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HISTÓRIA de P O R T U G
A L
(Resumo)
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Bandeira Real
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Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro |


JOÃO V - "O MAGNÂNIMO"
Reinou de 1706 a 1750
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(1707-1816) |
Rei de Portugal
e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor da Guiné e do
Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia |
Tendo falecido José Iº,
imperador da Alemanha, foi chamado a ocupar quele lugar
seu irmão o Arquiduque Carlos que, por isso, se
desinteressou das antigas pretensões ao trono de
Espanha. Seguidamente a este acontecimento, um congresso
reunido em Utreque (Holanda) – que pôs termo à guerra da
Sucessão, sem qualquer benefício para Portugal –
reconheceu os direitos de Filipe de Anjou, aclamando-o
rei de Espanha, em 1713.
D. João V, para satisfazer um pedido do Papa Clemente XI,
enviou em socorro da Itália, ameaçada pelos turcos, uma
poderosa esquadra comandada pelo Conde do Rio Grande.
Esta armada, em cooperação com outros navios de
diferentes nacionalidades, derrotou a esquadra turca em
1717.
No reinado anterior (D. Pedro IIº), tinham sido
descobertas no Brasil, importantes jazidas de ouro e de
diamantes. Com a abundância desse rendimento, parte, do
qual vinha para Portugal, pode D. João V realizar
importantes obras que muito contribuíram para o
desenvolvimento das belas artes portuguesas, como:

- O Convento de Mafra, em que chegaram a trabalhar 50
mil pessoas; as suas torres possuem 114 sinos ;
Capela de São João Baptista;
Igreja das Necessidades;
Casa da Moeda;
Paço de Vendas Novas;
Basílica Patriarcal de Lisboa; etc.
Com esse dinheiro, subsidiou a construção do Aqueduto
das Águas Livres de Lisboa,
pago, todavia, na maior parte, pela Câmara de Lisboa.
Tem 18.065 metros de comprimento, 127 arcos de cantaria
e levou 66 anos a construir. Destinava-se a conduzir as
águas para o consumo de Lisboa.
A este rei, se deve também a fundação da Academia Real
de História Portuguesa; a Academia de Portugal, em Roma;
da Biblioteca da Universidade, em Coimbra ,
etc.
O papa Benedito XIV agraciou D. João V com o título de
“Fidelíssimo”, qua passaria aos seus sucessores e honrou
a Sé de Lisboa com a dignidade de Patriarcal.
Seus restos mortais encontram-se na Igreja de São
Vicente de Fora, em Lisboa.
Vigésimo quarto rei de Portugal, nasceu em Lisboa em
1689; filho de D. Pedro ll e de sua segunda mulher, D.
Maria Sofia Isabel de Neuburgo. Os primeiros anos do seu
reinado ficaram assinalados pelas derrotas nas Batalhas
de Almansa em 1707 e de Caya em 1709, e pelo saque do
Rio de Janeiro (Brasil) pelo francês Duguay-Trouin. Em
1713, o Tratado de Utrcht (Holanda) pôs termo à "Guerra
da Sucessão" de Espanha, sem conceder a Portugal a menor
compensação. D. João V, exerceu o governo absoluto e
nunca se dignou reunir Cortes. Provenientes das minas de
ouro e de diamantes do Brasil, entraram em Portugal,
durante este reinado, incalculáveis riquezas, mas, em
vez de as empregar em benefício e no desenvolvimento da
indústria e da agricultura, foram estas riquezas
esbanjadas em doações a igrejas e a mosteiros, e, em
prodigalidades insensatas. A edificação do Convento de
Mafra, custou-lhe 120 milhões de cruzados; as quantias
enviadas para Roma (Vaticano), em pagamento de
indulgências, canonizações e outros, como embaixadas,
passaram dos 200 milhões. O luxo da sua Corte era
esplendoroso, só comparado na Europa à Corte Francesa do
Rei Sol. Quando foi preciso construir uma obra tão
necessária ao povo, como o Aqueduto das Águas Livres
(Lisboa), o povo teve de contribuir com um novo e pesado
imposto. A fundação da Academia Real de História, do
Arsenal da marinha, da Casa da Moeda e de umas poucas
fábricas industriais, não basta para reabilitar este
grande gastador e esbanjador de fortunas, como fez no
seu reinado.
Jaz em São Vicente de Fora.
B R A S I L (entre 1640 e 1750)
Em 1648, o exército holandês que havia assentado praça
em algumas partes do Brasil, foi derrotado na Baía, e,
no seguimento destas escaramuças, em 1648 e 49, nas duas
Batalhas de Guararapes, foram completamente expulsos do
norte do Brasil.
Uma expedição comandada por Salvador Correia de Sá e
Benevides, libertou não só o Rio de Janeiro, como também
atravessou o Atlântico e libertou Angola e São Tomé e
Príncipe. Finalmente, os holandeses capitularam em 1654,
em Taborda (Brasil). Foram trinta anos de resistência
heróica, em que o principal papel coube à própria
população brasileira, aos portugueses, pretos, índios e
mestiços. De entre outros, salientaram-se Matias de
Albuquerque, Vidal de Negreiros, Fernando Vieira, Filipe
Dias, Camarão e muitos outros. Entretanto, as guerras
europeias não havia distraído os portugueses do
povoamento do interior brasileiro, assim como Paraíba,
parte de Sergipe, Rio Grande do Norte. Também foram
criadas novas capitanias no Ceará, Piauí e Maranhão.
Alexandre de Moura fundou a cidade de Belém. As
bandeiras paulistas avançaram em Minas Gerais e chegaram
a Goiás, entrado nas bacias hidrográficas do Panará, do
Paraguai e do Amazonas. No começo do século XVll, já
havia nestes lugares população, não só portuguesa, como
também de sertanejos. Logo a seguir deu-se a Batalha dos
Emboamas, seguindo-se a chamada Guerra dos Mascates. Em
1710, Luís XlV de França, mandou um capitão de sua
confiança, de nome Duclerec, com cinco navios e 1.700
soldados, tomar o Rio de Janeiro, que na altura contava
com 12 mil habitantes, mas foi completamente derrotado.
Mas, para vingar este desaire, no ano seguinte, foi
mandado pelo rei francês, Duguay-Trouin, que bombardeou
violentamente o Rio de Janeiro, conseguindo em 1680, a
sua rendição e um pesado resgate. Mais tarde, em 1704, o
Rio de Janeiro voltou a ser brasileiro.
DESENVOLVIMENTO DO BRASIL
Brasil não se podia desenvolver-se economicamente sem
abundância de mão-de-obra. Os primeiros colonos haviam
tentado resolver o problema com a escravização dos
Índios. Mas, a breve trecho, verificaram que o trabalho
do índio era pouco remunerador, pela sua indolência
natural, o seu espírito de independência, a sua
inadaptibilidade aos trabalhos agrícolas. Por outro
lado, a protecção que encontraram junto aos jesuítas,
defensores intemeratos da sua liberdade, era motivo
constante de lutas com os missionários. Esta situação
levou os povoadores a procurarem mão-de-obra de outra
procedência - a de África - de onde começaram a chegar,
em levas sucessivas, numerosos escravos negros, que
passaram a labutar nos campos, nos engenhos de açúcar,
nas fábricas, nas casas particulares; em toda a parte
onde havia trabalho a realizar. A mancha negra alastrou
por todo o Brasil, que os escravos africanos ajudaram a
desbravar, a enriquecer, a cultivar. Tornaram-se, por
fim libertados, parte integrante da população
brasileira, com a qual se haviam misturado e confundido.
No entretanto, aumentava o conhecimento do país, cujo
interior permanecera, durante muito tempo, fechado à
penetração dos portugueses, que temiam as suas florestas
tenebrosas, as suas tribos de índios ferocíssimos, os
perigos das feras, a braveza da selva. Expulsos, porém,
os franceses e os holandeses, aumentada a população,
acrescida a prosperidade económica, os portugueses
lançaram-se à conquista de novos territórios e, depois,
penetraram ousadamente no interior, levados pela ânsia
de devassar os seus segredos. A conquista territorial
levou os portugueses a estabelecerem-se em Paraíba, em
Sergipe, no Rio Grande do Norte, no Pará, no Amazonas,
no Piauhy, onde levantaram fortalezas, cidades, vilas,
aldeamentos. Por toda estas paragens surgiram fazendas
laboriosas, granjas modelares, campos cerealíferos,
pomares, engenhos de açúcar. Em seguida, iniciaram a
avançada para o sertão. Esta epopeia pertence aos
"bandeirantes", ou grupos de aventureiros arrojados que
marchavam ao som do tambor, conduzidos pela bandeira que
flutuava na frente. Assim, penetraram na selva, em
caminhadas dolorosas que, a pouco e pouco, os levaram ao
conhecimento rigoroso dos confins do Brasil. Os
"bandeirantes" foram os verdadeiros exploradores do
interior brasileiro, que conseguiram devassar
lentamente. Romperam através do mato. Combateram os
índios e as feras. Resistiram às ciladas dos indígenas,
à hostilidade do clima, à fome e ao cansaço. Domaram a
força das correntes, atravessaram os rios e desvendaram,
por fim, todos os segredos da terra brasileira. Os
"bandeirantes" mais célebres foram os habitantes de São
Paulo, cidade fundada pelos jesuítas. Eram homens
arrojados, valentes, laboriosos. Dotados destas
qualidades, meteram-se pelo interior, chegaram ao
Amazonas, ao Rio da Prata, ao Paraguai, a mato Grosso.
Bandeirantes ousados partiram também de Parnaíba e
Taubaté. Foram ainda os "bandeirantes" que encontraram
as minas de ouro e pedras preciosas, que se dizia
existirem no interior da Brasil e eram procuradas desde
a época distante da descoberta. Um dos "bandeirantes"
que mais contribuiu para a descoberta do ouro, foi
Fernão Dias Pais Leme, corajoso paulista, ao qual o
governador geral do Brasil havia passado a carta patente
de "Governador das Esmeraldas". Partiu em 1670 de São
Paulo, acompanhado de seu filho Garcia Pais, do genro,
Borba Gato, e de numerosos escravos. Errou durante sete
anos pelo sertão. De vez em quando, parava, semeava
milho, colhia a mandioca, esperava a colheita. Depois,
provido de mantimentos, prosseguia a jornada fatigante.
Em certa altura, Pais Leme, encontrou belas pedras
esverdeadas. Convencido de que deparava com as
decantadas esmeraldas, voltou com as amostras para as
entregar ao governador geral. Mas morreu no caminho,
minado de febres. Veio depois a verificar-se que se
tratava de turmalinas sem importância. Borga Gato ficou,
porém, no sertão. Continuou as pesquisas no zona do Rio
das Velhas e verificou que o ouro apresentava cor
semelhante ao aço por temperar. Era o famoso "ouro
preto", que veio mais tarde a dar nome à povoação de
"Ouro Preto", estabelecida na região, denominada por sua
vez, de Minas gerais. As pedras preciosas
encontravam-se, mais tarde, em plena zona aurífera. A
notícia da descoberta do ouro provocou verdadeiro
deslumbramento. Os colonos, seduzidos pela miragem de
riqueza rápida, abandonaram as culturas, reuniram os
escravos e partiram para o interior, ao mesmo tempo que
Portugal se despovoava e seguia o mesmo rumo. Foi tal a
loucura que teve que ser proibida a saída de gente de
Portugal para o Brasil, por decreto de D. João V. No
entanto, começava a extracção que o governo procurou
regularizar. Impôs a ordem aos aventureiros, que se
batiam em pugnas sangrentas, e começou a cobrar um
quinto do metal e diamantes extraídos. A política
mercantilista do conde da Ericeira continuou a dominar
durante o reinado de D. João V, que procurou dotar o
reino de indústrias prósperas. Para isso recomendou aos
seus representantes no estrangeiro, que fizessem
pesquisas sobre inovações realizadas no campo dos
ofícios e das artes e ordenou a compra de modelos e
segredos industriais. As realizações de D. João V foram
numerosas: Protegeu as fábricas de lanifícios da
Covilhã. Transformou a indústria de vidros, que começou
a laborar na Marinha Grande. Fundou uma fábrica de papel
na Lousã. Criou indústrias de sedas, tapetes, peles e
outras. O Marquês de Pombal seguiu rumo idêntico: Fundou
fábricas novas e reformou algumas das já existentes.
Mas muitas destas indústrias desapareceram logo que a
protecção do Estado deixou de as amparar. Outras
impuseram-se com o tempo, progrediram lentamente e
vieram a converter-se em laboriosos centros de trabalho.
De harmonia com este plano, o Marquês de Pombal, este
foi completado com a instituição de poderosas
companhias, às quais concedeu o monopólio de
determinadas transacções. A sua actividade neste sentido
começou, ainda antes do terramoto de Lisboa (1755), com
a "Companhia do Grão-Pará e Maranhão", isto em 1753, à
qual deu exclusivo do comércio naquelas paragens
brasileiras e a faculdade de só ela poder introduzir
escravos no Brasil e fabricar pólvora. Seguiram-se
outras empresas, como: "Companhia Geral da Agricultura
das Vinhas do Alto-Douro (1756), que ficou com o
monopólio do comércio de vinhos, aguardentes e vinagres,
a exportar da cidade do Porto para o Rio de Janeiro e
outros portos brasileiros; em 1759 a "Companhia de
Pernambuco e Paraíba", que montou no Brasil numerosos
engenhos de açúcar, servidos por escravos negros; a
"Companhia para a pesca das costas do Brasil"; "
"Companhia geral das reais pescas do Algarve; etc. Todos
estes monopólios atacados pelos pequenos capitalistas e
comerciantes, cujos interesses prejudicavam,
desapareceram, quando o Marquês de Pombal deixou o
poder. Apenas se manteve a "Companhia Geral da
Agricultura das Vinhas do Alto – Douro", depois de
cerceados os privilégios de que gozava, por decreto da
rainha D. Maria l.
João V. O Magnânimo. - 24.° rei de Portugal.
