O oceano Índico é a
parte mais pequena do oceano
mundial, situa-se entre a África, a
Ásia, a Austrália e a Antárctida.
Este oceano distingue-se pelas
dimensões relativamente reduzidas,
por uma posição de modo geral
austral e por ser fechado a Norte
pela Ásia. Largamente aberto a Sul à
influência antárctica, está sujeito,
na parte Norte, á moção asiática.
Tem a forma de um triângulo onde as
linhas medianas são formadas por
dorsais oceânicas, dispostas em Y
invertido, cuja expansão produziu a
fragmentação do antigo continente de
Gondwana.
O super continente do sul Gondwana
incluía a maior parte das zonas de
terra firme que hoje constituem os
continentes do Hemisfério Sul,
incluindo a Antárctida, América do
Sul, África, Madagáscar, Seychelles,
Índia, Austrália, Nova Guiné, Nova
Zelândia, e Nova Caledónia
Foi formado durante o período
Jurássico Superior há cerca de 200
milhões de anos, pela separação do
Pangea. Os outros continentes nessa
altura a América do Norte e Eurásia
ainda estavam ligados, formando o
super continente de Laurásia.
Na escala de tempo geológico, o
Jurássico é o período da era
Mesozóica do éon Fanerozóico que
está compreendido entre 199 milhões
e 600 mil e 145 milhões e 500 mil
anos atrás, aproximadamente. O
período Jurássico sucede o período
Triássico e precede o período
Cretácico, ambos de sua era.
Divide-se nas épocas Jurássica
Inferior (ou Lias), Jurássica Média
(ou Dogger) e Jurássica Superior (ou
Malm), da mais antiga para a mais
recente. O nome Jurássico é devido
as montanhas Jura, dos alpes
franceses, contém grande quantidade
de rochas deste período.
Pangeia foi o nome dado ao
continente que, segundo a teoria da
deriva continental, existiu até 200
milhões de anos, durante a era
Mesozoica. A palavra origina-se do
fato de todos os continentes estarem
juntos (pan) formando um único bloco
de terra (gea). Por outro lado,
estudando-se a mitologia grega,
encontramos: Pan, como o Deus que
simbolizava a alegria de viver, e
Géia, Gaia ou Ge como a Deusa que
personificava a terra com todos os
seus elementos naturais.
Milhões de anos se passaram até que
a Pangeia se fragmentou, dando
origem a dois mega continentes.
Separação esta que ocorreu
lentamente e se desenvolveu
deslocando sobre um subsolo oceânico
de basalto.
A parte correspondente à América do
Sul, África, Austrália e Índia,
denomina-se Gondwana. E o resto do
continente, onde estava a América do
Norte, Ásia e o Árctico se denomina
Laurásia.
A Pangeia era cercada por um único
oceano Pantalassa. Foi inicialmente
sugerida a hipótese no início do
século XX pelo meteorologista alemão
Alfred Wegener, criando uma grande
polémica entre a classe científica
da época. Wegener teve como ponto de
partida de sua teoria os contornos
semelhantes da costa da América com
a da África, os quais formariam um
encaixe quase perfeito. Entretanto,
não foi utilizado este fato na sua
fundamentação científica, mas a
comparação dos fósseis encontrados
nas regiões brasileira e africana.
Como estes animais não seriam
capazes de atravessar o oceano na
época, então concluiu-se que eles
teriam vivido em mesmos ambientes em
tempos remotos. Foi confirmada
somente em 1960, após 30 anos da
morte de Wegener.
A Eurásia é a massa que forma em
conjunto a Europa e a Ásia. Pode ser
considerada como um continente, ou
mesmo um super continente composto
pelos continentes europeu e
asiático, separados pela cordilheira
dos Montes Urais. Alguns países como
a Rússia e Turquia estão nos dois
continentes.
O super continente do norte Laurásia
incluía os continentes que hoje
constituem Hemisfério Norte,
incluindo a América do Norte, Europa
e Ásia do Norte. A parte inferior do
globo se chamava Gondwana. E foi o
primeiro grande processo de
separação dos continentes.
