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"Oceanos e Grandes Rios"

QUARTO BLOCO

Oceano Antártico

 

 

 


Trabalho de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Oceano Antárctico (também conhecido por oceano Austral), é nome dado à parte dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico compreendida entre o círculo polar antárctico e o continente polar. É relativo ao pólo Sul e às regiões circundantes. Embora seja impossível determinar quais são os limites geográficos do Oceano Antárctico, por estar directamente ligado ao Atlântico, ao Índico e ao Pacífico, o que caracteriza este oceano é o seu isolamento. Uma corrente muito especial, a convergência Antárctica, faz com que as suas águas percorram uma circunferência quase perfeita á volta da Antárctida, o que constitui uma barreira para muitos organismos marinhos, únicos e exclusivos destas águas e responsáveis pela grande riqueza deste mar. As condições de vida na Antárctica limitam a variedade da mesma encontrada em terra e, apesar, de seu isolamento, a actividade humana trouxe problemas como o lixo das estações de pesquisa, o buraco na camada de ozónio sobre o continente, o turismo e o aquecimento global. O buraco pode inclusive ameaçar as teias alimentares, pois a luz ultravioleta afecta o crescimento do fito plâncton, do qual se alimenta o krill. No entanto, o problema tem se reduzido ao passar dos anos, devido a proibição de produtos com CFC.  Existem indícios de recursos minerais como cobre, ouro, chumbo, prata, platina, cromo, carvão, minério de ferro, petróleo e gás natural. No entanto, em 1988, os membros do Tratado da Antárctida decidiram que os projectos de exploração económica seriam proibidos, temendo que a poluição colocasse em risco o continente e seu processo natural de arquivo de climas. Há mais de 100 milhões de anos, a Antárctica fazia parte da Gondwana. Ao longo do tempo, a Gondwana dividiu-se e a Antárctica como é conhecida hoje formou-se por volta de 25 milhões de anos atrás. No período Cambriano, entre 540 e 250 milhões de anos atrás, o clima na Gondwana era ameno. A Antárctica Ocidental estava parcialmente no hemisfério norte, e durante este período grandes quantidades de arenito, calcário e xisto foram depositados. A Antártica Oriental estava no equador, onde invertebrados e trilobitas floresciam no fundo dos mares tropicais. Por volta do início do período Devoniano (416 milhões de anos) a Gondwana estava em latitudes mais ao sul e o clima era mais frio, embora sejam conhecidos fósseis de plantas deste período. Areia e siltes assentaram-se no que são agora os Montes Ellsworth, os Montes Horlick e os Pensacola. A glaciação começou no fim do período Devoniano (360 milhões de anos) movendo-se em direcção ao pólo sul e o clima esfriou, embora ainda houvesse flora. Durante o período Permiano, pteridófitas que cresciam em pântanos dominavam a paisagem. Com o tempo estes pântanos transformaram-se em depósitos de carvão nos Montes Transantárticos. Um aquecimento contínuo ao fim do Permiano tornou o clima quente e seco na maior parte da Gondwana.  Como resultado do aquecimento contínuo, entre 250 e 65 milhões de anos atrás, a cobertura de gelo polar derreteu e grande parte da Gondwana transformou-se em um deserto. Na Antárctica Oriental pteridospermatophytas, espécie de pteridófita actualmente extinta, tornaram-se comuns, e grandes quantidades de arenito e de xisto assentaram-se. A Península Antárctica começou a se formar durante o período Jurássico (entre 206 e 146 milhões de anos atrás), e as ilhas subantárticas emergiram gradualmente do oceano. Nogueiras-do-japão e cicadáceas eram abundantes durante este período, bem como répteis. No período Cretáceo (entre 146 e 65 milhões de anos atrás), a Antárctica Ocidental foi dominada por florestas de coníferas, embora notofagáceas tenham começado a dominar no fim deste período. Amonites eram comuns nos mares em torno da Antárctica, e também havia dinossauros, embora somente duas espécies antárcticas tenham sido encontradas até agora (Criolofossauro e Antarctopelta). Foi durante esse período que a Gondwana começou a separar-se.  A África separou-se da Antárctica por volta de 160 milhões de anos atrás, seguida pela Índia no início do Cretáceo (aproximadamente 125 milhões de anos). Há 65 milhões de anos, a Antárctica (ainda conectada a Austrália) tinha um clima entre tropical e subtropical, somado a uma fauna de marsupiais. Há 40 milhões de anos atrás, a Austrália unida a Nova Guiné separou-se da Antárctica e o gelo começou a aparecer. Por volta de 23 milhões de anos atrás, o surgimento da passagem de Drake entre a Antárctica e a América do Sul resultou no aparecimento da Corrente Circumpolar Antárctica. O gelo propagou-se, substituindo as florestas que cobriam o continente. O continente está coberto de gelo desde 15 milhões de anos atrás. Os estudos geológicos da Antárctica foram dificultados pelo fato de quase todo o continente ser coberto permanentemente por uma grossa camada de gelo. Entretanto, novas técnicas como o sensoreamento remoto começaram a revelar as estruturas por debaixo do gelo. Geologicamente, a Antárctica Ocidental assemelha-se aos Andes A península Antárctica foi formada pela elevação e metamorfismo de sedimentos do leito do mar durante o final das eras Mesozóica e Paleozóica. Esta elevação de sedimentos foi acompanhada de intrusões ígneas e vulcanismo. As rochas mais comuns na Antárctica Ocidental são o andesito e o riolito formadas durante o período Jurássico. Há evidências de vulcanismo, mesmo depois da formação do manto de gelo, na Terra de Marie Byrd e na Ilha de Alexandre. A única área atípica da Antárctica Ocidental é a dos Montes Ellsworth, a região onde a estratigrafia é mais parecida com a da parte oriental do continente. A Antárctica Oriental é geologicamente muito antiga, datando do pré-cambriano, com algumas rochas formadas há mais de três mil milhões de anos atrás. É formada por uma plataforma metamórfica e ígnea que é a base do escudo continental. Acima desta base estão várias rochas mais modernas, como arenito, calcário, carvão e xisto depositadas durante os períodos Devoniano e Jurássico para dar forma aos Montes Transantárcticos. Em áreas costeiras como a Cordilheira Shackleton e a Terra de Vitória foram encontradas algumas falhas geológicas. O principal recurso mineral conhecido no continente é o carvão. Inicialmente, foi encontrado por Frank Wild perto da Geleira de Beardmore na expedição do Nimrod, e conhece-se a existência de carvão de baixa qualidade em muitas partes dos Montes Transantárticos. As Montanhas Príncipe Charles contêm depósitos significativos de minério de ferro. Os recursos mais valiosos da Antárctica, localizados ao largo do continente, são campos petrolíferos e de gás natural, encontrados no Mar de Ross em 1973. A exploração de todos os recursos minerais está proibida pelo Protocolo de Protecção Ambiental do Tratado da Antárctica. Até 2048, tal proibição só poderá ser revogada ou alterada sob aprovação unânime dos países consultores do Tratado da Antárctica e após estabelecimento de um regime legal para a actividade exploratória. Durante o curto Verão antárctico, quando a luz solar consegue penetrar em profundidade, o fito plâncton multiplica-se graças aos nutrientes trazidos a superfície pelas correntes. É então que o krill sobe das águas mais profundas para “pastar” nestas ricas pradarias. Trata-se de pequenos camarões com poucos centímetros de comprimento, que nalgumas condições podem proliferar até transformarem as águas superficiais num “caldo” animal muito denso, com consistências quase pastosa. Os cardumes de krill podem atingir dimensões enormes. Um navio oceano gráfico russo embateu uma vez num cardume de krill cuja massa foi estimada em cerca de 100 milhões de toneladas: mais do que aquilo que a humanidade pesca num ano em todos os oceanos do mundo. Depressa chegam também as baleias para aproveitar este rico banquete. Os cardumes de krill constituem também o alimento das lulas, que são por sua vez presa dos cachalotes. Habitantes típicos destes mares são diversas espécies de pinguins, que ocupam o seu lugar na cadeia ao alimentarem-se de lulas e constituindo por sua vez o alimento de pinípedes e cetáceos. Muitas espécies antárcticas conseguem resistir ao frio graças a especiais adaptações. Enquanto alguns peixes têm proteínas “anti gelo” nos tecidos, os organismos que vivem na zona de maré conseguem resistir à temperatura que atingem -20ºC. A capacidade do oceano Antárctico de remover dióxido de carbono da atmosfera está a ser reduzida pelas alterações climáticas, dizem os investigadores ambientais.  