Hoje,
20 de setembro de 2008, um
dia nublado, cinzento, sopra
um vento frio e forte neste
amado rincão gaúcho.
Pela rua passa uma tropa,
cavalos vistosos, bem
cuidados, montados por
orgulhosos cavaleiros e
belas amazonas, portando
bandeiras e estandartes
alusivos ao Estado do Rio
Grande do Sul e à revolução
farroupilha, numa
demonstração que a chama da
liberdade e dos mais
elevados ideais de justiça e
democracia permanecem
ardendo nos corações dos
gaúchos.
Tem-se como ano de 1835 o
início da revolução
farroupilha. Na época
funcionava no local onde é
hoje o loteamento Balneário
Alegria, Praia da Alegria,
fundos do Clube Recreativo
Riocell, na cidade de Guaíba,
uma charqueada pertencente a
um dos revolucionários de
primeira hora, Gomes Jardim.
Foi dessa charqueada que foi
lançado o ataque a Porto
Alegre, que começou com a
tomada da ponte da Azenha,
deflagrando o movimento.
Mas na verdade tudo começou
um ano antes quando o
General Bento Gonçalves da
Silva que era Maçon,
juntamente com outros
Mestres Maçons fundaram em
1834 a loja Maçônica "Philantropia
& Liberdade" afiliada ao
Grande Oriente do Rio Grande
do Sul (GORGS).
Tudo leva a crer que o
planejamento estratégico e
logístico das primeiras
ações revolucionárias foi
desenvolvido entre colunas
desse templo Maçônico que
existe até hoje e está
sediado no espaço templário
em Porto Alegre/RS.
As causas do conflito foram
várias, políticas,
econômicas, militares e
sociais, mas foi essa última
que amalgamou os diferentes
seguimentos sociais no ideal
comum e revolucionário,
unindo negros, índios e
brancos.
O Rio Grande do Sul tinha na
época uma população de
aproximadamente 150 mil
habitantes entre brancos,
escravos e índios. Inexista
uma única uma escola
pública, as estradas eram
precárias, não havia uma
ponte construída, a
infra-estrutura era nenhuma.
O centro cultural era
Buenos Aires que fervilhava
embalado pelo sonho de
Bernardino Rivadavia, um
argentino apaixonado pela
Revolução Francesa.
Como ministro de Guerra e
das Relações Exteriores do
presidente Martín Rodríguez
(1821-1824), e depois como
presidente (1826-27),
Rivadavia incentivou a
imigração italiana como uma
forma de trazer da Europa,
intelectuais e professores
para fomentar as atividades
culturais argentinas e
preencher as cátedras da
Universidade de Buenos
Aires.
A Maçonaria novamente teve
papel importante nesse
projeto facilitando que
esses intelectuais e
profissionais fossem mais
facilmente encontrados,
especialmente entre os
exilados políticos. Vieram
muitos italianos na chamada
"imigração política":
médicos, químicos e artistas
contratados para organizar a
vida cultural portenha.
Essas influências culturais
causaram profunda impressão
nos líderes revolucionários,
impregnando a revolução com
esses ideais liberais e
libertários.
A província de São Pedro
(Estado do Rio Grande do
Sul) era totalmente
abandonada pelo poder
central que nem mesmo as
fronteiras defendia, alvo
constante de invasões
castelhanas.
Eram as milícias formadas
por cidadãos comuns que,
sazonalmente viam-se
obrigados a relegar à
segundo plano suas
atividades diárias e fazer
às vezes de exército para
defender a pátria.
Apesar do seu continuado
sacrifício nessas batalhas
de fronteiras e apesar da
riqueza da Corte advinda do
cultivo do café, apesar do
massacre de sua população
masculina dizimada pelas
guerras, apesar do
infindável luto das mulheres
gaúchas, o Rio Grande do Sul
não recebia qualquer atenção
ou reconhecimento por parte
do império. O
descontentamento do povo era
total.
E foi assim que por dez
longos anos lutaram aqueles
irmãos valorosos em busca de
justiça e dignidade para
todos nós gaúchos, mantendo
a honradez mesmo em batalha.
São inúmeros os relatos de
variados episódios da
prática de atos imbuídos de
elevados valores
humanitários, certamente,
pelo fato de haver Maçons
entre as fileiras do
exército legalista e dos
revolucionários.
Comenta-se que a tentativa
de tomar São José do Norte,
para garantir um porto,
resultou naquele que foi
considerado o combate mais
sangrento da revolução.
Conta-se que as ruas da vila
ficaram cobertas de
cadáveres.
Apesar da violência do
evento, ele também é
lembrado pelo gesto
cavalheiresco do coronel
Antonio Soares Paiva, que
comandava a guarnição
legalista da cidade. Ao
término do combate, Bento
Gonçalves - que estava à
frente das tropas
farroupilhas lhe enviou uma
mensagem, dizendo que se
achava sem médico e remédios
para seus feridos. O coronel
Paiva, então, lhe mandou um
médico e metade dos
medicamentos de que
dispunha. Em agradecimento,
Bento libertou todos os
prisioneiros legalistas.
Bento Gonçalves foi preso em
1836 junto com outros
líderes revolucionários no
combate da ilha do Fanfa (em
Triunfo). Foi enviado para a
prisão de Santa Cruz e mais
tarde para a fortaleza de
Lage, no Rio de Janeiro,
onde chegou a tentar uma
fuga, da qual desistiu
porque seu companheiro de
cela, o também farrapo Pedro
Boticário, era muito gordo,
e não conseguiu passar pela
janela. Depois desse
episódio Bento foi
transferido para o forte do
Mar, em Salvador.
Em 1837, auxiliado pela
Maçonaria, fugiu da prisão.
Fingindo que ia tomar um
banho de mar, ele começou a
nadar diante do forte até
que, aproveitando um
descuido dos guardas, fugiu
- a nado - em direção a um
barco que estava à sua
espera.
Hoje ao ver os cavalos
passando montados por
orgulhosos gaúchos e gaúchas
senti um misto de alegria,
tristeza e uma certeza.
- Alegria por não termos
nos esquecido de nossos
irmãos que tanto fizeram,
pelo respeito e gratidão que
nutrimos.
- Tristeza por ver que
quase duzentos anos se
passaram e não atingimos na
plenitude os objetivos da
revolução farroupilha.
Continuamos com exagerada
concentração de poder pelo
governo central, com enorme
centralização tributária e
das decisões políticas.
A carga tributária nunca foi
tão brutal como é hoje, em
torno de 40% do PIB, 80% da
arrecadação fica nas mãos do
governo federal. Basta
lembrar que além da
revolução farroupilha também
a inconfidência mineira
liderada por Tiradentes se
insurgiu contra a carga
tributária quando era mísero
1/5 do PIB (o quinto dos
infernos).
A educação e a saúde pública
ainda são deficitárias em
nosso estado. Nossos portos,
aeroportos e estradas são
ruins. Produzimos muito e
temos dificuldades de
escoamento dessa produção
pela falta de
infra-estrutura.
- Certeza de saber que,
apesar do ato de pacificação
assinado no dia 1° de Março
de 1845 em Ponche Verde,
apesar dos avanços e
conquistas, a luta continua.
Permaneçamos mobilizados e
vigilantes lutando não mais
com armas mortais em campo
aberto, mas nas dimensões
institucionais com o poder
das idéias balizados pela
ética.
SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE
MODELO A TODA TERRA !
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