Adeus Ano Velho… Viva o Ano Novo!
Trabalho, pesquisa e edição de
Carlos Leite Ribeiro

Ano, é o tempo que a Terra leva para completar uma volta em
torno do Sol.
A
época do começo do ano variou entre todos os povos. Os
egípcios, os caldeus, os persas começavam-no no equinócio do
Outono boreal (21 de Setembro), outros no solstício de
Inverno, outros enfim no solstício de Verão. Em França,
quando da ascensão de Carlos IX, o ano começava na Páscoa.
Um édito desse rei, em 1564, ordenou começa-lo a 1 de
Janeiro, data exclusivamente civil. Sob o governo
republicano de 1792, o ano começou no equinócio de Outono,
que veio a ser o 22 de Setembro de 1792. O ano cristão
começa com o nascimento de Cristo, fixado no ano 754 de
Roma, se bem ocorrido em 749. O ano Juliano é exatamente de
365,25 dias, o ano trópico de 365,2422. O ano Gregoriano
compensa o atraso do ano Juliano suprimindo três anos
bissextos em cada quatro. Os países ortodoxos tinham
conservado o ano Juliano, mas o governo soviético adotou o
ano Gregoriano, todavia, a Igreja Ortodoxa utiliza ainda o
ano Juliano. Os anos muçulmanos contados a partir de Hégira
(622), são mais breves que os anos Gregorianos, porque são
lunares. Os anos judeus contam-se em geral a partir do
começo do mundo (talvez 4 mil anos antes de Cristo).
A
noite de fim-de-ano também é conhecida pela noite de "São
Silvestre", que foi papa e governou a Igreja de 314 a 355
depois de Cristo, ano em que morreu, exatamente no dia 31 de
dezembro. A Igreja Católica escolheu esta data para
canonizá-lo. No seu pontificado, São Silvestre estabeleceu
novas bases doutrinais e disciplinares colocando a Igreja em
um novo contexto social e político. Ocorreu o entrosamento
entre o clero e o Estado. Com o Edito de Milão, o
cristianismo passou a ser a religião oficial do Império
Romano, na época governada por Constantino Magno (*). Com
essa aliança, os cristãos puderam professar abertamente sua
crença e a Igreja saiu de um período de perseguição que já
se arrastava por 300 anos. Uma das grandes realizações do
papa Silvestre foi o concílio ecumênico de Nicéia, em 325,
que definiu a divindade de Cristo.
O curioso é que a assembleia foi convocada pelo próprio
Constantino, o que mostra sua influência nos assuntos
eclesiásticos. Foram elaborados ainda os de Arles e Ancira.
São Silvestre foi um dos primeiros santos não mártires
cultuados pela Igreja. Ele é lembrado por promover a
renovação do espírito e como protetor dos seguidores mais
fiéis de Cristo. Os feitos do santo do último dia do ano em
defesa da fé não param por aí. Com a ajuda do imperador, São
Silvestre construiu as basílicas de São Pedro sobre o túmulo
do apóstolo, a Lateranense, que se tornou a residência dos
papas, e a de São Paulo.
(*)
Constantino Magno:
O
fato de Constantino ser um imperador de legitimidade
duvidosa foi algo que sempre influiu nas suas preocupações
religiosas e ideológicas: enquanto esteve diretamente ligado
a Maximiano, ele apresentou-se como o protegido de Hércules,
deus que havia sido apresentado como padroeiro de Maximiano
na primeira tetrarquia. Ao romper com seu sogro e
eliminá-lo, Constantino passou a colocar-se sob a proteção
da divindade padroeira dos imperadores-soldados do século
anterior, Deus Sol Invicto, ao mesmo tempo que fez circular
uma ficção genealógica (um panegírico da época, para
disfarçar a óbvia invenção, falava, dirigindo-se
retoricamente ao próprio Constantino, que se tratava de fato
"ignorado pela multidão, mas perfeitamente conhecido pelos
que te amam") pela qual ele seria o descendente do imperador
Cláudio II, ou Cláudio Gótico, conhecido pelas suas grandes
vitórias militares, por haver restabelecido a disciplina no
exército romano, e por ter estimulado o culto ao Sol.
Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como
primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na
sequência da sua vitória sobre Magêncio na Batalha da Ponte
Mílvio, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais
tarde atribuiu ao Deus cristão. Segundo a tradição, na noite
anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava
escrito em latim:
"In hoc signo vince" (ou seja: "Sob este símbolo vencerás")
De manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem
uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória
esmagadora sobre o inimigo. Esta narrativa tradicional não é
hoje considerada um fato histórico, tratando-se antes da
fusão de duas narrativas de fatos diversos encontrados na
biografia de Constantino pelo bispo Eusébio de Cesareia. No
entanto, é certo que Constantino era atraído, enquanto homem
de Estado, pela religiosidade e pelas práticas piedosas —
ainda que se tratasse da piedade ritual do paganismo: o
senado, ao erguer em honra a Constantino o seu arco do
triunfo, o Arco de Constantino, fez inscrever sobre este que
sua vitória devia-se à "inspiração da divindade"(instinctu
divinitatis mentis), o que certamente ia ao encontro das
ideias do próprio imperador. Até um período muito tardio de
seu reinado, no entanto, Constantino não abandonou
claramente sua adoração com relação ao deus imperial Sol,
que manteve como símbolo principal em suas moedas até 315.
Só após 317 é que ele passou a adotar clara e principalmente
lemas e símbolos cristãos, como o "chi-rô", emblema que
combinava as duas primeiras letras gregas do nome de Cristo
("X" e "P" superpostos). No entanto, já quando da sua
entrada solene em Roma em 312, Constantino recusou-se a
subir ao Capitólio para oferecer culto a Júpiter, atitude
que repetiria nas suas duas outras visitas solenes à antiga
capital para a comemoração dos jubileus do seu reinado, em
315 e 326.
A sua adoção do cristianismo pode também ser resultado de
influência familiar. Helena, com grande probabilidade, havia
nascido cristã e demonstrou grande piedade no fim da sua
vida, quando realizou uma peregrinação à Terra Santa,
localizou em Jerusalém uma cruz que foi tida como a Vera
Cruz e ordenou a construção da Igreja do Santo Sepulcro,
substituindo o templo a Afrodite que havia sido instalado no
local, tido como o do sepultamento de Cristo, pelo imperador
Adriano.
Todos os escritores que se interessaram por este assunto,
todos têm opiniões muito semelhantes: os calendários se
baseiam nos movimentos aparentes dos dois astros mais
brilhantes da abóbada celeste, na perspetiva de quem se
encontra na Terra, o Sol e a Lua, para determinar as
unidades de tempo: dia, mês e ano.
