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Bandeirantes

 

Os grandes desbravadores do Brasil

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

No português medieval se designava por bandeira (de onde advém o nome bandeirante) o conjunto de cinco ou seis lanças, compreendendo-se por cada lança o homem de armas, o escudeiro, o pajem, dois arqueiros, os besteiros e um cutileiro. No sistema de milícia adoptado, durante a Idade Média, em Portugal, uma bandeira compreendia de 30 a 36 homens.

 

Nada menos de 5 milhões de Km2 dos 8,5 milhões de Km2 do território brasileiro devem-se à determinação de um grupo de exploradores que, actuando por conta própria e quase secretamente, enfrentando os inúmeros perigos das selvas do Brasil. A pouco e pouco, as linhas de demarcação da terra iriam consolidar-se numa nova configuração geográfica, empurrando para a bacia do rio da Prata a velha linha do Tratado de Tordesilhas, dando à colónia do Brasil o traçado de onde iria surgir uma nova nação: o Brasil moderno, nascido monárquico e independente.

Embora o fulcro principal do Bandeirismo tenha sido o aglomerado que surgiu em torno do Colégio dos Jesuítas, no planalto de Piratininga, e que o padre Manuel da Nóbrega, seu fundador, dedicou ao apóstolo São Paulo, existiu, na verdade, um outro núcleo importante em Belém do Pará, Houve, portanto, um bandeirismo paulista e um bandeirismo amazónico. O de São Paulo foi mais característico e estável; o do Pará, após a expansão inicial, frustrou-se. O nome mais importante do bandeirismo paulista é, inegavelmente, António Raposo Tavares (01), português de nascimento, ao contrário dos restantes, que eram mestiços. No bandeirismo amazónico, a figura mais impressionante e quase única é Pedro Teixeira (02), que subiu o Amazonas até ao Marañon, no Peru.

Aos bandeirantes paulistas deve-se a descoberta de ouro em Mato Grosso e Minas Gerais, a ocupação das terras situadas na bacia do rio São Francisco, a destruição de um Estado formado por escravos fugidos, o Quilombo dos Palmares, em Alagoas e Pernambuco, o desbravamento e ocupação das terras interiores do Nordeste até ao Piauí. Ambos os ciclos bandeirantes expandiram os limites do território brasileiro para além dos fixados pelo Tratado de Tordesilhas, de 7 de Junho de 1494, no qual a Espanha e Portugal dividiram entre si as terras situadas no Atlântico Sul. Nos termos deste tratado, a linha de fronteira luso-brasileira passava pelas proximidades das cidades de Cananeia, no Sul, e Belém, no Norte, deixando à Espanha praticamente toda a bacia amazónica, além da totalidade do território da Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, dois terços do território de São Paulo, Goiás e nove décimos do Pará e todo o Amazonas e grande parte de Minas Gerais, totalizando cerca de 5,5 a 6 milhões de Km2. Esta grande extensão de terra foi incorporada ao território brasileiro pelo esforço gigantesco das bandeiras paulistas e amazónicas.

 

(01) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: António Raposo Tavares
Nascido em São Miguel do Pinheiro, concelho de Mértola e distrito de Beja, Portugal, filho de cristãos novos. Chegou ao Brasil em 1618 com o pai, Fernão Vieira Tavares, designado capitão-mor governador da capitania de São Vicente em 1622. Era assim proposto do conde de Monsanto, donatário da capitania de São Vicente. A mãe era Francisca Pinheiro da Costa Bravo. António Raposo, aliás, nunca perderia contacto com os interesses da Coroa.
Morto o pai (1622), transferiu-se para o planalto de Piratininga, fixando-se na vila de São Paulo, onde logo se entusiasmou em participar nas expedições destinadas a aprisionar índios. De São Paulo partiu sua primeira bandeira, da qual era chefe nominal Manuel Preto, com um efectivo de cem paulistas e 2 mil índios auxiliares, seis anos mais tarde (1628). Esta expedição, dividida em quatro companhias, rumou para o Guaíra (no actual Estado do Paraná) e diz-se que ela iniciou o processo de expulsão dos jesuítas espanhóis, ampliando as fronteiras do Brasil e assegurando a posse dos territórios dos actuais estados do Paraná, de Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul. À frente de novecentos brancos e mamelucos e dois mil índios, uma verdadeira cidade em marcha. A vanguarda de sua bandeira, pequena coluna comandada por António Pedroso de Barros, livre de quase todo equipamento, seguia mais depressa. A retaguarda era chefiada por Salvador Pires de Mendonça. Pedro Vaz de Barros, Brás Leme e André Fernandes comandavam companhias. Formando sistema com a bandeira, outra tropa comandada por Mateus Luís Grou varou os sertões de Ibiaguira nas cabeceiras do rio Ribeira. Comandados, seguiam na bandeira, entre outros, Frederico de Melo, João Pedroso de Barros, António Bicudo, Simão Álvares. Ia com eles ia o cacique Tataurana, capturado no local. Raposo Tavares estivera em Portugal em 1647, sendo "encarregado de uma missão em grande parte secreta". A sua última expedição foi chamada a Bandeira de Limites ou a grande bandeira aos "serranos", os limites do Peru:
"Embrenhou-se com algumas dezenas de homens no território mato-grossense, atingindo, pelo Madeira, o Amazonas, remontado até às terras de Quito e depois descido até Belém do Pará." (Ensaios Paulistanos, p. 634.)
Considerada a primeira viagem em torno do território brasileiro, partiu em Maio de 1648 do porto de Pirapitingui, em São Paulo, descendo o rio Tietê rumo aos sertões do baixo Mato Grosso. Contava com brancos, mamelucos e mais de mil índios. Um de seus principais auxiliares foi António Pereira de Azevedo, baiano.
Oficialmente destinava-se à busca de minas, sobretudo as de prata. Afirma Jaime Cortesão em seu livro "Raposo Tavares e a formação territorial do Brasil" que a parte oficial era descobrir metais preciosos mas a outra parte, secreta, seria conhecer melhor o Brasil para identificar os interesses de Portugal na região. Em Novembro de 1648 António Raposo ordenou decisivo ataque a destruição das reduções do Itatim, combatendo 200 paulistas e mil índios mansos, e seu auxiliar ainda foi o velho, sexagenário, Capitão André Fernandes (que morreria no início da acção, em 1649, em local tão oposto ao sertão do Sabaraboçu onde sempre desejara e prometera ir). Ficaram destruídas as reduções jesuítas da serra de Maracaju e Terecañi, e depois Bolaños, Xerez e outras. O ataque produziu êxodo, mas partiu de Assunção um exército tão grande que os paulistas resolveram abandonar a província. A bandeira se dividiu em duas companhias. Na companhia comandada por Raposo, era alferes Manuel de Sousa da Silva. A outra era chefiada pelo baiano António Pereira de Azevedo. Iniciaram assim em 1648 a famosa volta que duraria até 1651, subindo o rio Paraguai, descendo o rio Mamoré e o rio Amazonas. Teria subido pelo rio Itatim e pelo rio Paraguai até a nascente, internando-se de tal modo que se encontrou com os castelhanos no Peru, depois desceu em jangadas o rio Guaporé, o rio Mamoré e o rio Madeira, entrando no Amazonas. deteve-se na fortaleza de Gurupá, no Pará. André Fernandes pereceu no sertão com toda sua tropa, da qual apenas dois índios retornariam a São Paulo.
A expedição percorreu mais de 10.000 quilómetros em três anos, tendo usado o curso do rio Paraguai, do rio Grande, do rio Mamoré, do rio Madeira e do rio Amazonas. Ao chegar à foz do Amazonas, em Gurupá, no Pará, a tropa estava reduzida a 59 brancos e alguns índios. Da cidade de Belém do Pará, os sobreviventes à épica travessia da floresta Amazónica, retornaram a São Paulo, onde o bandeirante viria a falecer.

 

(02) Fonte: Câmara Municipal de Cantanhede - Pedro Teixeira:
Pedro Teixeira, de ascendência nobre, nasceu provavelmente em 1585, em Cantanhede, cabeça de concelho do distrito de Coimbra. Nada se sabe sobre a sua vida em Portugal, mas sabe-se que casou com Ana da Cunha, de origem açoriana e que foi para o Brasil em 1607. Começa o seu nome a tomar vulto, aquando da luta com os franceses, fixados em S. Luís de Maranhão.
Em 19 de Novembro de 1614 defende com sucesso o forte da Natividade, em Guaxinguba. Em 25 de Dezembro de 1615 parte de S. Luís, em direcção ao Pará, para explorar, conquistar e colonizar, esta região, aqui chegando a 12 de Janeiro de 1616, data que assinala a fundação de Nossa Senhora de Belém. A 7 de Março do mesmo ano parte novamente por terra para S. Luís a dar notícia da fundação da cidade. Aqui chega passados dois meses, onde é recebido com assombro e alegria. Tinha sido a primeira vez que se fazia por terra a viagem entre a foz do Amazonas e S. Luís. A viagem tinha sido extremamente dura. A floresta virgem, a profusão de rios a atravessar, os tupinambás em arremetidas constantes tinham feito grandes estragos entre a expedição, mas Pedro Teixeira tinha cumprido com sucesso a sua missão. Regressa novamente a Belém, mas agora por mar. A 7 de Agosto é nomeado comandante -já com a patente de tenente -de uma expedição para punir um navio holandês, que se encontrava no Amazonas. A 9 de Agosto ataca-o e ao abordá-lo, após renhida luta, acaba por vencer. Embora ferido, manda incendiar o barco holandês, retira-lhe a artilharia, que traz para o forte de Presépio. Segundo Berredo só se salvou um rapaz holandês de nome Trombeta, que foi trazido para Belém como troféu. Por este feito é promovido ao posto de capitão. Entretanto passa a Colónia, por grandes perturbações. Sucedem-se os crimes, levantamentos e deposições. O assassinato do capitão Álvaro Neto e a deposição de Francisco Caldeira Castelo Branco, traz a anarquia à cidade de Belém. Aproveitam os tupinambás para atacarem em força a cidade, colocando os sitiados em posição difícil. Só uma bala certeira do capitão Gaspar Fragoso no chefe indígena «Cabelo de Velha», consegue criar o desânimo nos hostis indígenas. Os tupinambás são então completamente desbaratados. A 20 de Setembro do mesmo ano, novo levantamento militar .O capitão-mor Matias de Albuquerque é deposto, sendo eleita uma Junta Governativa, constituída por Frei António Marciano, capitão Custódio Valente e o capitão Pedro Teixeira. Com a retirada dos dois primeiros em 1620, fica unicamente Pedro Teixeira no desempenho do cargo até 18 de Junho de 1621. É então criado o Estado do Maranhão, sendo nomeado seu governador Bento Maciel Parente.
Em princípios de 1622 é encarregado Pedro Teixeira de abrir uma estrada que ligasse as capitanias do Pará e do Maranhão. Tal empreendimento não foi concluído por terem surgido grandes dificuldades, especialmente pela grande profusão de rios a atravessar. Continuavam os holandeses a importunar a fixação dos portugueses na região. É incumbido Pedro Teixeira da destruição dos fortes holandeses «Nassau» e «Orange», incumbência que cumpre do melhor modo. Em 2 de Maio de 1625 é entregue ao Capitão Pedro Teixeira a chefia duma expedição para destruir o forte holandês Mandiutuba, situado na margem direita do rio Xingu. A frente de cinquenta i' soldados e setecentos . índios guerreiros, ataca  simultaneamente o forte por terra e pelo rio. Apesar da valente resistência do capitão Nicoláo Ondaen e da sua bem organizada tropa, ao cair da noite o forte estava em seu poder. 
Em 1626 faz uma expedição de exploração pelo Baixo Amazonas. Sobe o rio Preto onde faz uma exploração meticulosa das suas margens e cria boas relações com os ""- nativos. Em Setembro de 1629 é incumbido de expulsar os ingleses sediados no forte «Torrêgo», nas margens de Tareiú, subafluente do Amazonas. A 24 de Outubro, após renhida luta, o forte cai em seu poder, tendo morrido em combate o seu comandante. Poucos dias depois chega ao Amazonas o capitão inglês Robert North, que, ao tomar conhecimento do acontecido no forte «Torrêgo», procura vingar a derrota dos seus compatriotas. Com dois navios ataca o forte de Santo António, em Gurupá, onde se encontrava Pedro Teixeira. Trava-se renhido tiroteio e como não conseguisse vencer as baterias portuguesas, resolve assaltá-lo. Pedro Teixeira e a sua guarnição defendem-se galhardamente e os ingleses completamente derrotados, retiram-se para a margem esquerda do Amazonas, onde irão construir um forte. Em 1631, unia expedição comandada por Jácome Raimundo de Noronha, destrói este forte e os ingleses que o guarneciam são trazidos prisioneiros para Belém. Foi esta a última tentativa dos ingleses para se manterem no Amazonas.

 

No Norte, os bandeirantes amazónicos utilizaram exclusivamente o sistema fluvial, guiados pelos índios arauqques. No Sul, os bandeirantes paulistas percorreram as trilhas e caminhos indígenas, guiados pelo índios tupis (03) e tribos tupinizadas. O principal caminho (o Piabiru) estendia-se por cerca de 200 léguas de sesmaria pelo interior do continente, ou seja aproximadamente 1400 Km, ligando São Paulo, no litoral, ao Paraguai. Este foi o caminho desbravado  primeiramente pelos jesuítas do Colégio de São Paulo para alcançar o Peru, e, depois, o caminho de internamento das bandeiras que buscavam guaranis pacificados das missões dos jesuítas e os índios das tribos guaranizadas para vendê-los como escravos. Os índios arauaques, aliados dos bandeirantes na Amazónia, ocupavam uma extensa área que ia desde o Orenoco, pelo vale dos rios Amazonas, Madeira-Mamoré e Guaporé, até ao Alto e Médio Paraguai. Os Tupi-Guaranis (04) adensavam-se na bacia do rio da Prata e estendiam-se, aparentemente sem solução de continuidade, até à vasta zona geográfica das florestas tropicais húmidas, alcançando, já em tempos históricos, a ilha de Tupinabarana,, em águas amazónicas. Essa grande extensão geográfica das culturas tupi-guaranis acarretava relações muito intensas entre as tribos, das quais a colonização portuguesa soube sabiamente tirar partido. A expansão bandeirante não pode ser explicada sem a constatação do aproveitamento das relações intertribais das culturas tupi-guarani e arauaque. Os índios forneceram o conhecimento dos caminhos por terra, da navegação pelos rios, desvendando ao colonizador a rede fluvial do rio da Prata e do Amazonas.

 

(03) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre : Tupis
Em etnologia, o termo tupi remete a grupos indígenas cujas línguas pertencem ao tronco tupi. A referência clássica designa os povos que habitavam a estreita faixa da planície litorânea atlântica, desde o Estado do Rio Grande do Sul, para o Norte, até o Estado da Bahia, ou segundo alguns autores, até o Estado do Pará ou Amazonas.
Em um sentido mais amplo, por suas similitudes culturais e étnicas, foram reunidos aos guaranis que se restringiam ao sul e sudoeste do Brasil, (inclusive Paraguai e Bolívia) no grande grupo étnico e linguístico denominado "Tupi-Guarani".
Embora cultural e etnicamente similares às tribos que habitavam o interior do continente, estes e grande parte dos autores os distinguiam daqueles povos reunidos em outros sub-grupos, o principal o dos jês ou tapuias.
Estudos bem fundamentados demonstram que os tupis habitaram originalmente a região do actual Estado do Amazonas, tendo permanecido por longo tempo na margem meridional (sul) do rio Amazonas. Estas tribos, que sempre foram nómadas, iniciaram uma trajectória em direcção à foz do rio Amazonas e de lá pelo litoral para o sul. Supõe-se que esta migração, que teria também ocorrido, em menor grau, pelo continente adentro, no sentido norte-sul, tenha se iniciado há cerca de 1.500 anos.
Alguns autores sustentam que nesta trajectória os tupis enfrentaram-se com os tupinambás que já habitavam o litoral, outros sustentam que apenas se tratava de levas sucessivas do mesmo povo, os posteriores encontrando os anteriores já estabelecidos.

 

(04) Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - Tupi-guarani
Entre cerca de 1.500 e 1.000 depois de Cristo, no Brasil encontravam-se núcleos de povoamento tupi-guarani que se caracterizam, entre outras coisas, por serem agricultores de florestas tropicais. A partir do local que hoje é o estado de Randónia, os grupos dispersaram-se pelas bacias do Rio Paraguai, ocupando depois o litoral brasileiro. Apesar de possuírem modos de vida parecidos e culturas semelhantes, não formavam um único tipo de sociedade. Às vezes os grupos eram rivais uns dos outros, sendo as diferenças regionais. Sistema tribal - a forma de vida tupi-guarani
Organizados em sistemas tribais, que se caracterizam pelas relações de parentesco, ou seja, a cooperação entre descendentes de um ancestral em comum, os índios tupi-guaranis se agrupavam em aldeias. As aldeias se localizavam geralmente próximas a rios e eram cercadas. Dentro do espaço cercado construíam-se as casas e formava-se o pátio. Neste pátio eram realizadas as reuniões da comunidade, as cerimónias, ou seja, os fatos importantes da aldeia. As casas eram construídas de madeira e cobertas com folhas de palmeiras. Em cada casa vivia uma família, constituída não apenas de mãe, pai e filhos, mas de um chefe e todos os seus descendentes.
Cada aldeia tinha um líder (cacique) que a representava e que era o mais valente nas guerras. Mas não existiam diferenças entre o que as pessoas possuíam ou faziam, mas sim uma divisão de tarefas entre homens, mulheres e crianças. As mulheres cuidavam das crianças, da comida, da plantação, da colheita, da preparação das bebidas, da fabricação de cerâmica; enquanto os homens caçavam, pescavam e lutavam nas guerras. O líder de cada aldeia não tinha o poder de um rei. Ele trabalhava como os outros homens do grupo, e seu poder de liderança era exercido durante as reuniões, nos períodos de guerra ou em situação de calamidade. Quando havia alguma ameaça à tribo ou um grande trabalho a fazer, todos se uniam.
Os índios faziam grandes vasilhas de cerâmicas para o preparo das bebidas e depósito de alimentos. Muitas vezes enterravam seus mortos dentro desses grandes vasos, que, reutilizados eram transformados nas chamadas urnas funerárias. Os indígenas produziam também objectos de cerâmica, adornos de conchas, de pedras e de penas. Alguns dos objectos de adorno eram usados em actividades sociais colectivas, festas e rituais.
Em algumas tribos tupi-guaranis encontramos a prática do canibalismo. Nestes rituais, estas tribos acreditavam que ao comerem o inimigo ganhariam a força e as habilidades dele. Ao matar seu inimigo o índio recebia mais um nome aumentando sua autoridade diante do grupo. As cerimónias religiosas eram dirigidas por homens, chamados pajés, mas as mulheres participavam dos rituais como profetisas. Eles davam muita importância aos sonhos e profecias e em época de conflitos e nunca partiam para um combate sem antes ouvir pajé. Acreditavam nos espíritos, principalmente dos parentes mortos.  Apresenta-se como característica da sociedade tupi o respeito e valorização do conhecimento das pessoas mais velhas. A educação das crianças era responsabilidade não somente das mães e dos pais, como de toda a comunidade.

 

Os dois núcleos principais das bandeiras, São Paulo e Belém do Pará, não constituíam centros económicos importantes na vida da colónia. Ambas as localidades se caracterizavam por uma economia de colecta e apresamento de mão-de-obra, sendo portanto, centros económicos pobres. São Paulo, além da caça ao índio, vivia da bateira de ouro nos rios, constituindo esse ouro aluvial, depois dos escravos índios, a sua principal riqueza. Deste modo foram descobertas as ricas minas de ouro de Minas Gerais, assunto já do século XVIII. Belém do Pará, além da exploração da mão-de-obra indígena escrava, vivia da colecta das especiarias do sertão. Em busca dessas especiarias, que apenas podiam ser encontradas no interior das florestas equatoriais húmidas, desbravaram os rios Solimões, Madeira e Jupurá, incorporando ao território colonial o rico sistema fluvial em torno destes grandes rios. Flotilhas de contrabandistas subiam os rios Içá, Napo, Pastaza, Santiago, Marañon e Huallaga, indo vender as suas mercadorias em Pasto (Colômbia), Ávila, Quito e Ambato (Equador), e em Jaén, Moyobamba e Lamas (Peru). A ligação do Orenoco com o rio Negro através do Casiquiare já lhes era conhecida. Foram as informações dos índios chanés (04), do grupo arauaque, que tornaram as viagens na rede fluvial ao sul da bacia amazónica, rompendo até ao Guapaí e ao Alto Pilcomayo, juntando-se a essas informações as fornecidas pelos índios chiriguanos (5), do grupo guarani.

 

(04)  Fonte: Isabelle CombèsI; Diego VillarII (IPesquisadora do Institut Français dÉtudes Andines, Bolívia; IIPesquisador do CONICET, Argentina.  

Índios Chanés
No final do século XVIII, com a mestiçagem consumada, o destino dos Chané parecia selado. Desapareceram como etnia, transformaram-se em Chiriguano, e sua lembrança elusiva aflora somente em vestígios da cultura material: as máscaras, as técnicas de rega e de tecer, os estilos de olaria. Esta perspectiva é correcta em suas linhas gerais. No entanto, 15 anos depois parece-nos incompleta, quem sabe vítima inconsciente do imperialismo "guaranizante" que acomete em maior ou menor medida a etnologia chiriguano. Quando centramos o olhar nos Isoseño bolivianos e nos Chané argentinos, é possível matizar, relativizar, actualizar algumas das conclusões de Alter Ego.
A "guaranização" dos Chané certamente existiu, mas desenvolveu-se paralelamente a uma "chaneização" dos Guarani que foi muito mais profunda e duradoura do que então se imaginava, actualmente perceptível além da cultura material. Por exemplo, dedicamos recentemente estudos comparativos à organização sociopolítica chiriguano e chané destacando seu indiscutível influxo arawak (Combès & Villar 2004, Combès & Lowrey 2006). As linhagens de caciques chané e isoseño ainda transmitem bens materiais e simbólicos, mantendo uma relação privilegiada com a língua, a memória colectiva e a conceitualização do espaço e do tempo. Os capitães sabiam e ainda sabem explorar à perfeição o jogo das alianças, administrando com maestria as redes de parentesco para obter vantagens políticas. Apelam, segundo as circunstâncias, para diversas estratégias de abertura da rede de afins (poliginia dos líderes, nomeação de parentes como capitães subalternos) ou de contracção da mesma (matrimónio avuncular, repetições de alianças). Conseguem – ao se servirem alternativa e selectivamente da hipergamia e da hipogamia, da exogamia e da endogamia, do direito de sangue ou do direito de escolha, da descendência e da aliança, da patrilinearidade do cognatismo ou da matrilinearidade – traduzir conflitos políticos, queixas económicas, disputas pelo poder e reivindicações étnicas ou territoriais em uma linguagem única, totalizadora, compreensiva, que constrói uma legitimidade concebida em termos de pureza étnica parentesco e aliança.
Tanto entre os Chané como entre os Isoseño, constata-se uma ideologia muito explícita da estirpe, da ascendência, do nível, da genealogia, da hierarquia e da consanguinidade real ou fictícia; afirma-se que a pertença à elite é uma questão de "sangue", de "pureza", de "herança" ou mesmo de "raça". Os Isoseño falam de ñemunia ete (engendra/reproduzir + sufixo de intensidade) ou anete ñemunia, "a família verdadeira" – termos que se traduzem em espanhol como "família real". As garantias tradicionais dessa "pureza" étnica eram, precisamente, as linhagens de caciques, decididamente endogâmicas na ideologia colectiva mais notória nos últimos rincões chané da Chiriguania. Essa tendência, não obstante, encontra-se vigente em todas as zonas "guarani" da Bolívia. Susnik notava, assim, a presença de uma "certa consciência da pureza ava, particularmente na categoria dos caciques" (1968:38). Porém, mais interessante ainda, tudo indica que esta ideologia da estratificação social, tão estendida entre os "guarani", é uma instituição de origem arawak.14 Não se trata de um fenómeno limitado ao testemunho etno-histórico, mas que repercute quotidianamente em contextos como a reivindicação étnica, a estruturação da história oral e da memória volitiva, a reciclagem onomástica ou o reconhecimento genealógico (Combès 2005; Combès & Villar 2004; Bossert & Villar 2004a e 2005).

 

(05) Fonte: A Nova Democracia "Os Valentes Chiriguanos: 

Índios chiriguana
Como toda verdadeira nacionalidade que pretende converter-se em nação, a Chiriguana (Ava) tem sua própria história e também naturalmente momentos especiais nos quais se manifestam, com toda a força, as aspirações de autodeterminação. A nacionalidade Chiriguana havia sido despojada de seus territórios e visto sua população ser completamente explorada desde as épocas coloniais (séculos 16 a 19). O chiriguano não aceitou nunca a dominação — fosse quêchua (incas) ou colonial, e nem a republicana — e assim coincidimos com Lorenzo Calzavarini (La nación chiriguana, Edit. Amigos del libro) quando sustenta que eles resistiram à dita dominação com todos os meios a seu alcance. A chegada da República (na Bolívia) não constituiu nenhuma garantia, sequer um paliativo, à sua situação de cultura agredida. Pelo contrário: o saque e o genocídio alcançariam, com a República, níveis muito altos. A nacionalidade Ava tomou, então, o caminho da resistência armada.

 

O pequeno povoado paulista, apertado pela serra do Mar, via os seus rios nascerem a pequena distância do litoral, porém com o seu curso dirigido para o interior do sertão. Ao invés de descerem serra abaixo e desaguarem no mar, eles corriam sertão adentro, como o Tietê, indicando, deste modo, a direcção às bandeiras paulistas. Atravessado o sertão selvagem, esses rios iam desaguar na bacia do rio da Prata. Este papel geográfico dos rios paulistas, indicando aos bandeirantes o sertão de índios e riquezas fabulosas, foi a condição natural para o desempenho histórico das bandeiras, que conduziram a fronteira política do império português na América aos limites da bacia pratina. Nos fins do século XVI, os índios do planalto paulista e da costa do lagamar santista foram vencidos pela superioridade da colonização lusitana, escravizados ou postos em fuga, internando-se no sertão. Ainda neste século, partindo de São Paulo as chamadas protobandeiras do misterioso Aleixo Garcia (06) , em 1526, de Pêro Lobo (07), em 1531 e de Cabeza de Vaca em 1541. A primeira notícia mais ou menos oficial de uma bandeira operando com colonos índios vicentinos data de 1562, dirigida por Brás Cuba (08) e Luís Martins, mas ignora-se o seu itinerário. Acredita-se que tenha percorrido cerca de 300 léguas de sertão e que teve como objectivo a busca de ouro, cujos vestígios só foram encontrados em Jaraguá, nas proximidades de São Paulo. Noutras regiões do Brasil iniciavam-se as entradas ao sertão. De Ilhéus partiu Luís Alavares Espinha em direcção a oeste, de Pernambuco saíram Francisco de Caldas, Gaspar Dias de Taíde e Francisco Barbosa em direcção ao sertão do São Francisco. Data de 1538 o chamado ciclo das esmeraldas. De Porto Seguro partiu para o sertão Filipe Guilhem. Outras entradas conhecidas são as de Miguel Henriques em 1550, Francisco Bruza de Espiñosa (09) em 1554 ao vale do Jequitinhonha, Vasco Rodrigues Calda em 1561 ao sertão do Paraguaçu, Martim Carvalho em 1567 ao norte de Minas Gerais e Sebastião Fernandes Tourinho (10) em 1572 aos rios Doce e Jequitinhonha. Em fins do século XVI, João Coelho de Sousa morria nas selvas das cabeceiras do Paraguaçu. Belchior Dias Moreira (11) atingiu com a sua expedição a chapada Diamantina.

 

(06) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre:   Aleixo Garcia
São desconhecidos o lugar e a data do nascimento de Aleixo Garcia, embora se saiba que tenha origem portuguesa e que faleceu em terras do actual Paraguai quando retornava de uma expedição.
Aleixo Garcia participou da expedição espanhola de Juan Díaz de Solís à América do Norte e ao Pacífico (1515-1516), a qual fracassou devido à morte de Juan Díaz e de parte da tripulação no Rio da Prata, actual Argentina. No retorno, tiveram de desembarcar na costa do actual estado de Santa Catarina, Brasil, onde se inteiraram da existência de "grandes riquezas" no interior do continente. Poucos anos depois, Aleixo Garcia organizou por sua conta uma nova expedição, da qual fez parte um grande número de guerreiros avá (guaranis), para percorrer aquelas terras. Entre 1521 e 1525, percorreu o rio Paraguai chegando até os limites orientais do Tawantinsuyu, passando pela região de Cochabamba no que hoje é a actual Bolívia e atravessando a parte norte do Chaco. A expedição conseguiu encontrar as riquezas que buscava, mas foi atacada pelos paiaguás, que mataram a maior parte de seus integrantes, entre eles Aleixo, que foi enterrado onde hoje se encontra a cidade de São Pedro de Ycuamanyju, capital do departamento paraguaio de São Pedro. A expedição organizada por Aleixo Garcia partiu no verão de 1524 do Porto de Patos, na costa de Santa Catarina, rumo ao Alto Peru. Desde o que restara da expedição de Juan Díaz de Solís chegara nesse porto, Aleixo Garcia passara 8 anos ali, convivendo com os nativos. Foi no local que ouviu falar da riqueza dos Incas em relatos que narravam uma montanha de prata e um poderoso rei "branco". Reuniu um grupo de dois mil homens, a imensa maioria ameríndios, e partiu à conquista do Império Inca, seguindo o antigo Caminho do Peabiru. A expedição demorou quatro meses para chegar ao lugar onde hoje se encontra a cidade de Assunção, no Paraguai. Alimentavam-se colectando frutos silvestres e mel. Quando chegaram às fronteiras Incas, próximas à actual cidade de Sucre, atacaram os postos fronteiriços e chegaram a menos de 150 km de Potosí que, então, era uma montanha de prata e havia gerado as histórias que Aleixo Garcia ouvira em Santa Catarina. O "rei branco" era o inca Huayna Capac, que residia em Cuzco. Uma vez tendo saqueado a zona por onde passou, levando muito ouro e prata, retornou pelo rio Paraguai, onde a expedição foi atacada por indígenas chamados de "Payaguá" pelos guaranis, e boa parte da expedição, incluindo Aleixo Garcia, foi morta. A rota aberta por Aleixo Garcia foi posteriormente muito utilizada. Por ela passaram Martim Afonso de Sousa, que fundou a cidade de São Vicente, Álvar Núñez Cabeza de Vaca (em 1541) e Ulrich Schmidel (em 1553). Por esses mesmos caminhos, passaram os Jesuítas, que fundaram as missões onde se cristianizava os guaranis.
Os nomes "Argentina" e "Rio da Prata"
A origem dos nomes "Argentina" e "Rio da Prata" não se deve à abundância desse metal em terras argentinas ou riopratenses. Em 1526, foram encontrados no estuário da desembocadura do rio Uruguai, no Atlântico, indígenas que traziam muita prata. Sebastião Caboto, que foi quem os encontrou, pensou que houvesse abundância de prata no estuário de posterior nome, e assim o apelidou. Esses indígenas eram remanescentes da expedição de Aleixo Garcia ao Peru. Mas, mesmo que se tenha clarificado a procedência dos metais que traziam, os nomes permaneceram. Dali se estendeu o de Argentina (de argentum, prata em latim), que foi usado pela primeira vez no poema histórico La Argentina o la conquista del Río de la Plata, publicado em 1602 por Miguel del Barco Centenera.

 

(07) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre :  Pêro Lobo
Há relatos de que os campos de Curitiba foram descobertos pela expedição de Pêro Lobo, em 1531.
A expedição bandeirante havia partido de Cananéia em busca de ouro e prata na região dos Incas, seguindo uma trilha indígena que passava por aqui e seguia pelos arredores da actual cidade de Ponta Grossa até onde hoje é o Paraguai. No entanto, a expedição acabou sendo trucidada pelos índios guaranis, nas proximidades de Foz do Iguaçu, durante a travessia do Rio Paraná.

 

(08) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Brás Cubas
Brás Cubas, nasceu e morreu no Porto, respectivamente em1507 e 1592) foi um fidalgo e explorador português. Fundador da vila de Santos (hoje cidade), governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (1545-1549 e 1555-1556). É considerado por alguns historiadores como fundador de Mogi das Cruzes, em 1560. Filho de João Pires Cubas e de Isabel Nunes, chegou ao Brasil no ano de 1531 com a expedição de Martim Afonso de Sousa, fundador da vila de São Vicente.
Em 1536 recebeu sesmarias na recém-formada Capitania de São Vicente, onde desenvolveu a agricultura da cana-de-açúcar e montou engenho de açúcar. Chegou a ser o maior proprietário de terras da baixada santista, fundando um porto, uma capela e um hospital - a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos (1543), que dariam origem à vila, actual cidade de Santos. Sendo o porto de Santos mais bem localizado que o de São Vicente, Brás Cubas foi o responsável pela transferência do porto da Ponta da Praia para o centro, nas cercanias do Outeiro de Santa Catarina. Capitão-mor de São Vicente (1545), em 1551, foi nomeado por D. João III Provedor e Contador das rendas e direitos da Capitania; no ano seguinte, fez erguer o Forte de São Felipe na ilha de Santo Amaro. Teve participação destacada na defesa da Capitania contra os ataques dos Tamoios, aliados aos franceses. Mais tarde, por ordem do terceiro Governador-geral Mem de Sá, realizou expedições pelo interior em busca de ouro e prata. Teria chegado até à chapada Diamantina no sertão da Bahia.
Suas tentativas de escravizar os indígenas resultou numa revolta que acabou por determinar o surgimento da Confederação dos Tamoios, que só pôde ser parcialmente contida pela actuação dos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Ao falecer, era fidalgo da Casa Real e um dos homens mais respeitados da Capitania. O título de Alcaide-mor da vila de Santos passou a seu filho, Perro Cubas. Em seu epitáfio está registado que descobriu "ouro e metais em 1560". Em 1578, aliás, era corrente a notícia da existência das minas de ouro e prata na Capitania, segundo um súbdito inglês residente em Santos.
Não tem nenhuma relação com o personagem homónimo de Machado de Assis, apesar do personagem fictício referir-se ao Brás Cubas histórico no início da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas.

