HISTÓRIA de P O R T U G A L

(Resumo)

 

 

1ª parte: Primórdios da Nacionalidade e 1ª Dinastia

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 
 
 

 

 

 

 

1ª Dinastia, chamada Afonsina ou Borgonha   

Muita gente se esqueceu ou não sabe que Portugal antes de se tornar o único país independente da Península Hispânica (hoje Península Ibérica) teve de lutar durante muitos séculos pela sua independência. Desde os Lígures até aos Mouros, foram séculos de ocupação, privação e exploração por outros povos. Mas os Lusitanos foram reagindo e um dia tornaram-se independentes. De 1580 a 1660, Portugal voltou a ser ocupado, neste caso, pela poderosa Espanha. Mais uma vez reagimos e voltámos a ser independentes. E mais, um País tão pequeno e pobre, conseguiu reconquistar na altura enormes territórios coloniais como o Brasil e Angola, já lá com franceses, holandeses, espanhóis implantados ...


"Heróis do mar ! Nobre povo ! / Nação valente, imortal ! / Levantai hoje, de novo, / O esplendor de Portugal. / Entre as brumas da memória, / Ó Pátria, sente-se a voz, / Dos seus egrégios avós / Que há-de guiar-te à vitória.
Às armas, Às armas / Sobre a terra, sobre o mar ! / Às armas ! às armas ! / Pela Pátria lutar ! / Contra os canhões marchar ! / Marchar !"


(OS PRIMÓRDIOS DA NACIONALIDADE PORTUGUESA)


Portugal e Espanha formam uma península chamada Ibérica, no extremo da Europa. Portugal é um país pequeno, pois a sua superfície não vai além de 89.560 Km2. A sua costa é banhada pelo Oceano Atlântico, numa extensão de 845 Km. Milhares de anos antes de se formarem as duas nações com os nomes de Portugal e Espanha, outros países e outros povos houve na Península. Então o homem era um ser de existência rude. Vivia em cavernas e fazia as suas armas e utensílios de pedra, ossos e espinhas de peixe. Muitos anos depois, aprendeu a fazer toscas construções à beira dos lagos. Vários povos invadiram a Península, alguns vindos de muito longe, pela terra ou pelo mar. Os Lígures são os primeiros de que há memória, seguidos pelos Iberos. Depois vieram os Feníncios e os Gregos. A Fenícia era, então, um país muito progressivo e desenvolveu a civilização em vários pontos da Península. Assim, lentamente, pelo contacto com povos mais adiantados, os indígenas peninsulares iam transformando a sua vida, com a aquisição de novos ensinamentos e costumes. Vieram também os Celtas que nalguns pontos se juntaram aos Iberos, formando os Celtiberos. Da junção dos Iberos e dos Celtas com os Lígures, formaram-se os Lúcios, mais tarde Lusitanos. A Lusitânia ficava entre os rios Tejo e Douro. Os Lusitanos, muito arraigados à sua independência, eram briosos guerreiros e manejavam a espada, o punhal e a lança com grande arte. Usavam cabelos compridos e comiam pão feito de bolota. Viviam em tribos independentes, mas, quando em guerra, todas se uniam e elegiam então os seus chefes comuns. Mais tarde, vieram os Cartagineses, oriundos da poderosa cidade do Norte de África, chamada Cartago, que era uma colónia Fenícia. Estabeleceram-se na Península, onde estiveram mais de 300 anos.
Quando no ano 201, antes de Cristo se submeteram a Roma, com a qual andaram em guerra, os Romanos tomaram conta da Ibéria. Nem todos os povos da Península receberam de bom grado o jugo de Roma. As atrocidades cometidas pelos seus soldados motivaram muitas revoltas, sobretudo dos povos do interior. Os Lusitanos, ao verem as suas terras em perigo, e temendo perder a sua independência, ergueram-se em luta aberta contra o invasor.
Depois de vencerem várias forças romanas, o general Galba prometeu-lhes boas condições de paz, se depusessem as armas. Os Lusitanos já cansados da guerra, aceitaram mas caíram numa armadilha. Cerca de 30.000 Lusitanos caíram vítimas do pérfido general romano. Os que conseguiram escapar, refugiaram-se na Serra da Estrela, chamada então "Montes Hermínios". Entre os que escaparam, encontrava-se um pastor, valente, audaz, temerário, corpo endurecido nas lutas da montanha, que conseguiu reunir 6.000 homens. Era Viriato, que recomeçou a luta contra os Romanos, vingando a chachina de Galba. Venceu todas as forças de Roma, até que impôs condições de paz, que os Romanos aceitaram. Mas os Romanos entraram mais uma vez no caminho da traição. Faltaram ao acordo de paz firmado com Viriato, e de novo lhe abriram luta. Como tornassem a perder, resolveram então subornar três companheiros do valoroso montanês, que mataram o seu chefe enquanto ele dormia. Só desta forma vil, é que os generais romanos conseguiram vencer Viriato. Depois da morte de Viriato, os Lusitanos passaram a ser comandados por Sertório, um romano exilado, que à frente dos bravos Lusitanos, venceu todos os generais que Roma enviou para o combater. Os Lusitanos estimavam-no muito. O seu lugar-tenete Perpena, mau e invejoso, matou-o à traição, durante um banquete. Por fim, os Romanos pacificaram a Península, cujos povos aceitaram todos os seus usos e costumes. Nela se mantiveram centenas de anos, deixando numerosos vestígios da sua civilização, como estradas, monumentos, aquedutos, que ainda hoje podemos admirar. Os povos bárbaros invadiram o Império Romano, que para sempre se extinguiu com toda a sua civilização. Aqueles povos entraram depois na Ibéria e devastaram tudo o que encontraram, espalhando a peste e a fome. Os que mais se distinguiram nestas destruições foram os Alanos, os Vândalos e os Suevos. Os Visigodos também vieram fixar-se na Ibéria, onde dominaram os outros povos bárbaros.
Convertidos ao Cristianismo, os Visigodos fizeram da Península um grande reino, que durou quase 300 anos. Aproveitando-se das lutas que começaram a dividir os Visigodos, os Muçulmanos, vindos do Norte de África, invadiram a Península. Rodrigo, rei dos Visigodos, foi derrotado na batalha de Guadalete, na qual perdeu a vida. Então, os Muçulmanos tomaram conta da Península, excepto uma parte das Astúrias, onde se refugiou um grupo de visigodos, chefiados por Pelágio. Este combateu os Mouros e venceu-os na batalha de Covadonga. Assim nasceu o primeiro reino cristão da Península Ibérica, chamado em princípio das Astúrias e depois de Leão. Devido às lutas contra os Mouros, formaram-se mais tarde, outros reinos cristãos, como Castela, Navarra e Aragão. Na altura, era rei de Leão Afonso Vl, que por morte de seu irmão, rei de Castela, ficou a governar os dois reinos. Afonso Vl, rei de Leão e Castela, batalhou muito contra os Mouros, alargando os seus reinos até ao rio Tejo. Henrique, cavaleiro francês, auxiliou-o nestas lutas. Como recompensa pelos seus feitos, o monarca deu-lhe em casamento sua filha D. Teresa, e o governo do Condado Portucalense Que começava ao norte e estendia-se do rio Minho para sul, em alguns pontos até ao rio Tejo. D. Henrique combatendo sempre os Mouros, dilatou os seus territórios. Depois, partiu numa cruzada à Palestina, ficando sua mulher D. Teresa, a governar o Condado Portucalense, que continuava a depender do rei de Leão e Castela. Por morte de D. Henrique, como seu filho Afonso Henriques ainda era menino de três anos, ficou a governar o Condado, sua mulher, a D. Teresa. Seguiram-se algumas lutas entre as duas irmãs (de Leão e Castela e a do Condado Portucalense), pois ambas ambicionavam alargar as suas terras e formar assim um reino independente. Falecida D. Urraca (de Leão e Castela), seu filho Afonso Vll foi aclamado rei de Leão e Castela.
Logo invadiu Portugal, para que sua tia, D. Teresa lhe prestasse vassalagem, bem como seu primo Afonso Henriques, já armado cavaleiro em 1125, na Catedral de Samora (hoje Espanha). Afonso Vll cercou-o em Guimarães (Minho).

E assim começou a Fundação de Portugal ...