N. em Lisboa a 22 de Outubro de 1689, onde também fal. a
31 de Julho de 1750. Era segundo filho de D. Pedro II, e
de sua segunda mulher, a rainha D. Maria Sofia Isabel de
Neuburgo.
Falecendo seu irmão mais velho, do mesmo nome João, a 30
de Agosto de 1688, tendo apenas um mês de vida, foi
proclamado príncipe herdeiro em 1 de Dezembro de 1697,
em acto solene na presença da corte, e por morte de seu
pai, em Dezembro de 1706, subiu ao trono, sendo
solenemente aclamado no dia 1 de Janeiro de 1707. Em
1696 fora armado por seu pai cavaleiro da ordem de
Cristo. No Anno Historico, do padre Francisco de Santa
Maria, vol. I, pág. 12 e seguintes, vem uma descrição
minuciosa desta cerimónia e das festas que então se
realizaram. D. .João V herdou de seu pai uma guerra que
ia começar a ser desastrosa, a da Sucessão de Espanha.
Os pretendentes eram o arquiduque Carlos e duque de
Anjou, neto de Luís XIV, Filipe V. A Espanha aceitava a
realeza de Filipe V, e D. Pedro II, de Portugal,
aliara-se com os ingleses e os austríacos a favor do
arquiduque. O duque Berwick, um dos generais de Filipe
V, tinha na sua frente o general português marquês dás
Minas, que na campanha de 1706 atravessou a Espanha e
entrou vitorioso em Madrid, onde fez aclamar o
arquiduque com o nome de Carlos III. Mas a vontade
decidida de Espanha de querer Filipe V para seu rei, era
muito poderosa. As províncias intermediárias entre
Madrid e Portugal sublevaram-se em massa, ao mesmo tempo
Luís XIV, por um esforço desesperado, reforçava as
forças do duque de Berwick, e o marquês das Minas
achava-se em Madrid cortado da fronteira portuguesa.
Outro general do arquiduque, lorde Peterborough,
desembarcara na província de Valência da qual tomara
posse, e o marquês das Minas, obrigado a abandonar
Madrid, em vez de se retirar para Portugal, foi para
Valência. O duque de Berwick seguiu-o desejoso de dar
batalha nas planícies dessa parte da Espanha, por causa
da grande superioridade da sua cavalaria. O marquês das
Minas desejava evitá-la, por isso mesmo, mas lorde
Galloway, comandante das tropas auxiliares inglesas,
insistiu para que se travasse a luta. Deu-se então a
batalha de Almanza a 25 de Abril de 1707, em que ficou
vencedor o partido de Filipe V. O marquês das Minas
deixou sob o comando do conde de Atalaia um pequeno
exército português agregado ás tropas inglesas, e veio
para Portugal. A guerra daí em diante foi apenas uma
série de combates de pouco valor nas fronteiras, sendo o
facto mais importante a defesa de Campo Maior, em 1711,
ultima façanha da guerra da Sucessão de Espanha, em que
Portugal se envolvera: A guerra expôs à perseguição dos
franceses a nossa marinha e as nossas colónias. Em 1710
organizou-se em Brest uma pequena esquadra para atacar o
Rio de Janeiro, mas o comandante, Mr. du Clerc, ficou
derrotado caindo em poder dos portugueses. Esta notícia
causou a maior satisfação em Lisboa, e celebrou-se um
solene Te-Deum na capela real a que assistiu el-rei e
toda a régia família. No ano seguinte, 1711, uma outra
esquadra, comandada pelo célebre marítimo Du Guay-Trouin,
veio atacar o Rio de Janeiro, e vingou cruelmente o
desastre do seu compatriota du Clerc, apesar da forte
resistência, oposta pelo governador Francisco de Castro
de Morais. A cidade foi posta a saque. Finalmente, em
1715 assinou-se o tratado de Utrecht entre as diversas
potências beligerantes, que trouxe a paz à Europa. Nesta
luta foi Portugal que menos aproveitou, porque nenhumas
compensações obteve por tantos e tão cruéis sacrifícios.
Enquanto durara a guerra com a Espanha e a França, deu
se o casamento de el-rei D. João V com a arquiduques D.
Maria Ana de Áustria, filha do imperador Leopoldo, irmã
do imperador José, então reinante, e do imperador Carlos
VI. Foram assombrosas as solenidades que se realizaram
em Viena e depois em Lisboa à chegada da nossa rainha. O
conde de Vilar Maior, Fernando Teles da Silva, foi
encarregado, como embaixador extraordinário, de ir pedir
em casamento a arquiduquesa. O embaixador chegou a Viena
a 21 de Fevereiro de 1705, e antes de fazer a sua
entrada. pública, recebeu audiência particular do
imperador, da imperatriz sua mulher e da imperatriz
viúva; dias depois também lhe foi concedida audiência
das arquiduquesas. A entrada oficial demorou-se algum
tempo, porque o embaixador português esperava que de
Holanda lhe chegassem alguns coches e cavalos, que
deviam figurar no acto solene. No dia 7 de Junho é que
se realizou a imponente cerimónia da apresentação. O
conde de Vilar Maior saiu de Inzerstorff, para onde
partira na véspera, e entrou em Viena com todo o
aparato; aí o esperava o conde Waldestein, marechal da
corte, o qual o conduziu com dois coches do imperador, e
mais 42, tirados a seis cavalos, mandados pelos
cavalheiros principais da corte com os seus
gentis-homens. 0 cortejo era imponente; passou pelo paço
da Favorita, em cujas janelas se viam o imperador José,
as imperatrizes e as arquiduquesas, e seguiu até ao
palácio do embaixador português. No dia seguinte, o
conde Gundacharo Poppone de Dietrichstein, com os mesmos
dois coches do imperador, foi buscar o conde de Vilar
Maior, Fernando Teles da Silva, para a conduzir ao paço
da Favorita, à audiência pública dos imperadores
reinantes, e pouco depois ao paço de Viena, onde também
foi recebido em audiência pela imperatriz viúva e pelas
arquiduquesas. No dia 21 de Junho é que no paço da
Favorita, em solene audiência foi pedida em casamento a
arquiduquesa D. Maria Ana, em nome de el-rei de Portugal
D. João V. Repetiu-se depois a mesma cerimónia no paço
da imperatriz viúva. O embaixador entregou à futura
rainha o retrato de D. João V, guarnecido de diamantes
de grande valor. Neste mesmo dia se assinou o contrato
de casamento. À noite houve baile no Paço, e no dia
seguinte realizou-se no palácio do embaixador um
magnífico cortejo, a que assistiu toda a corte
austríaca. Em 9 de Julho efectuou-se a cerimónia
nupcial, sendo o imperador quem recebeu a rainha por
procuração do rei de Portugal; foi celebrante o cardeal
de Saxónia Zeits, a quem o conde embaixador presenteou
com um dos seus coches, tirado a seis cavalos,
presenteando também com diversas dádivas todos os demais
capelães que assistiram à solenidade. Na viagem para
Portugal tocou em diversos portos, realizando-se sempre
pomposas festas, até que em 26 de Outubro chegou a
Lisboa, onde teve uma imponentíssima recepção. No paço
da Ribeira houve serenatas e músicas. No Terreiro do
Paço queimaram-se fogos de artifício, e armou-se um
anfiteatro, onde em três tardes sucessivas se realizaram
corridas de touros. No dia 22 de Dezembro, seguidas dum
pomposo cortejo, foram as pessoas reais e toda a corte à
Sé, onde se cantou um solene Te-Deum. No Anno Histórico
do Padre Francisco de Santa Maria, vol. II, pág 334 e
seguintes, vêem minuciosamente descritas as esplêndidas
festas, os deslumbrantes cortejos e cerimónias, que se
realizaram em Viena de Áustria e em Lisboa, assim como a
descrição do dote da rainha. do contrato do casamento, e
de muitas ofertas feitas pelo imperador da Áustria às
pessoas que compunham a embaixada portuguesa.
