A relação afetiva é
intensa dentre os
habitantes da terra, e
quem sabe também no meio
dos extra-terrestres,
ela inspira confiança e
cumplicidade,
entretanto, nos tempos
modernos, a disputa pelo
poder, esse sentimento
que, segundo o famoso
sociólogo Max Weber,
encerra a possibilidade
de impor a própria
vontade, tem levado os
humanos ao isolamento
social.
As
igrejas unidas tentam a
reversão desse quadro,
porém, enquanto as
pessoas resistirem à
concepção de identidade,
jamais conseguirão
percorrer caminhos
asfaltados com o
colorido do amor
fraternal.
Em
decorrência dessa
distância igualitária,
quando encontramos em
nossa peregrinação
viventes dispostos a nos
demonstrar amabilidade,
rapidamente nos
afeiçoamos. Conforme
sucedeu ao Sr. José, que
auferiu a graça de um
parceiro apto a
aquinhoar suas alegrias
e tristezas.
É importante
frisar a condição de
católico praticante e
sua inexorável fé
motivadora de ajuda aos
menos favorecidos, desse
modo, ao encontrar o ser
mencionado, carente de
cuidados resolveu
conduzi-lo ao lar e
preencher o vazio
existente naquele
coração, assumindo de
forma deliberada
solidário compromisso.
Na escalada de
sua trajetória vital, o
minusculo deixou os
hábitos infantis,
acolheu com entusiasmo a
vinda da adolescência, a
fase muitas vezes
acompanhada por
transformações físicas e
psicológicas, as quais
os adultos dificilmente
estão preparados para
enfrentarem.
Concomitantemente,
vieram as primeiras
atrações e o
pre-requisito de escolha
inquietava seu protetor,
que, sucessivas vezes o
repreendeu após as
inconscientes
libertinagens.
Ele sempre
ouvia as advertências
cabisbaixo, mas, ao
surgirem novas
oportunidades, as mesmas
atitudes eram postas em
prática.
Apesar das
peripércias cometidas
pelo jovem, os dois se
entendiam e aquele
relacionamento
proporcionava ocasiões
jubilosas na convivência
de ambos.
Quando desfrutavam
os melhores momentos em
comum, o bondoso senhor
adoece inesperadamente e
a felicidade reinante
cedeu lugar a angústia,
dessa maneira, o amigo,
dantes tão boêmio,
permanecia junto ao
leito do enfermo,
submerso, na tentativa
de amenizar a dor do
companheiro. Todavia, os
esforços foram em vão, a
doença atingiu a
culminância, gerando
separação definitiva. Os
familiares, embora
enfraquecidos com a
perda do ente querido,
procuraram força na
doutrina cristã e
continuaram a jornada,
no entanto, o aliado não
gosou o mesmo conforto e
cotidianamente parecia
menos motivado a trilhar
a autopista existencial.
Os íntimos
incumbiram-se em
dispensar-lhe atenção,
contudo o pobre animal,
pertencente à espécie
Felis Catus, denominados
gatos domésticos, frente
a dolorosa ausência foi
sucumbindo o espírito de
luta e poucos dias
depois, o encontraram
inerte.
Imaginaram
mumificar seu corpo,
igual os seguidores de
Bast, a deusa do prazer,
mas os recursos
financeiros foram
ineficazes, apenas
veneraram sua singela
imagem nos cernes
saudosos.
Esse fato demonstra
que a ausência do
dialeto não se constitui
em barreira
intransponível na
consolidação de uma
verdadeira amizade.