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MÃE - ELIANE ARRUDA
  
       Não posso me queixar da minha infância, nem mesmo adolescência e parte da vida adulta, pois tive, sempre ao meu lado, a figura cuidadosa, diligente e preocupada de Dona Geralda, que não chegou ao século atual, pois faleceu em dezembro de 2000. Enquanto as pessoas comemoravam a passagem do ano, do século, com músicas, assistindo aos shows pirotécnicos, eu me recolhia a uma tristeza incomensurável, ainda mais observando o desânimo com que ficou meu pai, falecendo seis anos depois. O importante, todavia, é poder dizer: possuí uma mãe de verdade.
           Ser mãe não é  apenas pôr no mundo alguém e o deixar à própria sorte. Dispõe de significado mais sublime. O grande exemplo foi Nossa Senhora, quem tudo enfrentou em prol do Filho. Pode ser uma palavrinha de três letras, contudo um oceano de conteúdo e interpretações. Além do fator biológico que encerra, assume outros  na construção do homem que enfrentará, em todos os sentidos, a sociedade.
       Nem toda mãe biológica é detentora do lato sentido que a minúscula palavra exige. Quantas delas provocam o aborto, na fase fetal, e quantas não entregam o bebê (para a adoção) a um desconhecido, além das que o abandonam no meio de um matagal, sujeito às formigas, à fome, à chuva ao  frio;  das  que

 

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