HISTÓRIA de P O R T U G A L

(Resumo)

 

 

 

2ª Dinastia

Chamada de:  Joanina ou de Avis

 

 

 

(Bandeira Real) 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 

 

D. Manuel l – (O Venturoso)

Reinou de 1495 a 1521

 

 

 

 

(1495-1521)

Rei de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor da Guiné e do Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia
 

D. João ll faleceu sem deixar descendentes directos. Morrera de desastre o único filho que tinha, por ter caído dum cavalo na Ribeira de Santarém, em 1491. Por esta razão, sucedeu-lhe no trono, como parente mais próximo, D. Manuel, duque de Beja, que era primo e cunhado de D. João ll.
Em 1496, mandou D. Manuel l expulsar do Reino todos os judeus e mouros que se não quisessem converter ao cristianismo. Os que ficaram, por terem abraçado a cristianismo, chamavam-se cristãos-novos. Esta medida desagradou a uns e agradou a outros, contentando em especial sua esposa, a princesa D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha.
Em 1505, deu-se na Igreja de São Domingos, em Lisboa, um tumulto popular contra os cristãos-novos (matança dos cristãos-novos), tendo morrido milhares deles. D. Manuel l protegeu então os perseguidos e dissolveu a Casa dos Vinte e Quatro, criada por D. João l, à qual atribuiu as responsabilidades desse motim sangrento. Os judeus e mouros habitavam bairros especiais, respectivamente, pelos nome de Judiarias e Mourarias.
D. Manuel l prosseguiu na senda dos Descobrimentos.
A frota, já preparada por D. João ll para a grande Viagem à Índia, Encontrava-se então reunida na praia do Restelo (Belém – Lisboa). Compunha-se de 3 naus (S. Gabriel, São Rafael e Bérrio) e uma barcaça de mantimentos, levando todas, aproximadamente, uma tripulação de 170 homens. Era seu almirante Vasco da Gama, e piloto, da nau da capitania, Pêro de Alenquer. Assim constituída, e depois de desfraldadas as velas, em que se via a Cruz de Cristo, a armada partiu de Belém com destino à Índia, no dia 8 de Julho de 1497. A 22 de Novembro, dobrava o Cabo da Boa Esperança, a 15 de Abril de 1498 aportava em Melinde, e a 20 de Maio do mesmo ano chegava finalmente a Calecute (Índia), depois de ter visitado toda a costa oriental da África. Estava descoberto, por mar, o Caminho do Oriente.
 


Os Lusíadas - Canto V

    1 -  Parte de Belém a expedição do Gama
     "Estas sentenças tais o velho honrado
     Vociferando estava, quando abrimos
     As asas ao sereno e sossegado
     Vento, e do porto amado nos partimos.
     E, como é já no mar costume usado,
     A vela desfraldando, o céu ferimos,
     Dizendo: "Boa viagem", logo o vento
     Nos troncos fez o usado movimento.


    2
     "Entrava neste tempo o eterno lume
     No animal Nemeio truculento,
     E o mundo, que com tempo se consume,
     Na sexta idade andava enfermo e lento:
     Nela vê, como tinha por costume,
     Cursos do sol catorze vezes cento,
     Com mais noventa e sete, em que corria,
     Quando no mar a armada se estendia.


    3
     "Já a vista pouco e pouco se desterra
     Daqueles pátrios montes que ficavam;
     Ficava o caro Tejo, e a fresca serra
     De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
     Ficava-nos também na amada terra
     O coração, que as mágoas lá deixavam;
     E já depois que toda se escondeu,
     Não vimos mais enfim que mar e céu.


    4 - Em alto mar
     "Assim fomos abrindo aqueles mares,
     Que geração alguma não abriu,
     As novas ilhas vendo e os novos ares,
     Que o generoso Henrique descobriu;
     De Mauritânia os montes e lugares,
     Terra que Anteu num tempo possuiu,
     Deixando à mão esquerda; que à direita
     Não há certeza doutra, mas suspeita.

Os Lusíadas - Canto VII

 1 - Chegada da frota à Índia
     Já se viam chegados junto à terra,
     Que desejada já de tantos fora,
     Que entre as correntes Indicas se encerra,
     E o Ganges, que no céu terreno mora.
     Ora, sus, gente forte, que na guerra
     Quereis levar a palma vencedora,
     Já sois chegados, já tendes diante
     A terra de riquezas abundante.


    2 - Elogio a Portugal
     A vós, ó geração de Luso, digo,
     Que tão pequena parte sois no inundo;
     Não digo ainda no mundo, mas no amigo
     Curral de quem governa o céu rotundo;
     Vós, a quem não somente algum perigo
     Estorva conquistar o povo imundo,
     Mas nem cobiça, ou pouca obediência
     Da Madre, que nos céus está em essência;


    3
     Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
     Que o fraco poder vosso não pesais;
     Vós, que à custa de vossas várias mortes
     A lei da vida eterna dilatais:
     Assim do céu deitadas são as sortes,
     Que vós, por muito poucos que sejais,
     Muito façais na santa Cristandade:
     Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!



No ano de 1500, larga do Restelo uma frota comandada por Pedro Álvares Cabral que, seguindo para o lado ocidental do Atlântico, descobriu Vera Cruz, mais tarde chamada Brasil.
 


