Oceano
Antártico
Trabalho de
Carlos Leite Ribeiro
Oceano Antárctico (também
conhecido por oceano Austral), é
nome dado à parte dos oceanos
Atlântico, Pacífico e Índico
compreendida entre o círculo polar
antárctico e o continente polar. É
relativo ao pólo Sul e às regiões
circundantes. Embora seja impossível
determinar quais são os limites
geográficos do Oceano Antárctico,
por estar directamente ligado ao
Atlântico, ao Índico e ao Pacífico,
o que caracteriza este oceano é o
seu isolamento. Uma corrente muito
especial, a convergência Antárctica,
faz com que as suas águas percorram
uma circunferência quase perfeita á
volta da Antárctida, o que constitui
uma barreira para muitos organismos
marinhos, únicos e exclusivos destas
águas e responsáveis pela grande
riqueza deste mar. As condições de
vida na Antárctica limitam a
variedade da mesma encontrada em
terra e, apesar, de seu isolamento,
a actividade humana trouxe problemas
como o lixo das estações de
pesquisa, o buraco na camada de
ozónio sobre o continente, o turismo
e o aquecimento global. O buraco
pode inclusive ameaçar as teias
alimentares, pois a luz ultravioleta
afecta o crescimento do fito
plâncton, do qual se alimenta o
krill. No entanto, o problema tem se
reduzido ao passar dos anos, devido
a proibição de produtos com CFC.
Existem indícios de recursos
minerais como cobre, ouro, chumbo,
prata, platina, cromo, carvão,
minério de ferro, petróleo e gás
natural. No entanto, em 1988, os
membros do Tratado da Antárctida
decidiram que os projectos de
exploração económica seriam
proibidos, temendo que a poluição
colocasse em risco o continente e
seu processo natural de arquivo de
climas. Há mais de 100 milhões de
anos, a Antárctica fazia parte da
Gondwana. Ao longo do tempo, a
Gondwana dividiu-se e a Antárctica
como é conhecida hoje formou-se por
volta de 25 milhões de anos atrás.
No período Cambriano, entre 540 e
250 milhões de anos atrás, o clima
na Gondwana era ameno. A Antárctica
Ocidental estava parcialmente no
hemisfério norte, e durante este
período grandes quantidades de
arenito, calcário e xisto foram
depositados. A Antártica Oriental
estava no equador, onde
invertebrados e trilobitas
floresciam no fundo dos mares
tropicais. Por volta do início do
período Devoniano (416 milhões de
anos) a Gondwana estava em latitudes
mais ao sul e o clima era mais frio,
embora sejam conhecidos fósseis de
plantas deste período. Areia e
siltes assentaram-se no que são
agora os Montes Ellsworth, os Montes
Horlick e os Pensacola. A glaciação
começou no fim do período Devoniano
(360 milhões de anos) movendo-se em
direcção ao pólo sul e o clima
esfriou, embora ainda houvesse
flora. Durante o período Permiano,
pteridófitas que cresciam em
pântanos dominavam a paisagem. Com o
tempo estes pântanos
transformaram-se em depósitos de
carvão nos Montes Transantárticos.
Um aquecimento contínuo ao fim do
Permiano tornou o clima quente e
seco na maior parte da Gondwana.
Como resultado do aquecimento
contínuo, entre 250 e 65 milhões de
anos atrás, a cobertura de gelo
polar derreteu e grande parte da
Gondwana transformou-se em um
deserto. Na Antárctica Oriental
pteridospermatophytas, espécie de
pteridófita actualmente extinta,
tornaram-se comuns, e grandes
quantidades de arenito e de xisto
assentaram-se. A Península
Antárctica começou a se formar
durante o período Jurássico (entre
206 e 146 milhões de anos atrás), e
as ilhas subantárticas emergiram
gradualmente do oceano.
Nogueiras-do-japão e cicadáceas eram
abundantes durante este período, bem
como répteis. No período Cretáceo
(entre 146 e 65 milhões de anos
atrás), a Antárctica Ocidental foi
dominada por florestas de coníferas,
embora notofagáceas tenham começado
a dominar no fim deste período.
