São Francisco
de Assis, cuja festividade se
celebra no dia 04 de outubro, é o
Patrono dos Trovadores.
É justo que prestemos
homenagem a este grande imitador de
Jesus Cristo que, em meio à oração e
sacrifício, soube amar a Deus e ao
próximo com a sensibilidade de
extraordinário poeta e trovador.
Nasceu Francisco em 26
de setembro de 1182, na cidade
italiana de Assis, filho do próspero
comerciante Pedro Bernardone e da
piedosa Pica Bourlemont. Faleceu, em
odores de santidade, na tarde de 03
de outubro de 1226.
Dois anos depois, 16 de
julho de 1228, foi solenemente
elevado às honras dos altares pelo
papa Gregório IX, sendo venerado
como São Francisco de Assis por todo
orbe cristão.
Desde muito cedo, sentia
em seu espírito predestinação para
coisas do Altíssimo.
Mas foi no mês de abril, de 1207,
que deixou definitivamente as
alegrias do mundo e o seio da
própria família, para viver sob a
proteção divina.
Francisco abandonou
tudo: Casa, família, propriedades,
riquezas, luxos, festas, honrarias,
amigos, até a felicidade que o mundo
aparentemente proporcionava.
Duas coisas, porém, o
acompanhou durante a vida inteira –
o profundo amor às criaturas e o
fantástico espírito de poeta e
trovador.
O amor que ardia em sua
alma era único e superlativo.
Ninguém amou tanto o seu semelhante
como Francisco. Quando ainda na
opulência da vida, não permitia que
algum necessitado partisse sem sua
ajuda. Chegou a doar a própria
túnica ao pobre que passava frio. O
"beijo ao leproso" configura toda
chama do seu amor fraterno.
Amou a natureza como
ninguém. Em cada ser criado via um
irmão. O seu conhecido "Cântico das
Criaturas" ou "Cântico do Sol" é
apologia sensível de louvor a Deus,
através das criaturas. Seu carinho
aos seres da natureza atingiu as
últimas conseqüências. É digno de
ser reconhecido como o mais perfeito
ecologista que passou por este
mundo.
Foi poeta e trovador
durante a vida inteira. Com sublime
inspiração, soube contemplar toda
harmonia radiante do universo. Os
motivos da mocidade deram lugar aos
motivos celestiais para que se
tornasse o maior "trovador de Deus"
que a história dos homens conheceu.
Sua alegria espontânea,
seu amor universal, seus dons de
poeta, portanto, deram colorido
especial à sua encantadora santidade
e fizeram, dele, poema vivo de
celebração.
Até o mais conceituado
poeta e trovador da época, Divini,
conforme nos relata Fülöp-Miller em
"Os Santos que Abalaram o Mundo",
"ficou cheio de amor evangélico
quando ouviu o Trovador de Deus
falar sobre a felicidade que a paz
da alma proporciona. A
transparência, a beleza e a poesia
daquelas palavras de vida eterna
atingiram a alma daquele famoso
trovador, que nelas sentiu a
harmonia de vida que tanto
procurava, para a realeza de si
mesmo.
Divini, ajoelhando-se
diante de Francisco, exclamou: "
Paz! Dá-me paz!" E Francisco,
abençoando-o, respondeu: "Levanta-te
e vem conosco, irmão de paz, irmão
Pacífico!"
Daquele dia em diante,
como jogral de Deus, seguiu a
canção de Francisco, levando a luz
do Evangelho aos povos."
A UBT -União Brasileira
de Trovadores - adotou São
Francisco de Assis como legítimo
patrono dos trovadores. A seu
exemplo, vivemos, todos os
trovadores, unidos numa real
confraria, onde reina o vigor da
caridade, que consiste na
compreensão exemplar, no respeito
mútuo e no incentivo constante,
permitindo que a inspiração
trovadoresca seja sempre realidade
viva na mais dinâmica escola
literária de todos os tempos.