menções honrosas, destaques em crônica, contos e
poesia. Prefaciou obras para a Editora Celeiro de
Escritores, além de revisão literária. Publicações
na R. Eletrônica Lápis e Luz, no Varal do Brasil
(Suíça).
Link com meus trabalhos:
http://www.avspe.eti.br/poetas2008/IsabelCristinaSilvaVargas.htm
http://www.varaldobrasil.ch/156521/128701.html
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Isabel_C_S_Vargas.htm
http://isabelcsvargas.blogspot.com.br/2009/12/realizacoes-literarias-participacao-nas.html
REMINISCÊNCIAS
Ao passar por uma padaria senti o cheiro do pão
ao sair mais uma fornada. De imediato fui remetida
aos tempos de minha infância. Adoro este aroma.Coisa
curiosa, pois pode parecer que tive uma infância
maravilhosa e, no entanto, ela foi cheia de
dificuldades, de carências materiais.
Outra responsável por lembranças é a chuva, ou
melhor, o odor que a terra exala em contato com a
água da chuva. Não sei explicar com exatidão quando
isso ocorre, mas creio que é em época de calor e de
seca.
Sempre morei em casa. Talvez por isso, pelo contato
mais direto com o solo essa ligação seja explicada.
Ao lembrar esta época, recordo de uma casa de
madeira ao fundo de um grande terreno. Grama verde,
borboletas e cigarras voando na primavera e no
verão. Vejo-me cuidando de minha irmã menor e, no
inverno que embranquecia o pasto, ouço meus
intermináveis acessos de tosse. Volta uma grande
sensação de impotência. (Ou quem sabe ela sempre
esteve aqui escondida).
Reporto-me ao nascimento de meu irmão, em épocas
mais distantes ainda, da minha felicidade ao
exibi-lo às visitas como se fosse meu bebê e das
minhas angústias quando ele adoeceu e quase se
hospitalizou.
O gatilho de minha infância é detonado quando ouço
alguma música esquecida no tempo. Lili (acho que é
esse o nome) é uma delas.
Associo ao passado, as balas de goma, aquelas ainda
sem formas diversas como agora, peito de frango
desfiado, balas de guaco, xarope caseiro feitos por
minha avó, cuja folha era colhida direto do pé que
se espalhava por cima da parede do tanque. Ainda, o
doce de figo, cujo pé era possível enxergar da
janela de seu quarto.
Na Páscoa, ovos de açúcar, bem mais acessíveis que
os de chocolate; ninhos feitos em cestos de vime ou
caixas cuidadosamente decoradas com franjas de papel
de seda. Uma grande expectativa se instalava, um
grande prazer fazê-los.
Em um breve insight percebo que isso talvez explique
a luta constante contra o excesso de peso.
Volto à realidade e percebo o que poderíamos
considerar à época como algo desagradável, o tempo
torna doce, carregado de nostalgia, porque junto
destas lembranças estão pessoas que nos foram caras.
Apesar do tempo decorrido, permanecem indeléveis em
nossa vida pelos ensinamentos, pelas vivências e
pelo amor que nos uniu.
Isabel C S Vargas

"NATO" AZEVEDO,
nascido no Rio de Janeiro/BRASIL em 1952 é poeta,
escritor e letrista/compositor de sambas e de rock,
entre outros estilos musicais. Tem mais de 300
textos publicados em jornais literários e revistas
culturais de 52 cidades em 11 Estados do Brasil.
CONTOS DE UM CANTO... SÓ !
Amanhecia. A
insônia consumia-lhe as entranhas, devorando
células como os vermes aos restos de outros
sêres. Desligou a TV, com suas imagens de crimes
hediondos, sequestros, estupros, assassinatos
bárbaros.
Foi até a janela da sala tragando mortífero
cigarro, enquanto o gato da vizinha estraçalhava
ratos no seu quintal, com o fiel "pitbull"
alerta e pronto para estraçalhá-lo em seguida.
Enfim, tudo estava na mais santa paz, o Mundo
corria conforme suas próprias leis. Recostou-se
lentamente no sofá e... Adormeceu!
Por vários anos a sabiá passou ali, imóvel, os
pés cravados no único poleiro da minúscula
gaiola. Era o orgulho maior de seu dono e algoz,
passarinheiro renomado na região.
