Edição de Carlos Leite Ribeiro
 

Phaeton no carro de Apolo

 
 

MAGAZINE CEN

 

 AGOSTO 2012

  

 
 
 

Roberto Romananelli Maia
Rio de Janeiro - Brasil

QUANDO


Quando sentir saudade
de um cúmplice, de um amigo
e de um amado amante,
e tiver vontade de desabafar e de chorar,
não chore sozinha !
Você pode e deve me chamar
que eu choro com você e por você.

Sim, quando você sentir em sua alma
e em seu coração felicidade, alegria
e vontade de sorrir,
me avise!
Que eu irei para junto de você
para nós sorrirmos e dividirmos
estes momentos maravilhosos
e únicos, juntos.

Quando você sentir vontade
de me querer, de me possuir
e de me amar, ainda mais,
me chame!
Que eu estarei junto
para, também, amar ainda mais, você.

E quando você sentir
que tudo ameaça ruir
e que algo não está bem
ou está prestes a acabar,
me chame!
Que eu venho lhe ajudar
para que nada seja destruído
ou para o que, ainda, resta
seja reconstruído.

Sim, minha querida, quando você achar
que o seu mundo tornou-se pequeno
para as suas tristezas
e para as suas decepções,
me chame!
Que eu tentarei, com você,
fazê-lo melhor,
e bem maior do que é.
Para que, juntos,
possamos mostrar como é,
único e maravilhoso o amor,
o prazer e a felicidade,
sentidos de forma mútua.

Sim, quando você precisar de apoio
e da ajuda de um parceiro
e de uma mão amiga,
me chame!
Que a minha é e será sua, sempre,
mesmo quando eu estiver fisicamente distante.

E quando você precisar de companhia,
naqueles dias tristes, nublados e úmidos,
pela garoa e pela chuva
ou nos dias ensolarados,
mas sem aquele sol mágico interior,
me chame!
Pois eu irei correndo
e, de pronto, estarei ao seu lado!

Sim, querida, quando você estiver
precisando ouvir que eu diga:
Eu amo você,
me chame!
E eu direi a toda hora,
para você e para todo o mundo,
que o meu amor por você é grandioso,
é imenso e é maior do que tudo,
pois ele é eterno e infinito.

E, se um dia,
você não precisar mais de mim,
me avise!
Que eu simplesmente irei embora
mas continuarei pensando
e amando você!

Roberto Romananelli Maia

 

 
 
 

Sá de Freitas
Avaré-SP-Brasil

MEU LIVRO ÍNTIMO



Meu íntimo era um livro desfolhado,
Por torturas mentais e pelo pranto;
Pela saudade, pelo desencanto,
Por outras dores vindas do passado..

Por muito tempo assim abandonado,
Ficou na Estante do viver... Enquanto,
Bibliotecário eu, sentado a um canto,
Indiferente o via mutilado.

Mas resolvi reencarná-lo em cores,
Fui afastando dele os maus leitores,
Pondo-o na Estante d'autoconfiança.

À sua capa dei mais resistência,
Seu título mudei: pus "persistência",
E quem o prefaciou foi a esperança.

Samuel Freitas de Oliveira

 

 
 
 
 

Sárita Bárros
Bagé/RS/BR

CULTURA INÚTIL


Para que serve um poema
se não dá para mastigar
nem rende juros se emprestado?
Com eles vou forrar prateleiras
empapelar paredes.
Ou desembaraçar as letras
e amarrar
meus sapatos com o fio da tinta.

Desfeito o poema
restou a poeira do sonho.

Deus!
Sem meu poema
Fiquei imponderável.
Era ele meu sustimento.
Era ele!

Sárita Bárros

 

COLETIVO

Särita Bárros


Pessoas apertadas, comprimidas, aglomeradas, jogadas umas sobre as outras nas curvas e freadas bruscas, ruminam seus problemas. Pelo menos em pensamento, quando não em viva voz, procuram fugir da situação humilhante e pouco digna.
- Esta droga se arrasta. É hoje que perco o ponto!
- Ainda tenho de deixar Zequinha na creche. Quando chegar, a chata da D. Lalá vai estar uma fúria porque teve de fazer café para seu Oscar. Muito bem dona Maria da Silva! Agora virou madame! Não tem mais hora para chegar? Qualquer dia desses vai ficar muito bem sentada e eu é que vou para cozinha. Qual a desculpa desta vez? Inventa outra porque a do ônibus atrasado, não agüento mais ouvir! Por que não tiram esta velharia da rua? A gente corre até perigo de vida andando nele...
-Hoje vou ficar sem ver Bentinho. Ele entra daqui a quinze minutos! Tu sabes Glória nossa escola fica pertinho da dele, mas eles começam antes. Quem sabe amanhã? Cochicha Aninha.
- Estou com o Quim. A mãe anda com o desconfiômetro ligado. Não vai acontecer nada. O problema é a gente arranjar dinheiro pra camisinha. Lá em casa não sobra mais troco, passo a mão em tudo! Creio que é por isso que ela está na minha cola. Segreda Glória de volta.
- Chega pra lá abusado! Vai te esfregar na mãe!
- Convencida! Com uma cara dessas e corpo de tábua de passar, só com o sacolejo prum homem encostar em ti!
- Não te enxerga praga? Isso é gordura ou inchaço da cachaça?
- Calma minha gente. Olha a baixaria! Ninguém está disposto a parar no Distrito. Interfere uma jovem de longos cabelos negros.
- Olha o jeito dela! Com esse arzinho de princesa e falando certinho deve ser professora! Não é melhor que ninguém não minha filha. Eu é que não ia ficar aturando filho dos outros pelo que tu ganha.
Que ingratidão! Eu me esforço, ando gripado, engasgando, afogado só para não deixar estes miseráveis na mão, olha como me pagam! Triste vida de um Coletivo honesto e batalhador. São ingratos e mal agradecidos, os homens. Não valem tanto esforço e dedicação! Há mais de quarenta anos ando por essa buracama toda. Tanto de dia como de noite. Faça chuva ou faça sol. Para escutar essas coisas? Tem nêgo aqui que eu carrego desde que estava na barriga da mãe! Agora que estou velho... vou mostrar com quantos paus... ainda vão chorar por mim! Trimmm, schuzzzzpc, treerrecofcof, shiapenxkgjhalflk!!!
- Que foi isso motorista?
- Calma. Vou descer e dar uma olhadinha.
O motorista levanta o capô, não entende nada do que vê: fios soltos, fumaça, vapor, calor e lágrimas. Eu disse lágrimas? Murmura: é o burrinho, o diferencial, fiação, rotor, mancal, são as velas, bateria... Meu Deus! Tudo ao mesmo tempo! Se este ônibus fosse gente, diria que teve um colapso. Só pro ferro velho, Dirigindo-se aos passageiros: Pessoal, pifou. Oh!! Só me faltava essa, exclamam todos.
- Pobrezinho, eu gostava dele. Vivia tossindo que nem o vô Tidão, não é manhê?
Todos se espalham. Cada um retoma seu drama e o sol pisca zombeteiro.

Sárita Bárros

 

 

 

 

 

Sidnei Piedade
Assis - S. Paulo - Brasil


As vezes esqueço de mim, meus pensamentos são assim e aos poucos vou matando as saudades do que vivi. Não consigo te esquecer...pois meus pensamentos só ficam em você, parece até que foi castigo de tanto lhe querer.Pensando em você meu coração não quer mais esperar , sõ queria dormir e em seus braços acordar. Por causa de você guardo todo amor no coração...pois as horas que o tempo tem me dado são tuas até morrer. Vou tecendo meus pensamentos em obras de artes,prendendo nas paredes do seu coração. Deixo meu coração em suas mãos , mesmo nos sonhos não contei o quanto a amo , pode não parecer muito...mas eu sou seu. A ti me entrego e sempre ao teu lado estarei onde encontrei em minha vida o verdadeiro amor. Com você sou invencível e não conheço o impossível...pois são sentimentos que só o amor sabe compreender. Quero imaginar minha vida assim, sem solidão e resistindo a tudo querendo ser sua razão.. Não precisa mudar, vou me adptar ao seu jeito...não diga nada apenas mostre o que sente e não tenha medo de amar...você nasceu prá mim, sendo minha paixão e eterna poesia.

Sidnei Piedade

 

 

 

 

Sonia Alcalde
CiBagé/ Rio Grande do Sul/ Brasil

ORATÓRIO AO CERRO IBAGÉ, QUE NEM A MORTE NOS SEPARE


Que seria do Rio sem o Corcovado
Que seria de Natal sem as dunas de Genipabu
Que seria de Bagé
Sem as ondas do seu Cerro?

A imagem do Cristo no alto, braços estende abraço
A geografia do Rio se engrandece.
No alto das dunas, o vento brinca na areia
Rodopia, pia. . .

No Cerro, marcela e carqueja encantam.
Olhos de Ibajé no horizonte
Noite e dia, dia e noite
Abraçam os sons do vento.

Nossa Bagé, nosso Cerro, nosso Ibajé

Que teria o mundo sem a mãe natureza?
Órfãos, abandonados, sem lar
Sem abrigo, sós. . .
Todos nós. . .


alcaldebage@gmail.com
Sonia Alcalde


CHEIRO DE AMOR

Sonia Alcalde.


O tempo vira as páginas da história. Páginas repletas de cheiros que me lembram você. O arroz terminando de aprontar quando chegávamos da escola... Fazia numa panela bonita, areada com vontade. Do fogão à mesa, sem perder moléculas olfativas que penetravam na alma.
As queijadinhas... Saltavam do forno, no sábado, para o almoço de domingo ou presentear algum amigo. Douradas, úmidas, não podiam ser comidas na hora. Recomendava um dia de descanso para tirar das forminhas de papel branco, mas não conseguíamos resistir ao chamado das guloseimas. Sabia o momento de se afastar da cozinha dando chance de “roubarmos” um docinho.
E o pirão de peixe... Pulava na panela de tanta alegria por vê-la a sua frente. Um acompanhamento perfeito da frigideira de anjo cozido com cebola, tomate, pimentões vermelho, verde e amarelo, polvilhado com salsa no final. Receita que chegou ao Canadá.
As empadinhas de camarão marcavam presença na família. Macias, com recheio de verdade. Destaque nos piqueniques. Destaque nos aniversários do genro. Destaque para um sobrinho que veio de longe e comenta até hoje. Ao visitá-la, encontrou um tabuleiro enfeitado com panelinhas que pareciam olhos felizes. Ela tinha calculado a hora da chegada para encontrá-las quente, exalando o cheiro caseiro do amor.
Rabanadas, bacalhau a Gomes de Sá, arroz com passas, quiabo sem baba, mingau de aveia, bolo português... De vez em quando, achava melhor comprar em algum lugar evitando trabalho, especialmente quando se tratava de massa de pastel. Reclamávamos. Concluía: Está bem, na próxima vez vou ver se faço, acordando os ajudantes só pra comer.
Passa de uva, passa do tempo. Passa de amor, não passa o tempo.

Sonia Alcalde

  

Registre sua opinião no

Livro de Visitas: