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HISTÓRIA de P O R T U G
A L
(Resumo)
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Trabalho e Pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro |


D. Luís
I
– o “Popular”
R einou de 1861 a 1889
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(1830-1910) |
R ei
de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor da Guiné
e do Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e
Índia, etc |
No reinado de D. Luís, realizaram-se grandes melhoramentos e
reformas, que muito contribuíram, para o progresso do País:
- Foi alargada a rede de estradas, de caminhos de ferro e de
telegrafia eléctrica;
- Construíram-se as pontes de ferro sobre o rio Douro;
- O Palácio de Cristal, no Porto;
- Aumentou-se a Marinha de Guerra;
- Criaram-se escolas primárias, agrícolas e industriais e bancos
de crédito;
- Aboliu-se a pena de morte para os crimes civis, o que motivou
uma carta de Victor Hugo, grande escritor francês, a felicitar o
Governo;
- Revogou-se as leis de trabalhos públicos na metrópole e a de
escravidão em todos os domínios do Reino;
- Aumentou-se a nossa legislação com a publicação do Código Civil,
etc., etc.
O governo de D. Luís distinguiu-se ainda pelas grandes explorações
científicas que se efectuaram através do continente africano.
O major de infantaria, Alexandre de Serpa Pinto, realizou a viagem
de Luanda ao Natal, em 1879; e os oficiais de marinha Hermenegildo
Capelo e Roberto Ivens, em 1885 exploraram todo o sertão de
Moçâmedes a Quelimane, num percurso de 4.500 milhas. Estas viagens
causaram a admiração na Europa e glorificaram o nome de Portugal.
Em Maio de 1886, a França assinou com Portugal um tratado, pelo
qual era assegurado o exercício da nossa influência e soberania no
território descoberto por aqueles notáveis exploradores (Serpa
Pinto, Capelo e Ivens) e que estabeleceu a ligação, por terra,
entre as duas zonas de Angola e Moçambique. Esse território é
conhecido pela designação de Mapa-cor-de-Rosa por ser essa a cor
que o evidenciava num mapa que apareceu apenso àquele tratado. Em
Dezembro do mesmo ano, assinava-se um novo tratado com a Alemanha
em que esta potência também reconhecia os direitos que a França já
nos tinha assegurado.
Durante este reinado efectuaram-se na África Portuguesa diversas
campanhas contra os indígenas rebeldes:
- Em 1872, são os Dembos derrotados pelo tenente-coronel Gomes de
Almeida e capitão Nunes da Mata;
- Em 1874, foram submetidos os indígenas de Malange e Ambaca pelos
majores Teixeira Beltrão e Nunes da Mata;
No mesmo anos são subjugados os povos do Humbe pelo capitão Pedro
Chaves;
Em 1889 é aprisionado o régulo do Cubango pelo tenente Artur de
Paiva;
Em 1888 (em Moçambique) Augusto de Cstilho promove a campanha da
Zambézia;
Em 1889, João de Azevedo Coutinho submete os Macololos, em
Moçambique.
D. Luís faleceu no dia 19 de Outubro de 1889, tendo-lhe sucedido o
filho D. Carlos, que era um príncipe muito culto e ilustrado.
D. Luís
Filho segundo de D. Maria II (1819-1853) e de D. Fernando III
(1816-1885). Assumiu o governo a 14 de Outubro de 1861, tendo
casado com D. Maria de Sabóia. Era primorosamente educado, com
temperamento de literato e artista. Embora tivesse dominado a paz
no reinado, houve um levantamento de tropas, em 1862 e em finais
de 1867 o movimento da Janeirinha e em 19 de Maio de 1870, o duque
de Saldanha impôs a demissão do governo, e passou a assumir a
presidência do novo ministério.
Em 1865-1866 a vida mental foi sacudida pela Questão Coimbrã e em
1871 surgiu a iniciativa das Conferências Democráticas do Casino.
Realizam-se as viagens ao interior da África, o major Serpa Pinto
de Benguela ao Bié, Zambeze e chegou às cataratas de Vitória.
Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens exploraram o sertão de
Benguela e atravessaram a África de Luanda a Tete.
A partir de 1876 o Partido Progressista aspira a articular o
Estado segundo a teoria liberal, propondo a reforma da Carta, a
descentralização administrativa, a fidedignidade e ampliação do
sufrágio eleitoral, a reorganização do poder judicial e da
contabilidade pública. Em 1877 demitiu-se o ministério regenerador
de Fontes Pereira de Melo e voltou a ser reintegrado.
Posteriormente os progressistas atacaram o rei, acusando-o de
patrocinar os regeneradores (Emídio Navarro, no Progresso, Joaquim
Martins de Carvalho, no Conimbricense). O ministério regenerador
caiu, em 1879, e D. Luís chamou os progressistas a formar governo.
O republicanismo evoluíra também e em 1878 toma lugar na Câmara o
primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas, eleito pelo
Porto. Em 1880 o Partido Republicano era uma realidade e uma
força.
O reinado de D. Luís assinalou-se materialmente pelo progresso,
socialmente pela paz e pelos sentimentos de convivência e
politicamente pelo respeito pelas liberdades públicas,
intelectualmente por uma geração notável (Eça de Queiroz, Antero
de Quental, etc.).
Ficha genealógica:
D. Luís I nasceu no Palácio das Necessidades, a 31 de Outubro de
1838, tendo recebido o nome de Luís Filipe Maria Fernando Pedro de
Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco
de Assis João Augusto Júlio Valfando, e morreu na Cidadela de
Cascais, a 19 de Outubro de 1889, tendo sido sepultado no Panteão
Real de S. Vicente de Fora). Casou em Lisboa a 6 de Outubro de
1862 com a princesa Maria Pia de Sabóia (n. em Turim, a 16 de
Outubro de 1847; f. no Castelo de Stupinigi, no Piemonte, a 5 de
Julho de 1911; sepultada na Basílica de Superga, na Itália), filha
do rei Vítor Manuel II da Sardenha e de sua mulher a arquiduquesa
Maria Adelaide. Do consórcio nasceram:
1. D. Carlos, que sucedeu no trono.
2. O infante D. Afonso Henriques (n. no Paço da Ajuda, a 31 de
Julho de 1865; f. em Nápoles a 21 de Fevereiro de 1920). Casou
morganaticamente em Roma, a 26 de Setembro de 1917, com Nevada
Stoody Hayes, que passou a chamar-se Nevada de Bragança (n. em
Ohio a 21 de Outubro de 1885; f. em Tampa, na Florida, a 11 de
Janeiro de 1941).
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de Portugal, Lisboa,
Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão História de Portugal, Volume IX: O
Terceiro Liberalismo (1851-1890) Lisboa, Verbo, 1986.
Serpa Pinto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serpa_Pinto
Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto
Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto (20 de Abril de 1846 -
28 de Dezembro de 1900) foi um explorador e administrador colonial
português que percorreu África central e meridional para fazer o
reconhecimento do território e efectuar o mapeamento do interior
do continente.
Ingressou no Colégio Militar com 10 anos e aos 17 tornou-se no seu
primeiro Comandante de Batalhão aluno.
Serpa Pinto viajou até à África Oriental em 1869 numa expedição ao
rio Zambeze. Oito anos depois liderou uma expedição que partiu de
Benguela, em Angola, e percorreu as bacias do rio Congo e do
Zambeze.
Roberto Ivens
http://pt.wikipedia.org/
As explorações africanas
Ao regressar a Lisboa, soube do plano governamental de exploração
científica no interior africano, destinado a explorar os
territórios entre as províncias de Angola e Moçambique e,
especialmente, a efectuar um reconhecimento geográfico das bacias
hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Foi, de imediato, oferecer-se
para nela tomar parte. Como, porém, a decisão demorasse, pediu
para ir servir na estação naval de Angola. Aproveitou esta estadia
para fazer vários reconhecimentos, principalmente no rio Zaire,
levantando uma planta do rio entre Borud e Nóqui.
Por Decreto de 11 de Maio de 1877 foi nomeado para dirigir a
expedição aos territórios compreendidos entre as províncias de
Angola e Moçambique e estudar as relações entre as bacias
hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Na mesma data foi promovido a
primeiro tenente.
De 1877 a 1880, ocupou-se com Hermenegildo Capelo e, em parte, com
Serpa Pinto, na exploração científica de Benguela às Terras de
Iaca. No regresso, recebe a Comenda da Ordem Militar de Santiago e
é nomeado a 19 de Agosto de 1880 vogal da Comissão Central de
Geografia. Por Decreto de 19 de Janeiro de 1882, foram-lhe
concedidas honras de oficial às ordens e a 28 de Julho foi nomeado
para proceder à organização da carta geográfica de Angola.
