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(1830-1910) |
R ainha
de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor da Guiné
e do Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e
Índia, etc |
A D. Pedro, sucedeu sua filha primogénita, D. Maria II. D. Maria II
Dona Maria II , nasceu no Rio de Janeiro, a 4 de Abril de 1819 e faleceu em
Lisboa, 15 de Novembro de 1853. Foi baptizada com o nome de Maria da Glória
Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Miguela
Gabriela Rafaela Luísa Gonzaga de Bragança e Áustria.
Alguns dias antes de seu pai falecer (24 de Setembro de 1834), foi julgada maior
pelas Cortes, principiando a governar segundo o regime constitucional. Este
reinado foi de contínuas lutas fratricidas.
A Revolução de Setembro, fez restaurar a Constituição de 1822. O ministério foi
derrubado, tendo-se constituído outro em que figuravam Manuel da Silva Passos e
o Visconde de Sá da Bandeira, em 1837.
Os Duques da Terceira e de Saldanha fazem um movimento (Revolta dos Marechais)
para restaurar a Carta Constitucional, mas são mal sucedidos. As Cortes, que já
se encontravam reunidas quando a revolta estalou, concluem por decretar a
Constituição de 1838.
Costa Cabral, promoveu no Porto uma sublevação a favor da Carta Constitucional,
que foi restaurada em 1842.
A Revolta da Maria da Fonte, foi um movimento popular que teve origem na Póvoa
do Lanhoso (Minho), em 1846, e que se estendeu depois a todo o País. Foi
motivado pelo agravamento dos impostos e por um decreto de Costa Cabral que
proibia o enterramento nas igrejas, como era costume nesse tempo.
Este movimento terminou por uma intervenção estrangeira (Convenção de Gramido),
solicitada pela rainha D. Maria II, à Espanha, França e Inglaterra.
Em virtude de uma nova revolta chefiada por Saldanha, foi demitido o ministério
de Costa Cabral, em 1851. Saldanha foi depois chamado pela rainha para tomar
conta do governo.
No ano seguinte, foram convocadas as cortes, que alteraram a Carta
Constitucional, votando-se um Acto Adicional, em que aboliu em Portugal, a pena
de morte para os crimes políticos. Com este último movimento terminou a série de
revoluções que houve durante o reinado de D. Maria II.
Devem-se a esta rainha, bastantes reformas e melhoramentos respeitantes à
instrução pública, como:
- Criação de Liceus e Escolcas Primárias;
- Fundação das Escolas Médicas, de Lisboa e do Porto;
- Escola Politécnica de Lisboa;
- Academia Politécnica do Porto;
- Instituto agrícola;
- Conservatório de Música.
Neste reinado foi introduzido em Portugal as estampilhas (selos) postais.
D. Maria II
Contava apenas 7 anos, quando seu pai, D. Pedro IV, abdicou do trono de Portugal
em seu favor, em Abril de 1826.
Devia casar, logo que tivesse idade, com o tio, D. Miguel, nomeado regente e
lugar-tenente do reino, o que foi aceite pelo Infante, em Julho de 1826,
assumindo a regência, ao chegar a Lisboa, em Janeiro de 1828, após ter jurado
fidelidade à rainha e à Carta Constitucional.
D. Maria foi enviada para a Europa em Julho de 1828, para defender os seus
direitos ao trono, tendo ficado a residir em Londres, e a partir de 1831 em
França.
Só em 24 de Setembro de 1834, com o fim da Guerra Civil, tendo quinze anos de
idade, assumiu o governo do País.
Casou em 1835 com Augusto de Leuchtenberg, filho de Eugénio de Beauharnais, e
neto da Imperatriz Josefina, primeira mulher de Napoleão Bonaparte, irmão mais
velho da segunda mulher de D. Pedro IV, mas que morreu logo em Março desse ano.
Neste ano pôs-se à venda todos os bens de raiz nacionais, pertencentes à Igreja
Patriarcal, às Casas das Rainhas e do Infantado, das corporações religiosas já
extintas e das capelas reais.
D. Maria casou segunda vez com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, irmão do rei dos
Belgas, Leopoldo I, e primo do marido da rainha Vitória da Inglaterra, o
príncipe Alberto. O casamento realizou-se em 9 de Abril de 1836.
Durante o seu curto reinado, passado num dos mais conturbados períodos da nossa
história, o das lutas entre liberais e absolutistas, vários acontecimentos
históricos se passaram: a Guerra Civil, a revolução de Setembro, a Belenzada,
Revolta dos Marechais, a Maria da Fonte, a Patuleia.
Sucedeu-lhe o seu filho mais velho, D. Pedro V.
Ficha genealógica:
D. Maria II nasceu no Rio de Janeiro, no Palácio de S. Cristóvão, a 4 de Abril
de 1819, recebendo o nome de Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz
Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga. Morreu no
Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, em consequência de parto.
Casou em primeiras núpcias com D. Augusto de Leuchtenberg, nascido em Munique a
9 de Dezembro de 1810, tendo morrido em Lisboa a 28 de Março de 1835, duque e
príncipe de Leuchtenberg e de Santa Cruz, filho de Eugénio de Beauharnais, então
vice-rei de Itália, e da princesa Augusta Amélia, filha de Maximiliano José I da
Baviera. Não tendo havido descendência.
Voltou a casar em Lisboa, a 9 de Abril de 1836, com D. Fernando Augusto, nascido
em Coburgo a 29 de Outubro de 1816, e falecido em Lisboa, a 15 de Dezembro de
1885, filho de Fernando Augusto, príncipe e duque de Saxe Coburgo Gotha e de sua
mulher Maria Antonieta Gabriela, princesa de Koari.
