Muita gente se
esqueceu ou não sabe que Portugal antes de se
tornar o único país independente da Península
Hispânica (hoje Península Ibérica) teve de lutar
durante muitos séculos pela sua independência.
Desde os Lígures até aos Mouros, foram séculos de
ocupação, privação e exploração por outros povos.
Mas os Lusitanos foram reagindo e um dia
tornaram-se independentes. De 1580 a 1660,
Portugal voltou a ser ocupado, neste caso, pela
poderosa Espanha. Mais uma vez reagimos e voltámos
a ser independentes. E mais, um País tão pequeno e
pobre, conseguiu reconquistar na altura enormes
territórios coloniais como o Brasil e Angola, já
lá com franceses, holandeses, espanhóis
implantados ...
"Heróis do mar ! Nobre povo ! / Nação valente,
imortal ! / Levantai hoje, de novo, / O esplendor
de Portugal. / Entre as brumas da memória, / Ó
Pátria, sente-se a voz, / Dos seus egrégios avós /
Que há-de guiar-te à vitória.
Às armas, Às armas / Sobre a terra, sobre o mar !
/ Às armas ! às armas ! / Pela Pátria lutar ! /
Contra os canhões marchar ! / Marchar !"
(OS PRIMÓRDIOS DA NACIONALIDADE PORTUGUESA)
Portugal e Espanha formam uma península chamada
Ibérica, no extremo da Europa. Portugal é um país
pequeno, pois a sua superfície não vai além de
89.560 Km2. A sua costa é banhada pelo Oceano
Atlântico, numa extensão de 845 Km. Milhares de
anos antes de se formarem as duas nações com os
nomes de Portugal e Espanha, outros países e
outros povos houve na Península. Então o homem era
um ser de existência rude. Vivia em cavernas e
fazia as suas armas e utensílios de pedra, ossos e
espinhas de peixe. Muitos anos depois, aprendeu a
fazer toscas construções à beira dos lagos. Vários
povos invadiram a Península, alguns vindos de
muito longe, pela terra ou pelo mar. Os Lígures
são os primeiros de que há memória, seguidos pelos
Iberos. Depois vieram os Feníncios e os Gregos. A
Fenícia era, então, um país muito progressivo e
desenvolveu a civilização em vários pontos da
Península. Assim, lentamente, pelo contacto com
povos mais adiantados, os indígenas peninsulares
iam transformando a sua vida, com a aquisição de
novos ensinamentos e costumes. Vieram também os
Celtas que nalguns pontos se juntaram aos Iberos,
formando os Celtiberos. Da junção dos Iberos e dos
Celtas com os Lígures, formaram-se os Lúcios, mais
tarde Lusitanos. A Lusitânia ficava entre os rios
Tejo e Douro. Os Lusitanos, muito arraigados à sua
independência, eram briosos guerreiros e manejavam
a espada, o punhal e a lança com grande arte.
Usavam cabelos compridos e comiam pão feito de
bolota. Viviam em tribos independentes, mas,
quando em guerra, todas se uniam e elegiam então
os seus chefes comuns. Mais tarde, vieram os
Cartagineses, oriundos da poderosa cidade do Norte
de África, chamada Cartago, que era uma colónia
Fenícia. Estabeleceram-se na Península, onde
estiveram mais de 300 anos.
Quando no ano 201, antes de Cristo se submeteram a
Roma, com a qual andaram em guerra, os Romanos
tomaram conta da Ibéria. Nem todos os povos da
Península receberam de bom grado o jugo de Roma.
As atrocidades cometidas pelos seus soldados
motivaram muitas revoltas, sobretudo dos povos do
interior. Os Lusitanos, ao verem as suas terras em
perigo, e temendo perder a sua independência,
ergueram-se em luta aberta contra o invasor.
Depois de vencerem várias forças romanas, o
general Galba prometeu-lhes boas condições de paz,
se depusessem as armas. Os Lusitanos já cansados
da guerra, aceitaram mas caíram numa armadilha.
Cerca de 30.000 Lusitanos caíram vítimas do
pérfido general romano. Os que conseguiram
escapar, refugiaram-se na Serra da Estrela,
chamada então "Montes Hermínios". Entre os que
escaparam, encontrava-se um pastor, valente,
audaz, temerário, corpo endurecido nas lutas da
montanha, que conseguiu reunir 6.000 homens. Era
Viriato, que recomeçou a luta contra os Romanos,
vingando a chachina de Galba. Venceu todas as
forças de Roma, até que impôs condições de paz,
que os Romanos aceitaram. Mas os Romanos entraram
mais uma vez no caminho da traição. Faltaram ao
acordo de paz firmado com Viriato, e de novo lhe
abriram luta. Como tornassem a perder, resolveram
então subornar três companheiros do valoroso
montanês, que mataram o seu chefe enquanto ele
dormia. Só desta forma vil, é que os generais
romanos conseguiram vencer Viriato. Depois da
morte de Viriato, os Lusitanos passaram a ser
comandados por Sertório, um romano exilado, que à
frente dos bravos Lusitanos, venceu todos os
generais que Roma enviou para o combater. Os
Lusitanos estimavam-no muito. O seu lugar-tenete
Perpena, mau e invejoso, matou-o à traição,
durante um banquete. Por fim, os Romanos
pacificaram a Península, cujos povos aceitaram
todos os seus usos e costumes. Nela se mantiveram
centenas de anos, deixando numerosos vestígios da
sua civilização, como estradas, monumentos,
aquedutos, que ainda hoje podemos admirar. Os
povos bárbaros invadiram o Império Romano, que
para sempre se extinguiu com toda a sua
civilização. Aqueles povos entraram depois na
Ibéria e devastaram tudo o que encontraram,
espalhando a peste e a fome. Os que mais se
distinguiram nestas destruições foram os Alanos,
os Vândalos e os Suevos. Os Visigodos também
vieram fixar-se na Ibéria, onde dominaram os
outros povos bárbaros.
Convertidos ao Cristianismo, os Visigodos fizeram
da Península um grande reino, que durou quase 300
anos. Aproveitando-se das lutas que começaram a
dividir os Visigodos, os Muçulmanos, vindos do
Norte de África, invadiram a Península. Rodrigo,
rei dos Visigodos, foi derrotado na batalha de
Guadalete, na qual perdeu a vida. Então, os
Muçulmanos tomaram conta da Península, excepto uma
parte das Astúrias, onde se refugiou um grupo de
visigodos, chefiados por Pelágio. Este combateu os
Mouros e venceu-os na batalha de Covadonga. Assim
nasceu o primeiro reino cristão da Península
Ibérica, chamado em princípio das Astúrias e
depois de Leão. Devido às lutas contra os Mouros,
formaram-se mais tarde, outros reinos cristãos,
como Castela, Navarra e Aragão. Na altura, era rei
de Leão Afonso Vl, que por morte de seu irmão, rei
de Castela, ficou a governar os dois reinos.
Afonso Vl, rei de Leão e Castela, batalhou muito
contra os Mouros, alargando os seus reinos até ao
rio Tejo. Henrique, cavaleiro francês, auxiliou-o
nestas lutas. Como recompensa pelos seus feitos, o
monarca deu-lhe em casamento sua filha D. Teresa,
e o governo do Condado Portucalense Que começava
ao norte e estendia-se do rio Minho para sul, em
alguns pontos até ao rio Tejo. D. Henrique
combatendo sempre os Mouros, dilatou os seus
territórios. Depois, partiu numa cruzada à
Palestina, ficando sua mulher D. Teresa, a
governar o Condado Portucalense, que continuava a
depender do rei de Leão e Castela. Por morte de D.
Henrique, como seu filho Afonso Henriques ainda
era menino de três anos, ficou a governar o
Condado, sua mulher, a D. Teresa. Seguiram-se
algumas lutas entre as duas irmãs (de Leão e
Castela e a do Condado Portucalense), pois ambas
ambicionavam alargar as suas terras e formar assim
um reino independente. Falecida D. Urraca (de Leão
e Castela), seu filho Afonso Vll foi aclamado rei
de Leão e Castela.
Logo invadiu Portugal, para que sua tia, D. Teresa
lhe prestasse vassalagem, bem como seu primo
Afonso Henriques, já armado cavaleiro em 1125, na
Catedral de Samora (hoje Espanha). Afonso Vll
cercou-o em Guimarães (Minho).
E assim começou a
Fundação de Portugal ...