LOAS À FILOSOFIA

 Maio de 2007

Lairton Trovão de Andrade

 

 

 REALISMO DA VERDADE

 

 

Toda a humanidade busca a verdade como se fosse a bússola norteadora da própria existência.      

 

Procura-se a verdade em tudo, e todos os seres humanos pretendem ser verdadeiros, ainda que, às vezes, não o sejam.

 

Até os mentirosos anseiam transformar suas falsidades em supostas verdades aos nossos ouvidos. É o caso dos políticos demagogos que propõem promessas vãs, sabendo que jamais irão cumpri-las. No entanto, esperam que eleitores acreditem na veracidade de suas promessas.

 

Ainda hoje, encontramos com facilidade aqueles que juram de pés juntos, confirmando suas afirmações, a fim de que acreditemos nelas.

 

Tamanha a importância da verdade que, não raro, pessoas sugerem o testemunho de terceiros, como provas irrefutáveis, de que falam verdades, mesmo que sejam as maiores mentiras.

 

Diante disse, a Filosofia tem, como ponto máximo de chegada, a verdade plena, sem o que esta ciência admirável não teria razão de ser.

 

Vários sistemas filosóficos envolvem-se com a verdade, procurando determinar-lhe o conceito mais apropriado. É o caso do ceticismo, do idealismo e do realismo.

 

Apesar da importância histórica desses sistemas que, de certa forma, procuram dissecar a natureza da verdade, neste momento, ocupamo-nos apenas com o realismo da verdade. Os outros sistemas poderão ser vistos em outra oportunidade, apesar de que o ceticismo nem mereça o nome de sistema filosófico, visto ser a negação radical da possibilidade da Filosofia.

 

Em suma, a única corrente filosófica que pode nos falar sobre a verdade, com legítima propriedade, é o realismo, que estabelece a existência do ser e do conhecer inerente ao sujeito pensante.

 

O realismo encontra-se em Aristóteles; sua estrutura, em Santo Tomás de Aquino; sua divulgação às intelectualidades do século XX, em Jacques Maritain, grande filósofo francês do século passado.

 

Conforme o realismo filosófico, a verdade se nos apresenta sob três aspectos: Lógico, ontológico e moral.

 

Em outras palavras, existe a verdade lógica, a verdade ontológica e a verdade moral.

 

 

VERDADE LÓGICA

 

 

Define-se a verdade lógica como sendo a conformidade do pensamento com o objeto. Há, portanto, uma adequação entre o pensamento e a coisa pensada.

 

Se aquilo que se afirma confere com a realidade do objeto, tem-se uma verdade – a verdade lógica.

 

Tal verdade é a que se encontra na mente pensante. Por isso, se diz Lógica. Não é, porém, criação da mente, mas, numa analogia, é a transposição da realidade do objeto para a mente cognoscente. Dessa forma, o objeto passa a existir virtualmente no intelecto humano sob a forma de conhecimento. Afirmar, por exemplo, que o Sol é maior que a Terra é uma verdade lógica, porque o que se afirma reflete a realidade do objeto.

 

O erro opõe-se à verdade lógica. Quando o que pensamos não está conforme a realidade, existe o erro. Pensar, por exemplo, que a Terra gira em torno da Lua é uma desconformidade do pensamento com a realidade, portanto, um erro.

 

A verdade lógica deve ser analisada sob o prisma do ser e do conhecer.

 

1º. O SER: Na verdade lógica, o ser distingue-se do conhecer. O objeto conhecido é sempre anterior, pelo menos logicamente, ao sujeito cognoscente. Sem o ser, não é possível o conhecer. O conhecer sempre é conhecimento de algo.

 

Entretanto, não é necessário que tal realidade seja sempre separada e realmente distinta do próprio conhecimento e do sujeito cognoscente.

 

Pode-se, por exemplo, fazer uma análise das próprias faculdades mentais. Até neste caso, o objeto a ser analisado é anterior, virtualmente, ao sujeito que analisa, ainda que realmente "tudo" se encontre no mesmo sujeito cognoscente. A mente pensa sobre si, como se o objeto do pensamento fosse outro ser distinto de si mesmo.

 

O sujeito cognoscente e o próprio conhecimento, portanto, são também realidades e podem funcionar como termos de adequação à verdade.

 

Assim, mesmo no conhecimento que se conhece a si mesmo, o ser precede ao conhecer. Evidentemente, essa precedência é apenas lógica e não real.

 

Na medida em que esse conhecimento corresponda, ou não, ao ser do próprio conhecimento, ter-se-á a verdade, ou a falsidade.

 

2º. O CONHECIMENTO: A verdade (ou falsidade) lógica reside formalmente no juízo, isto é, no conhecimento que explicitamente afirma ou nega o ser de alguma coisa.

 

Em sentido rigoroso, só se pode falar de conformidade ou desconformidade com o ser ou com a realidade, quando esse ser é objeto direto do conhecimento, e quando há uma adequação consciente do conhecimento ao ser. Isso ocorre no conhecimento intelectivo e, formalmente, no juízo*.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

Geralmente, quando se fala em verdade, refere-se à verdade lógica. As pessoas, por mais simples que sejam, assim afirmam: "É necessário que aquilo que se pensa esteja conforme a coisa pensada".

 

A verdade, portanto, tem que ser objetiva, isto é, corresponder sempre à realidade do ser.

 

A verdade lógica é a que se busca no conhecimento da universalidade das ciências. Conhecer a ciência é alcançar a verdade, sob o ponto de vista lógico.

 

Pela verdade lógica, vai se conquistando a natureza mais profunda do universo em que vivemos.

 

O cientista, por exemplo, tem muita verdade (lógica) no acervo do próprio conhecimento.

 

A busca do saber, que reina em todas as escolas do mundo, é, antes de tudo, inerente à verdade lógica.

 

Concluindo, afirmamos que a vida do ser humano sobre a face da terra aprimora sua razão de ser, à medida que se enriquece com verdades constituídas.

 

Quanto mais verdades, isto é, conhecimento a mente humana possuir, mais feliz e realizada há de ser. Uma pessoa assim jamais sofrerá de solidão, porque terá sempre a excelência das companhias, que é o entretenimento da própria vida interior.

 

Feliz, portanto, aquele que se enriquece, conquistando verdades fundamentais ao crescimento da sua personalidade, porque jamais se sentirá só.

 

Juízo: É aquilo que se afirma ou se nega do sujeito. O juízo é atividade intelectual. Somente o ser inteligente é capaz de formular juízos.

 

No futuro próximo, veremos a verdade ontológica e a verdade lógica, como complemento desta matéria que, à cima, fora carinhosamente iniciada.

 

 

Muito obrigado

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