HISTÓRIA de P O R T U G A L

(Resumo)

 

1ª Dinastia, chamada Afonsina ou Borgonha 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 
 
 

 

 

D. Sancho l – (O Povoador)

Reinou de 1185 a 1211

 

 

 

(1185-1248)

D. Sancho l


Embora D. Sancho l se preocupasse mais com o povoamento e pacificação do País, ainda assim tomou aos árabes os castelo de Alvor e Albufeira, a cidade de Silves e outras terras em 1189.
Mas com o exército enfraquecido e cansado por um longo período de guerras, D. Sancho l perdeu não só as terras que havia conquistado mas também as que lhe tinham ficado de seu pai, situadas para o sul do rio Tejo, com excepção de Évora.
Perante tal cenário, mandou vir D. Sancho l colonos de França e da Alemanha, que os fez distribuírem por bastantes terras e a quem entregou o cultivo dos campos. Com esses colonos e com muitos cruzados que, passando pelos nossos portos, por cá iam ficando, conseguiu aumentar e fomentar a população e a riqueza do Reino.
No seu tempo, foram concedidos forais a muitas terras e construídos alguns castelos e fortalezas, tais como: Covilhã, Belmonte, Azambuja, Guarda, etc.
D. Sancho morreu em Coimbra e seus restos mortais encontram-se no mosteiro de Santa Cruz, junto a seu pais e sua mãe.

 

Os Lusíadas -  Canto lll

(...)

85
     "Sancho, forte mancebo, que ficara
     Imitando seu pai na valentia,
     E que em sua vida já se experimentara,
     Quando o Bétis de sangue se tingia,
     E o bárbaro poder desbaratara
     Do Ismaelita Rei de Andaluzia;
     E mais quando os que Beja em vão cercaram,
     Os golpes de seu braço em si provaram;

    86 -  Cerco de Silves por D. Sancho
     "Depois que foi por Rei alevantado,
     Havendo poucos anos que reinava,
     A cidade de Silves tem cercado,
     Cujos campos o bárbaro lavrava.
     Foi das valentes gentes ajudado
     Da Germânica armada que passava,
     De armas fortes e gente apercebida,
     A recobrar Judeia já perdida.

    87 -  Auxílio Prestado a D. Sancho pelos Cruzados, 
na Tomada de Silves
     "Passavam a ajudar na santa empresa
     O roxo Federico, que moveu
     O poderoso exército em defesa
     Da cidade onde Cristo padeceu,
     Quando Guido, coa gente em sede acesa,
     Ao grande Saladino se rendeu,
     No lugar onde aos Mouros sobejavam
     As águas que os de Guido desejavam.

    88
     "Mas a formosa armada, que viera
     Por contraste de vento àquela parte,
     Sancho quis ajudar na guerra fera,
     Já que em serviço vai do santo Marte.
     Assim como a seu pai acontecera
     Quando tomou Lisboa, da mesma arte
     Do Germano ajudado Silves toma,
     E o bravo morador destroe e doma.

    89 -  Conquista de Tui
     "E se tantos troféus do Mahometa
     Alevantando vai, também do forte
     Lionês não consente estar quieta
     A terra, usada aos casos de Mavorte,
     Até que na cerviz seu jugo meta
     Da soberba Tui, que a mesma sorte
     Viu ter a muitas vilas suas vizinhas,
     Que, por armas, tu, Sancho, humildes tinhas.
 


