Seluta, Sandra, Seula e Caminha


 
Era uma vez (onde é que eu já ouvi isto ?) …
Três mosqueteiras mais um mosqueteiro (nada tem a ver com o romande de Alexandre Dumas), Sandra, Seula e Seluta versos Caminha. Também entra a Imobiliária A. Gonzaga, onde o então estudante de Medicina, de nome Luiz, também Eduardo e finalmente Caminha, para ganhar uns cacauzinhos (pilim, grana ou coroas) acumulava a vida de estudante universitário com a de promotor de vendas de imóveis. Como gostava de desporto (embora não tivesse grande habilidade), meteu-se como treinador-adjunto de uma equipa de andebol (em Portugal escreve-se sem “h”). Nesta sua faceta de vida, conheceu duas das mosqueteiras, a Sandra e a Seula na altura era a terror dos guarda-redes (goleiros). Pelo seu porte físico, era uma terrível meia-distância de fortíssimo remate. Quando a bola rematada violentamente, não saía fora, ou não batia na moldura das balizas, nem a guarda-redes defendia, era gol de certeza. Nos treinos, o nosso Caminha ia por vezes para a baliza defender os remates da Seula. O nosso herói andava com olho nesta magnífica atleta, até que um dia, (há sempre um dia – que me roube a fantasia), num forte remate, a Seula acertou em cheio (calculam aonde) e o Caminha ficou aflitíssimo e convenceu-se que ela era um perigo público quando embalava e rematava forte. E assim, teve de mudar de filosofia.
Na Imobiliária onde prestava a sua colaboração, começou a “perscrutar” uma linda gatinha que andava sempre triste e chorona. Aproximou-se tal como uma aranha para atrair sua presa, mas a Seluta estava reticente em cair na sua teia. Mas a aranha, tem uma paciência infinita.
Um belo dia foi levar a Sandra ao aeroporto, conjuntamente com a Seluta; e nesse encontro, o Caminha sou que as três mosqueteiras eram irmãs. No regresso, com falinhas mansas, perguntou-lhe a causa dessa tristeza e até choro. Foi quando a Seluta lhe contou que a causa era o seu ex-namorado a quem tinha dado com os pés (dado o fora), mas ele sem vergonha (ou por não quer perder a linda gatinha) insistia em voltar ao namoro.
Com toda a já longa experiência de “gavião”, o nosso Caminha começou desde esse dia a dar “apoio psicológico” a Seluta, tornando-se o seu confidente preferido. Era como um cavaleiro andante com sua lança levantada para defender sua dama. Gentilmente, começo a ir buscá-la ao trabalho, para evitar as investidas do ex, até que um dia, a Seluta foi na sua conversa (não de cigano)  e assim, em 12 de Junho de 1973, formalizaram o namoro.
Vamos voltar ao andebol. O Caminha, farto de ser guarda-redes, um belo dia, tentou a posição de pivot e, numa bela jogada, deixa-se cair na grande-área, enrola o corpo e remata forte furando até a rede. Foi um golo monumental, que passado tempo teve direito a receber um troféu.
Casaram no dia 14 de Março de 1975 e, nesse mesmo ano, a 23 de Julho o Caminha recebeu o troféu  do gol já descrito, com o nome de Alexandre Pereira Caminha.
Em 1976, o casal mais o Alexandre, foram viver para o Rio de Janeiro, onde viveram três anos e o Dr. Caminha se formou em Medicina.
De regresso a Florianópolis, retomou o hábito de praticar o andebol. Assim, deixando-se cair na grande-área e enrolando o corpo, marcou mais um belo gol, merecedor de troféu que recebeu, em 1979, com o nome de Luciano Pereira Caminha.
O Caminha, no ano de 1981, especializou-se durante 6 meses em Inglaterra e dois meses na Alemanha. Em 1983, instalou-se em Blumenau, onde continuou a praticar andebol, onde num dia inspirado conseguiu marcar outro grande golo na posição de pivot. Em 1984, recebeu mais um lindo troféu, desta vez com nome feminino: Maria Eduarda Pereira Caminha.
A partir desse ano, o Caminha continuou a praticar andebol, mas desta vez com coquilha, uma peça plástica que protege a zona crítica dos guarda-redes. Só que com esta protecção, nunca mais teve direito a receber qualquer troféu.
Em Novembro de 2006,
regressou à sua Florianópolis, dedicando-se à pesca apanhando uns peixitos, mas sem direito a receber troféus como aqueles que recebeu quando mais jovem e praticante da modalidade desportiva de andebol.
E a vida continuou e vai continuar por muitos e muitos anos, até há quem diga, até ser criada a lenda Caminha e Seluta.
 
Nota: este trabalho é de pura ficção. Qualquer parecença com pessoas, lugares e situações, é pura coincidência.

Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

 

 

Arte topo da página criada por Iara Melo,

em homenagem a este grande casal

amigo que conheci em Florianópoles.

A vocês Seluta e Caminha,

 minha eterna admiração

amizade  e

carinho.

 

 

***

 

Resolução do Ecrã 1024 * 768

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Copyright © 2007 - 2008 *  Portal CEN - Cá Estamos Nós Web Page

Todos os Direitos Reservados