O dia, cuja noção nasceu do contraste entre a luz solar e a
escuridão da noite, é o elemento mais antigo e fundamental
do calendário. A observação da periodicidade das fases
lunares gerou a ideia de mês. E a repetição alternada das
estações, que variavam de duas a seis, de acordo com os
climas, deu origem ao conceito de ano, estabelecido em
função das necessidades da agricultura. Como já dissemos, o
ano é o período de tempo necessário para que a Terra faça um
giro ao redor do Sol, ou seja cerca de 365 dias e seis
horas. Esse número fracionário exige que se intercale dias
periodicamente, a fim de fazer com que os calendários
coincidam com as estações. No calendário Gregoriano, usado
na maior parte do mundo, um ano comum compreende 365 dias,
mas a cada quatro anos há um ano de 366 dias, o chamado ano
bissexto, em que o mês de Fevereiro passa a ter 29 dias. São
bissextos os anos cujo milésimo é divisível por quatro, com
exceção dos anos de fim de século cujo milésimo não seja
divisível por 400. Assim, por exemplo, o ano de 1900 não é
bissexto, ao contrário do ano 2000. Na astronomia,
distinguem-se várias espécies de ano, com pequenas
diferenças de duração. O ano trópico, também chamado de ano
solar ou ano das estações, tem 365 dias, cinco horas, 48
minutos e 46 segundos. Compreende o tempo decorrido entre
duas ocorrências sucessivas do equinócio vernal, ou seja, do
momento em que o Sol aparentemente cruza o equador celeste
na direção norte. Em virtude do fenómeno de precessão dos
equinócios, causado por uma pequena oscilação na rotação
terrestre, o ano trópico é mais curto que o ano sideral, que
tem 365 dias, seis horas, nove minutos e dez segundos, tempo
que o Sol leva para voltar ao mesmo ponto, em sua aparente
trajetória anual. O ano anomalístico compreende o período de
365 dias, seis horas, 13 minutos e 53 segundos, entre duas
passagens da Terra pelo periélio, ponto de sua órbita em que
está mais próxima do Sol. Dada a facilidade de observação
das fases lunares, e devido aos cultos religiosos que
frequentemente se associaram a elas, muitas sociedades
estruturaram seus calendários de acordo com os movimentos da
Lua. O ano lunar, de 12 meses sinódicos, correspondentes aos
12 ciclos da fase lunar, tem cerca de 364 dias. Conforme a
escala de tempo seja baseada nos movimentos do Sol, da Lua,
ou de ambos, o calendário será respetivamente solar, lunar
ou lunissolar.
No calendário Gregoriano os anos começam a ser contados a
partir do nascimento de Jesus Cristo, em função da data
calculada, no ano 525 da era cristã, pelo historiador
Dionísio o Pequeno. Todavia, seus cálculos não estavam
corretos, pois é mais provável que Jesus Cristo tenha
nascido quatro ou cinco anos antes, no ano 749 da fundação
de Roma, e não no 753, como sugeriu Dionísio. Para a moderna
historiografia, o fundador do cristianismo teria na verdade
nascido no ano 4 antes de Cristo. Em sentido amplo, todo
calendário é astronómico, variando apenas seu grau de
exatidão matemática. Classificam-se eles em siderais,
lunares, solares e lunissolares.
Baseia-se o calendário sideral no retorno periódico de uma
estrela ou constelação a determinada posição na configuração
celeste. Para o estabelecimento do calendário sideral, há
milênios, utilizou-se a observação do nascer ou do ocaso
helíaco (ou cósmico) de uma estrela. Além do nascer ou do
ocaso real de uma estrela, respetivamente, pelo horizonte
leste ou oeste, chama-se nascer ou ocaso helíaco (ou
cósmico) a passagem de um astro pelo horizonte oriental ou
ocidental no momento do nascer ou do pôr-do-sol,
respetivamente. Quando o astro nasce no momento do
pôr-do-sol, ou se põe no momento em que o Sol nasce, diz-se
que há nascer ou ocaso acrónicos. Nascer helíaco, portanto,
é a primeira aparição anual de uma estrela sobre o horizonte
oriental, quando surgem os primeiros raios de sol. Para
evitar atraso no registro da data do nascer helíaco, os
sacerdotes egípcios, que determinavam as estações em função
desse fenômeno, eram obrigados a vigílias rigorosas. Algumas
tribos do Brasil e da América do Sul serviam-se do nascer
helíaco das Plêiades para indicar o início do ano. O
primeiro calendário assírio se baseava no nascer helíaco da
constelação de Canis Majoris (Cão Maior), cuja estrela
principal, Sirius, tinha importante papel em sua mitologia.
