Novela de Carlos Leite Ribeiro

 

Categoria: “Comédia”

 

 

Primeiro Capítulo:

 

 

 

 

 

ARRASTE A SETA PARA

ACOMPANHAR

A LEITURA

 

Naquela tarde quente de fins de Julho, nos escritórios da "Empresas Reunidas Industriais", em Lisboa, no gabinete da gerência, elegantemente mobiliado e com duas amplas janelas para o lado do belo rio Tejo, encontravam-se uns amigos em alegre cavaqueira:
- A engenheira Maria da Graça, filha do arquitecto Mendes Floral, principal accionista e directora desta empresa;
- João Pinto, grande amigo e cliente desta empresa; e
- Gabriela Rodrigues, a secretária da Engenheira...
 
- Pinto João: - Invejo-te, Maria da Graça. Também eu precisava ir de férias. Desta vez vais visitar algum país, em especial?
- Maria da Graça: - Para mim, já não existe nenhum país especial. Estou farta de correr mundo. Estas férias vão ser muito difíceis de passar... Estou num estado de saturação que nada já me satisfaz. Enfim...
- Gabriela Rodrigues: - A senhora engenheira, podia ir até ao Algarve. Gosta tanto da cidade de Faro.
- Maria da Graça: - E ia sozinha?... pufff, até morria de tédio! Os meus pais vão de férias para o Haiti, e eu, como sou muito independente, nem sei bem para onde vou, e para mais, desta vez, sozinha.
- Gabriela: - A senhora engenheira tem de arranjar uma companhia. Até devia de casar!
- Maria da Graça: - Oh menina, tem juízo! Casar, eu?!...Com quem, não me dizes?...   Tive uma ideia: nestas férias vou procurar um bom marido!... Homens, cuidado que eu vou de férias! ... ahahahaha
- Pinto João: - Atenção à navegação: a Maria da Graça, perdão... A engenheira Maria da Graça vai para férias e vai caçar um bom marido!...
- Gabriela: - E pode-nos dizer que tipo de homem procura?... Para a senhora engenheira, não poderá ser um homem vulgar...
- Pinto João: - Também estou com curiosidade em saber que tipo de homem o médico "receitou" à Maria da Graça...
- Gabriela: - Oxalá que não seja nenhum E.T - extraterrestre!
- Maria da Graça: - Vou procurar um homem alto, cabelos negros, olhos castanhos, bonitão, inteligente e, sobretudo que precise exageradamente de uma companheira que o oriente. Meus amigos, digam-me, por favor, aonde é que poderei encontrar uma preciosidade assim?
- Gabriela: - Com esses atributos todos, é bem capaz de ser difícil encontrar a tal preciosidade...  Mas aqui, o senhor Pinto João, que encontra sempre solução para tudo, é que talvez lhe possa dar uma ajudinha...
- Pinto João: - Pois é, só se lembram de mim, para problemas de difícil resolução. Desta vez, não sei se poderei ajudar a nossa querida Maria da Graça.  É muito difícil encontrar o que ela pretende.
- Maria da Graça: - Tens razão, minha boa amiga,  para o senhor Pinto João, nada é difícil... Então meu amigo, ponha os seus miolos a funcionar. Pelos vistos o seu radar descobriu qualquer coisa. Diga lá...
- Pinto João: - Talvez tenham razão. Lembrei-me agora do meu particular e querido amigo, Ramos Quintas. É um belíssimo moço, mas um pouco desorganizado...
- Maria da Graça: - Quem?!... Ramos Quintas, gerente (ou patrão)  da "Empresa Comercial em Expansão"...? Hummm ...
- Pinto João: - É esse mesmo. Conheces o moço, Maria da Graça?
- Maria da Graça: - Claro que o conheço; mas esse, francamente,  não serve...
- Pinto João: - Olha que não sei por quê. Ele é um moço que tem todas as qualidades que a Maria da Graça pretende...
- Maria da Graça: - Pois, talvez. Mas ele também me conhece, e, eu quero arranjar um homem completamente desconhecido.
- Pinto João: - O Ramos Quintas tem insistido comigo no sentido de eu lhe arranjar uma boa e competente secretária.
- Maria da Graça: - Vamos lá a ver: Então, o Pinto João aconselha-me a passar as minhas férias, a ser secretária do Ramos Quintas?... Você tem cada uma!
- Pinto João: - Eu só lhe dei uma sugestão. Mas talvez fosse uma boa solução... Os malucos como eu, por vezes, acertam!
- Maria da Graça: - Nunca tinha pensado em ser secretária, e logo do Ramos Quintas!
- Pinto João: - Mas assim, talvez a Maria da Graça podia de certeza, ter as férias mais invulgares da sua vida!... Umas férias para recordar pela vida fora... Já estou a divagar e a imaginar: A Maria da Graça, secretária do Ramos Quintas!
- Maria da Graça: - Hahahahah, ia ser engraçado. Mas não sei, começo a pensar... Vocês estão a tentarem-me...
- Gabriela: - Quando uma mulher quer, transforma-se e nem o Diabo a consegue reconhecer! Força, engenheira! Imagine: Uma peruca de cabelos louros, lentes de contacto verdes, óculos de grossa armação e lentes escuras. Ficaria uma perfeição! Para completar, uma roupa fora de moda. Ficaria completamente transformada numa tradicional mulher dos anos cinquenta!
- Pinto João: - Que imaginação a Gabriela tem! Maria da Graça queres um conselho: aceita o desafio!
- Maria da Graça: - Não sei... Talvez. Vou pensar nisso e depois vos digo qualquer coisa...
- Pinto João: - Não vou nessa conversa. Ou resolves já, ou então, pela primeira vez, a Maria do Carmo tem medo de falhar!
- Maria da Graça: - Eu, com medo de falhar?!... Nem pensem nisso! Hahahahah!...
- Gabriela: - Como o senhor Pinto João está a ver, a senhora engenheira não tem medo...  só está a vacilar um pouco, mas não, não é medo!
- Maria da Graça: - Também não estou a vacilar assim tanto... Mas, mas preciso pensar muito bem o assunto...
- Pinto João: - Com esta conversa toda,   já compreendi que estás a tentar desistir de teres umas férias fora do vulgar.
- Maria da Graça: - Vocês e este calor são terríveis! Claro que eu queria ter umas férias especiais, mas...
- Gabriela: - Já sei: a senhora engenheira, está com certo receio é de falhar como secretária. É que para ser secretária... Digamos, é preciso ter uma condição muito especial, que não está ao alcance de muitas pessoas. Eu não estou a insinuar nada... mas mesmo nadinha!
- Maria da Graça: - Ah, você não me convence com essa sua esperteza! Se eu quisesse, até seria uma óptima secretária. Até digo mais, uma secretária fora do vulgar. Era só eu querer, meus queridos amigos!
- Gabriela: - O senhor Pinto João, acredita naquilo que a engenheira está a dizer?... Eu tenho cá certas dúvidas...
- Pinto João: - Eu também não acredito muito... Mas quem sabe, talvez, até poderia ser uma boa secretária... Teria era de prová-lo, e a nossa querida amiga não está disposta a isso!
- Maria da Graça: - Meus amigos, como sabem, eu não gosto que ninguém duvide de mim e, sobretudo, das minhas possibilidades e habilidades!
- Gabriela: - Nós sabemos e muito bem, mas, neste caso, como deve de compreender, deverá dar-nos o benefício da dúvida.
- Pinto João: - Dúvida essa, que só a Maria da Graça poderá desfazer. Evidentemente se estiver interessada...
- Maria da Graça: - Vocês são muito engraçados! Desculpem-me em contrariá-los, mas eu tenho a certeza que daria uma óptima e eficaz secretária.
- Gabriela: - Então porque está a  hesitar? Aceite o desafio, e seja a nova e eficiente secretária particular do Ramos Quintas! Vá lá, senhora engenheira, diga-nos agora se aceita ou não o desafio?
- Pinto João: - Atenção, atenção, pois a Maria do Carmo está a pensar e vai decidir agora mesmo. Mais uma forçazinha, e...
- Maria da Graça: - Meu amigos, já que tanto insistem, vou aceitar o vosso desafio. Durante um mês, vou ser a secretária mais eficiente que jamais existiu ao cimo da Terra. Isto além, de também de tentar conquistar o Ramos Quintas. Estão satisfeitos, caros
amigooosssss...?!
- Gabriela: - Bravo, bravo, senhora engenheira!... A aposta vale um jantar, melhor, um grande banquete com música ao vivo – de acordo?
- Maria da Graça: - Vale tudo o que vocês queiram! Agora, ninguém me vai fazer voltar atrás com vos prometi: - Irei ser a secretária do Ramos Quintas, por um mês. E vou ganhar a aposta!
- Pinto João: - Mas... Maria da Graça, isto era uma simples brincadeira...
- Maria da Graça: - Simples brincadeira que eu a vou tornar em realidade! Não vou desistir “de jeito maneira nenhuma”! Estou resolvida e ponto final e já estou a gozar o meu enorme êxito!
- Pinto João – Assustas-me um pouco, mas a vida é tua. Permites-me um conselho?... Maria da Graça toma atenção e toma muito cuidado... Por favor, Não brinques com coisas que podem ser muito sérias!

No dia primeiro de Agosto, uma linda jovem bate à porta do gabinete do industrial
Ramos Quintas, e, pede licença para entrar.

- Ramos Quintas: - Sim, sim, pode entrar. Bom Dia, menina. Em que lhe posso ser útil?
- Maria da Graça: -  Bom dia, senhor Ramos Quintas. Sou a nova secretária. O senhor Pinto João mandou-me cá...
- Ramos Quintas: - O Pinto João?... Pois, pois o Pinto João. Então a senhora é secretária?
- Maria da Graça: - Sou sim, a secretária, ou, melhor, vou tentar ser...
- Ramos Quintas: - Pois, a secretária... Peço que compreenda o meu embaraço, pois nunca tive uma secretária...
- Maria da Graça: - Confesso que não estou a compreender, mas isso não interessa. Vim trabalhar e até já lhe trago o seu correio de hoje.
- Ramos Quintas: - Pois, pois, muito obrigado. Então, diga-me o que é que a senhora sabe fazer?
- Maria da Graça: - Creio que sei fazer de tudo, ou quase tudo...será uma questão de ambientação...
- Ramos Quintas: - Então ... Então, para começar, pode escrever uma carta ao Banco Financiador, a perguntar se o empréstimo por nós pedido foi ou não concedido. O processo está ali naquela pasta...
- Maria da Graça: - Eu sei. Está na pasta dos "Assuntos Pendentes" Nº  03.
- Ramos Quintas: - Mas, mas como é que sabe?
- Maria da Graça: - Peço-lhe desculpa, mas tomei a liberdade de ver todas as pastas, pois entrei no escritório antes do senhor Ramos Pinto chegar. Sabe, cheguei mais cedo e como sou algo bisbilhoteira...
- Ramos Quintas: - Sim, sim. Hoje por acaso até cheguei um pouco mais tarde.
- Maria da Graça: - Mais tarde, foram só quarenta e oito minutos de atraso...
- Ramos Quintas: - Mas... Mas, como é que a senhora sabe desses minutos todos?
- Maria da Graça: - Por acaso, mas só por acaso,  olhei para o relógio quando o senhor entrou. Ah, antes que me esqueça, digo-lhe que não temos selos postais e a Internet está cortada.
- Ramos Quintas: - Selos Postais...?...Para que servem esses selos?
- Maria da Graça: - Para selar a correspondência que segue via CTT... Ou seja, pelos correios.
- Ramos Quintas: - Pois, pois, selos postais... Eu estava distraído. Pode mandar comprar uma série deles. Outro assunto e este muito importante: como deve saber, a nossa firma está um pouco mal de finanças. Assim, o seu ordenado...
- Ramos Quintas: - Não se importe com esse simples pormenor, pois, eu não vim para aqui só para ganhar dinheiro...
- Ramos Quintas: - Não me diga que a senhora trabalha com amor à arte?!
- Maria da Graça: - Não, não será bem assim... Mas é que eu gosto muito de trabalhar, sabe?... Mas podemos discutir esse assunto do ordenado, daqui a alguns dias, concorda?
- Ramos Quintas:- Já que assim quer... Bem, agora tenho de me ausentar. Entretanto, trate do assunto do Banco, pois, necessitamos muito desse empréstimo...

Mais tarde, Ramos Quintas regressa ao escritório e, logo pergunta à secretária:
 
- Ramos Quintas: - Alguém telefonou para mim, enquanto estive ausente?
- Maria da Graça: - Telefonaram do Planeamento Industrial, para avisar que não podem fazer os cálculos para a ponte sobre o Rio Sado, no prazo combinado.
- Ramos Quintas: - Ai... Nem me diga isso?!...Que chatice! E eu com tanta urgência em resolver esse assunto...
- Maria da Graça: - A firma em questão alega que tem muitos trabalhos em carteira. Hoje mesmo vão devolver os nossos projectos. Também telefonaram dois fornecedores, para marcar o pagamento de uns fornecimentos. São pagamentos atrasados já há algum tempo...
- Ramos Quintas: - Pois, mas esses fornecedores têm de esperar um pouco mais. Terão de ter paciência…
- Maria da Graça: - Mas eu marquei os pagamentos para este fim de semana.
- Ramos Quintas: - Para o fim desta semana?!…E o dinheiro, onde o vamos arranjar, não me diz?
- Maria da Graça: - É que o empréstimo...
- Ramos Quintas: - Sim, o empréstimo, o que tem?
- Maria da Graça: - Foi-nos concedido na totalidade!
- Ramos Quintas: - Mas, como é possível você saber, se só hoje é que  escreveu a carta para saber?
- Maria da Graça: - Nem foi preciso escrever nenhuma carta.
- Ramos Quintas: - Como assim?
- Maria da Graça: - Telefonei a um dos administradores e, amanhã de manhã já terá o crédito na conta.
- Ramos Quintas: - Curioso... Então esse administrador é seu amigo?
- Maria da Graça: - Não direi bem amigo, mas sim, conhecido. Ou melhor, conhecido de meu pai... foi só telefonar-lhe. O senhor está zangado comigo?
- Ramos Quintas: - Que ideia! Eu zangado consigo, nem pensar. Estou até bastante agradecido!
 
Batem à porta do gabinete:

- Alberto: - Posso entrar senhor Ramos Quintas?
- Ramos Quintas: - Podes sim, Alberto... Há novidades?
- Alberto: - O Planeamento Industrial, SA, devolveu-nos estes projectos da construção da ponte sobre o Rio Sado.
- Ramos Alberto: - Sei o que se trata. Deixa-os ficar aí em cima dessa secretária.  Podes sair, obrigado. E agora, quem é que me vai fazer estes cálculos?...Tenho de telefonar ao Pinto João. Menina... Menina... Como é o seu nome?
- Maria da Graça: - O meu nome é... É... Maria de Lurdes.
- Ramos Quintas: - Muito bem Maria de Lurdes, ligue-me ao Pinto João. Sabe o número?
- Maria da Graça: - Sei sim. É que o senhor Pinto João é muito amigo de meu pai, de longa data.
- Ramos Quintas: - Então,ligue-lhe...

- Maria da Graça: - Está...?...É da Empresa Armações de Ferro, SA?...O senhor Pinto João está?... Daqui é da Empresa Comercial em Expansão... Muito bem, obrigado...   senhor Ramos Quintas, o senhor Pinto João está em linha, pode atendê-lo?
- Ramos Quintas: - Ligue-me então para a extensão do meu gabinete... Pinto João, olá, estás bom?...Não, não te liguei para te falar da secretária, que ainda mal a conheço... A primeira impressão? Bem, bem podias ter arranjado uma "coisa" mais engraçada... Consideras esta engraçada?!Engraçada?! ... Andas com muito mau gosto, ou a precisares de óculos, meu rapaz!... Deves estar enganado, pois a que tu me mandaste, chama-se Maria de Lurdes, deve ter uns quarenta e cinco anos. (no mínimo, claro)... Bom, vamos deixar de "coisas "tristes, e vamos falar no que mais interessa...   preciso que me indiques uma firma que me faca os cálculos para a ponte sobre o Rio Sado... Não me digas que não conheces nenhuma firma?...e para que eu vou perguntar à secretária?...Ela não percebe nada de cálculos... Não me gozes... Eu ir almoçar com ela?... Tens cada uma. Eu não almoço com velhas, só com novas e muito bonitas!... até logo, e, porta-te bem. Adeusinho...

Levanta-se, abre a porta do gabinete, e…

- Ramos Quintas: - Maria de Lurdes, nem quero acreditar no que vi… Não me diga que estava a escutar a minha conversa com o Pinto João?!
- Maria da Graça: -  Eu a escutar a vossa conversa telefónica?...nem pense nisso, senhor Ramos Quintas. Na altura em que o senhor entrou, eu simplesmente levantei o auscultador, para ver se o telefone estava ainda impedido…
- Ramos Quintas: - Pois, pois, mas a Maria de Lurdes está com uma cara muito divertida, que se passa?
- Maria da Graça: - Sabe, senhor Ramos Quintas, eu apesar da minha "idade", sou muito divertida. Tenho estado a ver estes projectos da ponte...
- Ramos Quintas: - E então?
- Maria da Graça: - Nunca pensei que, para construir uma ponte, fosse preciso tanto papel, tantos riscos, tantas medidas, tantos cálculos...
- Ramos Quintas: - Pois é as secretárias nunca têm a percepção do trabalho que os patrões têm: Muito trabalho e muita responsabilidade! Tudo o que está aí, também é preciso saber interpretar...
- Maria da Graça: - E o senhor Ramos Quintas sabe interpretar tudo isso?
- Ramos Quintas: - Pois claro que sei. Para isso estudei.
- Maria da Graça: - Então, para que é que precisa de uma firma que lhe faça os cálculos, se o senhor sabe fazê-los?
- Ramos Quintas: - Cálculos?... Ah, sim... Pois, mas agora não tenho tempo para lhe explicar, pois estou com muita pressa. Olhe Maria de Lurdes, veja se consegue arranjar uma firma que me faca esse trabalho. Sabe... É que eu não tenho tempo para fazê-los...   “desenrasque-se”, e até logo.
- Maria da Graça: - Até logo, senhor Ramos Quintas. Olhe, desculpe, mas já me estava a esquecer que uma Gina qualquer coisa (não me recordo do outro nome)
- Ramos Quintas: - Sim, sim eu sei quem é. Que recado é que ela deixou?...Que esquecimento o seu, Maria de Lurdes!
- Maria da Graça: - Bom, eu disse-lhe que o senhor estava muito ocupado, e que hoje, possivelmente, não podia ir almoçar com ela!
- Ramos Quintas: - Mas eu devo de estar a sonhar...  A Maria de Lurdes teve o descaramento de lhe dizer isso?
- Maria da Graça: - Se errei, peco-lhe imensa desculpa, mas como me disse que tinha muito que fazer...
- Ramos Quintas: E agora, com quem é vou almoçar?
- Maria da Graça: - Não me diga que não tem ninguém que vá almoçar consigo?!
- Ramos Quintas: - Agora... Claro que não tenho!
- Maria da Graça: - Então, senhor Ramos Quintas, almoce sozinho. Sabe por vezes a solidão, mesmo ao almoço, é muito benéfica para quem tem muitos problemas a resolver.
- Ramos Quintas: - Estou a ver que tem escutado todas as minhas conversas telefónicas. Mas vou resolver já este assunto: Maria de Lurdes requisite já, mas já, um telefone para o meu gabinete, e, não se esqueça, que eu quero uma linha directa e um número privado!
- Maria da Graça: - Às suas ordens, senhor Ramos Quintas. Farei tudo o que o senhor me ordenar!
- Ramos Quintas: - A propósito: a Maria de Lurdes tem companhia para o almoço?...
- Maria da Graça: - Tenho sim. Vou almoçar com pessoas da minha idade. E vou muito preocupada com o projecto da ponte...
- Ramos Quintas: - Olhe que eu também estou muito preocupado com esse assunto...
- Maria da Graça: - Olhe que não parece!
- Ramos Quintas: - Não lhe parece  -  por quê?
- Maria da Graça: - Porque ainda não é meio-dia, e o senhor, já está a pensar no almoço, em vez de estar a pensar nos seus problemas profissionais!
- Ramos Quintas: - É que antes de ir almoçar, tenho... Tenho... De passar por algumas obras... Até logo...
- Maria da Graça: - Senhor Ramos Quintas, também o queria informar que tomei a liberdade de mandar reparar o relógio de ponto, que está na entrada. É que todos devem marcar a hora da chegada e da saída...
- Ramos Quintas: - Sim, e depois?
- Maria da Graça: - Também tomei a liberdade de fazer um cartão de controlo com o seu nome.
- Ramos Quintas: - Com o meu nome?!... Eu ter também um controlo de entrada, na minha própria empresa?!... Ah, não... Aonde é que isto já se viu?... Mas porque é que a Maria de Lurdes fez isso, ou melhor, tomou a liberdade em fazê-lo?
- Maria da Graça: - Por nada em especial, senhor Ramos Quintas. Ou melhor, é só para eu saber (como sua secretária) se o senhor se encontra ou não na firma, quando é procurado, É só para isso.
- Ramos Quintas: - Ai a minha cabeça. Eu vou já sair daqui, vou já sair, para ver se este pesadelo acaba…

Logo que o Ramos Quintas saiu,  toca o telefone.
 
- Maria da Graça: - Estou... quem fala?... Clotilde, quê?... Ah sim... Pois, pois, o senhor Ramos Quintas não está e nem sei quando regressa... Se quiser deixar algum recado...   muito bem, com licença...
 

Continua no 2º Episódio

 

 

 

 

 

 

 

 

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Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

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