 

(09) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. Francisco Bruza Espinosa
Francisco Bruza Espinosa, castelhano, foi dos primeiros desbravadores do sertão da Bahia ainda no século XVI. Seu nome se grafa também Francisco Bruzo Espinosa, sendo ainda encontrado como Francisco Bruza, Bruzza, Brueza de Espinosa, Espinhosa, Espiñosa ou Spinosa. Em 1553, D. João III ordenou ao governador-geral Tomé de Sousa explorar as nascentes do rio São Francisco, pois fora informado que os espanhóis haviam encontrado ouro e esmeraldas do outro lado da linha de Tordesilhas. A expedição foi encomendada ao castelhano. Toda região onde está o município de Salinas, originariamente de 3.689 km2 e abarcando dezasseis distritos e povoados, teve sua colonização iniciada nesta metade do século XVI, quando o desbravador Francisco Bruza Espinosa, seguindo determinação da Coroa, enveredou pelo vale do Rio Pardo com numerosa expedição. Palmilhou os tabuleiros de pastagens naturais – tinha até jazidas de sal, indispensável para o gado – e foi sair do território mineiro para a Bahia onde hoje está a cidade de Espinosa, que ganhou o topónimo em sua homenagem.
Seguido as noticias dadas pela expedição de Espinosa, acorreram à região os chamados vaqueiros baianos tangendo seus rebanhos, deflagrando assim o Ciclo do Couro da Colonização das Gerais. É notório que os povoados surgidos no curso das actividades agropecuárias, curso das actividades agropecuária, notadamente as pastoris, são de crescimento lento. Os sertões eram habitados pelos índios tapuias por ocasião do descobrimento. Cinquenta anos depois no Governo-Geral de Tomé de Sousa, foi organizada uma expedição à região sob comando do espanhol Francisco Bruza Espinosa. A expedição, da qual fez parte o padre jesuíta João de Azpilcueta Navarro, seguiu pelo sul do litoral baiano, atravessou o vale do rio Jequitinhonha e atingiu o rio São Francisco. Deixaram Porto Seguro em Outubro ou Novembro de 1553 e precisaram de ano e meio para percorrer 355 léguas (2.310 quilómetros), pelo rio Jequitinhonha, até a Serra do Mar, alcançando o rio São Francisco, passando ao rio Verde, finalmente descendo o rio Pardo até o mar. A crónica da expedição está em carta do jesuíta escrita em Porto Seguro, para os seus superiores em Coimbra, a 24 de Junho de 1555. A acção de colonização aconteceu muitos anos depois, quando, em 1690, o regente do São Francisco, António Guedes de Brito, se estabeleceu com duzentos homens armados na serra Geral, hoje município do Jacarací, na Bahia. Ali bem perto formou-se o povoado de Lençóis do Rio Verde - denominação que se explica pelos lençóis postos a secar no rio pelas lavadeiras da região. Esse povoado ficava nos arredores de uma antiga capela, mais tarde e a matriz de São Sebastião. Em 1859, criou-se o distrito de Lençóis, ligado ao município de Rio Pardo. Posteriormente, em 1923, sob a denominação de São Sebastião dos Lençóis, é elevado a município, desmembrado de Monte Azul. O nome Espinosa foi instituído depois, em homenagem ao desbravador do local.

 

(10) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Sebastião Fernandes Tourinho, com Francisco Bruza de Espinosa e Martim Carvalho, foi um dos primeiros a percorrer terras hoje pertencentes ao estado de Minas Gerais. A região de Ponte Nova tinha como porta natural o vale do rio Doce. Por ele chegavam os primeiros exploradores, vindos da Bahia, a procura da foz desse grande rio. Sabe-se que Sebastião Fernandes Tourinho tenha subido o Doce até a sua origem. Ora, hoje é considerada a origem do rio Doce a união do Piranga, com o rio do Carmo e o Xopotó, poucos quilómetros abaixo de Ponte Nova. Naquela época, então o bandeirante considerou a "origem do rio Doce" a nascente do Piranga, do Carmo ou do Xopotó?
J. Capistrano de Abreu, no «Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil», fala que Fernandes Tourinho teria subido o rio Doce até junto ao «Cuité».
Já Johann Moritz Rugendas, desenhista, pintor e gravador alemão, em seu «Viagem Pitoresca através do Brasil» (1835) afirma: "Sebastião Fernandes Tourinho foi o primeiro português que, da costa, penetrou o interior do pais. Partindo, em 1573, de Porto Seguro, subiu o rio Doce até as proximidades de Vila Rica... " passando, portanto e inevitavelmente - pela região de Ponte Nova.
Na «História do Brasil», de Pedro Calmon, não se reconhece o percurso exacto de Tourinho: «Largou ele em canoas de Porto Seguro, alcançou e subiu o rio Doce (que os índios chamavam Mandij, e explorou-lhe as margens para o sul, voltando com alvissareiras noticias de pedras verdes. É a história das esmeraldas que começa. Pretende Gabriel Soares que Tourinho tivesse chegado à vista da Serra dos Órgãos. "
Hoje, é sabido que Fernandes Tourinho não encontrou as esmeraldas, sonho de muitos bandeirantes, e podemos questionar, considerando o pouco conhecimento da geografia da região e as precárias anotações que se têm da época, uma possível confusão da Serra dos Órgãos com os picos íngremes da região de Ouro Preto ou, mesmo, com as montanhas escarpadas da serra dos Arrepiados (Araponga (Minas Gerais)).
Só depois de 1650, com o incentivo dos reis de Portugal, se intensificaram as incursões nos territórios mineiros. Na época eram crescentes os boatos da existência de verdadeiros eldorados no interior do País. Essas expedições partiam, entretanto, sem qualquer outro interesse que não o da descoberta de ouro e pedras preciosas. Os desbravadores não pretendiam sesmarias e nem se interessavam em se fixar nas terras descobertas.

 

(11) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Belchior Dia Moreira
Belchior Dias Moreira, bandeirante brasileiro, tem seu nome ligado à serra de Itabaiana, nos arredores de Aracaju, e ao mito do eldorado no Brasil. Era ainda conhecido como Belchior Dias Moreira ou Belchior Dias Caramuru, por ser parente de Diogo Álvares o Caramuru. Seria nascido no Brasil por volta de 1540, tinha fazendas ou currais junto a serra do Canini, nos sertões do rio Real (hoje município de Tobias Barreto), entre o rio Real e o rio Jabiberi. Considerado notável colonizador do sertão do rio Real, onde teria chegado desde 1599, após haver tomado parte na conquista de Sergipe, como um dos capitães de Cristóvão de Barros, segundo informa a «Enciclopédia dos Municípios Brasileiros».
Ficou famoso por suas buscas do Eldorado, que localizava na serra de Itabaiana. Até hoje há quem creia que haveria ali riquezas em metais e que a área ocultaria um "carneiro de ouro". O mito surge a partir das expedições deste aventureiro Belchior Dias Moréia, que alardeou a descoberta de uma grande quantidade de prata na região, no século XVI.
Embora nada tenha sido efectivamente localizado, a notícia ajudou a impulsionar outras expedições particulares e governamentais, que tomaram os caminhos da Serra nos séculos seguintes. Itabaiana, com sua velha serra, atraiu aventureiros em busca da prata que teria sido achada por Belchior Dias Moréia e durante dois séculos alimentou entre os brasileiros o sonho de riqueza. As primeiras minas de prata haviam sido descobertas no Brasil por Gabriel Soares de Sousa, que morreu em 1592, cronista e explorador. Era primo de Belchior Dias Moréia, que com ele aprendeu a varar os sertões da Bahia e de Sergipe, em busca de ouro e prata, mas estava a serviço dos reis da Espanha. Atraiu com isso o interesse de Belchior, que veio se estabelecer na terra. Após dez anos de pesquisa, anunciou a descoberta das minas de prata. As supostas minas de Itabaiana jamais foram encontradas. Se foram descobertas, como afirmava ele, o segredo ficou guardado. Pedindo mercês em troca da informação sobre o local das minas, Belchior foi a Portugal e de lá à Espanha, em 1600, para conseguir um título de nobreza. Demorou-se quatro anos, sem sucesso. Voltaria duas vezes à Europa com novos insucessos. Os governadores Luís de Sousa, de Pernambuco, e D. Francisco de Sousa, da Bahia, marcaram encontro com Belchior Dias Moreia e viajaram juntos para Itabaiana, para marcar a localização das minas. Negando-se a mostrar o local enquanto não fosse recompensado com as mercês, Belchior Dias Moréia foi preso e passou dois anos na cadeia. Antigamente, o rio Orinoco era o ponto preciso e real onde estaria o Eldorado, na cabeça das gentes. A partir de Gabriel Soares de Sousa a perspectiva se transferirá para as cabeceiras do rio São Francisco. Mesmo Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), que os portugueses tiveram como traidor, foi guia de uma expedição holandesa a Itabaiana em procura do ouro e da prata.
Belchior Dias Moreya morreu em 1619, deixando um filho – Rubério Dias – tido de uma índia cariri da aldeia de Geru. Seu neto Melchior Dias Moréia pretendeu posteriormente ter descoberto minas de prata na montanha de Itabaiana. Sem revelar, no roteiro imperfeito que deixou, sua localização. Por isso mesmo em 1673 a Coroa (era regente o Príncipe D. Pedro, futuro rei D. Pedro II de Portugal) nomeou D. Rodrigo Castelo Branco como administrador-geral das Minas de Itabaiana e editou o Regimento Geral das Minas do Brasil. Era consequência das incessantes buscas de ouro e prata em várias partes do território. Coube ao neto de Rubério Dias, bisneto de Belchior, buscar os velhos roteiros, a partir das terras do morgado do velho descobridor e sertanista. Tratava-se do coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, apelidado o Moribeca. Num engodo, apresentara ao governador Afonso Furtado pedras de marcassita misturadas com amostras de prata que herdara do avô.

 

O povoamento paulista compunha-se de Santos, São Vicente, Santo André da Borda do Campo e São Paulo. Deste núcleo colonial iria partir o mais violento e o mais permanente esforço de expansão territorial em direcção à bacia do rio da Prata, ao sertão hoje mineiro e goiano e, posteriormente, às terras do Nordeste Ocidental. Os colonizadores chegavam a São Paulo encontravam o seguinte quadro: índios guaianases, goitacases (12), tupiniquins (13), tupinambás (14), carijós (15), e guaranis (16) nas terras interiores, estes últimos chegando mesmo pelo litoral a atingir Espírito Santo; os índios tupiniquins iam pelo sertão até Ilhéus e Porto Seguro, sendo os seus últimos descendentes os puris (17) do vale da Paraíba, local onde foram encontrados no século XIX. Nas terras mais afastadas do planalto paulista encontravam-se os Ubirajaras e os Caiapós (18), ou Bilreiros. Sobre esta população indígena disseminada em tão grande área geográfica os primeiros paulistas exercendo o seu poder de dominação absoluta, escravizando-os, dizimando-os ou afugentando-os para terras mais interiores do sertão desconhecido.

