
IVONE
BOECHAT
- Niterói RJ Brasil -
NATAL
Véspera de Natal. Lembro-me, perfeitamente
que eu, minha irmã Zilda e uma tia da mesma idade,
tia Marly, estávamos de vestidos brancos, engomados,
com lindos bordados feitos a mão, esperando a hora
da estréia da roupa e o momento das comemorações do
Natal. Era tanto pedido de cuidados para não
destruir a roupa que gente acabava caindo e sujando
aquilo tudo ou despencando algum laçarote. Um
horror! Mamãe, incansável, nunca nos deixou de
vestidos velhos nas festas, era infalível. O Natal
era um dia misterioso. Sempre caía um forte temporal
à tarde, num clima indescritível. Não havia
presentes para as crianças e ninguém ficava infeliz.
Mamãe dizia :
- Tomem banho rápido que vou deixar vocês ficarem na
frente do templo, vendo os filhos dos vizinhos
brincarem com os brinquedos que ganharam hoje.
Era tão comum isto, porque era todo ano, que a gente
se conformava e ainda se divertia com a alegria dos
outros.
O temporal, sim, este nos preocupava. Poderia
impedir que muitas pessoas chegassem para a festa
tão esperada o ano inteiro. A chuva na se atrasava,
e a toda hora, a gente olhava pela janela. De
repente, as nuvens pesadas iam dando lugar a uma
nesga azul entre as nuvens e a noite estrelada
aparecia como uma princesa...era lindo.
O Natal sempre foi o dia melhor de nossa
infância.Com toda aquela pobreza,(nós não sabíamos
que éramos pobre, não enxergávamos) éramos alegres.
Na igreja e lá em casa (uma era extensão da outra)
ninguém sabia quando começava uma e outra, de tão
perto que era, e as atividades começavam cedo. Papai
já amanhecia de serrote na mão, à procura de um
pinheiro que poderia ser qualquer árvore, desde que
bonita. Era o que não faltava por lá. Não demorava
muito e lá estava ela, enorme, deitada no chão.
Agora, ele saía à procura de um latão de vinte
litros de banha, vazio. A gente, querendo ajudar,
atrapalhava o dobro. Para falar a verdade, já entrei
dentro da lata. Faltei pouco morrer de falta de ar.
Na hora de “plantar” o pinheiro que ia virar árvore
de Natal, quanto susto ! Plantava de um lado, caía
do outro. Quando o pinheiro ficava firme, era uma
festa! Era transportado para um canto, bem próximo
do altar e aí vinham as recomendações :
- Não fiquem perto, o pinheiro pode cair.
Como não ficar perto ? O ideal mesmo era ficar em
cima dele, debaixo, do lado, mas longe, nem pensar
...
O melhor de tudo era ver enfeitar a árvore.
Sininhos, bolas, lindas estrelas e quantos sonhos...
Minha mãe fazia dezenas e dezenas de saquinhos de
papel crepom coloridos e os enchia de doces e balas.
Tudo ela fazia. A criançada, eufórica, não
desgrudava dali, até a hora final.
No dia vinte e cinco de dezembro, a multidão ia
chegando para a festa que começava, às dezenove
horas e trinta minutos, britanicamente.
Só existia no templo um órgão de pedal velho,
pesado, um coral de crianças e outro oficial da
Igreja. Muitas peças representadas, num palco
improvisado (a cortina sempre enguiçou) e as
crianças tinham que seguir à risca as recomendações:
não podiam rir. Era proibido. Isto sim era difícil
para a criançada. Imagine um “ator” de cavanhaque
postiço, de saia, representando um mago.? Era um
sacrifício que podia levar a comissões de
disciplina, exclusão de outras peças e até a
pancadas. Aquilo era chamado de “comédia”. Tão logo
começava a programação, quem fosse fazer uma
“comédia”, tinha que ficar preso numa sala quente,
fechada, de roupas de papel crepom ou enrolado em
lençóis, com turbante, esperando a hora de entrar
para fazer “comédias”. A gente suava e não podia
sentar, senão amassava o traje, ir ao banheiro, nem
pensar. Mas, o pior ainda viria. Era o momento de
subir ao palco e não rir. E o medo de esquecer o
papel ? Um dia, ri, a ponto das cortinas serem
fechadas e ali, apavorada, levar uma bronca
histórica. Abriram-se as cortinas, com fiscais para
todo lado, vigiando para a gente não rir. De cabeça
baixa, sem olhar para ninguém, falei minha parte,
sai dali e fui chorar. Também, de moringa na mão,
turbante, enrolada num pano, olhando as colegas
daquele mesmo jeito, quem não ria ?
Para evitar constrangimentos, no outro Natal
deram-me um monólogo para fazer. Por trás da
cortina, ficava uma pessoa com o “ponto”. Esqueci
tudo. Não me deixei abater, inventei novo texto,
ali, na hora! Fui criada ouvindo falar textos de
Natal, era só repetir. Deixei o “ponto” desesperado,
mas, ao final, ganhei abraços e muitos elogios.

LUIZ POETA (Luiz Gilberto de Barros)
-
Rio de Janeiro – Marechal Hermes -
PAPAI NOEL DE MENTIRINHA
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros – especialmente para o CEN.
Sabe, Papai Noel...
Às vezes você me decepciona...
Faz as pessoas gastarem o que não podem para comprar
um presente mais caro; faz alguns ficarem tristes
por não poderem comprar um presentinho para um
filho...
Enfim... para que tantas luzes, tantas canções,
tanto brilho... se tu ofuscas até a presença
daquele que verdadeiramente é o dono do Natal ?
Quem ? Não sabe ?
Jesus Cristo !
Ele nasceu para nos salvar !
Sabe, Papai Noel...
É tanta gente brigando em volta de uma mesa de
Natal...
Uns, porque o presente que ganharam não é o que
desejavam; outros, porque há um estranho
participando da ceia; outros, porque a comida não dá
pra todo mundo...
Alguns ficam até tristes a cada Natal, quando se
lembram de alguém que amavam e que jamais voltará...
Sabe por que isso, Papai Noel ?
Porque as pessoas esqueceram o verdadeiro sentido do
Natal, que é a comemoração do nascimento de Jesus !
Que tal, Papai Noel, pelo menos neste dia 25 de
dezembro,
você esquecer um pouco essa pose virtual, sentar
com a gente e orar em agradecimento à presença do
Deus vivo em nossas vidas ?
Garanto que a ceia vai ser realmente abençoada e
ninguém vai ficar muito triste ou muito aborrecido !
Ah... desculpe, Papai Noel...
Eu esqueci que você é só de mentirinha.

MALUDE MACIEL
- Caruaru - Pernambuco Brasil -
NATAL TODO DIA
O ano passou rapidamente e, aquelas célebres
promessas de mudanças já estão se apagando como as
luzes e o clima mágico das festas natalinas. Se não
houve realmente uma transformação interior, ficou o
dito pelo não dito e outro Natal passará em vão em
nossas vidas apenas com o velho Noel e nada do
menino Jesus. Será que ainda desta vez Ele não
nascerá de fato entre nós, em nossas almas e
corações?
Temos a sensibilidade de acatarmos, com o maior
desvelo, aquelas "lembrancinhas" que as pessoas
trocam no Natal ( amigos secretos, etc.), em
aniversários, datas especiais ou trazem como
souvenir de suas viagens para os entes queridos.
Achamos essa prática de fino bom gosto e de uma
importância afetiva enorme, pois o significado dá
uma conotação muito ampla o fato de ter sido
lembrado pelo outro.
No último Natal recebemos do nosso filho caçula, um
CD do Grupo: "Roupa Nova", cujo carro-chefe é a
belíssima canção denominada: "Natal Todo Dia", que
diz: "Se a gente é capaz de espalhar alegrai, se a
gente é capaz de toda essa magia, eu tenho certeza
que a gente podia, fazer com que fosse Natal todo
dia". Consideramos essa poesia de uma profundidade
enorme para reflexão de início de Ano Bom.
Sobre esse tema já ouvimos opiniões incríveis, mesmo
porque há pensamentos de qeu as festas, as árvores
enfeitadas, o clima de brilho e presentes, as bolas
e luminárias é que têm importância natalina. Uns
chegam a imaginar que se o natal fosse todo dia, o
final do ano perderia o encantamento, tornando-se um
fato comum e corriqueiro, sem entender a mensagem de
Amor e Paz para todos os povos, SEMPRE, pois foi
esse o propósito que nos trouxe o menino Deus que
nasceu em Belém. Talvez não entenderam ainda que o
AMOR é a solução que dEle para todos os problemas da
humanidade, e, uma solução tão simples que muitas
pessoas têm dificuldade em acreditar. Mas, um mundo
melhor é possível!
Em dezembro, é importante redobrar as celebrações do
maior acontecimento da História, porém durante todo
o ano devemos VIVER o Natal.
Não importa qual o país em que se nasceu, qual seja
a cor da pele, a situação financeira ou a religião,
pois o coração é igual como também a eterna carência
de amor, paz, felicidade é a mesma em cada ser
humano. O que todos precisam é de amor.
Por que não ser feliz cada dia? Vale a pena tentar.
"Cantai ao Senhor um cântico novo e bendizei o Seu
Nome".
"Mais do que máquinas precisamos de humanidade"
MALUDE MACIEL

MARIA LUIZA BONINI
- São Paulo/Brasil -
O TRATOR
Aproximava-se o Natal e naquele lugar de
desesperança, um menino sonhava com um brinquedo.
Para tanto, escreve sua cartinha ao generoso
velhinho, com o seu pedido, na certeza de que, por
ser estudioso e comportado, seria atendido.
Juquinha caminhou muito, desde o lugarejo pobre
onde morava , até o posto onde depositou sua doce
missiva, pleiteando um trator.
Muito feliz por ter conseguido a difícil etapa,
volta para casa, à espera de que seu sonho se
realize.
Passam-se os dias e a data prevista para receber seu
presente está próxima.
Dentro do casebre, onde vivia com sua carente e
numerosa família, é tomado por uma grande ansiedade.
Existem muitas crianças desesperançadas, trazendo
estampadas nos rostos, as marcas da dor e da
indiferença.
Para a alegria de todos, é anunciada a chegada do
trator.
As crianças, eufóricas, saem de suas casas, para
presenciarem a chegada do tão almejado pedido de
Juquinha.
O trator chega de forma imponente e de grandes
proporções fazendo com que todos pasmem, pela
eficiência exagerada de Papai Noel.
Vem dirigido por um homem que não tinha barba branca
e nem a roupa vermelha, como esperavam.
Trata-se de um cumpridor de ordens, frio e
indiferente.
Anuncia que irá derrubar todas as casas.
Sem poderem esboçar qualquer reação e, em questão
de poucas horas, tudo vai ao chão.
O menino, sua família e todas as crianças, perdem o
único teto para morar.
Em prantos, sentindo-se culpado, o menino franzino,
pede perdão.
Tentando justificar, cabisbaixo, murmura baixinho:-
- Papai Noel confundiu o meu pedido.
São Paulo/Brasil
dezembro de 2011

|
MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO |
|
- Rio de Janeiro / RJ -
PRESENTE DE NATAL ... |
Hilda vivia se queixando da vida...
Volta e meia dizia:
- Eu não tenho sorte ! Desde que nasci nunca tive
uma festinha de aniversário. Quando completei 10
anos, comecei a sonhar com uma bonita festa de
quinze anos, quando ainda nem sabia que antes desta
idade, as famílias já se reuniam para organizar o
“Baile de Debutantes”, que serve como uma
apresentação das adolescentes à sociedade.
Chegou a data de seu aniversário... 15 anos, em
plena primavera, Estação do Ano e da vida, e em sua
cama, impecavelmente arrumada, só havia sobre o
cetim aveludado, um vestido fora de moda e um par de
brincos caros que não tinha nada a ver com ela. E
Hilda ficou tão desapontada que não tinha coragem
nem para chorar.
A vida, segundo Hilda, continuou no mesmo
descompasso. Só vestia o que seus pais achavam que
estava de acordo com ela.
Completou dezoito, vinte e um anos... e nada mudou.
Seus pais não se davam conta de que Hilda não sentia
falta dos bens materiais por eles escolhidos, sentia
falta de liberdade para se arrumar como todas as
moças de sua idade, para trabalhar, para se sentir
independente.
Hilda sabia que era amada por seus pais, mas saber
não era o bastante, ela queria que lhe dessem asas
para voar, para acertar ou errar, mas queria tentar.
Dizia que vivia presa numa “gaiola de ouro”, onde
não lhe faltava nenhuma inutilidade. Não deixava de
levar uma vida confortável, de acordo com o modo
interiorano de ver de seus genitores, mas que não
estava de acordo com a sua opinião.
Quando ingressou na Faculdade de Administração de
Empresas, seu pai montou-lhe um escritório, à moda
dele, onde não faltava nada, apenas a habilidade
dela até para entender aquela montanha de material
supérfluo, como se ela já estivesse num curso de
doutorado. Um presente inútil, pois, apesar do seu
valor financeiro, aquilo para ela não tinha a menor
utilidade... Era um amontoado de dinheiro gasto
inutilmente.
Já no terceiro ano da faculdade, Hilda se encantou
com seu colega Théo e, ao completar 26 anos de
idade, casou-se. Viu, então, realizar-se a sua
primeira festa, embora a escolha dos convidados e
quase tudo o mais tenha sido escolha de seus pais.
Passados dois anos, depois de uma gravidez
complicada, Hilda deu à luz dois meninos. Somente
naquele dia, pôde entender que Deus havia retardado
todos os grandes presentes de sua vida, NATHAN e
NATHALÍCIO, que nasceram saudáveis, num lindo Dia de
Natal.