A intemperança é o negativo da
temperança, esta uma das quatro
virtudes cardeais, que consiste
em ser moderado nos desejos e
satisfação das nossas
tendências. Mas, nosso tempo é
um tempo da destemperança, “a
que nos levou uma sociedade
capitalista que libertou o mundo
da finitude e dos limites”.
Como alguém já terá dito – os
atos de comer, beber, fazer
amor podem conviver com a
temperança; mas quando se tornam
excessivos, ou se constituem em
obsessão ou compulsão, compõem o
cerne da intemperança. A “a
condição do drogado, mesmo que
ele se drogue com o que não é
droga.
Hoje, falar em virtudes, soa aos
ouvidos de muitos como algo
arcaico, cheiro a ranço, ou a
bolor. Um exemplo bem
ilustrativo é o caso de muitas
jovens terem vergonha de dizerem
que são virgens, (que estas não
serão muitas é bem verdade)
fruto da intemperança senão da
ignorância. Eis aí uma típica
inversão de valores, uma
verdadeira destemperança.
A intemperança, infelizmente,
está por toda a parte, nas
palavras, nas ações, nos
“outdoors”; nas revistas
“especializadas”; nas novelas
com cenas de sexo explícito num
total desrespeito às nossas
crianças e, a nossos
adolescentes; nos noticiários
televisivos que da desgraça
fazem seu top de notícia; nos
filmes que primam pelo sadismo,
incitando à violência, quando a
violência entre nós já é caso
endêmico e como tal deveria ser
tratado pela sociedade e pelas
autoridades “competentes”? – Mas
a polícia prende, a justiça
manda soltar e, assim, num
interminável estica e encolhe,
vamos cada vez mais mergulhando
num fosso cujas conseqüências a
todos devem importar.
Mas muito de intemperança se
deve à falta da educação, ou
seja à ausência do conhecimento,
e da ética, da moral, para não
falar da falta de cultura com as
leis de Deus. Por fim, vale
dizer que a temperança nos
incita a sermos cuidadosos
conosco e com os outros. A
Temperança não permite que
sejamos escravos, mas livres e
libertadores.
Virtudes cardeais quer dizer
virtudes centrais, fundamentais,
orientadoras. É o mesmo que
virtudes morais. “São quatro
como quatro são as estações do
ano, os lados da cruz, os
alicerces da casa, os pés da
mesa e da cama”. A quaternidade
para Jung é símbolo da
perfeição.
Já agora e para terminar,
àqueles que não sabem ou se
tenham esquecido, as outras
virtudes cardeais são: a
Prudência, a Fortaleza e a
Justiça, talvez em futuro
próximo venhamos a falar também
destas outras virtudes.
Eduardo de Almeida Farias