Neste reinado
continuaram as reconquistas às terras perdidas para os mouros. D. Sancho
ll, empenhando-se vigorosamente na guerra contra os árabes, apoderou-se
em 1229 de Elvas e Juromenha; em 1232, de Moura e Serpa; em 1234 de
Aljustrel; Mértola, Cacela, Tavira e outras terras em 1238.
As violências praticadas por uma parte da nobreza contra o clero e o
povo, envolveram o Reino em desordens constantes. O rei, apesar de
enérgico na luta contra os mouros, mostrava-se irresoluto e incapaz de
reprimir, como era preciso, semelhantes abusos, que vinham enfraquecendo
a disciplina e o poder real.
Os prelados portugueses, aproveitando o descontentamento que, por isso,
lavrava em quase todo o Reino, queixaram-se ao Papa Inocêncio lV, que,
por bula firmada em Julho de 1245, depôs o monarca, entregando o governo
de Portugal a D. Afonso, irmão de D. Sancho ll.
O rei deposto tentou ainda opor-se às determinações do Papa e aos
partidários de seu irmão Afonso, mas, por fim, teve de desistir,
retirando-se para Toledo (Espanha), onde em 1248 veio a falecer e em
cuja catedral se encontram seus restos mortais.
Todavia, possuía o rei amigos verdadeiros, entre estes, contam-se Fernão
Rodrigues Pacheco e Martim de Freitas, que só entregou ao regente D.
Afonso as chaves do Castelo de Coimbra, de que era alcaide, depois de ir
a Toledo certificar-se da morte do rei. Fernão Rodrigues Pacheco,
alcaide-mor do castelo de Celorico nesta data, não quis entregar a praça
a D. Afonso III .
(Após a deposição de D. Sancho II (1209-1248) em 1245, sendo o governo
do reino confiado ao seu irmão, o infante D. Afonso, refugiou-se o
primeiro em Toledo, no reino de Castela. Reza a lenda que Martim de
Freitas, alcaide do Castelo de Coimbra, fiel a D. Sancho II, a quem
prestara menagem, recusou-se a entregar o castelo ao regente, mesmo
suportando um longo cerco, iniciado em 1246. Informado do falecimento do
soberano naquela cidade castelhana (Janeiro de 1248), pediu e obteve um
salvo conduto e foi, por seus próprios meios, certificar-se da notícia.
Lá chegando, aberto o caixão, depositou as chaves do castelo sobre o
cadáver do seu senhor, retirando-as em seguida para então as entregar ao
novo soberano, como seu legítimo senhor. (in: Rui de Pina.)
CANTO III
(...)
91 - Sancho II. Sua Deposição
"Morto depois Afonso, lhe sucede
Sancho segundo, manso e descuidado,
Que tanto em seus descuidos se desmede,
Que de outrem, quem mandava, era mandado.
De governar o Reino, que outro pede,
Por causa dos privados foi privado,
Porque, como por eles se regia,
Em todos os seus vícios consentia.
92
"Não era Sancho, não, tão desonesto
Como Nero, que um moço recebia
Por mulher, e depois horrendo incesto
Com a mãe Agripina cometia;
Nem tão cruel às gentes e molesto,
Que a cidade queimasse onde vivia,
Nem tão mau como foi Heliogabalo,
Nem como o mole Rei Sardanapalo.
93
"Nem era o povo seu tiranizado,
Como Sicília foi de seus tiranos;
Nem tinha como Fálaris achado
Género de tormentos inumanos;
Mas o Reino, de altivo e costumado
A senhores em tudo soberanos,
A Rei não obedece, nem consente,
Que não for mais que todos excelente
(...)
D. Sancho II (
(cognominado O Capelo)
http://topazio1950.blogs.sapo.pt/211523.html
Por haver usado um (capelo: capuz de frades) enquanto criança;
alternativamente, é também conhecido como O Pio ou O Piedoso), quarto
rei de Portugal, nasceu em Coimbra a 8 de Setembro 1209, faz hoje 797
anos, filho do rei Afonso II de Portugal e de sua rainha Urraca de
Castela. Sancho subiu ao trono em 1233 e foi sucedido pelo irmão Afonso
III em 1248 (embora tenha abdicado em 1247, só após a sua morte Afonso
se declarou rei).
Por altura da sua coroação, Portugal encontrava-se envolvido num sério
conflito diplomático com a Igreja Católica. O seu pai, o rei Afonso II,
havia sido excomungado pelo Papa Honório III, pelas suas tentativas de
reduzir o poder da Igreja dentro do país. Sancho II assinou um tratado
de 10 pontos com o Papa, mas não fez muita questão em passá-lo à
prática, dando mais atenção à Reconquista da Península Ibérica. Sancho
II conquistou várias cidades no Algarve e no Alentejo tendo, para tal,
muito contribuído a acção da Ordem de Santiago. Esta Ordem Militar
recebeu como pagamento dos serviços prestados diversas povoações, tais
como Aljustrel, Sesimbra, Aljafar de Pena, Mértola, Aiamonte e Tavira.
Sancho II provou ser um general capaz e eficiente, mas no campo
administrativo mostrou-se menos dotado. O rei manteve-se sobretudo
interessado pelo lado militar do seu reinado e assim abriu o flanco para
disputas internas e intrigas da nobreza. Com a situação da Igreja
bastante comprometida, o bispo do Porto Martinho Rodrigues fez uma
queixa formal ao Papa, que no século XIII detinha poder de colocar e
retirar coroas conforme os seus interesses. No concílio de Lyon (1245),
o Papa Inocêncio IV, através da bula Inter alia desiderabilia e Grandi
non emmerito' excomungou e depôs Sancho II, considerando-o um «rex
innutilis» (ou seja, que não sabia administrar a justiça no seu reino),
tendo ordenado aos Portugueses que escolhessem um novo rei para
substituir o herege.
Em 1246, o irmão mais novo de Sancho Afonso, então a viver em França
como Conde de Bolonha, foi convidado a ocupar o trono real. Numa
assembleia de prelados e nobres portugueses, reunida em Paris, D. Afonso
jurou que guardaria e faria guardar todos os privilégios, foros e
costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos
seculares do reino. Afonso abdicou imediatamente das suas terras
Francesas e marchou sobre Portugal. Apesar de não ter perdido nenhuma
das batalhas contra o seu irmão, a pressão da Santa Sé levou Sancho II a
abdicar em 1247 e a exilar-se em Toledo onde morreu a 4 de Janeiro de
1248. Julga-se que os seus restos mortais repousem na catedral de
Toledo.
Descendência
Sancho parece ter sido consorciado (segundo a historiografia
tradicional, nunca casado, dado não ter havido dispensa papal da
consanguinidade, pelo que o casamento seria sempre nulo) com uma nobre
biscainha, Mécia Lopes de Haro, da qual não gerou filho algum (de resto,
a historiografia esforçou-se por afirmar que o rei era inapto não apenas
para o exercício do governo, como também do ponto de vista físico,
dizendo ser impotente). Por não haver gerado filho legítimo algum que
lhe sucedesse, a coroa acabou necessariamente por recair num colateral -
neste caso seu irmão mais novo Afonso III.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal