magazine especial Natal

2º -Bloco Prosa

 

 



MAGAZINE CEN











Especial Natal 2º BLOCO – PROSA

Edição Especial Natal/ 2011 “Cá Estamos Nós” – Editor: Carlos Leite Ribeiro

           

Queridos Amigos (as), os meus cumprimentos e agradecimentos pela vossa Colaboração muito amiga. Seguidamente, serão publicados mais BLOCOS de PROSA.

Do vosso amigo, Carlos Leite Ribeiro (Fundador e responsável do “Cá Estamos Nós”.




 

 

IVONE BOECHAT
- Niterói RJ Brasil -

 

NATAL


 

Véspera de Natal. Lembro-me, perfeitamente que eu, minha irmã Zilda e uma tia da mesma idade, tia Marly, estávamos de vestidos brancos, engomados, com lindos bordados feitos a mão, esperando a hora da estréia da roupa e o momento das comemorações do Natal. Era tanto pedido de cuidados para não destruir  a roupa que gente acabava caindo e sujando aquilo tudo ou despencando algum laçarote. Um horror! Mamãe, incansável, nunca nos deixou de vestidos velhos nas festas, era infalível. O Natal era um dia misterioso. Sempre caía um forte temporal à tarde, num clima indescritível. Não havia presentes para as crianças e ninguém ficava infeliz. Mamãe dizia :
- Tomem banho rápido que vou deixar vocês ficarem na frente do templo, vendo os filhos dos vizinhos brincarem com os brinquedos que ganharam hoje.
Era tão comum isto, porque era todo ano, que a gente se conformava e ainda se divertia com a alegria dos outros.
O temporal, sim, este nos preocupava. Poderia impedir que muitas pessoas chegassem para a festa tão esperada o ano inteiro. A chuva na se atrasava, e a toda hora, a gente olhava pela janela. De repente, as nuvens pesadas iam dando lugar a uma nesga azul entre as nuvens e a noite estrelada aparecia como uma princesa...era  lindo.
O Natal sempre foi o dia melhor de nossa infância.Com toda aquela pobreza,(nós não sabíamos que éramos pobre, não enxergávamos) éramos alegres. Na igreja e lá em casa (uma era extensão da outra) ninguém sabia quando começava uma e outra, de tão perto que era, e as atividades começavam cedo. Papai já amanhecia de serrote na mão, à procura de um pinheiro que poderia ser qualquer árvore, desde que bonita. Era o que não faltava por lá. Não demorava muito e lá estava ela, enorme, deitada no chão. Agora, ele saía à procura de um latão de vinte litros de banha, vazio. A gente, querendo ajudar, atrapalhava o dobro. Para falar a verdade, já entrei dentro da lata. Faltei pouco morrer de falta de ar.
Na hora de “plantar” o pinheiro que ia virar árvore de Natal, quanto susto ! Plantava de um lado, caía do outro. Quando o pinheiro ficava firme, era uma festa! Era transportado para um canto, bem próximo do altar e aí vinham as recomendações :
- Não fiquem perto, o pinheiro pode cair.
Como não ficar perto ? O ideal mesmo era ficar em cima dele, debaixo, do lado, mas longe, nem pensar ...
O melhor de tudo era ver enfeitar a árvore. Sininhos, bolas, lindas estrelas e quantos sonhos... Minha mãe fazia dezenas e dezenas de saquinhos de papel crepom coloridos e os enchia de doces e balas. Tudo ela fazia. A criançada, eufórica, não desgrudava dali,  até a hora final.
No dia vinte e cinco de dezembro, a multidão ia chegando para a festa que começava, às dezenove horas e trinta minutos, britanicamente.
Só existia no templo um órgão de pedal velho, pesado, um coral de crianças e outro oficial da Igreja. Muitas peças representadas, num palco improvisado (a cortina sempre enguiçou) e as crianças tinham que seguir à risca as recomendações: não podiam rir. Era proibido. Isto sim era difícil para a criançada. Imagine um “ator” de cavanhaque postiço, de saia, representando um mago.? Era um sacrifício que podia levar a comissões de disciplina, exclusão de outras peças e até a pancadas. Aquilo era chamado de “comédia”. Tão logo começava a programação, quem fosse fazer uma “comédia”, tinha que ficar preso numa sala quente, fechada, de roupas de papel crepom ou enrolado em lençóis, com turbante, esperando a hora de entrar para fazer “comédias”. A gente suava e não podia sentar, senão amassava o traje, ir ao banheiro, nem pensar. Mas, o pior ainda viria. Era o momento de subir ao palco e não rir. E o medo de esquecer o papel ? Um dia, ri, a ponto das cortinas serem fechadas e ali, apavorada, levar uma bronca histórica. Abriram-se as cortinas, com fiscais para todo lado, vigiando para a gente não rir. De cabeça baixa, sem olhar para ninguém, falei minha parte, sai dali e fui chorar. Também, de moringa na mão, turbante, enrolada num pano, olhando as colegas daquele mesmo jeito, quem não ria ?
Para evitar constrangimentos, no outro Natal deram-me um monólogo para fazer. Por trás da cortina, ficava uma pessoa com o “ponto”. Esqueci tudo. Não me deixei abater, inventei novo texto, ali, na hora! Fui criada ouvindo falar textos de Natal, era só repetir. Deixei o “ponto” desesperado, mas, ao final, ganhei abraços e muitos elogios.

 

 

 

 

 

LUIZ POETA (Luiz Gilberto de Barros)
 - Rio de Janeiro – Marechal Hermes -

 

PAPAI NOEL DE MENTIRINHA
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros – especialmente para o CEN.

Sabe, Papai Noel...
Às vezes você me decepciona...
Faz as pessoas gastarem o que não podem para comprar um presente mais caro; faz alguns ficarem tristes por não poderem  comprar um presentinho para um filho...
Enfim... para que tantas luzes, tantas canções, tanto brilho... se tu ofuscas até a presença daquele  que verdadeiramente é o dono do Natal ?
Quem ? Não sabe ?
Jesus Cristo !
Ele nasceu para nos salvar !
Sabe, Papai Noel...
É tanta gente brigando em volta de uma mesa de Natal...
Uns, porque o presente que ganharam não é o que desejavam; outros, porque há um estranho  participando da ceia; outros, porque a comida não dá pra todo mundo...
Alguns ficam até tristes a cada Natal,  quando se lembram de alguém que amavam e que jamais voltará...
Sabe por que isso, Papai Noel ?
Porque as pessoas esqueceram o verdadeiro sentido do Natal, que é a comemoração do nascimento de Jesus !
Que tal, Papai Noel, pelo menos neste dia 25 de dezembro,
você esquecer um pouco essa pose virtual,  sentar com a gente e orar em agradecimento à presença do Deus vivo em nossas vidas ?
Garanto que a ceia vai ser realmente abençoada e ninguém vai ficar muito triste ou muito aborrecido !
Ah... desculpe, Papai Noel...
Eu esqueci que você é só de mentirinha.

 

 

 

 

 

MALUDE MACIEL
- Caruaru - Pernambuco Brasil -

 

NATAL  TODO  DIA

 

O ano passou rapidamente e, aquelas célebres promessas de mudanças já estão se apagando como as luzes e o clima mágico das festas natalinas. Se não houve realmente uma transformação interior, ficou o dito pelo não dito e outro Natal passará em vão em nossas vidas apenas com o velho Noel e nada do menino Jesus. Será que ainda desta vez Ele não nascerá de fato entre nós, em nossas almas e corações?
Temos a sensibilidade de acatarmos, com o maior desvelo, aquelas "lembrancinhas" que as pessoas trocam no Natal ( amigos secretos, etc.), em aniversários, datas especiais ou trazem como souvenir de suas viagens para os entes queridos. Achamos essa prática de fino bom gosto e de uma importância afetiva enorme, pois o significado dá uma conotação muito ampla o fato de ter sido lembrado pelo outro.
No último Natal recebemos do nosso filho caçula, um CD do Grupo: "Roupa Nova", cujo carro-chefe é a belíssima canção denominada: "Natal Todo Dia", que diz: "Se a gente é capaz de espalhar alegrai, se a gente é capaz de toda essa magia, eu tenho certeza que a gente podia, fazer com que fosse Natal todo dia". Consideramos essa poesia de uma profundidade enorme para reflexão de início de Ano Bom.
Sobre esse tema já ouvimos opiniões incríveis, mesmo porque há pensamentos de qeu as festas, as árvores enfeitadas, o clima de brilho e presentes, as bolas e luminárias é que têm importância natalina. Uns chegam a imaginar que se o natal fosse todo dia, o final do ano perderia o encantamento, tornando-se um fato comum e corriqueiro, sem entender a mensagem de Amor e Paz para todos os povos, SEMPRE, pois foi esse o propósito que nos trouxe o menino Deus que nasceu em Belém. Talvez não entenderam ainda que o AMOR é a solução que dEle para todos os problemas da humanidade, e, uma solução tão simples que muitas pessoas têm dificuldade em acreditar. Mas, um mundo melhor é possível!
Em dezembro, é importante redobrar as celebrações do maior acontecimento da História, porém durante todo o ano devemos VIVER o Natal.
Não importa qual o país em que se nasceu, qual seja a cor da pele, a situação financeira ou a religião, pois o coração é igual como também a eterna carência de amor, paz, felicidade é a mesma em cada ser humano. O que todos precisam é de amor.

Por que não ser feliz cada dia? Vale a pena tentar.
"Cantai ao Senhor um cântico novo e bendizei o Seu Nome".
"Mais do que máquinas precisamos de humanidade"
MALUDE MACIEL

 

 

 

 

 

MARIA LUIZA BONINI
- São Paulo/Brasil -

 

O TRATOR

 

Aproximava-se o Natal e naquele lugar de desesperança, um  menino sonhava com um brinquedo.
Para tanto,  escreve sua cartinha ao generoso velhinho,  com o seu pedido,  na certeza de que, por ser estudioso e comportado,  seria atendido.
Juquinha caminhou muito,  desde o lugarejo pobre onde morava , até o posto onde depositou sua doce missiva, pleiteando um trator.
Muito feliz por ter conseguido a difícil etapa, volta para casa, à espera  de que seu sonho se realize.
Passam-se os dias e a data prevista para receber seu presente está próxima.
 Dentro do casebre, onde vivia com sua carente e numerosa família, é tomado por uma grande ansiedade.
Existem muitas crianças desesperançadas, trazendo estampadas nos rostos,  as marcas da dor e da indiferença.
Para a alegria de todos, é anunciada  a chegada do trator.
As crianças, eufóricas, saem de suas casas, para presenciarem a chegada do tão almejado pedido de Juquinha.
O trator chega de forma imponente e de grandes proporções fazendo com que todos pasmem, pela eficiência exagerada de Papai Noel.
Vem dirigido por um homem que não tinha barba branca e nem a roupa vermelha, como esperavam.
Trata-se de um cumpridor de ordens, frio e indiferente.
Anuncia que irá derrubar todas as casas.
Sem poderem esboçar qualquer reação e,  em questão de poucas  horas, tudo vai ao chão.
O menino,  sua família e todas as crianças, perdem o único teto para morar.
Em prantos, sentindo-se culpado, o menino franzino,  pede perdão. 
Tentando justificar, cabisbaixo, murmura baixinho:-
- Papai Noel confundiu o meu pedido.
São Paulo/Brasil
dezembro de 2011

 

 

 

 

MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO

- Rio de Janeiro / RJ -

 

PRESENTE DE NATAL ...



Hilda vivia se queixando da vida...

Volta e meia dizia:

- Eu não tenho sorte ! Desde que nasci nunca tive uma festinha de aniversário. Quando completei 10 anos, comecei a sonhar com uma bonita festa de quinze anos, quando ainda nem sabia que antes desta idade, as famílias já se reuniam para organizar o “Baile de Debutantes”, que serve como uma apresentação das adolescentes à sociedade.

Chegou a data de seu aniversário... 15 anos, em plena primavera, Estação do Ano e da vida, e em sua cama, impecavelmente arrumada, só havia sobre o cetim aveludado, um vestido fora de moda e um par de brincos caros que não tinha nada a ver com ela. E Hilda ficou tão desapontada que não tinha coragem nem para chorar.

A vida, segundo Hilda, continuou no mesmo descompasso. Só vestia o que seus pais achavam que estava de acordo com ela.

Completou dezoito, vinte e um anos... e nada mudou. Seus pais não se davam conta de que Hilda não sentia falta dos bens materiais por eles escolhidos, sentia falta de liberdade para se arrumar como todas as moças de sua idade, para trabalhar, para se sentir independente.

Hilda sabia que era amada por seus pais, mas saber não era o bastante, ela queria que lhe dessem asas para voar, para acertar ou errar, mas queria tentar. Dizia que vivia presa numa “gaiola de ouro”, onde não lhe faltava nenhuma inutilidade. Não deixava de levar uma vida confortável, de acordo com o modo interiorano de ver de seus genitores, mas que não estava de acordo com a sua opinião.

Quando ingressou na Faculdade de Administração de Empresas, seu pai montou-lhe um escritório, à moda dele, onde não faltava nada, apenas a habilidade dela até para entender aquela montanha de material supérfluo, como se ela já estivesse num curso de doutorado. Um presente inútil, pois, apesar do seu valor financeiro, aquilo para ela não tinha a menor utilidade... Era um amontoado de dinheiro gasto inutilmente.

Já no terceiro ano da faculdade, Hilda se encantou com seu colega Théo e, ao completar 26 anos de idade, casou-se. Viu, então, realizar-se a sua primeira festa, embora a escolha dos convidados e quase tudo o mais tenha sido escolha de seus pais.

Passados dois anos, depois de uma gravidez complicada, Hilda deu à luz dois meninos. Somente naquele dia, pôde entender que Deus havia retardado todos os grandes presentes de sua vida, NATHAN e NATHALÍCIO, que nasceram saudáveis, num lindo Dia de Natal.
 


A seguir 3º BLOCO, que tal como outos Blocos, vão ficar alojados no Portal CEN – “Cá Estamos Nós”. Se ainda não mandou seu trabalho, ainda o pode fazer até à data limite que é 10 de Dezembro de 2011.

Carlos Leite Ribeiro


 

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