D. Duarte
Não foi do Rei Duarte tão ditoso
O tempo que ficou na suma alteza,
Que assim vai alternando o tempo iroso
O bem co'o mal, o gosto coa tristeza.
Quem viu sempre um estado deleitoso?
Ou quem viu em fortuna haver firmeza?
Pois inda neste Reino e neste Rei
Não ousou ela tanto desta lei.
(Canto lV de Os Lusíadas - 51)
Neste reinado e
ainda sob a direcção do Infante D. Henrique, continuaram os
Descobrimentos.
Em 1434, Gil Eanes passou o Cabo Bojador e, em 1436, Afonso Gonçalves
Baldaia, descobriu o Rio do Ouro.
Algumas terras que faziam parte dos bens da Coroa, tinham sido doadas, o
que fez empobrecer o tesouro que, em dado momentos, se encontrou sem os
rendimentos necessários para fazer face às despesas públicas. Para
remediar este mal, foi por D. Duarte promulgada uma disposição que veio
regulamentar as heranças doados pelo rei. Chama-se-lhe Lei Mental,
porque D. João l já a trazia na mente e a aplicava, mesmo sem a ter
publicado.
A conquista de todas as praças do norte de África continuava a ser a
maior aspiração do Infante D. Henrique. Em 1437, por sua insistência e
de seu irmão D. Fernando, concordou o rei D. Duarte em que se
organizasse uma armada com o fim de conquistar Tânger. A expedição
partiu, mas os portugueses foram mal sucedidos. Para lá não terem de
ficar todos mortos ou prisioneiros, fizeram uma proposta ao inimigo,
segundo a qual entregariam Ceuta, se lhes fosse facilitado o reembarque
para Portugal. Os mouros aceitaram, mas exigiram como refém o Infante D.
Fernando.
Logo que os expedicionários regressaram ao Reino, foram convocadas Corte
em Leiria para tratar da libertação de D. Fernando. Como tais cortes
deliberassem rejeitar a entrega de Ceuta, os mouros fizeram então
transportar o dito infante para Fez, onde morreu em 1443, com o epíteto
de Infante Santo, pelos martírios o vexames sofridos durante o
cativeiro.
O reinado de D. Duarte foi muito curto, pois, durou apenas 5 anos e
alguns dias. Este rei faleceu em Tomar em 1438, vitimado por uma peste
terrível que, no seu reinado flagelou o País. Era muito ilustrado e
bondoso. Entre outras obras de merecimento, escreveu três livros
notáveis: Leal Conselheiro, Arte de Bem cavalgar todo a sela e Livro de
Misericórdia. Seus restos mortais encontram-se no mosteiro da Batalha.
Rainha D. Leonor de Aragão
(mulher de D. Duarte)
D. DUARTE - O ELOQUENTE - (reinou de 1433 a 1438)
http://www.cunhasimoes.net/cp/
As navegações continuaram sob o impulso do Infante. Gil Eanes, em 1434,
ultrapassa o Cabo Bojador (Sara Ocidental). O mesmo Gil Eanes e Afonso
Baldaia atingem o Rio do Ouro e a Pedra da Gata (mais a sul do Cabo).
Foi breve e pouco feliz o reinado deste homem culto. Preocupado com o
estudo e o ensino do bem, escreveu o "Leal Conselheiro" e a "Ensinança
de Cavalgar Toda a Sela" (foi o primeiro, que no mundo, escreveu sobre
equitação). Teve o azar de, no seu reinado, a peste, de que havia de
morrer, se espalhar por quase todo o território, daí resultou fome e
miséria.
D. Duarte quis obviar esta situação fazendo publicar "A Lei Mental".
Deu-lhe este nome porque o pai já a trazia em mente e algumas vezes a
aplicou. Destinava-se a corrigir a generosidade com que D. João I
recompensara os serviços dos fidalgos, que auxiliaram a sua causa na
guerra contra Castela. D. Duarte mandou regressar à coroa todos os bens
doados na falta de herdeiro varão.
D. João I tinha sido um mãos largas para aqueles que o ajudaram a
conquistar o trono. A D. Nuno Álvares Pereira deu quase metade de
Portugal. Quando viu que a sua liberalidade tinha sido um exagero e que
assim não conseguiria governar o país, pensou como devia corrigir a
situação. É daqui que vem o nome ao diploma.
Com Nuno Álvares Pereira, o rei usou de um estratagema para fazer
regressar as terras à coroa, sem melindrar o Condestável; fez casar o
seu filho bastardo D. Afonso, 3º conde de Barcelos, com D. Beatriz,
filha única de Nuno Álvares. Ficou criada a poderosa Casa de Bragança,
mas com fortes ligações à coroa.
D. Duarte, rei previdente e culto, teve a sensibilidade de convidar
Fernão Lopes (1380-1459) para guarda das escrituras régias e
cronista-mor do Reino. Fernão Lopes escreveu as crónicas (narrações
históricas) de D. Pedro I, D. Fernando I e D. João I, que são
verdadeiros monumentos históricos de verdade, objectividade e isenção.
O final do curto e triste reinado de D. Duarte termina pouco tempo
depois do desastre de Tânger. Os portugueses, além da Expansão marítima,
começaram a pensar em se estender pelo Norte de África a fim de evitar
os constantes ataques dos mouros daquelas paragens. Uma das praças que
pensaram conquistar foi Tânger. A expedição não teve sucesso. Foram
derrotados e a maioria feita prisioneira. Aqui ficou cativo D. Fernando,
irmão do rei, que os mouros pretenderam trocar pela praça de Ceuta. As
Cortes não o permitiram e D. Fernando morreu no cativeiro com o epíteto
de santo, pelos martírios que aí passou. D. Duarte não resistiu à dor e
a peste tomou conta dele.