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HISTÓRIA de P O R T U G
A L
(Resumo)
1ª
Dinastia, Chamada Afonsina ou Borgonha
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Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro |

D. Pedro I – (O Jusaticeiro)
R einou
de 1357 a 1367
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(1248-1385) |
D. Pedro I -
Rei de Portugal e do Algarve
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Logo que D. Pedro assumiu o poder, foi sua
principal ideia vingar-se dos assassinos de D. Inês de Castro, Conseguiu
só apanhar apenas dois – pois Diogo Lopes Pacheco pode escapar-se a
tempo – mandou-os conduzir a Santarém, onde em 1358, lhes fez dar morte
cruel. Diz o cronista Fernão Peres que a um foi arrancado o coração
pelas costas e a outro pelo peito.
"A vingança foi consumada nos Paços de Santarém. D. Pedro mandou amarrar
as vítimas, cada uma a seu poste de suplício, enquanto os cozinheiros de
sua Corte preparavam um lauto banquete de cerimónia. O rei não poupou
requintes de horror no castigo implacável. Mandou o carrasco tirar a um
o coração pelas costas e a outro o coração pelo peito. Por fim, como
sentisse que não bastava a tortura tremenda, ainda teve coragem para
trincar aqueles corações que, para ele, seriam malditos para sempre".
D. Pedro l resolveu fazer a homenagem merecida a D. Inês, rainha de
Portugal. Ordenou então, a transladação dos restos mortais de Coimbra
para o túmulo de Alcobaça. Foi um cortejo fúnebre de imponência nunca
vista; pela estrada fora, por entre povo do campo que vinha chorar à
berma do caminho, seguia a multidão de gente, com círios acesos, a
melhor fidalguia do Reino, senhores e senhoras, a cavalgar corcéis, a
passo solene, membros do clero e burgueses, todos em traje de pesar
doloroso. Ao longo da viagem, a perda da rainha foi pranteada por grupos
de carpideiras que soltavam gritos lancinantes e entoavam melodias
plangentes; viam-se homens com cinza na cabeça, de cabelos rapados e sem
barba, na expressão pública do luto. Escudeiros vestidos de estamenha
crua transportavam a urna com o ataúde de Inês, carregando aos ombros os
varais escuros, precedidos de alferes com pendões abatidos. Na frente do
préstimo, um franciscano segurava uma enorme cruz de pinho. No transepto
da igreja de Alcobaça, D. Pedro disse o último adeus à esposa. Nunca
houvera paixão assim! Até nasceu a lenda de que o rei se desvairou a
ponto de fazer coroar Inês, depois de morta, e obrigar a nobreza a
beijar-lhe a mão de rainha.
Nas Cortes de Elvas, em 1361, o rei tomou providências para atender a
certas reclamações populares, também ficou resolvido instituir o
Beneplácito régio, pelo qual, a partir dessa data, nenhuma determinação
do Papa poderia ter efeito legal no Reino sem o visto e sanção do rei.
Em resposta a várias reclamações do povo, o rei prometeu ainda que
seriam respeitadas as regalias dos concelhos, e que os nobres seriam
intimados a obedecer aos funcionários municipais. Regularizou também
questões de administração e de justiça. Nestas Cortes de Elvas, foi
tomada pela primeira vez, a decisão de uniformizar os Pesos e Medidas
O governo de D. Pedro l, foi proveitoso e excelente para a paz e
economia da Nação. O Reino de Portugal continuou a prosperar no seu
reinado. Quando o rei faleceu, deixou os cofres públicos cheios de
dinheiro. A justiça que aplicava, rigorosa e severa, era igual para
todos. Por isso mereceu da História o cognome de Justiceiro. Embora
arrebatado de génio, tinha um coração bondoso. O povo adorava-o.
Os seus restos mortais, assim como os de D. Inês de Castro, encontram-se
em dois riquíssimos túmulos, próximos um do outro, no mosteiro de
Alcobaça.
Os Lusíadas - CANTO III
(...)
136 - Vingança de Pedro I
"Não correu muito tempo que a vingança
Não visse Pedro das mortais feridas,
Que, em tomando do Reino a governança,
A tomou dos fugidos homicidas.
Do outro Pedro cruíssimo os alcança,
Que ambos, inimigos das humanas vidas,
O concerto fizeram, duro e injusto,
Que com Lépido e António fez Augusto.
137 - Pedro I, o Cru
"Este, castigador foi rigoroso
De latrocínios, mortes e adultérios:
Fazer nos maus cruezas, fero e iroso,
Eram os seus mais certos refrigérios.
As cidades guardando justiçoso
De todos os soberbos vitupérios,
Mais ladrões castigando à morte deu,
Que o vagabundo Aleides ou Teseu.
D. Pedro l 0 Justiceiro - (reinou de 1357 a 1367)
http://www.cunhasimoes.net/cp/Textos/Historia/
Foi curto o reinado deste rei sensato e magoado. Foi dele que os
presidentes dos nossos dias beberam a ideia das presidências
abertas. Percorreu o país de lés-a-lés. Fixava-se nas diferentes
terras, às vezes, por mais de um mês. Aí despachava, aplicava a
justiça, morigerava os costumes e governava.
