Antologia Virtual

VI

Abril 2012

ORGANIZADORA:

Maria Beatriz Silva (Flor de Esperança)

 

Página 5

 

 

 

31 - ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS

Isabel C.S.Vargas, professora, advogada, aposentada no serviço público, jornalista. Especialista em Linguagem e Tecnologias, com cerca de trezentas publicações no Diário da Manhã- Pelotas RS e no seu site:www.isabelcsvargas.com. Membro da AVSPE- BC-SC, da Associação Poetas Del Mundo (Chile), Clube Brasileiro da Língua Portuguesa-BH-MG, Portal do Poeta Brasileiro, Confrades da Poesia, Portugal, da União Hispanoamericana de Escritores. Portal CEN-Portugal. Participa da CBJE, além de mais uma centena de publicações em livros. Recebeu diversas premiações, entre elas 1º lugar em conto e crônica, menções honrosas, destaques em crônica, contos e poesia. Prefaciou obras para a Editora Celeiro de Escritores, além de revisão literária. Publicações na R. Eletrônica Lápis e Luz, no Varal do Brasil (Suíça).
Link com meus trabalhos:
http://www.avspe.eti.br/poetas2008/IsabelCristinaSilvaVargas.htm
http://www.varaldobrasil.ch/156521/128701.html

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Isabel_C_S_Vargas.htm
http://isabelcsvargas.blogspot.com.br/2009/12/realizacoes-literarias-participacao-nas.html

REMINISCÊNCIAS           

Ao passar por uma padaria senti o cheiro do pão ao sair mais uma fornada. De imediato fui remetida aos tempos de minha infância. Adoro este aroma.Coisa curiosa, pois pode parecer que tive uma infância maravilhosa e, no entanto, ela foi cheia de dificuldades, de carências materiais.
Outra responsável por lembranças é a chuva, ou melhor, o odor que a terra exala em contato com a água da chuva. Não sei explicar com exatidão quando isso ocorre, mas creio que é em época de calor e de seca.
Sempre morei em casa. Talvez por isso, pelo contato mais direto com o solo essa ligação seja explicada.
Ao lembrar esta época, recordo de uma casa de madeira ao fundo de um grande terreno. Grama verde, borboletas e cigarras voando na primavera e no verão. Vejo-me cuidando de minha irmã menor e, no inverno que embranquecia o pasto, ouço meus intermináveis acessos de tosse. Volta uma grande sensação de impotência. (Ou quem sabe ela sempre esteve aqui escondida).
Reporto-me ao nascimento de meu irmão, em épocas mais distantes ainda, da minha felicidade ao exibi-lo às visitas como se fosse meu bebê e das minhas angústias quando ele adoeceu e quase se hospitalizou.
O gatilho de minha infância é detonado quando ouço alguma música esquecida no tempo. Lili (acho que é esse o nome) é uma delas.
Associo ao passado, as balas de goma, aquelas ainda sem formas diversas como agora, peito de frango desfiado, balas de guaco, xarope caseiro feitos por minha avó, cuja folha era colhida direto do pé que se espalhava por cima da parede do tanque. Ainda, o doce de figo, cujo pé era possível enxergar da janela de seu quarto.
Na Páscoa, ovos de açúcar, bem mais acessíveis que os de chocolate; ninhos feitos em cestos de vime ou caixas cuidadosamente decoradas com franjas de papel de seda. Uma grande expectativa se instalava, um grande prazer fazê-los.
Em um breve insight percebo que isso talvez explique a luta constante contra o excesso de peso.
Volto à realidade e percebo o que poderíamos considerar à época como algo desagradável, o tempo torna doce, carregado de nostalgia, porque junto destas lembranças estão pessoas que nos foram caras. Apesar do tempo decorrido, permanecem indeléveis em nossa vida pelos ensinamentos, pelas vivências e pelo amor que nos uniu.

Isabel C S Vargas


 

 

 

32 - "NATO" AZEVEDO

"NATO" AZEVEDO, nascido no Rio de Janeiro/BRASIL em 1952 é poeta, escritor e letrista/compositor de sambas e de rock, entre outros estilos musicais. Tem mais de 300 textos publicados em jornais literários e revistas culturais de 52 cidades em 11 Estados do Brasil.
 

CONTOS DE UM CANTO... SÓ !