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D. Fernando II
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Duque de Saxe-Coburgo-Gotha; rei de Portugal pelo seu casamento com a rainha D.
Maria II. 0 seu nome completo era Fernando Augusto Francisco António. N. em
Coburgo a 29 de Outubro de 1816, fal. em Lisboa, no paço das Necessidades, a 15
de Dezembro de 1885. Era filho do príncipe Fernando Jorge Augusto o duque de
Saxe-Coburgo-Gotha, e de sua mulher, a princesa de Kohary, D. Maria Antónia
Gabriela, filha e herdeira de Francisco José, príncipe de Koharv, senhor de
Casabrag e doutras terras da Hungria.
Recebeu uma excelente educação, revelando logo o seu aprimorado talento
artístico. Tendo D. Maria II enviuvado aos 16 anos, do seu primeiro marido, o
príncipe Augusto de Leuchtemberg, foi D. Fernando o escolhido para novo esposo
da soberana. 0 conde de Lavradio, D. Francisco de Almeida Portugal, dirigiu as
negociações deste casamento, e teve o encargo de assinar o contrato matrimonial,
assinatura que se realizou em 1 de Dezembro de 1835, representando o conde de
Lavradio a rainha, o barão de Carlowit o duque reinante de Saxe-Coburgo, e o
barão de Stockmar o príncipe Fernando, seu pai. Neste contrato estipulava-se que
o casamento seria em Lisboa, segundo o rito da religião católica, que logo
depois do casamento receberia o príncipe uma pensão anual de reis 50.000$0000,
que se lhe conservaria por morte da rainha, no caso de ficar em Portugal, tendo
então direito a um palácio para sua habitação, e 25.000$000 de reis se se
retirasse para o estrangeiro; teria sempre a livre disposição dos seus bens, e
os príncipes que nascessem deste casamento não poderiam sair do reino sem
autorização das cortes, nem poderiam casar sem autorização da rainha ou do
príncipe reinante. Nesse mesmo dia assinaram os mesmos plenipotenciários um novo
convénio, pelo qual o príncipe D. Fernando renunciou a parte que lhe coubesse da
herança de sua mãe em terras da Hungria, em que se estipulava que a dotação do
príncipe fosse para as suas despesas pessoais, continuando as despesas da Casa
Real por conta da rainha, que essa dotação se elevaria de 50 a 100.000$000 de
reis, em consequência da sua renuncia à herança materna„ logo que nascesse um
príncipe herdeiro da Coroa, e que então receberia o título de rei; enfim que a
rainha poderia conservar secretos estes artigos adicionais, enquanto se não
desse o caso do nascimento do príncipe.
D. Maria II casou por procuração em 1 de Janeiro de 1836, e logo no dia seguinte
assinou o decreto nomeando D. Fernando marechal general do exército, e coronel
honorário do batalhão de caçadores n.º 5. A 29 de Março foram nomeados para
servir ás ordens os seguintes oficiais: Ferreira Sarmento, Vaz Parreira, Carlos
Maria de Caula, António, Francisco e Luís de Melo Breyner, D. Manuel de Sousa
Coutinho, e o conde de Saint-Léger da Bemposta. D. Fernando saiu de Coburgo, e
atravessando a Bélgica, embarcou em Ostende, vindo a bordo do vapor inglês
Manchester para Lisboa, onde chegou a 8 de Abril, celebrando-se a cerimónia do
casamento no dia seguinte, assistindo já D. Fernando em 10, à cerimónia do
encerramento das Cortes. A sua nomeação de marechal general foi pouco simpática
aos liberais, e ocasionou grandes discussões, mas o governo estava comprometido
com a rainha, porque o príncipe D. Augusto já tivera essa dignidade, portanto
não podia deixar de ser concedida a D. Fernando. No entretanto, o governo sempre
receoso, conservou secretamente a nomeação até que o duque da Terceira,
assumindo a responsabilidade, publicou o respectivo decreto em 4 de Maio. No dia
seguinte organizou-se a casa militar do novo comandante em chefe, sendo nomeado
seu primeiro ajudante de campo o marechal Saldanha, e simples ajudantes de campo
Gil Queiroz, Calça e Pina, Silva e Bastos. Em 4 de Maio foi também D. Fernando
eleito presidente da Academia Real das Ciências 0 partido radical passou a
manifestar-se dum modo decididamente hostil ao ministério, a agitação aumentava
por toda a parte, de forma que a viagem de D. Fernando ao Porto e ás províncias
passou completamente despercebida . Deu-se então o movimento conhecido pela
Belenzada (V. este nome), e sendo depois extinto o comando em chefe do exército,
ficou reduzida a casa militar de D. Fernando a Saint-Léger, Calça e Pina,
Ferreira Sarmento e o barão de Campanhã. 0 jovem monarca começou desde então a
mostrar-se desvelado protector das belas artes. A Academia das Belas Artes de
Lisboa foi fundada a 25 de Outubro de 1836, e a rainha e D. Fernando
declararam-se seus protectores. Por essa ocasião prestou o monarca um bom
serviço ás artes portuguesas, salvando dum inevitável vandalismo o convento da
Batalha, que visitara, e conseguindo que no orçamento das obras públicas se
destinassem algumas verbas para a sua reparação e manutenção. Com o nascimento
do príncipe real D. Pedro, em 16 de Setembro de 1837, recebeu pela primeira vez
o título de rei. Sendo eleito presidente do Conservatório Real de Lisboa,
mostrou logo quanto se interessava pelo desenvolvimento das artes cénicas em
Portugal. D. Fernando era um artista distintíssimo, e bem mereceu o cognome de
Rei-Artista, posto por António Feliciano de Castilho, depois visconde de
Castilho, num artigo que na Revista Universal publicou. Eram as artes o que mais
preocupava o seu fino espírito. Desenhava admiravelmente, tinha uma bela voz de
barítono, de que sabia usar com mestria. Viam-no coleccionar obras de arte,
animar os artistas portugueses comprando-lhes quadros, auxiliando os estudos com
o estímulo do seu aplauso e com os recursos da sua bolsa. Aparecia em todas as
festas que representavam um progresso artístico. Evitava a política quanto
possível; caiu a constituição de 1838, restaurou-se a Carta, e D. Fernando
tratava sobretudo das suas artes tão queridas, esforçava-se por salvar do
abandono e do vandalismo os grandes monumentos portugueses, Batalha, Mafra,
Tomar e Jerónimos; comprava o convento da Pena, em Cintra, que tornou numa
principesca residência artística. Em 1843 fez uma digressão com a rainha pelas
províncias do Alentejo e Estremadura; em 1845 fizeram nova excursão demorando-se
alguns dias em Tomar, em casa do ministro do reino Costa Cabral, que nessa
ocasião recebeu o título de conde de Tomar.