O oceano Índico caracteriza-se pela
fraca produtividade das águas de
superfície, privadas de permutas
verticais revitalizadoras. A
temperatura elevada das águas
favorece o desenvolvimento dos
recifes e das plataformas recifais,
semeadas de atóis, como: Maldivas
(01) ; Chagos (02); Laquedivas (03);
Seychelles (04); Comores (05); e
outras. À saída dos grandes destas,
as águas túrbidas mantêm uma
produtividade regional. Fundos e
margens coralíneos ou lodosos são
objecto de uma pesca artesanal e
fracamente produtiva. A partir do
século XVI, as civilizações
marítimas, frequentemente de origem
exterior, como egípcios, fenícios,
chineses e árabes, foram subvertidas
pela introdução do comércio colonial
e pela implantação de feitorias
pertencentes aos portugueses,
holandeses, britânicos e franceses.
As actuais rotas comerciais são
fundamentalmente exportadoras. A
rota do Cabo substituiu em grande
parte a rota das Índias, assegurando
o escoamento do golfo Pérsico.
(01): - A história antiga das
Maldivas é obscura. Segundo a lenda
maldívia, um príncipe cingalês
chamado Koimale encalhou com sua
esposa, filha do rei do Sri Lanka,
em uma lagoa das Maldivas e dominou
a região como o primeiro sultão.
Com o passar dos séculos, as ilhas
foram visitadas e influenciadas por
marinheiros dos países do Mar
Arábico e dos litorais do Oceano
Índico. Os piratas de Mpla,
procedentes da costa do Malabar,
actualmente o Estado Indiano de
Kerala, arrasaram as ilhas. No
século XVI, entre 1558 e 1573, os
portugueses estabeleceram uma
pequena feitoria nas Maldivas, que
administraram a partir da colónia
principal portuguesa de Goa. Por
quinze anos dominaram as ilhas, mas
a actuação do feitor foi muito
impopular. Quinze anos passados um
líder local chamado Muhammad
Thakurufaanu Al-Azam e seu irmão
organizaram uma revolta popular e
expulsaram os portugueses das
Maldivas. Este acontecimento ainda
hoje é celebrado como dia nacional
das Maldivas e num pequeno museu e
memorial em honra do herói nacional
e depois Sultão Muhammad
Thakurufaanu Al-Azamna sua ilha
natal Utheemu no sul do atol
Thiladhummathi. O país foi governado
como um sultanato islâmico
independente na maior parte de sua
história entre 1153 e 1968. Foi um
protectorado britânico desde 1887
até 25 de Julho de 1965. Em 1953,
por um breve período, implantou-se
uma república mas o sultanato se
restabeleceu. Os maldívios seguiam o
budismo antes de se converterem ao
Islamismo, conversão esta explicada
em uma controvertida história
mitológica acerca de um demónio
chamado Rannamaari. A independência
do Reino Unido foi obtida em 1965,
seguindo o sultanato por três anos
mais. Em 11 de Novembro de 1968 foi
abolido e substituído por uma
república.
(02): O Arquipélago de Chagos é um
grupo de sete atóis, com mais de 60
ilhas tropicais situado no Oceano
Índico. Administrativamente, este
arquipélago faz parte do Território
Britânico do Oceano Índico.
Os sete atóis com ilhas emersas
permanentemente são: - Diego Garcia
(Diego Garcia e 3 ilhéus mais a
norte) - Ilhas Egmont ou Seis Ilhas
(7 ilhas) - Peros Banhos (27 ilhas)
- Ilhas Salomão (11 ilhas) - Grande
Banco de Chagos (7 ilhas) - Recife
Blenheim (3 ilhas) - Banco Speakers
(1 ilha).
(03): As Laquedivas (em inglês
Lakshadweep) são o menor dos dois
territórios insulares indianos.
Separadas do continente (Estado de
Kerala) pelo Mar das Laquedivas, a
nordeste, a sua outra fronteira é
com as Maldivas, a sul, através do
Canal dos Oito Graus. Tal como as
Maldivas, também as Laquedivas são
um conjunto de atóis e recifes de
coral. Capital: Kavaratti. Os
portugueses conquistaram-na em 1498,
mas, em 1545, os habitantes da ilha
revoltaram-se contra os portugueses
e conseguiram expulsá-los.
(04: - Seychelles, embora mareantes
austronésios ou mercadores árabes
possam ter sido os primeiros a
visitar as desabitadas Seychelles, o
primeiro registo europeu conhecido
do avistamento das ilhas ocorreu em
1502, pelo Almirante português Vasco
da Gama, que atravessou as Ilhas
Almirante, nomeando-as em honra de
si próprio (ilhas do Almirante). A
primeira visita a terra registada e
a primeira descrição escrita do
arquipélago deve-se à tripulação do
East Indiaman inglês Ascension em
1609. Fazendo parte da rota
comercial entre a África e a Ásia,
as ilhas eram ocasionalmente
utilizadas por piratas até os
Franceses iniciarem o controlo do
arquipélago em 1756, quando a Pedra
da Possessão foi colocada pelo
Capitão Nicholas Morphey. As ilhas
foram nomeadas em honra de Jean
Moreau de Séchelles, Ministro das
Finanças de Luís XV. Os Britânicos
disputaram o controlo das ilhas com
os Franceses entre 1794 e 1812. Jean
Baptiste Quéau de Quincy, o
administrador francês das Seychelles
durante os anos da guerra com o
Reino Unido, preferiu não resistir
quando os navios inimigos chegaram.
Em vez disso, Quincy negociou com
sucesso a capitulação aos
Britânicos, que conferiu aos colonos
uma posição privilegiada de
neutralidade. A Grã-Bretanha
eventualmente assumiu o controlo
total após a rendição das Ilhas
Maurícias em 1812, o que foi
formalizado em 1814 no Tratado de
Paris. As Seychelles tornaram-se uma
colónia realenga separada das
Maurícias em 1903 e a independência
foi conseguida em 1976, sob a forma
de república inserida no
Commonwealth. Em 1977, um golpe de
estado depôs o primeiro presidente
da república, James Mancham,
substituindo-o por France Albert
René. A constituição de 1979
declarou um estado socialista
uni-partidário, e assim permaneceu
até 1991. O primeiro rascunho da
nova constituição não obteve os 60%
de votos requeridos em 1992, mas uma
versão emendada foi aprovada em
1993. Nas eleições presidenciais de
Julho de 1993, Albert René foi
eleito com 59% dos votos totais.
(05): - As ilhas Comores foram
descobertas em 1505 pelos
portugueses e posteriormente
colonizadas e administradas pela
França, mas a partir do século XIX
foram negligenciadas pelo
colonizador. Em 1975, tornaram-se
independentes e passaram a formar a
República Federal Islâmica das
Comores. Em 1997, as ilhas de Nzwani
e Mwali declaram independência,
desencadeando conflitos entre tropas
do governo e separatistas de Nzwani.
Após negociações, em 1999 é assinado
um acordo que institui um governo
rotativo entre as três ilhas. No
mesmo ano, porém, é registado o 19º
golpe de Estado no país em 25 anos.
Em 2001, 77% dos eleitores aprovam a
nova Constituição que muda o nome do
país para União de Comores e garante
mais autonomia para as ilhas.
Oceano Índico - Fonte: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
O oceano Índico (antigo mar das
Índias) está situado entre a África,
a Ásia, a Austrália e a Antárctida e
tem uma área de 74.000.000 km². A
sua profundidade média é de 3.897 m
e a máxima, de 7.455 m (fossa de
Java). A dinâmica das águas do
oceano Índico é mais complexa que
nos outros oceanos. O sistema
austral (ao S de 10º de latitude S)
é caracterizado pela distribuição
regularmente zonal dos ventos, das
temperaturas (do ar e da água), da
salinidade e das correntes
superficiais. O sistema de monções
ocupa a porção norte do Índico. Seu
motor é a inversão sazonal dos
ventos de monção. No inverno, os
alísios sopram do NE em direcção à
convergência intertropical, criando
uma circulação superficial
comparável à dos outros oceanos. No
verão, os ventos quentes e húmidos e
instáveis (ciclones), atraídos pelas
baixas pressões asiáticas, provocam
um reaquecimento e uma
dessalinização parcial das águas,
bem como uma aceleração das
correntes que se dirigem
predominantemente para leste
(corrente da monção de sudoeste).
