"Minha Pátria é a Língua Portuguesa" Fernando Pessoa

 

 

Edição nº 41 - Janeiro de 2009

Editor: Carlos Leite Ribeiro

Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

Breve abordagem sobre Fernando Pessoa
por Carmo Vasconcelos

 

 

 

 

 

 


Apresentado no Encontro Zero da Lusofonia, em
Murça/Portugal, em 1 a 3/7/2006

 


 



 

Segundo o poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa, Fernando Pessoa foi “o enigma em pessoa”; o poeta mexicano ganhador do Nobel de Literatura, Octávio Paz, diz sobre F. Pessoa que “os poetas não têm biografia - sua obra é sua biografia” e que, no caso do poeta português, “nada em sua vida é surpreendente – nada, excepto seus poemas” ; e o crítico literário estadounidense, Harold Bloom considerou-o no seu livro “The Western Canon”, o mais representativo poeta do século XX, ao lado do chileno Pablo Neruda.
 
Pessoa escreve o seu primeiro poema aos 7 anos de idade e escreve até mesmo no leito de morte. Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterónimos. A sua última frase é escrita no idioma no qual fora educado, o inglês: “I know not what tomorrow will bring”(“Não sei o que o amanhã trará”)
 
Pessoa e o Ocultismo:
 
Fernando Pessoa possuía ligações com o ocultismo e o misticismo. Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo (de acordo com a sua certidão de nascimento, nasceu às 15h29, tinha ascendente Escorpião e o Sol em Gémeos. Realizou mais de mil mapas astrais.
Lendo uma publicação inglesa do famoso ocultista Aleister Crowley, Pessoa encontrou erros no horóscopo e escreveu ao inglês para corrigi-lo, já que era um conhecedor e praticante da astrologia, conhecimentos estes que impressionaram Crowley e o fizeram vir a Portugal para conhecer o Poeta. Junto com ele veio a maga alemã Miss Jaeger que passou a escrever cartas a Fernando assinando com um pseudónimo ocultista.
 
Mas, não só a astrologia o fascinava. Como eu relato no meu estudo “A Fase Mística de Fernando Pessoa”, elaborado em 2003, que se reporta principalmente  à fase Rosicruciana, fase em que o poeta estudou e aprofundou toda ou quase toda a literatura que existia acerca da história dos RosaCruzes. Desde muito jovem, Pessoa se interessou pelo mistério e pela metafísica, como o testemunham poemas intitulados “Metempsicose”, “O Círculo” e “Nirvana”, ou fragmentos de ensaios, numa precocidade que ia já de encontro à sua tese “o génio é um iniciado de nascença”. Já numa carta de 1915, dirigida ao seu malogrado amigo Mário de Sá Carneiro, Pessoa escreve a propósito dos livros teosóficos que fora convidado a traduzir: “O carácter extraordinariamente vasto desta religião filosofia; a noção de força de domínio, de conhecimento superior extra-humano que ressumam as obras teosóficas, perturbaram-me muito. Assim como a leitura de um livro inglês sobre “Os Ritos e os Mistérios dos RosaCruzes.” A possibilidade de que ali, na Teosofia, esteja a verdade real me hante.”(sic).
 
Os heterónimos
 
Através dos heterónimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Este último factor possui grande notabilidade na famosa misteriosidade do poeta.
 
Falarei apenas, e muito brevemente, de Álvaro de Campos. Entre todos os heterónimos, foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo de sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.
Começa a sua trajectória como um decadentista (influenciado pelo Simbolismo) mas logo adere ao Futurismo. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia niilista, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da língua portuguesa, “Tabacaria”.
 
Termino dizendo os Poemas “Autopsicografia”e o “O Mostrengo”, que me abstenho de colocar aqui por serem de todos conhecidos.
 
Carmo Vasconcelos
Murça/Portugal
1/7/2006
In:
http://carmovasconcelosf.spaces.live.com

 

 

         

 

 
 
 
 

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