Em Lisboa houve por esta época uma notável contenda com
os embaixadores das principais potências, que insistiam
para terem umas franquias incompatíveis com o regular
andamento da justiça. D. João V foi sempre muito
enérgico em todas estas contendas com os ministros
estrangeiros, mantendo as prerrogativas da Coroa e as
preeminências marcadas pela etiqueta com a mais severa
austeridade. Também pode dizer-se que em poucas épocas
teve Portugal diplomatas tão hábeis como no tempo de. D.
João V, em que se encontram os nomes de D. Luís da
Cunha, Diogo de Mendonça Corte Real e de Alexandre de
Gusmão. O monarca era extremamente devoto, e dessa
exagerada devoção resultou intervir Portugal numa guerra
entre o papa, os venezianos e os turcos. Em 1716 enviou
em socorro do papa uma luzida esquadra, comandada pelo
conde do Rio Grande, que tomou parte na gloriosa vitória
do cabo Matapan, mas que sobrecarregou a fazenda com uma
despesa enorme. Descuidava das causas urgentes do país,
e despendia largas e fabulosas somas com a cúria romana,
com igrejas e monumentos religiosos. Construiu o
grandioso convento de Mafra que custou 120 milhões de
cruzados; a capela de S. João Baptista na igreja de S.
Roque, obra riquíssima que se construiu em Roma pelo
desenho de Vanvitelli, e enquanto se não concluiu, D.
João V mandava repetidas vezes importantes quantias
exigidas pelo papa, então Benedito XIV. Em 1744 ficou
pronta a capela, que se armou dentro da igreja de S.
Pedro, e depois de sagrada em 15 de Dezembro do referido
ano, o papa oficiou de pontifical. El-rei, por esta
distinção feita à sua devota capela, presenteou o
pontífice com 100.000 cruzados. Em 1746 foi toda
desarmada e cuidadosamente encaixotada, transportando-se
assim para Lisboa, sendo acompanhada por alguns dos
artistas que tinham trabalhado na obra e do escultor
afamado Alexandre Giusti, que nunca mais abandonou
Portugal. Quando a capela chegou a Lisboa, achava-se D.
João V gravemente doente, e já não pôde ver realizada a
sua monumental obra, porque faleceu pouco tempo depois.
A capela somente se colocou em S. Roque já no reinado de
D. José, em 13 de Janeiro de 1751. No vol. XI do
Gabinete Historico, de Fr. Cláudio da Conceição, vem
descrita a história da capela de S. João Baptista na
igreja de S. Roque e de todas as suas grandiosas
riquezas.
D. João V engrandeceu bizarramente a capela real que ele
elevou a uma sumptuosa patriarcal com um numeroso
cabido, musicas e cantores. (V. Patriarcal). Dividiu
Lisboa em duas partes: Lisboa Oriental e Lisboa
Ocidental; a primeira metropolitana e a segunda
patriarcal. As negociações para a concessão desta igreja
custaram também importantíssimas somas, que se enviaram
à Cúria romana; conseguiu igualmente do Papa a 22 de
Dezembro de 1748, a troco de grandes dádivas, a
denominação de rei fidelíssimo para si e para os seus
descendentes, considerando assim como a maior glória da
sua raça o ter sido sempre fiel à Santa Sé. As
prodigalidades deste monarca eram extraordinárias;
enriqueceu os conventos, deu dinheiro ilimitado aos
fidalgos; nos últimos anos da sua vida mandou rezar para
cima de 700.000 missas; por urna imagem que o papa
benzeu, de prata dourada, deu 120.000 cruzados; para
Jerusalém mandou 1.377 cruzados; fundou o convento do
Louriçal dotando-o com 6.000 cruzados, e deu-lhe muitas
alfaias e pratas; ceou dois bispados no Brasil; mandou
para diferentes igrejas do estrangeiro alfaias e adornos
de incalculável valor; em indulgências e canonizações
enviou para Roma perto de 1,38 milhões de cruzados; na
missão que foi a Roma assistir a um conclave gastou-se
para cima de dois milhões de cruzados; ao núncio Bichi,
quando se retirou de Lisboa, mandou dar-lhe 1.000 moedas
para ajuda da viagem; ao cardeal Oddi deu-lhe uma caixa
de brilhantes no valor de 20.000 cruzados, etc. Apesar
da sua exagerada devoção, não tinha escrúpulo em
profanar a clausura das virgens do Senhor, o que lhe
adquiriu o titulo de rei freirático, transformando, por
exemplo, o convento de Odivelas, sustentando
escandalosamente os seus amores com a madre Paula,
freira sua predilecta.
O que bastante ilustra este reinado foi a edificação do
Aqueduto das Aguas Livres, melhoramento de grande
importância (V. Águas Livres, aqueduto das), e a
fundação da Academia Real da História Portuguesa, pelo
decreto de 8 de Dezembro de 1720. Esta Academia tinha
por fim escrever a história eclesiástica destes reinos,
e depois tudo o que pertencesse à história deles e de
suas conquistas. (V. Academia Real da História
Portuguesa). Também neste reinado se deu muita atenção
aos estudos de cirurgia; em 1715 foi impressa a tradução
da Cirurgia de Le Clerc; em Abril de 1731 estabeleceu-se
no hospital real de Todos os Santos uma escola
cirúrgica, dando as lições Isaac Eliot com cirurgiões de
partido, aos quais el-rei assignou o vencimento de um
tostão por dia. No Porto estabeleceu-se em 1746 a
Academia Cirúrgica Protótipo‑Lusitânica Portuense (V.
este nome), cujos estatutos foram aprovados por D. João
V. Na Historia dos Estabelecimentos scientificos,
litterarios e artisticos, de José Silvestre Ribeiro, vol,
I, pág. 174 e seguintes, encontram-se notícias
circunstanciadas acerca desta academia. D. João V tinha
constante desvelo em favorecer os autores pobres,
habilitando-os a publicar os seus escritos, que sem a
protecção do monarca, ficariam por imprimir. Se alguma
obra lhe era indicada como excelente, e já rara, não
hesitava em a mandar reimprimir. Foi assim que se
publicou a Historia Genealogica da Casa Real Portugueza,
por D. António Caetano de Sousa; O Vocabulario portuguez
e latino de Bluteau; o Corpus poetarum lusitanorum, do
padre António dos Reis, e outras muitas obras. Reuniu,
com grande dispêndio, uma rica livraria no seu palácio,
bem como numerosos e interessantes objectos de estudo.