Amonites eram comuns nos mares em
torno da Antárctica, e também havia
dinossauros, embora somente duas
espécies antárcticas tenham sido
encontradas até agora (Criolofossauro
e Antarctopelta). Foi durante esse
período que a Gondwana começou a
separar-se. A África separou-se da
Antárctica por volta de 160 milhões
de anos atrás, seguida pela Índia no
início do Cretáceo (aproximadamente
125 milhões de anos). Há 65 milhões
de anos, a Antárctica (ainda
conectada a Austrália) tinha um
clima entre tropical e subtropical,
somado a uma fauna de marsupiais. Há
40 milhões de anos atrás, a
Austrália unida a Nova Guiné
separou-se da Antárctica e o gelo
começou a aparecer. Por volta de 23
milhões de anos atrás, o surgimento
da passagem de Drake entre a
Antárctica e a América do Sul
resultou no aparecimento da Corrente
Circumpolar Antárctica. O gelo
propagou-se, substituindo as
florestas que cobriam o continente.
O continente está coberto de gelo
desde 15 milhões de anos atrás. Os
estudos geológicos da Antárctica
foram dificultados pelo fato de
quase todo o continente ser coberto
permanentemente por uma grossa
camada de gelo. Entretanto, novas
técnicas como o sensoreamento remoto
começaram a revelar as estruturas
por debaixo do gelo. Geologicamente,
a Antárctica Ocidental assemelha-se
aos Andes A península Antárctica foi
formada pela elevação e metamorfismo
de sedimentos do leito do mar
durante o final das eras Mesozóica e
Paleozóica. Esta elevação de
sedimentos foi acompanhada de
intrusões ígneas e vulcanismo. As
rochas mais comuns na Antárctica
Ocidental são o andesito e o riolito
formadas durante o período
Jurássico. Há evidências de
vulcanismo, mesmo depois da formação
do manto de gelo, na Terra de Marie
Byrd e na Ilha de Alexandre. A única
área atípica da Antárctica Ocidental
é a dos Montes Ellsworth, a região
onde a estratigrafia é mais parecida
com a da parte oriental do
continente. A Antárctica Oriental é
geologicamente muito antiga, datando
do pré-cambriano, com algumas rochas
formadas há mais de três mil milhões
de anos atrás. É formada por uma
plataforma metamórfica e ígnea que é
a base do escudo continental. Acima
desta base estão várias rochas mais
modernas, como arenito, calcário,
carvão e xisto depositadas durante
os períodos Devoniano e Jurássico
para dar forma aos Montes
Transantárcticos. Em áreas costeiras
como a Cordilheira Shackleton e a
Terra de Vitória foram encontradas
algumas falhas geológicas. O
principal recurso mineral conhecido
no continente é o carvão.
Inicialmente, foi encontrado por
Frank Wild perto da Geleira de
Beardmore na expedição do Nimrod, e
conhece-se a existência de carvão de
baixa qualidade em muitas partes dos
Montes Transantárticos. As Montanhas
Príncipe Charles contêm depósitos
significativos de minério de ferro.
Os recursos mais valiosos da
Antárctica, localizados ao largo do
continente, são campos petrolíferos
e de gás natural, encontrados no Mar
de Ross em 1973. A exploração de
todos os recursos minerais está
proibida pelo Protocolo de Protecção
Ambiental do Tratado da Antárctica.
Até 2048, tal proibição só poderá
ser revogada ou alterada sob
aprovação unânime dos países
consultores do Tratado da Antárctica
e após estabelecimento de um regime
legal para a actividade
exploratória. Durante o curto Verão
antárctico, quando a luz solar
consegue penetrar em profundidade, o
fito plâncton multiplica-se graças
aos nutrientes trazidos a superfície
pelas correntes. É então que o krill
sobe das águas mais profundas para
“pastar” nestas ricas pradarias.
Trata-se de pequenos camarões com
poucos centímetros de comprimento,
que nalgumas condições podem
proliferar até transformarem as
águas superficiais num “caldo”
animal muito denso, com
consistências quase pastosa. Os
cardumes de krill podem atingir
dimensões enormes. Um navio oceano
gráfico russo embateu uma vez num
cardume de krill cuja massa foi
estimada em cerca de 100 milhões de
toneladas: mais do que aquilo que a
humanidade pesca num ano em todos os
oceanos do mundo. Depressa chegam
também as baleias para aproveitar
este rico banquete. Os cardumes de
krill constituem também o alimento
das lulas, que são por sua vez presa
dos cachalotes. Habitantes típicos
destes mares são diversas espécies
de pinguins, que ocupam o seu lugar
na cadeia ao alimentarem-se de lulas
e constituindo por sua vez o
alimento de pinípedes e cetáceos.
