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I N Ú T I L T E I A
Henriette Effenberger
Qual uma aranha,
lenta e silenciosa,
passo por passo,
urdi minha teia.
Embora,
com caranguejeira-alma,
me revelei a ti,
como sereia...
Tentaste resistir,
(ingênua presa !)
Mas, no entanto,
sucumbiste
ao doce
e irresistível canto !
Pouco a pouco
te enredaste
tanto... tanto ...
Até que te fosse
impossível
escapar da sina
(trágico encanto !)
Ao te perceber,
guerreiro aprisionado,
debatendo-se
entre frágeis fios prateados,
senti pena de ti.
E ainda assim parti,
sem ter me lamentado
pela inútil teia
e pelo tempo,
em vão, desperdiçado.
Nada deixei de mim,
nem uma gota de lágrima
ou de sangue.
Nada levei de ti,
nem a saudade
do instante sublime
dos amantes...
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