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"Oceanos e Grandes Rios"

TERCEIRO BLOCO

Oceano Índico

 

 

 


Trabalho de Carlos Leite Ribeiro

 

O oceano Índico é a parte mais pequena do oceano mundial, situa-se entre a África, a Ásia, a Austrália e a Antárctida. Este oceano distingue-se pelas dimensões relativamente reduzidas, por uma posição de modo geral austral e por ser fechado a Norte pela Ásia. Largamente aberto a Sul à influência antárctica, está sujeito, na parte Norte, á moção asiática. Tem a forma de um triângulo onde as linhas medianas são formadas por dorsais oceânicas, dispostas em Y invertido, cuja expansão produziu a fragmentação do antigo continente de Gondwana.
O super continente do sul Gondwana incluía a maior parte das zonas de terra firme que hoje constituem os continentes do Hemisfério Sul, incluindo a Antárctida, América do Sul, África, Madagáscar, Seychelles, Índia, Austrália, Nova Guiné, Nova Zelândia, e Nova Caledónia
Foi formado durante o período Jurássico Superior há cerca de 200 milhões de anos, pela separação do Pangea. Os outros continentes nessa altura a América do Norte e Eurásia ainda estavam ligados, formando o super continente de Laurásia.
Na escala de tempo geológico, o Jurássico é o período da era Mesozóica do éon Fanerozóico que está compreendido entre 199 milhões e 600 mil e 145 milhões e 500 mil anos atrás, aproximadamente. O período Jurássico sucede o período Triássico e precede o período Cretácico, ambos de sua era. Divide-se nas épocas Jurássica Inferior (ou Lias), Jurássica Média (ou Dogger) e Jurássica Superior (ou Malm), da mais antiga para a mais recente. O nome Jurássico é devido as montanhas Jura, dos alpes franceses, contém grande quantidade de rochas deste período.
Pangeia foi o nome dado ao continente que, segundo a teoria da deriva continental, existiu até 200 milhões de anos, durante a era Mesozoica. A palavra origina-se do fato de todos os continentes estarem juntos (pan) formando um único bloco de terra (gea). Por outro lado, estudando-se a mitologia grega, encontramos: Pan, como o Deus que simbolizava a alegria de viver, e Géia, Gaia ou Ge como a Deusa que personificava a terra com todos os seus elementos naturais.
Milhões de anos se passaram até que a Pangeia se fragmentou, dando origem a dois mega continentes. Separação esta que ocorreu lentamente e se desenvolveu deslocando sobre um subsolo oceânico de basalto.
A parte correspondente à América do Sul, África, Austrália e Índia, denomina-se Gondwana. E o resto do continente, onde estava a América do Norte, Ásia e o Árctico se denomina Laurásia.
A Pangeia era cercada por um único oceano Pantalassa. Foi inicialmente sugerida a hipótese no início do século XX pelo meteorologista alemão Alfred Wegener, criando uma grande polémica entre a classe científica da época. Wegener teve como ponto de partida de sua teoria os contornos semelhantes da costa da América com a da África, os quais formariam um encaixe quase perfeito. Entretanto, não foi utilizado este fato na sua fundamentação científica, mas a comparação dos fósseis encontrados nas regiões brasileira e africana. Como estes animais não seriam capazes de atravessar o oceano na época, então concluiu-se que eles teriam vivido em mesmos ambientes em tempos remotos. Foi confirmada somente em 1960, após 30 anos da morte de Wegener.
A Eurásia é a massa que forma em conjunto a Europa e a Ásia. Pode ser considerada como um continente, ou mesmo um super continente composto pelos continentes europeu e asiático, separados pela cordilheira dos Montes Urais. Alguns países como a Rússia e Turquia estão nos dois continentes.
O super continente do norte Laurásia incluía os continentes que hoje constituem Hemisfério Norte, incluindo a América do Norte, Europa e Ásia do Norte. A parte inferior do globo se chamava Gondwana. E foi o primeiro grande processo de separação dos continentes.
O oceano Índico caracteriza-se pela fraca produtividade das águas de superfície, privadas de permutas verticais revitalizadoras. A temperatura elevada das águas favorece o desenvolvimento dos recifes e das plataformas recifais, semeadas de atóis, como: Maldivas (01) ; Chagos (02); Laquedivas (03); Seychelles (04); Comores (05); e outras. À saída dos grandes destas, as águas túrbidas mantêm uma produtividade regional. Fundos e margens coralíneos ou lodosos são objecto de uma pesca artesanal e fracamente produtiva. A partir do século XVI, as civilizações marítimas, frequentemente de origem exterior, como egípcios, fenícios, chineses e árabes, foram subvertidas pela introdução do comércio colonial e pela implantação de feitorias pertencentes aos portugueses, holandeses, britânicos e franceses. As actuais rotas comerciais são fundamentalmente exportadoras. A rota do Cabo substituiu em grande parte a rota das Índias, assegurando o escoamento do golfo Pérsico.
 