A base do calendário lunar é o movimento da Lua em torno da
Terra, isto é, o mês lunar sinódico, que é o intervalo de
tempo entre duas conjunções da Lua e do Sol. Como a sua
duração é de 29 dias 12 horas 44 minutos e 2,8 segundos, o
ano lunar (cuja denominação é imprópria) de 12 meses
abrangerá 254 dias 8 horas 48 minutos e 36 segundos. Os anos
lunares têm que ser regulados periodicamente, para que o
início do ano corresponda sempre a uma lua nova. Como uma
revolução sinódica da Lua não é igual a um número inteiro de
dias, e os meses devem também começar com uma lua nova, esse
momento inicial não se dá sempre numa mesma hora. Por sua
vez, na antiguidade, e mesmo depois, houve frequentes erros
de observação desse início.
Para que os meses compreendessem números inteiros de dias,
convencionou-se, desde cedo, o emprego de meses alternados
de 29 e 30 dias. Mas como o mês lunar médio resultante é de
29 dias e 12 horas, isto é mais curto 44 minutos e 2,8
segundos do que o sinódico, adicionou-se, a partir de certo
tempo, um dia a cada trinta meses, com a finalidade de
evitar uma derivação das fases lunares. Por outro lado, como
o ano lunar era de 354 dias, observou-se que havia uma
desfasagem rápida entre o início do mesmo e o das estações.
Procurou-se eliminar essa diferença, intercalando-se
periodicamente um mês complementar, o que originou os anos
lunissolares.
O calendário lunar surgiu entre os povos de vida
essencialmente nómade ou pastoril, e os babilônicos foram os
primeiros, na antiguidade, a utilizá-lo. Os hebreus, gregos
e romanos também dele se serviram. O calendário muçulmano é
o único puramente lunar ainda em uso. Com Júlio César, Roma
adotou um calendário solar que predominou entre as
populações agrícolas.
Os egípcios foram o primeiro povo a usar o calendário solar,
embora os seus 12 meses, de trinta dias, fossem de origem
lunar. O calendário instituído em Roma, por Júlio César,
reformado mais tarde pelo papa Gregório XIII e atualmente
adotado por quase todos os povos, é do tipo solar, e suas
origens remontam ao Egito.
O calendário solar segue unicamente o curso aparente do Sol,
fazendo coincidir, com maior ou menor precisão, o ano solar
com o civil, de forma que as estações recaiam todos os anos
nas mesmas datas.
Baseia-se o calendário lunissolar no mês lunar, mas procura
fazer concordar o ano lunar com o solar, por meio da
intercalação periódica de um mês a mais. O mês é determinado
em função da revolução sinódica da Lua, fazendo começar o
ano com o início da lunação. Para que a entrada das estações
se efetue em datas fixas, acrescenta-se um mês suplementar,
no fim de certo número de anos, que formam um ciclo. Os
babilónicos, chineses, assírios, gregos e hindus utilizaram
calendários lunissolares. Atualmente, os judeus, que
adotaram o calendário babilónico na época do exílio, e os
cristãos se valem desse sistema para determinar a data da
Páscoa.
Nos calendários lunares e lunissolares o dia tem sempre
início com o pôr-do-sol, como ocorre ainda hoje, no
calendário judeu e muçulmano. No calendário solar, o dia
começa com a saída do Sol, como no antigo Egito. Na
Mesopotâmia o dia, para as observações astronômicas,
começava à meia-noite, embora o calendário usual partisse do
anoitecer. Os chineses e romanos adotaram também a
meia-noite para o início do dia, uso que é seguido pelo
calendário Gregoriano.
O calendário mais bem elaborado das antigas civilizações
pré-colombianas foi o Maia, e do qual deriva o calendário
Asteca. Tanto um como o outro tinham um calendário religioso
de 260 dias, com 13 meses de vinte dias; e um calendário
solar de 365 dias, constituído por 18 meses de vinte dias e
mais cinco dias epagómenos, isto é, que não pertencem a
nenhum mês e são acrescentados ao calendário para
complementar o ano. Esses cinco dias eram considerados de
mau agouro, ou nefastos. Um ciclo de 52 anos solares
harmonizava os dois calendários, o religioso e o solar. A
cada dois ciclos - 104 anos - iniciava-se um ano venusino,
de 584 dias, um ano solar, de 365 dias, um novo ciclo de 52
anos solares e um ano sagrado, de 260 dias. Esse
acontecimento era comemorado com grandes festas religiosas.
