Nome:
Lucas Cozza Bruno
Profissão: estudante universitário da
Faculdade de Turismo.
Quer falar um pouco da terra onde mora?
Moro na Capital do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, que nasceu à margem da Lagoa dos Patos,
a segunda maior lagoa da América do Sul, em
1742, quando cinqüenta casais açorianos ergueram
um povoado que foi batizado como Porto dos
Casais, reflexo da preocupação portuguesa em
defender o sul de invasões estrangeiras,
principalmente espanholas. É a terra do
chimarrão, do churrasco e do vinho. Minha cidade
localiza-se a margem esquerda do Lago Guaíba,
sendo privilegiada por um espetáculo que se
repete quase diariamente, um Pôr-do-Sol
Magnífico e Deslumbrante, que refletido nas
águas é fonte de inspiração de inúmeros poetas e
escritores.
Quando começou a escrever?
Iniciei em 1997, aos onze anos de idade, na sala
de aula da 3ª Série do Ensino Fundamental, após
ler um livro do escritor José Paulo Paes "O
Menino de Olho D´Agua". Escrevi ao autor uma
carta comentando da beleza do livro e, após
alguns dias, recebi pelo Correio, outras obras
desse autor e uma carta encantadora. Minha
imaginação de menino navegava num imenso navio
pirata e, na minha cabeça nascia um "montão" de
idéias que fui escrevendo desde então.
Teve a influência de alguém para começar a
escrever?
Em minha casa, sempre houve livros esparramados
por todos os cantos. Meus pais sempre gostaram
de ler. Aprendi a ler antes dos cinco anos. Meus
pais e professores me estimularam muito,
principalmente, na escola, nas aulas de
Português e Literatura.
Lembra-se do seu 1º trabalho literário?
Meu primeiro trabalho literário foi aos onze
anos, em 1997, e chamava-se "De quem é a
Culpa?". Esse foi incentivado por uma sensível e
carinhosa Professora de Português, Cláudia
Anele, que deu à turma a tarefa de escrever
sobre um ponto turístico da cidade de Porto
Alegre.
Foi divulgado (como)?
O trabalho, num primeiro momento, foi divulgado
na revista da escola; depois, a Profª Cláudia
organizou um pequeno livro com os escritos dos
doze alunos que compunham a turma. Houve noite
de autógrafos e uma pequena comemoração.
Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano)?
Sim, "O Que é Poetar?" (poesias, contos e
crônicas), editado pela Câmara Brasileira de
Jovens Escritores, do Rio de Janeiro/RS, 2007.
Tem livro(s) electrónico(s) (e-books), editora e
ano.
Próprio, não. Tenho participações nos E-Books
da AVSPE como Acadêmico e, no E-Book: "Palavras,
A Linguagem da Vida", que está hospedado no site
da Sra. Sonia Orsiolli (www.teiadosamigos.com.br),
organizado pela Professora e Escritora Ilda
Maria Costa Brasil, como crítico literário,
assim como no livro "Olhares: Crônicas
Escolares", publicado pela CBJE, do Rio de
Janeiro/RJ, em 2008.
Projectos literários para este ano de 2008/09 ?
Participar de antologias e coletâneas
cooperativadas na Feira do Livro de Porto
Alegre/RS/Brasil, assim como de concursos
literários nacionais e internacionais.
Como vão ser editados ?:
Por editoras locais.
Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana?
Sou um jovem tranqüilo e observador que
participa de atividades de voluntariado,
preocupado com os desejos e as aflições das
pessoas em geral, e que sonha com um mundo puro
e natural onde as pessoas vivam e convivam em
paz, fraternidade, honestidade e, acima de tudo,
sejam sinceras consigo mesmas e com o próximo.
Como Escritor (a)?
Como já declarei, iniciei aos 11 anos e,
enquanto meus colegas brincavam de escrever,
levei a sério e me propus não só brincar com as
letras e as palavras, mas também expressar e
traduzir emoções e sentimentos.
Para se inspirar literariamente, precisa de
algum ambiente especial ?
Não, as idéias fluem e passo para o computador.
Inclusive já escrevi uma crônica em um pequeno
caderno de anotações durante uma apresentação da
Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, em um
teatro da Capital, enquanto a orquestra tocava
um trecho de Ópera de Giácomo Puccini.
Tem prémios literários?