--"Valia mais que um carro"... Vociferava,
vaidoso. Um dia o pássaro amanheceu com ares de
"auve" e sonhando ser macieira, de cujos frutos
gostava tanto. Abriu as asas... E os olhos do
patrão -- do tipo que engorda o gado, segundo o
dito popular -- notaram algo estranho. Por entre
as penas nasciam folhas e, à tardinha, já se
percebiam minúsculos frutos.
-- "Milagre"... Gritaram as beatas do lugar,
enquanto as fãs de seitas e das demais religiões
afirmavam ser coisa do Demônio. De noite
surgiram-lhe raízes sob os pés e, na manhã
seguinte, de coisa viva na bichinhasó restavam
os olhos. Movendo-se angustiados para todos os
lados.
Seu dono agora está triste! "Aquilo", do jeito
que ficou, não vale nada para êle. Aos
cientistas que o procuram não vende por dinheiro
algum, pois acha que êles não sabem apreciar um
belo espécime.
Ricardinho não era um mau menino... Apenas,
garotos naquela idade tinham por hábito destruir
tudo o que encontravam pela frente. Naquele
momento dedicava-se a matar interminável fila de
formigas, metódicamente, uma por uma.
Arrependeu-se tarde demais! Deveria ter deixado
ao menos umas vivas, pensou com tristeza. Amanhã
não terá nada para fazer o dia inteiro.
À luz de velas, jantavam... Os ânimos exaltados
substituindo nos corpos a energia que faltava. A
esposa, irada, gritava com o cônjuge, instalado
no país vizinho:
-- Luís Felipe, venha já para o Brasil... Aí,
você não fica nem mais um minuto!
-- "Què pasa, su tonta"! O menino vai ficar
comigo... Está no contrato "eso"!
-- Ouça bem, Ricardo: isso é lei aí na
Argentina. Aqui,os filhos pequenos ficam com a
mãe. Vem, Felipinho!
-- "Entonces, la niña" Mercedes volta para mim.
"Usted no puede quedar con los dos. Volve para
su padre, muchachita”!
-- Mas, "papito", eu... "estoy bien acá"!
Esse "tango à meia luz" continuaria
indefinidamente se o pai, irritado, não se
retirasse da sala com estrépito, abandonando a
mesa de jantar e recolhendo-se ao quarto do
casal.
Em um futuro qualquer, havendo nova guerra entre
os países, a casa -- situada sobre a imaginária
linha de fronteira -- seria dividida em dois,
ficando parte da sala e a cozinha com a esposa,
brasileira, e o restante com seu ex-marido
argentino.
A "lulu" era "filha única" da madame "Tetê"
Strump, milionária do high society. Tinha lugar
à mesa, pratinho próprio, guardanapo e empregada
para lhe escovar os delicados caninos após as
refeições.
Banhavam-se juntas, dormiam na mesma cama,
vestiam-se com idêntico "modelito" Saint Laurent
-- a cadela de "papatinhos" de crochê -- e eram
as duas "paparicadas" pelas amigas
(interesseiras) da ricaça.
Acordaram, um belo dia, ambas "meio de lua"...
Madame ganindo pelos cantos e a "lulu", em pé
nas charmosas patinhas, pedindo com os olhos o
café da manhã à criadagem.
Durante o chá das cinco -- servido com biscoito
para cães -- as amigas estranharam o
comportamento da "socialite", encolhida sob a
mesinha de centro, mas nada disseram. "Caprichos
de gente grã-fina", concluíram.
Ontem foi refeito o testamento: depois que a
"totó" morrer, dona "Tetê" herdará dez milhões
de dólares!
"NATO" AZEVEDO (Brasil)

33 - MARIA MOREIRA (MARIA DA
CONCEIÇÃO RODRIGUES MOREIRA)
Nascida no Campo
de Aviação município de Ubá, M.G. Reside há quarenta
anos em Belo Horizonte M.G. Casada dois filhos
microempresária ,ceramista.
Formação em artes visuais e restauração pela UFMG
Curso de artes plástica no Arena da Cultura.
Diversas oficinas de livros ministradas na UFMG
Oficina de livros infantis com prof. Geraldirn. No
Arena da cultura.
Dois livros lançados na bienal internacional do Rio
de Janeiro, pela Ed. All Print. Sendo um livro de
poesia(OBJETIVO INDEFINIDO) escrito e ilustrado por
mim.O outro é uma antologia organizada por Brenda
Maris /Imersão Latina.(ant.NOS DA POESIA). Uma
antologia virtual idealizada por Carlos Leite
organizada por Maria Beatriz saindo já no segundo
numero. Outra antologias saindo em abril (Ant
MELHORES DA POESIA BRASILEIRA) Idealizada e
organizada por Monica e Jane Rossi.
Escrevo no recanto das letras. http://www.recantodasletras.com.Br./autores/mariamellomoreir
Varanda das Estrelícias.
www.joaquimevonio.com/espaço/maria-moreira/maria-moreira.html
Poetas del Mundo. http://www.poetasdelmundo.com/verinfo-america.asp?id5988
Tenho poema escrito no paz e poesia no Varal do
Brasil, no Portal CEN. Etc.
HOJE COM O VENTO?
Hoje vou sair com o vento
Horas para lá horas para cá
Vou arrastar as folhas,vou desfilar!
Voltas e meia sorrateiras vou revirar!
Hoje quero o café na cama
Hinos de louvor hei de cantar
Voltar no tempo, olhar bem longe
Ver e ouvir o cântico do sabiá.
Hoje tem festa na vizinhança
Horas poéticas, dança ao luar
Volver casos de eras idas
Velar por todos que cá está.
Hoje o sol acordou mais cedo
Num repique com o galo
Pois nem mesmo sol
Quer dar lugar ao orvalho.
Nas ondas das emoções
Vento me leva vento me trás
Num bailado bem poético
Com o vento eu posso mais.
MARIA MOREIRA |

Edvaldo Rosa, poeta
escritor, resenhista de livros em poesia. Promotor
cultural, com larga presença em sites de literatura
na net, e participante e organizador de Sarais em
São Paulo - Brasil. Com um livro solo publicado,
"Caminhando com as borboletas" e o "Marcas do
coração..." ainda no prelo a ser lançado na Bienal
do Livro de São Paulo de 2012, e participante de
várias antologias.
Links de meus trabalhos, entre outros:
www.sacpaixao.net
http://edvaldorosa.blogspot.com.br/
www.academiavirtualbrasileiraalmaartepoesia.com
A NOSSA CANÇÃO DE AMOR ECOA NO SILÊNCIO!
A
nossa canção de amor, não é só uma,
São tantas, quanto os momentos de nossa
história!
Não temos uma só lembrança, solta da
memória...
Todas se encadeiam qual notas de toda
canção...
E tem horas que enlaço teu corpo, bem
rente ao meu,
E rodopiamos sorridentes pelo salão...
E tem horas, que damos as mãos,
Caminhando pela noite afora...
E caminhando em silêncio,
Tua face junto á minha,
Dois pares de olhos presos na
amplidão...
Ouvimos no silêncio as batidas de nossos
corações,
Como a mais bela canção de amor que
existe...
Rumamos ao sabor dos ventos murmurando
nota após nota,
Que inflam as velas de nossas almas,
Unidas, numa mesma direção!
Edvaldo Rosa
15/03/2011 |

Diná Fernandes da
Silva nasceu em Santa Luzia – Paraíba aos 27 de
maio de 1942, é Técnica de Enfermagem,
funcionária pública federal concursada pela UFPE
(Universidade Federal de Pernambuco). Reside em
Cabedelo – Pb , seu estado de origem.
Quem sou eu!
Sou um fragmento de cada um que nesse mundo das
letras com seus olhares ladinos e observadores,
transformam suas vivências e as explicitam
através dos meus singelos escritos. Sou aquela
que sofre de encantamento pela vida, um dia
frágil, noutro forte, porém otimista! Sou
aprendiz das letras, não me considero poeta,
apenas expresso o que o coração sente. Não me
atenho a estilos. E minha produção poética não é
farta!
Onde me encontrar:
http://www.recantodasletras.com.br/autores/ALuzmeSegue
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16090789334551753517
http://horizontesdapoesia.ning.com/profile/DinaFernandesdaSilva
OUTONO
Outono dos dias nevoentos
Das árvores nuas e friorentas
E a efêmera vida das folhas
Que morrem para a renovação
Outono das frescas manhãs
Dos galhos secos estalando
Em respeito à natureza
Canta seu canto de amor
Outono das tardes pardacentas
Tempo morno de magia e amor
Gestação das folhas, flores e frutos.
Parto indolor da mãe natureza
E na despedida das folhas...