D. Sancho I – O Povoador
http://observador.weblog.com.pt/
D. Sancho I nasceu em 11 de Novembro de 1154 pelo que, quando ascendeu ao trono, em 1185, com 29 anos de idade, já tinha uma razoável experiência de governo.
Por volta de 1189, aproveitando a passagem dos cruzados por Portugal, lança-se em direcção ao Sul e conquista a cidade de Silves, passando a intitular-se rei de Portugal e dos Algarves.
Durante o reinado de D. Sancho I ocorreram uma série de catástrofes naturais, surtos de fome e peste que provocaram muitas mortes e tumultos sociais. Estes acontecimentos, acrescidos da vontade do monarca em incentivar as populações a deslocarem-se para as cidades recém conquistadas justificam que o seu cognome seja ‘O Povoador’.
São de realçar a atribuição dos forais de Gouveia e da Covilhã (1186), de Viseu e Bragança no ano seguinte.
D. Sancho, sempre com o intuito de chamar colonos para as regiões mais desabitadas, fez importantes doações de terras às Ordens Militares que eram, lembremo-nos os Hospitalários, Calatrava, Templários e Santiago de Espada. Estas Ordens Militares tiveram um papel decisivo na defesa das incursões mouras.
Mantendo a tradição do pai, este rei entrou, entre 1202 e 1207, em litígio com os bispos de Coimbra e do Porto, devido à indefinição dos poderes temporais da Igreja. Em virtude da sua tomada de posição, D. Sancho foi excomungado pelo Papa Inocêncio III. Esta luta com Igreja vem, como se vê, desde os primórdios da nacionalidade e só vai terminar com a Concordata de 1940.
Com a sua morte em 1211, sucedeu-lhe o filho mais velho D. Afonso. De realçar que esta sucessão foi mais determinada pela vontade do rei do que pelo facto de D. Afonso ser o mais velho. Na época ainda não estava estabelecido ser o mais velho o herdeiro. Só com algum custo, D. Pedro e D. Fernando, os outros dois filhos de D. Sancho, se convenceram que não herdariam o trono.
Publicado por André Abrantes Amaral em Fevereiro 20, 2004 04:59 PM | TrackBack

D. SANCHO I - O POVOADOR  - (reinou de 1185 a 1211)
http://www.cunhasimoes.net/cp/Textos/Historia/LivHistoria03.htm
D. Sancho I foi chamado de "Povoador" em virtude de ter colocado habitantes em lugares onde não havia ninguém para os trabalhar e defender, e os árabes (mouros, muçulmanos, sarracenos) podiam ocupar.
Convidou muitos colonos estrangeiros para aqui se fixarem. Utilizou, tal como seu pai, os serviços da gente ligada à Igreja, para convencer as pessoas a viver em Portugal. Guilherme, Deão de Silves ( O Deão é um dignitário eclesiástico que preside ao cabido. O cabido é o conjunto de cónegos de uma catedral) foi por essa Europa fora arregimentar gente da França e da Flandres (zona da Bélgica e da Holanda) para povoar o país.
Embora pequeno, Portugal não tinha gente suficiente, nem para o defender, nem para o desenvolver. Aqui se misturaram povos de todas as raças, de todos os credos e de todos os sangues.
Ele soube concretizar o pensamento do pai e dos avós ao consolidar um país onde os povos se sentissem livres e seguros. Entregou parte das terras a colonos franceses e flamengos e às Ordens Militares (as Ordens Religiosas Militares: Templários, Santiago, Hospitalários, Calatrava, nunca combatiam contra os reis cristãos) que se tinham formado por causa das Cruzadas. Alguns dos monges guerreiros acabaram por se fixar no território devido às benesses concedidas pelo rei.
Em 1195 dá ao Castelo de Leiria, e ao seu termo, a categoria de município (a cidade tinha leis próprias).
No início do reinado, D. Sancho, tenta fixar as fronteiras até ao Algarve: conquista Alvor, Silves, Albufeira, mas os árabes contra atacaram, fazendo-lhe perder estas terras e ainda Alcácer, Palmela e Almada. A partir deste momento o rei compreendeu que valia mais um pássaro na mão do que dois a voar. Dedicou todo o cuidado a tornar estável o pequeno território e a deixá-lo crescer naturalmente.
D. Sancho I, apesar de utilizar os serviços da Igreja, teve contudo alguns conflitos com os bispos do Porto, de Coimbra e ainda com a Santa Sé devido ao pagamento do censo.
Em 1210, D. Sancho, isenta o clero do serviço militar, salvo em caso de invasão árabe.
D. Sancho I lutou com dificuldades de toda a espécie, desde a peste, tremores de terra, fome e guerras; mesmo assim deixou consolidado e rico o pedaço de terra que pouco ia além de Lisboa.
Foi no reinado de D. Sancho I que nasceu o taumaturgo Santo António de Lisboa (1195-1231).
A poesia dá os seus primeiros passos. D. Sancho I é um dos nossos primeiros trovadores.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal