"Minha Pátria é a Língua Portuguesa" Fernando Pessoa

Nº 27 - Setembro - 2008

Editor: Carlos Leite Ribeiro

Arte Final: Iara Melo

 

 

  "INTEMPERANÇA"

Eduardo de Almeida Farias

 


       

 

 

A intemperança é o negativo da temperança, esta uma das quatro virtudes cardeais, que consiste em ser moderado nos desejos e satisfação das nossas tendências. Mas, nosso tempo é um tempo da destemperança, “a que nos levou uma sociedade capitalista que libertou o mundo da finitude e dos limites”.

Como alguém já terá dito – os atos de comer,  beber, fazer amor podem conviver com a temperança; mas quando se tornam excessivos, ou se constituem em obsessão ou compulsão, compõem o cerne da intemperança. A “a condição do drogado, mesmo que ele se drogue com o que não é droga.

Hoje, falar em virtudes, soa aos ouvidos de muitos como algo arcaico, cheiro a ranço, ou a bolor. Um exemplo bem ilustrativo é o caso de muitas jovens terem vergonha de dizerem que são virgens, (que estas não serão muitas é bem verdade) fruto da intemperança  senão da ignorância.  Eis aí uma típica inversão de valores, uma verdadeira destemperança.  

A intemperança, infelizmente, está por toda a parte, nas palavras, nas ações, nos “outdoors”; nas revistas “especializadas”; nas novelas com cenas de sexo explícito num total desrespeito às nossas crianças e, a nossos adolescentes; nos noticiários televisivos que da desgraça fazem seu top de notícia; nos filmes que primam pelo sadismo, incitando à violência, quando a violência entre nós já é caso endêmico e como tal deveria ser tratado pela sociedade e pelas autoridades “competentes”? – Mas a polícia prende, a justiça manda soltar e, assim, num interminável estica e encolhe, vamos cada vez mais mergulhando num fosso cujas conseqüências a todos devem importar.  

Mas muito de intemperança se deve à falta da educação, ou seja à ausência do conhecimento, e da ética, da moral, para não falar da falta de cultura com as leis de Deus. Por fim, vale dizer que a temperança nos incita a sermos cuidadosos conosco e com os outros. A Temperança não permite que sejamos escravos, mas livres e libertadores.                

Virtudes cardeais quer dizer virtudes centrais, fundamentais, orientadoras. É o mesmo que virtudes morais. “São quatro como quatro são as estações do ano, os lados da cruz, os alicerces da casa, os pés da mesa e da cama”. A quaternidade para Jung é símbolo da perfeição.

Já agora e para terminar, àqueles que não sabem ou se tenham esquecido, as outras  virtudes cardeais são: a Prudência, a Fortaleza e a Justiça, talvez em futuro próximo venhamos a falar também destas outras virtudes.

 

Eduardo de Almeida Farias

 

 

 

 
 
 
 
 

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