Os judeus não adotaram o calendário Juliano, em grande parte
para que sua Páscoa não coincidisse com a cristã. O ano
israelita civil tem 353, 354 ou 355 dias; seus 12 meses são
de 29 ou trinta dias. O ano intercalado tem 383, 384 ou 385
dias.
O calendário hebraico introduziu pela primeira vez a semana
de sete dias, divisão que seria adotada em calendários
posteriores. É possível que sua origem esteja associada ao
caráter sagrado do número sete, como ocorre nas sociedades
tradicionais, ou que se relacione com a sucessão das fases
da lua, já que a semana corresponde aproximadamente à quarta
parte do mês lunar.
O calendário hebraico começa a contar o tempo histórico a
partir do que os judeus consideram o dia da criação. No
calendário gregoriano, tal data corresponde a 7 de outubro
de 3761 antes de Cristo.
A civilização islâmica adotou o calendário lunar. Neste
calendário o ano se divide em 12 meses de 29 ou trinta dias,
de forma que o ano tem 354 dias. Como o mês sinódico não tem
exatamente 29,5 dias, mas 29,5306 dias, é necessário fazer
algumas correções para adaptar o ano ao ciclo lunar. Trinta
anos lunares têm aproximadamente 10.631,016 dias. Com anos
de 354 dias, trinta anos totalizariam 10.620 dias, e por
isso é preciso acrescentar 11 dias a cada trinta anos.
A origem do calendário muçulmano se fixa na Hégira, que
comemora a fuga de Maomé, da cidade de Meca para Medina, que
coincide com o dia 16 de Julho de 622 da era cristã, no
calendário gregoriano.
Um caso muito singular é o do calendário republicano,
instituído pela revolução francesa em 1793, e que tinha como
data inicial o dia 22 de novembro de 1792, data em que foi
instaurada a república. Pretendia substituir o calendário
gregoriano e tornar-se universal.
O ano passaria a ter 12 meses de trinta dias, distribuídos
em três décadas cada mês. Estas eram numeradas de um a três,
e os dias de um a dez, na respetiva década, recebendo nomes
de primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi,
septidi, octidi, nonidi, décadi. Deram-se, depois, às
décadas, nomes tirados de plantas, animais e objetos de
agricultura. Dividiu-se o dia em dez horas de cem minutos, e
estes com cem segundos de duração. As denominações dos meses
inspiraram-se nos sucessivos aspetos das estações do ano na
França. Aos 360 dias acrescentavam-se cinco complementares,
anualmente e, um sexto a cada quatriénio. O ano desse
calendário revolucionário começou à meia-noite do equinócio
verdadeiro do outono, segundo o meridiano de Paris. A
eliminação das festas religiosas católicas, dos nomes de
santos e, sobretudo, do domingo, insuficientemente
compensado pelo décadi, indispôs a população. Teve curta
duração e a 1º de Janeiro de 1806 (com pouco mais de 13
anos), já no primeiro império napoleônico, foi restabelecido
o uso do calendário gregoriano.
As origens do calendário Juliano remontam ao antigo Egito.
Foi estabelecido em Roma por Júlio César no ano 46 a.C. (708
da fundação de Roma). Adotou-se um ano solar de 365 dias,
dividido em 12 meses de 29, 30 ou 31 dias. A diferença do
calendário egípcio está no fato de se introduzirem os anos
bissextos de 366 dias a cada quatro anos, de forma que o ano
médio era de 365,25 dias. O esquema dos meses foi
reformulado posteriormente para que o mês de agosto, assim
nomeado em honra ao imperador Augusto, tivesse o mesmo
número de dias que o mês de julho, cujo nome é uma homenagem
a Júlio César.
