Considerações sobre o amor

 

 

 

Priscila de Loureiro Coelho

 

 

 

Vivemos cada qual, o amor, da maneira como conseguimos compreendê-lo. No mais das vezes de forma limitada, sem nos dar conta do tão pouco que dele sabemos.

Parece que não relacionamos a confusão, inquietude e solidão que por vezes nos assola, com nossa inabilidade em lidar com o amor.

Amamos amiúde de forma equivocada, portanto, necessário se faz que reorganizemos esse sentimento, tão essencial a nossa felicidade.

Darmos atenção a ele é a única maneira de chegarmos a compreendê-lo, e assim experimentar sua a realização.

Confundimos o amor com sentimento de posse, desejando de forma incoerente aprisionar, reter, quando ele em sua própria essência é a encarnação da liberdade.

Talvez daí provenha toda sorte de desencontros e a razão maior de tanto sofrimento.

O Homem nasceu para realizar-se no amor e nele encontrar a possibilidade de alcançar a harmonia genuína que se manifesta no poder da criação.

Há que se dedicar com zelo a perceber a sutileza do movimento desta emoção, essencialmente humana. Sentimento que se expressa através do ritmo cósmico, que abrange a totalidade do universo, enquanto plenifica a unidade; que se perpetua pela eternidade, enquanto esgota-se no momento da paixão.

Mergulharmos sem receio nas profundezas da generosidade da alma, deixar nos perder no desapego ao que nos é tocado pelos sentidos, nos entregar sem reserva alguma, por inteiro ao prazer insólito de servir, de doar-se, sem nada solicitarmos em troca. Eis o que nos cabe, na busca de experimentar o amor em toda sua completitude.

Amor é um país sem fronteira, uma terra de ninguém, que possui a capacidade única de acolher a individualidade sem separar-se do todo.

O aprendizado do amor é algo fascinante e deliciosamente prazeroso. Um exercício contínuo de esquecer-se, de envolver-se nos meandros das necessidades e desejos do ser amado, não em atitude submissa, mas porque a felicidade do outro é tão plena e empática ao nosso coração, que se torna mais desejada que a nossa própria. É estar atento em silencioso apoio protetor, antecipando a cada trecho da jornada partilhada, os obstáculos possíveis, a fim de amenizar os sobressaltos do companheiro.

E o que de mais inusitado existe no amor, é que quanto mais o liberamos, mais ele nos corteja; quanto mais o dividimos, mais ele se multiplica; quanto mais o servimos, mas nos enche de mimos e cuidados, quanto mais o colocamos a prova, mais se intensifica.

Assim, misteriosamente o Amor seduz o ser humano, e dele se torna cativo. Quanto mais o encanta, mais dele se torna servo, num jogo que estabelece suas próprias regras.

 No entanto, quando aprisionado, se esvai aos poucos, e míngua. Desintegra-se sem deixar vestígios. E seu vazio é repleto de aflitiva privação.

E o aroma perfumado da amizade genuína, a fragrância da cumplicidade, o odor característico da paixão, se perdem aos poucos pelo ar, tornando a atmosfera impregnada de um odor desagradável que exala a solidão.

O amor é Luz Multicolorida, alternando-se em matizes muito próprias do arco íris, em performance eternamente renovada.

Já a solidão tem cor escura que inviabiliza o caminhar, tolhendo qualquer possibilidade de se desvencilhar de sua densidade, aprisionando a alma na desesperança.

Assim, que cada um se detenha a cuidar de compreender o amor, num ato de sobrevivência e conscientização; aventurando-se no mais louco, encantador e valoroso desafio, que é descobrir dentro de si o próprio amor.

 

 

 

 

 

 

 
 
 

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