MILTON ROZA JUNIOR
Estive na livraria
cultura antes de
voltar para casa,
fui buscar um livro
que fazia muito
tempo ela tinha me
pedido, era sobre
prosa poética,
queria eu comprar um
de culinária para me
aperfeiçoar, não
ligava por ela não
ter sabido cozinhar
bem, pois casei com
a mulher de meus
sonhos. Encontro, já
em nosso lar, sua
foto estirada na
cama em nosso cômodo,
era sábado e, no
final de semana, eu
não teria que fazer
mais nada a não ser
comprar o livro e
voltar para casa.
Veio, a mim, um
cheiro
impressionante de
rosas, minhas
narinas ficaram
impregnadas deste
perfume que
inspirava meu desejo
de vê-la. Era o
preferido de
VITÓRIA.
Eu me arrependo
muito do que fiz,
foi um acidente, mas
ninguém acreditou,
estava meio tenso
depois de uma
patrulha policial.
Sim, eu era um
policial e gostava
de fazer o certo,
porém, expliquei
para ao homem da
condicional, antes
de sair do presídio,
que ia fazer o que
ela tinha me pedido
há dez anos antes de
matá-la, iria ler a
décima terceira
página do livro, ela
não era
supersticiosa,
contudo este número
a perseguiu pela
vida toda, desde o
nascimento no dia
treze. Ajoelhei-me
diante de sua foto
em lágrimas e abri a
página, comecei a
ler:
- Jogo o meu
coração para você.
Espero que entendas
quando disse jogar,
pois neste ato
qualquer pessoa pode
pegar pelo caminho,
talvez seja numa
estrada longa. Mas
mesmo se você não
aceitar e ele cair
no meio do caminho,
ficarei triste,
porém, continuarei
afirmando que joguei
para pessoa certa.
Entenderei também
que estavas meio
ocupada por não ver
tão arriscado
sentimento que me
fez fazer esta
loucura. Entenderei
se não arriscaste é
porque já existe um
outro em sua mão,
verei que sou um
tolo por arriscar
minha vida, porém eu
pelo menos tentei e
sempre tentarei
quando houver outra
oportunidade, pois
respeitei o caminho
de NAMASTÊ por me
arriscar tão belo
sentimento de
divisão.
Não consegui ler
mais, porém, eu sei
que o D'us que
habita em seu
coração espiritual é
o mesmo que habita
em mim.