(Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 —
Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi professor universitário, estadista e político
português.
Foi ministro das Finanças entre 1928 e 1932. Entre 1932 e 1968 foi o estadista
que dirigiu os destinos do seu país, com o cargo de presidente do Conselho de
Ministros (primeiro-ministro). Era fundador e chefe da União Nacional (partido
único durante o Estado Novo) a partir de 1931. Ele também era o fundador e
principal mentor do Estado Novo (1933-1974), substituindo a ditadura militar
(1926-1933).
O caminho do poder
Foi seminarista em Viseu. Depois de ter sido excelente na actividade que
conduzia[Carece de fontes?], mudou-se para Coimbra para estudar Direito (1910).
Em 1914 conclui o curso de direito com a alta classificação de 19 valores e em
1916 é assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de
Economia Política e Finanças em (1917) a convite do professor José Alberto dos
Reis, praticando a actividade com uma qualidade nunca antes vista[Carece de
fontes?] e antes de se doutorar (1918).
Durante este período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no
Centro Académico da Democracia Cristã onde faz amigos como (Mário de Figueiredo,
José Nosolini, Juvenal de Araújo, os irmãos Dinis da Fonseca, Manuel Gonçalves
Cerejeira e Bissaya Barreto entre outros); alguns haveriam de colaborar nos seus
governos. Combate o anticlericalismo da 1ª República através de artigos de
opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e
debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII vai
consolidando o seu pensamento, explicitando-o em artigos.
As suas opiniões e ligações ao Centro Académico da Democracia Cristã, levaram-no
em 1921 a concorrer por Guimarães como deputado ao Parlamento. Sendo eleito e
não encontrando aí qualquer motivação regressou à Universidade passado três
dias. Aí se manteve até 1926.
Da pasta das Finanças à Presidência do Conselho
Com a crise económica e a agitação política da 1ª República (que se prolongou
inclusive após o 28 de Maio), a Ditadura Militar chamou Salazar em Junho de 1926
para a pasta das finanças; passados treze dias renuncia ao cargo e torna a
Coimbra por não lhe haverem satisfeitas as condições que achava indispensáveis
ao seu exercício.
Em 1928, após a eleição de Carmona e na sequência do fracasso do seu antecessor
em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas
públicas reassumiu a pasta. Exigiu controlo sobre as despesas e receitas de
todos ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso
controlo de contas, conseguindo um superavit nas finanças públicas logo no
exercício económico de 1928-29.
- Sei muito bem o que quero e para onde vou. - afirmara, denunciando o seu
propósito na tomada de posse.
Na imprensa, especialmente a que lhe era favorável, Salazar seria muitas vezes
retratado como salvador da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade
política na manipulação das correntes da direita republicana, dos monárquicos e
dos católicos consolidavam o seu poder. A Ditadura dificilmente o podia
dispensar e o Presidente da República consultava-o em cada remodelação
ministerial. Enquanto a oposição democrática se desvanecia em sucessivas
revoltas sem êxito, procurava-se dar rumo à Revolução Nacional imposta pela
ditadura. Salazar, recusando o regresso ao parlamentarismo da 1ª República, dá a
solução: cria a União Nacional em 1930, movimento nacional (na prática o partido
único) aglutinador de todos quantos quisessem servir a pátria.
Em 1932 era publicado o projecto de uma nova Constituição que seria aprovada em
1933. Com esta constituição, Salazar cria o Estado Novo, uma ditadura civil,
anti-liberal, anti-comunista e anti-parlamentar que se orienta segundos os
princípios da tradição: Deus, Pátria, Familia, Autoridade, Hierarquia,
Moralidade, Paz Social e Austoridade. Toda a vida económica e social do país
estava organizada em corporações - era também um Estado Corporativo. Portugal
afirmava-se como "um Estado pluricontinental e multirracial" - assentava-se
sobre os pilares de uma politica colonialista. Durante o Estado Novo, os
Presidentes da República tinham funções meramente cerimoniais. O detentor real
do poder era o Presidente do Conselho dos Ministros e era ele que dirigia os
destinos de Portugal.
Salazar e Franco
Na Guerra Civil Espanhola, deflagrada em Julho de 1936, Salazar declara apoio a
Franco e cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa.
Em 8 de Setembro de 1936, teve lugar em Lisboa a Revolta dos Marinheiros, também
conhecida como Motim dos Barcos do Tejo, mais aparatosa acção levada a cabo
durante a Guerra Civil de Espanha contra a ditadura portuguesa.
A acção foi desencadeada pela Organização Revolucionária da Armada (ORA),
estrutura criada em 1932 para agrupar as células do Partido Comunista Português
(PCP) da Marinha. A organização editava um mensário intitulado O Marinheiro
Vermelho.
Os marinheiros comunistas sublevaram as tripulações dos navios de guerra Dão,
Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, procurando sair com eles da Barra do
Tejo. Após uma intensa troca de tiros, que causou a morte de 10 marinheiros, a
revolta fracassou e os sublevados foram presos.
Concordata entre a Santa Sé e Portugal, em 1940
A questão da indemnização da Igreja Católica pela nacionalização dos seus bens
durante a 1ª República é considerada por Salazar. Apesar da sua acção no Centro
Católico e de ser ele mesmo profundamente católico, a separação de poderes entre
o Estado e a Igreja é uma afirmação clara do salazarismo [Carece de fontes?],
mas Salazar procurou dar grandes privilégios para a Igreja, para que esta lhe
apoiasse. A definição das relações entre o Estado português e a Igreja Católica
viria a oficializar-se em 1940 através da Concordata.
A Segunda Guerra Mundial
Oliveira Salazar assumira a pasta dos negócios estrangeiros desde a Guerra Civil
Espanhola. Com a Segunda Guerra Mundial o imperativo do governo de Salazar é
manter a neutralidade. Próximo ideologicamente do Eixo, o regime português
escuda-se nisso e também na aliança com a Inglaterra para manter uma política de
neutralidade. Esta assentava num esforço de não afrontamento a qualquer dos
lados em beligerância.
Primeiramente, uma intensa actividade diplomática junto de Franco tenta evitar
que a Espanha se alie à Alemanha e à Itália (caso em que previsivelmente os
países do Eixo com a Espanha olhariam a ocupação de Portugal como meio de
controlar o Atlântico e fechar o Mediterrâneo, o que desviaria o teatro da
guerra para a Península Ibérica).
Com a Espanha fora da guerra, a estratégia de neutralidade é um imperativo da
diplomacia por forma a não provocar a hostilidade nos beligerantes e Salazar não
tolerou desvios dos diplomatas que arriscassem a sua política externa. Quando o
cônsul português, Aristides de Sousa Mendes, em Bordéus concedeu vistos em
grande quantidade a judeus em fuga aos nazis, ignorando instruções do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, Salazar foi implacável com ele e demitiu-o.
A exoneração de Aristides
Salazar deu instruções explícitas aos seus embaixadores para que limitassem a
concessão de vistos a pessoas que pretendiam fugir da França, quando esta foi
invadida pela Alemanha. No Verão de 1940, milhares de pessoas em fuga, muitas
delas judeus que receavam pela sua vida caso caíssem nas mãos dos nazis,
dirigem-se às embaixadas e postos consulares portugueses em França, suplicando
pelo direito a um visto de entrada no país. Contrariando as instruções de
Salazar, Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus, concedeu esses
vistos em grandes números. Salazar viria a demitir Aristides, retirando-lhe os
direitos à totalidade da pensão de reforma, acabando o ex-cônsul por passar o
final da sua vida na miséria em Portugal. Da mesma forma viria Salazar a agir
com o embaixador de Portugal em Londres, Armindo Monteiro, por haver manifestado
publicamente uma posição anglófila.
Papel dos Açores
Em 1943 os Aliados procuram utilizar a Base das Lajes nos Açores, como base de
apoio para as missões no Oceano Atlântico e no Teatro de Operações Europeu. O
governo de Portugal, não evitando a pressão, cede. Mas Salazar negoceia como
contrapartida o fornecimento de armamento (poderia a Alemanha vir a atacar
Portugal) e a garantia da restituição da soberania portuguesa a Timor no fim da
Guerra.
Com os canais diplomáticos e comerciais abertos com ambas as partes
beligerantes, a balança comercial portuguesa manteve saldo positivo durante boa
parte do conflito.
Rescaldo da neutralidade portuguesa
A posição de neutralidade permitiu a Portugal que nos anos de 1941, 1942, 1943
as exportações ultrapassassem as importações, facto que não se verificava desde
dezenas de anos, e que até à actualidade ainda não se verificou. Esta hábil
gestão da neutralidade trouxe-lhe, no final da guerra, os benefícios da paz sem
ter de pagar o preço da guerra. Portugal foi uma das poucas zonas de paz num
mundo a "ferro e fogo", serviu de refúgio a muitas pessoas de várias
proveniências. Um desses refugiados foi o arménio Calouste Gulbenkian, que
permaneceu no país tendo legado uma das mais importantes instituições ao serviço
da cultura em Portugal. Esta situação económica conseguiu também atenuar os
problemas provocados pela Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e pela própria
Segunda Guerra Mundial, que trouxeram problemas de escassez de géneros (Portugal
era deficitário quanto a alimentos) e a inflação que disparou.
Em Portugal, embora se reconhecesse o mérito da obra de Salazar no que respeita
à reorganização financeira, à restauração económica e à defesa da paz, muitos
entenderam que tinha chegado a oportunidade de mudança politica.
Guerra colonial
Em Março de 1961 no norte de Angola inúmeros portugueses são barbaramente
assassinados por um levantamento de quicongos. Esta chacina levará Salazar a
reagir - Para Angola rapidamente e em força. Defensor de uma política
colonialista, Salazar alimenta as fileiras da guerra colonial com o propósito da
manutenção da unidade territorial das províncias ultramarinas sob a bandeira
portuguesa. Pratica uma política de isolacionismo internacional sob o lema
Orgulhosamente sós, quando a comunidade internacional promove a agenda da
descolonização em África, levando Portugal a um menor avanço cultural e
económico.
Fim de um Homem
Foi afastado do Governo em 1968 após ser vitimado por um hematoma craneano, que
lhe causou danos cerebrais graves após uma queda quando passava férias no forte
de S. António do Estoril. Segundo o seu barbeiro pessoal, Salazar que costumava
ser distraído e ter um habito de «saltar para as cadeiras», estava a ler um
jornal e caiu ao sentar-se onde habitualmente estaria uma cadeira, mas que nesse
dia tinha sido movida.[2] Américo Tomás então Presidente da República chama
Marcello Caetano para substituir Salazar. Até morrer, em 1970, aqueles que com
ele lidavam diariamente fizeram crer a Salazar ou ele fazia-se acreditar que
ainda continuava a governar o país, mesmo já depois de Marcello Caetano ter
assumido o Governo.