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M E D O
Henriette Effenberger
Quase sempre me
bate
um medo danado
de morrer.
Sumir.
Desaparecer!
Virar um
sorriso congelado
de fotografia
ou um nome
qualquer
gravado numa
lápide fria.
Deixar de ser
e me tornar
referência:
a filha,
a prima,
a madrinha,
a tia distante
(que trazia
presentes)
Me
transfigurar naquela
que trabalhava
ali,
que escrevia
poesia
que ninguém
lia...
Pior !
Passar a ser
Quem ?
Filha de quem ?
Ninguém...
Ao se morrer,
pelo menos por
respeito,
deve-se morrer
para alguém.
Como tanta
gente ainda viva
foi morrendo
assim,
aos poucos,
pelo menos para
mim.
Ainda que
respirem,
que chorem, que
se virem...
Que sofram, que
ardam,
que se... (danem !)
Tenho um medo
danado
de morrer de
repente,
medo de infarto,
colapso
cardíaco,
de acidente...
Morrer
sem me
preparar,
sem arrumar a
bagagem,
sem escovar os
dentes !
Não quero
chegar lá em cima
(ou lá embaixo,
quem sabe ?)
despenteada,
sem cigarro,
sem isqueiro
e cometer a
gafe
de perguntar ao
porteiro:
- Tem fogo ?
Muitas vezes,
me dá um medo
danado de morrer,
antes de ter
aprendido
a viver...
***
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