Seguiu-se a revolução no Minho, chamada da Maria da Fonte, que deu origem à
queda do ministério. Restabeleceu-se o antigo comando em chefe, e D. Fernando
foi chamado para exercer esse cargo. 0 monarca nomeou para chefe do
Estado-maior-general o duque de Saldanha, que ao mesmo tempo era também nomeado
comandante em chefe do exército de operações. Seguiram-se graves acontecimentos,
sucederam-se mudanças políticas à vitória cartista, em 1851, o conde de Tomar
malquistando-se com o duque de Saldanha, tratou-o violentamente, demitiu-o do
seu cargo de mordomo-mor, o que deu lugar a que o duque se pronunciasse, saindo
de Lisboa à frente duma escolta de lanceiros, e indo sublevar os batalhões de
caçadores n.os 1 e 5; vendo o resto do exército um pouco hesitante, já imaginava
a sua causa perdida, mas a conselho de José Estêvão foi ao Porto e encontrou a
guarnição daquela cidade insurreccionada em seu favor. A situação melhorava para
o marechal dum modo sensível, e o governo de Lisboa viu a necessidade de entrar
em campanha. D. Fernando reassumiu o comando em chefe do exército, e marchou
para Coimbra à frente duma divisão. Foi essa, contudo, a hora mais amarga da sua
vida. As tropas que o acompanhavam, estavam todas de coração com o marechal, os
estudantes de Coimbra e as populações sentiam o mesmo entusiasmo. Foi recebido
em Coimbra quase insultuosamente, e uma manhã viu-se desamparado por quase toda
a sua divisão. Regressou a Lisboa tristemente com o pequeno grupo de soldados
que não o quiseram abandonar; o resto fugira para o Porto. A rainha viu-se
obrigada a ceder, a demitir o conde Tomar e a encarregar o duque de Saldanha de
organizar ministério, entregando-lhe também o comando em chefe do exército, que
se viu obrigada, para maior humilhação, a retirar a seu marido.
Com a regeneração ficou o país mais sossegado, e D. Fernando voltou à sua vida
tranquila e aprazível, ás suas ocupações predilectas; aos serões musicais em que
a sua bela voz de barítono lhe dava sempre um dos primeiros lugares, à
contemplação do seu fantástico palácio da Pena, em Sintra; à compra de objectos
de arte, e à execução de encantadores trabalhos artísticos; entregando-se também
um pouco a cortejar as damas, entretendo amores menos platónicos, que não eram
muito do agrado da rainha. Dos seus trabalhos de gravura, apresenta-nos o conde.
A Raczynski uma longa relação, no seu Dictionnaire historico-artistique du
Portugal, de pág. 86 a 90. Esta relação, julga este escritor prussiano, que é
pouco mais ou menos, a mais completa das suas gravuras, exceptuando os primeiros
ensaios, sendo algumas excelentes, tendo todas um irrecusável testemunho do seu
talento A. relação está ordenada por anos, a começar em 1837 e terminando em
1845, tendo todas a descrição e uma apreciação muito lisonjeira. Em Agosto de
1851 morreu o pai d'el-rei D. Fernando, e depois de tomar luto por seis meses,
deliberou a rainha fazer uma viagem pelo reino. A 15 de Abril de 1852 saíram de
Lisboa a rainha, D. Fernando, o príncipe real e o infante D. Luís, e percorreram
Vila Franca de Xira, Alcobaça, Leiria, Pombal, Coimbra e Porto, sendo por toda a
parte recebidos com o maior entusiasmo, principalmente em Coimbra e no Porto.
Desta última cidade passaram a Braga, Barcelos, onde pernoitaram na noite de 6
de Maio, ardendo nessa mesma noite o palácio em que se alojaram, o que pôs em
sério perigo a vida da família real; seguiram a Viana do Castelo, voltando
depois ao Porto e Coimbra, indo também a Montemor-o-Velho, à Figueira da Foz, à
Marinha Grande, regressando finalmente a Lisboa.
Um golpe terrível veio ferir o rei artista no ano de 1853, foi a 15 de Novembro
a morte da rainha D. Maria II, que apenas contava 34 anos de idade, deixando o
príncipe real ainda menor, com 16 anos. 0 conselho de Estado reunido no paço das
Necessidades, recebeu esta notícia, e foi logo em seguida cumprimentar el-rei D.
