D. Manuel II foi aclamado em
Maio de 1908, mas seu reinado foi curto, pois durou pouco mais
de 2 anos.
Em 1910, foram completamente
ocupados e submetidos por joão de Almeida os territórios dos
Gambos, do Pocolo e Cuanhama. Em Moçambique, no mesmo ano, é
levada a cabo a submissão de Angoche, por Massano de Amorim.
Com o assassinato do rei D.
Carlos e de seu filho D. Luís Filipe, a Monarquia ficou
agonizante. Os partidários dinásticos continuavam a
guerrear-se. Entretanto, o partido republicano ia fazendo a
propaganda, engrossando as suas fileiras.
No dia 4 de Outubro de 1910
rebentou em Lisboa uma revolução chefiada por Machado dos
Santos, a qual, no dia seguinte, saía triunfante com a
Proclamação da República. A Família Real embarcou na Ericeira
(perto de Mafra / Sintra) e abandonou o País, tendo ido viver
para as proximidades de Londres.
Com esta nova forma de
governo terminou a dinastia de Bragança e foi abolida a
Monarquia.
5 de Outubro de 1910
Na noite de 4 para 5 de Outubro de 1910 eclodiu em Lisboa um
movimento revolucionário, que culminaria com a proclamação da
República em Portugal. O rei D. Manuel 2º, que nessa noite
oferecera um banquete em honra do Presidente da República do
Brasil (Dr. Afonso Pena), no Palácio das Necessidades (hoje
Ministério dos Negócios Estrangeiros). Foi aí que o monarca
português foi surpreendido pelo inesperado acontecimento.
Enquanto o ilustre visitante, assustado com o tiroteio, corria
a refugiar-se no seu navio São Paulo, o rei permaneceu no
palácio, procurando entrar em contacto com o seu Governo. Foi
então que soube que diversos regimentos, entre eles o de
Artilharia 1, tinham aderido já ao movimento. No Regimento de
Infantaria 16, havia também alguns aderentes que, abrindo as
portas aos civis e matando o coronel Pedro Celestino da Costa
e o capitão Barros, acabaram por sair para a rua, dando vivas
à república, e dirigindo-se a Artilharia 1, onde o povo também
entrara. Este regimento fora o centro da revolução, que se
estendia agora ao Bairro de Alcântara. Um grupo de civis,
dirigiu-se para o Quartel da Marinha, quase em frente do
Palácio das Necessidades, onde os marinheiros aguardavam os
civis, tendo o comandante do corpo de marinheiros sido ferido,
ao tentar baldadamente evitar a rebelião. Entretanto, os
membros da comissão revolucionária estavam reunidos em casa de
Inocêncio Camacho. A revolução estalava por todos os lados,
tanto nos regimentos como na rua. Muitos civis armados
batiam-se corajosamente. Do lado do Governo, tudo era
indecisões, não tomando medidas concretas. Apenas o capitão
Paiva Couceiro, com os seus soldados, aparecia a dar combate
aos revoltosos. O tiroteio continuava, cada vez mais vivo. O
Governo, desorientado, pediu pelo telefone a D. Manuel 2º que
retirasse para Mafra, onde se lhe juntou, no dia seguinte, a
rainha-mãe, D. Amélia de Orleans e Bragança, que estava no
Palácio da Pena, em Sintra. Às duas horas da tarde, chegou a
Mafra a notícia da proclamação da República em Lisboa e a
constituição do governo provisório, presidido pelo Dr. Teófilo
Braga. A revolução republicana triunfara. A Família Real
dirigiu-se para a Ericeira e embarcou para Gibraltar onde um
barco de guerra inglês os transportou até ao exílio, em
Inglaterra.
A revolução correu todo o País e, dentro em pouco, sem grandes
resistências, a República era proclamada em todas as capitais
de distrito.
D. Manuel II parte para o
exilio
http://www.mafra.net/ericeira/
Embarque da Família Real.
O episódio da fuga de D. Manuel II para o exílio, da Praia dos
Pescadores, na Ericeira, tornou-se num marco da história da
vila no último século. Eram cerca das 15 horas do dia 5 de
Outubro de 1910 quando D. Manuel II, então com 20 anos,
acompanhado da mãe, a rainha D. Amélia, e da avó, a Rainha
D.Maria Pia, vindos de Mafra, surgiram de automóvel na vila
para embarcarem no Iate D. Amélia, fugidos da revolução
republicana que estalara na véspera em Lisboa. Os pormenores
do que se passou naquele dia na Ericeira são-nos relatados por
Júlio Ivo, presidente da Câmara Municipal de Mafra no tempo de
Sidónio Pais, e que em 1928 inquiriu a população da
vila:"(...) os automóveis pararam e apeou-se a Família Real,
seguindo da rua do Norte para a rua de Baixo, pela estreita
travessa que liga as duas ruas, em frente quase da travessa da
Estrela (...) Ao entrar na rua de Baixo, a Família Real ia na
seguinte ordem: na frente El-Rei D. Manuel; a seguir, D. Maria
Pia, depois, D. Amélia (...) El-Rei e quem os acompanhava
subiram para a barca, valendo-se de caixotes e cestos de peixe
(...) O sinaleiro fez sinal com o chapéu, e a primeira barca,
Bomfim, levando a bandeira azul e branca na popa, entrou na
água e seguiu a remos, conduzindo El-Rei (...)
A afluência nas Ribas era imensa. Tudo silencioso, mas de
muitos olhos corriam lágrimas (...) El-Rei ia muito pálido, D
Amélia com ânimo, D. Maria Pia, acabrunhada (...) Ainda as
barcas não tinham atracado ao iate, apareceu na vila, vindo do
lado de Sintra, um automóvel com revolucionários civis,
armados de carabinas e munidos de bombas, que disseram ser
para atirar para a praia se tivessem chegado a tempo do
embarque (...)".
D. Manuel II
Nasceu em Lisboa e morreu em Inglaterra. Foi o último monarca
de Portugal tendo governado de 1908 a 1910.
Filho de D. Carlos e de D. Amélia de Orleães. Devido ao
regicídio e morte violenta do príncipe real D. Luís Filipe,
começou a reinar (1-2-1908).
Reunido o Conselho de Estado, nomeou-se um governo de
concentração partidária, com excepção dos partidários do
anterior ditador Franco. Na política interna, teve que
enfrentar dois problemas, que puseram em descrédito a política
governamental: a questão Hilton, provocada pelo súbdito
inglês, residente na Madeira, que reclamava uma indemnização
do Estado Português, em virtude de uma pretensa revogação do
monopólio do açúcar e do álcool da ilha da Madeira, e também a
do Crédito Predial, provocada pelo desfalque naquela
instituição.
D. Manuel II procurou ir ao encontro das reivindicações
operárias, chamando Léon Poinsard para estudar as
possibilidades duma reforma das condições económicas e sociais
do país. Duplicou o número de deputados republicanos por
Lisboa no ano de 1910. Com efeito nas eleições municipais de
Lisboa de 1908, os Republicanos elegeram uma câmara municipal
de 100% sua e nas eleições de 1910 os Republicanos ganharam em
Lisboa e em vários círculos. D. Manuel constituiu assim um
governo caracterizado pela transigência e brandura para os
Republicanos.
Em política externa procurou estabelecer boas relações com a
Espanha e a Inglaterra. No dia 3 de Outubro de 1910 rebentou
uma revolta republicana em Lisboa que triunfou em 5 de
Outubro, e D. Manuel decide-se por Plymouth. No exílio
manteve-se interessado pela política de Portugal, advogando a
entrada do nosso país ao lado dos aliados na primeira guerra
mundial. Por volta de 1914 os Monárquicos, aproveitando o
governo mais tolerante de Bernardino Machado, formaram a causa
Monárquica, que aspirava a estabelecer novamente o regime
deposto. Gozava de toda a confiança e apoio do rei D. Manuel
II, que nomeou um lugar-tenente (Azevedo Coutinho, Aires de
Ornelas, etc.).
Ficha genealógica:
D. Manuel II nasceu. no Palácio de Belém, a 19 de Março de
1889; recebendo o nome de Manuel Maria Filipe Carlos Amélio
Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio,
e morreu em Twickenham, Inglaterra, a 2 de Julho de 1932,
tendo sido sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora.
Casou em 4 de Setembro de 1913 com a princesa Augusta Vitória
(n. em Potsdam, a 19 de Julho de 1890; f. em data posterior a
1955), filha do príncipe Guilherme de Hohenzollern e de sua
primeira mulher, Maria Teresa, princesa de Bourbon-Sicilias. O
consórcio não teve descendência. Por morte de D. Manuel II, a
viúva casou em segundas núpcias, no ano de 1939, com o nobre
escocês Dr. Roberto Douglas, que faleceu em 25 de Agosto de
19552.
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume X -
Lisboa, Verbo, 1986
Movimento revolucionário de
5 de Outubro de 1910
http://pt.wikipedia.org/wiki/
O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em
natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a
criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo
desenvolvida. Aumentando contraposição entre a República e a
Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido
de alguns factos históricos de repercussão popular: as
comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em
1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, fora aproveitados pelos
defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com
os sentimentos nacionais e aspirações populares.
Elias Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães Lima, tal com o
operário Agostinho da Silva (*), foram personagens importantes
dos comícios de propaganda republicana, em 1880.