Para a ONU, o oceano Índico engloba
o canal de Moçambique, o mar
Vermelho, o golfo Pérsico, o mar da
Arábia, o golfo de Bengala, o mar
das Ilhas Andamão e a baía
Australiana; ao sul, seu limite é o
paralelo 60, entre os meridianos do
cabo das Agulhas (África do Sul) e
da Tasmânia (Austrália). Trinta e
seis países litorâneos fornecem
acesso marítimo a outros onze países
sem saída para o mar.
Os recursos desse oceano são o
petróleo e minérios como a platina,
o manganês, o vanádio e o crómio, só
encontrados na África Austral e na
antiga URSS. Em razão dessa enorme
riqueza, o oceano Índico tornou-se
alvo de grande interesse para os
países ocidentais industrializados e
o Japão, preocupados especialmente
com a extracção e o transporte da
matéria-prima. A riqueza do oceano
Índico era desconhecida na época da
guerra fria, tanto é que o alvo a
ser protegido, pelo lado
norte-americano, era apenas o acesso
ao golfo Pérsico. Nem os Estados
Unidos nem a antiga URSS julgaram
necessário criar uma frota no oceano
Índico, satisfazendo-se em enviar
destacamentos navais de importância
questionável, apenas para assegurar
bases e ancoragens. Mais tarde os
EUA acabaram por criar uma forte
intervenção no Oriente Médio: o
Central Command (Comando Central).
O que os EUA e a antiga URSS não
deixaram fazer foi tomar partido em
todos os conflitos locais em torno
desse oceano: África Austral,
Oriente Próximo, golfo Pérsico,
Afeganistão, Ásia Meridional,
Indochina. Atribuindo esses
conflitos às presenças navais
estrangeiras, os países litorâneos
por sua vez adoptaram em uma
Assembleia Geral das Nações Unidas a
resolução "oceano Índico, zona de
paz", de 16 de Dezembro de 1971, que
"sugeria às grandes potências a
eliminação de bases, navios de
guerra e aviões militares no
oceano".
A Índia, que se instituiu como
porta-voz dos países litorâneos,
teria consequentemente o controle
efectivo do norte oceano Índico -
das rotas marítimas, portanto -
graças à sua Marinha que, com
110.000 toneladas, é a sexta do
mundo e a mais poderosa da região.
As primeiras civilizações do mundo,
na Mesopotâmia (começando com a
Suméria, o Antigo Egipto e o
subcontinente indiano (a partir da
civilização do vale do Indo), que
apareceram ao longo dos vales dos
rios Tigre-Eufrates, Nilo e Indo
respectivamente, se desenvolveram
todas em torno do oceano Índico.
Outras civilizações logo surgiram,
na Pérsia (Elam), e posteriormente
no sudeste da Ásia (Funan). Durante
a primeira dinastia egípcia (cerca
de 3000 a.C.), navegadores
exploraram as suas águas,
empreendendo jornadas até Punt, que
se presume fosse localizado na
actual Somália. Os navios retornavam
com mercadorias valiosas, como ouro
e mirra. A primeira ligação
comercial marítima entra a
Mesopotâmia e o vale do Indo, em
aproximadamente 2500 a.C., ocorreu
pelo oceano Índico. Os fenícios do
final do terceiro milénio a.C.
provavelmente estiveram nas terras
banhadas pelo oceano, embora não
tenham se assentado nelas.
O oceano Índico é muito mais calmo,
e, portanto, mais adequado para o
comércio do que os oceanos Atlântico
e Pacífico. As fortíssimas monções
faziam com que os navios pudessem
velejar facilmente para o oeste na
estação favorável, e, após alguns
meses, fazer o caminho de volta; o
que permitiu, por exemplo, que os
povos indonésios cruzassem o oceano
Índico para se estabelecer em
Madagáscar.
No segundo ou primeiro século a.C.,
Eudóxio de Cízico foi o primeiro
grego a cruzar o oceano Índico. O
navegador Hipalo também teria
descoberto a rota directa da Arábia
para a Índia nesta época. Durante o
primeiro e segundo séculos d.C.
intensas relações comerciais se
desenvolveram entre o Egipto romano
e os reinos Tâmeis de Chera, Chola e
Pandya, no sul da Índia. Como os
povos indonésios citados acima, os
navegadores ocidentais utilizavam-se
das monções para atravessar o
oceano. O autor desconhecido do
Périplo do Mar Eritreu descreveu
esta rota, os portos e as
mercadorias encontradas ao longo das
costas da África e da Índia em cerca
de 70 d.C..
De 1405 a 1433, o almirante chinês
Zheng He liderou grandes frotas da
dinastia Ming em inúmeras viagens ao
"oceano Ocidental" (nome chinês para
o oceano Índico), chegando até os
países costeiros do leste da África
(06).
Em 1497, Vasco da Gama dobrou o cabo
da Boa Esperança, tornando-se o
primeiro europeu a navegar até a
Índia nos tempos modernos. Os navios
europeus, armados com canhões
pesados, rapidamente dominaram o
comércio da região. Em um primeiro
momento Portugal atingiu a
preeminência na região, ao construir
fortes nos estreitos e portos mais
importantes; porém a nação não
conseguiu bancar um projecto tão
vasto, e perdeu seu lugar na metade
do século XVII para outras potências
europeias. A Companhia Holandesa das
Índias Orientais (1602-1798)
procurou controlar o comércio com o
Oriente através do oceano Índico, e
a França e a Inglaterra
estabeleceram companhias comerciais
na região. Eventualmente a
Grã-Bretanha tornou-se a principal
potência e em 1815 já havia dominado
completamente a área.
A abertura do canal de Suez em 1869
reavivou os interesses europeus no
Oriente, porém nenhuma nação
conseguiu estabelecer com sucesso
algum domínio no comércio da região.
Depois da Segunda Guerra Mundial os
ingleses se retiraram, e foram
substituídos parcialmente pela
Índia, União Soviética e Estados
Unidos. Estes dois últimos tentaram
estabelecer uma hegemonia, através
da obtenção de bases navais, como
Diego Garcia, base americana em um
atol localizada bem no meio do
oceano.
(06): - Navegadores Chineses no
Índico: Pesquisadores descobriram
que uma grande esquadra chinesa fez
uma viagem de exploração e comércio
há seis séculos passados. A armada
teria cruzado o Mar da China
dirigindo-se para o oeste tendo
chegado muito provavelmente ao
Ceilão, Arábia e leste da África. A
frota era comandada pelo almirante
Zheng he que por mais de 28 anos
esteve a serviço do império chinês.
A frota que empreendeu a primeira
viagem zarpou em 5 de Março de 1421
do porto de Tanggu. Muçulmano, de
família pobre, Zheng He foi
capturado pelo Exército chinês e
castrado quando criança. Depois
disso, ele se dedicou ao estudo de
línguas e de filosofia, até começar
a trabalhar na corte da dinastia
Ming. Zheng começou suas expedições
aos 32 anos de idade e só parou de
navegar quando morreu, aos 60 anos.
Zheng realizou suas viagens em um
período de 28 anos, entre 1405 e
1433. A sua primeira expedição
traçou a rota entre a Ásia e a
costa leste da África, através do
oceano Índico. O tamanho das
esquadras lideradas pelo navegador
chinês também chamado de Cheng Ho
não tem paralelo na história.
Oitenta e sete anos depois, Colombo
descobriu a América do Norte com
três navios e menos de 300 homens.
As embarcações chinesas tinham 120
metros e eram cinco vezes maiores
que as de Colombo, de 27 metros.
O aprofundamento das pesquisas
constatam que não foi um feito
isolado como pensou a princípio. Na
verdade, era uma prática bem comum!
A frota, segundo se sabe, seria
composta por nove enormes
embarcações de transporte, 24 outras
embarcações de combate e apoio que
traziam em seu bojo de água potável
a cavalos para sua cavalaria dentre
muitas outras coisas. Ao todo a
armada empregou 27.000 pessoas entre
tripulantes e soldados.
Carregados com a seda, porcelana, e
objectos de laca, visitaram muitos
portos do Oceano trocando com os
árabes e africanos por marfim, ervas
medicinais, madeiras raras, tendo
maior interesse pelas pérolas que
eram muito desejadas pela corte
imperial chinesa Entre 1405 e 1433,
por sete vezes as frotas chinesas se
aventuraram rumo ao mar
desconhecido. Essas sete grandes
expedições criaram uma rica rota
comercial sob a égide do governo
imperial chinês ligando Formosa às
cidades do Golfo Pérsico, meio
século antes dos portugueses
contornarem o Cabo da Boa Esperança
na África descobrindo o Oceano
Índico. Apesar da força e da
prosperidade que marcaram seu
império, os imperadores da dinastia
Ming deliberadamente não tentaram
colonizar terras além do reino
médio.
Em 1938, foi encontrado um junco
(barco) chinês do século XIV:
Dominando uma avançada tecnologia
tanto na arte de navegar como em
vários outros sectores da actividade
humana os chineses poderiam ter
expandido suas influências além da
Índia e da África. Mas,
diferentemente dos portugueses,
espanhóis, holandeses e ingleses,
não houve por parte dos sucessivos
imperadores chineses o desejo de
colonizarem o mundo. Pelo contrário,
um século depois, o comércio
ultramarino foi proibido
terminantemente. Porquê esta atitude
?: Para muitos pesquisadores esse
atitude de pura xenofobia e
isolacionismo acarretou o declínio
do império chinês.
Os primeiro navios chineses para o
comércio foram construídos durante a
dinastia Song (960-1270). Mas os
imperadores mongóis posteriores a
dinastia Yuan é que incrementaram as
primeiras frotas comerciais
negociando nos entrepostos de
Sumatra, Ceilão e sul da Índia.
Quando Marco Pólo fez sua famosa
viagem à corte Mongol, relatou que
as enormes embarcações eram dotadas
de mais de 60 cabines individuais
para comerciantes, anteparas à prova
d'água, e grupos de até 300. Com o
surgimento da dinastia Ming no
século XIV, foi feito um exame da
frota e de sua rede de comércio já
existente. O espírito empreendedor
da era Ming alcançou o clímax após a
rebelião do príncipe Zhu que
usurparia o trono em 1402. Em 1403
relata-se que 317 navios zarparam do
porto de Nanquim rumo ao Ceilão e
entrepostos dessa área do Oceano
Índico.
Durante as primeiras três décadas do
século XV, frotas de importância
navegariam pelo oceano Índico
sinalizando para as nações
“bárbaras” do resto do mundo todo o
poderio do império chinês.
Segundo relatos de comerciantes da
época os mesmo falam: “Os navios a
vela do mar do sul são como casas.
Quando suas velas estão abertas,
parecem nuvens espalhadas no céu.”
Eram factíveis as dimensões
relatadas de grandes navios com 120
metros de comprimento com 36 metros
de largura...
Somente os navios de guerra de
madeira do ocidente chegariam
próximo disso na época Vitoriana.
Esses navios para poderem ter uma
estrutura firme, tiveram de recorrer
ao ferro para solucionarem problemas
decorrentes de seu tamanho.
Entretanto, em 1962, os restos de um
navio chinês dessa época foi
encontrado em Nanquim por
arqueólogos. Possivelmente
tratava-se de uma embarcação do
período Ming. O madeiramento não
tinha menos de 90 metros de
comprimento. Baseando-se nos relatos
técnicos da época, chegou-se a
conclusão que a embarcação teria
tido o comprimento em torno de 150
metros.
A maior embarcação da frota de
Colombo que descobriu a América em
1492 era a nau Santa Maria. O seu
comprimento estaria em torno de 27
metros de comprimento. Comparando a
embarcação do almirante Zheng He
pode-se ter uma ideia da enorme
diferença de tamanho entre as
embarcações.
Outros achados arqueológicos dessa
época foram achados fora do
perímetro da costa chinesa. No ano
de 1973, em Quanzhou, foram
encontrados restos de uma embarcação
do período Song. Esse navio
provavelmente afundou no ano 1270.
Seu casco era moldado em uma quilha
de pinho de 30 metros. Pelo que se
pôde apurar, dentro de seus 13
compartimentos foram encontradas
madeiras como cedro, madeiras
aromáticas, escudos originários do
leste africano. O navio de Quanzhou
sugere que já naquela época, os
chineses estiveram envolvidos em
gloriosas façanhas negociando
através do Oceano Índico. Indica
também que seus navios eram muito
resistentes e que já conheciam o
conceito de secções estanques, coisa
que o ocidente apenas viria a
descobrir séculos depois.