Fernando, como regente, que declarou assumir a regência em virtude da lei de 7
de Abril de 1846, prestando o juramento legal. D. Maria II teve 11 filhos, 7 dos
quais sobreviveram à mãe: D. Pedro, D. Luís, D. Maria Ana, D. João, D. Antónia,
D. .Fernando e D. Augusto; só 3 sobreviveram ao pai: D. Luís, D. Antónia e D.
Augusto, e actualmente existe apenas a infanta D. Antónia, duquesa de
SaxeCoburgo-Gotha. D. Fernando confirmou o ministério que estava no poder
quando a rainha morreu, e com ele governou os dois anos que durou a sua
regência. Este ministério era presidido pelo duque de Saldanha, que tinha a
pasta da guerra, Rodrigo da Fonseca Magalhães a do reino, Frederico Guilherme da
Silva Pereira a da justiça, Fontes Pereira de Mello a da fazenda e a das obras
publicas, e o visconde de Atouguia a da marinha e a dos negócios estrangeiros. A
regeneração prosseguiu na obra reformadora, que tinha iniciado. Estabeleceram-se
os telégrafos eléctricos, a cidade do Porto teve iluminação a gás, continuou-se
o caminho-de-ferro do Norte e do Sul, reformou-se a circunscrição
administrativa, criou-se o recrutamento militar; concorreu Portugal à exposição
industrial de Paris. D. Pedro V e o infante D. Luís fizeram duas viagens ao
estrangeiro, uma em 1854, outra em 1855, e a 16 de Setembro deste último ano,
tendo chegado D. Pedro V à maioridade de 18 anos seu pai entregou-lhe o governo
do país. D. Fernando, livre da regência, resolveu fazer também uma viagem, e a
14 de Abril de 1856 partiu no vapor Mindelo para Cádis, seguindo depois a
Sevilha, Gibraltar, Tânger e Granada, regressando a Lisboa a 6 de Junho. Em 1857
assaltou o reino a epidemia da febre-amarela, e D. Fernando concorreu com toda a
generosidade para a caritativa instituição da sopa económica. Em Maio de 1858
casou seu filho D. Pedro V com a rainha D. Estefânia; em 1861 casou sua filha, a
infanta. D. Antónia, e neste anuo a morte veio enlutar os paços reais: em 6 de
Novembro faleceu o infante D. Fernando, e no dia 11 o rei D. Pedro V, cuja perda
causou a maior consternação em todo o país. Os infantes D. Luís e D. João
estavam em viagem fora de Portugal, e tendo D. Luís de ser sucessor à coroa, D.
Fernando novamente assumiu a regência, apesar de não estar prevenida esta
hipótese na referida lei de 7 de Abril de 1846. A regência durou só 3 dias,
porque a 14 de Novembro chegaram ao Tejo os dois infantes. D. Luís foi aclamado
rei, e D. João teve de ser vitima também como seus irmãos da singular doença que
atacara o paço das Necessidades; falecendo a 27 de Dezembro do mesmo ano de
1861. D. Luís promulgou a nova lei de 12 de Fevereiro de 1862, que dava a el-rei
D. Fernando a regência no caso da ausência do reinante. A 6 de Outubro de 1862
casou el-rei D. Luís com Sua Majestade a rainha senhora D. Maria Pia.
Tendo-se dado neste mesmo ano uma revolta na Grécia contra o rei Otão, o qual se
refugiara com sua mulher a bordo duma fragata inglesa, foi oferecido a D.
Fernando o trono da Grécia, que ele rejeitou, dizendo que se considerava
português, e não queria sair de Portugal, mesmo a troco duma coroa real. A 2 de
Maio de 1863 empreendeu nova viagem ao estrangeiro; foi a Cádis, atravessou a
Espanha, demorando-se a visitar as cidades mais notáveis, principalmente as que
encerravam curiosidades artísticas, e em 1 de Outubro regressou a Lisboa, a
tempo de ser padrinho do príncipe real, seu neto, o actual rei senhor D. Carlos,
que se baptizou a 19 do referido mês. A 2 de Outubro de 1865, saiu de Portugal
el-rei D. Luís, com a rainha e seu filho D. Carlos, a visitar o rei de Itália, e
novamente D. Fernando assumiu a regência, desde 1 de Outubro até 30 de Dezembro
do mesmo ano de 1865, dia em que os reais viajantes regressaram a Portugal. No
dia 19 de Outubro de 1866, em que D. Fernando completava 50 anos, inaugurou-se a
sua estátua na sala da Associação dos Artistas de Coimbra, tendo nas cinco faces
do pedestal os bustos do poeta Sá de Miranda, do pintor Domingos António de
Sequeira, do escultor Machado de Castro, do músico José Maurício, e do
arquitecto Afonso Domingues. O trabalho da estátua era de Frederico da Silva
Alves Brandão. Em 1867 assumiu a regência pela quarta vez, por terem D. Luís e
D. Maria Pia ido assistir a exposição de Paris. Foi a ultima vez que exerceu a
regência, a qual durou mês e meio. Em 1868 rebentou uma grande revolução em
Espanha, sendo a rainha Isabel expulsa do reino juntamente com todos os membros
da família real. O governo provisório não quis de forma alguma que se
estabelecesse a republica; lembraram-se de D. Fernando para seu rei, na
esperança também de que no futuro se pudesse realizar a união ibérica por muitos
desejada. D. Fernando, porém, fez constar oficialmente que não aceitaria nunca a
coroa de Espanha, se lha oferecessem. Em 1869 com o casamento morganático de D.
Fernando com a condessa de Edla, Elisa Hensler, realizado em 10 de Junho em
Benfica na capela do palácio de S. Domingos, residência da infanta D. Isabel
Maria, renovou-se a questão acerca do trono de Espanha, chegando a vir para
Lisboa um novo ministro espanhol, D. Angel de los Rios, para tratar
especialmente desse assunto. Houve as propostas mais vantajosas para D.
Fernando, que por fim se decidia a aceitar, impondo além doutras condições, que
nunca as duas coroas pudessem reunir-se numa só cabeça. Como a união ibérica era
o fim principal desta insistência ficou terminada a questão, desistindo a
Espanha do seu intento. F. J. Pinto Coelho, na biografia d'el-rei D. Fernando,
que escreveu, narra largamente este episódio.
Em 1873 foi nomeado presidente da comissão que devia preparar a colaboração de
Portugal na exposição de Viena de Áustria, e teve sempre depois comissões
idênticas. Foi ele também em 1881, que presidiu à, comissão organizadora da
exposição da arte ornamental, e à sua iniciativa e à da condessa sua mulher, é
que aquela exposição deveu o seu maior brilho. Havia uma sala exclusivamente
adornada com objectos de que D. Fernando era expositor, e essa sala fora
arranjada pela condessa de Edla com o mais fino gosto.
Em 1877 foi com sua mulher e o infante D. Augusto visitar a exposição de Paris e
a Suiça, e com a condessa voltou frequentes vezes ao estrangeiro, a fazer uso
das águas de Royat. D. Fernando começou pouco depois a sofrer a dolorosa
enfermidade a que sucumbiu. A sua morte foi muito sentida. O seu testamento é
que causou uma deplorável impressão. Ele que fora sempre um desvelado protector
de todas as instituições benéficas e artísticas, que socorria artistas pobres,
viúvas e órfãos, nada deixava para as obras de beneficência nem para obras de
arte. A afeição que votava à condessa de Edla fora superior a qualquer outro
sentimento. Deixou-lhe tudo de que a lei lhe deixava dispor, inclusivamente o
castelo da Pena, que o público se costumava a chamar monumento nacional, que D.
Fernando retinha no seu poder, mas que generosamente doaria por sua morte à
terra que ele dizia ter amado tanto, ou pelo menos incorporaria nos bens da
Coroa, legando-o a seu filho, rei de Portugal. A este respeito, o jornal As
Novidades levantou uma violenta campanha, chegando a dizer que a parte referente
ao castelo da Pena não devia ser cumprida, pelas razões que expunha.
Efectivamente a opinião pública começou a apaixonar-se por esse assunto, que se
liquidou dum modo satisfatório. D. Luís encarregou o governo de tratar com a
condessa de Edla a cedência do castelo da Pena, e no fim de algumas
conferências, a condessa aceitou a proposta que lhe fora apresentada, cedendo
por 300.000$00 reis, pagos em títulos segundo a cotação do dia, reservando, como
usufruto, enquanto vivesse, uma parte que foi devidamente separada por um muro.
A propriedade real da Pena continuou assim na posse da Coroa.
D. Fernando tinha as seguintes honras: grã-cruz das ordens militares
portuguesas, de Cristo, de Avis e de S. Tiago, de Nossa Senhora da Conceição de
Vila Viçosa e da Torre e Espada; a medalha militar de ouro por bons serviços;
cavaleiro da ordem do Tosão de Ouro, de Espanha e da Santíssima Anunciada, da
Sardenha; grã-cruz da ordem de Ernesto Pio, de Saxe-Coburgo-Gotha; de Santo
Estêvão, da Áustria; do Cruzeiro do Sul, de D. Pedro I, e da Reza do Brasil; de
Leopoldo, da Bélgica; das ordens da Coroa e do rei Frederico Augusto, de Saxónia;
da Águia Negra e da Águia Vermelha, da Prússia; de Santo Alexandre Nevsky, de
Santo André, de Santa Ana, e da Águia Branca, da Rússia; da Legião de Honra, de
França; do Elefante, da Dinamarca; do Leão Neerlandês, dos Países Baixos; dos
Serafins, da Suécia; de S. Fernando, de Nápoles.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico,
Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume III, págs. 379-382”.
Do casamento nasceram:
1. D. Pedro V , que sucedeu no trono;
2. D. Luís, duque do Porto, que em 1861 sucedeu a seu irmão;
3. D. Maria. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 4 de Outubro de
1840, tendo falecido no mesmo dia;
4. D. João. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 16 de Março de
1842, e faleceu no Palácio de Belém em 27 de Dezembro de 1861. Era Duque de Beja
e de Saxe Coburgo Gotha;
5. D. Maria Ana. Nasceu no Palácio das Necessidades, a 21 de Agosto de 1843, e
faleceu em Dresda, a 5 de Fevereiro de 1884. Casou em Lisboa, a 11 de Maio de
1859, com Frederico Augusto (1832-1904) que foi rei da Saxónia, com o nome de
Jorge III. Com descendência;
6. D. Antónia. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 17 de Fevereiro
de 1845, e morreu em Sigmarinen, a 27 de Dezembro de 1913. Casou em Lisboa, a 12
de Setembro de 1861, com Leopoldo Estevão Carlos (1835-1905), príincipe de
Hohenzollern. Com descendência;
7. D. Fernando. Nasceu em Lisboa, no Palácio de Belém, em 23 de Julho de 1846, e
faleceu no Palácio das Necessidades, a 6 de Novembro de 1861, estando sepultado
no Panteão Real de S. Vicente de Fora.
8. D. Augusto. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 4 de Novembro de
1847, e faleceu no mesmo local a 26 de Setembro de 1889.Está sepultado no
Panteão Real de S. Vicente de Fora. Foi duque de Caminha e de Saxe Coburgo Gotha;
9. D. Leopoldo. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 7 de Maio de
1849, tendo falecido no mesmo dia;
10. D. Maria. Nasceu no Palácio das Necessidades, em 3 de Fevereiro de 1851, e
morreu no mesmo dia.