Em 19 de Abril de 1883, é nomeado vogal da comissão encarregada de
elaborar e publicar uma colecção de cartas das possessões
ultramarinas portuguesas. Por portaria de 28 de Novembro do mesmo
ano foi encarregado de proceder a reconhecimentos e explorações
necessários para se reunirem os elementos e informações
indispensáveis afim de se reconstruir a carta geográfica de
Angola.
Face às mais que previsíveis decisões da Conferência de Berlim era
preciso demonstrar a presença portuguesa no interior da África
austral, como forma de sustentar as reivindicações constantes do
mapa cor-de-rosa entretanto produzido. Para realizar tão grande
façanha, são nomeados Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.
Feitos os preparativos, a grande viagem inicia-se em Porto Pinda,
no sul de Angola, em Março de 1884. Após uma incursão de Roberto
Ivens pelo rio Curoca, a comitiva reúne-se, de novo, desta vez em
Moçamedes para a partida definitiva a 29 de Abril daquele ano.
Foram 14 meses de inferno no interior africano, durante os quais,
a fome, o frio, a natureza agreste, os animais selvagens, a mosca
tsé-tsé, puseram em permanente risco a vida dos exploradores e
comitiva. As constantes deserções e a doença e morte de
carregadores aumentavam o perigo e a incerteza. Só de uma vez,
andaram perdidos 42 dias, por terrenos pantanosos, sob cndições
meteorológicas difíceis, sem caminhos e sem gente por perto. Foram
dados como mortos ou perdidos, pois durante quase um ano não houve
notícias deles.
Ao longo de toda a viagem, Roberto Ivens escreve, desenha, faz
croquis, levanta cartas; Hermenegildo Capelo recolhe espécimes de
plantas, rochas e animais.
A 21 de Junho 1885, chega a finalmente expedição a Quelimane, em
Moçambique, cumpridos todos os objectivos definidos pelo governo.
Na viagem foram percorridas 4500 milhas geográficas (mais de 8300
km), 1.500 das quais por regiões ignotas, tendo-se feito numerosas
determinações geográficas e observações magnéticas e
meteorológicas.
Estas expedições, para além de terem permitido fazer várias
determinações geográficas, colheitas de fósseis, minerais e de
várias colecções de história natural, tinham como objectivo
essencial afirmar a presença portuguesa nos territórios explorados
e reivindicar os respectivos direitos de soberania, já que os
mesmos se incluíam no famoso mapa cor-de-rosa que delimitava as
pretensões portuguesas na África meridional.
[editar] Honra e glória
Finda a viagem de exploração, Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo
foram recebidos como heróis em Lisboa, a 16 de Setembro de 1885. O
próprio rei D. Luís dirigiu-se ao cais para os receber em pessoa e
os condecorar à chegada. O rio Tejo regurgitava de embarcações.
Nunca se havia visto tamanho cortejo fluvial. Acompanhados pelo
rei foram conduzidos ao Arsenal da Marinha para as boas vindas,
com Lisboa vestir-se das suas melhores galas para os receber.
Foram oito dias de festas constantes, com colchas nas varandas,
iluminação, fogos de artifício, recepções, almoços, jantares e
discursos sobre a heróica viagem.
Mais tarde, o Porto não quis ficar atrás, excedendo-se em
manifestações de regozijo e recepções. E no estrangeiro, Madrid
esmerou-se em festas, conferências, recepções e condecorações; em
Paris é-lhes conferida a Grande Medalha de Honra.
Em Ponta Delgada, por iniciativa de Ernesto do Canto sucederam-se
as manifestações em honra do herói. O dia 6 de Dezembro de 1885
foi o escolhido para as solenidades. As ruas da cidade encheram-se
de gente de todas as condições sociais. Cada profissão, cada
instituição se incorporou no cortejo cívico com os seus pendões.
Não faltaram as bandas de música e os discursos. Expressamente
para esse dia foi composto o número único do jornal Ivens e Capelo
e foi executado um Hino a Roberto Ivens, com letra de Manuel José
Duarte e músico de Quintiliano Furtado.
Roberto Ivens faleceu no Dafundo, Oeiras, em 28 de Janeiro de
1898, deixando viúva e três filhos que, por decreto de D. Carlos,
continuariam a receber o subsídio que havia sido atribuído ao pai.
O enterro, a 29 de Janeiro, foi uma grande manifestação de pesar
nacional. A urna de mogno estava coberta com a bandeira nacional.
O segundo tenente Ivens Ferraz conduzia o bicórnio e a espada do
falecido, envolta em crepe. Sobre a urna, três coroas de flores.
No largo do Cemitério de Carnaxide prestou as honras fúnebres uma
força de 160 praças do corpo de marinheiros, com a respectiva
charanga, e junto do jazigo, o Ministro da Marinha proferiu o
elogio fúnebre.
Por todo Portugal existem dezenas de ruas com o nome de Roberto
Ivens. Ponta Delgada prestou-lhe também a devida homenagem,
erguendo um busto inicialmente colocado no Relvão e transferido,
por decisão camarária de 1950, para a "Avenida Roberto Ivens", que
começou a ser aberta com a demolição do muro da cerca do Convento
da Esperança em 7 de Abril de 1886. Em Ponta Delgada, bem próximo
do lugar do seu nascimento, funciona a Escola Básica Integrada
Roberto Ivens.
Hermenegildo Capelo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermenegildo_Capelo
A 1ª Viagem - De Benguela às Terras de Iaca
O Objectivo
Brito Capello, quando da sua permanência em Angola fez o
reconhecimento científico daquela zona, facto que o fez ser
escolhido, por Decreto de 11 de Maio de 1877, para dirigir uma
expedição científica à África Central da qual também faziam parte
o oficial da marinha Roberto Ivens e o major do exército Serpa
Pinto . Sob os auspícios da Sociedade de Geografia, esta expedição
tinha por fim «...o estudo do rio Cuango nas suas relações com o
Zaire e com os territóros portugueses da costa ocidental, assim
como toda a região que compreende ao Sul e a sueste as origens dos
rios Zambeze e Cunene e se prolonga ao Norte, até entrar pelas
bacias hidrográficas do Cuanza e do Cuango...».
A Viagem
A 7 de Julho de 1877 Brito Capello, Roberto Ivens e Serpa Pinto
iniciam a expedição. Feito o trajecto Benguela-Bié, divergências
entre Serpa Pinto e Brito Capello levam a expedição a dividir-se,
com Serpa Pinto, por sua iniciativa a tentar a travessia até
Moçambique. Não o conseguiu como pretendia, mas chegou a Pretória,
e posteriormente a Durban. Brito Capello e Roberto Ivens
mantiveram-se fiéis ao projecto inicial concentrando as atenção na
missão para que haviam sido nomeados, ou seja nas relações entre
as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Percorreram as
regiões de Benguela até às terras de Iaca, tendo delimitado os
cursos dos rios Cubango, Luando e Tohicapa. A 1 de Março de 1880
Lisboa recebe triunfalmente Brito Capello e Roberto Ivens, tendo o
êxito da expedição ficado perpetuado no livro De Benguela às
Terras de Iaca.
A 2ª Viagem - De Angola à Contra-Costa
Depois de concretizado o importante percurso entre o Bié e o
Zambeze, e atingidas as cataratas Vitória, Capello e Ivens são
estimulados a prosseguir com as suas expedições.
O Objectivo
Dada a necessidade de ser criado um atlas geral das colónias
portuguesas, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, ao tempo Ministro da
Marinha e do Ultramar, criou por decreto de 19 de Abril de 1883 a
Comissão de Cartografia, para a qual nomeou como vogais os dois
exploradores. Por outro lado, pretendendo a criação de um caminho
comercial que ligasse Angola e Moçambique nomeou-os a 5 de
Novembro do mesmo ano para procederem aos necessários
reconhecimentos e explorações. A escolha de dois oficiais de
Marinha para a concretização desta importante missão, prende-se
com o facto de se tratarem de territórios desconhecidos, não
cartografados, nos quais era necessário avançar, recorrendo aos
princípios da navegação marítima, tão familiares a estes
exploradores.
A Viagem
Entre 1884 e 1885, Capello e Ivens realizaram nova exploração em
África, primeiro entre a costa e o planalto de Huila e depois
através do interior até Quelimane, em Moçambique. Continuaram,
então, os seus estudos hidrográficos, efectuando registos
geográfico-naturais mas, também, de carácter etnográfico e
linguístico. Estabelecem assim a tão desejada ligação por terra
entre as costas de Angola e de Moçambique, explorando as vastas
regiões do interior situadas entre estes dois territórios e
descrevem-na no livro em dois volumes: de Angola à Contra-Costa.
Tendo partido para essa missão a 6 de Janeiro de 1884 haveriam de
regressar a 20 de Setembro de 1885 sendo recebidos triunfalmente
pelo rei D. Luís.
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Mapa Cor-de-Rosa
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http://pt.wikipedia.org/wiki/
O chamado Mapa cor-de-rosa seria o documento representativo da
pretensão de Portugal de soberania sobre os territórios sitos
entre Angola e Moçambique, nos quais hoje se situam a Zâmbia, o
Zimbabwe e o Malawi.
A disputa com a Grã-Bretanha sobre estes territórios levou ao
ultimato britânico de 1890, a que Portugal cedeu, causando sérios
danos à imagem do governo monárquico português.
Predominando em Portugal a visão colonial que assentava ainda nos
direitos históricos, o governo português começou por reclamar
áreas cada vez maiores do continente africano, entrando em colisão
com as restantes potências europeias, o que levou a um agudizar de
tensões, enquanto eram desenvolvidos esforços para uma ocupação
efectiva do território.
Nesse contexto, a Sociedade de Geografia de Lisboa, defendendo a
necessidade de formar uma barreira às intenções expansionistas
britânicas que pretendiam a soberania sobre um território que, do
Sudão, se prolongasse até ao Cabo pelo interior da África,
organizou uma subscrição permanente para manter estações
civilizadoras na zona de influência portuguesa do interior do
continente, definida num mapa como uma ampla faixa da costa à
contra-costa, ligando Angola a Moçambique. Nascia assim, ainda sem
sanção oficial, o chamado "Mapa Cor-de-Rosa".
Em 1884 a aceitação unilateral pela Grã-Bretanha das
reivindicações portuguesas ao controlo da foz do rio Congo levou
ao agudizar dos conflitos com as potências europeias rivais.
Convocada uma conferência internacional, a Conferência de Berlim
(1884–1885), para dirimir os múltiplos conflitos existentes e
fixar as zonas de influência de cada potência em África,
assistiu-se a um entendimento entre a França e Alemanha, face a
uma atitude conciliatória da Grã-Bretanha, que abandonou
totalmente o seu anterior entendimento com Portugal. O resultado
foi a partilha do continente entre as potências europeias e o
estabelecimento de novas regras para a corrida à África.
Portugal foi o grande derrotado da Conferência de Berlim pois,
para além de assistir à recusa do direito histórico como critério
de ocupação de território, foi ainda obrigado a aceitar o
princípio da livre navegação dos rios internacionais (aplicando-se
ao Congo, ao Zambeze e ao Rovuma em território tradicionalmente
português), e perdeu o controlo da foz do Congo, ficando só com o
pequeno enclave de Cabinda.
Após o choque da Conferência de Berlim, em Portugal percebeu-se a
urgência de delimitar as possessões em África. Logo em 1885,
começaram negociações com a França e a Alemanha para delimitar as
fronteiras dos territórios portugueses.
O tratado com a França foi assinado em 1886. Nele foi incluído,
como anexo, a primeira versão oficial do "mapa cor-de-rosa",
apesar da França não ter interesses naquele território. No tratado
com a Alemanha, concluído em 1887, o mapa "mapa cor-de-rosa" foi
novamente apenso, sendo apresentado às Cortes como a versão
oficial das pretensões territoriais portuguesas. Contudo, no
tratado assinado, a Alemanha apenas garantiu que não tinha
pretensões directas na zona.
Informada desta pretensão portuguesa, a Grã-Bretanha reagiu de
imediato informando a Portugal ser nulo o pretenso reconhecimento
francês e alemão do "mapa cor-de-rosa", pois aquelas potências
nunca tiveram interesses na zona.
O governo português, que necessitava do acordo britânico (a
Grã-Bretanha era a super-potência do tempo) para a delimitação de
fronteiras, resolveu atrasar a negociação, fazendo saber que as
suas pretensões eram efectivamente as do "mapa cor-de-rosa", que
entretanto se tinha transformado num documento com ampla
divulgação pública e objecto de arraigadas paixões patrióticas (a
designação de "mapa cor-de-rosa" nasceu nesta altura dado o mapa
enviado ao parlamento apresentar os territórios em disputa aguados
com esta cor).
Barros Gomes, o responsável pela política colonial da época,
aparentemente apostou no atraso inglês no controlo efectivo das
áreas disputadas e organizou expedições portuguesas que
percorreram as zonas em disputa e assinaram dezenas de tratados de
vassalagem com os povos autóctones. O plano era secreto mas a
espionagem britânica estava a par dele desde o primeiro momento,
graças a um informador que tinha no próprio gabinete de Barros
Gomes.
Após o desfecho do ultimato britânico de 1890 foi afirmado que o
governo português em 1888 não assumia por completo as pretensões
do "mapa cor-de-rosa", tendo-o utilizado apenas como base para
negociações com Londres. Estaria então disposto a ceder à
Grã-Bretanha o norte do Transvaal (o país dos Matabeles), retendo
apenas o sul do lago Niassa e o planalto de Manica, por temer que
a cedência daqueles territórios, para além de impedir a ligação
costa a costa, conduzisse à livre navegação no rio Zambeze,
podendo retalhar Moçambique.
Procurando o apoio do Transvaal e da Alemanha, o governo português
procurou convencer o chanceler Bismarck que era do interesse bóer
e alemão entregar a zona central de África a um terceiro poder de
modo criar uma comunidade de interesses que obrigasse a Inglaterra
a cedências.
Prosseguindo uma política de aproximação aos interesses bóer, o
governo português retirou à Inglaterra o controlo do
caminho-de-ferro de Lourenço Marques expropriando em meados de
1889 a companhia inglesa que o controlava. O Transvaal, em
contrapartida, assinou pouco depois um acordo de tarifas
aduaneiras e acedeu na fixação do traçado definitivo da fronteira
com Moçambique.
Considerando injusta e injustificável a expropriação do
caminho-de-ferro, a Grã-Bretanha reclamou de imediato, com o apoio
dos Estados Unidos da América, pedindo uma arbitragem
internacional, que Portugal recusou. Iniciou-se uma grande
campanha de imprensa contra Portugal, que criou as condições
políticas para a ruptura.
O resultado foi o ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1890
sendo exigido a Portugal a retirada de toda a zona disputada sob
pena de serem cortadas as relações diplomáticas. Isolado, Portugal
protestou mas seguiu-se a inevitável cedência e recuo. E assim
acabou o "mapa cor-de-rosa", mas não sem que antes tivesse deixado
um legado de humilhação nacional e frustração (bem patente no
Finis Patriae de Guerra Junqueiro) que haveria de marcar Portugal
durante muitas décadas. Na sequência deste episódio, Alfredo Keil
compôs a portuguesa (Hino Nacional Português).
Ponte Maria Pia
A primeira grande obra de Gustavo Eiffel é um arco biarticulado
que suporta o tabuleiro ferroviário de via simples através de
pilares em treliça. Iniciaram-se os trabalhos em 5 de Janeiro de
1876 e foram concluídos a 31 de Outubro do ano seguinte. A
inauguração solene deu-se a 4 de Novembro de 1877 pelos Reis D.
Luís e D. Maria Pia de quem tomou o nome. A ponte esteve em
serviço durante 114 anos até à entrada em serviço da Ponte de S.
João em 1991.
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Ponte Luís I
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Por proposta de Lei de 11/02/1879 o governo determina a abertura
de concurso para a “construção de uma ponte metálica sobre o rio
Douro, no local que se julgar mais conveniente em frente da cidade
do Porto, para a substituição da actual ponte pênsil”. Foi
vencedora a proposta da empresa belga Société de Willebroeck, com
projecto do Engenheiro Teófilo Seyrig.
Teófilo Seyrig que, já fora o autor da concepção e chefe da equipa
de projecto da Ponte Maria Pia, enquanto sócio de Eiffel, assina
como único responsável a nova e grandiosa Ponte Luís I. A
construção iniciou-se em 1881 e foi inaugurada em 31 de Outubro de
1886. O arco mede 172 m de corda e tem 44,6 m de flecha.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande -
Portugal

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