Breve abordagem sobre Fernando
Pessoa
por Carmo Vasconcelos
Apresentado no Encontro Zero da
Lusofonia, em
Murça/Portugal, em 1 a 3/7/2006
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Segundo o poeta e crítico
brasileiro Frederico Barbosa,
Fernando Pessoa foi “o enigma em
pessoa”; o poeta mexicano
ganhador do Nobel de Literatura,
Octávio Paz, diz sobre F. Pessoa
que “os poetas não têm biografia
- sua obra é sua biografia” e
que, no caso do poeta português,
“nada em sua vida é
surpreendente – nada, excepto
seus poemas” ; e o crítico
literário estadounidense, Harold
Bloom considerou-o no seu livro
“The Western Canon”, o mais
representativo poeta do século
XX, ao lado do chileno Pablo
Neruda.
Pessoa escreve o seu primeiro
poema aos 7 anos de idade e
escreve até mesmo no leito de
morte. Nos últimos momentos da
sua vida pede os óculos e clama
pelos seus heterónimos. A sua
última frase é escrita no idioma
no qual fora educado, o inglês:
“I know not what tomorrow will
bring”(“Não sei o que o amanhã
trará”)
Pessoa e o Ocultismo:
Fernando Pessoa possuía ligações
com o ocultismo e o misticismo.
Tinha o hábito de fazer
consultas astrológicas para si
mesmo (de acordo com a sua
certidão de nascimento, nasceu
às 15h29, tinha ascendente
Escorpião e o Sol em Gémeos.
Realizou mais de mil mapas
astrais.
Lendo uma publicação inglesa do
famoso ocultista Aleister
Crowley, Pessoa encontrou erros
no horóscopo e escreveu ao
inglês para corrigi-lo, já que
era um conhecedor e praticante
da astrologia, conhecimentos
estes que impressionaram Crowley
e o fizeram vir a Portugal para
conhecer o Poeta. Junto com ele
veio a maga alemã Miss Jaeger
que passou a escrever cartas a
Fernando assinando com um
pseudónimo ocultista.
Mas, não só a astrologia o
fascinava. Como eu relato no meu
estudo “A Fase Mística de
Fernando Pessoa”, elaborado em
2003, que se reporta
principalmente à fase
Rosicruciana, fase em que o
poeta estudou e aprofundou toda
ou quase toda a literatura que
existia acerca da história dos
RosaCruzes. Desde muito jovem,
Pessoa se interessou pelo
mistério e pela metafísica, como
o testemunham poemas intitulados
“Metempsicose”, “O Círculo” e
“Nirvana”, ou fragmentos de
ensaios, numa precocidade que ia
já de encontro à sua tese “o
génio é um iniciado de
nascença”. Já numa carta de
1915, dirigida ao seu malogrado
amigo Mário de Sá Carneiro,
Pessoa escreve a propósito dos
livros teosóficos que fora
convidado a traduzir: “O
carácter extraordinariamente
vasto desta religião filosofia;
a noção de força de domínio, de
conhecimento superior
extra-humano que ressumam as
obras teosóficas, perturbaram-me
muito. Assim como a leitura de
um livro inglês sobre “Os Ritos
e os Mistérios dos RosaCruzes.”
A possibilidade de que ali, na
Teosofia, esteja a verdade real
me hante.”(sic).
Os heterónimos
Através dos heterónimos, Pessoa
conduziu uma profunda reflexão
sobre a relação entre verdade,
existência e identidade. Este
último factor possui grande
notabilidade na famosa
misteriosidade do poeta.
Falarei apenas, e muito
brevemente, de Álvaro de Campos.
Entre todos os heterónimos, foi
o único a manifestar fases
poéticas diferentes ao longo de
sua obra. Era um engenheiro de
educação inglesa e origem
portuguesa, mas sempre com a
sensação de ser um estrangeiro
em qualquer parte do mundo.
Começa a sua trajectória como um
decadentista (influenciado pelo
Simbolismo) mas logo adere ao
Futurismo. Após uma série de
desilusões com a existência,
assume uma veia niilista,
expressa naquele que é
considerado um dos poemas mais
conhecidos e influentes da
língua portuguesa, “Tabacaria”.
Termino dizendo os Poemas
“Autopsicografia”e o “O
Mostrengo”, que me abstenho de
colocar aqui por serem de todos
conhecidos.
Carmo Vasconcelos
Murça/Portugal
1/7/2006
In:
http://carmovasconcelosf.spaces.live.com