Existem coisas na vida que o tempo não consegue
destruir, mesmo
admitindo que no
Universo se obedece ao
ciclo da natureza:
nascer, crescer e
morrer, pois foi assim
que se estabeleceu desde
o início da criação. A
vida do homem na terra
se rege por leis
físicas, biológicas,
químicas, atreladas ao
próprio desenvolvimento
do indivíduo no seu
cotidiano. Um dia, tudo
se deteriora, ou pode
se metamorfosear,
transformando-se em algo
diferente da sua gênese.
No entanto, se pensarmos um pouco, chegamos a
identificar que o mesmo
homem é capaz de
construir coisas que
podem ficar registradas
para sempre, na história
da humanidade.
Nesse sentido, quero me referir à boa música que
perpassa séculos e
atravessa milênios.
Compositores geniais
como Bach, Wagner,
Chopin, Beethoven,
Mozart, e tantos outros
grandes músicos passaram
pela terra, cumpriram o
seu ciclo de vida e
deixaram peças que,
ainda hoje, são
consideradas obras
primas, porque
extrapolaram a barreira
do tempo. O significado
dessas obras para as
gerações que se
sucederam foram de
inestimável importância,
tanto no que concerne à
plasticidade da
composição, da harmonia,
dos movimentos, bem como
agregado a isso, o seu
valor estético. Essas
obras contribuíram para
abrir novos horizontes e
serviram de base para
estudos mais
aprofundados sobre a
música clássica e
erudita.
Quantos talentos emergiram a partir do conhecimento das
sonatas, dos minuetos e
de outras peças
trabalhadas por aqueles
gênios da música que
marcaram profundamente a
sensibilidade de novos
artistas que, com o seu
potencial nato e muito
esforço, conseguiram
recriar outras tantas
composições!
Aqui no Brasil, poderíamos destacar Carlos Gomes, Vila
Lobos, Pixinguinha, Tom
Jobim e outros artistas
que, no campo da música
erudita ou no da música
popular, mostraram
condições plausíveis
para o ofício.
Nada mais pode encantar alguém do que ouvir uma melodia
que entra pelos ouvidos,
chega ao cérebro e faz o
coração ficar
embevecido. Os sons na
mais perfeita harmonia
nos transportam a
lugares, situações ou
fatos pelos quais já
passamos ou idealizamos
nos nossos sonhos, na
nossa utopia solitária
de cada ser humano. Além
de nos proporcionar um
relaxamento salutar, a
música acalma, faz bem
à alma e ao espírito.
No programa semanal na TV Senado sobre música clássica,
seu produtor e
apresentador, jornalista
Artur da Távola, sempre
ressalta: ”Quem gosta de
música não é solitário
porque tem vida
interior.” Na verdade,
concordo plenamente com
a assertiva. A boa
música nos enche de um
prazer colossal, penetra
nos poros e se impregna
no âmago do ser, nos
preenchendo de tal
forma, até atingirmos a
plenitude e a paz
interior. Chega a nos
levar a um estágio de
verdadeira sublimação.
Não sou adepta apenas da música erudita, mas também da
música popular feita com
esmero, apresentando
letras e melodias que
traduzam beleza e nos
elevem, na medida em
que, a partitura
envolva processos
melódicos, harmônicos,
sonoros, rítmicos que se
conjuguem dentro da
composição e mexam com
os sentimentos, com as
emoções, com o corpo, o
qual poderá atingir em
determinados momentos
uma quase levitação, tal
é a magia que exerce no
ouvinte.
A música é essencial na vida do ser humano no tocante
ao equilíbrio da
mente-corpo-emoção-sentimentos.
A relevância é tamanha
que, em muitos casos,
chega a curar males
psíquicos, stress e
transtornos emocionais.
A medicina faz uso
desses mecanismos para
ajudar nos tratamentos
de várias patologias
que, além de utilizar
remédios, tem na música
uma aliada para
minimizar dores,
angústias, cansaço
físico ou mental e
passar a ser
coadjuvante, por alguns
momentos, do próprio
médico e do paciente que
sofre.
Certamente quem acompanhou nos últimos dias pela a
mídia a chegada ao
Brasil de bandas
internacionais: Rolling
Stones, U2, pôde
aquilatar o peso com que
as músicas desses
artistas influenciam os
jovens de hoje e, há
décadas, se mantêm num
patamar sempre elevado
na preferência de
adultos e de senhores e
senhoras que gozam da
terceira idade. Músicas
antológicas que marcaram
época e com a sua força
melódica conseguiram
ultrapassar o tempo. E,
assim, passa a ser
música universal, na
acepção da palavra.
Podíamos citar compositores nacionais como: Chico
Buarque, Caetano Veloso,
Paulinho da Viola,
Milton Nascimento,
Cazuza, apenas para
destacar alguns, que
fizeram canções de valor
estético e belezas
memoráveis e permanecem
no cenário musical há
bastante tempo,
fazendo-se ainda
presentes no bom gosto
das gerações que se
sucedem.
Artistas que mostraram a sua genialidade em letras e
melodias bem
trabalhadas, com
mensagens que tocam a
sensibilidade do ouvinte
e os transportam,
fazendo questionar ou
admirar a vida, o ser
humano, ou mesmo, nas
sutis ironias, levar a
uma reflexão sobre o
mundo com todas as suas
contradições.
Em cada canção, pode se encontrar nas entrelinhas a
preocupação com o
social, o amor, a
solidariedade, a
justiça, a desigualdade,
enfim, tudo que atinge o
tecido social, as
massas, o ser humano,
como indivíduo, único,
mas também como coletivo,
parte de uma sociedade
no plano universal.
De todas as diferenças existentes entre povos nos
âmbitos culturais,
raciais, ideológicos ou
sociais, um dos
elementos que pode ainda
unir idéias,
pensamentos,
sentimentos, com
certeza, é a música de
qualidade, ou seja, a
boa música que nada
impede de penetrar nos
ouvidos e permitir
chegar-se a um estado de
encantamento ou êxtase,
reunindo os diferentes
para apreciar o belo.