MAGAZINE CEN Especial
 do ANO NOVO - 2012

 

 

 
 

 

"Naquele jantar de Fim-de-Ano..."

 - Texto e Edição de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 

 

 

 

 

"Naquele jantar de Fim-de-Ano..." - de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Estava frio e cá fora até nevava. O jantar da passagem do ano estava no fim e agora era só esperar pelas dozes badaladas para entrar no Ano Novo. Era  tempo das pessoas formarem grupos em volta da lareira. As mulheres juntaram-se para combinar o almoço do dia seguinte, ou seja, o do Ano Novo e, também (presumivelmente) darem umas "alfinetadas" nas vizinhas ou amigas; os homens, mais afastados da lareira, davam mostras de já estarem ansiosos que o relógio da torre da igreja começasse a bater as doze badaladas, para beber o champagne, comer as 12 passas de uvas, etc.
O Henrique, era o que dava mais mostras de estar possuído por um nervoso "miudinho".  Para desanuviar o ambiente, levantou-se dizendo para os colegas:
-  Meus amigos, para o tempo passar mais depressa, vou contar-vos uma história da minha vivência...
O Carlos,  ao ouvir o Henrique, desenhou com os lábios um largo sorriso zombeteiro, levantou as sobrancelhas e com graça perguntou-lhe:
- Olha lá amigo, você, por acaso, já não nos contou todas as histórias da sua "vivência"?
Apanhado de surpresa com aquela observação, o Henrique hesitou,  mas logo se recompôs e, ignorando o que o Carlos tinha insinuado,  continuou:
- Eu ainda não vos contei aquela minha façanha de ter construído um avião... Não?!...
A gargalhada foi geral! Mas o Henrique, sem se "desmanchar", começou logo a contar a sua "vivência":
- O que vos vou contar, meus amigos é pura verdade. Certa vez na minha juventude, construí um avião... (vocês estão  a rir de quê?... Bom, não seria bem um avião, mas sim uma avioneta, que por sinal me deu bastante trabalho. Depois de ter a avioneta pronta, fiz um plano de voo, apanhei vento de feição, e lá fui eu por esses ares fora. A princípio, era tudo muito lindo. Podia ver lá do alto as nudistas na praia, as hortas, os pomares, as florestas, e até as vacas a pastar. Tudo corria bem, até que, às duas por três (ainda hoje não sei o que aconteceu), acordei de um maravilhoso e excitante sono, mas cheio de dores por todo o corpo, principalmente na cabeça, onde sentia um enorme "galo". Quando abri os olhos, muitas pessoas estavam debruçadas sobre mim, mas todas pareciam desfocadas.
 
 
 
Uma das pessoas que reconheci, foi a Lígia (uma excelente amiga), que me perguntou se eu me sentia bem. Respondi-lhe que estava ótimo, ou melhor, pensava que estava bem. Com certo custo e ajudado pela Lígia, levantei-me e então vi que tinha aterrado mesmo em cima de um monte de estrume, o que provavelmente me tinha salvado a vida.
Notei então que estava fedorento demais, mas depois de um higiénico banho, fiquei como novo...
Todos estavam presos e curiosos como o Henrique ia acabar a sua história. E este também notou a expectativa dos seus amigos. Depois de pensar uns breves segundos, sorrindo, recomeçou:
- O único efeito daquele meu voo (ou façanha), foi o facto das vacas, depois da minha "aterragem" forçada,  passarem várias semanas alimentando-se muito mal, pois  ficaram muito  nervosas e sempre com as cabeças no ar. Isto com grande arrelia dos donos, que viam os animais cada dia a perder peso.
- Muito bem amigo Henrique – disse-lhe o Carlos, e continuou -  Espero que seja esta a sua última história da sua longa "vivência"?...
- Olhe que não, olhe que não, amigo Carlos. A próxima "vivência" será aquela, quando eu construí um submarino...
A gargalhada foi geral, e o Carlos atalhou logo:
- Mas este ano não nos vai contar "essa" pois faltam três minutos para a meia-noite!
O Henrique olhando para o relógio, encolheu os ombros,  e respondeu aos amigos:
- Então, contarei para o ano!...
 
 
 

 

 

Edição de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal