"Minha Pátria é a Língua Portuguesa" Fernando Pessoa

"A Esplanada dos Prosadores"

Nº 21 - Agosto - 2008

Editor: Carlos Leite Ribeiro

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 

 

  Uma Ingratidão Histórica

 

 

Lairton Trovão de Andrade

 

Marco Bruto foi um privilegiado, mas não soube aproveitar da prerrogativa que teve, para se perpetuar na glória. Era como se fosse filho de Júlio César, a mais ilustre personalidade política da República Romana. Por vinte anos, recebeu daquele ilustre estadista tudo o que poderia: Estudos, riquezas e posições políticas, que o transformaram num jovem senador da República Romana. Mas, além disso, César concedeu-lhe o maior afeto e toda confiança que possuía.

Naquele fatídico 15 de março do ano 44, antes de Cristo, o Ditador saía do Senado Romano, quando se viu cercado por quatro senadores que, em vias de fato, conspiravam contra ele.

O Senador Casca foi o primeiro a lhe atacar traiçoeiramente com um golpe de espada.

Voltou-se, então, rapidamente, sacou da espada e bradou: "Casca, traidor, o que estás fazendo?"

Os conjurados, com espadas mortíferas, cercaram César de todos os lados. Queriam ter o prazer de transpassá-lo com suas lâminas assassinas.

Mas, com habilidade e heroísmo, defendia-se daqueles obcecados conspiradores, movimentando seu corpo, com rara maestria, brandindo, aos berros, sua espada veloz, contra aqueles perversos inimigos.

Foi quando (que cena detestável!) o próprio Bruto aproximou-se e desferiu um golpe contra o corpo do seu benfeitor, maior amigo e pai adotivo.

César, que até então havia se defendido com extrema vontade de viver, quando viu entre os conspiradores, Marco Bruto cheio de ódio, com a espada na mão, deixou de resistir e exclamou com o maior espanto: "Tu quoque, filii mi! (Até tu, meu filho!)" E cobrindo a cabeça com a toga, abandonou-se aos seus assassinos.

A decepção do fantasma da ingratidão fez com que desistisse da vida e se entregasse definitivamente à morte.

Esta passagem é um dos maiores exemplos de ingratidão que a História registra.

A ferida da ingratidão é incurável, e aquele que a comete raramente avalia a gravidade do ferimento que provoca no coração de quem lhe fez o bem.

Um dos mais hábeis generais da História, Caio Júlio César, tombou sem vida, aos pés da estátua do seu rival Pompeu. Seus algozes feriram-lhe, à espada, vinte e três vezes.

Esta cena ocorreu em plena luz do dia e foi assistida por muitos dos senadores romanos. Coube ao historiador Plutarco descrevê-la com estilo sóbrio e límpido.

Aquele fatal 15 de março assinalou o fim do maior estadista da história romana.

Se a generosidade é uma bênção que alegra a vida das pessoas, a ingratidão é violência que produz sulcos dolorosos  no mais íntimo recanto da alma humana.

Daquele dia em diante, a palavra "bruto", com repugnância, passou a ter o significado popular que conhecemos hoje.



 

 

 

 

 

 

CONVITE

 

A todos os Autores da Liga dos Amigos do Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

para colaborarem na nossa "A Esplanada dos Prosadores"

E-mail de serviço iarameloportalcensapo@pt

Em Assunto, digite por favor: "A Esplanada"

 

 

 
 
 
 

Livro de Visitas

Recomende

Índice


 

FOTO UTILIZADA NO TOPO DA PÁGINA,

PRAÇA DE GIRALDO EM ÉVORA * PORTUGAL

MONTAGEM E ARTE FINAL DE IARA MELO

MID: OSVALDO MONTENEGRO

"LUA E FLOR"

 

 

 

Copyright © 2006 2008 -  Portal CEN - Cá Estamos Nós  Web  Page

Todos os Direitos Reservados