Que venha o verde do inverno
A primavera das belas cores
Com o sagrado manto de flores
Diná Fernandes |

Penélope Lsteak -
Creusa Negris. Moro em São João da Boa Vista -
SP. Sou bancária aposentada. Tenho 4 filhos
todos formados. Formada em Administração de
Empresas.
Amo poesias, não tão somente compô-las, como
também empreender e organizar promoções
virtuais, que visem beneficiar tanto a poesia,
quanto o meio poético em geral, através de meus
Web Blogs e Comunidades no Orkut.
http://penelopelsteak.blogspot.com/
http://revista-de-poesias2.blogspot.com
CAFÉ COM VERSOS
http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpp&cmm=107159002
A MÁGIA DO AMOR
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=46809270
AUSÊNCIA
Ainda sinto forte
Sua presença em minha vida
Sua ausência me tira o norte
Sua falta me leva a loucura
Sacode-me a toda hora
Alertando que já não estás
Tudo me lembra você
E a distancia me explica
Essa dor que replica
Aquilo que não pode ser...
Mas como convencer meu coração
Que não pode ser?
Vou levando a vida assim,
Sem emoção
Sozinha e tristemente negando a razão
Acompanhando-me da saudade.
E a solidão tentando convencer meu
coração
De que tudo não pode ser...
Penélope Lsteak |

Tchello d'Barros (Brunópolis
SC Brasil, 1967), é escritor e artista visual.
Trabalha com editorias independentes, curadoria em
artes visuais e ministra oficinas literárias.
Lançou meia-dúzia de livros e publicação
regularmente em mídias impressas e virtuais. Possui
contos, poemas, crônicos e artigos publicados em
cerca de 50 coletâneas e antologias.
Nas Artes Visuais produz de desenhos, pinturas,
gravuras, poesia visual, fotografia, vídeo e
instalação. Seu trabalho tem participação em mais de
70 exposições, entre coletivas e individuais.
No momento está radicado na Amazônia, sediado em
Belém do Pará, realizando projetos culturais.
O CUPIDO O CULPADO
Não é que ele
fosse solitário ou anti-social, tampouco era tímido
ou egocêntrico. A verdade é que gostava de ficar só,
em estado de solitude, como recomendava o poeta
Rainer Maria Rilke. Até seu esporte preferido era
individualista, pois sempre que podia lá estava ele
praticando arco-e-flecha. Quando menino, brincava
com a garotada, quando todos, para fazerem parte da
turma deveriam ter seu próprio arco, aljava e
flechas. O alvo era um coqueiro no fim da rua e
servia para todos treinarem a pontaria. Depois
alguém dava o grito do Tarzan e os outros todos
ululavam como índios e iam andar de cipó nas árvores
do bosque ou nadar no riozinho. Bons tempos!
Adolescente, ganhou um arco talhado em madeira,
feito por um descendente de índios do norte.
Assustou-se quando atirou a primeira flecha e viu-a
desaparecer por cima das árvores do bosque. Certa
vez, estava viajando, visitando um castelo, e ao
lado de um dos muros imensos viu alguém praticando o
esporte, atirando sucessivas setas num alvo à cerca
de cinqüenta metros. Decidiu pesquisar e depois de
muito estudar, adquiriu os equipamentos necessários.
Com muito treino, muitos erros e acertos depois,
desenvolveu a pontaria e a concentração a tal ponto
que acabou por tornar-se imbatível naquela arte.
O Cupido, que há milênios usa o mesmo instrumento
para acertar o coraçãozinho dos candidatos a Romeu e
Julieta, escolheu-o para alvo de mais uma de suas
setas. Achou que aquela solitude toda deveria ser
substituída, não por uma dessas meras paixões
inflamadas ou algum romance ocasional, mas por uma
história de amor de verdade, daquelas que muitos
chamam de almas gêmeas, com direito a final feliz.
Esse anjinho sapeca, escolheu na aljava uma das
melhores flechas, que guardava há tempos, para uma
ocasião especial. Era toda de luz dourada, até
parecia neon. Então ele vergou seu arco, esperou um
momento de distração de nosso arqueiro, mirou bem no
centro do peito e disparou! Só não contava com uma
coisa: nosso herói, que conhecia flechas como
ninguém, ao sentir que uma dessas vinha em sua
direção, rápido como um ninja, conseguiu
interceptá-la, agarrando-a com a mão. Então apontou
seu arco para o cupido, que quando viu, fugiu em
disparada e até hoje não se sabe aonde foi parar,
tamanha a falta de amor verdadeiro nesse mundo.
