Parece que não relacionamos a
confusão, inquietude e solidão
que por vezes nos assola, com
nossa inabilidade em lidar com o
amor.
Amamos amiúde de forma
equivocada, portanto, necessário
se faz que reorganizemos esse
sentimento, tão essencial a
nossa felicidade.
Darmos atenção a ele é a única
maneira de chegarmos a
compreendê-lo, e assim
experimentar sua a realização.
Confundimos o amor com
sentimento de posse, desejando
de forma incoerente aprisionar,
reter, quando ele em sua própria
essência é a encarnação da
liberdade.
Talvez daí provenha toda sorte
de desencontros e a razão maior
de tanto sofrimento.
O Homem nasceu para realizar-se
no amor e nele encontrar a
possibilidade de alcançar a
harmonia genuína que se
manifesta no poder da criação.
Há que se dedicar com zelo a
perceber a sutileza do movimento
desta emoção, essencialmente
humana. Sentimento que se
expressa através do ritmo
cósmico, que abrange a
totalidade do universo, enquanto
plenifica a unidade; que se
perpetua pela eternidade,
enquanto esgota-se no momento da
paixão.
Mergulharmos sem receio nas
profundezas da generosidade da
alma, deixar nos perder no
desapego ao que nos é tocado
pelos sentidos, nos entregar sem
reserva alguma, por inteiro ao
prazer insólito de servir, de
doar-se, sem nada solicitarmos
em troca. Eis o que nos cabe, na
busca de experimentar o amor em
toda sua completitude.
Amor é um país sem fronteira,
uma terra de ninguém, que possui
a capacidade única de acolher a
individualidade sem separar-se
do todo.
O aprendizado do amor é algo
fascinante e deliciosamente
prazeroso. Um exercício contínuo
de esquecer-se, de envolver-se
nos meandros das necessidades e
desejos do ser amado, não em
atitude submissa, mas porque a
felicidade do outro é tão plena
e empática ao nosso coração, que
se torna mais desejada que a
nossa própria. É estar atento em
silencioso apoio protetor,
antecipando a cada trecho da
jornada partilhada, os
obstáculos possíveis, a fim de
amenizar os sobressaltos do
companheiro.
E o que de mais inusitado existe
no amor, é que quanto mais o
liberamos, mais ele nos corteja;
quanto mais o dividimos, mais
ele se multiplica; quanto mais o
servimos, mas nos enche de mimos
e cuidados, quanto mais o
colocamos a prova, mais se
intensifica.
Assim, misteriosamente o Amor
seduz o ser humano, e dele se
torna cativo. Quanto mais o
encanta, mais dele se torna
servo, num jogo que estabelece
suas próprias regras.
No entanto, quando aprisionado,
se esvai aos poucos, e míngua.
Desintegra-se sem deixar
vestígios. E seu vazio é repleto
de aflitiva privação.
E o aroma perfumado da amizade
genuína, a fragrância da
cumplicidade, o odor
característico da paixão, se
perdem aos poucos pelo ar,
tornando a atmosfera impregnada
de um odor desagradável que
exala a solidão.
O amor é Luz Multicolorida,
alternando-se em matizes muito
próprias do arco íris, em
performance eternamente
renovada.
Já a solidão tem cor escura que
inviabiliza o caminhar, tolhendo
qualquer possibilidade de se
desvencilhar de sua densidade,
aprisionando a alma na
desesperança.
Assim, que cada um se detenha a
cuidar de compreender o amor,
num ato de sobrevivência e
conscientização; aventurando-se
no mais louco, encantador e
valoroso desafio, que é
descobrir dentro de si o próprio
amor.