Em 1501, Gaspar Corte Real encontrou a ilha da Terra Nova; e em 1502, João da Nova descobriu as ilhas de Ascensão e de Santa Helena.
Em 1519, um navegador português, chamado Fernão de Magalhães, empreendeu, ao serviço de Carlos V, rei de Espanha, a 1ª viagem à volta da Terra. Esta empresa foi depois concluída pelo seu companheiro Sebastião del Cano, em 1522, em virtude daquele célebre marinheiro ter morrido numa das ilhas Filipinas, em combate com os indígenas.
A grandeza e fama de Portugal eram então celebradas por todo o Mundo. Nem tudo estava, porém, concluído. A cruzada começada pelo Infante D. Henrique ia entrar na sua fase decisiva, sob os auspícios de D. Manuel l: ÍNDIA.
D. Francisco de Almeida, 1º vice-rei da Índia, conquistou, na costa oriental da África, Mombaça e Quiloa, em 1505; fundou, no oriente, as fortalezas de Cananor, Angediva e Cochim; e, perto de Dio, desbaratou uma poderosa armada egípcia.
Afonso de Albuquerque, 2º vice-rei, guerreiro invencível e conquistador, tomou Ormuz, Goa e Malaca, de 1507 a 1511.
Em África oriental, foram ainda conquistadas várias fortalezas, como: a de Safim, por Diogo de Azambuja, e as de Azamor, Tete e Almedina, por D. Jaime, duque de Bragança.
Depois de descoberto o Caminho Marítimo para a Índia e de assegurado tão grande império, que se dilatava pelos confins de África, Ásia, América e Oceânia, D. Manuel l tomou o pomposo título de Rei de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém Mar, em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.
No reinado de D. Manuel l, foram construídos os seguintes monumentos:

Mosteiro dos Jerônimos e Torre de Belém,

em Lisboa; Capelas Incompletas, no Mosteiro da Batalha; Castelo da Pena, em Sintra; Convento de Cristo, em Tomar.
O Mosteiro dos Jerónimos, erigido em comemoração da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, é uma obra colossal e magnificente. Foi construído pelos arquitectos, Boitaca e João de Castilho. Neles se encontram os restos mortais, entre outros de D. Manuel l e de Camões.
 


Rainha D. Maria Aragão e Castela e Rainha D. Leonor de Áustria
(casadas do D. Manuel)

 

D. Manuel lº 
Cognome histórico: o "VENTUROSO" Reinou de 1495 a 1521 O décimo quarto rei de Portugal nasceu em 1469 em Alcochete (província do Ribatejo). Era filho de D. Fernando, Duque de Viseu e de sua mulher, a infanta D. Beatriz, e irmão do Duque de Viseu, que o seu antecessor, D. João ll o "Príncipe Perfeito", matara. Tendo este falecido sem descendente directo, pois seu único filho, o príncipe D. Afonso morrera num desastre perto de Santarém, sucedeu-lhe D. Manuel, que casou em primeiras núpcias com D. Isabel, filha dos reis de Espanha (os católicos) e viúva do falecido príncipe D. Afonso. Esta princesa que recebera uma educação fanaticamente católica, impôs como condição de casamento, que fossem expulsos de Portugal os Judeus e os Mouros, o que obrigou muitos daqueles a converterem-se ao catolicismo, ficando a chamar-se "Cristãos Novos". Durante este reinado, foram muitos e gloriosos os feitos dos navegadores portugueses, e daí o cognome de o "Venturoso", atribuído a D. Manuel l.
Em 1498, D. Vasco da Gama aporta Calicute (Índia), tendo descoberto o caminho marítimo para a Índia. Em 1500, D. Pedro Álvares Cabral descobre terras de Santa Cruz (Brasil) e Gaspar Corte Real, a Terra Nova (Canadá).
Na Índia, D. Francisco de Almeida, Duarte Pacheco e sobretudo Afonso de Albuquerque, consolidam o território de denominação portuguesa. Todas as riquezas do Oriente afluem a Lisboa, cujo porto de mar, demandam navios de muitas nações. D. Manuel l deslumbrou a Europa com o esplendor da sua Corte, onde brilhavam Gil Vicente (o grande impulsionador do teatro em Portugal) e Bernardino Ribeiro. Começaram a ser construídos o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, o Convento de Tomar. Mas esta prosperidade é mais aparente do que real, porque o povo continuava pobre e carregado de impostos. Da opulência seguiu-se rapidamente a decadência ... D. Manuel l jaz no Mosteiro dos Jerónimos (Belém - Lisboa).
 


66 -  D. Manuel - (Canto lV de Os Lusíadas)
     "Parece que guardava o claro Céu
     A Manuel, e seus merecimentos,
     Esta empresa tão árdua, que o moveu
     A subidos e ilustres movimentos:
     Manuel, que a Joane sucedeu
     No Reino e nos altivos pensamentos,
     Logo, corno tornou do Reino o cargo,
     Tomou mais a conquista do mar largo.


    67 -  O sonho de D. Manuel
     "O qual, como do nobre pensamento
     Daquela obrigação, que lhe ficara
     De seus antepassados, (cujo intento
     Foi sempre acrescentar a terra cara)
     Não deixasse de ser um só momento
     Conquistado: no tempo que a luz clara
     Foge, e as estrelas nítidas, que saem,
     A repouso convidam quando caem,


    68
     "Estando já deitado no áureo leito,
     Onde imaginações mais certas são?
     Revolvendo continuo no conceito
     Seu ofício e sangue a obrigação,
     Os olhos lhe ocupou o sono aceito,
     Sem lhe desocupar o coração;
     Porque, tanto que lasso se adormece,
     Morfeu em várias formas lhe aparece.


