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HISTÓRIA de P O R T U G
A L
(Resumo)
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Trabalho e Pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro |


D. Carlos – o “Martirizado”
R einou de 1889 – a 1908
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(1830-1910) |
R ei
de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor da Guiné
e do Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e
Índia, etc |
Estava o governo português
executando a posse efectiva conhecida por mapa-cor-de-rosa. A
Inglaterra, porém, declarando não reconhecer esses direitos,
envia-nos a 11 de Janeiro de 1890, um ultimato no qual exigia a
retirada imediata das nossas forças de ocupação e reclamava para
si a posse daquela região. Portugal, perante a ameaça de uma
guerra, donde podiam resultar ainda maiores dissabores, cedeu à
imposição.
Em 11 de Janeiro de 1890 o
governo inglês envia um célebre "memorandum" ao governo
português que não só faz deitar por terra o nosso sonho de
constituir a África Meridional Portuguesa (assinalada no "Mapa
Cor de Rosa", de 1886) como, pela demonstração de incapacidade
política de resistir às pretensões da Inglaterra, anuncia o
princípio de uma série de acontecimentos que vão ser nefastos
para a continuidade do regime monárquico constitucional.
Com efeito o Governo de S.M. exige nesse memorandum "que se
enviem instruções telegráficas imediatas para que todas e
quaisquer forças militares portuguesas actualmente no Chire e
nos países dos Mokololos e Machonos se retirem" e ameaça ainda
que, se uma resposta satisfatória não for dada pelo governo
português nessa mesma tarde, a delegação inglesa em Lisboa,
abandonará o nosso País.
O rei D. Carlos reúne à pressa o Conselho de Estado e responde
de imediato: "Na presença de uma ruptura iminente de relações
com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam
talvez derivar, o Governo de S.M. resolveu ceder às exigências
formuladas (...) e vai expedir para o Governo Geral de
Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha".
Houve manifestação públicas de grande indignação e Basílio Teles
escreveu mesmo que "este dia valeu séculos e anuncia um futuro
perturbante", atribuindo a humilhação "à incapacidade e cobardia
dos governos do regime".
Sucedem-se em Lisboa as demonstrações de revolta pela afronta
inglesa e os jornais invectivam o governo do partido
Progressista que é obrigado a demitir-se, sendo de imediato
substituído por um governo do partido Regenerador. Lança-se uma
subscrição nacional para a compra de navios de guerra (que só
chegou para a compra do "Adamastor") lança-se o boicote aos
produtos ingleses e o espírito do momento é passado para a letra
e música da "Portuguesa" que virá a ser o futuro hino nacional.
Existia no interior de
Moçambique, um poderoso régulo, chamado Gungunhana, chefe
dos vátuas, que por vezes se
revoltava contra a nossa soberania. Em 1894, ordenou o governo
de Portugal operações militares para abaterem o poderio de tão
irrequieto potentado, que é vencido em Marraquene, por Caldas
Xavier; Magul, por Freire de Andrade; e Cooleta, por Eduardo
Galhardo. Em 1895, organiza-se nova expedição, e os vátuas são
definitivamente submetidos pelo capitão Mousinho de Albuquerque,
que consegue, por último, aprisionar p célebre Gungunhana em
Chaimite.
Também em Angola: Em 1890. foi
preso o soba do Bié por Artur de Paiva e Paiva Couceiro; em 1902
realiza-se a campanha do Bailundo, levada a efeito por Massano
de Amorim; em 1904 efectua-se a 1ª campanha contra os cuamatas,
chefiada por João Maria de Aguiar e Paiva Couceiro; e em 1907 é
organizada a 2ª campanha contra os cuamatas, tendo sido estes
definitivamente derrotados e submetidos pelo capitão Alves
Roçadas.
Entretanto, o País inteiro
vibrava de indignação contra o ultimato inglês. O
descontentamento era geral. Os republicanos, aproveitando a
oportunidade, trataram de fazer uma grande propaganda contra o
regime monárquico, a que atribuíram a causa do nosso fracasso
político.