Se a tendência continua, a capacidade deste 'sumidouro de carbono' para lidar com as emissões dos gases de efeito de estufa de origem humana pode ser seriamente comprometida. Cerca de metade do dióxido de carbono que passa para a atmosfera é absorvida pelos oceanos mundiais logo, com o aumento das emissões de gases de efeito de estufa, a quantidade absorvida pelos oceanos devia aumentar proporcionalmente mas esta nova investigação sugere que o oceano Antárctico não está a acompanhar a subida nas emissões. As águas antárcticas são um importante sumidouro para o dióxido de carbono, graças às correntes oceânicas e às temperaturas baixas, pensa-se que sejam responsáveis por cerca de 15% da capacidade de armazenamento oceânico de carbono. Investigadores liderados por Corinne Le Quéré, do Max Planck Institute of Biochemistry de Martinsried, Alemanha, recolheram dados de 11 estações costeiras de seguimento na Antárctica e em várias ilhas do oceano Antárctico para medir a quantidade de dióxido de carbono que está a ser armazenado e libertado pelo oceano. De seguida compararam estas medições com os níveis de dióxido de carbono atmosférico para verificar a alteração de performance do sumidouro de carbono. Desde 1981, a percentagem de carbono atmosférico que o oceano Antárctico pode conter tem vindo a decrescer. A tendência sugere que, para cada década, a capacidade anual do oceano armazenar carbono desceu em 0,08 gigatoneladas, comparado com a expectativa. Em média, o oceano armazena entre 0,1 e 0,6 gigatoneladas por ano. Esta é uma pequena quantidade comparada com as cerca de 8 gigatoneladas de dióxido de carbono lançadas para o ar todos os anos pelas actividades humanas mas todo o declínio é importante, os oceanos são um importante sumidouro a longo prazo. Se os humanos poderem controlar as emissões de dióxido de carbono a longo prazo, os oceanos mundiais devem sequestrar entre 70% e 80% do total das emissões antropogénicas da era industrial. A principal causa da alteração parece ser um aumento relativamente rápido da força média do vento sobre o oceano Antárctico, relata Le Quéré. Estes ventos mais fortes, que se pensa serem conduzidos pela depleção da camada de ozono sobre as regiões Antárcticas, reviram o oceano e trazem mais dióxido de carbono dissolvido das profundezas. Isso foi inesperado, diz Le Quéré, mas quando os investigadores colocaram os seus dados num modelo de computador e removeram estes ventos fortes, descobriram que realmente a maioria da redução da eficiência do sumidouro desaparecia. Um aumento da temperatura média global está já previsto que vá piorar o efeito pois águas mais quentes contêm menos gases. "A possibilidade de que num mundo mais quente o sumidouro oceânico mais forte esteja enfraquecido é preocupante", comenta Chris Rapley, director do British Antarctic Survey de Cambridge. O oceano Antárctico é o único corpo de água em que esta tendência foi detectada com certeza e quantificada, diz Le Quéré, apesar de estudo a curto prazo sugerirem que algo semelhante está a acontecer no Atlântico norte. Se o fenómeno está a acontecer em todo o mundo, vai com certeza afectar os esforços para estabilizar os gases de efeito de estufa atmosféricos. A redução das capacidades de sumidouro vão fazer com que sejam mais complicados os esforços internacionais para estabelecer objectivos alcançáveis na estabilização dos níveis de gases de efeito de estufa mas Le Quéré diz que esses esforços precisam de ser redobrados e não se ficar pela aceitação de que os níveis serão superiores no futuro. Testes genéticos vão dar a confirmação que falta, mas tudo indica que existam 235 espécies marinhas tanto na região do Árctico como na Antárctida. As novidades que vão sendo libertadas alimentam as expectativas. Não são só espécies grandes como baleias-cinzentas ou aves que existem no Pólo Sul e no Pólo Norte, mas há crustáceos e vermes marinhos que ocorrem simultaneamente nas duas regiões, a 11.000 quilómetros de distância. Apesar da análise de ADN chegar para dar certezas robustas sobre se estamos a falar dos mesmos seres, há muita pesquisa pela frente que vai tentar responder sobre qual é a origem destes animais e como é que acabaram por existir nas duas pontas do mundo.