O terceiro centenário da morte de Camões, foi comemorado com
actos significativos — como o cortejo cívico que percorreu as
ruas de Lisboa, no meio de grande entusiasmo popular e,
também, a transladação dos restos mortais de Camões e Vasco da
Gama para o Panteão Nacional. As luminárias e o ar de festa
nacional que caracterizaram essas comemorações complementaram
esse quadro de exaltação patriótica. Partira a ideia das
comemorações camoneanas da Sociedade de Geografia de Lisboa,
mas a execução coube a uma comissão de representantes da
Imprensa de Lisboa, constituída pelo Visconde de Jorumenha,
por Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Magalhães
Lima e Pinheiro Chagas. E o Partido Republicano, ao qual
pertenciam as figuras mais representativas da Comissão
Executiva das comemorações do tricentenário camoneano, ganhou
grande popularidade.
A revolta
Durante o breve reinado de D. Manuel II — que ascendeu ao
trono logo após o atentado a D. Carlos, donde resultou também
a morte do seu filho herdeiro Luís Filipe, Duque de Bragança
—, o movimento republicano acentuou-se, chegando mesmo a
ridicularizar a monarquia. A 3 de Outubro de 1910 estalou a
revolta republicana que já se avizinhava no contexto da
instabilidade política. Embora muitos envolvidos se tenham
esquivado à participação — chegando mesmo a parecer que a
revolta tinha falhado — foi também graças à incapacidade de
resposta do Governo em reunir tropas que dominassem os cerca
de duzentos revolucionários que resistiam de armas na mão.
Comandava as forças monárquicas, em Lisboa, o General Manuel
Rafael Gorjão Henriques, que se viu impotente para impedir a
progressão das forças comandadas por Machado Santos. Com a
adesão de alguns navios de guerra, o Governo rendia-se, os
republicanos proclamavam a República, e D. Manuel II era
exilado.
(*) - George Agostinho
Baptista da Silva nasceu no Porto em 1906, tendo-se ainda
nesse ano mudado para Barca D'Alva (Figueira de Castelo
Rodrigo), onde viveu até aos seus 6 anos. De 1924 a 1928,
cursou Filologia Clássica na Faculdade de Letras da
Universidade do Porto. Após concluir a licenciatura, começa a
escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve
até 1938.
Em 1931 parte como bolseiro para Paris, onde estuda na
Sorbonne e no Collège de France. Após o seu regresso em 1933,
leciona no ensino secundário em Aveiro até ao ano de 1935,
altura em que é demitido do ensino oficial por se recusar a
assinar a Lei Cabral, que obrigava todos os funcionários
públicos a declararem por escrito que não participavam em
organizações secretas (e como tal subversivas).
Cria o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940
publica Iniciação: cadernos de informação cultural. É preso
pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano
seguinte.
Viveu no Brasil de 1947 a 1969, exilado no seguimento da sua
oposição ao Estado Novo, na altura conduzido por Salazar. Em
1948, começa a trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de
Janeiro, estudando entomologia, e ensina simultaneamente na
Faculdade Fluminense de Filosofia. Colabora com Jaime Cortesão
na pesquisa sobre Alexandre de Gusmão. De 1952 a 1954, ensina
na Universidade Federal da Paraíba (em João Pessoa (Paraíba))
e também em Pernambuco.
Em 1954, novamente com Jaime Cortesão, ajuda a organizar a
Exposição do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. É um
dos fundadores da Universidade de Santa Catarina, cria o
Centro de Estudos Afro-Orientais, e ensina Filosofia do Teatro
na Universidade Federal da Bahia, tornando-se em 1961 assessor
para a política externa do presidente Jânio Quadros.
Participou na criação da Universidade de Brasília e do seu
Centro de Estudos Portugueses no ano de 1962 e, dois anos mais
tarde, cria a Casa Paulo Dias Adorno em Cachoeira e idealiza o
Museu do Atlântico Sul em Salvador.
Regressa a Portugal em 1969, após a doença de Salazar e a sua
substituição por Marcello Caetano, que deu origem a alguma
abertura política e cultural do regime. Desde aí continuou a
escrever e a leccionar em diversas universidades portuguesas,
dirigido o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade
Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de
Cultura e Língua Portuguesa (actual Instituto Camões).
Em 1990, a RTP1 emitiu uma série de treze entrevistas com ele,
denominadas Conversas Vadias.
Morreu no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, no ano
de 1994.
Um documentário sobre ele, intitulado Agostinho da Silva: um
pensamento vivo, foi realizado por João Rodrigues Mattos, e
lançado pela Alfândega Filmes, in 2004. Existe uma entrevista,
até ao momento não publicada, conduzida por António Escudeiro
e chamada Agostinho por si próprio, na qual fala sobre a sua
devoção ao Espírito Santo.
É referenciado como um dos principais intelectuais portugueses
do século XX. Entre outros livros publicados, constam uma
biografia de Miguel Ângelo, Louis Pasteur e São Francisco de
Assis. O seu livro mais influente será provavelmente Sete
cartas a um jovem filósofo.