INCLUSÃO

 

Eliane Arruda

 

 


                  Em cada um de nós existe a capacidade de voar nas asas do desejo, aterrissando no florido pináculo dos sonhos. Sonhar faz bem e, aqui e ali, pode algum se realizar.
                Quando se concretiza um deles não significa que irá ser o arauto da felicidade, pois, no entremeio dos nossos sonhos, existem os outros seres humanos que, nem sempre, estão interessados ou compreendem os seus objetivos, acostumados, talvez, ao individualismo, daí para concretizá-los, não se perder o arrimo da razão.
                Realizando-se um sonho e, em torno dele, sendo preciso aglutinar muitas pessoas, faz-se mister que se retarde o seu avanço para uma análise de quem está colocando por perto, do contrário irá a pique uma sonhada embarcação.
                Quando Inês conheceu João, nadou nas águas da mais pura felicidade, sobretudo quando foi apresentado à sua família. Ergueu castelos, foi às nuvens, colocou planos na  encosta  da idealização. No início do casamento, viveu ainda nas terras férteis da ilusão, mas no Brasil, casa-se também com toda a família, e logo começaram  a cair as gotas massacrantes da realidade, e ela, quais as ondas, bateu forte nas areias do arrependimento. Fora tudo criação da sua cabeça assaz romântica, 
              Nas decepções em que navegamos, quem são os culpados? Nós mesmos, pois não pensamos em quem estamos incluindo nos nossos planos, tampouco no ato impulsionado pelos floreios da emoção, uma prova de que, em tudo, precisa estar presente o “olho vivo” da razão.         
             Quando, entre nossas idéias, surge uma que é flor, pensamos em destacá-la e colocá-la em um vaso para que embeleze, ou seja, quando temos uma boa idéia queremos concretizá-la, antevendo o sucesso, que poderá, também, acontecer e, educando o poderio da razão, estaremos nutrindo-a.
             Temos o infantil costume de agir por amizade, simpatia, por isso, no que imaginamos, colocamos pessoas indevidas, que, sem nenhuma dúvida, irão destruí-lo, por serem difíceis, mandatárias, negativas, mal formadas... Em nada disso, pensamos, quando construímos o castelo do sonho.
              Se alguém sonha com a possibilidade de se tornar um famoso escritor, precisa compreender que irá viver entre editores, leitores e outros escritores - os sonhos não excluem as outras pessoas,  mas pelo imaturo receio da concorrência, algumas poderão fazer soçobrar o seu grandioso barco, desde que não aceite as sugestões e o controle delas, e quem é maduro não se submete ao controle de quem quer que seja.

 

 

 

 

 

 

 
 
 

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