A FAMÍLIA E O DESENVOLVIMENTO DA AUTONOMIA DOS FILHOS
 
Dr. Arlindo Salgueiro

 
Pensar na autonomia, independência e, portanto êxito dos filhos, é refletir sobre a conduta  e maturidade dos pais. Queremos filhos com sucesso, mas como somos nós?
Os nossos filhos nos refletem, são os nossos frutos!  Nós somos como árvores, que daremos bons frutos caso delas cuidarmos. Adubar, arar e podar são ações que fazem parte da boa agricultura! A equivalência ocorre na educação dos nossos filhos a fim de gerarmos o sucesso que tanto almejamos.
A autonomia liga-se a maturidade, aos conceitos do nosso dia a dia que elaboramos com coerência e autenticidade.
Fala-nos Jean Paul Sartre que ser livre é saber fazer escolhas responsáveis. E diz-nos também que  a nossa responsabilidade é imensa porque nos tornamos aquilo que decidirmos ser! Temos responsabilidade por nossas escolhas? Isto é, respondemos pelas situações que criamos? E nos tornamos fiéis a partir das decisões que tomamos?
 
São perguntas importantes para reflexão que fazemos  entorno deste tema !
 
Queremos que alguém nos dê soluções e receitas para  atingirmos o alvo acertado com os nossos filhos. Mas existem soluções mágicas? Os livros de auto-ajuda funcionam sempre? Falando em livros, temos tantos livros que começamos e nunca terminamos a sua leitura, tantos livros em nossa estante! Na verdade temos muita teoria, boas intenções e pouca vivência!
 
Irei mencionar neste artigo alguns estudos pertinentes de colegas psicólogos, mas as soluções e as receitas têm que ser descobertas por nós! Junto ao âmago do nosso ser, num processo de interiorização  contínua onde os sentimentos devem Ter um lugar de destaque sobre a  razão.
Devem sair portanto do nosso interior, do nosso sentir, fruto das nossas experiências intimas e dos riscos que corremos pelas nossas decisões!
Nesse sentido fala-nos Herman Hesse no livro DEMIAN que "Aquele que não descobrir por si só o que é permitido e o que é proibido para sua vida, acaba por se submeter às permissões e proibições vigentes".
A vida é nossa com os valores que constituímos e disso não podemos abrir mão, sob pena de estarmos falindo como pais! Então, educar para a autonomia tem um percurso que se inicia dentro de nós! E o meditar reflexivo sobre nosso cotidiano, pode nos ajudar e muito!  A psicoterapia e a orientação familiar também estão nesse caminho.
 
Estamos nós pais conquistando a nossa autonomia? Se estivermos, já começamos a educar os nossos filhos nesse objetivo!
Explorando a autonomia desde os 1os anos de vida dos nossos filhos, que consiste em não fazer por eles aquilo que eles já têm condição de fazer. Ou seja não devemos super-proteger, ignorando as condições, o potencial que os nossos filhos possuem.
 
Estimulá-los a serem independentes, a terem crítica sobre suas ações, é vê-los preparados para a sua vida pessoal e para enfrentar o mundo atual, altamente competitivo! Mas sem esquecer que a solidariedade e a generosidade também advém dessa independência, dessa autonomia, em fim dessa maturidade.
 
Com relação ao amadurecimento dos nossos filhos, muitos estudos psicológicos foram realizados, mostrando  quantas situações precisam ser mudadas, e quantos valores necessitam ser reavaliados a fim de atingirmos esse objetivo.
 
Nesse sentido os estudos experimentais do Dr.  John Kennell da Universidade de Cleveland e do Dr. Marshall Klaus da Universidade da Califórnia (Revista No 3- Vol.19-4/1998-Pediatrics in Review-Vínculo entre pais e filhos) - mostram que a forma de nascer e as 1as horas após o nascimento são importantes na formação dos vínculos e como consequência na segurança emocional da criança e do futuro adulto.
 Complementa essa  visão os experimentos psicológicos da Universidade de Columbia (Nova York) , primeiro através do Dr.  René Spitz na década de 60 e mais recentemente (1997) através de uma equipe de psicólogos que resultaram na conclusão de que a estimulação Afetiva- Social entre o nascer e o 3o  ano de vida por parte das pessoas envolvidas emocionalmente com a criança (pais e avós principalmente) é fundamental no desenvolvimento da maturidade das crianças. Contestam portanto a iniciação precoce das crianças através de babás ou creche.
 
Por outro lado o psicólogo Dr.  David Mc Clelland da Universidade de Harvard, através dos seus estudos (Motivo de Realização) chama a nossa atenção de que o Desenvolvimento da Autonomia, da Auto- Realização vai ocorrer dos 3 aos 7 anos e que  os pais tem uma função primordial na transmissão  dos valores.
 
Valores esses, como expressei inicialmente neste artigo, que antes de mais nada, precisam ser vivenciados por nós pais no nosso dia a dia.
A verdade vivenciada será a verdade que tem força  para ser transmitida, colocando em evidência que o "Faça o que eu faço e não o que eu digo" contradiz o adágio popular  "Faça o que eu digo e não o que eu faço".
 
O convite à reflexão e a mudança está lançado!  Há muito que fazer individualmente e institucionalmente! A empreitada é grande  e exige de nós uma mobilização a fim de transformarmos a nossa realidade  familiar e social criando a possibilidade de educarmos os nossos filhos rumo à felicidade desejada.
 
Dr. Arlindo Salgueiro
Psicólogo  Clínico e Fundador da Escola de Pais em Santos
 

 

 

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