Como o ano trópico é de 365,2422 dias, com o passar dos anos
se registra um adiantamento na data do equinócio da
primavera. Caso fosse mantido o calendário juliano, haveria
um adiantamento de seis meses no início das estações, num
período de 20200 anos. Para evitar o problema, o Concílio de
Trento, reunido em 1563, recomendou ao papa a correção do
inconveniente, que alteraria a data da Páscoa, em virtude
dos ciclos de concordância das lunações com o ano solar.
Finalmente, em 1582, o papa Gregório XIII, aconselhado por
astrónomos, em particular por Luigi Lílio, obteve o acordo
dos principais soberanos católicos e, através da bula Inter
gravissimas, de 24 de fevereiro, decretou a reforma do
calendário, que passou, em sua homenagem, a chamar-se
Gregoriano, e é o mais perfeito utilizado até hoje. Mesmo
assim, apresenta algumas deficiências. Uma delas é a
diferença com o ano trópico, que aliás não é importante para
efeitos práticos. Mais relevante é a diferença na duração
dos meses (28, 29, 30 ou 31 dias) e o fato de que a semana,
que é utilizada quase universalmente como unidade de tempo
de trabalho, não esteja integrada nos meses, de tal forma
que o número de dias trabalhados durante um mês pode variar
entre 24 e 27.
Além disso, nos países cristãos, a data em que se comemora a
Páscoa é determinada por critério lunissolar, que pode
acarretar variação de dias e consequentemente alterar
atividades educacionais, comerciais, de turismo etc. Outro
inconveniente é o de não existir um ano zero, o que obriga
uma operação matemática estranha, para calcular a diferença
em anos de um fato ocorrido antes do nascimento de Cristo,
em comparação com outro, ocorrido na era cristã. Existem
várias propostas para solucionar essas questões, nenhuma
delas ainda adotada. Apesar de representar um avanço, o
calendário Gregoriano demorou para ser aceite,
principalmente em países não-católicos, por motivos
sobretudo político-religiosos. Nas nações protestantes da
Alemanha, foi adotado no decorrer dos séculos XVII (em
poucos casos, antes de 1700) e XVIII (Prússia, 1775); na
Dinamarca (incluindo então a Noruega), em 1700; na Suécia
(com inclusão da Finlândia), em 1753. Nos cantões
protestantes da Suíça, no princípio do século XVIII. Na
Inglaterra e suas colónias, entre as quais os futuros
Estados Unidos, em 1752. Nos países ortodoxos balcânicos,
depois de 1914 (Bulgária, 1916, Romênia e Iugoslávia, 1919;
Grécia, 1924). Na União Soviética, em 1918. Na Turquia, em
1927. No Egito, já havia sido adotado para efeitos civis
desde 1873, mesma data em que foi aceito no Japão. Na China
foi aceito em 1912, para vigorar simultaneamente com o
calendário tradicional chinês, até 1928. No Brasil, então
colônia de Portugal, que na época estava sob domínio da
Espanha, o calendário gregoriano entrou em uso em 1582.
No Império Romano, a astrologia acabou introduzindo, no uso
popular, a semana de sete dias (septimana, isto é, sete
manhãs, de origem babilônica). Os nomes orientais foram
substituídos pelos latinos, do Sol, da Lua e de deuses
equiparados aos babilônicos. Por influência romana, os povos
germânicos adotaram a semana, substituindo, por sua vez, os
nomes das divindades latinas por aqueles das suas, com que
mais se assemelhavam, exceção feita de Saturno, cujo nome se
limitaram a adaptar. Com o cristianismo, o nome do dia do
Sol passou de Solis dies a Dominica (dia do Senhor, Dominus)
e o Saturni dies (dia de Saturno) foi substituído por
Sabbatum, dia do descanso (santificado). As línguas romanas,
com exceção do português, conservaram as formas derivadas
dos antigos nomes latinos, com essas alterações.
Fontes: Várias consultadas.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande
- Portugal
