LOAS À FILOSOFIA

Outubro de 2008

Editor: Lairton Trovão de Andrade

Arte Final: Iara Melo

 

 

 

A VERDADE MORAL
 


Depois de termos tratado sinteticamente da verdade lógica e da verdade ontológica, ocupamo-nos agora com a verdade moral.
 
Chama-se verdade moral a conformidade entre o que dizemos e o que pensamos. Em outras palavras, é a adequação da palavra pronunciada com o próprio pensamento.  Portanto, aquilo que se fala ou se escreve deve estar em conformidade com aquilo que se pensa. Denomina-se mais exatamente "veracidade" e dela se ocupa a Ética*.

Os seres humanos vivem em contínua comunicação entre si, principalmente através da palavra que se torna instrumento das relações necessárias entre os próprios homens . Ora, para que a palavra atinja o seu fim, é indispensável que exprima a verdade. Nenhuma vida social seria possível, entre os seres humanos, sem a confiança na veracidade alheia.
 
Faço minhas as palavras do Professor Règis Jolivet: "É por esta razão que a mentira, ato de falar contra o próprio pensamento, acumula a tríplice maneira de violar o respeito que se deve ao próximo, iludindo-lhe a confiança, de perturbar a ordem social, indo contra uma das condições primordiais da paz pública e da concórdia mútua dos homens, e de degradar moralmente o mentiroso que desvia do seu fim natural um instrumento destinado à expressão da verdade".

Infelizmente, na vida prática, não é fácil a convivência entre os seres humanos, ainda que , por natureza, sejamos todos absolutamente sociáveis.
 
No que se diz "veracidade das palavras" nem sempre chega-se a um bom termo. O que existe de falsidade e mentiras de todos os níveis é um escândalo.

Os mentirosos andam às soltas por aí. Há mentirosos até nos seios das instituições mais sérias. É só abrir os olhos e ver.
 
Usa-se frequentemente da mentira, para ludibriar ouvintes e alcançar o que se pretende. Há mentiras nas múltiplas propagandas de produtos, nas transações comerciais, nas campanhas eleitorais, nas difamações contra semelhantes.
 
Ser mentiroso, parece-nos, tornou-se "virtude do homem moderno" que, a cada dia, torna-se mais hábil na arte da falsificação da palavra.
 
Ora, a palavra existe para que nela possamos acreditar. É um dom extraordinário, com o qual manifestamos nosso pensamento. Que dádiva maravilhosa é essa de podermos pensar e fazer com que outros conheçam o que pensamos e sentimos. Eis aí a possibilidade do diálogo entre seres humanos e, através dele, crescermos material e espiritualmente.
 
Por isso, a mentira é ofensa imperdoável à dignidade de quem ouve. Não é justo que usemos da nobreza da palavra para ludibriar a boa fé de seres humanos.

O primeiro castigo que o mentiroso recebe é a perda da credibilidade. É coisa vergonhosa ser alguém cuja palavra não tem valor algum.
 
É opinião geral de que os maiores mentirosos profissionais encontram-se na tão criticada classe política.
Nossos governantes vivem dando justificativas aos cidadãos, através da palavra falsa, da explicação demagógica e da enganação deslavada.
 
Hoje em dia, a Política está deixando de ser a arte de bem administrar e conduzir cidadãos ao desenvolvimento em todos os níveis de uma vida melhor, para ser a "arte de enganar a população com promessas vãs e mentirosas realizações".
 
Oxalá, pudéssemos dar início à mudança de pensamento, para que no futuro, ainda que longínquo, o povo brasileiro tivesse vida mais digna em todos os patamares da existência humana.

 
CONCLUSÃO

Concluímos, afirmando que a verdade existe e que o homem, dotado de intelecto e vontade, pode alcançá-la, através do seu esforço pessoal e coletivo.
 
Entretanto, a busca da verdade é repleta de escarpas e calamidades, aparentemente invencíveis.
 
Para que possamos palmilhar corretamente em direção à verdade, é indispensável que tenhamos uma atitude humilde. É preciso que nos livremos dos preconceitos improcedentes. É necessário que sejamos imparciais, objetivos e que somente o amor à verdade nos atraia.
 
Devemos lutar corajosamente para a conquista da verdade, porque ela nos mostrará claramente a profunda grandeza do homem em face do universo.
 
Precisamos indagar e descobrir a "nossa verdade", para que possamos obter maior incentivo em conhecer algo mais da fonte perene da Verdade Eterna.
 
Sim, para todos que buscam a retidão na conduta, em especial aos que militam os princípios éticos da Filosofia, termino dizendo com Paulo Carosi: "A procura da verdade constitui um dever supremo; encontrá-la, suprema felicidade; dá-la aos outros, suprema caridade; falsificá-la,  supremo crime".

CEN SEMPRE!


 

 
 
 

 

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Formatação e Arte Final: Iara Melo

Mid: O Bailado da Colméia

Compositor: Lairton Trovão de Andrade

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