(01): - A história antiga das Maldivas é obscura. Segundo a lenda maldívia, um príncipe cingalês chamado Koimale encalhou com sua esposa, filha do rei do Sri Lanka, em uma lagoa das Maldivas e dominou a região como o primeiro sultão.
Com o passar dos séculos, as ilhas foram visitadas e influenciadas por marinheiros dos países do Mar Arábico e dos litorais do Oceano Índico. Os piratas de Mpla, procedentes da costa do Malabar, actualmente o Estado Indiano de Kerala, arrasaram as ilhas. No século XVI, entre 1558 e 1573, os portugueses estabeleceram uma pequena feitoria nas Maldivas, que administraram a partir da colónia principal portuguesa de Goa. Por quinze anos dominaram as ilhas, mas a actuação do feitor foi muito impopular. Quinze anos passados um líder local chamado Muhammad Thakurufaanu Al-Azam e seu irmão organizaram uma revolta popular e expulsaram os portugueses das Maldivas. Este acontecimento ainda hoje é celebrado como dia nacional das Maldivas e num pequeno museu e memorial em honra do herói nacional e depois Sultão Muhammad Thakurufaanu Al-Azamna sua ilha natal Utheemu no sul do atol Thiladhummathi. O país foi governado como um sultanato islâmico independente na maior parte de sua história entre 1153 e 1968. Foi um protectorado britânico desde 1887 até 25 de Julho de 1965. Em 1953, por um breve período, implantou-se uma república mas o sultanato se restabeleceu. Os maldívios seguiam o budismo antes de se converterem ao Islamismo, conversão esta explicada em uma controvertida história mitológica acerca de um demónio chamado Rannamaari. A independência do Reino Unido foi obtida em 1965, seguindo o sultanato por três anos mais. Em 11 de Novembro de 1968 foi abolido e substituído por uma república.
 
(02): O Arquipélago de Chagos é um grupo de sete atóis, com mais de 60 ilhas tropicais situado no Oceano Índico. Administrativamente, este arquipélago faz parte do Território Britânico do Oceano Índico.
Os sete atóis com ilhas emersas permanentemente são: - Diego Garcia (Diego Garcia e 3 ilhéus mais a norte)  - Ilhas Egmont ou Seis Ilhas (7 ilhas) - Peros Banhos (27 ilhas)  - Ilhas Salomão (11 ilhas)  - Grande Banco de Chagos (7 ilhas)  - Recife Blenheim (3 ilhas)  - Banco Speakers (1 ilha).
 
(03): As Laquedivas (em inglês Lakshadweep) são o menor dos dois territórios insulares indianos. Separadas do continente (Estado de Kerala) pelo Mar das Laquedivas, a nordeste, a sua outra fronteira é com as Maldivas, a sul, através do Canal dos Oito Graus. Tal como as Maldivas, também as Laquedivas são um conjunto de atóis e recifes de coral. Capital: Kavaratti. Os portugueses conquistaram-na em 1498, mas, em 1545, os habitantes da ilha revoltaram-se contra os portugueses e conseguiram expulsá-los.
 
