Depois de termos tratado
sinteticamente da verdade lógica e da
verdade ontológica, ocupamo-nos agora
com a verdade moral.
Chama-se verdade moral a
conformidade entre o que dizemos e o que
pensamos. Em outras palavras, é a
adequação da palavra pronunciada com o
próprio pensamento. Portanto, aquilo
que se fala ou se escreve deve estar em
conformidade com aquilo que se pensa.
Denomina-se mais exatamente "veracidade"
e dela se ocupa a Ética*.
Os seres humanos vivem em contínua
comunicação entre si, principalmente
através da palavra que se torna
instrumento das relações necessárias
entre os próprios homens . Ora, para que
a palavra atinja o seu fim, é
indispensável que exprima a verdade.
Nenhuma vida social seria possível,
entre os seres humanos, sem a confiança
na veracidade alheia.
Faço minhas as palavras
do Professor Règis Jolivet: "É por esta
razão que a mentira, ato de falar contra
o próprio pensamento, acumula a tríplice
maneira de violar o respeito que se deve
ao próximo, iludindo-lhe a confiança, de
perturbar a ordem social, indo contra
uma das condições primordiais da paz
pública e da concórdia mútua dos homens,
e de degradar moralmente o mentiroso que
desvia do seu fim natural um instrumento
destinado à expressão da verdade".
Infelizmente, na vida prática, não é
fácil a convivência entre os seres
humanos, ainda que , por natureza,
sejamos todos absolutamente sociáveis.
No que se diz "veracidade
das palavras" nem sempre chega-se a um
bom termo. O que existe de falsidade e
mentiras de todos os níveis é um
escândalo.
Os mentirosos andam às soltas por aí. Há
mentirosos até nos seios das
instituições mais sérias. É só abrir os
olhos e ver.
Usa-se frequentemente da
mentira, para ludibriar ouvintes e
alcançar o que se pretende. Há mentiras
nas múltiplas propagandas de produtos,
nas transações comerciais, nas campanhas
eleitorais, nas difamações contra
semelhantes.
Ser mentiroso,
parece-nos, tornou-se "virtude do homem
moderno" que, a cada dia, torna-se mais
hábil na arte da falsificação da
palavra.
Ora, a palavra existe
para que nela possamos acreditar. É um
dom extraordinário, com o qual
manifestamos nosso pensamento. Que
dádiva maravilhosa é essa de podermos
pensar e fazer com que outros conheçam o
que pensamos e sentimos. Eis aí a
possibilidade do diálogo entre seres
humanos e, através dele, crescermos
material e espiritualmente.
Por isso, a mentira é
ofensa imperdoável à dignidade de quem
ouve. Não é justo que usemos da nobreza
da palavra para ludibriar a boa fé de
seres humanos.
O primeiro castigo que o mentiroso
recebe é a perda da credibilidade. É
coisa vergonhosa ser alguém cuja palavra
não tem valor algum.
É opinião geral de que os
maiores mentirosos profissionais
encontram-se na tão criticada classe
política.
Nossos governantes vivem dando
justificativas aos cidadãos, através da
palavra falsa, da explicação demagógica
e da enganação deslavada.
Hoje em dia, a Política
está deixando de ser a arte de bem
administrar e conduzir cidadãos ao
desenvolvimento em todos os níveis de
uma vida melhor, para ser a "arte de
enganar a população com promessas vãs e
mentirosas realizações".
Oxalá, pudéssemos dar
início à mudança de pensamento, para que
no futuro, ainda que longínquo, o povo
brasileiro tivesse vida mais digna em
todos os patamares da existência humana.
CONCLUSÃO
Concluímos, afirmando que a verdade
existe e que o homem, dotado de
intelecto e vontade, pode alcançá-la,
através do seu esforço pessoal e
coletivo.
Entretanto, a busca da
verdade é repleta de escarpas e
calamidades, aparentemente invencíveis.
Para que possamos
palmilhar corretamente em direção à
verdade, é indispensável que tenhamos
uma atitude humilde. É preciso que nos
livremos dos preconceitos improcedentes.
É necessário que sejamos imparciais,
objetivos e que somente o amor à verdade
nos atraia.
Devemos lutar
corajosamente para a conquista da
verdade, porque ela nos mostrará
claramente a profunda grandeza do homem
em face do universo.
Precisamos indagar e
descobrir a "nossa verdade", para que
possamos obter maior incentivo em
conhecer algo mais da fonte perene da
Verdade Eterna.
Sim, para todos que
buscam a retidão na conduta, em especial
aos que militam os princípios éticos da
Filosofia, termino dizendo com Paulo
Carosi: "A procura da verdade constitui
um dever supremo; encontrá-la, suprema
felicidade; dá-la aos outros, suprema
caridade; falsificá-la, supremo crime".
CEN SEMPRE!