Ouço a
música da chuva
mansa sobre os
ramos do pé de
acerola próximo da
minha janela.
A
noite
já entra pela
madrugada, enquanto
eu leio ou escrevo,
viciada
que sou
no
silêncio da
madrugada...
O
sono
vem
devagar
no tic-tac do
relógio, na minha
respiração...
Sempre
fui assim...
embalada pelas
suaves melodias,
minhas eternas companheiras,
que se desprendem perceptíveis
somente para o
meu coração... E quero
deixar-me
soltar
sem
pensamentos como se
fosse uma
folha da
planta a receber o
beijo da chuva...
Balançar no galho dessa
fantasia rítmica, saltando
com a leve
brisa, sensação
que me faz
parecer valsar
ou patinar
sobre o gelo, aquela
sensação de leveza
que vai me
impulsionando... deslizo
nesse piso
etéreo, rodopiando, senhora da
vontade, dos segredos,
da
eternidade,
volitando numa
ousadia ritmada, multiplicando-me, desdobrando-me
pela velocidade, encantada
com esse
redemoinho elevando-me numa
espiral colorida de sentimentos,
de
sensações,
tangida
pela liberdade da
folha, da flor, da
alma, da fantasia, da
madrugada, delirando na doçura
desse
grande
enlevo
que me
leva até as
galáxias, cintilante
como uma estrela a
formar festivais de
luzes junto às
milhares de companheiras, seguindo o
impulso levado
pela ponta de
um velho
arco-íris que
tenta inutilmente amarrar o
céu e a terra, e torná-la
brilhante com os
reflexos do luar!...
E a
lua...
Eu a vejo sempre
bela com
sua auréola
prateada passeando pelas
minhas noites...
Rainha do céu,
esse palácio encantado, deusa das
horas, dos sonhos, dos
corações que suspiram
e se esvoaçam
com
ela
seguindo a
divina
luz...
Dama
encantada a
estender
sua
cabeleira luminosa,
insinuando o
caminho
do
paraíso... E aquele
tapete de veludo
azul-anil
brilha
com seus
milhões de pontos
luminosos ora
apontando para
o bem...
Ora mostrando o
mal...
O
céu
rasga-se
em
nuvens
esparsas...
Ela se
esconde e desaparece, e
seu rasto vai se tornando
dourado, avermelhando-se aos
poucos, fazendo desaparecer o
ontem...
E a
minha janela vai se
destacando
quando a
luz vem chegando abrindo o novo
dia!