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MÃE
(Luiz Eduardo Caminha)
 
Eu era um nada,
Minúsculo corpúsculo,
Plantado em ti.
E fui crescendo, multiplicando,
Centena, milhares, milhões,
Bracinhos, pernas,
Cabeça, boca, olhinhos, ouvidos.
 
Eu vivia tranqüilo,
Nadando no sereno lago de teu ventre,
Ouvindo, à noite, orações,
Conversas com o Pai eterno
De dia, o canto da passarada,
Manhãs, o calor do sol, no passeio,
À tarde, o afago, das mãos.
 
Aí, foi tudo de repente!
Uma tempestade!
Nasci! Filho homem!
Tudo estava tão bom,
Tudo tão quieto.
As aflições,
Que sempre assumias
Agora me afligem!!!

 

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