Este ambiente serviu aos
revolucionários para, com o fim de ser implantada a República,
fazerem estalar no Porto, no dia 31 de Janeiro de 1891, uma
revolução, que foi dominada no mesmo dia. A revolta de 31 de
Janeiro de 1891 foi a primeira tentativa de implantação do
regime republicano em Portugal. As novas ideias do
republicanismo começam a proliferar no país. O Porto é uma
cidade pujante, fortemente industrializada, nomeadamente nas
áreas do vinho, metalomecânica, têxteis e calçado. São
construídas as pontes D. Maria e D. Luíz I. É a cidade que elege
o primeiro deputado republicano do país, Rodrigues de Freitas.
Em 1886, são organizadas greves a que aderem milhares de
portuenses. O ultimato inglês acentua o descontentamento
generalizado e o sentimento patriótico dos portugueses. Com este
sentimento surge o desejo de mudar de sistema político. A crise
de governo que se viveu no período, exaltou os ânimos dos
militares da guarnição do Porto, que com o apoio das Forças
Armadas, a 31 de Janeiro, promoveram a primeira revolução
republicana. Mas, sem o apoio das forças políticas, nem da
generalidade dos militares, os revoltosos tiveram que capitular
perante a superioridade das forças fiéis à monarquia. Os anos
que se seguiram à revolta não foram favoráveis ao Porto. Os
bancos perdem capacidade de emitir moeda e, em 1899, a cidade é
invadida por uma peste bubónica.
Mas a propaganda republicana
continuava a fazer-se a todo o transe. Os partidos políticos da
Monarquia, em vez de se unirem, guerreavam-se. Não havia ordem
nem autoridade. Os governos não tinham estabilidade. D. Carlos,
atendendo a esta confusão política e social, chamou ao poder o
conselheiro João Franco que, dissolvendo o parlamento, começou a
governar em ditadura. Os ódios e as intrigas aumentavam entre os
inimigos do regime, que discordavam da nova orientação
governativa.
Deu-se então um crime
monstruoso: o assassínio de D. Carlos e do Príncipe herdeiro, D.
Luís Filipe
,
no Terreiro do Paço, quando no dia 1 de Fevereiro de 1908,
regressavam de Vila Viçosa
,
com a Família Real.
Em virtude deste lamentável e
repugnante acontecimento, subiu ao trono o Infante D. Manuel,
filho segundo de D. Carlos.
Rainha D. Amélia
D. Carlos I
Penúltimo rei de Portugal, filho de Luís I e de D. Maria Pia de
Sabóia.
O seu reinado, que se iniciou em 1889, decorreu todo ele num
ambiente efervescente e foi marcado por uma série de
acontecimentos dramáticos:
- Ultimato inglês, motivado pelo célebre mapa cor-de-rosa»;
- revolução republicana de 31 de Janeiro;
- recrudescimento das lutas políticas entre republicanos, que
aumentavam continuamente, e monárquicos, numa posição cada vez
mais fraca;
- ditadura de João Franco;
-revoltas por todo o ultramar, desde a Guiné a Timor, e
consequente repressão a que estão ligados os nomes de Mouzinho
de Albuquerque, em Moçambique, Alves Roçadas, em Angola, e
infante D. Afonso, na Índia;
- nova tentativa revolucionária gorada, em 21 de Janeiro de
1908;
- e, finalmente, em Fevereiro desse mesmo ano, morte de D.
Carlos e de seu filho D. Luís Filipe, no Terreiro do Paço,
alvejados a tiro por revolucionários.
Ficha genealógica:
D. Carlos nasceu no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863,
recebendo o nome de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel
Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão e
morreu assassinado em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908, sendo
sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora. Casou em Maio
de 1886 com a princesa Maria Amélia Luísa Helena (n. em
Twickenham, na Inglaterra, a 28 de Setembro de 1865; f. em
Versalhes, a 25 de Outubro de 1951), filha de Luís Filipe
Alberto, conde de Paris e duque de Orleães, e de sua esposa,
Maria Isabel Francisca de Assis, infanta de Espanha. Do
casamento nasceram:
1. D. Luís Filipe (n. no Palácio de Belém, a 21 de Março de
1887; f. assassinado em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908;
sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora). Chamava-se
Luís Filipe Maria Carlos Amélio Francisco Vítor Manuel António
Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis
Bento e usava os títulos reais de príncipe da Beira e duque de
Bragança e da Saxónia. Foi jurado príncipe herdeiro do trono em
Julho de 1901 e a partir de 13 de Abril de 1906 passou a fazer
parte do Conselho de Estado.
2. D. Maria Ana (n. no Paço Ducal de Vila Viçosa, de parto
prematuro, a 14 de Dezembro de 1887; morreu com poucas horas de
vida; sepultada no Panteão Real de S. Vicente de Fora).
3. D. Manuel II, que sucedeu no trono.
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume X -
Lisboa, Verbo, 1986
Regicídio de 1908
http://pt.wikipedia.org/wiki/
O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do
Comércio (mais conhecida por Terreiro do Paço), em Lisboa,
marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele
resultou a morte do Rei D.Carlos e do seu filho e herdeiro, o
Príncipe Real D.Luís Filipe.
O atentado ficou-se a dever ao progressivo desgaste do sistema
político português, vigente desde a Regeneração, em parte devido
à erosão política originada pela alternância de dois partidos no
Poder: o Progressista e o Regenerador. O Rei, como árbitro do
sistema político, papel que lhe era atribuído pela constituição,
havia designado João Franco para o lugar de Presidente do
Conselho de Ministros (chefe do Governo). Este, dissidente do
Partido Regenerador, solicitou ao Rei o encerramento do
Parlamento para poder implementar uma série de medidas com vista
à moralização da vida política. Com esta medida acirrou-se toda
a oposição, não só a republicana (bastante activa em Lisboa),
mas também a monárquica, liderada pelos políticos rivais de
Franco. O Rei tornou-se então no alvo de todas as críticas, que
acusavam Franco de governar em Ditadura. A questão dos
Adiantamentos à Casa Real (regilarização das dívidas régias ao
estado, sendo que a Lista Civil da Casa Real não era revista há
mais de cinquenta anos), e a assinatura do Decreto de 30 de
Janeiro de 1908, que previa a expulsão sumária para as colónias
dos envolvidos numa intentona republicana ocorrida dois dias
antes, precipitaram os acontecimentos. O Rei, a Rainha e o
Príncipe Real encontravam-se então em Vila Viçosa, no Alentejo,
onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. Os
acontecimentos acima descritos levaram D.Carlos a antecipar o
regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa,
na manhã do dia 1 de Fevereiro. A comitiva régia chegou ao
Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor D.Luís, com
destino ao Terreiro do Paço, em Lisbou, onde desembarcaram, na
Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 17 horas da tarde.
Apesar do clima de grande tensão, o rei optou por seguir em
carruagem aberta, com uma reduzida escolta, para demonstrar
normalidade. Enquanto saudavam a multidão presente na Praça, a
carruagem foi atacada por vários disparos. Um tiro de carabina
atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente.
