LOAS À FILOSOFIA

Novembro de 2008

Lairton Trovão de Andrade

 

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 

 


O CETICISMO

Depois de ter tratado suficientemente sobre o realismo da verdade, acho por bem descrever algo sobre certas correntes, ditas filosóficas, que negam a certeza da verdade.

Antes de tudo, discorro sobre  o ceticismo e, noutro momento, sobre o idealismo.
Não poucas vezes, ouvimos falar a palavra "cético". Assim diz, freqüentemente, a linguagem popular: "Fulano é um cético, pois não acredita em nada".

Sobre os céticos trata a Filosofia,  e o ceticismo seria a doutrina dos céticos.

Encontramos  as raízes desta pseudo-corrente filosófica na  Antiguidade Grega. O verdadeiro fundador do ceticismo foi Pirro de Élida, que encontrou apoio em Górgias, Protágoras, Heráclito, Crátilo e outros.

Como doutrina, o ceticismo afirma que nunca, sobre  nenhum fato, nenhum princípio, podemos ter certeza racionalmente fundada.

Os argumentos dos cético são fundamentalmente três:

a). Estabelecem um ceticismo subjetivo fundado sobre a desconfiança em nossas faculdades  cognoscitivas. Afirmam que nossos sentidos e nossa inteligência são frágeis e não podem captar as coisas como realmente são. Por isso, os erros são possíveis e freqüentemente acontecem, de tal sorte que não podemos ter certeza de nada, concluem os filósofos céticos.

b). O segundo argumento afirma que toda realidade se reduz ao puro devir, isto é, às mudanças contínuas, e, desta forma, não há lugar para nenhuma realidade fixa de que se possa fazer uma afirmação ou negação definitiva, nem há termos opostos entre os quais vigore o "princípio de não contradição"*.

c). O terceiro argumento é tirado da impossibilidade de um critério para distinguir, com certeza, o verdadeiro do falso, isto é, como é possível saber que algo é realmente o que se julga ser? Que certeza posso ter, pergunta o cético, de que agora estou acordado e não dormindo?

CONTRA O CETICISMO – A CERTEZA DA VERDADE

Como se vê, o ceticismo não é um sistema filosófico, visto que é a negação radical da possibilidade mesma da Filosofia.
A Filosofia é um monumento edificado sobre princípios absolutamente verdadeiros.

Desta forma, uma vez que o ceticismo nega a possibilidade da certeza e, conseqüentemente, da verdade, implicitamente nega também toda possibilidade da Filosofia.

É como se dissessem: " A Filosofia não existe, porque não temos certeza de nada. Sobre todas as coisas, pairam dúvidas".

Os seres humanos têm tendência natural de confiar, em certos casos pelo menos, nas próprias faculdades cognoscitivas, de aceitar alguns princípios como certamente verdadeiros e rejeitar outros como certamente falsos. Não fosse assim, a existência humana seria absolutamente impossível sobre a face da Terra, porque não haveria acordo nem consenso de nada.

Antes de tudo, o homem, enquanto vive, tem necessidade de pensar e de conhecer. É impossível permanecer sempre em posição de desconfiança, como os céticos, duvidando absolutamente de tudo. Todos estamos naturalmente certos de que pelo menos nós existimos, de que a terra é alguma coisa, de que 1+1=2.

Por outro lado, enquanto somos sociáveis, viver é comunicar-se com os outros, e o meio natural que usamos é a linguagem. Ora, não poderíamos falar sem alguma certeza, no mínimo a certeza de que conhecemos o  sentido das palavras que usamos.

Finalmente, no ser humano, viver é agir: Toda ação é ditada por alguma certeza e, assim, importa a confiança NA FACULDADE CONGOSCITIVA*. Sob o prisma da ação, a vida é a mais violenta condenação do ceticismo.

Nós, contra o ceticismo, afirmamos a possibilidade e o fato da certeza racional. Não há  possibilidade de duvidarmos universal e realmente de tudo. Algumas verdades saltam-nos à vista, impossibilitando-nos de qualquer dúvida: O princípio de não contradição, a existência do "eu pensante", a realidade do mundo... são certezas insofismáveis. A inteligência é levada a lançar-se irresistivelmente a tais verdades. E o critério supremo que usamos para atingir a verdade é a evidência. Nela há tudo o que é mister para que estejamos certos de ter a verdade. Sem precisarmos recorrer a fatores externos. A evidência é a clareza imediata que nos traz certeza ante uma realidade. Ninguém precisa nos provar com argumentos novos, por exemplo, que o Sol brilha sobre nós. É coisa evidente.

Portanto, a certeza da verdade existe, e podemos alcançá-la, freqüentemente como a experiência nos atesta. Não afirmamos, porém, que podemos alcançar todas as verdades. Afirmamos, sim, que muitas verdades são alcançadas por nós.

Assim sendo, até mesmo os céticos deveriam ter uma certeza:  " A certeza de que nada é certo".  Então, concluiríamos por sua  real contradição.

CONCLUSÃO
 
A verdade é uma realidade indiscutível. Mas, esta verdade é subjetiva ou objetiva? É o que veremos no próximo assunto.

***

* Pelo princípio de não contradição, uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo.
* Para que possamos aprender algo é necessário o concurso dos sentidos e da inteligência. Aristóteles dizia:" Nada chega à inteligência sem que, por primeiro, tenha passado pelos sentidos – nihil est in intelectu quod prius non fuerit in sensu (Aristóteles)".


CEN SEMPRE!

 

 
 
 
 

 

Livro de Visitas

Índice

Formatação e Arte Final: Iara Melo

Mid: O Bailado da Colméia

Compositor: Lairton Trovão de Andrade

Página perfeitamente visualizada

na resolução 1024 * 768

 

 

 

 

 

Copyright © 2006 - 2008  Portal CEN - Cá Estamos Nós Web Page

Todos os Direitos Reservados