 

(12) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. Goiracases
Os goitacases foram um grupo indígena, actualmente considerado extinto, que habitava no século XVI a região costeira entre o rio São Mateus, no estado brasileiro do Espírito Santo e a foz do rio Paraíba, no estado do Rio de Janeiro.
"O índio Goitacás é o senhor absoluto das terras no tempo da Capitania de São Tomé, depois do Paraíba do Sul" Relato de Osório Peixoto em seu livro "500 anos dos Campos dos Goutacases".
"Goitacás" quer dizer corredor, nadador ou caranguejo grande comedor de gentes. Fisicamente possuíam pele mais clara, eram mais altos e robustos que os demais índios do litoral. Reuniam ainda uma "força extraordinária e sabiam manejar o arco com destreza". Tinham o hábito de dançar e cantar em ocasiões festivas, usando o jenipapo para a pintura do corpo e penas de aves com as quais adornavam seus objectos. Viviam nus, raspando o cabelo no alto da cabeça, deixando-o comprido, formando uma longa cabeleira. Sua alimentação constava de frutos, raízes, mel e, principalmente, de caça e pesca. Eram supersticiosos quanto à água para beber, não bebendo-a de rios e lagoas, mas sim das cacimbas. Mantinham comércio com os colonizadores europeus, mas com uma peculiaridade: não se comunicavam com seus colonizadores! Deixavam seus produtos em lugar mais elevado e limpo ficando à distância, observando as trocas. Davam mel, cera, pescado, caça e frutos em troca de enxadas, foices, aguardente e missangas.
Assim como os demais povos indígenas, os Goitacases guerreavam entre si e seus vizinhos. "Quando não se julgam fortes fogem com ligeireza comparável a dos veados." Além do arco e da flecha faziam com perfeição trabalhos com penas de aves, multicoloridas, usando-as no corpo e nas armas e também em ocasiões festivas. Trabalhavam o barro, enterrando seus mortos em igaçabas. Faziam machados de pedra, jangadas, trabalhavam com bambu e trançavam redes de fibra e cordas. Os goitacases sofreram um massacre histórico. Após esse episódio praticamente desapareceram. Calcula-se que eram cerca de 12 mil. Foram homenageados por José de Alencar em seu romance 'O Guarani'. Nesta obra, o protagonista, Peri, é um índio goitacáz que realiza grandes proezas, lutando contra os aimorés, o homem branco e até contra os elementos naturais, tudo para agradar e salvar sua predilecta, Cecília, filha de um nobre português.

 

(13) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Tupiniquins
O pesquisador Carlos Augusto da Rocha Freire consignou que os Tupiniquins ocupavam, no século XVI, terras situadas entre o actual município baiano de Camamu até o rio São Mateus (ou rio Cricarê), no actual estado do Espírito Santo. Foram catequizados por jesuítas, em Aldeia Nova, sofrendo com pragas exógenas (como a varíola) e endógenas (como as formigas, que lhes destruíram as plantações). Serafim Leite consignara (História da Companhia de Jesus no Brasil), que o acampamento dos Reis Magos era quase todo composto por tupiniquins.
Em 1610 o Padre João Martins obteve para os nativos uma sesmaria, mensurada somente em 1760. O principal centro desse território era a vila de Nova Almeida que, na data de sua demarcação, contava três mil habitantes. Auguste de Saint-Hilaire registra, no início do século XIX, sua existência.
Em 1860 o Imperador Pedro II encontrou-se, em Nova Almeida, com uma mulher tupiniquim, registando o fato em seu diário e em meados do século o pintor Auguste François Biard anotou sua presença em famílias dispersas, junto a imigrantes italianos.
No século XX, o Serviço de Protecção aos Índios instalou no Espírito Santo meridional um de suas zonas de actuação, sendo encontrados, em 1924, alguns tupiniquins.

 

(14) Fonte:  Wikipédia, a enciclopédia livre: Tupinambás
O termo tupinambá provavelmente significa "o mais antigo" ou "o primeiro", e se refere tanto a uma grande nação de índios, da qual faziam parte, dentre outros, os tamoios, os temiminós, os tupiniquins, os potiguara, os tabajaras, os caetés, os amoipiras, os tupinás (tupinaê), os aricobés e um grupo também chamado de tupinambá. Os tupinambás como nação dominavam quase todo o litoral brasileiro e possuíam uma língua comum, que teve sua gramática organizada pelos jesuítas e passou a ser conhecida como o tupi antigo, sendo a língua raiz da língua geral paulista e do nheengatu. Entretanto, normalmente, quando se fala em tupinambás está-se a referir às tribos que fizeram parte da Confederação dos Tamoios, cujo objectivo era lutar contra os portugueses, também conhecidos como perós. Apesar de terem raízes comuns, as diversas tribos que compunham a nação Tupinambá lutavam constantemente entre si, movidas por um intenso desejo de vingança que resultava sempre em guerras sangrentas em que os prisioneiros eram capturados para serem devorados em rituais antropofágicos. Em todas as tribos tupinambás era comum a observância aos heróis civilizadores, como chama Alfred Métraux em seu livro A Religião dos Tupinambás, que eram divindades que haviam criado ou dado início à civilização indígena (Meire Humane e Pae Zomé — mito ameríndio comum em toda a América Meridional). Também era comum a intercessão junto aos espíritos dos pajés, o uso dos maracás, chocalhos místicos cujo uso era obrigatório em qualquer cerimónia.
Actualmente existem dois núcleos de índios Tupinambá, no litoral da Bahia: Olivença, município de Ilhéus, com 20 aldeias e 3864 indígenas; e a aldeia Patiburi, município de Belmonte, com 199 pessoas. Os tupinambás da Região Sudeste do Brasil tinham um vasto território, que se estendia desde o rio Juqueriquerê, em São Sebastião / Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, até o cabo de São Tomé, no estado do Rio de Janeiro. O grosso da nação tupinambá localizava-se na baía da Guanabara e em Cabo Frio, ou Gecay, o nome da mistura de sal e pimenta que os índios, embora não consumindo o sal, vendiam aos franceses, com os quais se aliaram quando estes estabeleceram a colónia da França Antárctica na baía de Guanabara. As tentativas de escravização dos índios para servirem nos engenhos de cana-de-açúcar no núcleo vicentino, levaram à união das tribos numa confederação sob o comando de Cunhambebe, chamada de Confederação dos Tamoios, englobando todas as aldeias tupinambás, desde São Paulo, Vale do Rio Paraíba (São José dos Campos, Taubaté e outras) até o cabo de São Tomé, com invejável poderio de guerra. É neste ínterim que Nóbrega e Anchieta teriam sido levados por José Adorno de barco até Iperoig (actual Ubatuba), para tentar fazer as pazes. Segundo a tradição, Nóbrega voltou até São Vicente com Cunhambebe e o Padre José de Anchieta ficou cativo dos tupinambás em Ubatuba. Neste período, ele teria escrito o Poema da Virgem. Fatos lendários e fantásticos teriam ocorrido nesta época do cativeiro, como o milagre de Anchieta: levitar entre os índios, que horrorizados, queriam que ele dali se retirasse pois pensavam tratar-se de um feiticeiro.
Seja como for, os padres com muita diplomacia, conseguiram desmantelar a Confederação dos Tamoios, promovendo a Paz de Iperoig, o Primeiro Tratado de Paz das Américas. Diz-se que depois de feitas as pazes, Nóbrega advertiu os índios de que, se voltassem atrás na palavra empenhada, seriam todos destruídos, o que de fato ocorreu. Quando os portugueses atacaram os franceses do Rio de Janeiro, estes pediram ajuda aos índios, que de fato acudiram a seus aliados. Isto levou ao extermínio dos tupinambás que moravam em aldeias em torno da Baía da Guanabara, na segunda metade do século XVI. Os que conseguiram se salvar foram os que se embrenharam nos matos com alguns franceses e os índios tupinambás de Ubatuba que, para não ajudarem e não correrem riscos, ou se embrenharam nos matos ou foram assimilados pelos colonos em Ubatuba, gerando a actual população caiçara daquela região assim como a população cabocla do Vale do Paraíba Paulista e Fluminense.
Contudo, o golpe fatal ao fim dos tupinambás, foi o ataque ao último reduto francês em Cabo Frio, com a destruição de todas as aldeias. Tudo destruído com fogo e passado ao "fio da espada". Os sobreviventes ou se embrenharam nos matos e migraram para outras regiões ou alguns poucos ainda, no final do século XVI, podiam ser encontrados numa aldeia de índios cristãos próxima da então recém-fundada cidade do Rio de Janeiro, local onde morreu e foi enterrado o Padre Nóbrega. Por esses motivos e por algumas declarações que denotariam em tese conivência com o extermínio indígena, é que o Padre José de Anchieta tem sido considerado muito polémico até os dias actuais, embora noutras oportunidades, tenha declarado que se dava melhor com os Índios do que com os portugueses. Afinal, os padres jesuítas tinham a boa intenção e boa-fé de angariar novas almas para a Igreja, no movimento conhecido como Contra-Reforma, haja vista a Reforma que havia se iniciado e espalhado pela Europa.

 

