Em cada um de nós existe a
capacidade de voar nas asas do
desejo, aterrissando no florido
pináculo dos sonhos. Sonhar faz
bem e, aqui e ali, pode algum se
realizar.
Quando se
concretiza um deles não
significa que irá ser o arauto
da felicidade, pois, no
entremeio dos nossos sonhos,
existem os outros seres humanos
que, nem sempre, estão
interessados ou compreendem os
seus objetivos, acostumados,
talvez, ao individualismo, daí
para concretizá-los, não se
perder o arrimo da razão.
Realizando-se um
sonho e, em torno dele, sendo
preciso aglutinar muitas
pessoas, faz-se mister que se
retarde o seu avanço para uma
análise de quem está colocando
por perto, do contrário irá a
pique uma sonhada embarcação.
Quando Inês
conheceu João, nadou nas águas
da mais pura felicidade,
sobretudo quando foi apresentado
à sua família. Ergueu castelos,
foi às nuvens, colocou planos
na encosta da idealização. No
início do casamento, viveu ainda
nas terras férteis da ilusão,
mas no Brasil, casa-se também
com toda a família, e logo
começaram a cair as gotas
massacrantes da realidade, e
ela, quais as ondas, bateu forte
nas areias do arrependimento.
Fora tudo criação da sua cabeça
assaz romântica,
Nas decepções em
que navegamos, quem são os
culpados? Nós mesmos, pois não
pensamos em quem estamos
incluindo nos nossos planos,
tampouco no ato impulsionado
pelos floreios da emoção, uma
prova de que, em tudo, precisa
estar presente o “olho vivo” da
razão.
Quando, entre
nossas idéias, surge uma que é
flor, pensamos em destacá-la e
colocá-la em um vaso para que
embeleze, ou seja, quando temos
uma boa idéia queremos
concretizá-la, antevendo o
sucesso, que poderá, também,
acontecer e, educando o poderio
da razão, estaremos nutrindo-a.
Temos o
infantil costume de agir por
amizade, simpatia, por isso, no
que imaginamos, colocamos
pessoas indevidas, que, sem
nenhuma dúvida, irão destruí-lo,
por serem difíceis, mandatárias,
negativas, mal formadas... Em
nada disso, pensamos, quando
construímos o castelo do sonho.
Se alguém sonha com a
possibilidade de se tornar um
famoso escritor, precisa
compreender que irá viver entre
editores, leitores e outros
escritores - os sonhos não
excluem as outras pessoas, mas
pelo imaturo receio da
concorrência, algumas poderão
fazer soçobrar o seu grandioso
barco, desde que não aceite as
sugestões e o controle delas, e
quem é maduro não se submete ao
controle de quem quer que seja.