ACTIVIDADE PROFISSIONAL
Para se afastar da influência da madrasta, começou por trabalhar na tipografia
do jornal A Ilha, estendendo a sua colaboração aos jornais O Meteoro e O
Santelmo.
Terminados os estudos em Ponta Delgada, ingressa na Faculdade de Coimbra, com a
ideia de cursar Teologia, acabando, no entanto, por optar pelo curso de Direito.
Como a ajuda paterna fosse insuficiente, só graças às traduções, explicações,
artigos e poemas conseguiu acabar o curso, defendendo tese e tomando capelo, em
1868, a pedido da própria Faculdade. Esta simpatia e apreço não evitaram que
fosse preterido não só para o cargo de lente daquele estabelecimento de ensino,
como também para o de professor da Escola Politécnica do Porto.
Em 1872, concorre a lente da cadeira de Literaturas Modernas do Curso Superior
de Letras. Consegue desta vez assegurar o lugar superiorizando-se no confronto
com Manuel Pinheiro Chagas e Luciano Cordeiro.
A partir desta época, o positivismo de Auguste Comte vai exercer uma influência
decisiva na sua forma de pensar e consequentemente na sua obra literária e na
sua atitude política. A partir de 1878, funda e dirige com Júlio de Matos a
revista O Positivismo, o mesmo se passa em relação às revistas A Era Nova, em
1880, e Revista de Estudos Livres, a partir de 1884, mas desta vez em parceria
com Teixeira Bastos.
Em 1880, junto com Ramalho Ortigão, organiza e coordena as comemorações do
Tricentenário de Camões.
PERCURSO POLÍTICO
Em 1871, é um dos subscritores do projecto das Conferências Democráticas do
Casino Lisbonense, interrompidas por acção das autoridades monárquicas.
Influenciado pelas teses sociológicas e políticas da teoria positivista, cedo
adere aos ideais republicanos, podendo considerar-se como pertencendo à geração
dos republicanos doutrinários. Nesta qualidade desenvolveu as actividades
seguintes, nomeadamente:
- Candidato às eleições de Outubro de 1878, pelos republicanos federalistas;
- Membro do directório Republicano Português em 1890;
- Assina e colabora na elaboração do Manifesto Programa do PRP de 11 de Janeiro
de 1891, que precede de três semanas a revolução de Janeiro de 1891;
-Membro efectivo do directório político, em 1 de Janeiro de 1910, conjuntamente
com Basílio Teles, Eusébio Leão, José Cupertino Ribeiro e José Relvas;
-Deputado por Lisboa nas eleições de 28 de Agosto de 1910;
-Presidente do Governo Provisório republicano (Publicado em Diário do Governo de
6 de Outubro de 1910);
-Presidente da República em substituição de Manuel de Arriaga; exerceu o cargo
no período compreendido entre 29 de Maio de 1915 e 4 de Agosto do mesmo ano.
ELEIÇÕES E PERÍODO PRESIDENCIAL
Foi eleito na sessão do Congresso de 29 de Maio de 1915, obtendo 98 votos a
favor, contra 1 voto do Dr. Duarte Leite Pereira da Silva e 3 votos em branco.
Presidente de transição, face à demissão de Manuel de Arriaga, cumprirá o
mandato até ao dia 5 de Outubro do mesmo ano, sendo substituído por Bernardino
Machado.
Na impossibilidade de João Chagas poder tomar posse por ter sido vítima de um
atentado, José Ribeiro de Castro será empossado num novo governo, o 11.º
Constitucional, em 18 de Junho de 1915, e que durará até 29 de Novembro do mesmo
ano.
ACTIVIDADE PÓS-PRESIDENCIAL
Após o mandato, Teófilo Braga, sozinho e solitário, em consequência da morte dos
seus familiares mais chegados, dedicou-se quase em exclusivo à sua actividade de
escritor.
OBRAS PRINCIPAIS
A obra literária de Teófilo Braga é imensa e portanto impossível de a enumerar
exaustivamente num documento resumo, como este pretende ser. Não queremos é
deixar de mencionar alguns exemplos, quanto mais não seja para ilustrar a
diversidade das áreas sobre que se debruçou. Assim, Folhas Verdes, de 1859,
Stella Matutína, de 1863, Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras, de 1864, A
Ondina do Lago, de 1866, Torrentes, em 1869, Miragens Seculares de 1884,
representam incursões no campo da poesia. Ainda neste campo escreve a História
da Poesia Popular Portuguesa, em 1867, abrangendo o Romanceiro Geral e
Cancioneiro Popular e A Floresta de Vários Romances de 1868.
Como investigador das origens dos povos, seguiu a linha da análise dos elementos
tradicionais desde os mitos, passando pelos costumes e terminando nos contos de
tradição oral, que lhe permitiram escrever obras como Os Contos Tradicionais do
Povo Português, de 1883, O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e
Tradições, em 1885, e História da Poesia Portuguesa, que lhe levou anos a
escrever, procurando as suas origens através das várias épocas e escolas.
As áreas restantes das suas 360 obras, abrangem campos tão diversos como o da
História Universal, História do Direito, da Universidade de Coimbra, do Teatro
Português, da influência de Gil Vicente naquela forma de manifestação artística,
da Literatura Portuguesa, das Novelas Portuguesas de Cavalaria, do Romantismo em
Portugal, das Ideias Republicanas em Portugal, passando pelos folhetos de
polémica literária e política e ensaios biográficos, como o que respeita a
Filinto Elísio.
Além desta verdadeira enxurrada literária, nem sempre abordada com o rigor
exigido, o que lhe valeu várias críticas dos meios literários da época, não se
pode esquecer o seu contributo para a coordenação das obras de Camões, Bocage,
João de Deus e Garrett, os prefácios para tantas obras dos escritores mais
representativos e um sem-número de artigos escritos para os jornais do seu
tempo.