Entre eles, da Associação Artística e Literária
"A Palavra do Século XXI", de Cruz Alta/RS/Brasil;
V Concurso de Poesias organizado pela Câmara
Municipal de Alenquer, Portugal; Prêmio II
Encuentro Internacional de Artes y Letras
CHADAYL, Montevideo/Uruguai; Prêmio Antonio
Filoteo Omodei da Accademia Internazionale Il
Convívio, Castiglione di Sicilia/Italia; Casa do
Poeta Rio-Grandense, Porto Alegre/RS/Brasil;
Sociedade Partenon Literário, Porto Alegre/RS/Brasil
e Associação Gaúcha dos Escritores Independentes
do Rio Grande do Sul/Brasil.
Tem Home Page própria (não são consideradas
outras que simplesmente tenham trabalhos seus)?
Não.
Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm
em ter sua Home Page ou (e) Livro (s)
electrónicos, nos nossos sites?
Sim, o reconhecimento internacional.
Que conselho daria a uma pessoa que começasse
agora a escrever ?
Escrever nos possibilita uma caminhada com
palavras que ganham sentido, formas e vida
quando empregadas nas suas diferentes faces.
Escrever é interpretar sentimentos, é brincar
com as idéias e trazer as imagens do nada que
afloram em nossos corações e em nossa mente.
Para terminar este trabalho, queira fazer o
favor de mandar um pequeno (e original) trabalho
seu (em prosa ou em verso).
Socorro... soooocorro, Senhor JR!
Lucas Cozza Bruno - Porto Alegre - RS
As coisas não andam bem entre eu e a
Geografia. O Sistema Uno, livro adotado pela
Escola, está trazendo-me muitos mistérios e eu
preciso resolvê-los. Assim, quando o Senhor
aparece com aquele exército de
questões, transformo-me num detetive
atrapalhado, perseguindo e caçando informações e
esclarecimentos.
Em minha casa, antes de iniciar minhas
atividades, joguei um pouco d'água no rosto,
respirei fundo e mergulhei no problema. Sentado
em meu escritório, pensei bastante e o
considerei um excelente local para desvendar os
mistérios que me atormentam. Imediatamente,
resolvi que iria achar uma saída. Para um poeta
detetive, nada pode ser impossível?!... Tudo
sobre controle. Ação, muita ação!
Senhor JR, o senhor terá que agüentar
firme e tranqüilo a minha solicitação de ajuda.
Dê-me uma chance! Não sei se aceitará o meu
pedido de socorro, ou se ao menos irá lê-lo, mas
tenho certeza que irei levantar uma polêmica,
uma controvérsia, uma boa discussão. Certamente,
que vou! Lembre-se que os gaúchos aprendem,
desde cedo, a agüentar no osso; porém como
paulistano não tenho este jogo de cintura. Olho
para o livro e penso: "- Toma poeta, vira-te!
Não recue!"
Com todo o meu
respeito, não quero queimar o meu filme com o
Senhor, logo agora, no 2º ano do Ensino Médio.
Não me leve a mal! E um papo de macho para
macho! Logo, vamos em frente.
Bem, a ÁFRICA, afinal é considerada o
mais tropical de todos os continentes. Seu clima
é tropical, quente, úmido e tórrido tal qual a
situação que eu me encontro; altíssimas e
assustadoras temperaturas, seguidas de tornados
que estão se mantendo ao longo do ano.
A diversidade paisagística está
intimamente ligada à distribuição das
chuvas. O contraste entre áreas apresenta altos
índices pluviométricos e outras com escassez nas
precipitações, variando desde a floresta pluvial
equatorial até as formações xerófilas das terras
secas. Próximo ao Equador, a umidade é maior e
mais constante, encontra-se uma floresta densa,
a Floresta do Congo, uma das mais importantes
formações vegetais pluviais do planeta. A África
Oriental sofreu intensos movimentos tectônicos
geologicamente recentes, resultado de linhas de
falhamento e separação entre a Placa
Continental, a Península Arábica e a formação do
Mar Vermelho e do Golfo de Áden. Sabe-se que
outros falhamentos geraram os lagos do leste:
Vitória, Tanganica, Niassa e outros. Estes
movimentos teuctônicos devem ser semelhantes aos
que ocorrem na minha casa quando vem o
resultado das provas. Sinto vontade de subir os
6.000 m do Monte Quilimanjaro. Lá, ninguém me
encontrará; há rios e planaltos bons para a
energia elétrica como o Zambeze, o Limpopo, o
Orange e o Vaal que atravessam os altos platôs
da África, desembocando no Índico ou no
Atlântico.
Na África Ocidental, pode-se ver o Rio
Niger com curvas caprichosas, bordejando as
terras semi-áridas que emolduram o Saara, antes
de correr pelo vale tropical que conduz ao Golfo
da Guiné.
Na África Equatorial, o Rio Congo, com
afluentes que nascem nos platôs orientais, forma
a imensa bacia que sustenta a floresta pluvial.
O Nilo, o mais extenso dos rios africanos, nasce
próximo ao Lago Vitória, percorrendo
ecossistemas cada vez mais secos até atravessar
o Saara e desembocar no Mar Mediterrâneo. Por
momentos, senti-me no deserto, afinal 1/3 do
território a eles pertencem. Vi-me, lá, perdido!
Ao Sudoeste, o Deserto do Kalahari, o
qual ocupa os platôs interiores e é,
praticamente, um prosseguimento do Deserto
Namíbio. Deserto, esse, que é condicionado pela
ação da corrente marítima fria de Benguela, que
bloqueia a influência das massas de ar úmido do
Atlântico.
O Saara desde o Atlântico até o Mar
Vermelho tem mais de 8.000.000 km2, com
paisagens desoladas; arenosas, em certos
trechos, e pedregosas em outros, interrompido
pelos oásis, formados pelo afloramento de águas
subterrâneas. É atravessado pelo Trópico de
Câncer e as
altas pressões tropicais direcionam as massas
de ar para a região equatorial; os ventos
alísios. Um dos destaques são os oásis, como
vegetação verdejante que surgem, nos véus de
água subterrâneos, onde se destacam as palmeiras
fornecedoras de tâmaras.
Senhor JR, acho que estou progredindo.
Imagine, eu, um adolescente, tentando provar a
um mestre da Geografia que tenho vontade de
melhorar o meu aproveitamento na sua matéria.
Hum , como mortal, preciso relaxar um
pouco. Dobro o canto da página do livro e
dirijo-me à janela. Que bela paisagem
geográfica! Do 8º andar, observo o Guaíba. Que
vontade de estar dentro de um barco à vela que
navega livre, leve e solto em suas águas. Puxa,
o proprietário do barco deve estar aposentado ou
ser um grande apreciador da natureza pois, numa
4ª feira ensolarada, velejando; é claro, que não
é estudante em apuros com suas dificuldades de
aprendizado! Tampouco o Senhor, que a esta hora
deve estar mergulhando em provas, livros ou
aulas. Decididamente, para mim foi um dia
nefasto. Nefasto? É prejudicial, triste...
O admirar o Guaíba, recarregou as
minhas energias e me levou a retornar os meus
escritos, voltando à África. Nilo? Rio Nilo...
Ah, esse nasce próximo ao Lago Vitória, com o
nome de Nilo Branco, daí segue rumo ao norte,
onde, na Cidade de Cartum, junta-se ao Nilo
Azul, e passam a formar um único curso de água,
que atravessa o Deserto do Saara com o nome de
Nilo. É um imenso delta de grande proveito para
atividades agrícolas; local onde foi construída
a Barragem de Asseia e a formação do Lago Nasser
que aumentaram, significativamente, a área
irrigada.
Transcorrido, alguns minutos, respirei
fundo, virei os olhos para a estante e observei
um Atlas. Eureka! Atlas? Sim, na porção norte,
do Continente Africano está a cadeia montanhosa
do Atlas. De formação recente, chega a alcançar
4 mil metros de altitude, ocupando terras da
Argélia e do Marrocos (Monte Tubkal, 4. 165 m).
Na porção sul, a Cadeia do Cabo, de formação
geológica bem antiga, mais desgastada onde se
sobressai os Montes Drakensberg com 3.300 m de
altitude. E para reduzir distâncias em 1869,
após dez anos de construção, inaugurou-se o
Canal de Suez, que separa a Europa da costa
oriental da África, do Oriente Médio e do sul,
sudeste e leste asiáticos, por via marítima. No
noroeste do continente, localiza-se o Estreito
de Gibraltar com 12 a 14 km de largura que
separa Marrocos, na África, da Espanha, na
Europa. Que barato!
Fantástico!
Senhor JR, tenha certeza, por um curto
espaço de tempo, o poeta detetive conseguiu
desvendar os mistérios da África. Diga-me no que
deu?
Cansado, vejo a caneta e o papel
sorrirem para mim. Neste momento a minha
preocupação passou a ser outra. Será que irei
conseguir entregar esse Manifesto Geográfico ao
Senhor, sábio mestre da Geografia? Espero, que o
tenha lido com
carinho.
Agora, resta-me aguardar a sua reação,
Senhor JR e, se eu não obtiver um resultado
positivo, roubo aquele barquinho à vela, que vi
no Guaíba, e sigo viagem para a África.