Amanhecia. A insônia consumia-lhe as entranhas, devorando células como os vermes aos restos de outros sêres. Desligou a TV, com suas imagens de crimes hediondos, sequestros, estupros, assassinatos bárbaros.
Foi até a janela da sala tragando mortífero cigarro, enquanto o gato da vizinha estraçalhava ratos no seu quintal, com o fiel "pitbull" alerta e pronto para estraçalhá-lo em seguida. Enfim, tudo estava na mais santa paz, o Mundo corria conforme suas próprias leis. Recostou-se lentamente no sofá e... Adormeceu!
Por vários anos a sabiá passou ali, imóvel, os pés cravados no único poleiro da minúscula gaiola. Era o orgulho maior de seu dono e algoz, passarinheiro renomado na região.
--"Valia mais que um carro"... Vociferava, vaidoso. Um dia o pássaro amanheceu com ares de "auve" e sonhando ser macieira, de cujos frutos gostava tanto. Abriu as asas... E os olhos do patrão -- do tipo que engorda o gado, segundo o dito popular -- notaram algo estranho. Por entre as penas nasciam folhas e, à tardinha, já se percebiam minúsculos frutos.
-- "Milagre"... Gritaram as beatas do lugar, enquanto as fãs de seitas e das demais religiões afirmavam ser coisa do Demônio. De noite surgiram-lhe raízes sob os pés e, na manhã seguinte, de coisa viva na bichinhasó restavam os olhos. Movendo-se angustiados para todos os lados.
Seu dono agora está triste! "Aquilo", do jeito que ficou, não vale nada para êle. Aos cientistas que o procuram não vende por dinheiro algum, pois acha que êles não sabem apreciar um belo espécime.
Ricardinho não era um mau menino... Apenas, garotos naquela idade tinham por hábito destruir tudo o que encontravam pela frente. Naquele momento dedicava-se a matar interminável fila de formigas, metódicamente, uma por uma.
Arrependeu-se tarde demais! Deveria ter deixado ao menos umas vivas, pensou com tristeza. Amanhã não terá nada para fazer o dia inteiro.
À luz de velas, jantavam... Os ânimos exaltados substituindo nos corpos a energia que faltava. A esposa, irada, gritava com o cônjuge, instalado no país vizinho:
-- Luís Felipe, venha já para o Brasil... Aí, você não fica nem mais um minuto!
-- "Què pasa, su tonta"! O menino vai ficar comigo... Está no contrato "eso"!
-- Ouça bem, Ricardo: isso é lei aí na Argentina. Aqui,os filhos pequenos ficam com a mãe. Vem, Felipinho!
-- "Entonces, la niña" Mercedes volta para mim. "Usted no puede quedar con los dos. Volve para su padre, muchachita”!
-- Mas, "papito", eu... "estoy bien acá"!
Esse "tango à meia luz" continuaria indefinidamente se o pai, irritado, não se retirasse da sala com estrépito, abandonando a mesa de jantar e recolhendo-se ao quarto do casal.
Em um futuro qualquer, havendo nova guerra entre os países, a casa -- situada sobre a imaginária linha de fronteira -- seria dividida em dois, ficando parte da sala e a cozinha com a esposa, brasileira, e o restante com seu ex-marido argentino.
A "lulu" era "filha única" da madame "Tetê" Strump, milionária do high society. Tinha lugar à mesa, pratinho próprio, guardanapo e empregada para lhe escovar os delicados caninos após as refeições.
Banhavam-se juntas, dormiam na mesma cama, vestiam-se com idêntico "modelito" Saint Laurent -- a cadela de "papatinhos" de crochê -- e eram as duas "paparicadas" pelas amigas (interesseiras) da ricaça.
Acordaram, um belo dia, ambas "meio de lua"... Madame ganindo pelos cantos e a "lulu", em pé nas charmosas patinhas, pedindo com os olhos o café da manhã à criadagem.
Durante o chá das cinco -- servido com biscoito para cães -- as amigas estranharam o comportamento da "socialite", encolhida sob a mesinha de centro, mas nada disseram. "Caprichos de gente grã-fina", concluíram.
Ontem foi refeito o testamento: depois que a "totó" morrer, dona "Tetê" herdará dez milhões de dólares!

"NATO" AZEVEDO (Brasil)

 

 

33 - MARIA MOREIRA (MARIA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES MOREIRA)


Nascida no Campo de Aviação município de Ubá, M.G. Reside há quarenta anos em Belo Horizonte M.G. Casada dois filhos microempresária ,ceramista.
Formação em artes visuais e restauração pela UFMG
Curso de artes plástica no Arena da Cultura.
Diversas oficinas de livros ministradas na UFMG
Oficina de livros infantis com prof. Geraldirn. No Arena da cultura.
Dois livros lançados na bienal internacional do Rio de Janeiro, pela Ed. All Print. Sendo um livro de poesia(OBJETIVO INDEFINIDO) escrito e ilustrado por mim.O outro é uma antologia organizada por Brenda Maris /Imersão Latina.(ant.NOS DA POESIA). Uma antologia virtual idealizada por Carlos Leite organizada por Maria Beatriz saindo já no segundo numero. Outra antologias saindo em abril (Ant MELHORES DA POESIA BRASILEIRA) Idealizada e organizada por Monica e Jane Rossi.
Escrevo no recanto das letras. http://www.recantodasletras.com.Br./autores/mariamellomoreir
Varanda das Estrelícias. www.joaquimevonio.com/espaço/maria-moreira/maria-moreira.html
Poetas del Mundo. http://www.poetasdelmundo.com/verinfo-america.asp?id5988
Tenho poema escrito no paz e poesia no Varal do Brasil, no Portal CEN. Etc.

HOJE COM O VENTO?    

Hoje vou sair com o vento
Horas para lá horas para cá
Vou arrastar as folhas,vou desfilar!
Voltas e meia sorrateiras vou revirar!

Hoje quero o café na cama
Hinos de louvor hei de cantar
Voltar no tempo, olhar bem longe
Ver e ouvir o cântico do sabiá.

Hoje tem festa na vizinhança
Horas poéticas, dança ao luar
Volver casos de eras idas
Velar por todos que cá está.

Hoje o sol acordou mais cedo
Num repique com o galo
Pois nem mesmo sol
Quer dar lugar ao orvalho.

Nas ondas das emoções
Vento me leva vento me trás
Num bailado bem poético
Com o vento eu posso mais.

MARIA MOREIRA

 

 

 

34 – EDVALDO ROSA

Edvaldo Rosa, poeta escritor, resenhista de livros em poesia. Promotor cultural, com larga presença em sites de literatura na net, e participante e organizador de Sarais em São Paulo - Brasil. Com um livro solo publicado, "Caminhando com as borboletas" e o "Marcas do coração..." ainda no prelo a ser lançado na Bienal do Livro de São Paulo de 2012, e participante de várias antologias.
Links de meus trabalhos, entre outros:
www.sacpaixao.net
http://edvaldorosa.blogspot.com.br/
www.academiavirtualbrasileiraalmaartepoesia.com

A NOSSA CANÇÃO DE AMOR ECOA NO SILÊNCIO!

A nossa canção de amor, não é só uma,
São tantas, quanto os momentos de nossa história!
Não temos uma só lembrança, solta da memória...
Todas se encadeiam qual notas de toda canção...
E tem horas que enlaço teu corpo, bem rente ao meu,
E rodopiamos sorridentes pelo salão...
E tem horas, que damos as mãos,
Caminhando pela noite afora...
E caminhando em silêncio,
Tua face junto á minha,
Dois pares de olhos presos na amplidão...
Ouvimos no silêncio as batidas de nossos corações,
Como a mais bela canção de amor que existe...
Rumamos ao sabor dos ventos murmurando nota após nota,
Que inflam as velas de nossas almas,
Unidas, numa mesma direção!

Edvaldo Rosa
15/03/2011

 

 

 

35 - DINÁ FERNANDES

Diná Fernandes da Silva nasceu em Santa Luzia – Paraíba aos 27 de maio de 1942, é Técnica de Enfermagem, funcionária pública federal concursada pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Reside em Cabedelo – Pb , seu estado de origem.
Quem sou eu!
Sou um fragmento de cada um que nesse mundo das letras com seus olhares ladinos e observadores, transformam suas vivências e as explicitam através dos meus singelos escritos. Sou aquela que sofre de encantamento pela vida, um dia frágil, noutro forte, porém otimista! Sou aprendiz das letras, não me considero poeta, apenas expresso o que o coração sente. Não me atenho a estilos. E minha produção poética não é farta!
Onde me encontrar:
http://www.recantodasletras.com.br/autores/ALuzmeSegue
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16090789334551753517
http://horizontesdapoesia.ning.com/profile/DinaFernandesdaSilva

OUTONO

Outono dos dias nevoentos
Das árvores nuas e friorentas
E a efêmera vida das folhas
Que morrem para a renovação

