A D.
João IV, por ter falecido o príncipe herdeiro D.
Teodósio, sucedeu o seu segundo filho, D. Afonso VI, que
à data, contava apenas treze anos. Por isso, durante a
menoridade, ficou regente do Reino, sua mãe, a rainha
viúva D. Luísa de Gusmão, que desempenhou com o maior
zelo e acerto essas funções, de 1656 a 1662.
D. Afonso VI tomou conta do poder em 1662, tendo
escolhido para seu primeiro ministro o grande estadista
Conde de Castelo Melhor, homem activo e inteligente, a
quem se deve a organização do nosso exército, que assim
pode alcançar as vitórias militares na guerra contra a
Espanha.
A luta pela independência continuava vigorosamente,
tendo-se travado diversas batalhas, sempre gloriosas
para as armas portuguesas.
Em 1659 (ainda na regência de D. Luísa de Gusmão), eram
os espanhóis vencidos na batalha das Linhas de Elvas,
por D. Sancho Manuel, Conde de Vila Flor, e D. António
de Meneses, Conde de Cantanhede.
Em 1663, foram igualmente derrotados em Ameixial, por
D. Sancho Manuel e pelo general francês, Conde de
Schomberg.
Em 1664, é tomada Valência de Alcântara, e Pedro Jaques
de Magalhães ganha a batalha de Castelo Rodrigo.
Em 1665, dá-se a batalha de Montes Claros, em que os
portugueses, comandados pelo Marquês de Mariava e
Schomberg, desbarataram completamente o exército
espanhol. Esta foi a última e decisiva vitória das armas
portuguesas, assegurada a Restauração de Portugal.
No reinado de D. Afonso VI, celebrou-se o casamento da
infanta D. Catarina, filha de D. João IV, com Carlos II,
rei de Inglaterra, tendo então Portugal cedido àquela
nação, em troca da ajuda que ela nos prometia em caso de
guerra, as fortalezas de Tânger e Bombaim.
Na Índia, perdíamos também Cochim e Cananor.
Com o fundamento de que D. Afonso VI era inapto, para
desempenhar as suas altas funções, houve contra ele uma
conspiração dirigida pelo infante D. Pedro, irmão do
rei; este foi então destronado e obrigado a abdicar do
governo do Reino em favor do mesmo D. Pedro, em 1667.
Deposto o rei, D. Pedro tomou conta da regência. Em
seguida, foi preso o já ex-rei D. Afonso VI e desterrado
para o Castelo de Angra, nos Açores, onde esteve cinco
anos. Transferido depois para o palácio de Sintra, ali
veio a morrer, no cativeiro, em 1683.
Ainda como regente, D. Pedro assinou em 1668, um
tratado de paz com Carlos II, rei de Espanha, pelo qual
findava a Guerra da Restauração, que durou perto de 28
anos.
Seus restos mortais encontram-se na Igreja de São
Vicente de Fora.
Vigésimo segundo rei de Portugal, nasceu em Lisboa, em
1643. Filho de D. João lV e de D. Luísa de Gusmão. Ainda
criança, foi atacado por uma grave doença que o deixou
muito fraco para sempre, tanto de corpo como de
espírito. Quando faleceu seu pai, tinha três anos e, até
à sua maioridade exerceu a regência a rainha viúva , sua
mãe. Já durante este período se manifestaram
deploravelmente desvios físicos e morais do príncipe,
que só se sentia bem na companhia de aventureiros
devassos e da mais baixa condição social,
acompanhando-os em tropelias pelas ruas de Lisboa,
armando escândalos e desordens, que muitas vezes saia
maltratado. Quando completou dezoito anos, como a rainha
viúva hesitasse em lhe confiar o governo do reino, o
príncipe, a instigações do Conde de Castelo Melhor,
tirou a regência a sua mãe e assumiu o poder, logo
nomeando para ministro, Castelo Melhor (*), que se
revelou um estadista eminente. Às suas qualidades de
organizador se deveram, em grande parte, as vitórias
decisivas de Ameixial, em 1663 e dois anos depois a de
Montes Claros, que asseguravam a nossa independência e
valeram ao fraco D. Afonso Vl o cognome de o
"VITORIOSO". Em 1666, casou D. Afonso Vl com D. Maria
Francisca de Sabóia, filha dos Duques de Nemour
(França). Foi uma união desastrosa, pois, a rainha não
tardou em desprezar o homem a quem se ligara.
Estabeleceu-se entre ela e o Conde Castelo Melhor, uma
forte rivalidade política, de que resultou complicadas
intrigas na Corte. O infante D. Pedro, irmão de D.
Afonso Vl, tomou partido da rainha, criando-se entre
ambos relações amorosas, cujo escândalo em breve se
tornou público. D. Pedro, que detestava o Conde de
Castelo Melhor, manobrou por forma a arrancar ao incapaz
rei a demissão do único homem que o podia amparar no
trono. Privado do seu ministro, D. Afonso Vl estava
perdido. A rainha pretextando que o casamento não se
consumara, retirou-se para um convento. Seguiu-se um
processo de divórcio, que é uma das mais vergonhosas
páginas da nossa História. Os acontecimentos
precipitaram-se e D. Afonso Vl foi dominado pelo infante
e seu irmão D. Pedro, e nenhuma resistência lhe opôs. As
Cortes, convocadas em 1668, depuseram o rei, confiando a
regência a seu irmão. De Roma (Vaticano) veio a anulação
do casamento e autorização para que os dois cunhados
pudessem casar, o que fizeram ainda nesse mesmo ano.
D. Afonso Vl foi exilado para a Ilha terceira (Açores)
e encarcerado no castelo de S. João Baptista. Quatro
anos depois, em seguida a uma conspiração em seu favor e
que se malogrou, custando a vida a alguns que haviam
nela participado, o pobre rei foi transferido para o
Paço Real de Sintra, onde, subitamente veio a falecer em
1683. Jaz em S. Vicente de Fora (Lisboa).
(*) Conde de Castelo Melhor. Grande estadista e
primeiro ministro de D. Afonso Vl.
Ao seu génio organizador, se deveram as vitórias que
ilustram o reinado de D. Afonso Vl. Quando o infante D.
Pedro se apoderou do trono, o Conde de Castelo Melhor
imigrou para Inglaterra, fixando residência em Londres,
onde prestou relevantes serviços à rainha deste país,
mas de origem portuguesa, D. Catarina de Bragança.
Neste reinado continuou a "Guerra da Restauração"
também conhecida pela Guerra dos Vinte Sete Anos. A luta
pela consolidação da independência continuava muito
vigorosa, tendo-se travado diversas batalhas. Em 1659
(ainda na regência de D. Luísa de Gusmão), deu-se a
Batalha das Linhas de Évora, com o exército português
comandado por Sancho Manuel (Conde de Vila Flor) e D.
Manuel de Meneses (Conde de Cantanhede).
Em 1663, a Batalha do Ameixial, com as tropas
comandadas por D. Sancho Manuel e o general francês,
Conde de Schomberg.
Em 1664, Pedro Jaques de Magalhães, conquistou Valência
de Alcântara e também ganha a Batalha de Castelo
Rodrigo.
No ano seguinte, na Batalha de Montes Claros, o Marquês
de Marialva e Schomberg ganham esta Batalha consolidando
de vez a Independência (ou Restauração) de Portugal.
D. Afonso VI
Sexto filho de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão.
Atacado na infância por doença não identificada, fica
mental e fisicamente diminuído. Com a morte de seu irmão
D. Teodósio e de seu pai, sobe ao trono com treze anos,
pelo que a regência ficou entregue a sua mãe. O rei foi
crescendo, rebelde a toda a acção educadora, levando uma
vida desregrada e manifestando-se perfeitamente incapaz
para assumir as responsabilidades do governo.
Um dos seus companheiros, na vida de arruaceiro que
levava, António Conti, italiano de origem,
insinuou-se-lhe de tal maneira que em breve passou a
viver no Paço, a convite de D. Afonso VI e a ter
influência nos negócios do governo do reino. O escândalo
aumentou a um ponto que D. Luísa de Gusmão fez jurar
herdeiro do trono o infante D. Pedro e António Conti foi
preso. Logo a seguir, o conde de Castelo Melhor executa
um golpe de Estado, compelindo D. Luísa a entregar o
governo a D. Afonso VI e forçando-a a retirar-se para um
convento.
Nas boas graças do rei, Castelo Melhor lança-se na sua
curta a brilhante carreira política, terminando
vitoriosamente com a guerra da Restauração e conseguindo
casar D. Afonso com Mademoiselle de Aumale. Em breve a
nova rainha entra em conflito com Castelo Melhor.
Giza-se nova conspiração no paço, de que resulta a
demissão do conde e a abdicação de D. Afonso VI. D.
Pedro toma as rédeas do poder, casa com a cunhada,
depois da anulação do casamento desta com D. Afonso e
este último é desterrado para Angra do Heroísmo em 1669,
donde regressa em 1674, sendo então encerrado no Palácio
de Sintra até à sua morte.
Ficha genealógica:
D. Afonso VI nasceu em Lisboa, a 12 de Agosto de 1643 e
morreu em Sintra, a 12 de Setembro de 1683, tendo
sidosepultado no Mosteiro dos Jerónimos e trasladado
para o Mosteiro de S. Vicente de Fora. Casou em 1666 com
D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, que nasceu em
Paris, a 21 de Junho de 1646, e morreu em Lisboa, a 27
de Dezembro de 1683, estando sepultada na igreja do
Convento das Francesinhas e trasladada em 1912, para o
Mosteiro de S. Vicente de Fora, filha de Carlos Amadeu
de Sabóia, duque de Nemours, e de Isabel de Vendôme.
Morreu sem descendência.
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de
Portugal, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume
V: A Restauração e a Monarquia Absoluta (1640-1750),
Lisboa, Verbo, 1980
Luísa de Gusmão
http://pt.wikipedia.org/wiki/
D. Luísa, rainha de Portugal.
Luísa Francisca de Gusmão (Sanlúcar de Barrameda, 1613
— Lisboa, 6 de Novembro de 1666), pelo seu casamento com
João, duque de Bragança (12 de Janeiro de 1633) veio a
ser a primeira rainha de Portugal da quarta dinastia.
Filha dos duques de Medina-Sidónia (os senhores mais
poderosos da Andaluzia), era ambiciosa por natureza,
mesmo apesar de espanhola, tendo orientado a política do
marido na rebelião contra a Espanha. D. Luísa de Gusmão
incitou-o a ser coroado mesmo que fossem precisos
grandes sacrifícios "melhor ser Rainha por um dia, do
que duquesa toda a vida". Quando da revolta de 1641 foi
de parecer que os culpados não mereciam perdão, mesmo o
inocente duque de Caminha. Foi nomeada regente depois da
morte do rei, na menoridade de D. Afonso VI. As
rivalidades da corte levaram-na a nomear a Junta
Nocturna, com vários conselheiros da sua confiança,
sendo o principal Frei Domingos do Rosário, hábil
diplomata, se quis manter a soberania no palácio.
O partido afecto a D. Afonso lança-se abertamente na
luta contra a rainha regente, sob a orientação de D.
Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º conde de Castelo
Melhor, que em 1661 pretende abandonar o governo,
chegando a redigir um papel para justificar a sua
atitude e a «monstruosidade que representava o reino com
duas cabeças»; mas temendo a desastrosa administração de
seu filho resolve manter-se regente. A aliança com
Inglaterra, assinada em 1662 foi em grande parte obra
sua, bem como a organização das forças que, no ano
seguinte, já no governo de D. Afonso VI, vieram a obter
as vitórias da Restauração. A viúva de D. João IV
defendeu os princípios de liberdade e independência da
Restauração e manteve-se no governo receosa que o filho
mais velho o comprometesse.
Jaz no Panteão dos Braganças, no mosteiro de São
Vicente de Fora em Lisboa, para onde foi transladada de
Xabregas.
Conde de Castelo Melhor
Reposteiro-mor da Casa Real, escrivão da puridade,
conselheiro de Estado, primeiro-ministro e valido de D.
Afonso VI, e depois do conselho de Estado de D. João V,
senhor de Valhelhas, Almendra e Mouta Santa, alcaide-mor
e comendador de Pombal; senhor do condado da Calheta, de
que foi o 6.° conde, etc.
N. em 1636, fal. a 15 de Agosto de 1720. Era filho do
2.º conde de Castelo Melhor, D. João Rodrigues de
Vasconcelos e de sua mulher D. Mariana de Lencastre e
Vasconcelos.
Acompanhando seu pai durante a campanha de 1658,
mostrou então grande bravura e intrepidez, mas os campos
da batalha eram estreito recinto para quem, reconhecendo
em si inteligência não vulgar, pensava em subir aos mais
elevados cargos do estado, e por isso trocando a vida
agitada dos acampamentos pela não menos difícil e
espinhosa da câmara do palácio real, tratou de
conquistar o valimento do jovem príncipe, que pela morte
de D. João IV herdara a coroa portuguesa, mas que se
conservava ainda sob o domínio da rainha regente, sua
mãe. A grande dificuldade, porém, a vencer, não era só o
assenhorear-se do ânimo do futuro monarca, mas em lhe
dar força bastante para assumir o poder e em contrariar
e desfazer os planos do marquês de Marialva e de outros
áulicos, que, tendo grande importância no tempo da
regência, se dispunham a conservá-la quando o novo
soberano fosse aclamado. Aproveitando habilmente a
prisão de António Conti, valido do príncipe, ordenada
pela rainha, e valendo-se do auxilio do conde de
Atouguia e de outros fidalgos que atraíra ao seu
partido, o conde de Castelo Mentor conseguiu levar D.
Afonso a um golpe de estado, e entrando com ele numa
liteira foi para a quinta de Alcântara onde o rei mandou
chamar toda a nobreza, e expediu a todas as autoridades
a comunicação de haver tomado posse do governo. A rainha
tentou resistir por boas razões e bons conselhos, mas,
reconhecendo as dificuldades da luta entregou
definitivamente a seu filho o governo do reino a 29 de
Junho de 1662, e o conde de Castelo Melhor começou por
assim dizer, a ser o verdadeiro rei de Portugal, embora
só com o título de escrivão da puridade.
Para melhor assegurar o seu domínio, procurou cercar o
monarca de pessoas exclusivamente suas, introduzindo no
palácio de Corte Real em que vivia o infante D. Pedro,
homens da sua completa confiança, para o informarem da
intriga que ali se urdia, e desconfiando que a rainha
viúva ainda conservava alguma influencia no animo do
rei, procurou afastá-la, fazendo com que fosse viver
numa quinta no sítio do Grilo. Quando o conde de Castelo
Melhor se viu senhor omnipotente da administração, eram
bem críticas e desesperadas as circunstâncias do país. O
tratado dos Pirinéus, pelo qual a França nos havia
traiçoeiramente abandonado, permitia a Filipe IV voltar
contra Portugal todas as forças disponíveis da sua vasta
monarquia, e de facto D. João de Áustria, atravessando a
fronteira do Alentejo com um grande exército, veio pôr
cerco a Évora, tomou essa cidade, e 5.000 castelhanos
chegaram até Alcácer do Sal, quase à vista de Lisboa. Em
tão graves circunstâncias o novo ministro tornou-se
incansável em reunir e organizar novas tropas, em vencer
as rivalidades dos generais, e em empregar finalmente
todos os elementos para afastar o perigo que ameaçava a
nossa independência. Concentrando no Alentejo todos os
recursos de que podia dispor, habilitou D. Sancho Manuel
a ganhar a vitória do Ameixial, e sem descansar
continuou a juntar novas forças e a prestar a maior
atenção aos preparativos militares. O conde de Castelo
Melhor buscava também o auxílio das cortes estrangeiras,
e para estreitar as relações de Portugal e da França, e
interessar esta nação nos nossos destinos, tratou de
negociar o casamento de D. Afonso VI com uma princesa da
família de Luís XIV. Aproveitando o sucesso obtido pelas
nossas armas em Montes Claros e a vontade do soberano
francês, que se apresentou como medianeiro para ir
tratar da paz entre Portugal e Espanha, o conde de
Castelo Melhor impôs condições duríssimas para o orgulho
espanhol, que não chegaram a realizar-se, mas, enquanto
elas duraram, mostrou uma firmeza e energia admiráveis,
qualidades que também manifestou depois nas relações que
teve com o representante de Luís XIV em Lisboa para se
ajustar a liga ofensiva e defensiva entre Portugal e a
França. Desejava sinceramente o soberano francês essa
aliança, mas queria conservar para si a liberdade de
acção e fazer o menor número possível de sacrifícios, ao
mesmo tempo que Portugal se empenhasse na luta com todas
as suas forças. O conde de Castelo Melhor não acedeu a
estes princípios, e conseguiu afinal que se ajustasse a
liga com perfeita e completa reciprocidade de direitos e
deveres para os dois estados contratantes, embora um
deles fosse a poderosa França e o outro a pequena nação
cuja independência poucos anos antes estivera ainda em
grave risco. O conde pensava, quando se tratasse da paz
definitiva, obter alguma porção de Espanha, que
anexando-se ao nosso país, alargasse o território de
Portugal, ficando pertencendo a este toda a faixa
ocidental da península, e tendo o mar por limites ao
norte, ao sul e ao ocidente. O ministro não pôde
realizar este grandioso projecto, porque as intrigas
contínuas da corte e a vergonhosa trama que tirou a D.
Afonso a esposa e o trono, fizeram cair do poder o homem
que dirigia os negócios públicos e o governo com tanta
fineza e inteligência. Enquanto viveu a rainha D. Leonor
de Gusmão, as discórdias entre os dois irmãos
conservaram-se quase na sombra, mas apenas faleceu as
hostilidades romperam-se abertamente. O conde de Castelo
Melhor, receando uma guerra civil que transtornasse os
seus planos políticos e que num instante desfizesse as
vantagens adquiridas à custa dos trabalhos e sacrifícios
de uns poucos de anos, cedeu ás exigências de D. Pedro,
mas longe de ficar serenada a tempestade nascente, esta
redobrou de intensidade e fervor com a vinda da princesa
D. Maria Francisca de Sabóia, escolhida para esposa de
D. Afonso VI. Apenas chegou a Portugal, logo a rainha
procurou por todos os meios possíveis insinuar-se no
ânimo do monarca, seu marido, e como o escrivão da
puridade, não só por ciúme mas porque não queria ver o
país sujeito completamente à vontade de Luís XIV, tratou
do estorvar esses desejos, donde se originou a decidida
inimizade entre a soberana e o ministro, que ao
princípio se conservou encoberta, mas que dentro em
pouco se manifestou clara a abertamente, apesar do
astuto diplomata evitar com a maior diligência, que a
rainha tivesse motivo para se queixar do seu
procedimento.
A injustificada exigência feita pela rainha a seu
marido, para demitir o secretário de estado António de
Sousa de Macedo, exigência que não foi satisfeita por
conselho do conde de Castelo Melhor, forma o primeiro
acto do drama tristíssimo e indecoroso em que a rainha e
o infante representaram os principais papéis. As
intrigas prosseguiram, dando o resultado bem conhecido
da deposição do monarca, da subida de D. Pedro ao trono,
o casamento com sua cunhada, e a demissão do ministro. O
conde de Castelo Melhor saiu então do reino, a depois de
ter viajado pela França a pela Itália, fixou a sua
residência em Londres em 1677, e tais serviços prestou à
rainha D. Catarina de Bragança, mulher de Carlos II, e
irmã de D. Pedro, que esta conseguiu que o conde
regressasse ao reino em 1685, indo residir então para
Pombal, onde permaneceu até 1687, ano em que lhe foi
permitido voltar a Lisboa. Mais tarde, D. João V
readmitiu-o no conselho do Estado.
O conde de Castelo Melhor era casado com D. Guiomar de
Távora, viúva de D. .Jorge de Ataíde, 3.º conde de
Castro de Aire, filha e herdeira de Bernardim de Távora,
reposteiro‑mor, senhor das ilhas do Fogo, Santo Antão e
Santa Maria, comendador de Santa Maria de Cacela na
ordem de Cristo, e de sua mulher, D. Leonor de Faro,
filha do conde de Faro, D. Estêvão de Faro.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico,
Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e
Artístico, Volume II, págs. 890-891.
D. Maria Francisca de Sabóia
Duquesa de Nemours e de Aumale; rainha de Portugal pelo
seu casamento com o rei D. Afonso VI e depois com D.
Pedro II.
N. em Paris a 21 de Junho de 1646, fal. em Palhavã, a
27 de Dezembro de 1683. Era filha de Carlos Amadeu de
Sabóia, duque de Nemours, e da duquesa D. Isabel de
Vendôme, neta por bastardia de Henrique IV de França.
Quando se tratou do casamento de D. Afonso VI, procurou
o seu grande ministro conde de Castelo Melhor uma noiva
francesa, porque era a aliança de Luís XIV a que ele
sobretudo cobiçava para a realização dos seus planos
políticos. Primeiro pretendeu casar D. Afonso VI com a
Grande Mademoiselle, e Luís XIV favorecia esse projecto,
mas foi a noiva que resistiu tenazmente por causa dos
seus amores com o duque de Lauzun. Foi então que o duque
de Guise lembrou ao marquês de Sande, nosso ministro em
Paris, mademoiselle de Nemours e de Aumale, pertencente
a uma casa soberana, parente de Luís XIV, gentil e
inteligente senhora, que devia ter um valioso dote.
Sendo aparentada com os Condés e com todos os principais
fidalgos franceses, mademoiselle Nemours trazia para
Portugal as simpatias de toda a corte francesa, o que
era muito importante por estarmos ainda em, luta com a
Espanha. A única dificuldade, que se levantou, foi a que
proveio dos escrúpulos da duquesa de Nemours, que
prometera a mão de sua filha a Carlos de Lorena, e não
queria faltar a essa promessa. Morrendo, porém, a
duquesa, cessou esse obstáculo, e o casamento ajustou-se
definitivamente em 1655.
A 24 de Fevereiro de 1666 assinaram-se as escrituras
pelas quais a nova rainha trazia de dote um milhão e
oitocentas mil libras tornezas (324.000$000 réis),
devendo usufruir em Portugal a herança de sua sogra, a
rainha D. Luísa de Gusmão, que valia 100.000 cruzados, e
mencionando-se que, se sobrevivesse ao rei sem ter
filhos, poderia sair de Portugal, levando o dote e mais
500.000 libras esterlinas, e tendo filhos, só poderia
levar, no mesmo caso, a terça parte do dote e a terça
parte das 500.000 libras. Assinadas as escrituras a
jovem rainha saiu de Paris com sua mãe, a 29 de Maio de
1666, acompanhadas do marquês de Sande e de numerosa
comitiva, dirigindo-se a La Rochell, onde casou em 27 de
Junho por procuração, representando D. Afonso VI o
marquês de Sande. A 4 de Julho embarcou a bordo duma
esquadra francesa, composta de 10 navios, comandada pelo
marquês de Ruvigny, e recebendo a esquadra de seu tio
duque de Beaufort ordem para lhe abrir caminho, porque
era de recear que os espanhóis, que então ainda estavam
em guerra com Portugal, pretendessem aprisionar a nova
rainha, partiu para o rio Tejo. A rainha chegou ao sitio
da Junqueira a 9 de Agosto do referido ano de 1666, indo
recebê-la a bordo o conde da Castelo Melhor com sua mãe,
que fora nomeada camareira-mor, e dirigiu-se para o paço
de Alcântara, onde a esperava o rei D. Afonso VI, seu
irmão D. Pedro, mais tarde D. Pedro II, e toda a corte.
0 monarca mostrou-se muito impressionado com a formosura
da noiva.
0 casamento foi ratificado na igreja do convento das
Flamengas, situado naquele sítio de Alcântara sendo
celebrante o bispo de Tara e capelão-mor da Casa Real.
No dia 19 do citado mês de Agosto veio para Lisboa a
jovem rainha em direcção à Sé Catedral, onde se devia
realizar um solene Te Deum. D. Afonso VI, acompanhado de
sua gentil esposa e do infante D. Pedro, saiu do palácio
de Alcântara com uma luzida comitiva. Davam princípio ao
cortejo os dois procuradores do senado, seguidos dos
ministros em que este tinha jurisdição, todos ricamente
vestidos trazendo os seus lacaios vistosas librés, e os
cavalos ricos arreios e jaezes; seguiam-se seis
porteiros do rei com as maças aos ombros e logo os reis
de armas, arautos e passavantes, com cotas de armas e
cadeias de ouro; depois os corregedores do crime e da
corte, com as garnachas forradas de tela branca e
seguidos dos mais ministros da justiça, todos
brilhantemente vestidos; continuavam os coches e
liteiras douradas e guarnecidos de adornos riquíssimos,
a que correspondiam as librés dos respectivos lacaios.
Os fidalgos, com vestuários de gala montavam em belos
cavalos ricamente ajaezados, acompanhando o cortejo. Não
havia precedência de coches até ao do estribeiro-mor, a
que seguiam os coches de respeito, do infante, da rainha
e do rei. 0 coche dos régios desposados era o último,
onde se via o rei sentado à direita da rainha, e o
infante no assento da frente. 0 coche real não levava
tejadilho, mas era abrigado do sol por uma espécie de
umbela de damasco carmesim guarnecido de ouro, que num
varão dourado levava um moço da câmara. Atrás do coche,
que era ladeado de moços da estribeira, viam-se os
capitães, tenentes e soldados da guarda; depois
seguiam-se os coches dos fidalgos e damas de honor. As
ruas estavam vistosamente adornadas, e de espaço a
espaço se encontravam graciosas danças. A distâncias
proporcionadas viam-se 16 arcos cobertos de ouro, prata
e pedras preciosas, com figuras, emblemas e inscrições.
A pouca distância do primeiro arco fez o senado da
câmara a costumada cerimónia de entregar as chaves da
cidade a el-rei, que as deu à, rainha. Logo adiante
estavam o marquês de Marialva, governador das armas de
Lisboa e província da Estremadura, o conde da Torre,
mestre de campo general, e todos os mais oficias de
ordens, de grande uniforme; toda a cavalaria e
infantaria formavam alas pelas ruas do trânsito. Os reis
entraram na igreja da Sé, ricamente adornada, e
terminado o Te-Deum dirigiram-se para o paço da Ribeira.
Neste dia e ainda nos seguintes se realizaram muitas
festas públicas: jogos de canas, touradas, fogos de
artifício, iluminações, etc.
0 conde de Castelo Melhor não tardou em reconhecer uma
inimiga declarada na gentil soberana. Efectivamente a
rainha, que fascinara seu marido, logo 15 dias depois da
sua chegada quis ter entrada no conselho de Estado, e
obteve-a; quis que o general Schomberg, seu parente,
comandasse em chefe, lugar que ele nunca pudera alcançar
pela oposição dos generais portugueses, e Schomberg foi
nomeado governador das armas do Alentejo. Estas vitórias
não as alcançou a rainha sem dissidências intestinas, e
lutando sempre com a resistência do conde de Castelo
Melhor. Luta igual sustentava havia muito tempo o
dedicado ministro de D. Afonso VI com o infante D.
Pedro, irmão do rei, e daí resultou uma aproximação
natural entre o infante e sua cunhada para combaterem o
inimigo comum. Desta aproximação política resultou
rapidamente um amor adúltero, que, segundo se diz, teve
começo em Santarém durante umas caçadas. D. Pedro era
então um rapaz simpático, enquanto que D. Afonso não
passava dum homem indolente e incapaz de inspirar amor.
Os dois aliados, ou antes, os dois cúmplices, começaram
a empenhar todos os seus esforços para tirar o poder ao
conde de Castelo Melhor, que era o ministro omnipotente.
Este, hábil e cortesão, nunca deu à rainha o mais leve
ensejo para se queixar dele. Contrariava-lhe os planos,
mas mostrava-lhe sempre o mais profundo respeito.
0 seu amigo e auxiliar, o secretário de Estado António
de Sousa de Macedo, não teve tanto sangue frio, e parece
que respondeu uma vez menos convenientemente à rainha,
não nas palavras, mas no tom em que as proferiu, mas a
soberana logo se queixou com escândalo, a resposta porém
de António de Sousa de Macedo fora tão ligeira, as
palavras, que a própria rainha dizia que ele lhe
dirigira, eram tão lisonjeiras que o rei aceitando a
opinião do conselho de Estado, que se reunira, não quis
demitir o secretário de Estado. A rainha zangou-se,
formaram se partidos; o infante mostrou-se ameaçador, e
D. Afonso, que ao princípio mostrara querer conservar a
todo o custo no poder o conde de Castelo. Melhor e os
seus amigos, como quem previa que eram eles as suas
únicas garantias para se conservar no trono, afinal,
medroso da atitude do infante, perseguido todos os dias
pela rainha, começou a fraquejar. Assim que o conde
percebeu isso, quis despedir-se primeiro que o
despedissem, e pedindo um salvo-conduto à rainha, pediu
ao rei a sua demissão. Estava conseguido o que desejavam
ardentemente D. Pedro e sua cunhada; viam-se assim
livres dos seus mais encarniçados inimigos, porque
António de Sousa de Macedo havia sido exilado, por
imposição da rainha. Com a perda destes dois dedicados
amigos, D. Afonso VI achou-se completamente desamparado.
0 instinto de conservação, que dá às vezes perspicácia
aos maiores imbecis, fez com que o monarca, depois de
ter por algum tempo como ministro Henrique Henriques de
Miranda, chamasse para junto de si António de Sousa de
Macedo. A rainha protestou contra esse procedimento, e o
infante D. Pedro, à frente dum bando de fidalgos
armados, entrou no paço a 5 de Outubro de 1667, e
obrigou o rei a demitir e exilar de novo o seu
secretário de Estado. 0 infante preparara tudo para lhe
tirar a coroa e convocar as cortes para esse fim. 0
pobre monarca quis ir para o Alentejo, não o deixaram, e
finalmente a 21 de Novembro de 1667 a rainha saiu do
Paço, indo para o convento da Esperança, donde dirigiu à
câmara. de Lisboa e ao rei duas cartas verdadeiramente
impudentes, declarando que o rei não consumara com ela o
matrimónio, por não poder consumá-lo, e em que pedia
para se retirar para França com o seu dote. D. Afonso,
apenas recebeu a carta da rainha, dirigiu-se ao convento
da Esperança, e achando as portas fechadas mandou
arrombá-las, a que se opôs o infante D. Pedro e alguns
grandes do reino, tendo o infeliz monarca que desistir
da sua empresa e voltar para o paço. Na manhã seguinte a
rainha mandou pedir ao infante que lhe fosse falar à
grade da igreja da Esperança, e encarregou-o de tratar
da sua ida para França, sendo-lhe restituído o dote,
prometendo-lhe o infante que faria o que fosse possível.
Voltando ao paço participou tudo ao rei, que muito se
enfureceu. A rainha empregou então as maiores
diligências com os juízes e os conselheiros de Estado,
afirmando que o seu intento era declarar a todos que o
seu casamento estava nulo por impossibilidade de seu
marido. Este procedimento da rainha acabou de desvairar
o débil espírito de D. Afonso VI, já seriamente abalado
por todos estes acontecimentos, e que se via prisioneiro
no próprio palácio real. Teve um acesso de fúria que os
seus carcereiros aproveitaram para o apresentarem como
louco reconhecido. Manifestações da nobreza e do povo,
habilmente preparadas, fizeram com que D. Afonso VI
assinasse uma renúncia aos seus direitos, ficando D.
Pedro com a regência do reino.
Esperava o infante que as cortes convocadas em 1 de
Janeiro de 1668 lhe oferecessem a coroa, mas somente o
nomearam regente. As cortes reunidas a 27 deste mês o
juraram príncipe herdeiro. Em 13 de Fevereiro seguinte
D. Pedro fez um tratado de paz com a Espanha, com o
maior contentamento da nação em geral, que estava
extenuada com uma guerra de 27 anos. Este tratado foi
aprovado e reconhecido pelas cortes. Entretanto D.
Afonso, aconselhado por alguém, fez uma declaração
confessando que efectivamente não consumara o matrimónio
com sua mulher. Como a rainha dissera que tomara a sua
resolução apenas por descargo de consciência, porque o
seu único desejo era voltar para França, a confissão de
seu marido devia bastar-lhe, mas não era isso o que se
desejava. Era preciso um processo para a anulação do
matrimónio, e houve o processo altamente escandaloso,
iníquo e vergonhoso, em que a própria rainha foi
testemunha, apresentando com o maior impudor segredos
mais íntimos do tálamo conjugal, e tal foi a impudência
com que toda esta questão se encaminhou que, tendo a
sentença que anulava o matrimónio, sido pronunciada a 24
de Março de 1668, logo no dia 27 se celebrava o
casamento entre a rainha e seu cunhado, na igreja da
Esperança estando ainda em Lisboa o primeiro marido,
porque D. Afonso VI só partiu para o castelo de Angra,
na ilha Terceira, em 1619, onde ficou prisioneiro.
0 escandaloso processo da anulação do matrimónio foi
publicado com o titulo seguinte: Causa sobre nulidade de
matrimónio entre partes, de uma como autora a
Sereníssima Rainha D. Maria Isabel de Sabóia Nossa
Senhora, e da outra o procurador da Justiça Eclesiástica
em falta de procurador de Sua Majestade El-Rei D. Afonso
VI Nosso Senhor; fez-se uma edição deste livro, em
Lisboa, 1843, e outra em 1859. 0 segundo casamento de D.
Maria Francisca de Sabóia com seu cunhado, o infante D.
Pedro, não foi feliz. Teve apenas uma filha que foi a
princesa D. Isabel, que fal. solteira aos 21 anos de
idade, depois de ter varias vezes ajustado o seu
casamento com diversos príncipes (V. Portugal, vol. III,
pág. 1007).
A rainha D. Maria Francisca de Sabóia fundou em 1667 o
convento do Santo Crucifixo, mais conhecido pelas
Francesinhas (V. este vol. pag. 286), e enriqueceu
muitas igrejas. No princípio do ano de 1683 adoeceu
gravemente com uma hidropisia, e foi para o palácio do
conde de Sarzedas, em Palhavã, a mudança de ares;
melhorou um pouco, mas depois piorou vindo a falecer
três meses depois de D. Afonso VI. Foi sepultada no
convento das Francesinhas, que fundara. D. Pedro II
sentiu muito a sua morte.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico,
Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e
Artístico, Volume IV, págs. 837-840.
Batalha das Linhas de Elvas
Na madrugada de 14 de Janeiro de 1659, no meio da
neblina, o exército do Conde de Cantanhede investe sobre
as tropas que havia três meses cercavam Elvas isolando-a
do mundo. Cerca de 8 mil infantes e 3 mil cavaleiros
portugueses supreendem as linhas espanholas e pelas
10h00 da manhã rompem-nas. Os espanhóis tentam reagir.
Contra-atacam primeiro com a sua cavalaria mas são
batidos. Resistem nos fortins e são dizimados. Lançam
depois contra-ataques de infantaria, debalde, são
derrotados; a despeito da energia do seu segundo
comandante-chefe, o Duque de San German. Pelas 15h00 a
Batalha fora decidida, ferido San German e em fuga D.
Luís de Haro, o exército espanhol cede. Alguns soldados
e oficiais protegem-se nos fortes. O reduto de Nossa
Senhora da Graça só cairia no dia 15 de manhã, assim
como o Quartel da Corte. D. Luís de Haro deixa no
terreno entre 2000 e 3000 mortos e entre 2.000 e 5.000
prisioneiros, conforme as fontes. E uma enorme
quantidade de material apreendido: 10.000 a 15.000 armas
capturadas, uma vintena de bocas de fogo e muito
material de ordenança militar. As baixas portuguesas
foram tão só cerca de 200 mortos e 600 feridos na
batalha, aos quais se devem juntar, na cidade de Elvas,
algo mais de 4.000 mortos derivados do cerco. A primeira
batalha da Restauração fora uma prova de força que
pressagiava o futuro triunfo da independência de
Portugal.
(composto a partir de extractos de António Paulo
Duarte, 2003)
Batalha de Montes Claros
http://pt.wikipedia.org/
A Batalha de Montes Claros, foi travada em 17 de Junho
de 1665, em Montes Claros perto de, Borba, entre
Portugueses e Espanhóis.
Preparam-se os espanhóis para um ataque que tudo
levasse de vencida, mas por seu lado os governantes
portugueses tomaram todas as cautelas e providências
indispensáveis para a defesa do reino. Calculando que a
tentativa de invasão seria feita através das fronteiras
do Sul, isto é pelo Alentejo, foi nessa província que se
tomaram as maiores precauções. Três mil e quinhentos
homens foram sem demora enviados de Trás-os-Montes,
constituindo quatro terços de infantaria e catorze
companhias de cavalaria.
Simão de Vasconcelos e Sousa levou de Lisboa trezentos
cavaleiros e dois mil infantes e Pedro Jacques de
Magalhães apresentou-se com mil e quinhentos soldados de
infantaria e quinhentos de cavalaria. O conjunto
representava um reforço de sete mil e oitocentos homens,
o que dotava António Luís de Meneses, Marquês de
Marialva com o comando total de vinte mil e quinhentos
combatentes. O Marquês de Caracena havia planeado nada
menos do que ocupar Lisboa, tomando em primeiro lugar
Vila Viçosa e a seguir a cidade de Setúbal. Então pôs em
movimento o seu exército, que se compunha de quinze mil
infantes, sete mil e seiscentos cavaleiros e as
guarnições de catorze canhões e dois morteiros. Tendo
ocupado Borba que encontraram despovoada, os espanhóis
atacaram Vila Viçosa que embora mal fortificada,
ofereceu aos ataques do inimigo uma resistência
inquebrantável.
Entretanto, o exército português avançava para socorrer
a praça, mas foi resolvido pelo comando que as tropas se
detivessem em Montes Claros, a aproximadamente meio
caminho entre Vila Viçosa e Estremoz. O general espanhol
ao saber da proximidade do exército português, deu
ordens imediatas para que as forças de que dispunha
marchassem ao encontro do adversário. Carregando em
massa, a cavalaria espanhola abriu brechas nos terços de
infantaria da primeira linha, mas foi recebida com uma
chuva de metralha disparada pela artilharia comandada
por D. Luís de Meneses. Os esquadrões de Castela,
obrigados a recuar refizeram-se e lançaram segunda carga
sobre o terço de Francisco da Silva Moura, caas
brechas abertas pela cavalaria colmatadas, enquanto a artilhari
Uma segunda carga igualmente
impetuosa, conseguiu no entanto levar os cavaleiros
espanhóis até ao mesmo ponto onde fora detida a
primeira, mas as perdas sofridas foram de tal ordem que
tiveram de deter-se também, sem que a segunda linha
portuguesa comandada pessoalmente pelo Marquês de
Marialva, tivesse sequer sido molestada. O Conde de
Schomberg esteve prestes a cair em mãos espanholas,
quando um tiro abateu o cavalo que ele montava. O
espanhóis que pareciam ter contado com a fúria dos
primeiros ataques em massa, executados em especial pela
cavalaria, viram-se em situação de perigo. Deram ainda
uma terceira carga, mas o ímpeto inicial tinha-se
perdido e o desânimo apoderava-se deles. Ao cabo de sete
horas de luta, os atacantes começaram a debandar, e o
próprio general Caracena, reconhecendo que a batalha
estava perdida, fugiu para Juromenha, de onde seguiu
depois a caminho de Badajoz.
Pode considerar-se que a batalha de Montes Claros
decidiu definitivamente a independência de Portugal, que
seria reconhecida pela Espanha três anos mais tarde, ao
firmar-se entre os dois países um tratado de paz. A
batalha de Montes Claros foi a última das cinco grandes
vitórias que Portugal contra os espanhóis na Guerra da
Restauração, sendo as restantes: Montijo, Linhas de
Elvas, Ameixial e Castelo Rodrigo.