Numa das suas estadias em Elvas, em 1361, fez reunir as Cortes;
nelas, o povo insurge-se contra a intromissão da Santa Sé nos
assuntos internos do país. D. Pedro ouviu as razões e instituiu o
Beneplácito Régio, pelo qual o rei decretava que nenhum documento da
Cúria Romana tivesse qualquer validade sem a aprovação do rei. Os
prelados protestaram. D. Pedro I não os atendeu.
Por esta determinação, e sabendo como a Santa Sé era poderosa e a
quem todos os reis e príncipes obedeciam, se pode ver até que ponto
Portugal estava consciente da sua força.
Os dez anos do rei D. Pedro foram dez anos de paz e desenvolvimento.
Apesar de se ver confrontado com o flagelo da peste negra (derivada
da falta de higiene) conseguiu fomentar a economia e aumentar a
riqueza do país. De onde se conclui que os exércitos e as guerras
são os inúteis sorvedouros dos dinheiros públicos e a causa da
miséria e da desgraça dos povos.
Durante toda a vida, D. Pedro nunca esqueceu a bela Inês nem os seus
"brutos matadores". Conseguiu deitar a mão a Pêro Coelho e fez-lhe
arrancar o coração pelo peito, apanhou Álvaro Gonçalves e
arrancou-lhe o coração pelas costas. Escapou Diogo Lopes Pacheco. O
rei devia-o ter esquecido depois de ter saciado o desprezo e o ódio
pelos infames matadores de mulheres indefesas.
A Inês de Castro fê-la coroar rainha. A sua trasladação de Coimbra
para Alcobaça, onde se encontram os belíssimos túmulos do rei e de
Inês, são a prova evidente de "como é diferente o amor em Portugal".
A lenda e a vida de um rei que não teve rainha
http://dn.sapo.pt/2005/04/24/artes/
"Determinado, mas de uma debilidade extrema na relação com o
passado." Assim é D. Pedro I segundo a sua biógrafa. Cristina
Pimenta, historiadora especializada nas Ordens Militares em Portugal
na Baixa Idade Média, "encantou-se" ao conhecer a personagem que lhe
coube biografar. Um encantamento que não se limita à poética dos
amores entre Pedro e Inês, mas à personalidade de um homem que
compara ao imperador Frederico II, numa descrição da época "Era um
homem astucioso, bellaco, codicioso, lujurioso, malicioso, irritable.
Y era al mismo tiempo un hombre lleno de valor; cuando queria
demonstrar sus mercedes o amabilidades, era benevolente, encantador,
delicioso, activo […] En cuanto lo vi, me agradó." E se, como
Frederico II, "D. Pedro não espantou o mundo, espantou, pelo menos
Inês de Castro", acrescentou ao DN a historiadora, que lamenta a
escassez de fontes sobre a vida do monarca.
Filho de D. Afonso IV e de Beatriz de Castela, o infante D. Pedro
ficou eternizado através do seu romance com Inês de Castro. É o
estudo da evolução deste tema que inaugura o primeiro livro da
colecção, Reis de Portugal, iniciativa do Círculo de Leitores e do
Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, da
Universidade Católica, com coordenação científica de Teodoro de
Matos e João Paulo Oliveira e Costa.
Começando pela crónica de Fernão Lopes (séc. XIV) e terminando na
poesia de Nuno Júdice (séc. XX), a relação entre Pedro e Inês é a
melhor documentada do livro, pelo menos do ponto de vista literário,
com a lenda a ganhar aos factos. Como refere a autora, "é impossível
tratar o tema do ponto de vista histórico, strictu sensu, sem ter o
mito presente. Desde Fernão Lopes que o discurso à volta se vai
alterando, o que tem que ver com as épocas, com a conjuntura
política e com o que se quer fazer passar".
Numa linguagem que quer afastar-se do academismo, mas sem pretender
ser literária - "não de trata de um romance", justifica a autora -,
a biografia demora-se no enquadramento internacional e nacional de
um tempo de crise económica, instabilidade política e de peste como
aquele em que viveu e reinou D. Pedro; fixa-se nos pontos fortes do
governo e, por fim, olha o homem, cujo retrato físico e psicológico
é feito de traços pouco definidos quanto à infância, no
relacionamento com os filhos e nos amores. Pedro, homem "grande de
corpo, de real presença, frente espaçosa, olhos negros e formosos,
cabelo ruivo, um pouco escuro, comprido, boca não pequena e rosto
largo", casou com Constança, mãe do futuro D. Fernando, de quem
ficou viúvo; amou Inês, com a qual teve três filhos e a lenda diz
que casou; teve um filho (D. João I) com Teresa, mas foi um rei que
não teve rainha. Apesar das paixões, não se livrou da suspeita
lançada por Fernão Lopes de que teria amado um tal Afonso Madeira
"mais do que se deve aqui de se dizer".
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

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