Eliane
Arruda - CE
Sem dúvida,
o ato de escrever
funciona como um
derivativo: ajuda o ser
humano a carregar o peso
da existência e suportar
as mazelas do cotidiano
que espicaçam a
sensibilidade.
Quem é
afeito a esse ato, os
seus momentos, quer de
sentimentos contrários
(alegria, tristeza) ou
de solidão, servem de
motivo para desencadear
a produção escrita. Às
vezes, uma simples cena
do dia-a-dia e de
conteúdo humorístico
pode inspirar uma
produção mais
descontraída.
O gosto pela
escrita pode ser
comparado a um
escoadouro por onde
fluem pensamentos,
estados emotivos e
contemplativos da
beleza, arroubos
críticos, intelectivos e
criacionais,
convertendo-se nas
composições em versos ou
em prosa, conforme a
habilidade de quem
concretiza o que se
projeta no seu mundo
interior.
Quem observa
e analisa os desmandos
governamentais, quer do
seu próprio país ou de
outro, pode se
manifestar em textos
para jornais,
revistas... Já poetas,
contistas, romancistas e
ensaístas em outro tipo
de publicação, conforme,
enfim, a variedade dos
gêneros textuais.
Quantas
vezes experimenta-se um
tipo de sofrimento por
perdas humanas: de um
amor, um parente, um
amigo, ou outras perdas
como de status, de
emprego; as próprias
insanidades reinantes no
contexto social...
Acreditamos que quem se
dedica a algum tipo de
produção tem mais
facilidade de suportar
os fardos que detém nas
costas do viver, já que
libera o universo das
palavras que expressam
todo esse sofrimento.
Apenas um psicólogo ou
crítico podem confirmar
ou negar o teor dessas
afirmações.
Deus, quando
pensou na criação
humana, pensou também em
aquinhoá-la com o dom
da comunicação, o qual
é de todos e não só de
alguns. Pode haver, no
entanto, uma minoria que
o aperfeiçoa e o
aproxima dos sentimentos
e da intelectualidade.
Agindo assim, permitiu
Deus que um só homem se
comunicasse com outro
indivíduo, um grupo, um
universo bem maior e
transcendente,
inclusive.
No último
caso, se afeito o
indivíduo às publicações
pode ter as suas obras
mofando nas prateleiras
de uma estante ou de uma
biblioteca, contudo pode
também alçar voo aos
lugares mais longínquos
e acompanhar as passadas
do tempo, chegando ao
presente e, quem sabe,
ao futuro.
Amar a
produção textual e a sua
publicação é uma forma
do indivíduo revelar-se,
constituindo um elo
humano e também
histórico com a
posteridade.