PROSA, POR HELENA ARMOND

 

 

helenarmond

 
Nasci em Muzambinho corruptela de Moçambique, em toda sua arquitetura Portuguesa, a moda, móveis, perfumes e jóias chegava-nos da França e as mulheres de alta classe aquelas que procuravam "la crème de la crème"eram apontadas como" podres  de chic".
Achava chocante a expressão não conseguia saber... porque...
Certa vez em lições em casa de minha amiga Lucila vi sentado na soleira da mármore de entrada um miserável homem pálido de fome, mãos cianóticas pelo frio intenso, pedia comida e agasalho.
Chegava naquele instante a bela Sra. dona da casa num casaco de peles, em anéis e brincos enormes pérolas, ordenando ao motorista que o homem fosse esperar quadra  abaixo .
Olhando-se  em enorme  espelho de cristal bisotado moldura dourada, jogou sobre o sofá o pequeno chapéu enquanto ordenava a copeira um chá leite mel e torradas...
Foi ao quarto tirou da gaveta/reserva um casaco muito antigo comprado na França e com uma fina tesoura alemã, a tudo que tocava citava origem e preço , cortou cada botão dizendo, são madrepérolas trabalhadas... caríssimas... e os colocou numa caixa.
Chamou a empregada e em outra ordem que entregasse o casaco e saco de pão velho ao pedinte...
Naquele instante fiquei sabendo o que ERA SER....
podre de chic

 

 

 

 
 
 

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FOTO UTILIZADA NO TOPO DA PÁGINA, PRAÇA DE GIRALDO EM ÉVORA * PORTUGAL

MONTAGEM E ARTE FINAL DE IARA MELO

MID: OSVALDO MONTENEGRO * "LUA E FLOR"

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