    69 -  Os rios Indo e Gange
     "Aqui se lhe apresenta que subia
     Tão alto, que tocava a prima Esfera,
     Donde diante vários mundos via,
     Nações de muita gente estranha e fera;
     E lá bem junto donde nasce o dia,
     Depois que os olhos longos estendera,
     Viu de antigos, longínquos e altos montes
     Nascerem duas claras e altas fontes.


    70
     "Aves agrestes, feras e alimárias,
     Pelo monte selvático habitavam;
     Mil árvores silvestres e ervas várias
     O passo e o tracto às gentes atalhavam.
     Estas duras montanhas, adversárias
     De mais conversação, por si mostravam
     Que, desde que Adão pecou aos nossos anos,
     Não as romperam nunca pés humanos.



D. Manuel I
Décimo quarto rei de Portugal, nono filho do infante D. Fernando e de D. Brites.
Filho adoptivo do príncipe D. João II, a quem votava afeição filial, foi feito, à morte do seu irmão D. Diogo, duque de Beja, senhor de Viseu, Covilhã e Vila Viçosa, governador do mestrado de Cristo, condestável do reino, e fronteiro‑mor de Entre-Tejo e Guadiana. O acidente que vitimou o herdeiro do trono (D. Afonso) conduziu a que fosse aclamado rei em Alcácer do Sal (27 de Outubro de 1495). Realizou três casamentos, o primeiro em 1497 com D. Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500 com a infanta D. Maria de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor, irmã de Carlos V.
Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. Recebeu o governo exactamente no momento em que a Nação se preparava para alcançar a mais elevada projecção. Os vinte e seis anos do seu reinado conheceram grande actividade nos domínios da política interna, da política ultramarina e da política externa.
1) O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e o seu governo tendeu abertamente para o absolutismo. Com efeito reuniu cortes logo quando subiu ao trono, em Montemor-o-Novo e só mais três vezes, em 1498, 1499 e 1502, e sempre em Lisboa, o que é significativo. Nas cortes de Montemor-o-Novo, toma medidas no sentido duma centralização mais profunda de toda a administração pública: mandou confirmar todos os privilégios, liberdades e cartas de mercê, pelos principais letrados do reino que elegeu, reforma os tribunais superiores e toma uma política de tolerância em relação aos nobres emigrados por razões políticas e judeus castelhanos que D. João II reduzira à escravatura. Pelo decreto de 1496 obriga todos os judeus que não se quisessem baptizar a abandonar o país no prazo de dez meses, sob pena de confisco e morte. Pela lei de 4 de Maio de 1497, proibiu que se indagasse das crenças dos novos convertidos e, por alvará de 1499, dificulta a saída do reino aos conversos. O objectivo era agradar aos Reis Católicos e ao mesmo tempo, evitar que os judeus continuassem a ser um todo independente dentro do reino. Pelas Ordenações Afonsinas, deixa de reconhecer individualidade jurídica aos Judeus; faz a reforma dos forais, com o fito económico de actualizar os encargos tributários e para eliminar a vida local; em 1502 saiu o regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares (Livro dos Ofícios); em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512 saiu o novo regimento de sisas. Por outro lado com D. Manuel inaugura-se o Estado burocrático e mercantilista, mandando cunhar índios, o português ou escudo de prata.
2) D. Manuel herdou o impulso dos descobrimentos. Partiu para a índia (8‑7‑1497) a armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut em 20‑5‑1498. Em 1500 uma armada comandada por Pedro Álvares Cabral, com o objectivo da Índia, rumou intencionalmente (opinião actual) para sudoeste, atingindo a Terra de Santa Cruz. D. Francisco de Almeida é nomeado vice-rei da índia, com o plano de manter o monopólio da navegação e do comércio para Portugal, tendo em terra pontos de apoio, para a carga da pimenta e reparação dos barcos. Lançou as bases do futuro «Império», que será obra de Afonso de Albuquerque. Apesar do comércio da pimenta a administração vivia em pleno défice (dinheiro gasto superfluamente ou em compra de produtos manufacturados e alimentares). Afonso de Albuquerque cria novas fontes de receita, pela conquista de territórios da índia que pagavam impostos.
3) Soube D. Manuel em matéria de política externa, usar de grande habilidade e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o atraso do ensino universitário, mandando promover a reforma da universidade, estabelecendo entre 1500 e 1504 novos planos de estudo e uma nova administração escolar.
Fontes:
Joel Serrão -  Pequeno Dicionário de História de Portugal, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume III: O Século de Ouro (1495-1580), Lisboa, Verbo, 1978.

 