Seguiram-se vários disparos, sendo que o Príncipe Real conseguiu
ainda alvejar um dos atacantes, sendo em seguida atingido na
face por um outro disparo. A rainha, de pé, defende-se com o
ramo de flores que lhe fora oferecido, fustigando um dos
atacantes, que subira o estribo da carruagem. O infante D.Manuel
é também atingido num braço. Dois dos regicidas, Manuel Buíça,
professor primário expulso do Exército e Alfredo Costa,
empregado do comércio e editor de obras de escândalo, são mortos
no local. Outros fogem. A carruagem entra no Arsenal da Marinha,
onde se verifica o óbito do Rei e o do Herdeiro do Trono, não se
tendo praticado autópsias O infante sobrevivente, D.Manuel II,
reinaria até 1910. Após o atentado, pediu a demissão o Governo
de João Franco, que não impedira a morte do Rei. O Governo "de
Acalmação" lançou um rigoroso inquérito, primeiro presidido
pelos juízes Alves Ferreira e depois por José da Silva Monteiro
e dr. Almeida e Azevedo que ao longo dos dois anos seguintes
veio a apurar que o atentado, fora cometido por membros da
Carbonária, que pretendia liquidar a Monarquia. O processo de
investigação estava concluído nas vésperas do 5 de Outubro.
Entretanto, tinham sido descobertos mais suspeitos do
assassinato como Alberto Costa (Pad Zé), Aquilino Ribeiro,
Virgílio de Sá, Domingos Fernandes e outros. Alguns dos
elementos estavam refugiado no Brasil e em França, e dois pelo
menos foram mortos pela Carbonária. O regicídio de 1908 acabou
por abreviar a monarquia ao colocar no trono o jovem D.Manuel II
e lançando os partidos monárquicos uns contra os outros, com
gáudio dos republicanos. A Europa ficou revoltada com este
atentado, uma vez que D.Carlos era estimado pelos restantes
chefes de estado europeus. Logo a seguir à proclamação da
República, o Juiz Almeida e Azevedo entregou o referido processo
ao Dr. José Barbosa, membro do Governo provisório que o levou a
Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório.
Regicídio - (Do diário de D.
Manuel II)
«No dia 1 de Fevereiro regressavam suas Majestades EI-Rei D.
Carlos I, a rainha, a Senhora Dona Amélia, e Sua Alteza o
Príncipe Real, de Vila Viçosa onde ainda tinham ficado. Eu tinha
vindo cedo (uns dias antes) por causa dos meus estudos de
preparação para a Escola Naval. [...] Na capital estava tudo num
estado de excitação extraordinária. [...] Depois do almoço
estive a tocar piano muito contente porque naquele dia dava-se
pela primeira vez o Tristão e Isolda de Wagner no teatro de S.
Carlos. [...] Pouco depois recebi um telegrama da minha adorada
Mãe dizendo-me que tinha havido um descarrilamento na Casa
Branca, que não tinha acontecido nada, mas que vinham com três
quartos de hora de atraso. [...] Dei graças a Deus, mas nem me
passou pela mente, como bem se pode calcular, o que havia de
acontecer. [...J
«Um pouco depois das 4 horas sal do Paço das Necessidades num
landau com o visconde de Asseca em direcção ao Terreiro do Paço.
[...] Finalmente chegou o barco em que vinham meus pais e meu
irmão. Abracei-os e viemos seguindo até à porta [...], entrámos
para a carruagem os quatro.
No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda ao meu pobre Pai.
O meu chorado Irmão diante do meu Pai e eu diante da minha Mãe.
O que agora vou escrever é o que me custa mais: ao pensar no
momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que
tarde e que noite mais atroz!
Saímos da estação bastante devagar. Minha Mãe vinha-me a contar
como se passou o descarrilamento na Casa Branca quando se ouviu
o primeiro tiro no meio do Terreiro do Paço, mas que eu não
ouvi. Era sem dúvida o sinal para começar aquela monstruosidade.
[...]
«Eu estava olhando para o lado da estátua de D. José e vi um
homem de barba preta com um grande gabão. Vi esse homem abrir a
capa e tirar uma carabina. Estava tão longe de pensar num horror
destes que disse para mim mesmo: «Que má brincadeira.» O homem
saiu do passeio e veio pôr-se atrás da carruagem e começou a
fazer fogo. [...] Logo depois de o Buiça ter feito fogo (que eu
não sei se acertou) começou uma perfeita fuzilada como numa
batida às feras. [...] Saiu de baixo da arcada do Ministério um
outro homem que desfechou uns poucos de tiros à queima-roupa
sobre o meu pobre Pai. Uma das balas entrou pelas costas e outra
pela nuca, o que o matou instantaneamente. [...] Depois disto
não me lembro quase do resto: foi tão rápido! Lembro-me
perfeitamente de ver minha adorada e heróica Mãe de pé na
carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles malvados
animais: "Infames, infames."
«A confusão era enorme. [...] Vi o meu Irmão em pé dentro da
carruagem com uma pistola na mão. [...]
«De repente, já na rua do Arsenal, olhei para o meu queridíssimo
Irmão. Vi-o caído para o lado direito com uma ferida enorme na
face esquerda, de onde o sangue jorrava como de uma fonte. Tirei
um lenço da algibeira para ver se lhe estancava o sangue. Mas
que podia eu fazer? O lenço ficou logo como uma esponja. [...]
Eu também fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma
pancada e um pouco de uma chicotada. [...]
«Agora que penso neste pavoroso dia e no medonho atentado
parece-me e tenho quase a certeza (não quero afirmar porque
nestes momentos angustiosos perde-se a noção das coisas) que eu
escapei por ter feito um movimento instintivo para o lado
esquerdo. [...]»
O regicida Buiça
http://pt.wikipedia.org/
O regicídio
Na madrugada do dia 1 de Fevereiro de 1908, Manuel Buíça
reúne-se com Alfredo Costa e outros carbonários na Quinta do
Xexé, aos Olivais, onde planeiam o atentado. No mesmo dia pelas
cinco horas da tarde: almoça com Alfredo Costa e mais três
desconhecidos, numa mesa a um canto do Café Gelo, que fica perto
da porta para a cozinha; saiem estes para dar lugar a um outro
que se senta à mesma mesa, com quem os regicidas conversam
baixo. Consta que durante esta conversa Buíça terá dito, em tom
jocoso, a um outro freguês do mesmo café sentado numa mesa à
parte, o seguinte dito muito banal na altura: “Estamos aqui,
estamos em Timor...”, relacionado já com a empresa que ia tomar
em mãos. Findo o diálogo, Buíça é o primeiro a se levantar, diz
aos outros dois que vai buscar o varino e o resto, seria muito
provavelmente a carabina winchester, modelo 1907, nº 2137,
importada da Alemanha por Heitor Ferreira; com que alvejaria
dali a algumas horas o rei Dom Carlos I e o princípe-herdeiro
D.Luís Filipe. Pelas quatro horas da tarde, do mesmo dia, Manuel
Buíça com: Domingos Ribeiro e José Maria Nunes, posiciona-se no
Terreiro do Paço, perto da estátua de D. José, ficando o
primeiro perto duma árvore, frente ao Ministério do Reino, junto
a um quiosque. Alfredo Costa, Fabrício de Lemos e Ximenes
assumem posições debaixo da arcada do mesmo ministério; os seis
aguardam a chegada do monarca. Misturados com a população que
espera o desembarque da família real, acompanham atentamente a
atracagem do navio a vapor: D. Luís, onde seguia a mesma.
Sensivelmente às cinco horas e vinte minutos, Manuel Buíça,
avançando da placa central do Terreiro do Paço, a cinco ou oito
metros de distância do landau régio, descobre a carabina,
assenta um joelho em terra e abre fogo à retaguarda do mesmo:
atinge o rei no pescoço, partindo-lhe a coluna vertebral, que o
vitima instantaneamente; Buíça alveja o rei uma segunda vez,
desta feita, no ombro esquerdo. No príncipe herdeiro também é
desfechado um projéctil, que lhe atravessa a face esquerda,
saindo-lhe pela nuca. Finalmente, o Tenente Figueira, que
escoltava o landau real, abate Manuel Buíça com uma estocada,
não sem antes ser ainda atingido por este numa coxa.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande -
Portugal

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