Outono das frescas manhãs
Dos galhos secos estalando
Em respeito à natureza
Canta seu canto de amor

Outono das tardes pardacentas
Tempo morno de magia e amor
Gestação das folhas, flores e frutos.
Parto indolor da mãe natureza

E na despedida das folhas...
Que venha o verde do inverno
A primavera das belas cores
Com o sagrado manto de flores

Diná Fernandes

 

 

 

36 – PENÉLOPE LSTEAK

 

Penélope Lsteak - Creusa Negris. Moro em São João da Boa Vista - SP. Sou bancária aposentada. Tenho 4 filhos todos formados. Formada em Administração de Empresas.
Amo poesias, não tão somente compô-las, como também empreender e organizar promoções virtuais, que visem beneficiar tanto a poesia, quanto o meio poético em geral, através de meus Web Blogs e Comunidades no Orkut.
http://penelopelsteak.blogspot.com/
http://revista-de-poesias2.blogspot.com

CAFÉ COM VERSOS
http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpp&cmm=107159002

A MÁGIA DO AMOR
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=46809270

AUSÊNCIA

Ainda sinto forte
Sua presença em minha vida
Sua ausência me tira o norte
Sua falta me leva a loucura
Sacode-me a toda hora
Alertando que já não estás
Tudo me lembra você
E a distancia me explica
Essa dor que replica
Aquilo que não pode ser...
Mas como convencer meu coração
Que não pode ser?
Vou levando a vida assim,
Sem emoção
Sozinha e tristemente negando a razão
Acompanhando-me da saudade.
E a solidão tentando convencer meu coração
De que tudo não pode ser...

Penélope Lsteak

 

 

 

37 - TCHELLO D’BARROS

Tchello d'Barros (Brunópolis SC Brasil, 1967), é escritor e artista visual. Trabalha com editorias independentes, curadoria em artes visuais e ministra oficinas literárias.
Lançou meia-dúzia de livros e publicação regularmente em mídias impressas e virtuais. Possui contos, poemas, crônicos e artigos publicados em cerca de 50 coletâneas e antologias.
Nas Artes Visuais produz de desenhos, pinturas, gravuras, poesia visual, fotografia, vídeo e instalação. Seu trabalho tem participação em mais de 70 exposições, entre coletivas e individuais.
No momento está radicado na Amazônia, sediado em Belém do Pará, realizando projetos culturais.

O CUPIDO O CULPADO

Não é que ele fosse solitário ou anti-social, tampouco era tímido ou egocêntrico. A verdade é que gostava de ficar só, em estado de solitude, como recomendava o poeta Rainer Maria Rilke. Até seu esporte preferido era individualista, pois sempre que podia lá estava ele praticando arco-e-flecha. Quando menino, brincava com a garotada, quando todos, para fazerem parte da turma deveriam ter seu próprio arco, aljava e flechas. O alvo era um coqueiro no fim da rua e servia para todos treinarem a pontaria. Depois alguém dava o grito do Tarzan e os outros todos ululavam como índios e iam andar de cipó nas árvores do bosque ou nadar no riozinho. Bons tempos!
Adolescente, ganhou um arco talhado em madeira, feito por um descendente de índios do norte. Assustou-se quando atirou a primeira flecha e viu-a desaparecer por cima das árvores do bosque. Certa vez, estava viajando, visitando um castelo, e ao lado de um dos muros imensos viu alguém praticando o esporte, atirando sucessivas setas num alvo à cerca de cinqüenta metros. Decidiu pesquisar e depois de muito estudar, adquiriu os equipamentos necessários. Com muito treino, muitos erros e acertos depois, desenvolveu a pontaria e a concentração a tal ponto que acabou por tornar-se imbatível naquela arte.
O Cupido, que há milênios usa o mesmo instrumento para acertar o coraçãozinho dos candidatos a Romeu e Julieta, escolheu-o para alvo de mais uma de suas setas. Achou que aquela solitude toda deveria ser substituída, não por uma dessas meras paixões inflamadas ou algum romance ocasional, mas por uma história de amor de verdade, daquelas que muitos chamam de almas gêmeas, com direito a final feliz.
Esse anjinho sapeca, escolheu na aljava uma das melhores flechas, que guardava há tempos, para uma ocasião especial. Era toda de luz dourada, até parecia neon. Então ele vergou seu arco, esperou um momento de distração de nosso arqueiro, mirou bem no centro do peito e disparou! Só não contava com uma coisa: nosso herói, que conhecia flechas como ninguém, ao sentir que uma dessas vinha em sua direção, rápido como um ninja, conseguiu interceptá-la, agarrando-a com a mão. Então apontou seu arco para o cupido, que quando viu, fugiu em disparada e até hoje não se sabe aonde foi parar, tamanha a falta de amor verdadeiro nesse mundo. Restava agora descobrir o que fazer com aquela flechinha brilhante.
Depois que a notícia se espalhou, muita gente acorreu ao arqueiro para emprestar, roubar ou mesmo comprar a tal flecha milagrosa do amor. Queriam cravá-la no próprio peito, sem demora, para viver, nem que fosse uma vez só na vida, o maior dos sentimentos, a mais sublime das experiências. Houve quem lhe oferecesse ouro, mulheres, boiadas, camelos, e até mesmo metade de um reino. Uns marqueteiros propuseram dividi-la em pedacinhos minúsculos e vendê-los como pílulas do amor, ou diluí-la e vender como elixir da paixão. Houve choradeiras, histerias e súplicas, até quem apenas se contentaria em tocar de leve, tamanha sua fé. Então ele sentiu-se muito comovido, com a miséria do amor implorado.
Ninguém sabe exatamente o que aconteceu com a flecha. Uns dizem que foi feito um grande leilão e foi arrematada por uma socialite burguesa, dessas que casam por interesse. Outros contam que, compadecido, ele doou para uma virgem, que dizia não acreditar em amor. A versão mais aceita é que o Cupido procurou-o mais tarde e fizeram um trato: ele devolveria a flecha, com a promessa de não ser alvo nunca mais da mira do anjinho. Negócio feito!
O tempo passou e num certo fim de tarde, depois de mais um treino com o arco, ele relembrava tudo ao caminhar pelas ruas da cidade. Estava nesses devaneios, quando ao dobrar uma esquina, deu de cara com um certo par de cílios compridos, que traziam junto de si duas gotas do Atlântico. Foi mais rápido que uma seta, que um piscar de olhos, esse amor-à-primeira-vista. As buzinas da hora do rush abafaram o riso de um certo pivete com asas, sentado sobre o semáforo daquela esquina.

Tchello d’Barros

 

 

 

38 - VANDA FERREIRA

Vanda Ferreira nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. É escritora e ativista ambiental.
http://prosaesegredo.blogspot.com
http://wwwbugra.blogspot.com
http://fazendadomfernando.blogspot.com

CANÇÃO DE PAZ

Sol deita no horizonte;
semicerrados olhos sondam esmaecimento,
trocam desejos,
Customizam roupagem do amarelo, do verde, do azul.

Maliciosa natureza embusteia trivialidade.
Há segredo,
esconderijo de mapa,
disfarce para trilhas dos passarinhos.

Encaixo-me feito raposa,
tecelagem mágica,
brechas de sabedoria;
Entardeço na repetição.

Canções ressoam,
vento escancara ,
nua garganta,
instantâneos flashes,
louvores à paz.

Roteiro campestre,
estrada de terra,
caminho de luz.

Vanda Ferreira

 

 

 

39 - ALUIZIO REZENDE

Aluizio Rezende carioca, poeta, contista, romancista. Formado em Letras e Engenharia Civil. 6 livros publicados, entre eles Desejos Descalços (contos e romance, 2006) e os de poesia Descaminhos (2007) e 14 Versos (2010). Publicado em antologias de prosa e poesia. Primeiro Lugar no XI Conc. Nac. de Poesia Francisco Igreja (APPERJ), no II Conc. de Poesia Cybelle de Ipanema e no Conc. Literário da ABRAMES 2011. Prêmios de Literatura UFF e FEUC 2008 e outros. Idealizador e fundador do Movimento Cultural Poveb (Poesia, Você Está na Barra). Membro da APPERJ (Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro) e do SEERJ (Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro). Engenheiro da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
Caminhos Literários:
poveb@cjb.net
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/alurez