D. António Caetano de Sousa dá curiosas notícias a este
respeito: «Assim tem, diz ele, uma numerosa e admirável
livraria, que se vêem as edições mais raras, grande
número de manuscritos, instrumentos matemáticos,
admiráveis relógios, e muitas outras coisas raras que
ocupam muitas casas e gabinetes. Não havia no Paço mais
que um pequeno resto da Livraria antiga da Sereníssima
Casa de Bragança: El-rei o fez colocar em esta Real
biblioteca, que se compõe de muitos mil volumes, que
quase não cabem no grande edifício chamado o Forte.»
Determinou ao seu enviado junto à Santa Sé, Manuel
Pereira de Sampaio, que formasse uma colecção de tudo
quanto pudesse descobrir nas bibliotecas da Cúria
Romana, que dissesse respeito à história do reino. Do
cumprimento desta ordem proveio talvez a colecção que
tem o título de Symmicta Lusitanica, que existe na
Biblioteca Real da Ajuda, excedente a 200 volumes. A
Sebastião José de Carvalho, quando foi ministro
plenipotenciário na Grã-Bretanha, ordenou que reunisse
uma colecção de bíblias hebraicas, e de tudo quanto
pertencesse a seus ritos, leis, costumes e polícia, em
qualquer das línguas vivas. Aquela preciosa colecção
chegou a Lisboa no ano de 1743. Por este tempo foi
Martim de Mendonça nomeado bibliotecário de el-rei e
adiantou este ramo de erudição, mandando vir obras da
mesma natureza na língua original, em que era muito
versado. Para aumentar a Biblioteca Real sustentou o
soberano muitos amanuenses fora do país por alguns anos.
Para o mesmo fim fez comprar diversas colecções de
livros, tiveram ordem os livreiros Gendeon e Reycend de
mandar vir os que pudessem alcançar. Destes livros
repartiu el-rei com as bibliotecas das Necessidades e de
Mafra, por sua ordem se abriram nesta última casa, em
Janeiro de 1731, escolas públicas, com sete cadeiras. Em
Outubro deste mesmo ano chamar a Lisboa Martim de Pina
de Proença, para formar o catálogo da livraria real, na
ocasião em que tinham chegado 20.000 volumes. A
Universidade de Coimbra não possuía uma casa competente
para acomodação duma livraria. 0 reitor Nuno da Silva
Telles solicitou e obteve do soberano a permissão de
construir um bom edifício. A provisão régia, que deu
esta licença, tem a data do de 31 de Outubro de 1716. A
casa da livraria veio a concluir-se, sendo reitor
Francisco Carneiro de Figueiroa. D. João V, também
elevou a 100$000 réis anuais a verba de 40$000 réis, que
a Universidade tinha para a compra de livros. Promoveu
os estudos militares, mandando traduzir e imprimir
algumas obras de fortificação e artilharia; Assistindo a
actos solenes dos exames de tais disciplinas, e
decretando em 24 de Dezembro de 1732, que, além da
Academia Militar estabelecida na corte, e a da praça de
Viana do Minho, se estabelecessem outras academias
militares: uma na praça de Elvas e outra na de Almeida.
Em 1713 já o monarca havia mandado traduzir e imprimir a
Fortificação Moderna, de Pfeffinger. Foi protector e
académico, com o título de Pastor Albano, da Academia
dos Árcades, de Roma, e ali comprou um sítio em que se
estabeleceu a Academia, para se realizarem as suas
assembleias. Sobre a porta do edifício está, colocada
uma inscrição latina. Esta Arcádia fora fundada em 1690
por alguns poetas célebres. Mandando D. João V vir par a
sua igreja patriarcal músicos e cantores italianos,
começou em Portugal a influencia da musica italiana.
As solenidades que se realizavam naquele sumptuoso
templo, eram imponentes, executadas por um coro de 70
cantores, muitos deles escolhidos entre os melhores que
se podia encontrar em Itália, dirigidos pelos
professores Scarlatti, João Jorge, Jomelli e David
Peres, os mais eminentes mestres então conhecidos no
referido país. D. João V também mandou vir de Roma
cantocanistas e liturgistas, enviando para aquela cidade
a estudar alguns pensionistas. De todos os livros do
coro usados no Vaticano, mandou tirar cópias para
servirem na sua real capela, em observância rigorosa do
uso e ritual pontifício. D. João V também prezava a
música profana. Os saraus do Paço eram frequentemente
entretidos com peças teatrais ornadas de música. As mais
antigas representações neste género, de que há notícias,
são as festas realizadas em 1711, 1712 e 1713 nos dias
dos anos do rei e da rainha. Em 1733 um violinista
italiano ao serviço do Paço, Alexandre Paghetti, obteve
privilégio para dar representações públicas de óperas no
teatro armado junto ao convento da Trindade, em que se
cantaram algumas óperas nos anos de 1737 e 1738. No
teatro da Rua dos Condes também se cantaram em 1738,
1739 e 1740. D. João V mandou construir um teatro no
palácio de Belém, que tinha comprado em 1726 ao conde de
Aveiras, e foi este o primeiro teatro régio
especialmente construído para esse fim, inaugurando-se a
4 de Novembro de 1739, o monarca instituiu um seminário
destinado ao ensino especial da música, organizado à
semelhança do de Vila Viçosa, e cujas despesas eram
pagas pelas rendas da Capela Real. Tem a data de 9 de
Abril de 1713 o decreto que fundou este novo seminário
de música, o qual começou logo a funcionar no antigo
paço dos arcebispos; pouco depois, para ter mais
largueza, foi transferido para o convento de S.
Francisco.
Em 1729, D. João V casou seu filho, o príncipe D. José,
com a princesa espanhola D. Mariana Vitoria, e sua
filha, D. Maria Bárbara, com o príncipe das Astúrias, D.
Fernando, que depois foi Fernando VI, rei de Espanha. A
troca das duas princesas efectuou-se na presença dos
dois soberanos das duas cortes, num pavilhão que se
ergueu na ponte sobre o rio Caia, exactamente na
fronteira dos dois estados, fazendo-se tudo com
extraordinária pompa. Em 1742 foi o monarca atingido
pelo primeiro ataque de paralisia. Reconhecendo o seu
estado melindroso, dedicou-se a Deus, temendo a morte
que o esperava. Os frades estimulavam-lhe o fervor
religioso, e os físicos lhe aconselhavam o emprego das
águas das Caldas da Rainha. D. João V utilizou
efectivamente estas águas, acompanhando o tratamento com
exercícios devotos e muitas rezas. Fez treze jornadas às
Caldas, seguido de frades e de freiras. Em 1717 ordenou
que o hospital fosse refundido, ficando as obras
concluídas em 1750. Em Julho deste ano piorou
consideravelmente, e foi sacramentado. Os frades foram
chamados, recitaram-se salmos e jaculatórias, e o núncio
veio administrar-lhe o sacramento da extrema unção. 0
rei expirou pouco depois, tendo a seu lado a rainha, o
príncipe D. José, os infantes D. Pedro e D. António, o
cardeal da Cunha e os médicos da corte.
Assim terminou o rei D. João V, deixando pobre o país
pelas suas prodigalidades e desperdícios. Deixou também
três filhos bastardos, D. António, D. Gaspar e D. José,
conhecidos pelos Meninos de Palhavã. Acerca deste
monarca escreveu Rebelo da Silva o interessante romance
A Mocidade de D. João V. Das amantes fala-se nos
seguintes livros: A Caveira da martyr, de Camilo Castelo
Branco; 0 mosteiro de Odivellas, de Borges de
Figueiredo; As minhas queridas freirinhas de Odivellas,
de Bernardes Branco; As amantes de D. João V, de Alberto
Pimentel; A Madre Paula, de Rocha Martins. 0 Sr. Artur
Lobo de Ávila publicou recentemente no Diário de
Notícias um novo romance histórico, com o título de 0
Rei magnífico.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico,
Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico,
Volume III, págs. 1048-1051.
A Batalha de Matapan (actualmente Cabo Tenaro na Grécia)
em Abril de 1717.
O Rei, para satisfazer a um pedido que lhe fizera o
Papa, enviou em socorro da Santa Sé ameaçada pelos
Turcos, uma poderosa esquadra comandada pelo Conde de
Rio Grande. Nesta batalha, envolveram-se duas esquadras:
uma formada a pedido do Papa Clemente XI, na qual
estavam 7 embarcações portuguesas e 30 galeras de Malta,
Veneza e dos Estados Pontífices; a outra esquadra,
formada por 54 galeras, pertencia ao sultão Ahmed de
Constantinopla, que tentava expandir seus domínios no
Mediterrâneo.
Após quase um dia de batalha, os turcos foram
derrotados, tendo perdido diversas embarcações e mais de
2000 homens, enquanto que a frota católica perdeu 300
homens.
BREVE APRESENTAÇÃO DA ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA
http://www.aph.com.pt
A ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA, instituição
científica estatal, criada pelo Decreto-Lei n° 26611, de
19 de Maio de 1936, é a legítima herdeira da mais antiga
Academia nacional – a ACADEMIA REAL PORTUGUESA DA
HISTÓRIA – fundada por D. João V, conforme decreto de 8
de Dezembro de 1720. Durante dezenas de anos esta
instituição desenvolveu uma actividade cultural de
grande relevo, como se pode verificar nas magníficas
edições, mas, por circunstâncias ainda pouco conhecidas,
começou a desagregar-se na segunda metade do século
XVIII, acabando por se extinguir naturalmente.
Herdeira da figura da História, da divisa Restituet
Omnia, para além de parte da obra literária a nova
Academia Portuguesa da História começou as suas
actividades a 9 de Janeiro de 1938, data da primeira
reunião do Conselho Académico. A sua constituição e fins
são claramente definidos nos Estatutos, cujo texto
refere tratar-se de uma «agremiação de especialistas que
se dedicam à reconstituição documental e crítica do
passado». Tem a Academia, designadamente, os seguintes
fins:
a) Realizar a investigação científica da história e
tornar públicos os seus resultados; b) Estimular e
coordenar esforços tendentes ao rigoroso conhecimento da
história nacional, no sentido de esclarecer a
contribuição portuguesa para o progresso da Cultura e da
Civilização;
c) Promover a publicação sistemática de fontes
documentais que interessem à História portuguesa;
d) Publicar, em língua portuguesa ou em línguas
estrangeiras, obras que contribuam para o conhecimento
dos factos relacionados com a presença civilizadora de
Portugal no Mundo;
e) Procurar servir de orientadora dos estudos históricos
nacionais;
f) Cooperar em tudo o que respeita à inventariação e
defesa do património histórico e documental da Nação,
emitindo parecer sobre esta matéria sempre que lhe seja
solicitado.
Hoje, poderá definir-se ainda como uma «agremiação de
especialistas que se dedicam à reconstituição documental
e crítica do passado», sendo igualmente o órgão
consultivo do Governo na matéria da sua competência» (art°.
3 dos respectivos estatutos).
Tem a seguinte constituição:
Académicos de Número:
- 30 de nacionalidade portuguesa;
- 10 de nacionalidade brasileira;
Académicos Correspondentes:
- 80 de nacionalidade portuguesa;
- 20 de nacionalidade brasileira;
- 10 de outros países de expressão portuguesa;
- 80 de outros países estrangeiros.
Neste conjunto se inserem especialistas em várias áreas
do saber, mas cuja obra seja um contributo decisivo para
a “História de Portugal”, nos mais diversos âmbitos
(linguista, militar, religiosa, regional e local, etc.).
Por isso, no conjunto
dos Académicos se contam reputados investigadores e
especialistas, quer de obra já consagrada, quer
jovens-promessa que possam assegurar a Academia de
amanhã. Nessa estratégia de presente e de futuro se
insere a presença de consagrados intelectuais, como os
Professores Doutores: Joaquim Veríssimo Serrão, Justino
Mendes de Almeida, Maria Leonor Machado de Sousa, Aníbal
Pinto de Castro, Carlos Antera Ferreira, Humberto
Baqueio Moreno, José Marques, Pedro Soares Martinez,
Mário Júlio de Almeida Costa, José Pedro Machado, José
de Pina Martins,Luís Oliveira Ramos. E a par destes,
integram igualmente a A.P.H. outros reputados
historiadores, ainda no activo, tais sejam os
Professores Doutores: António Pedro Vicente, Luís Adão
da Fonseca, Maria Helena da Cruz Coelho, Maria
Alegria Marques, Manuela Mendonça, Maria José Azevedo
Santos, Maria do Rosário Themudo Barata, João Luís
Cardoso. Nesta aliança entre o saber e a experiência
nasce a síntese criativa que a Academia Portuguesa da
História se orgulha de assegurar. Para tanto, a sua
acção desenvolve-se do seguinte modo:
- sessões semanais, abertas ao público, nas quais os
Académicos comunicam aspectos da respectiva
investigação;
- sessões extraordinárias em que celebram efemérides
notáveis, cujo tema é objecto de estudo e comunicação;
- sessões extraordinárias fora da Academia,
privilegiando a História Local; - Jornadas de trabalho,
abertas ao público sempre que o tempo histórico vivido o
proporciona;
- Publicações diversas, quer das Actas dos encontros,
quer resultado da investigação dos Académicos;
- Reedições de obras esgotadas.
Pode afirmar-se que a Academia Portuguesa da História
vive actualmente um período de renovação, quer pela
inclusão de número significativo
de membros jovens, quer pelo impulso dinâmico que a
coloca no lugar cimeiro da investigação Histórica.
Para a correcta prossecução das suas actividades
impõe-se a mudança de sede, para edifício digno e que
lhe permita apresentar-se em igualdade de circunstâncias
com as suas congéneres, nomeadamente de Espanha e de
toda a Ibero-América, cujo contacto e intercâmbio
privilegia. No seu rico espólio conta com várias
bibliotecas e arquivos particulares, que urge organizar
em espaço condigno e individualizado.
Do mesmo modo, importa tratar e abrir ao público a sua
notável biblioteca que, nas anteriores instalações, se
encontra inoperável e guardada em cerca de 4 quilómetros
de prateleira. É uma biblioteca especializadíssima, cuja
abertura muito contribuirá para o desenvolvimento da
ciência Histórica em Portugal, o que será completado
pela disponibilização de um fundo documental rico, mas
carecendo de tratamento e instalações adequadas. A
Academia Portuguesa da História dispõe ainda de
numerosas publicações, em armazém, que igualmente
precisam de ser conhecidas e divulgadas. A instalação da
Academia num novo Palácio permitirá fazer dela um Centro
de Cultura que muito enriquecerá a cidade de Lisboa –
cidade cuja história é anualmente tratada, todos os
meses de Junho.
Assim, prevemos que, nas novas instalações, venham a ser
possíveis, para além dos serviços administrativos:
- Uma biblioteca e arquivo aberta ao público;
- Duas salas de conferencias, que virão a ser facultadas
a outras actividades intelectuais solicitadas do
exterior;
- Um espaço para exposições temporárias;
- Gabinetes de estudo e orientação de temáticas
históricas.
Contactos:
Academia Portuguesa da História
Palácio dos Lilases
Alameda das Linhas de Torres, n.º 198-200
1769-024 Lisboa
Telefone: (+351) 217 549 060
Fax: (+351) 217 591 382
E-Mail: acad.port.historia@sapo.pt
Biblioteca da Universidade de Coimbra (Joanina)
http://www.regiaocentro.net/
BIBLIOTECA JOANINA
Também chamada Casa da Livraria. A "obra-prima do ciclo
joanino da arquitectura coimbrã" (Cf. Inventário
Artístico de Portugal - Cidade de Coimbra), uma das mais
belas do mundo. Inicia-se a construção em 1717.
Obra executada pelo arquitecto Gaspar Ferreira então
mestre permanente das obras da Universidade, sendo
empreiteiro o construtor coimbrão João Carvalho
Ferreira. João Rodrigues de Almeida, mestre-de-obras de
carpintaria e António Martins Jacob, lavrante, são os
autores das obras de talha.
Em 22 de Junho de 1723 são contratados os pintores
António Simões Ribeiro e Vicente Nunes para executarem
os frescos dos tectos em perspectiva, e, em 22 de Agosto
do mesmo ano, é contratado o pintor Manuel da Silva para
fazer o douramento e pintura acharoada das estantes,
balaustradas, e outras, da Biblioteca.
Em 1725 é colocada na parede do topo, em posição de
destaque, uma grande tela com o retrato de D. João V.
Desconhece-se o seu autor. "Esta obra maravilhosa de
proporções, estilo e gosto, única no Mundo pela unidade
e originalidade da concepção ... foi toda executada por
artistas portugueses" (Cf. Inventário Artístico de
Portugal - Cidade de Coimbra).
Texto de Augusto Alfaiate especialmente para o
regiaocentro.net
Amantes de D. João V
A Madre Paula (1701-1768) foi uma freira famosa, apenas
por ser amante do rei D. João V,de quem teve vários
filhos.
A madre Paula, religiosa de Odivelas e mãe de D. José,
um dos Meninos de Palhavã , tornou-se a amante mais
célebre do Magnânimo, ficando para sempre associada ao
monarca e ao seu reinado. O traço de escândalo da paixão
que teria inspirado a D. João V durante uma longa
relação amorosa combina-se com a fama do espantoso luxo
que a protecção do soberano enriquecido pelo ouro
brasileiro forneceria a Paula.
Paula Teresa da Silva nasceu em Lisboa em 17 de Junho de
1701, sendo baptizada na freguesia de Santa Justa, de
acordo com o registo de baptismos desta paróquia. O seu
avô paterno era João Paulo de Bryt, um alemão
estabelecido em Lisboa como ourives. Do seu casamento
com Leonor de Almeida (filha do marinheiro napolitano
Domingos Urselo e de Domingas Andrade Almeida) nasceu
Adrião de Almeida Paulo, que seguiu a profissão do pai.
Adrião de Almeida e a sua mulher, Josefa da Silva e
Sousa, tiveram três filhas, Maria Micaela da Luz, Paula
Teresa da Silva e Leocádia Felícia de Assis e Almeida.
De acordo com os registos do mosteiro de Odivelas, Maria
Micaela da Luz tornou-se noviça em 15 de Agosto de 1704,
tendo professado a 4 de Outubro desse ano e permanecido
na instituição até à sua morte (4 de Julho de 1768).
Quanto a Leocádia Felícia, também passou por Odivelas,
vindo no entanto a casar com José Falcão de Gamboa
Fragoso (morgado da Boavista e Santo Aleixo e dono da
Quinta da Bela Vista, ou Quinta do Falcão, na Pontinha),
do qual teve uma filha.
Paula Teresa seguiu o exemplo da irmã mais velha,
juntando-se a Maria da Luz no mosteiro de Odivelas,
cujos assentos registam o seu noviciado, em 31 de
Janeiro de 1717, tal como a profissão, em 22 de
Fevereiro do ano seguinte. A sua entrada na vida
religiosa parece ter sido decidida pelo pai desde muito
cedo. Os escassos recursos de Adrião de Almeida
justificariam essa vontade de assegurar o sustento das
filhas através do seu ingresso no célebre mosteiro dos
arredores de Lisboa. Não existe base para a hipótese de
Paula ter conhecido D. João V antes de entrar para a
congregação.
Odivelas era um local assiduamente frequentado pela
nobreza de corte na época em que Paula se tornou freira.
Em 1719, realiza-se no mosteiro a festa do Desagravo do
Santíssimo Sacramento (11 de Maio), promovida pelo conde
de Penaguião e por Francisco de Assis de Távora, na qual
se ofereceu “um magnífico jantar a toda a Nobreza que
assistiu” à cerimónia. No mesmo ano, a 23 de Outubro,
ocorre em Odivelas, com a presença da Corte, a tourada
comemorativa do casamento de D. Brás Baltasar da
Silveira e D. Joana de Meneses (filha dos condes de
Santiago). Não faltariam, portanto, oportunidades para
D. João V e os titulares que o rodeavam se deslocarem ao
local.