(15) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Carijós
Carijós são índios que ocupavam o território que ia de Cananéia, estado de São Paulo, Brasil, até a Lagoa dos Patos, no estado do (Rio Grande do Sul), no sul do Brasil. Vistos como o melhor gentio da costa, foram receptivos à catequese cristã. Isso não impediu sua escravização em massa por parte dos colonos de São Vicente. Em 1554, participaram do ataque a São Paulo. Eram cerca de 100 mil. O litoral gaúcho e catarinense, ao tempo da descoberta, era habitado pelos Guaranis, que se estendiam pelo interior, às margens da imensa Lagoa dos Patos.
É interessante a origem do nome desta lagoa. Conta-se que em 1554, viajavam para o Prata algumas embarcações espanholas, que acossadas por um temporal, viram-se na contingência de procurar abrigo na barra do Rio Grande. Aí deixaram fugir alguns patos que traziam a bordo e de tal modo se deram bem as aves com o lugar, que se reproduziram assombrosamente, chegando a coalhar a superfície das águas da lagoa, dando-lhe e nome. Eram os carijós índios dóceis, trabalhadores e bem intencionados. Pertenciam ao ramo Guarani e efectuaram uma marcha migratória do Paraguai para o sul do litoral brasileiro.
Ayolas, na conquista do Paraguai, encontrou-se com os Carijós à margem de um rio que desagua vinte quilómetros acima da foz do ramo principal do Pilcomaio, onde os ameríndios em questão possuíam uma aldeia cercada por uma paliçada dupla e guarnecida de bocas de lobo (escavações com estrepes no fundo). Os espanhóis acossados pela fome, marcharam resolutamente para a vitória. Os índios, ao ouvirem os primeiros estampidos das armas de fogo, fugiram em corrida louca, caindo muitos nas próprias esparrelas que haviam armado aos invasores. Depois de ocupar a taba, em homenagem a Santíssima Virgem, deu Ayolas, o nome de Assunção.
Os Carijós construíam suas casas cobrindo-as com cascas de árvores e já fabricavam redes e agasalhos com o algodão que cultivavam, forrando-as com peles e ataviando-as com plumas e penas. Acostumaram-se a ajudar todos os navios que lhe solicitassem auxílio, até que um dia, traídos na sua boa fé, acabaram considerando os brancos inimigos. Na arte de cura, os Carijós estavam bem adiante dos demais nativos. O remédio principal era uma ventosa aplicada pelos lábios do pajé.
Na bruxaria também eram bem desenvolvidos. Para enfeitiçar um semelhante, costumavam amarrar um sapo em uma árvore. Á medida que o nojento animal fenecia, a pessoa enfeitiçada também enfraquecia até morrer. Se desejavam cegar alguém, enterravam-lhe debaixo da rede um ovo. Descoberta a mandinga, os objectos que serviram para a mesma deviam ser arremessados ao rio. Grande era o número dos que tinham parentesco com um ser superior que chamavam de caraibebes, que os jesuítas traduziram por anjos. Gozavam de vida avantajada esses que, manhosamente se inculcavam ministros dos anjos. Recebiam os melhores frutos da terra e as mais cobiçadas caças que fossem abatidas pelas cercanias.
Quando um guerreiro partia para a guerra, era honrado com um sopro do caraibebe, para que não morresse em combate. Entretanto, se alguns caía morto em luta, havia a desculpa de que o infeliz, por seus pecados não se tornara digno da bênção do anjo. Deste modo, esses pajés se tornaram infalíveis, com prestígio inabalável entre os seus crentes. É sem dúvida curioso o modo como se explica a origem dos Carijós.
Tendo naufragado nas proximidades da Ilha de Santa Catarina um navio português, seus tripulantes atingiram a terra, então campeada pelos índios guaranis. Entre os náufragos estavam o português Henrique Montes, o castelhano Melchor Ramirez e o negro Francisco Pacheco, além de outros. Como sucedeu a Caramuru e a João Ramalho, estes uniram-se às índias, adoptando um novo regime de vida. Desta união resultou o nascimento de mestiços, mamelucos e cafusos, alterando o aspecto dos indígenas, que passaram a constituir uma nova cultura, denominada de Carijós, o que significa arrancado do branco, ou seja, o mestiço. Daí vem o costume de chamarmos de carijós às galinhas de coloração preto-e-branco.

 

(16) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Guaranis
O termo guaranis refere-se a uma das mais representativas etnias indígenas das Américas, tendo como territórios tradicionais uma ampla região da América do Sul que abrange os territórios nacionais da Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a porção centro-meridional do território brasileiro. São chamados povos (no plural) pois sua ampla população encontra-se dividida em diversos subgrupos étnicos dos quais os mais significativos em termos populacionais são as parcialidades Kaiowá, Mbyá, Nhandeva, Ava-Xiriguano, Guarayo, Izozeño e Tapieté. Cada um destes subgrupos possui especificidades dialectais, culturais e cosmológicas, diferenciando assim sua forma de ser guarani das demais.
Existem milhares de fontes históricas que tratam da trajectória dos povos guarani, sendo esta uma das etnias mais documentadas de todos os tempos. Apesar deste fato sua história bem como o primeiro contacto desta etnia com os exploradores europeus não foi bem documentado. Os próprios guaranis não possuíam à época uma linguagem escrita, logo toda sua história estava vinculada a uma complexa forma de transmissão do conhecimento através da tradição oral. Daquele período sabe-se que eram sociedades descentralizadas de seminómadas de caçadores agricultores. Sua alimentação era baseada na caça e colecta, bem como no plantio diversas variedades de vegetais, entre este destacam-se os tipos de mandioca, batata, amendoim, feijão e milho. Habitavam casas comunais de dez a dezanove famílias. Como os guarani modernos se uniam e organizavam-se em redes de parentesco cunhadas e actualizadas em relações mutualidade a partir de perspectivas cosmológicas partilhadas. De acordo com o missionário jesuíta Martin Dobrizhoffer alguns destes grupos praticavam antropofagia, possivelmente dentro de complexos rituais funerais, para em seguida colocarem os ossos do morto em grandes panelas de cerâmica afixadas invertidas sob o solo. Em boa parte das regiões litorâneas do sul e do sudeste do Brasil assim como na bacia dos rios Paraná e Prata foram as populações Guarani as primeiras a serem contactadas pelos europeus. No início do século XVI, época dos primeiros contactos com os conquistadores europeus, a população Guarani provavelmente chegava ao número de 1,5 a dois milhões de pessoas, ocupando juntamente com outros grupos étnicos, em relações ora amistosas, ora belicosas.
Em 1511, o navegador espanhol Juan de Solis comandou a primeira expedição europeia a entrar no Rio da Prata, o estuário do Paraná ou Paraguai, seguido pela expedição de Sebastião Caboto em 1526 . Em 1537 Gonzalo de Mendoza chegou ao Paraguai pelo actual território do sul do Brasil, e em seu retorno fez contacto com um grupo Guarani fundando Asunción que séculos depois se tornou a capital do Paraguai. Na medida em que avançavam continente a dentro as expedições de conquista de Espanha, eram encontradas diferentes populações Guarani em territórios anexos aos quais os espanhóis chamaram de 'províncias' e nominando-as conforme conheciam os nomes das populações que encontravam "Karió, Tobatin, Guarambaré, Itatin, Mbaracayú, gente do Guairá, do Paraná, do Uruguai, os Tape... Estas províncias abarcavam um vasto território que ia da costa atlântica sul de São Vicente, no Brasil, até a margem direita do rio Paraguai, e desde o sul do rio Paranapanema e do grande Pantanal, ou Lago dos Jarayes, até as Ilhas do Delta junto da actual cidade de Buenos Aires" (Bartolomeu Melià, 1991).
Gonzalo de Mendoza tornou-se o primeiro governador do território espanhol do Guayrá iniciando uma política de casamentos entre seus subordinados europeus e mulheres guarani dos grupos locais, que deu início ao que mais tarde seria denominada a nação paraguaia. Ao mesmo tempo é acelerado o processo de escravidão de grupos autóctones submetidos para mão de obra de todos os tipos. Os cronistas dos prelúdios do período colonial denominaram "guaranis" todas as populações que partilhavam de uma mesma língua, compreendida em todas as províncias e em grande parte, semelhante à língua falada pelos índios tupi do litoral. Cada agrupamento humano por sua vez fora denominado separadamente a partir do nome de xamãs, líderes guerreiros e figuras de prestígio entre estes. Também era comum a denominação dos grupos com os nomes dos rios e dos lagos em cujas margens habitavam. Durante mais de quatrocentos anos de referências escritas sobre os Guarani, muitos nomes alternativos têm sido empregados para identificar estes vários povos, bem como para indicar suas visíveis diferenças. Em grande medida influenciados pelas referências dos índios tupis os colonizadores da América Portuguesa chamaram os guaranis de araxás, araxanes, cainguás, carijós e ouitatins. Na América Espanhola estes mesmos grupos eram chamados de Carios, Chandules, chandrís e landules. A despeito das denominações exógenas cada subgrupo possui sua própria forma de auto denominação, sendo que todos eles se reconhecem no termo avá ou avaeté kuery que significa respectivamente "homem" e "homens verdadeiros". Neste primeiro período da colonização, movimentos de insurreição em massa foram registados por diversos administradores coloniais. De profundo carácter religioso, estes levantes eram em grande parte consequência da presença de grandes xamãs-profectas, os karaí, que com a força de suas palavras convenciam multidões a abandonarem as vilas da colonização espanhola e seguirem dançando e cantando com o intuito de alcançar a liberdade na Terra Sem Males (Yvy Maraey). Em 1579, o levante liderado pelo karaí chamado Oberá, também grafado Overá (aquele que brilha), pôs em grandes riscos o projecto de colonização espanhola na região de Arambaré. Por onde quer que passasse Oberá era seguido por uma multidão cada vez maior de indígenas, que após sua presença recusavam-se terminantemente a servir os espanhóis. Karaí Oberá, prometendo a todos a liberdade, realizava grandes rituais de desbatismo, onde os chamados "guaranis civilizados" renunciavam aos votos e aos nomes da cristandade, recebendo outro nome guarani. Seguindo o conselho dos poderosos karaí, multidões dançavam e cantavam ininterruptamente durante dias . Partindo das colónias do litoral do actual estado de São Paulo, o movimento luso-paulista das Bandeiras, de carácter expansionista e escravocrata, caiu como um flagelo sobre as populações Guarani, primeiramente sobre aquelas que habitavam os territórios próximos ao rio Paranapanema, depois adentrando mais e mais no continente. Aos grupos sobreviventes restava algumas opções: rebelar-se contra uma ou mesmo contra as duas nações européias que invadiam seus territórios, iniciar longas peregrinações buscando a proteção de distantes florestas e pântanos de difícil acesso ou ainda se submeterem a pacificação tornando-se escravos dos bandeirantes luso-paulistas ou servos dos espanhóis encomenderos. Com o avanço da empresa colonial, diferentes grupos autóctones se tornaram peças das disputas e joguetes por recursos e territórios de Portugal e Espanha. Cada um dos lados buscava de todas as formas incitar os grupos que eram seus aliados a fazer guerra contra seu adversário europeu e aos indígenas a este coligados - A máxima romana "dividir para conquistar" ganhou estatuto de regra como meio de limpeza étnica na colonização no novo mundo. Ao mesmo tempo uma série de epidemias trazidas da Europa se alastraram rapidamente pelo continente eliminando as populações autóctones e devastando províncias inteiras. Em 1640 a região do Paranapanema já se encontrava despovoada, todos seus habitantes originais haviam desaparecido, a maioria escravizada pelos bandeirantes havia sido levada para a vila de São Paulo de Piratininga ou para a vila de São Vicente enquanto outra parte buscou refúgio nos territórios e nas florestas ao sul. Alguns ainda, talvez em fuga, acabaram sendo encontrados por membros da Companhia de Jesus, e uma parte dos contactados provavelmente foi convencida pelos jesuítas a buscar abrigo em suas Reduções. Agindo como soldados os jesuítas tinham um único objectivo - converter o maior número de selvagens possível, obrigá-los a mudar seu estilo de vida e aceitar a religião católica como única forma de salvação. No ano de 1743, mais da metade da população da bacia do Prata, aproximadamente 142 mil índios, viviam nos povoados missioneiros. Uma vez mais inúmeros xamãs-profetas karaí surgiriam das matas até as missões, cercados por inúmeros seguidores, rivalizando em retórica e poder com os padres jesuítas e se tornando um obstáculo para a conquista espiritual. Não tardou para que os jesuítas ultrajados incitassem os índios reduzidos contra os karaí que chamavam abertamente de demónios e de feiticeiros. Das diferentes trajectórias surgiram novas distinções culturais entre os Guarani. Com o crescimento das Reduções Jesuíticas surgiria a figura dos Guarani Missioneiros, que a partir do sincretismo com elementos jesuíticos, dariam forma e cor à utopia cristã-ameríndia das Missões. Já as populações guarani que se refugiaram em florestas, montes e pântanos, escapando do alcance dos bandeirantes, bem como da submissão aos encomenderos espanhóis ou às missões jesuíticas ficaram conhecidas pela exonominação genérica de Kainguá, Kaaiguá, Cainguá ou Ka'ayguá - Todos esses termos derivados da palavra guarani ka'aguyguá, "habitantes das matas". Esta provavelmente é também a origem do nome de um dos actuais subgrupos Guarani, os Kaiowá, apesar destes provavelmente não serem os únicos grupos da actualidade descendentes daquelas populações não submissas. No entanto, é grande a probabilidade que os chamados "habitantes das matas" nunca tenham perdido totalmente o contacto com os guarani missioneiros, mantendo de alguma forma intercâmbios de bens, informações e até mesmo de pessoas através do parentesco com estes. Esta é uma das explicações encontradas para a apropriação de instrumentos como o violão (mbaraká) e a rabeca (ravé), não só utilizados até hoje pelos Mbyá-Guarani, como também considerados pelos próprios como parte de sua tradição e até mesmo originados em sua cultura.

 

(17) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Puris
Os Puris foram um grupo indígena, actualmente considerado extinto, que habitava no século XIX os estados brasileiros do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Sudeste de Minas Gerais. Foram também chamados coroados.
Os índios da tribo puri eram hábeis pescadores e viviam no litoral do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Mas devido à chegada dos portugueses, se dispersaram pelo interior do Brasil. Chegaram à Serra do Brigadeiro, mas ameaçados pelos portugueses e pelos índios botocudos, tiveram de se adoptar ao clima frio da serra e às matas fechadas.
Em Ponte Nova, mais pacíficos, aproximaram-se dos colonizadores, sendo comum sua presença nas fazendas como agregados. Mesmo no primeiro quartel do século XIX mantinham aldeamentos próximos do povoado. Duas dessas aldeias situavam-se no local do actual Bairro do Pacheco e no alto do Morro do Pau D` alho, onde hoje se ergue o Colégio Dom Helvécio. Cláudio Moreira Bento, escrevendo sobre as comemorações dos 200 anos de Resende, comenta o massacre dos índios puris pelos primeiros habitantes dos municípios que formaram a cidade. Apoia-se em fontes a que recorreu para escrever o ensaio «Os puris da vale do Paraíba fluminense e paulista», in Migrações do Vale do Paraíba, São José dos Campos: UNIVAP, 1994, que publicou os Anais do XII Simpósio de História do Vale do Paraíba, trabalho republicado pela Academia Itatiaiense de História (ACIDHIS), em Volta Redonda, 1995. Contesta nele as afirmações de Joaquim Norberto de Souza e Silva em sua Memória documentada das aldeias de índios da Província do Rio de Janeiro, no n. 14 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, apresentado na sessão magna do Instituto em 1852.
Diz Joaquim Norberto que «O ousado Sargento–mor Joaquim Xavier Curado, depois general e Conde de Duas Barras, transportando-se aos campos infestados de Puris, formou um corpo (tropa militar) com seus moradores» (de Resende) e completa: «Ainda hoje (1852) se relata à tradição, as maiores atrocidades cometidas em vingança contra os atentados dos índios e acusa a peste das bexigas (varíola) levada ao seio das tabas puris como um meio eficaz de reduzi-los. O horror de tão negras cenas presenciaram os moradores do (rio) Paraíba, cuja torrente caudalosa arrastava quotidianamente os hediondos cadáveres das míseras vítimas.»
Joaquim Norberto se referiu genericamente à tradição, diz Cláudio Moreira Bento, sem apontar caso concreto a ser investigado em outras possíveis fontes. E tradição não se constitui fonte histórica, ainda mais quando fontes primárias , como o Relatório de passagem do governo do vice-rei D. Luís de Vasconcelos ao Conde de Resende, que menciona a pacificação de Resende pelo Capitão Curado, não autoriza a sua grave insinuação. O Relatório do vice-rei diz apenas que o capitão curado, que chama de valente oficial, « conseguiu afugentar os rebeldes fora do sertão (do Campo Alegre) circunvizinho, por ter recorrido aos meios só capazes de os aterrar.»
Alfredo Pretextado Maciel da Silva, em Generais do Exército Brasileiro, Rio de Janeiro, Imprensa Militar 1905 assim interpretou a missão do Capitão Curado: « No governo do vice-rei D. Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790), partiu do Rio de Janeiro para a testa dos moradores do sertão da Paraíba Nova, (...) com o fim de reprimir com o maior rigor, antes que fizessem mais prejudiciais, as irrupções que faziam nos referidos sertões (sertão do Campo Alegre) uma horda de índios bravios, assolando fazendas que saqueavam, atacando e matando a todos que infelizmente lhes caiam em mãos.». E adiante: «De modo que a maior parte dos fazendeiros que tinham seus estabelecimentos ao norte do rio (Paraíba), os abandonaram, por não serem suas forças capazes de se lhes fazer frente, o que permitia a esses índios passarem para o lado oposto do Paraíba, onde continuaram as suas hostilidades e depredações. Conseguiu o dito Xavier Curado salvar os fazendeiros e moradores sem nenhuma opressão e, restabeleceu a tranquilidade de que estavam privados, com toda a prudência e moderação, empregando um corpo de tropas que formou de diversos moradores para as diligências que se fizessem necessárias, para rechaçar os que se tornaram indomáveis, o que o fez respeitado em diversas ocasiões e lugares em que se praticaram aquelas irrupções. Assim, os puris teriam sido afugentados para fora do sertão circunvizinho (sertão do Campo Alegre, hoje Resende, Itatiaia, Porto Real, Quatis, Barra Mansa, Volta Redonda) donde não mais apareceram e congregou os dispersos que não duvidaram a formar uma nova aldeia no local que habitavam – o Minhocal, onde por longos anos se conservaram sob a acção inteligente do padre Henrique José de Carvalho (pároco de Resende por 22 anos de 1767 a 1789). Em relatório do padre Francisco Chagas Lima, em 1801, fundador de Queluz, a mais fiel fonte sobre os puris do Campo Alegre, reproduzida pelo historiador Paulo Pereira Reis em Os Puris de Paicarée se diz: «Não se conhecia fato algum de um puri que haja matado um branco. Quando os brancos embrenhavam-se na mata para colher a planta medicinal poaia, ao encontrarem os puris estes se punham a correr, arriscando-se furtivamente a apanharem para seus usos as ferramentas dos brancos. O próprio nome puri significava na língua deles gente mansa ou tímida.»
A organização de uma força em Resende para afugentar índios bravios se deve certamente a incursões de índios botocudos vindos de Minas Gerais e que agrediam brancos e os próprios puris. O governador de São Paulo Diogo de Vasconcelos, em carta de 13 de Outubro de 1775 descreveu os puris como «índios tímidos, medrosos e covardes, não havendo o que temer deles.

 

(18) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Caiapó
Caiapó é uma exonominação que data do início do século XIX e tem origem em outros grupos indígenas circunvizinhos desta etnia. Kayapó significa homens semelhantes aos macacos, em grande medida devido a certos rituais que este grupo realiza nos quais são utilizadas máscaras de macaco pelos homens. A autonominação dos chamados Kayapó é mebêngôkre que significa literalmente "homens do poço d'água".
Os caiapós são um grupo indígena brasileiro que se divide nos subgrupos kayapó-aucre, kayapó-cararaô, caiapó-cocraimoro, caiapó-cubem-cram-quem, caiapó-gorotire, caiapó-mecranoti, caiapó-metuctire, caiapó-pau-d'arco, caiapó-quicretum e caiapó-xicrim. No passado eram também chamados de coroados, e os de Mato Grosso, coroás.

 

As notícias sobre as primeiras expedições paulistas do século XVII são bastante lacónicas. Sabe-se que em 1604, Diogo de Quadros saiu em busca dos índios carijós; que em 1607, Manuel Preto (19) expedicionava pelo Guairá e, Belchior Dias Carneiro talhava os sertões povoados pelos índios bilreiros, onde faleceu no ano seguinte, sendo substituído por António Raposo - o Velho; que em 1608, Martim Rodrigues Tenório de Aguiar seguia Anhembi abaixo, e, que em 1610, Clemente Álvares e Cristóvão de Aguiar estavam entre os índios biobebas ocidentais. Data de 1611, a expedição de Pedro Vaz de Barros ao Guairá, seguida em 1612 pela de Sebastião Preto (20). Com estas expedições o governador D. Luís de Sousa incentivava a captura de índios do sertão, os quais seriam exportados como escravos para outras capitanias. A mais profunda destas expedições ao sertão parece ter sido a de António Pedroso de Alvarenga (21), cerca de 1615, ao Paraupaba, numa jornada calculada em 300 léguas. Em 1622, morria junto às minas de Tataci, na província de Chiquitos, no Peru, o bandeirante António Castanho da Silva. Eram frequentes, nesta época, as expedições ao sertão dos Patos. Em 1619, um certo frei Tomé tornava-se bandeirante e saia com Manuel Preto em busca das misteriosa pedras de Jecohaigeibira. Por essa época, Sebastião Preto, que defendeu Santos contra as investidas dos soldados holandeses chefiados por Joris van Spilberg, morria no sertão, atingido por flechas, na luta pela escravização de índios abeueus. A tomada da Bahia pelos holandeses, em 1624, diminuiu o número de expedições ao sertão. Mas sabe-se, pelos documentos dos arquivos paulistas, que em 1627 os bandeirantes já haviam avançado pelo Paraguai até ao Alto Ivaí, região que eles consideravam portuguesas e não espanhola.

 