11. D. Eugénio. Nasceu no palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, e
faleceu no mesmo dia.
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de Portugal, Lisboa, Iniciativas
Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume VII: A Instauração do
Liberalismo (1807-1832), e História de Portugal, Volume VIII: Do Mindelo à
Regeneração (1832-1851) Lisboa, Verbo, 1984 e 1986.
Revolta dos Marechais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_dos_Marechais
Revolta dos Marechais é designação dada na historiografia portuguesa à
sublevação militar fracassada, de inspiração cartista contra o setembrismo,
encabeçada pelos marechais António José Severim de Noronha, 1.º duque da
Terceira, e João Carlos Oliveira e Daun, 1.º duque de Saldanha. A revolta
desencadeou-se na vila da Barca a 12 de Julho de 1837 com a sublevação das
forças sob o comando do coronel José de Vasconcelos Bandeira de Lemos, 1.º barão
de Leiria, e apenas foi, a muito custo, sufocada a 18 de Setembro de 1837. A
revolta termina oficialmente com a Convenção de Chaves, assinada a 20 de
Setembro de 1837.
A Convenção de Chaves
http://pt.wikipedia.org/wiki/
É o acto oficial que marca, após os vários episódios bélicos no século XIX em
Chaves e o combate de Ruivães, o fim da revolta cartista de 1837, mais conhecida
por Revolta dos Marechais.
A Convenção de Chaves foi celebrada a 20 de Setembro de 1837 e assinada a 7 de
Outubro de 1837, ficando as tropas sublevadas à disposição do governo.
Os oficiais revoltosos manteriam os seus postos, mas seriam pagos de acordo com
a tarifa de 1719. Os chefes da revolta, marechal Saldanha, duque da Terceira,
duque de Palmela, José da Silva Carvalho e Mouzinho de Albuquerque abandonam o
país.
Revolta popular Maria da Fonte
Assim se chamou a revolução que rebentou no Minho em Maio de 1846 contra o
governo de Costa Cabral, mais tarde conde e marquês de Tomar. A causa imediata
da revolta foram umas questões de recrutamento, e a proibição dos enterramentos
feitos dentro das igrejas, em que desempenhou um papel irrequieto e activo uma
desembaraçada mulher das bandas da Póvoa de Lanhoso, conhecida pelo nome de
Maria da Fonte. Os tumultos multiplicaram-se, tomando afinal as proporções
sérias duma insurreição, que lavrou em grande parte do reino.
A rainha D. Maria Il, assustada com esta insurreição verdadeiramente popular,
viu-se obrigada a demitir o ministério cabralista, chamando ao poder o duque de
Palmela e Mousinho de Albuquerque, mas, quando ,julgou que abrandara assim a
revolução, e que o duque da Terceira, que nomeara seu lugar tenente nas
províncias do norte do país, poderia reprimir as indignações do povo e
estabelecer ali a paz, deu o golpe de Estado de 6 de Outubro de 1846, e sem
nomear Costa Cabral, formou um ministério pronunciadamente cartista, presidido
pelo marechal Saldanha. Esta notícia foi transmitida ao Porto pelo administrador
de Vila Franca, e excitou a cólera dos portuenses. Rebentou então a revolta com
espantosa energia, o duque da Terceira foi preso, e nomeou-se uma junta
provisória, cuja presidência se deu ao conde das Antas e a vice-presidência a
José da Silva Passos, que era a alma da revolta, e irmão do grande ministro
progressista Manuel da Silva Passos. O visconde de Sá da Bandeira apareceu no
Porto, aderindo à revolução. A Junta do Porto é verdade que legislava em nome da
rainha, e fazia-lhe manifestações de dedicação, mas o espírito popular estava
sendo nessa ocasião bem pouco simpático à soberana, que desta vez tomara a
iniciativa da contra-revolução, dando o golpe de Estado de 6 de Outubro. O
Espectro, jornal redigido por António Rodrigues Sampaio, e que se publicava em
Lisboa, sem que a polícia conseguisse descobrir a imprensa que o imprimia nem os
seus redactores, atacou pessoalmente a rainha pela sua intervenção nefasta na
politica partidária.
A Junta do Porto, apesar de dispor de vastíssimos recursos, não era feliz, por
causa da imperícia dos seus generais. Sá da Bandeira era batido em Vale Passos
pelo barão do Casal; o conde de Bonfim era completamente batido em Torres Vedras
pelo marechal Saldanha, em Dezembro de 1846, batalha em que foi morto o general
Mousinho de Albuquerque; Celestino era destroçado em Viana do Castelo pelo
general Schwalbach, o barão de Casal tomara Braga, os marinheiros de Soares
Franco tomaram Valença e Viana do Castelo. Ainda assim a insurreição era tão
forte, que, para se lhe pôr termo, foi precisa a intervenção estrangeira. Uma
esquadra inglesa aprisionou a esquadra da Junta com a divisão do conde das Antas
que ia a bordo, e um exército espanhol, do comando de D. Manuel Concha, foi
ocupar o Porto. Ao mesmo tempo as tropas da Junta, comandadas pelo visconde de
Sá da Bandeira, eram batidas no Alto do Viso pelo general Vinhais. A convenção
de Gramido. de 30 de Junho de 1847, pôs fim a essa terrível insurreição, que
tanto assustara a rainha, que nem sempre mostrou com os vencidos a clemência que
se poderia esperar da sua generosidade. A revolução da Maria da Fonte é um dos
episódios mais importantes da nossa história politica do século passado. Foi
nesse movimento que muito se salientaram homens, que se tornaram muito
populares, como os dois irmãos Passos, Rodrigo da Fonseca Magalhães, José
Estêvão Coelho de Magalhães, Manuel de Jesus Coelho, etc.
0 maestro Ângelo Frondoni compôs por essa ocasião um hino popular, que ficou
conhecido pelo nome de Maria da Fonte ou do Minho, que respirava um certo
entusiasmo belicoso; e por muito tempo foi o canto de guerra do partido
progressista em Portugal. Camilo Castelo Branco escreveu um livro com o título
Maria da Fonte, que trata minuciosamente deste assunto. São também interessantes
os Apontamentos para a historia da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da
Fonte, pelo padre Casimiro. Na Biblioteca do Povo e das Escolas, o n.º 167 é a
história da Revolução da Maria da Fonte, pelo Sr. João Augusto Marques Gomes. Um
dos primeiros trabalhos do romancista Sr. Rocha Martins intitula-se Maria da
Fonte.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico,
Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume IV, pág. 835.
Convenção de Gramido
http://pt.wikipedia.org/wiki/
A Convenção de Gramido, foi um acordo assinada a 29 de Junho de 1847, na Casa
Branca do lugar de Gramido, em Valbom, Gondomar, com o objectivo de pôr fim à
insurreição da Patuleia. A Convenção foi assinada entre os comandantes das
forças militares espanholas e britânicas que tinham entrado em Portugal ao
abrigo da Quádrupla Aliança e os representantes da Junta do Porto e selou a
derrota dos setembristas frente aos cartistas na guerra civil que tinha assolado
Portugal em 1846-1847.
O conteúdo da Convenção
A Convenção do Gramido tem o seguinte articulado:
Tenente General D. Manoel de la Concha, Conde de Cancellada, e o Coronel Buenaga
como representantes da Espanha, o Coronel Wilde como representante da
Grã-Bretanha, o Marquês de Loulé, par do reino, e o General César de
Vasconcelos, como representantes da Junta Provisória, reunidos em Gramido com o
fim de concertar as necessárias medidas para dar pacífico cumprimento às
resoluções das Potências Aliadas, concordaram em que a cidade do Porto se
submeteria à obediência do Governo de Sua Majestade Fidelíssima [a Rainha de
Portugal] com as condições estabelecidas nos 8 artigos que vão escritos no fim
da acta. (...)
Artigo 1.º — O fiel, e exacto cumprimento dos 4 artigos da mediação incluídos no
Protocolo de 21 de Maio deste ano é garantido pelos Governos Aliados.
Artigo 2. º— As tropas de Sua Majestade Católica [a rainha de Espanha]
exclusivamente ocuparão desde o dia 30 de Junho a cidade do Porto, Vila Nova de
Gaia, e todos os fortes, e redutos de um e outro lado do rio enquanto a
tranquilidade não estiver completamente estabelecida sem receio de que possa ser
alterada pela sua ausência, ficando na Cidade do Porto uma forte guarnição das
forças Aliadas enquanto estas se conservarem em Portugal. No mesmo tempo o
Castelo da Foz será ocupado por forças inglesas, e no Douro estacionarão alguns
vasos de Guerra das potências Aliadas.
Artigo 3.º — A época da entrada das tropas Portuguesas na Cidade do Porto será
marcada pelas potências Aliadas.
Artigo 4.º — A propriedade e segurança dos habitantes da Cidade do Porto, e de
todos os Portugueses em geral, ficam confiados à honra, protecção e garantia das
potências Aliadas.
Artigo 5.º — As forças do exército de Sua Majestade Católica receberão as armas
dos corpos de linha e voluntários que obedecem à Junta entregando-se guia ou
passaporte gratuito às pessoas que tiverem de sair do Porto para as terras da
sua residência, e dando-se baixa aos soldados de linha que tiverem completado o
tempo de serviço, e aos que se alistaram durante esta luta para servirem só até
à sua conclusão.
Artigo 6.º — O Exército da Junta será tratado com todas as honras da guerra
sendo conservadas aos oficiais as espadas e cavalos de propriedade sua.
Artigo 7.º — Conceder-se-ão passaportes a qualquer pessoa, que deseje sair do
Reino podendo voltar a ele quando lhe convenha.
Artigo 8.º — As três potências Aliadas empregarão os seus esforços para com o
Governo de Sua Majestade Fidelíssima a fim de melhorar a condição dos oficiais
do antigo exército realista
— (...) — Gramido, 29 de Junho de 1847.
As consequências
A guerra civil, que tanto assustara a rainha D. Maria II, terminava assim e,
apesar do discurso pacificador que manteve, a rainha ficou deveras ressentida
com os vencidos, aos quais nem sempre mostrou a clemência que se poderia
esperar, sendo nisso acompanhada pelos principais líderes vencedores.
Em resultado dessa atitude, em breve resultaram perseguições sobre os vencidos,
as quais criaram um novo clima de instabilidade que inevitavelmente conduziria a
nova revolta, que estalaria em 1851, e que ficaria conhecida por Regeneração.
A revolução da Maria da Fonte foi um dos episódios marcantes da história
política de Portugal no século XIX. Foi nesse movimento que muito se salientaram
homens, que depois se tornariam muito populares, como os dois irmãos Passos
(José da Silva Passos e Manuel da Silva Passos), Rodrigo da Fonseca Magalhães,
José Estêvão Coelho de Magalhães, Manuel de Jesus Coelho e outros. Tais figuras
marcariam a política do quarto de século seguinte.
A Regeneração
http://pt.wikipedia.org/wiki/
Regeneração
O movimento regenerador apresentava como ponto fulcral do seu programa político
a renovação do sistema político e a criação das infra-estruturas básicas
necessária ao desenvolvimento do país. O mntral
estabelecer de forma definitiva o liberalismo em Portugal e para tal adoptou os
princípios estabelecidos na Carta Constitucional de 1826, introduzindo-lhe as
necessárias reformas pelo Acto Adicional de 1852.