Restava agora descobrir o que fazer com aquela
flechinha brilhante.
Depois que a notícia se espalhou, muita gente
acorreu ao arqueiro para emprestar, roubar ou mesmo
comprar a tal flecha milagrosa do amor. Queriam
cravá-la no próprio peito, sem demora, para viver,
nem que fosse uma vez só na vida, o maior dos
sentimentos, a mais sublime das experiências. Houve
quem lhe oferecesse ouro, mulheres, boiadas,
camelos, e até mesmo metade de um reino. Uns
marqueteiros propuseram dividi-la em pedacinhos
minúsculos e vendê-los como pílulas do amor, ou
diluí-la e vender como elixir da paixão. Houve
choradeiras, histerias e súplicas, até quem apenas
se contentaria em tocar de leve, tamanha sua fé.
Então ele sentiu-se muito comovido, com a miséria do
amor implorado.
Ninguém sabe exatamente o que aconteceu com a
flecha. Uns dizem que foi feito um grande leilão e
foi arrematada por uma socialite burguesa, dessas
que casam por interesse. Outros contam que,
compadecido, ele doou para uma virgem, que dizia não
acreditar em amor. A versão mais aceita é que o
Cupido procurou-o mais tarde e fizeram um trato: ele
devolveria a flecha, com a promessa de não ser alvo
nunca mais da mira do anjinho. Negócio feito!
O tempo passou e num certo fim de tarde, depois de
mais um treino com o arco, ele relembrava tudo ao
caminhar pelas ruas da cidade. Estava nesses
devaneios, quando ao dobrar uma esquina, deu de cara
com um certo par de cílios compridos, que traziam
junto de si duas gotas do Atlântico. Foi mais rápido
que uma seta, que um piscar de olhos, esse
amor-à-primeira-vista. As buzinas da hora do rush
abafaram o riso de um certo pivete com asas, sentado
sobre o semáforo daquela esquina.
Tchello d’Barros

Vanda Ferreira nasceu
em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. É
escritora e ativista ambiental.
http://prosaesegredo.blogspot.com
http://wwwbugra.blogspot.com
http://fazendadomfernando.blogspot.com
CANÇÃO DE PAZ
Sol deita no horizonte;
semicerrados olhos sondam esmaecimento,
trocam desejos,
Customizam roupagem do amarelo, do
verde, do azul.
Maliciosa natureza embusteia
trivialidade.
Há segredo,
esconderijo de mapa,
disfarce para trilhas dos passarinhos.
Encaixo-me feito raposa,
tecelagem mágica,
brechas de sabedoria;
Entardeço na repetição.
Canções ressoam,
vento escancara ,
nua garganta,
instantâneos flashes,
louvores à paz.
Roteiro campestre,
estrada de terra,
caminho de luz.
Vanda Ferreira |

Aluizio Rezende
carioca, poeta, contista, romancista. Formado em
Letras e Engenharia Civil. 6 livros publicados,
entre eles Desejos Descalços (contos e romance,
2006) e os de poesia Descaminhos (2007) e 14 Versos
(2010). Publicado em antologias de prosa e poesia.
Primeiro Lugar no XI Conc. Nac. de Poesia Francisco
Igreja (APPERJ), no II Conc. de Poesia Cybelle de
Ipanema e no Conc. Literário da ABRAMES 2011.
Prêmios de Literatura UFF e FEUC 2008 e outros.
Idealizador e fundador do Movimento Cultural Poveb
(Poesia, Você Está na Barra). Membro da APPERJ
(Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio
de Janeiro) e do SEERJ (Sindicato dos Escritores do
Estado do Rio de Janeiro). Engenheiro da Prefeitura
da Cidade do Rio de Janeiro.
Caminhos Literários:
poveb@cjb.net
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/alurez
ATRÁS DE UM SUBLIME
EXEMPLO
A pomba voando das mãos de alguém. A imagem da
liberdade. A idéia de ser livre, sem grilhões,
amarras. Pra ir aonde quiser. Fazer o que quiser.
O símbolo da liberdade. Que os homens cultivam e
muitas vezes associam à democracia. Democracia que
para muitos significa a idéia de se poder ir aonde
quiser, de se falar o que se quiser, de se pensar o
que se quiser.
Vemos, contudo, que não é bem assim. Podemos ter a
liberdade de irmos onde quisermos, porém podemos
jamais ter meios para isso. Então não
vamos. Podemos falar o que quisermos, mas sempre
dentro de regras estabelecidas. Ou desde que jamais
falemos o que a convenção nos obriga calar. Ou o que
é esperado que não seja ouvido pela maioria. Então
nunca falamos tudo o que queremos. Podemos pensar o
que quisermos, desde que nunca fiquem sabendo o que
pensamos, sobretudo aqueles que nunca quiseram que
pensássemos dessa ou daquela forma. Portanto, por
vezes evitamos até pensar o que realmente queremos,
para não corrermos o risco de entrar em conflito com
o que os outros esperam que estejamos pensando.
E aí poderemos até admitir que se o comunismo ou o
social -nacionalismo ou coisas do tipo são
modalidades de governo capengas, a democracia também
o é. Porque a liberdade, em qualquer situação
considerada, será sempre restrita, ou pelo menos
relativa.
Mercado livre. Devemos ter o direito de comprar o
que quisermos. Basta que tenhamos meios para isso.
Mas, da mesma forma, deveríamos ter o direito de
vender o que quiséssemos por um custo duas, três ou
quatro vezes maior que o que deveria ser o real
preço de venda do produto?
Deveríamos ter liberdade para socorrer, para nos
solidarizarmos com o sofrimento de qualquer pessoa.
Mas deveríamos ter liberdade para punir (às
vezes até à morte), torturar, infligir castigos
contra aqueles que julgamos culpados – às vezes
apenas por pensarem diferentemente de nós?
Deveríamos ter liberdade para comprar o que
quiséssemos, como já falamos. Mas deveríamos poder
comprar um número excessivo de propriedades com o
intuito especulativo de que aumentassem de valor ao
longo do tempo para podermos vendê-las mais caro
depois? Precisamos de uma cama para dormir.
Pra quê ficarmos com dez à nossa disposição?
Em 1854 deveria ter o Presidente Americano F. Pierce
o direito de comprar ao cacique Seattle as terras
indígenas do povo que o cacique liderava?
O que provocou um dos mais belos e “sublimes
exemplos de consciência holística e ecológica” no
discurso em resposta proferido pelo cacique.
Exatamente por um índio, que para muitos continua
sendo um selvagem.
O que devemos fazer com a democracia, assim como com
todas as outras modalidades de governos ou
modalidades de vida em sociedade? Ao invés de
ficarmos estabelecendo comparações, que não nos
levam a lugar algum, talvez fosse melhor procurarmos
deixá-las um pouco de lado. E nos educarmos, a
partir da observação da Natureza, dos animais e de
sociedades ou agrupamentos considerados menos
evoluídos, mas que nos colocassem em situação de
produzirmos também sublimes exemplos de consciência
verdadeiramente humana. O que, consideradas as
conhecidas exceções, ainda não conseguimos.
Rio, 26/06/2009
Aluizio Rezende

CEZAR UBALDO (de
Oliveira Araujo), nascido em 2 de outubro de 1950 em
Feira de Santana-Bahia, é educador, poeta, com dois
livros publicados:Das Liberdades e Convicções do
Homem, e Poemas de Bem Querer e Outros Quereres;
participa dos sites literários Portal Literal.
Poetas del Mundo,Overmundo, Poesia Baiana,
Autores.com.br; administra o blog Prato Raso;
participou de três edições da Revista Stitientibus,
da Universidade Estadual de Feira de Santana; Autor
e diretor Teatral; coordenou por vários anos a
Página Literária do centenário Jornal Folha do
Norte; colunista dos jornais eletrônicos Vivafeira,
Infocultural, Acontecebahia, Jornaldapovo. Membro
efetivo da Academia de Cultura da Bahia.
GRAN FINALE I
Deixa-me morrer
em tua boca
saboreando o último
dos meus beijos
em teu beijo.
Deixa que meus olhos
a vejam
no último rasgo de luz
e eu,sentindo meu eu
tornar-se brisa,esfrio,
mas levo em minha boca
gélida
o calor do amor teu...
Cezar Ubaldo |
GRAN FINALE II
...E,anoitecendo,
depois de passar pelos clarões
do dia,
o desejo de amar se faz
maior
do que a própria vida
e depois de ser amada
pela primeira e única vez,
morre adormecida...
Cezar Ubaldo |


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