Vasco da Gama
 

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Vasco da Gama é uma das figuras mais relevantes da história de Portugal e um dos grandes vultos da história europeia no início dos tempos modernos.
Nenhuma terra portuguesa ficou tão ligada a Vasco da Gama como Sines da mesma forma como Vasco da Gama não se ligou a nenhuma outra terra como a Sines. Ele tinha Sines na alma. Toda a vida, Vasco da Gama teve um sonho: ser conde de Sines. Acaba por não chegar a realizar esse sonho mas isso indica-nos que Sines era uma terra que deveria conhecer desde a infância. O alcaide do castelo de Sines era pai de Vasco da Gama e este terá nascido provavelmente no próprio castelo. Apesar de não haver nenhum documento que relate o seu nascimento (uma vez que na época não era dado qualquer relevo ao nascimento das pessoas) as probabilidades do nascimento se ter verificado no castelo são muito elevadas. Conhecem-se perfeitamente as circunstâncias da morte de Vasco da Gama mas quanto ao nascimento não há dados fiáveis. Mesmo quanto à sua data de nascimento não existe nenhum documento ou qualquer indício que possa dar uma forte evidência de uma data. Sabe-se apenas que nasceu entre 1465 e 1475 e que era filho de Estêvão da Gama, o alcaide do castelo de Sines, e era o segundo filho, tendo um irmão mais velho chamado Paulo da Gama.
Um dos problemas curiosos que os historiadores tiveram que resolver era o porquê de ser o irmão mais novo a comandar a expedição que descobriu o caminho marítimo para a Índia, sendo que, naquela época, era norma que fosse o filho varão a assumir as maiores responsabilidades e continuar as tarefas e negócios familiares. A hipótese do Prof. José Hermano Saraiva é de que Vasco da Gama seria o irmão mais forte, mais vigoroso e com maior resistência física. Paulo da Gama, ao que tudo indica não seria uma pessoa particularmente resistente, tendo sido sempre de saúde frágil. Talvez por isso, D. Manuel tenha confiado o comando da armada ao irmão mais novo, ou, mais provavelmente, aos dois irmãos. No entanto, seria Vasco da Gama a impor-se como o mais enérgico e capaz de suportar fisicamente a empresa. Aliás, o irmão mais velho acabará mesmo por morrer na viagem de regresso da Índia. É assim, compreensível que Vasco da Gama tenha ficado conhecido como o único comandante da viagem à Índia.
Em Sines, é já tradição há muito tempo que Vasco da Gama tenha de facto nascido no castelo da vila. O castelo foi construído no reinado de D. Pedro I por alturas da morte de Inês de Castro (v. Crónicas de Fernão Lopes), tendo uma arquitectura simples que indica funções quase exclusivamente militares. Sem dúvida que, sendo Vasco da Gama filho do alcaide do castelo terá andado no castelo e nas zonas circundantes. Foi também neste castelo que se fez uma exposição, em 1998, sobre Vasco da Gama: a exposição "Vasco da Gama e a sua época". A exposição tinha um núcleo no castelo e outro na igreja das Salvas, uma igreja mandada reconstruir pelo próprio Vasco da Gama quando já era vice-rei da Índia.
Estêvão da Gama era um homem forte e corajoso e da confiança do rei D. João II. Apesar de se saber que a família Gama teria prestado grandes e muitos serviços à coroa apenas há registos de um pois era aquele que era mais contado e que chegou até aos nossos dias. Numa determinada altura D. João II teve necessidade de um agente seu numa cidade do Norte de África que desejava conquistar. Terá então enviado Estêvão da Gama que fez a viagem miseravelmente vestido de vendedor de figos secos. Como vendedor de figos secos foi fácil a Estêvão da Gama circular com a sua canasta de figos pelas ruas e praças da cidade em que o rei estava interessado e conseguir assim as informações geográficas - físicas e humanas - que tanto interessavam ao monarca português.
Este episódio serve também para mostrar que a lenda de que Vasco da Gama seria descendente de uma família fidalga não passa de lenda popular. Nenhum monarca da altura encarregaria um monarca de fazer um serviço como este que vimos. Seria contra a mentalidade da época. Para mais, é sabido que el-rei D. João II tinha vários servidores talentosos recrutados entre pessoas de classes sociais ditas humildes e que não estaria apenas dependente dos seus conhecimentos junto do clero e nobreza. D. João II podia assim requisitar qualquer serviço, por muito estranho e invulgar que fosse sem que lhe fossem colocadas questões ou sem necessitar de fazer perigar a sua posição política. Este monarca, aliás, costumava dizer que os países são como o mar tendo muitas espécies de peixes diferentes: o salmonete que é muito bom mas muito caro, faz-se pagar e é difícil de apagar e a sardinha que existe em abundância, é saborosa e não custa quase nada. E D. João II usualmente concluía "eu sou pela sardinha" querendo significar com isto que procurava apoio nas classes populares sempre que o podia fazer. E, de facto, no seu reinado conseguiu todo o apoio político das classes populares.
Era frequente servir-se de agentes como Estêvão da Gama, decididos, corajosos, capazes de correr quaisquer perigos necessários. Era por serviços como o descrito acima que Estêvão da Gama era alcaide do castelo. De notar também que o castelo não dependia do rei mas sim da Ordem de Santiago. A sede da Ordem de Santiago era no castelo de Palmela uma vez que era aí que estava o mestre da Ordem, D. Jorge (filho do rei D. João II). Assim, D. Manuel poderia gostar muito de Vasco da Gama, mas Sines não pertencia ao rei D. Manuel pertencia a D. Jorge filho do rei D. João II, o monarca da altura de Estêvão da Gama. D. Jorge era o homem que o rei D. João II quis que fosse rei. Acaba por não o ser pois em Roma estava o cardeal Alpedrinha e o cardeal D. Jorge da Costa inimigos do rei D. João II que conseguiram dispor as coisas de forma a que a Santa Sé nunca reconhecesse que D. Jorge era filho do rei D. João (mesmo apesar de D. João o ter criado como seu filho e como sucessor da coroa portuguesa). Como Roma não o legitimou D. Jorge não pôde herdar o trono e em vez de ser o filho de D. João II a herdar acabou por ser o primo D. Manuel.
Estes factos não viriam a perturbar a condução dos assuntos de Estado nem sequer a causar qualquer perturbação familiar entre os dois primos (D. Jorge e D. Manuel) uma vez que D. Manuel sempre tratou dos assuntos de seu primo com todo o cuidado. Foi por isso que D. Manuel não se conseguiu impor enquanto monarca quando quis dar a vila de Sines a Vasco da Gama por serviços prestados: seu primo, que era a cabeça da Ordem detentora da vila não concordou. D. Manuel não teve a coragem e não quis passar por cima da autoridade do filho do anterior rei. Foi preciso que Vasco da Gama esperasse 20 anos até ser conde em 1518. A promessa de que seria feito conde ocorreu logo após a descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498. E, mesmo após esse tempo acaba não por ser conde de Sines mas antes da Vidigueira e Vila de Frades. É após a compra destas duas localidades por Vasco da Gama e após ter sido feito conde que Vasco da Gama se passa a auto-intitular Almirante-conde e passa a rodear-se de um fausto quase real.
Vasco da Gama entrou na história por ter sido o comandante da expedição que descobriu o caminho marítimo directo desde Lisboa até à Índia. Na altura da descoberta já todos os países europeus conheciam a Índia e sabiam onde ficava. A Índia abastecia a Europa de especiarias que eram uma mercadoria preciosa devido ao seu uso na alimentação (conservação e uso culinário), medicina, farmácia, fabrico de colas, de tintas e perfumes. O mecanismo de conseguir as especiarias era algo complexo e passava por vários intermediários o que as tornava um produto particularmente caro e difícil de obter. Normalmente eram mercadores árabes que da Índia as traziam até à região do Médio Oriente e do Mediterrâneo Oriental. Quem fazia a distribuição para a Europa Ocidental eram normalmente as cidades italianas tradicionalmente ocupadas no comércio com o oriente.
Daí que, desde há muito tempo que a generalidade dos países da Europa Ocidental procurassem encontrar uma forma de achar o caminho marítimo para o oriente. É isso que leva Cristóvão Colombo a propor ao rei de Portugal, D. João II, uma tentativa de descoberta da Índia mas através de uma circum-navegação (navegando sempre para Ocidente em linha recta até chegar ao oriente ao invés de tentar navegar para Oriente). D. João II tinha muitas dúvidas acerca da eficácia da tentativa de Cristóvão Colombo. Se bem que os argumentos de Colombo pudessem ter colhido simpatias junto do rei português, este estava interessado numa viagem que efectivamente lhe trouxesse o resultado seguro da descoberta do caminho para a Índia e não havia nenhuma certeza de que Colombo não fosse encontrar obstáculos demasiado grandes pelo caminho. Colombo haveria de encontrar um obstáculo que julgou ser a Índia de início: a América.
De qualquer forma D. João II não cede e não ordena a expedição de Colombo acabando por ser os reis católicos mais tarde a fazê-lo. É sim, D. Manuel que ordena aos irmãos Gama que preparem a expedição. Vasco da Gama embarca então como comandante numa expedição cujo primeiro objectivo era descobrir se, navegando para Oriente, seria possível chegar à Índia. A expedição sai com duas naus feitas de propósito p aquela expedição (S. Gabriel e S. Rafael) uma caravela chamada Perreo e há alguns historiadores q defendem a inclusão de um quarto navio, um velho navio carregado de abastecimentos. A expedição sai de Lisboa em 8 de Julho de 1497 com cerca de 150 homens, do local onde hoje estão os Jerónimos. Daí que, ainda hoje, o dia 8 de Julho seja o dia da Marinha em Portugal. A viagem durou dois anos. Chegaram a Calecute em 28 de Maio de 1498 onde encontraram dificuldades em conseguir acordos comerciais com o Samorim de Calecute. Regressam depois a Portugal numa viagem dramática. A viagem de regresso enfrentou ventos contrários (só p atravessar o Índico levaram mais de três meses), todos os dias morriam marinheiros vítimas de escorbuto. Quando chegaram a Lisboa em finais de Agosto de 1499, já só eram 30 dos 150 que tinham partido.
Apesar das dificuldades Portugal ficou, com aquela viagem, com uma importante posição no comércio das especiarias e com a descoberta mais decisiva da passagem da Idade Média para a Idade Moderna: a ligação marítima entre ocidente e oriente. Havia também uma questão mais pessoal. Colombo tinha sido nomeado pelos reis católicos almirante-mor do mar das Índias (apesar de não ter descoberto o caminho para a Índia) e existia alguma picardia entre os monarcas espanhóis e o português por esse facto. Quando a expedição portuguesa chega a Lisboa, D. Manuel nomeia imediatamente Vasco da Gama almirante-mor das Índias para mostrar que, afinal, o caminho para a Índia tinha sido descoberta por ele e não por Colombo. D. Manuel foi generoso com Vasco da Gama e, em pouco tempo, fez dele um homem rico.
Mas depois desta expedição Vasco da Gama volta ainda a prestar grandes serviços ao rei. Para a armada seguinte, cerca de 1500, já é nomeado comandante um fidalgo. Na primeira viagem, o desconhecido e as hipóteses de se perder totalmente a armada levaram a que se nomeasse Vasco da Gama, na altura um mero escudeiro. Desta feita, o elemento desconhecido era mais reduzido, as hipóteses de sucesso eram maiores e então o monarca nomeia Pedro Álvares Cabral comandante da expedição. Como se sabe foi esta expedição que descobriu o Brasil. Mas esta expedição foi mal sucedida: os portugueses que foram deixados na Índia acabam chacinados devido a intrigas entre mercadores. Ao que parece a rivalidade com os mercadores muçulmanos teria acabado num banho de sangue tendo sido os portugueses todos mortos. Isto faz com que a coroa perceba que não poderá fazer concorrência comercial no oriente sem considerar o aspecto militar.
Assim, D. Manuel volta a chamar Vasco da Gama e, desta feita, fornece-lhe uma armada com 20 navios com cerca de 3.000 homens, muita artilharia e encarrega-o de voltar à Índia vingar a chacina dos portugueses, tomar e defender a feitoria onde os portugueses se tinham instalado. Vasco da Gama regressa à Índia em 1502 tendo resolvido a questão com uma ferocidade que em pouco tempo o terror estava espalhado na região pois o rasto de sangue deixado pela expedição teria sido muito grande. Ao mesmo tempo que espalha o terror deixa afirmado o poder da coroa portuguesa do séc. XVI conseguido com isso obter benefícios económicos importantes. Durante muito tempo hindus e muçulmanos não molestam mais qualquer português.
Após essa expedição volta para Sines. Estava a construir uma casa apalaçada quando o mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge, protestou contra a construção da casa devido a não ter dado permissão para novas edificações num região controlada por si. O rei D. Manuel é obrigado a enviar uma carta a Vasco da Gama onde lhe dá 30 dias para abandonar a vila de Sines levando a família e proibindo-o de regressar à vila. Ao que se sabe isto terá desgostado bastante Vasco da Gama, ao ponto de o fazer desejar abandonar o país. Envia um pedido ao rei onde pede permissão para ir servir o país noutras terras. Mas o pedido é recusado.
Mais tarde os serviços de Vasco da Gama voltam a ser necessários. Desta feita não se tratava de reforçar a posição portuguesa militarmente ou de criar as condições de segurança para a presença portuguesa na Índia. Acontece que a presença portuguesa na Índia se tinha desleixado permitindo um aumento da corrupção, preguiça, desrespeito pelas ordens e interesses da coroa... Nesta altura, 1524, Vasco da Gama não é já um homem novo tendo já passado dos cinquenta anos. Com a sua idade e o desgaste de uma vida ao serviço da coroa sempre em missões difíceis ao fim de três meses de chegar à Índia morre devido ao esforço, à violência de mais uma viagem e do trabalho que encontrou pela frente. Ele tenta, em três meses acabar com alguns anos de desorganização.
Apesar de ser considerado um herói nacional, Vasco da Gama é uma figura não muito celebrada em Portugal. Em todo o país há pouquíssimas estátuas desta personagem. A localidade onde se sente mais a sua presença continua a ser Sines.
 

Pedro Álvares Cabral


Descobridor do Brasil, nasceu em Belmonte, entre 1460 e 1470, filho de Fernão Cabral e de D. Isabel Gouveia. Foi moço fidalgo de D. João II, que o agraciou com uma tençrque.
Em 1500, após o retorno de Vasco da Gama, Cabral foi designado pelo Rei D. Manuel I para comandar 13 naus, tripuladas por cerca de 1500 homens, em missão diplomática ao Oriente, onde deveria estabelecer um pacto de amizade com o Samorim de Calecut.
A partida deu-se a 8 de Março de 1500 e, a22 de Abril do mesmo ano, após uma breve escala nas Canárias, é avistada a costa brasileira, da qual já havia sinais desde a véspera: era a zona do Monte Pascoal, e a esquadra lança ferro junto da foz do actual Rio Cahy; haviam sido percorridos, desde a largada de Lisboa, cerca de 6500 km. Nos dias que se seguem a esquadra muda de ancoradouro, indo fundear mais a Norte, numa Baía que os portugueses denominaram Porto Seguro; aí se vão estabelecer boas relações com os índios locais, e ergue-se uma cruz de madeira, símbolo da Cristandade que os portugueses viriam a levar aos quatro cantos do Globo, junto do Rio Mutary. Entretanto, logo após a chegada da Armada à Terra de Santa Cruz, nome inicialmente dado ao Brasil, Pedro Álvares Cabral envia a nau comandada por Gaspar Lemos com as boas novas rumo a Portugal.
A 2 de Abril, dez dias volvidos da sua chegada ao Brasil, a esquadra parte para Calecut; uma vez aí chegado, logo Pedro Álvares Cabral envida esforços no sentido de concluir os laços de amizade previstos. Mas, se de início tudo pareça correr bem, logo se levantaram intrigas entre os indígenas; estes, atacaram de surpresa a feitoria que Cabral havia já estabelecido, chacinando quase todos os portugueses que aí se encontravam; como represália Pedro Álvares Cabral ordena o bombardeamento da cidade e lança fogo aos navios muçulmanos. Após este incidente, a expedição segue para Cochim, onde é embarcada rica mercadoria exótica, com a qual Pedro Álvares Cabral retorna a Lisboa.
Em 1502, o Rei faz menção de o enviar no comando de nova Armada ao Oriente, mas Pedro Álvares Cabral escusa-se a tal missão, preferindo retirar-se para a tranquilidade das suas propriedades de Santarém, onde vem falecer cerca de 1502, jazendo o seu corpo na Igreja da Graça, sita na referida cidade.

Desempenho de D. Francisco de Almeida como Vice-Rei da Índia
http://www2.crb.ucp.pt/historia/abced%C3%A1rio/Francisco%20Almeida.htm
D. Francisco de Almeida, empossado do cargo de Vice-Rei da Índia, parte de Lisboa a 25 de Março de 1505.
A sua frota ia munida de um forte dispositivo bélico, porque já estava interiorizado que, só pela guerra, poderiam assegurar a posição das feitorias já estabelecidas e a expansão a novos pontos nevrálgicos. Para melhor assegurar o sucesso da missão de que tinha sido incumbido, D. Francisco de Almeida começou a sua acção na costa oriental africana.
D. Manuel, no regimento que entregara a Francisco de Almeida, determinava que capturasse e fortificasse Sofala e Quíloa e que construísse uma fortaleza na ilha de Anjediva. No ano seguinte, o monarca viria a acrescentar que os territórios de Ceilão e Malaca deveriam ser atacados e que o trânsito no mar Vermelho deveria ser bloqueado, a fim de impedir o avanço muçulmano. O monarca português colocava em primeiro plano o bom entendimento com os soberanos locais, mas em caso de necessidade, usar a força era imperioso.
D. Manuel refere no regimento, que quer a “paz e amizade” e que aceita os costumes e religiões dos outros povos, só quebrando o bom entendimento quando não eram cumpridos os acordos. Este sentimento era bem claro como demonstra Russel-Wood, “Em Sofala o rei ordenou que tomasse a cidade de preferência sem luta, mas  com esta dissimulação”.
Cumprindo o estabelecido no regimento, D. Francisco começa por empreender o plano traçado para a costa oriental de África. Fazendo amizade com o rei de Sofala e edificando uma fortaleza, impedia assim o fornecimento de ouro que nesse porto abastecia os mercadores árabes. Em Quíloa o rei fugiu quando viu chegar a armada portuguesa. Este havia usurpado o trono do antigo soberano, que tinha aceite a vassalagem ao rei português. No seu lugar, o governador colocou um mouro que tinha ficado como refém, por demonstrar merecer a sua confiança. Esta política tinha por finalidade facilitar a comunicação, vencendo assim a barreira da língua.
O rei de Mombaça recebeu a esquadra do vice-rei com guarda reforçada, pois tinha tomado conhecimento do que se passara em Quíloa. Tentou alvejar Almeida e a sua comitiva, empreendendo a fuga posteriormente. D. Francisco mandou um emissário dizer ao rei, que se aceitasse ser vassalo do rei de Portugal, poderiam entende-se facilmente, caso contrário lhe faria guerra. Como não aceitou a rendição, D. Francisco de Almeida mandou incendiar parte da cidade, para que os seus homens pudessem entrar mais facilmente e saqueá-la.
Já na Índia mandou erguer a fortaleza de Anjediva aproveitando uns alicerces já ali existentes, junto ao mar. Esta fortaleza estava num ponto muito sensível e na ausência do governador, foi atacada pelos mouros por via terrestre. Saquearam toda a mercadoria e queimaram a frota que estava fundeada. Esta fortaleza viria mais tarde a ser destruída por ordem de D. Francisco, uma vez que as despesas eram superiores aos lucros, devido aos roubos.
Em Cochim, Cananor e Ceilão, as negociações resolvem-se pela via diplomática, ficando tributários de Portugal.
O comércio português no Índico estava em franco progresso, e para isso contribuiu em grande parte o bom entendimento com alguns soberanos do Malabar. Estes, descontentes com os mouros egípcios e turcos, que só negoceiam com Calecute, fazem-se amigos dos portugueses e prometem o seu apoio. O acesso ao mar Vermelho estava cada vez mais condicionado, passando só as embarcações que tinham o “livre trânsito” e para o obter, tinham de fazer o pagamento prévio do imposto. Esta situação não agradava aos mouros do Cairo, que utilizavam aquele mar para abastecer Veneza e toda a zona mediterrânica.
Em Lisboa havia a preocupação de aumentar cada vez mais o poder militar no Oriente. Por essa razão, foi enviada um armada para apoiar o governador, composta por Afonso de Albuquerque e Tristão da Cunha. Estes levavam como missão bem definida a tomada da ilha de Socotorá, com a finalidade de lá construírem uma fortaleza, para impedir a passagem dos muçulmanos no mar Vermelho. Posteriormente verificou-se que não foi a opção mais acertada, o que provocou o seu abandono.
D. Francisco de Almeida era uma pessoa de trato dócil, mas de rápidas e cruéis decisões, quando elas se impunham. Apesar das vitórias que iam garantindo a supremacia comercial e naval, nem sempre os resultados foram favoráveis aos portugueses. D. Lourenço de Almeida, filho do governador, foi surpreendido em Chaul pelas forças do samorim de Calecute, apoiados pelos egípcios, que não estavam satisfeitos com a quebra do seu negócio. Esta acção provocou a morte do seu capitão, e a tropa portuguesa retirou-se de combate. A notícia deste acontecimento chegou até D. Francisco que estava em Cochim, e logo começou a arquitectar a vingança. Como se aproximava a monção de Inverno, não pôde partir. Por essa altura chegam à Índia duas armadas, uma directamente de Lisboa outra que tinha ficado em Moçambique, devido ao mau tempo. O Governador junta as suas tropas a este duplo apoio, e pretende assim atacar Calecute.
D. Afonso de Albuquerque quando foi na armada de apoio para o Oriente, levava consigo a nomeação de Vice-Rei passada por D. Manuel, para suceder a Francisco de Almeida. Esta nomeação deveria ser mantida em segredo, até ao final do mandato do Vice-Rei em exercício. Quando terminava o período de três anos do seu governo, Afonso de Albuquerque foi pedir a passagem de poderes a D. Francisco de Almeida, pondo-o a par da nomeação feita por D. Manuel. O governador não gostou da notícia, e disse-lhe que não tivesse pressa,  pois ainda tinha uma missão a cumprir. D. Afonso de Albuquerque sabia que se referia à vingança da morte do filho e disse-lhe que ele próprio se encarregaria disso. D. Francisco considerou uma ingerência e argumentou, dizendo que não costumava deixar para os outros a vingança das ofensas a ele feitas. Perante esta atitude do governador, Albuquerque retirou-se para Cochim, esperando que ele lhe fosse fazer a entrega dos poderes.
Com o apoio das armadas que haviam chegado de Lisboa e a sua própria, dirigiu-se a Dabul, destruiu a cidade e para completar o seu plano, fez um ataque violentíssimo a Diu. Daqui em diante, as desavenças entre o governador ainda em exercício e o novo governador, sucedem-se. D. Francisco de Almeida não gostou da forma como Albuquerque lhe pediu o poder e ia adiando a passagem das responsabilidades para as suas mãos. Com o impasse da situação, Afonso de Albuquerque decide começar a executar o plano, que lhe havia sido confiado pelo rei português. O conflito chegou ao conhecimento de D. Manuel, pelo que enviou D. Fernando Coutinho para repor a legalidade.
Este agradece a Francisco de Almeida os seus esforços ao serviço da coroa e embora tivessem terminado, o seu conselho nos assuntos difíceis seria de primordial importância. Como nunca foi consultado, decidiu regressar a Portugal, abatido e triste. Perto do Cabo da Boa Esperança, quando se abastecia de água e mantimentos, foi morto pelos negros. A vice-realeza de D. Francisco de Almeida ficou marcada por grandes feitos na Índia. Conquistou cidades importantes na costa Oriental de África, construiu feitorias e fortalezas de apoio e defesa dos interesses da coroa portuguesa, fez alianças pacíficas com cidades-estados da costa do Malabar, na Índia, venceu pelas armas praças importantes no tráfego mercantil, controlou a entrada de mercadorias no mar Vermelho, contribui para o estabelecimento da rota do Cabo. O controlo do mar da Índia foi a sua prioridade, por isso conseguiu a hegemonia marítima. O trabalho de Francisco de Almeida consistiu no desbravar do terreno fértil, que proporcionou aos seus sucessores a concretização dos objectivos estipulados em 1505/ 1506.

O nome do 1.º Vice-Rei na Índia, foi imortalizado por Camões em “Os Lusíadas”.
 
Nem deixarão meus versos esquecidos
Aqueles que, nos Reinos lá da Aurora,
Se fizeram por armas tão subidos,
Vossa bandeira sempre vencedora:
Um Pacheco fortíssimo e os temidos
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
Albuquerque terribil, Castro forte,
E outros em quem  poder não teve a morte.
 
Luís de Camões, “Os Lusíadas”- Canto I, estrofe 14
Trabalho realizado por Albina Faria

Afonso de Albuquerque
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Militar, conquistador e político português nascido na Quinta do Paraíso, perto de Alhandra, considerado a figura mais emblemática da expansão portuguesa no Oriente e que como segundo vice-rei da Índia foi maior responsável pela expansão do poder das feitorias lusas nesse país. Descendente da nobreza lusitana, foi criado na corte de D. Afonso V, serviu em praças-fortes portuguesas de Marrocos e integrou a guarda pessoal de D. João II. Na sua primeira missão na Índia (1503-1505), confiada por D. Manuel I, fundou a fortaleza de Cochim, travou combate com os turcos e com tropas muçulmanas do reino de Calecut, e estudou profundamente a região.
Com prestígio em alta, foi nomeado (1506) por D. Manuel I para substituir o governador D. Francisco de Almeida. Ao chegar a Índia (1508), Almeida negou-se a reconhecer a carta secreta do rei na qual o nomeava governador e, além de não lhe transferir seus poderes, o aprisionou na fortaleza de Cananor. Com a chegada da esquadra do marechal Fernando Coutinho (1509), o insatisfeito governante não pode resistir e entregou o cargo a seu sucessor. O novo vice-rei deu início a sua ofensiva regional para controlar todo o comércio da área e antes de assumir as suas funções de governador, assaltou e tomou os portos de Omã e de Ormuz.
Conquistou sucessivamente Goa, Cambaia, Calicut, Narsinga, Malaca e Ormuz (1510-1515). Comandou a primeira esquadra europeia a entrar no mar Vermelho (1513), consolidando, assim, o domínio português no Oriente (1514). Seu plano estratégico era instalar uma linha de fortalezas que pudesse controlar a navegação no mar Vermelho, impondo o domínio português sobre uma vasta área territorial, expulsando as forças do Império Otomano.
Porém, seus sucessivos sucessos de conquistas e sua visão de um amplo domínio português no Oriente, renderam-lhe muitos inimigos invejosos na corte, até que o rei foi convencido a substituí-lo por Lopo Soares de Albergaria, um desses fortes inimigos. Frustrado e doente, morreu durante a viagem de Ormuz para Goa, quando ia passar oficialmente o cargo de vice-rei ao seu substituto, consciente do boicote de que fora vítima.

Lopo Soares de Albergaria
Nasceu provavelmente, em 1460. Foi nomeado por D. Manuel I, em 1515, governador da Índia, sucedendo a Afonso de Albuquerque. Não conseguiu dar continuidade ao trabalho do "Terribil", tendo tido vários insucessos militares. Após três anos de governo na Índia, voltou a Portugal, deixando o cargo para Diogo Lopes de Sequeira, mas não sem antes fundar uma fortaleza em Colombo, Ceilão (actual Sri Lanka). Morreu em data desconhecida.

Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal