Procura-se a verdade em tudo, e todos os
seres humanos pretendem ser verdadeiros,
ainda que, às vezes, não o sejam.
Até os
mentirosos anseiam transformar suas
falsidades em supostas verdades aos
nossos ouvidos. É o caso dos políticos
demagogos que propõem promessas vãs,
sabendo que jamais irão cumpri-las. No
entanto, esperam que eleitores acreditem
na veracidade de suas promessas.
Ainda
hoje, encontramos com facilidade aqueles
que juram de pés juntos, confirmando
suas afirmações, a fim de que
acreditemos nelas.
Tamanha
a importância da verdade que, não raro,
pessoas sugerem o testemunho de
terceiros, como provas irrefutáveis, de
que falam verdades, mesmo que sejam as
maiores mentiras.
Diante
disse, a Filosofia tem, como ponto
máximo de chegada, a verdade plena, sem
o que esta ciência admirável não teria
razão de ser.
Vários
sistemas filosóficos envolvem-se com a
verdade, procurando determinar-lhe o
conceito mais apropriado. É o caso do
ceticismo, do idealismo e do realismo.
Apesar
da importância histórica desses sistemas
que, de certa forma, procuram dissecar a
natureza da verdade, neste momento,
ocupamo-nos apenas com o realismo da
verdade. Os outros sistemas poderão ser
vistos em outra oportunidade, apesar de
que o ceticismo nem mereça o nome de
sistema filosófico, visto ser a negação
radical da possibilidade da Filosofia.
Em
suma, a única corrente filosófica que
pode nos falar sobre a verdade, com
legítima propriedade, é o realismo, que
estabelece a existência do ser e do
conhecer inerente ao sujeito pensante.
O
realismo encontra-se em Aristóteles; sua
estrutura, em Santo Tomás de Aquino; sua
divulgação às intelectualidades do
século XX, em Jacques Maritain, grande
filósofo francês do século passado.
Conforme o realismo filosófico, a
verdade se nos apresenta sob três
aspectos: Lógico, ontológico e moral.
Em
outras palavras, existe a verdade
lógica, a verdade ontológica e a verdade
moral.
Se
aquilo que se afirma confere com a
realidade do objeto, tem-se uma verdade
– a verdade lógica.
Tal
verdade é a que se encontra na mente
pensante. Por isso, se diz Lógica. Não
é, porém, criação da mente, mas, numa
analogia, é a transposição da realidade
do objeto para a mente cognoscente.
Dessa forma, o objeto passa a existir
virtualmente no intelecto humano sob a
forma de conhecimento. Afirmar, por
exemplo, que o Sol é maior que a Terra é
uma verdade lógica, porque o que se
afirma reflete a realidade do objeto.
O erro
opõe-se à verdade lógica. Quando o que
pensamos não está conforme a realidade,
existe o erro. Pensar, por exemplo, que
a Terra gira em torno da Lua é uma
desconformidade do pensamento com a
realidade, portanto, um erro.
A
verdade lógica deve ser analisada sob o
prisma do ser e do conhecer.
1º. O
SER: Na verdade lógica, o ser
distingue-se do conhecer. O objeto
conhecido é sempre anterior, pelo menos
logicamente, ao sujeito cognoscente. Sem
o ser, não é possível o conhecer. O
conhecer sempre é conhecimento de algo.
Entretanto, não é necessário que tal
realidade seja sempre separada e
realmente distinta do próprio
conhecimento e do sujeito cognoscente.
Pode-se, por exemplo, fazer uma análise
das próprias faculdades mentais. Até
neste caso, o objeto a ser analisado é
anterior, virtualmente, ao sujeito que
analisa, ainda que realmente "tudo" se
encontre no mesmo sujeito cognoscente. A
mente pensa sobre si, como se o objeto
do pensamento fosse outro ser distinto
de si mesmo.
O
sujeito cognoscente e o próprio
conhecimento, portanto, são também
realidades e podem funcionar como termos
de adequação à verdade.
Assim,
mesmo no conhecimento que se conhece a
si mesmo, o ser precede ao conhecer.
Evidentemente, essa precedência é apenas
lógica e não real.
Na
medida em que esse conhecimento
corresponda, ou não, ao ser do próprio
conhecimento, ter-se-á a verdade, ou a
falsidade.
2º. O
CONHECIMENTO: A verdade (ou falsidade)
lógica reside formalmente no juízo, isto
é, no conhecimento que explicitamente
afirma ou nega o ser de alguma coisa.
Em
sentido rigoroso, só se pode falar de
conformidade ou desconformidade com o
ser ou com a realidade, quando esse ser
é objeto direto do conhecimento, e
quando há uma adequação consciente do
conhecimento ao ser. Isso ocorre no
conhecimento intelectivo e, formalmente,
no juízo*.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Geralmente, quando se fala em verdade,
refere-se à verdade lógica. As pessoas,
por mais simples que sejam, assim
afirmam: "É necessário que aquilo que se
pensa esteja conforme a coisa pensada".
A
verdade, portanto, tem que ser objetiva,
isto é, corresponder sempre à realidade
do ser.
A
verdade lógica é a que se busca no
conhecimento da universalidade das
ciências. Conhecer a ciência é alcançar
a verdade, sob o ponto de vista lógico.
Pela
verdade lógica, vai se conquistando a
natureza mais profunda do universo em
que vivemos.
O
cientista, por exemplo, tem muita
verdade (lógica) no acervo do próprio
conhecimento.
A busca
do saber, que reina em todas as escolas
do mundo, é, antes de tudo, inerente à
verdade lógica.
Concluindo, afirmamos que a vida do ser
humano sobre a face da terra aprimora
sua razão de ser, à medida que se
enriquece com verdades constituídas.
Quanto
mais verdades, isto é, conhecimento a
mente humana possuir, mais feliz e
realizada há de ser. Uma pessoa assim
jamais sofrerá de solidão, porque terá
sempre a excelência das companhias, que
é o entretenimento da própria vida
interior.
Feliz,
portanto, aquele que se enriquece,
conquistando verdades fundamentais ao
crescimento da sua personalidade, porque
jamais se sentirá só.
Juízo:
É aquilo que se afirma ou se nega do
sujeito. O juízo é atividade
intelectual. Somente o ser inteligente é
capaz de formular juízos.
No
futuro próximo, veremos a verdade
ontológica e a verdade lógica, como
complemento desta matéria que, à cima,
fora carinhosamente iniciada.
Muito
obrigado
CEN
SEMPRE