O programa político regenerador assentava num conjunto de reformas
administrativas e económico-sociais, cuja aplicação tinha como objectivo
fomentar o crescimento económico e ultrapassar os constrangimentos de natureza
política e institucional que tinham impedido o país de se aproximar dos níveis
de desenvolvimento da Europa. Atribuíam os bloqueios à má governança e ao tempo
perdido com as múltiplas lutas político-ideológicas que até aí tinham assolado a
vida política em Portugal.
Para dar corpo a esses objectivos, a primeira acção foi de reforma
institucional, fazendo aprovar o Acto Adicional de 1852 à Carta Constitucional
de 1826 e desvalorizando, até ao limiar da falta de democraticidade, a
actividade parlamentar e a disputa político-partidária. Tal traduziu-se na
criação das condições de equilíbrio político que desembocariam no rotativismo de
algumas décadas depois. O segundo vector da acção regeneradora foi o fomento do
crescimento económico, centrado na construção de infra-estruturas de transportes
e comunicações, numa primeira tentativa de quebrar o isolamento de vastas
regiões do país, e de apoio ao desenvolvimento industrial e comercial. Foi com
esses objectivos que se instituiu o Ministério das Obras Públicas, Comércio e
Indústria, que foi confiado a Fontes Pereira de Melo, um dos mais dinâmicos e
capazes políticos da época.
A preponderância do vector do fomento foi tão grande que o Ministério das Obras
Públicas, Comércio e Indústria, de Fontes Pereira de Melo, rapidamente assumiu o
principal protagonismo na acção governativa, passando o seu titular a ter um
grau de reconhecimento público que em muito ultrapassava o que era dispensado ao
presidente do governo. É assim que surge o fontismo, que mais do que uma
doutrina política era uma forma de acção.
Na vertente desenvolvimentista das políticas regeneradoras foram encetadas
algumas medidas, que apesar de nunca completamente concretizadas, contribuíram
largamente para a evolução do país, entre as quais se destacam a construção ou
renovação das redes rodoviárias e dos principais portos, a expansão acelerada da
rede ferroviária e a instalação do telégrafo, o qual iria antecipar o
aparecimento do telefone, surgido algumas décadas mais tarde.
Este acentuado esforço de fomento e de procura incessante do progresso material
está bem patente na seguine frase de Fontes Pereira de Melo: Acima do cavalo da
diligência está o trâmuei, acima deste a locomotiva, e acima de tudo o
progresso. Esta frase resume bem o estado de espírito que dominou a classe
política portuguesa no início da Regeneração.
O movimento regenerador apresentava como ponto fulcral do seu programa político
a renovação do sistema político e a criação das infra-estruturas básicas
necessária ao desenvolvimento do país. O movimento tinha como objectivo central
estabelecer de forma definitiva o liberalismo em Portugal e para tal adoptou os
princípios estabelecidos na Carta Constitucional de 1826, introduzindo-lhe as
necessárias reformas pelo Acto Adicional de 1852.
O programa político regenerador assentava num conjunto de reformas
administrativas e económico-sociais, cuja aplicação tinha como objectivo
fomentar o crescimento económico e ultrapassar os constrangimentos de natureza
política e institucional que tinham impedido o país de se aproximar dos níveis
de desenvolvimento da Europa. Atribuíam os bloqueios à má governança e ao tempo
perdido com as múltiplas lutas político-ideológicas que até aí tinham assolado a
vida política em Portugal.
Para dar corpo a esses objectivos, a primeira acção foi de reforma
institucional, fazendo aprovar o Acto Adicional de 1852 à Carta Constitucional
de 1826 e desvalorizando, até ao limiar da falta de democraticidade, a
actividade parlamentar e a disputa político-partidária. Tal traduziu-se na
criação das condições de equilíbrio político que desembocariam no rotativismo de
algumas décadas depois. O segundo vector da acção regeneradora foi o fomento do
crescimento económico, centrado na construção de infra-estruturas de transportes
e comunicações, numa primeira tentativa de quebrar o isolamento de vastas
regiões do país, e de apoio ao desenvolvimento industrial e comercial. Foi com
esses objectivos que se instituiu o Ministério das Obras Públicas, Comércio e
Indústria, que foi confiado a Fontes Pereira de Melo, um dos mais dinâmicos e
capazes políticos da época.
A preponderância do vector do fomento foi tão grande que o Ministério das Obras
Públicas, Comércio e Indústria, de Fontes Pereira de Melo, rapidamente assumiu o
principal protagonismo na acção governativa, passando o seu titular a ter um
grau de reconhecimento público que em muito ultrapassava o que era dispensado ao
presidente do governo. É assim que surge o fontismo, que mais do que uma
doutrina política era uma forma de acção.
Na vertente desenvolvimentista das políticas regeneradoras foram encetadas
algumas medidas, que apesar de nunca completamente concretizadas, contribuíram
largamente para a evolução do país, entre as quais se destacam a construção ou
renovação das redes rodoviárias e dos principais portos, a expansão acelerada da
rede ferroviária e a instalação do telégrafo, o qual iria antecipar o
aparecimento do telefone, surgido algumas décadas mais tarde.
Este acentuado esforço de fomento e de procura incessante do progresso material
está bem patente na seguinte frase de Fontes Pereira de Melo: Acima do cavalo da
diligência está o trâmuei, acima deste a locomotiva, e acima de tudo o
progresso. Esta frase resume bem o estado de espírito que dominou a classe
política portuguesa no início da Regeneração.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande -
Portugal