CONTRA O CETICISMO – A CERTEZA DA
VERDADE
Como se vê, o ceticismo não é um sistema
filosófico, visto que é a negação
radical da possibilidade mesma da
Filosofia.
A Filosofia é um monumento edificado
sobre princípios absolutamente
verdadeiros.
Desta forma, uma vez que o ceticismo
nega a possibilidade da certeza e,
conseqüentemente, da verdade,
implicitamente nega também toda
possibilidade da Filosofia.
É como se dissessem: " A Filosofia não
existe, porque não temos certeza de
nada. Sobre todas as coisas, pairam
dúvidas".
Os seres humanos têm tendência natural
de confiar, em certos casos pelo menos,
nas próprias faculdades cognoscitivas,
de aceitar alguns princípios como
certamente verdadeiros e rejeitar outros
como certamente falsos. Não fosse assim,
a existência humana seria absolutamente
impossível sobre a face da Terra, porque
não haveria acordo nem consenso de nada.
Antes de tudo, o homem, enquanto vive,
tem necessidade de pensar e de conhecer.
É impossível permanecer sempre em
posição de desconfiança, como os
céticos, duvidando absolutamente de
tudo. Todos estamos naturalmente certos
de que pelo menos nós existimos, de que
a terra é alguma coisa, de que 1+1=2.
Por outro lado, enquanto somos
sociáveis, viver é comunicar-se com os
outros, e o meio natural que usamos é a
linguagem. Ora, não poderíamos falar sem
alguma certeza, no mínimo a certeza de
que conhecemos o sentido das palavras
que usamos.
Finalmente, no ser humano, viver é agir:
Toda ação é ditada por alguma certeza e,
assim, importa a confiança NA FACULDADE
CONGOSCITIVA*. Sob o prisma da ação, a
vida é a mais violenta condenação do
ceticismo.
Nós, contra o ceticismo, afirmamos a
possibilidade e o fato da certeza
racional. Não há possibilidade de
duvidarmos universal e realmente de
tudo. Algumas verdades saltam-nos à
vista, impossibilitando-nos de qualquer
dúvida: O princípio de não contradição,
a existência do "eu pensante", a
realidade do mundo... são certezas
insofismáveis. A inteligência é levada a
lançar-se irresistivelmente a tais
verdades. E o critério supremo que
usamos para atingir a verdade é a
evidência. Nela há tudo o que é mister
para que estejamos certos de ter a
verdade. Sem precisarmos recorrer a
fatores externos. A evidência é a
clareza imediata que nos traz certeza
ante uma realidade. Ninguém precisa nos
provar com argumentos novos, por
exemplo, que o Sol brilha sobre nós. É
coisa evidente.
Portanto, a certeza da verdade existe, e
podemos alcançá-la, freqüentemente como
a experiência nos atesta. Não afirmamos,
porém, que podemos alcançar todas as
verdades. Afirmamos, sim, que muitas
verdades são alcançadas por nós.
Assim sendo, até mesmo os céticos
deveriam ter uma certeza: " A certeza
de que nada é certo". Então,
concluiríamos por sua real contradição.
CONCLUSÃO
A verdade é uma realidade indiscutível.
Mas, esta verdade é subjetiva ou
objetiva? É o que veremos no próximo
assunto.
***
* Pelo princípio de não contradição,
uma coisa não pode ser e não ser ao
mesmo tempo.
* Para que possamos aprender algo é
necessário o concurso dos sentidos e da
inteligência. Aristóteles dizia:" Nada
chega à inteligência sem que, por
primeiro, tenha passado pelos sentidos –
nihil est in intelectu quod prius non
fuerit in sensu (Aristóteles)".
CEN SEMPRE!