(04: - Seychelles, embora mareantes austronésios ou mercadores árabes possam ter sido os primeiros a visitar as desabitadas Seychelles, o primeiro registo europeu conhecido do avistamento das ilhas ocorreu em 1502, pelo Almirante português Vasco da Gama, que atravessou as Ilhas Almirante, nomeando-as em honra de si próprio (ilhas do Almirante). A primeira visita a terra registada e a primeira descrição escrita do arquipélago deve-se à tripulação do East Indiaman inglês Ascension em 1609. Fazendo parte da rota comercial entre a África e a Ásia, as ilhas eram ocasionalmente utilizadas por piratas até os Franceses iniciarem o controlo do arquipélago em 1756, quando a Pedra da Possessão foi colocada pelo Capitão Nicholas Morphey. As ilhas foram nomeadas em honra de Jean Moreau de Séchelles, Ministro das Finanças de Luís XV. Os Britânicos disputaram o controlo das ilhas com os Franceses entre 1794 e 1812. Jean Baptiste Quéau de Quincy, o administrador francês das Seychelles durante os anos da guerra com o Reino Unido, preferiu não resistir quando os navios inimigos chegaram. Em vez disso, Quincy negociou com sucesso a capitulação aos Britânicos, que conferiu aos colonos uma posição privilegiada de neutralidade. A Grã-Bretanha eventualmente assumiu o controlo total após a rendição das Ilhas Maurícias em 1812, o que foi formalizado em 1814 no Tratado de Paris. As Seychelles tornaram-se uma colónia realenga separada das Maurícias em 1903 e a independência foi conseguida em 1976, sob a forma de república inserida no Commonwealth. Em 1977, um golpe de estado depôs o primeiro presidente da república, James Mancham, substituindo-o por France Albert René. A constituição de 1979 declarou um estado socialista uni-partidário, e assim permaneceu até 1991. O primeiro rascunho da nova constituição não obteve os 60% de votos requeridos em 1992, mas uma versão emendada foi aprovada em 1993. Nas eleições presidenciais de Julho de 1993, Albert René foi eleito com 59% dos votos totais.
 
(05): - As ilhas Comores foram descobertas em 1505 pelos portugueses e posteriormente colonizadas e administradas pela França, mas a partir do século XIX foram negligenciadas pelo colonizador. Em 1975, tornaram-se independentes e passaram a formar a República Federal Islâmica das Comores. Em 1997, as ilhas de Nzwani e Mwali declaram independência, desencadeando conflitos entre tropas do governo e separatistas de Nzwani. Após negociações, em 1999 é assinado um acordo que institui um governo rotativo entre as três ilhas. No mesmo ano, porém, é registado o 19º golpe de Estado no país em 25 anos. Em 2001, 77% dos eleitores aprovam a nova Constituição que muda o nome do país para União de Comores e garante mais autonomia para as ilhas.
 
Oceano Índico - Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O oceano Índico (antigo mar das Índias) está situado entre a África, a Ásia, a Austrália e a Antárctida e tem uma área de 74.000.000 km². A sua profundidade média é de 3.897 m e a máxima, de 7.455 m (fossa de Java). A dinâmica das águas do oceano Índico é mais complexa que nos outros oceanos. O sistema austral (ao S de 10º de latitude S) é caracterizado pela distribuição regularmente zonal dos ventos, das temperaturas (do ar e da água), da salinidade e das correntes superficiais. O sistema de monções ocupa a porção norte do Índico. Seu motor é a inversão sazonal dos ventos de monção. No inverno, os alísios sopram do NE em direcção à convergência intertropical, criando uma circulação superficial comparável à dos outros oceanos. No verão, os ventos quentes e húmidos e instáveis (ciclones), atraídos pelas baixas pressões asiáticas, provocam um reaquecimento e uma dessalinização parcial das águas, bem como uma aceleração das correntes que se dirigem predominantemente para leste (corrente da monção de sudoeste).
Para a ONU, o oceano Índico engloba o canal de Moçambique, o mar Vermelho, o golfo Pérsico, o mar da Arábia, o golfo de Bengala, o mar das Ilhas Andamão e a baía Australiana; ao sul, seu limite é o paralelo 60, entre os meridianos do cabo das Agulhas (África do Sul) e da Tasmânia (Austrália). Trinta e seis países litorâneos fornecem acesso marítimo a outros onze países sem saída para o mar.
Os recursos desse oceano são o petróleo e minérios como a platina, o manganês, o vanádio e o crómio, só encontrados na África Austral e na antiga URSS. Em razão dessa enorme riqueza, o oceano Índico tornou-se alvo de grande interesse para os países ocidentais industrializados e o Japão, preocupados especialmente com a extracção e o transporte da matéria-prima. A riqueza do oceano Índico era desconhecida na época da guerra fria, tanto é que o alvo a ser protegido, pelo lado norte-americano, era apenas o acesso ao golfo Pérsico. Nem os Estados Unidos nem a antiga URSS julgaram necessário criar uma frota no oceano Índico, satisfazendo-se em enviar destacamentos navais de importância questionável, apenas para assegurar bases e ancoragens. Mais tarde os EUA acabaram por criar uma forte intervenção no Oriente Médio: o Central Command (Comando Central).
O que os EUA e a antiga URSS não deixaram fazer foi tomar partido em todos os conflitos locais em torno desse oceano: África Austral, Oriente Próximo, golfo Pérsico, Afeganistão, Ásia Meridional, Indochina. Atribuindo esses conflitos às presenças navais estrangeiras, os países litorâneos por sua vez adoptaram em uma Assembleia Geral das Nações Unidas a resolução "oceano Índico, zona de paz", de 16 de Dezembro de 1971, que "sugeria às grandes potências a eliminação de bases, navios de guerra e aviões militares no oceano".
A Índia, que se instituiu como porta-voz dos países litorâneos, teria consequentemente o controle efectivo do norte oceano Índico - das rotas marítimas, portanto - graças à sua Marinha que, com 110.000 toneladas, é a sexta do mundo e a mais poderosa da região. As primeiras civilizações do mundo, na Mesopotâmia (começando com a Suméria, o Antigo Egipto e o subcontinente indiano (a partir da civilização do vale do Indo), que apareceram ao longo dos vales dos rios Tigre-Eufrates, Nilo e Indo respectivamente, se desenvolveram todas em torno do oceano Índico. Outras civilizações logo surgiram, na Pérsia (Elam), e posteriormente no sudeste da Ásia (Funan). Durante a primeira dinastia egípcia (cerca de 3000 a.C.), navegadores exploraram as suas águas, empreendendo jornadas até Punt, que se presume fosse localizado na actual Somália. Os navios retornavam com mercadorias valiosas, como ouro e mirra. A primeira ligação comercial marítima entra a Mesopotâmia e o vale do Indo, em aproximadamente 2500 a.C., ocorreu pelo oceano Índico. Os fenícios do final do terceiro milénio a.C. provavelmente estiveram nas terras banhadas pelo oceano, embora não tenham se assentado nelas.
O oceano Índico é muito mais calmo, e, portanto, mais adequado para o comércio do que os oceanos Atlântico e Pacífico. As fortíssimas monções faziam com que os navios pudessem velejar facilmente para o oeste na estação favorável, e, após alguns meses, fazer o caminho de volta; o que permitiu, por exemplo, que os povos indonésios cruzassem o oceano Índico para se estabelecer em Madagáscar.
No segundo ou primeiro século a.C., Eudóxio de Cízico foi o primeiro grego a cruzar o oceano Índico. O navegador Hipalo também teria descoberto a rota directa da Arábia para a Índia nesta época. Durante o primeiro e segundo séculos d.C. intensas relações comerciais se desenvolveram entre o Egipto romano e os reinos Tâmeis de Chera, Chola e Pandya, no sul da Índia. Como os povos indonésios citados acima, os navegadores ocidentais utilizavam-se das monções para atravessar o oceano. O autor desconhecido do Périplo do Mar Eritreu descreveu esta rota, os portos e as mercadorias encontradas ao longo das costas da África e da Índia em cerca de 70 d.C..
De 1405 a 1433, o almirante chinês Zheng He liderou grandes frotas da dinastia Ming em inúmeras viagens ao "oceano Ocidental" (nome chinês para o oceano Índico), chegando até os países costeiros do leste da África (06).
Em 1497, Vasco da Gama dobrou o cabo da Boa Esperança, tornando-se o primeiro europeu a navegar até a Índia nos tempos modernos. Os navios europeus, armados com canhões pesados, rapidamente dominaram o comércio da região. Em um primeiro momento Portugal atingiu a preeminência na região, ao construir fortes nos estreitos e portos mais importantes; porém a nação não conseguiu bancar um projecto tão vasto, e perdeu seu lugar na metade do século XVII para outras potências europeias. A Companhia Holandesa das Índias Orientais (1602-1798) procurou controlar o comércio com o Oriente através do oceano Índico, e a França e a Inglaterra estabeleceram companhias comerciais na região. Eventualmente a Grã-Bretanha tornou-se a principal potência e em 1815 já havia dominado completamente a área.
A abertura do canal de Suez em 1869 reavivou os interesses europeus no Oriente, porém nenhuma nação conseguiu estabelecer com sucesso algum domínio no comércio da região. Depois da Segunda Guerra Mundial os ingleses se retiraram, e foram substituídos parcialmente pela Índia, União Soviética e Estados Unidos. Estes dois últimos tentaram estabelecer uma hegemonia, através da obtenção de bases navais, como Diego Garcia, base americana em um atol localizada bem no meio do oceano.
 
(06): - Navegadores Chineses no Índico: Pesquisadores descobriram que uma grande esquadra chinesa fez uma viagem de exploração e comércio há seis séculos passados. A armada teria cruzado o Mar da China dirigindo-se para o oeste tendo chegado muito provavelmente ao Ceilão, Arábia e leste da África. A frota era comandada pelo almirante Zheng he que por mais de 28 anos esteve a serviço do império chinês. A frota que empreendeu a primeira viagem zarpou em 5 de Março de 1421 do porto de Tanggu. Muçulmano, de família pobre, Zheng He foi capturado pelo Exército chinês e castrado quando criança. Depois disso, ele se dedicou ao estudo de línguas e de filosofia, até começar a trabalhar na corte da dinastia Ming. Zheng começou suas expedições aos 32 anos de idade e só parou de navegar quando morreu, aos 60 anos.
Zheng realizou suas viagens em um período de 28 anos, entre 1405 e 1433. A sua primeira expedição traçou  a rota entre a Ásia e a costa leste da África, através do oceano Índico. O tamanho das esquadras lideradas pelo navegador chinês também chamado de Cheng Ho não tem paralelo na história.
Oitenta e sete anos depois, Colombo descobriu a América do Norte com três navios e menos de 300 homens. As embarcações chinesas tinham 120 metros e eram cinco vezes maiores que as de Colombo, de 27 metros.
O aprofundamento das pesquisas  constatam que não foi um feito isolado como pensou a princípio. Na verdade, era uma prática bem comum! A frota, segundo se sabe, seria composta por nove enormes embarcações de transporte, 24 outras embarcações de combate e apoio que traziam em seu bojo de água potável a cavalos para sua cavalaria dentre muitas outras coisas. Ao todo a armada empregou 27.000 pessoas entre tripulantes e soldados.
Carregados com a seda, porcelana, e objectos de laca, visitaram muitos portos do Oceano trocando com os árabes e africanos por marfim, ervas medicinais, madeiras raras, tendo maior interesse pelas pérolas que eram muito desejadas pela corte imperial chinesa Entre 1405 e 1433, por sete vezes as frotas chinesas se aventuraram  rumo ao mar desconhecido. Essas sete grandes expedições criaram uma rica rota comercial  sob a égide do governo imperial chinês ligando Formosa às cidades do Golfo Pérsico, meio século antes dos portugueses  contornarem o Cabo da Boa Esperança na África descobrindo o Oceano Índico. Apesar da força e da prosperidade que marcaram seu império, os imperadores da dinastia Ming deliberadamente não tentaram colonizar terras além do reino médio.
 Em 1938, foi encontrado um junco (barco) chinês do século XIV: Dominando uma avançada tecnologia tanto na arte de navegar como em vários outros sectores da actividade humana os chineses poderiam ter expandido suas influências além da Índia e da África. Mas, diferentemente dos portugueses, espanhóis, holandeses e ingleses, não houve por parte dos sucessivos imperadores chineses o desejo de colonizarem o mundo. Pelo contrário, um século depois, o comércio ultramarino foi proibido terminantemente. Porquê esta atitude ?: Para muitos pesquisadores esse atitude de pura xenofobia e isolacionismo acarretou o declínio do império chinês.
Os primeiro navios chineses para o comércio foram construídos durante a dinastia Song (960-1270). Mas os imperadores mongóis posteriores a dinastia Yuan é que incrementaram as primeiras frotas comerciais negociando nos entrepostos de Sumatra, Ceilão e sul da Índia.
Quando Marco Pólo fez sua famosa viagem à corte Mongol, relatou que as enormes embarcações eram dotadas de mais de 60 cabines individuais para comerciantes, anteparas à prova d'água, e grupos de até 300. Com o surgimento da dinastia Ming no século XIV, foi feito um exame da frota e de sua rede de comércio já existente. O espírito empreendedor da era Ming alcançou o clímax após a rebelião do príncipe Zhu que usurparia o trono em 1402. Em 1403 relata-se que 317 navios zarparam do porto de Nanquim rumo ao Ceilão e entrepostos dessa área do Oceano Índico.
Durante as primeiras três décadas do século XV, frotas de importância navegariam pelo oceano Índico sinalizando para as nações “bárbaras” do resto do mundo todo o poderio do império chinês.
Segundo relatos de comerciantes da época os mesmo falam: “Os navios a vela do mar do sul são como casas. Quando suas velas estão abertas, parecem nuvens espalhadas no céu.” Eram factíveis as dimensões relatadas de grandes navios com 120 metros de comprimento com 36 metros de largura...
Somente os navios de guerra de madeira do ocidente chegariam próximo disso na época Vitoriana. Esses navios para poderem ter uma estrutura firme, tiveram de recorrer ao ferro para solucionarem problemas decorrentes de seu tamanho. Entretanto, em 1962, os restos de um navio chinês dessa época foi encontrado em Nanquim por arqueólogos. Possivelmente tratava-se de uma embarcação do período Ming. O madeiramento não tinha menos de 90 metros de comprimento. Baseando-se nos relatos técnicos da época, chegou-se a conclusão que a embarcação teria tido o comprimento em torno de 150 metros.
A maior embarcação da frota de Colombo que descobriu a América em 1492 era a nau Santa Maria. O seu comprimento estaria em torno de 27 metros de comprimento. Comparando a embarcação do almirante Zheng He pode-se ter uma ideia da enorme diferença de tamanho entre as embarcações.
Outros achados arqueológicos dessa época foram achados fora do perímetro da costa chinesa. No ano de 1973, em Quanzhou, foram encontrados restos de uma embarcação do período Song. Esse navio provavelmente afundou no ano 1270. Seu casco era moldado em uma quilha de pinho de 30 metros. Pelo que se pôde apurar, dentro de seus 13 compartimentos foram encontradas madeiras como cedro, madeiras aromáticas, escudos originários do leste africano. O navio de Quanzhou sugere que já naquela época, os chineses estiveram envolvidos em gloriosas façanhas negociando através do Oceano Índico. Indica também que seus navios eram muito resistentes e que já conheciam o conceito de secções estanques, coisa que o ocidente apenas viria a descobrir séculos depois.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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