Terá sido por esta altura que começaram os encontros
entre o rei e Paula Teresa da Silva, uma vez que D. José
de Bragança nasce, em Lisboa, no dia 8 de Setembro de
1720. Sobre a forma como o monarca e a filha de Adrião
de Almeida se conheceram, existem versões sem grande
credibilidade, como as de Charles Fréderic de
Merveilleux (o interesse por outra mulher que resistia,
refugiando-se em Odivelas, à sua aproximação teria
levado o rei ao mosteiro, onde conheceria Paula) e
Alberto Pimentel (para este autor, o primeiro interesse
amoroso do monarca seria D. Madalena de Miranda, mãe de
D. Gaspar, outro dos “Meninos de Palhavã”).
O luxo de Paula
Adrião de Almeida beneficiou da ligação entre a sua
segunda filha e o monarca, que lhe concedeu algumas
benesses, documentadas na Chancelaria da Ordem de
Cristo. Em 15 de Setembro de 1722, o pai de Paula recebe
o hábito de Cristo (nesta altura, segundo a carta que
lhe atribui o hábito, era já viúvo e maior de 50 anos) e
é armado cavaleiro, recebendo licença para professar no
Mosteiro de Nossa Senhora da Luz. É-lhe também atribuída
uma tença de 12 réis “no Almoxarifado da Fruta de
Lisboa” (8 de Outubro).
Em 1728, Paula recebe tenças avultadas, registadas na
Chancelaria de D. João V. Assim, em 28 de Abril, são
concedidos à religiosa 210 mil réis anuais. Em 10 de
Maio, são atribuídos 210 mil réis por ano a Paula e a
todos os seus herdeiros e sucessores, “assentados nos
direites da Casa de India e pagos como athegora em duas
pagas de Natal e São João”. Finalmente, a 3 de Novembro,
é estabelecida uma tença de 1288 mil réis (cedida por
Manuel Tomás da Silva, deão da capela real de Vila
Viçosa), que duraria três vidas (Paula, Maria da Luz,
Leocádia), podendo prolongar-se por mais duas vidas,
caso a terceira beneficiária tivesse filhos.
D. João V não deixaria de mandar construir para Paula
“uma residência cujo interior era digno da magnificência
do rei do ouro”, erguendo o edifício conhecido
popularmente por “Torre da Madre Paula” (demolido em
1948 devido ao perigo de derrocada, aquando de obras no
espaço do mosteiro). Aí se localizariam os aposentos de
Paula e da sua irmã Maria da Luz.
Uma descrição do seu interior encontra-se num manuscrito
anónimo e sem data (existente na Biblioteca Nacional de
Lisboa), embora aparentemente contemporâneo das
habitantes da casa, uma vez que utiliza o tempo presente
(“O quarto de cima, aonde assistem”, “O gabinete em que
se touca Paula”). Um dos exemplares conhecidos do
documento possui o título de Notícia verdadeira do
ornato que se viu nas casas de Madre Soror D. Paula
Maria, religiosa no mosteiro de Odivelas. Seria a quem
El-Rei D. João V tratou com as mais distintas honras
obrigado a um amoroso afecto.
O texto refere as várias divisões que compõem os
aposentos de Paula e Maria da Luz, enumerando a
decoração (“assentos de veludo amarelo, com passamanes
de prata”, “armado de melania carmesim, com franjas e
passamanes cor de ouro”) e os móveis que as ornamentam,
procurando o autor impressionar com a profusão de
objectos como espelhos (frequentemente dourados) ou
bufetes (existentes em todos os espaços descritos,
excepto no oratório, também ele luxuoso). Alguns móveis,
como o “leito da moda” de Paula, com “santos de ouro
maciço em relevos” e roupa também valiosa (“lençois de
olanda mui boa”), merecem particular destaque. O autor
afirma não ter contemplado (“isto ainda não se viu”) as
numerosas arcas “de roupa de cheiro” que se dizem
existir.
O aspecto mais impressionante da descrição é a
abundância de prata (“tudo de prata dourada, que não tem
número”, “e tudo, que não se pode repetir, de prata”),
de talha dourada (“as paredes de talha dourada”, “tectos
de entalhados dourados”, “oratório todo de talha
dourada”, “duas sanefas de talha dourada”, etc.) e ouro
(“cortinas bordadas de ouro e borlas de ouro”). A
repetição de termos relativos a este metal (nos onze
parágrafos do texto, a palavra “ouro” é utilizada trinta
vezes, tal como o conjunto de adjectivos dela derivados)
destaca a preocupação do autor anónimo em realçar o
esplendor da habitação. Os metais brasileiros abundariam
em Odivelas, sendo a habitação de Paula (servida por
nove criadas) um verdadeiro símbolo do esplendor
joanino.
César de Saussure contribui para a ideia do luxo de
Paula com a sua descrição da “banheira de prata maciça”,
“dourada por dentro e por fora”, que viu em Londres (a
qual terá sido encomendada em 1724 por D. João V ).
Fabricada para oferta à amante do monarca português,
“uma religiosa de não sei que convento”, a banheira
pesaria 3580 onças, causando, pela sua beleza, a
admiração da corte britânica.
A caracterização pormenorizada do edifício presente no
documento anónimo tem sido considerada verosímil, embora
Carlota Abrantes Saraiva aponte a ausência de
referências aos conjuntos de valiosos azulejos joaninos
cuja existência no local, já no século XIX, é referida
por Borges de Figueiredo e Manuel Bernardes Branco. Na
minha opinião, o manuscrito que descreve a habitação da
freira erroneamente designada por “Paula Maria” no
título pode não merecer plena confiança, caindo no
exagero. Terá surgido em resultado quer do interesse
pela relação extraconjugal de D. João V quer da fama que
logo na altura se criou acerca da ostentação que
constituía um aspecto essencial da imagem do rei
freirático. A sua favorita não poderia deixar de
beneficiar dessa riqueza, correspondendo o conteúdo do
texto às expectativas dos eventuais leitores.
Mitos criados logo na primeira metade do século XVIII
estarão na origem da crença no luxo oriental da
religiosa. No entanto, D. João V terá contribuído
(conscientemente?) para essa lenda com as benesses que
concedeu a Paula e à sua família e o seu investimento na
decoração da Torre (cujos aposentos principais terão
sido destruídos pelo sismo de 1755).
Meninos de Palhavã
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Coche dos Meninos de Palhavã |
http://pt.wikipedia.org/wiki/
Os denominados Meninos de Palhavã eram os filhos
bastardos (de sexo masculino) de D. João V (1706-50),
reconhecidos pelo soberano em documento que firmou em
1742, mas que só foi publicado em 1752, após a sua
morte.
A expressão deriva do facto de terem habitado no palácio
dos marqueses de Louriçal, situado na zona de Palhavã,
na altura arredores de Lisboa, mas que hoje se situa em
plena cidade (o edifício - denominado Palácio da
Azambuja - é hoje a Embaixada de Espanha em Portugal,
sendo também conhecido por "Palácio dos Meninos de
Palhavã"). Eram eles:
D. António (1704-1800), filho de uma francesa cujo nome
é desconhecido. Doutorou-se em Teologia e veio a ser
cavaleiro da Ordem de Cristo.
D. Gaspar (1716-1789), filho da religiosa D. Madalena
Máxima de Miranda. Veio a ser arcebispo primaz de Braga.
D. José (1720-1801), filho da religiosa madre Paula de
Odivelas (Paula Teresa da Silva). Exerceu o cargo de
Inquisidor-mor.
Em consequência de um conflito que tiveram com o marquês
de Pombal, D. António e D. José foram desterrados para o
Buçaco em 1760 de onde só puderam regressar depois da
morte de D. José I, ocorrida em 1777.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande -
Portugal

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