"Há cem anos, os exploradores da Antárctida como Scott e Shackleton viram quase sempre gelo. Em 2009, vemos vida em todo o lado", disse em comunicado Victoria Wadley, da Divisão Australiana da Antárctida, e uma das líderes do Censo da Antárctida para a Vida Marinha, que coordenou as 18 maiores viagens durante o Ano Internacional Polar que ocorreu em 2007 e 2008. A informação recolhida nos pólos vai integrar os resultados do CVM e ajudar a completar a investigação, que começou em 2000, sobre a diversidade, distribuição e abundância da vida nos oceanos.
A investigação feita na Antárctida durante as últimas décadas sugeriu que o oceano que rodeava o continente gelado continha várias regiões biológicas distintas. No entanto, o que os novos dados revelam, com a ajuda de informação recolhida em quase um milhão de locais diferentes, é que existe uma só região biológica. Esta região foi influenciada pelos avanços e recuos do gelo nos últimos 30 milhões de anos devido às sucessivas eras glaciares. Através de técnicas moleculares os cientistas perceberam que a Antárctida é uma incubadora de espécies marinhas que vivem actualmente mais a norte. O mar que rodeia o continente refresca regularmente os oceanos do mundo com nova espécies de aranhas-marinhas, crustáceos e polvos. "Os cientistas acreditam que as novas espécies desenvolvem-se durante a expansão da camada de gelo da Antárctida, quando o gelo retrai “durante as eras interglaciares” os novos animais irradiam para norte". Ao mesmo tempo, as expedições ao Pólo Norte estudaram territórios inexplorados. "Conseguimos preencher enormes lacunas de informação no mapa do Árctico, ainda assim existem áreas que não foram observadas", explicou Russ Hopcroft, um dos líderes do projecto Diversidade do oceano Árctico. O projecto já fez quase um milhão de observações de mais de 5500 espécies distintas. Uma das descobertas mais alarmantes do projecto é que há espécies marinhas mais pequenas que estão a substituir espécies maiores. Apesar de não se saber a causa do fenómeno, os cientistas acreditam que vai ter efeitos profundos na cadeia alimentar do Árctico. Nestas expedições, os efeitos do aquecimento global também foram documentados. No fiorde de Hornsund, na Noruega, registou-se um aumento de espécies de anfípodes, um grupo de crustáceos, que costumavam viver a sul, em águas mais quentes. No mar de Chukchi, na Rússia, verificou-se a expansão de três espécies para norte. Segundos os investigadores, estes registos, apesar de ainda estarem incompletos, dão-nos informações presente das águas mais geladas do globo e, permitir-nos-ão fazer comparações com registos futuros.
 
Pelo navio “Polarstern” no Mar de Weddell - Fonte: Público PT
Três expedições realizadas entre 2002 e 2005 pelo navio oceanográfico alemão “Polarstern” permitiram descobrir 700 espécies novas para a ciência nos fundos do oceano antárctico, no Mar de Weddell. A biodiversidade encontrada apanhou de surpresa os investigadores dos 14 institutos que compuseram a equipa internacional.
“As profundidades do oceano antárctico são, potencialmente, o berço da vida das espécies marinhas do planeta. As nossas conclusões vão de encontro às sugestões segundo as quais a biodiversidade nas águas profundas é fraca no oceano Austral”, diz Angelika Brandt, do Museu Zoológico de Hamburgo, num artigo publicado na revista “Nature” de 17 de Maio.
O “Polarstern” explorou todos os tipos de habitats do Mar de Weddell entre os 748 e os 6348 metros de profundidade. As três expedições fizeram parte do projecto ANDEEP (Antarctic benthic deep-sea biodiversity), responsável pelo primeiro estudo completo sobre os animais marinhos das profundidades do oceano antárctico, no qual participam 17 institutos espalhados por todo o mundo.
Estas expedições permitiram aos cientistas recolher 674 espécie de isópodes (variedade de crustáceos), 585 das quais até agora desconhecidas para a ciência, e mais de 200 espécies de poliquetos, 81 dos quais novos para a ciência.
Os biólogos recensearam 160 espécies de gastrópodes de concha e de bivalves e 76 espécies de esponjas, 17 das quais ainda desconhecidas. No total forma descobertas 700 espécies novas. “O que antigamente víamos como abismos sem interesse revelam-se agora um ambiente biologicamente rico, dinâmico e diversificado. A descoberta deste extraordinário tesouro da vida marinha é um primeiro passo na nossa compreensão das complexas relações entre o oceano profundo e a distribuição da vida marinha”, comentou a bióloga marinha Katrin Linse, do British Antarctic Survey, em comunicado.
"Agora temos mais informação sobre a evolução das espécies marinhas e como se adaptam às alterações no clima e no ambiente", disse Angelika Brandt.
 
Antárctica ou Antárctida - Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A Antárctica ou Antárctida  é o mais meridional dos continentes e um dos menores, com uma superfície de catorze milhões de quilómetros quadrados. Rodeia o Pólo Sul, e por esse motivo está quase completamente coberto por enormes geleiras (glaciares), excepção feita a algumas zonas de elevado declive nas cadeias montanhosas e à extremidade norte da Península Antárctica. Sua formação se deu pela separação do antigo supercontinente Gondwana há aproximadamente 100 milhões de anos e seu resfriamento aconteceu nos últimos 35 milhões de anos. Possui baixa precipitação no interior, mas não pode ser considerado o maior deserto do planeta devido às baixas taxas de evapotranspiração (a quantidade de água que poderia evaporar numa dada região). Como tal, apenas espécies muito adaptadas como pinguins e musgos conseguem sobreviver.
Juridicamente, a Antárctica está sujeita ao Tratado da Antárctida, pelo qual as várias nações que reivindicavam territórios no continente (Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido) concordam em suspender as suas reivindicações, abrindo o continente à exploração científica. Por esse motivo, e pela dureza das condições climáticas, não tem população permanente, embora tenha uma população provisória de cientistas e pessoal de apoio nas bases polares, que oscila entre mil (no inverno) e quatro mil pessoas (no verão). Como não há povos nativos da Antárctica, a sua história é a da sua exploração. É muito provável que os povos de regiões próximas ao continente tenham sido os primeiros a explorá-lo: os povos Aush da Terra do Fogo, por exemplo, falam sobre o "país do gelo" e um chefe maori de nome Ui-Te-Rangiora teria atingido a região em 650 d.C. No entanto, esses povos não deixaram vestígios de sua presença. As primeiras expedições documentadas começam no século XVI. Américo Vespúcio relatou o registo visual de terras a 52°S. Várias expedições aproximaram-se gradativamente do continente sem, no entanto, ter-se a certeza de que se tratava realmente de um continente ou de um conjunto de ilhas, até às expedições de James Cook, o primeiro a circum-navegá-lo entre 1772 e 1775 sem o avistar, devido à névoa e aos icebergs. A ocupação humana propriamente dita começa na primeira metade do século XIX, quando navios baleeiros chegavam à região das Ilhas Sandwich do Sul. Nesse período, James Weddell e James Clark Ross descobriram os mares que hoje levam seus nomes. Este último fez uma viagem de exploração na qual descobriu ainda a Ilha de Ross, os montes Erebus e Terror e a Terra de Vitória, retornando em 1843.  Realizados em 1895 e 1889, os dois Congressos Internacionais de Geografia obtêm relativo sucesso em seu chamado pela exploração do continente meridional, pois diversas expedições nacionais foram realizadas. No início do século XX, os exploradores se voltam para a conquista do Pólo Sul. Ernest Henry Shackleton organizou uma expedição em 20 de Outubro de 1908, sendo obrigado a retornar sem atingir o Pólo. Seguem-se a ele Roald Amundsen e Robert Falcon Scott em uma verdadeira corrida, pois partem com apenas duas semanas de diferença em Outubro de 1911 a partir da Plataforma de Ross. Amundsen atinge o pólo em 14 de Dezembro de 1911, retornando em Janeiro. O grupo de Scott chega ao ponto em 17 de Janeiro e encontra a bandeira norueguesa. No caminho de volta, os cinco expedicionários morrem de fome e exaustão. Após a conquista do pólo, restava ainda a façanha de atravessar o continente de costa a costa. Shackleton assumiu a tarefa na Expedição Imperial Transantártica, em 1914, que não obteve sucesso por uma série de dificuldades, a primeira delas foi os navios terem ficado presos no gelo e afundado. Richard Evelyn Byrd, explorador dos Estados Unidos, foi o primeiro a sobrevoar o Pólo Sul em 28 e 29 de Novembro de 1929 após o que conduziu diversas viagens de avião à Antárctica nos anos 30 e nos anos 40. Ele também realizou extensas pesquisas geológicas e biológicas. Actualmente, após o Tratado da Antárctica, muitos países mantêm bases de pesquisa permanente e a ocupação humana é constante. A maior parte do continente austral está localizada ao sul do Círculo Polar Antárctico e circundada pelo Oceano Antárctico. É a massa de terra mais meridional e compreende mais de 14 milhões de quilómetros quadrados, tornando-se o quinto maior continente. Sua costa mede 17 968 quilómetros e é caracterizada por formações de gelo, como mostra a tabela: Fisicamente, ela é dividida em duas partes pelos Montes Transantárticos perto do estreitamento entre o Mar de Ross e o Mar de Weddell: a Antártica Oriental, ou Maior, e a Antárctica Ocidental, ou Menor, porque correspondem aproximadamente aos hemisférios ocidental e oriental em relação ao meridiano de Greenwich. Aproximadamente 98% da Antárctica está coberta por um manto de gelo. O manto de gelo tem em média dois quilómetros de espessura. Essa cobertura de gelo contém 70% de toda a água doce do planeta e torna o continente antárctico aquele de maior altitude média. O gelo forma barreiras que se estendem para além da costa, formando banquisas, ou plataformas, a maior das quais é a de Ross. De sua ruptura originam-se os icebergs. Graças ao peso desse gelo, a maior parte da massa continental encontra-se abaixo do nível do mar. Em grande parte do interior do continente a precipitação média anual fica entre 30 e 70 mm; em algumas áreas de "gelo azul" a precipitação é mais baixa do que a perda de massa pela sublimação e, assim, o balanço local é negativo. Nos vales secos o mesmo efeito ocorre sobre uma base de rochas, conduzindo a uma paisagem esturricada. A Antárctica Ocidental é coberta pela manto de gelo da Antárctica Ocidental. Este chamou atenção recentemente por causa da possibilidade real de seu colapso. Se derretesse, o nível do mar elevar-se-ia em vários metros em um curto espaço de tempo geológico, talvez em questão de séculos. Diversos fluxos de gelo antárctico, que correspondem a aproximadamente 10% da cobertura de gelo, correm para uma das muitas plataformas. A Antárctica tem mais de 70 lagos que se encontram sob a superfície de gelo continental. O lago Vostok, descoberto abaixo da estação Vostok Russa em 1996, é o maior deles. Acredita-se que o lago esteve selado por 35 milhões de anos. Há também alguns rios no continente, o maior do qual é o rio Onyx, com 30 quilómetros de extensão, que desagua no lago Vanda a 75 metros de profundidade. Na Antárctica Oriental encontram-se os Montes Transantárticos (ou Cadeia Transantártica) que se estende por 4800 quilómetros, desde a Terra de Vitória à Terra de Coasts. Na Ocidental está a Península Antárctica, ao sul da qual se encontram os Montes Ellsworth e o Maciço Vinson, ponto mais elevado do continente com 5140 metros. Localizadas entre suas cordilheiras, há sete geleiras na Antárctica, das quais a maior é a Geleira Byrd. Embora seja lar de muitos vulcões, apenas uma cratera na Ilha Decepção e o Monte Erebus expelem lava actualmente, a primeira desde 1967. O Monte Erebus, de 4023 metros de altitude e localizado na Ilha de Ross, é o vulcão activo mais meridional do mundo. Pequenas erupções são comuns e fluxos de lava foram observados em anos recentes. A Antárctica é o continente mais frio e seco da Terra, um grande deserto. A precipitação média anual fica entre 30 e 70 mm. Além disso, as temperaturas médias em sua região central ficam entre -30 °C e -65 °C.  sendo a menor temperatura do mundo, -89,2 °C, documentada na base russa de Vostok, a aproximadamente 3400 metros de altitude no dia 21 de Julho de 1983. Devido à influência das correntes marítimas, as zonas costeiras apresentam temperaturas mais amenas, entre os -10 °C e -20 °C. Estima-se que apesar dos seis meses de escuridão do inverno, a incidência da energia solar no Pólo Sul seja semelhante à recebida anualmente no equador, mas 75% dessa energia é reflectida pela superfície de gelo. A Antárctica Oriental é mais fria que a Ocidental por ser mais elevada. As massas de ar raramente penetram muito no continente, deixando seu interior frio e seco. O gelo no interior do continente dura muito tempo, apesar da falta de precipitação para renová-lo. A queda de neve não é rara no litoral, onde já se registou a queda de 1,22 metro em 48 horas. Também é um continente com ventos fortes, registando-se ventos com velocidades superiores a 140 km/h nas costas. No interior, entretanto, as velocidades são tipicamente moderadas. A Antárctica é mais fria do que o Árctico por dois motivos: em primeiro lugar, grande parte do continente está a mais de três quilómetros acima do nível do mar. Em segundo lugar, a área do Pólo Norte é coberta pelo Oceano Árctico e o relativo calor do oceano é transferido através do gelo, impedindo que as temperaturas nas regiões árcticas alcancem os extremos típicos da superfície da terra no sul. Alguns eventos climáticos são comuns na região. A aurora austral, conhecida como "luzes do sul", é um brilho observado durante a noite perto do Pólo Sul. Outro acontecimento é o pó de diamante, neblina composta de pequenos cristais de gelo. Forma-se geralmente sob céu limpo, por isso é referido como precipitação de céu limpo. Falsos sóis, brilhos formados pela reflexão da luz solar em cristais de gelo, conhecidos como parélio, são uma manifestação óptica atmosférica comum. É formado por uma enorme calote de gelo com uma espessura de até 4.000 metros e um volume estimado em 30 milhões de quilómetros cúbicos, equivalente a 30% das reservas de água doce do planeta. Abriga o pólo geográfico Sul do planeta, a 90º de latitude S, e o pólo magnético, cuja localização não é fixa. Apenas a península Antártida, com 1.000 km de extensão, não está sempre coberta por gelo. O relevo é marcado pela cordilheira Transantártica, prolongamento geológico dos Andes. Ela divide o continente em Antárctida Oriental, com planícies, colinas baixas e a geleira Lambert, a maior do mundo, e Antárctida Ocidental, com arquipélagos ligados pela cobertura de gelo permanente. As banquisas formadas por água do mar congelado se confunde com o contorno do continente. Embora a Antárctica não tenha residentes permanentes, alguns governos mantêm estações de pesquisa permanentes por todo o continente. A população de cientistas no continente e nas ilhas subantárticas varia de aproximadamente quatro mil no verão a mil no inverno. Muitas das estações de pesquisa mantêm pessoal durante todo o ano. Os primeiros habitantes semipermanentes das áreas subantárticas eram marinheiros da Inglaterra e Estados Unidos que costumavam passar um ano ou mais na Geórgia do Sul, desde 1786. Durante a era da caça à baleia, que durou até 1966, a população da ilha variava de mil no verão (ou dois mil em alguns anos) a duzentas no inverno. A maioria dos baleeiros era norueguesa, com crescente proporção de britânicos. Os povoados incluíam Grytviken, Leith Harbour, Ponto Rei Eduardo, Stromness, Husvik, Prince Olav Harbour, Ocean Harbour e Godthul. Os administradores e outros oficiais encarregues das estações baleeiras muitas vezes viviam junto com suas famílias. Entre eles estava o fundador de Grytviken, o Capitão Carl Anton Larsen, um importante baleeiro norueguês e explorador que adotou a cidadania britânica em 1910 com a família. A primeira criança nascida na região polar do sul foi uma menina norueguesa, Solveig Gunbjörg Jacobsen, na cidade de Grytviken em 8 de Outubro de 1913, e seu nascimento foi registado pelo magistrado britânico residente na Ilha Geórgia do Sul. Era filha de Fridthjof Jacobsen, administrador assistente da estação baleeira, e de Klara Olette Jacobsen. Jacobsen chegou à ilha em 1904 para tornar-se o administrador de Grytviken, servindo de 1914 a 1921; duas de suas crianças nasceram na ilha. Emilio Marcos de Palma foi o primeiro a nascer no continente, na Base Esperanza em 1978. Seus pais haviam sido enviados para lá junto com sete outras famílias pelo governo argentino para determinar se a vida em família era possível no continente. Em 1984, Juan Pablo Camacho nasceu na base de Presidente Eduardo Frei Montalva, sendo o primeiro chileno nascido na Antárctica. Diversas bases são agora lar de famílias com crianças que vão a escolas em estações.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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