ATRÁS DE UM SUBLIME EXEMPLO

A pomba voando das mãos de alguém. A imagem da liberdade. A idéia de ser livre, sem grilhões, amarras. Pra ir aonde quiser. Fazer o que quiser.
O símbolo da liberdade. Que os homens cultivam e muitas vezes associam à democracia. Democracia que para muitos significa a idéia de se poder ir aonde quiser, de se falar o que se quiser, de se pensar o que se quiser.
Vemos, contudo, que não é bem assim. Podemos ter a liberdade de irmos onde quisermos, porém podemos jamais ter meios para isso. Então não
vamos. Podemos falar o que quisermos, mas sempre dentro de regras estabelecidas. Ou desde que jamais falemos o que a convenção nos obriga calar. Ou o que é esperado que não seja ouvido pela maioria. Então nunca falamos tudo o que queremos. Podemos pensar o que quisermos, desde que nunca fiquem sabendo o que pensamos, sobretudo aqueles que nunca quiseram que pensássemos dessa ou daquela forma. Portanto, por vezes evitamos até pensar o que realmente queremos, para não corrermos o risco de entrar em conflito com o que os outros esperam que estejamos pensando.
E aí poderemos até admitir que se o comunismo ou o social -nacionalismo ou coisas do tipo são modalidades de governo capengas, a democracia também o é. Porque a liberdade, em qualquer situação considerada, será sempre restrita, ou pelo menos relativa.
Mercado livre. Devemos ter o direito de comprar o que quisermos. Basta que tenhamos meios para isso. Mas, da mesma forma, deveríamos ter o direito de vender o que quiséssemos por um custo duas, três ou quatro vezes maior que o que deveria ser o real preço de venda do produto?
Deveríamos ter liberdade para socorrer, para nos solidarizarmos com o sofrimento de qualquer pessoa. Mas deveríamos ter liberdade para punir (às
vezes até à morte), torturar, infligir castigos contra aqueles que julgamos culpados – às vezes apenas por pensarem diferentemente de nós?
Deveríamos ter liberdade para comprar o que quiséssemos, como já falamos. Mas deveríamos poder comprar um número excessivo de propriedades com o intuito especulativo de que aumentassem de valor ao longo do tempo para podermos vendê-las mais caro depois? Precisamos de uma cama para dormir.
Pra quê ficarmos com dez à nossa disposição?
Em 1854 deveria ter o Presidente Americano F. Pierce o direito de comprar ao cacique Seattle as terras indígenas do povo que o cacique liderava?
O que provocou um dos mais belos e “sublimes exemplos de consciência holística e ecológica” no discurso em resposta proferido pelo cacique. Exatamente por um índio, que para muitos continua sendo um selvagem.
O que devemos fazer com a democracia, assim como com todas as outras modalidades de governos ou modalidades de vida em sociedade? Ao invés de ficarmos estabelecendo comparações, que não nos levam a lugar algum, talvez fosse melhor procurarmos deixá-las um pouco de lado. E nos educarmos, a partir da observação da Natureza, dos animais e de sociedades ou agrupamentos considerados menos evoluídos, mas que nos colocassem em situação de produzirmos também sublimes exemplos de consciência verdadeiramente humana. O que, consideradas as conhecidas exceções, ainda não conseguimos.

Rio, 26/06/2009
Aluizio Rezende

 

 

 

40 – CEZAR UBALDO

CEZAR UBALDO (de Oliveira Araujo), nascido em 2 de outubro de 1950 em Feira de Santana-Bahia, é educador, poeta, com dois livros publicados:Das Liberdades e Convicções do Homem, e Poemas de Bem Querer e Outros Quereres; participa dos sites literários Portal Literal. Poetas del Mundo,Overmundo, Poesia Baiana, Autores.com.br; administra o blog Prato Raso; participou de três edições da Revista Stitientibus, da Universidade Estadual de Feira de Santana; Autor e diretor Teatral; coordenou por vários anos a Página Literária do centenário Jornal Folha do Norte; colunista dos jornais eletrônicos Vivafeira, Infocultural, Acontecebahia, Jornaldapovo. Membro efetivo da Academia de Cultura da Bahia.
 

GRAN FINALE I

Deixa-me morrer
em tua boca
saboreando o último
dos meus beijos
em teu beijo.
Deixa que meus olhos
a vejam
no último rasgo de luz
e eu,sentindo meu eu
tornar-se brisa,esfrio,
mas levo em minha boca
gélida
o calor do amor teu...

Cezar Ubaldo

GRAN FINALE II

...E,anoitecendo,
depois de passar pelos clarões
do dia,
o desejo de amar se faz
maior
do que a própria vida
e depois de ser amada
pela primeira e única vez,
morre adormecida...

Cezar Ubaldo

 

 

 

 
Para índice                                         para 6ª pág.