(19) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Manuel Preto.
Manuel Preto foi um bandeirante paulista, nascido na segunda metade do século XVI e falecido em São Paulo em 1630. Fiho de António Preto, que veio na armada de Diogo Flores de Valdés ou Valdés em 1582, e de Águeda Rodrigues, filha do português Gonçalo Madeira e Clara Parente, era irmão de Sebastião Preto. Herdou dos pais uma gleba de terras a noroeste do centro da vila, que daria origem ao actual bairro da Freguesia do Ó.
Dos maiores sertanistas de São Paulo no século XVII, desde 1602 (quando, adolescente, fez parte da bandeira de Nicolau Barreto) caçava índios para escravizar. Diz a «Genealogia Paulistana» que foi «destemido explorador , que penetrou o sertão do Rio Grande (rio Paraná nos mapas castelhanos), os do rio Paraguai e a sua província, chegando até o rio Uruguai em conquista de índios bravios, e chegou a prender tantos que em sua fazenda de cultura fundada em 1580 na capela de Nossa Senhora da Expectação do Ó contava com 999 índios de arco e flechas. Foi ele o fundador dessa capela, entre 1610 e 1615 (hoje freguesia do Ó).» Levando 155 índios escravizados, saiu pelo rio Tamanduateí, entrando pelo rio Tietê, até o começo de suas terras. Em 1606 percorreu o Guairá e ao regressar de Vila Real do Espírito Santo, arrebanhou índios temiminós pacíficos, que trouxe para São Paulo. Nos anos seguintes continuou nas mesmas paragens.
Em 1610 requereu à autoridade religiosa da colónia a autorização para erguer uma capela em louvor de Nossa Senhora do Ó. Em 1619 a bandeira da qual era mestre de campo assaltou as reduções jesuíticas de Jesus Maria, Santo Inácio e Loreto. Em 1623, com seu irmão Sebastião Preto, o mestre de campo Manuel Preto conduziria uma bandeira ao chamado Guairá, «sertão dos abueus», participando dela o já velho bandeirante Francisco de Alvarenga (ver 1602) e Pedro Vaz de Barros. Destruíram reduções jesuíticas e trouxeram numerosa escravaria indígena. Já mestre de campo, Manuel Preto em 1626 foi processado como cabeça de entradas ao sertão e violências no mister, impedido de exercer o cargo de vereador para o qual fora eleito.
No segundo semestre de 1628 saiu de São Paulo em sua maior bandeira, como mestre de campo e capitão-mor, com António Raposo Tavares como seu imediato. Aniquilaram as reduções do Guairá, diz o historiador Afonso E. Taunay, e algumas dos campos do Iguaçu, «recolhendo-se com avultado comboio» avaliado pelos autores jesuíticos em muitos milhares de cativos, o que nos parece inaceitável; seriam um milheiro, no máximo dois mil estes prisioneiros. Foi depois de inutilmente tentarem os jesuítas providências da Bahia que «resolveram operar a transmigração do que restava de suas grandes reduções guairenhas para muito ao Sul, na mesopotâmia parano-uruguaia. O donatário da capitania, D. Álvaro Pires de Castro e Sousa, Conde de Monsanto, considerou tão valiosos seus serviços que lhe deu patente de governador das ilhas de Santana e Santa Catarina. Os moradores de São Paulo de Piratininga haviam concordado em invadir o Guairá (com o argumento de que a região pertencia a Portugal e o gentio ali existente não podia ser monopolizado pelos espanhóis). A grande expedição da qual o chefe nominal foi Manuel Preto viajou dividida em quatro companhias, das quais foram capitães:
António Raposo Tavares (cuja companhia tinha por alferes Bernardo Sanches de Sousa e como sargento Manuel Morato Coelho),  Pedro Vaz de Barros (sempre louvado pela audácia e infatigabilidade); Brás Leme  e André Fernandes, da Parnaiba.
Em Maio de 1629 o mestre de campo Manuel Preto embarcou por mar para Santa Catarina e ali tomou posse das terras e fundou arraial. Retornou ao mesmo tempo a povoado a bandeira que acabava de arrasar as reduções no Guairá e logo foram organizadas outras expedições, que retornaram à região no mesmo ano e nos seguintes, invadindo o território ao Sul do rio Paranapanema e arrasando as demais reduções do Guairá, tendo mesmo que ser evacuadas pelos moradores as vilas espanholas de Vila Real e de Ciudad Real. Mas Manuel Preto, tranquilamente em Santa Catarina, em 15 de Julho de 1629 nomeava Manuel Homem da Costa sargento-mor das ilhas. A morte de Preto no sertão foi noticiada em São Paulo em 22 de Julho de 1630, vítima de uma flecha em uma emboscada. Tinha-se internado nas brenhas no início do ano. O que se pensava dele? Homem de acção «minimamente violenta contra os índios e seus superiores, desconsiderando principalmente os jesuítas Simão Masseta, José Cataldino e Antônio Ruiz de Montoia. Mas contribuiu notavelmente para a expansão geográfica do Brasil ao destruir as reduções no Ivaí, no Tibagi e no Uruguai.

 

(20) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: Sebastião Preto
Sebastião Preto - bandeirante natural de São Paulo foi irmão de Manuel Preto, outro grande sertanista. Eram filhos de um António Preto, natural de Portugal, vindo na armada de D. Diogo Flores de Valdés a Santos com sua mulher Antónia Gonçalves, de Sevilha, morta em 1616. António Preto chegou a São Vicente com seus filhos na segunda metade do século XVI e, segundo Silva Leme na «Genealogia Paulistana» , prestou relevantes serviços nas guerras contra os gentios e corsários. Foram seus seis filhos: João Preto, morto solteiro em 1638; José Preto; Sebastião Preto, objecto deste verbete; Manuel Preto; Inocêncio Preto, ouvidor da capitania de São Vicente, casado com Maria Moreira, filha do Governador Pedro Álvares Cabral e de Susana Moreira, que faleceu testado em 1647; e Domingas Antunes, morta em 1624, casada com Gaspar Fernandes morto em 1600. José Preto foi casado com Catarina Dias, filha de Gaspar Vaz Guedes e de Francisca Cardoso, sendo moradores de Mogi das Cruzes onde ele morreu em 1653. Atacou em 1612 uma redução jesuítica na província do Guairá prendendo centenas de índios, muitos deles retomados pelo governador de Ciudad Real, Bartolomeu de Torales, que lhe saiu no encalço e o atacou quando no caminho de volta a São Paulo. Em 1615, foi nomeado capitão de infantaria permanente da vila de São Paulo pelo capitão-mor governador Paulo da Rocha de Siqueira. Foi com socorro a Santos e a São Vicente, cujos portos os holandeses bloqueavam. Em 21 de Agosto de 1623 fez testamento e em boa hora, pois morreu no actual baixo Mato Grosso, sertão dos índios então chamados abueus, de flechada.
Casou antes de 1613 com Maria Gonçalves Martins, filha de Francisco Martins Bonilha, de Castela, cunhado do general Diogo Flores de Valdés ou Bardez, companheiro de seu pai na armada e povoador do estreito de Magalhães.

 

(21) Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre: António Pedroso de Alvarenga
António Pedroso de Alvarenga natural de São Paulo, foi sertanista de renome. Era filho de outro António Pedroso de Alvarenga, fidalgo português, e Anna Ribeiro natural de São Vicente.
Em 1602, adolescente, integrou a bandeira de Nicolau Barreto ao Guairá. Em Abril de 1616 partiu de São Paulo com tropa à sua custa, internando-se 300 léguas. Achou-se, segundo descreve Pedro Taques, «no centro do grande rio Paraupava, ao Norte da Capitania que hoje é da de Goiás, e encaminha suas águas a sepultá-las no caudaloso rio do Maranhão», ou seja, o rio Amazonas.
Seria o rio Paraopeba, caso em que António Pedroso de Alvarenga seria o primeiro conquistador a penetrar tais sertões goianos! Tinha deixado São Paulo com Lázaro Costa, o chefe da bandeira, a 13 de Julho de 1615. Haviam estado no sertão dos carijós, como era então chamado o Sul do território brasileiro. Em Maio de 1616 Costa voltou a São Paulo e Alvarenga ainda permanecia no sertão em desmembro de 1616.
Casara com Ana Correia, do Espírito Santo mas morreu em São Paulo em deixar geração. Silva Leme o chama «nobilíssimo» e descreve sua família em sua «Genealogia Paulistana», volume V página 422.

 

Entretanto, Portugal restaurava a sua Independência em 1640. A notícia da restauração chegou à Bahia em Fevereiro do ano seguinte. Houve regozijo na Rio de Janeiro e em Santos, acompanhado de manifestações públicas. Aproveitando a derrota dos paulistas no Mbororé, as forças jesuítas expulsaram-nos de mais duas fortificações situadas no rio Tabate, afluente da margem esquerda do Uruguai e que hoje é conhecido por Camandaí, e de outra em Apiterebi, afluente actualmente designado por Pepiri, já na fronteira com a Argentina. Em 1648, passava ao norte de Assunção a grande bandeira de António Raposo Tavares, traçando um dos mais admiráveis périplos terrestres da história moderna, que foi o de sair do planalto meridional do Brasil até ao enclave formado pelas terras banhadas pelo Paraná-Paraguai e daí, do cimo do continente sul-americano, alcançar as águas do rio Amazonas, cruzando florestas ínvias e rios caudalosos. Unia-se assim, pela primeira vez na história da expansão europeia no Novo Mundo, a bacia do rio da Prata à do Amazonas. De caminho, António Raposo assaltou a redução de Mboymboy, aprisionando o padre Cristóvão de Arenas. O padre Mansilla informou a Governo Espanhol que na redução de Vila Rica não se conseguiu reunir mais de 600 índios em quatro aldeias para enfrentar os invasores paulistas e que o padre Alonso Árias havia perdido a vida em combate. Passou a reinar o desânimo entre os defensores das reduções jesuítas quando se soube que as colunas paulistas marchavam sobre Caaguaçu. Cedo os jesuítas descobriram que o ataque a Mboymboy fora realizado pela vanguarda paulista, chefiada por António Raposo Tavares, havendo outra coluna, chefiada por André Fernandes, que assolava a região. Os invasores contavam com o apoio de vários espanhóis (quase todos catalães e bascos) residentes em São Paulo, que conheciam profundamente aquela região. O padre Arenas, ao cair prisioneiro, fora tratado com respeito. O perigo maior era a disposição dos colonos espanhóis para confraternizar com os invasores. Os índios começaram a abandonar as aldeias do Sul de Mato Grosso e seguiram em direcção aos povoados espanhóis mais bem guarnecidos. O êxodo indígena deixou abandonadas as missões de Caaguaçu, Atira, Ipané e Guarambaré. Em 1647, caiu em poder dos paulistas a redução de Taven. Os índios fugitivos internavam-se no Paraguai Central, formando grandes reduções, para alegria dos “encomenderos”. A grande jornada de António Raposo Tavares, iria terminar no Amazonas, tendo durado três anos e alguns meses.

 

Mas o facto extraordinário é que os bandeirantes, no seu percurso da bacia do rio da Prata à bacia amazónica navegaram, em onze meses, 3000 léguas, o equivalente a quase meia volta ao Mundo ! Partindo de São Paulo, a expedição rumou para o Paraguai, daí acercou-se da cordilheira dos Andes através do sistema orográfico chiquitano, de onde alcançou a região dos índios chiriguanos. Explorou as faldas orientais dos Andes, regressando, em seguida, pelo Guapaí até à planície crucenha, de onde iniciou o fantástico trajecto fluvial pelo Guapaí, Mamoré, Madeira e Amazonas, onde alcançou o Gurupá. Portanto, iniciada em São Paulo, a bandeira de António Raposo chegou à bacia do rio da Prata e aos Andes Orientais, cruzando o divisor de águas amazónico-pratino, navegando nas águas do Amazonas e seus afluentes até ao arquipélago Marajoara, no grande delta. Era seu lugar-tenente o paulista António Pereira de Azevedo, que comandou a segunda coluna, que partiu de São Paulo um ano depois. Um documento seiscentista informa o Conselho Ultramarino que da vila de São Paulo saiu “o mestre-de-campo António Raposo Tavares no descobrimento dos sertões, empenhando-se de atl modo que, vindo para em Quito, e daí pelo rio Amazonas, veio a sair ao Maranhão em cuja viagem passaram grandes trabalhos e gastaram mais de três anos”. Ignora-se como o grande sertanista conseguiu retornar a São Paulo. Sabe-se que chegou de tal modo desfigurado que nem parentes nem amigos o reconheceram. Com a morte de Raposo Tavares entre os anos de 1653 e 1658, assumia Fernão Dias Pais uma posição de destaque. Um novo ciclo histórico se abria às bandeiras paulistas: o da descoberta de ouro de aluvião nos rios goianos e mineiros, com as expedições fluviais para o oeste e a ocupação das terras interiores.

Aproveitando as cheias anuais dos rios, ou monções, utilizavam como meio de transporte canoas escavadas em troncos, tal como construíam os índios. O processo de fabricação durava vários meses, pois, além de ser necessário que o tronco estivesse completamente seco, a sua escavação fazia-se com fogo, para robustecer a madeira e evitar que viesse a empenar, e por fim, uma raspagem cuidada do interior com enxós.

A história dos bandeirantes e das bandeiras, refere-se a um cometimento de tanta ousadia que poucos outros feitos poderão suplantá-lo.

E assim, alteraram o traçado do Tratado de Tordesilhas…

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Resolução de Ecrã: 1024 * 768

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 

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