Muitas espécies antárcticas
conseguem resistir ao frio graças a
especiais adaptações. Enquanto
alguns peixes têm proteínas “anti
gelo” nos tecidos, os organismos que
vivem na zona de maré conseguem
resistir à temperatura que atingem
-20ºC. A capacidade do oceano
Antárctico de remover dióxido de
carbono da atmosfera está a ser
reduzida pelas alterações
climáticas, dizem os investigadores
ambientais. Se a tendência
continua, a capacidade deste
'sumidouro de carbono' para lidar
com as emissões dos gases de efeito
de estufa de origem humana pode ser
seriamente comprometida. Cerca de
metade do dióxido de carbono que
passa para a atmosfera é absorvida
pelos oceanos mundiais logo, com o
aumento das emissões de gases de
efeito de estufa, a quantidade
absorvida pelos oceanos devia
aumentar proporcionalmente mas esta
nova investigação sugere que o
oceano Antárctico não está a
acompanhar a subida nas emissões. As
águas antárcticas são um importante
sumidouro para o dióxido de carbono,
graças às correntes oceânicas e às
temperaturas baixas, pensa-se que
sejam responsáveis por cerca de 15%
da capacidade de armazenamento
oceânico de carbono. Investigadores
liderados por Corinne Le Quéré, do
Max Planck Institute of Biochemistry
de Martinsried, Alemanha, recolheram
dados de 11 estações costeiras de
seguimento na Antárctica e em várias
ilhas do oceano Antárctico para
medir a quantidade de dióxido de
carbono que está a ser armazenado e
libertado pelo oceano. De seguida
compararam estas medições com os
níveis de dióxido de carbono
atmosférico para verificar a
alteração de performance do
sumidouro de carbono. Desde 1981, a
percentagem de carbono atmosférico
que o oceano Antárctico pode conter
tem vindo a decrescer. A tendência
sugere que, para cada década, a
capacidade anual do oceano armazenar
carbono desceu em 0,08 gigatoneladas,
comparado com a expectativa. Em
média, o oceano armazena entre 0,1 e
0,6 gigatoneladas por ano. Esta é
uma pequena quantidade comparada com
as cerca de 8 gigatoneladas de
dióxido de carbono lançadas para o
ar todos os anos pelas actividades
humanas mas todo o declínio é
importante, os oceanos são um
importante sumidouro a longo prazo.
Se os humanos poderem controlar as
emissões de dióxido de carbono a
longo prazo, os oceanos mundiais
devem sequestrar entre 70% e 80% do
total das emissões antropogénicas da
era industrial. A principal causa da
alteração parece ser um aumento
relativamente rápido da força média
do vento sobre o oceano Antárctico,
relata Le Quéré. Estes ventos mais
fortes, que se pensa serem
conduzidos pela depleção da camada
de ozono sobre as regiões
Antárcticas, reviram o oceano e
trazem mais dióxido de carbono
dissolvido das profundezas. Isso foi
inesperado, diz Le Quéré, mas quando
os investigadores colocaram os seus
dados num modelo de computador e
removeram estes ventos fortes,
descobriram que realmente a maioria
da redução da eficiência do
sumidouro desaparecia. Um aumento da
temperatura média global está já
previsto que vá piorar o efeito pois
águas mais quentes contêm menos
gases. "A possibilidade de que num
mundo mais quente o sumidouro
oceânico mais forte esteja
enfraquecido é preocupante", comenta
Chris Rapley, director do British
Antarctic Survey de Cambridge. O
oceano Antárctico é o único corpo de
água em que esta tendência foi
detectada com certeza e
quantificada, diz Le Quéré, apesar
de estudo a curto prazo sugerirem
que algo semelhante está a acontecer
no Atlântico norte. Se o fenómeno
está a acontecer em todo o mundo,
vai com certeza afectar os esforços
para estabilizar os gases de efeito
de estufa atmosféricos. A redução
das capacidades de sumidouro vão
fazer com que sejam mais complicados
os esforços internacionais para
estabelecer objectivos alcançáveis
na estabilização dos níveis de gases
de efeito de estufa mas Le Quéré diz
que esses esforços precisam de ser
redobrados e não se ficar pela
aceitação de que os níveis serão
superiores no futuro. Testes
genéticos vão dar a confirmação que
falta, mas tudo indica que existam
235 espécies marinhas tanto na
região do Árctico como na Antárctida.
As novidades que vão sendo
libertadas alimentam as
expectativas. Não são só espécies
grandes como baleias-cinzentas ou
aves que existem no Pólo Sul e no
Pólo Norte, mas há crustáceos e
vermes marinhos que ocorrem
simultaneamente nas duas regiões, a
11.000 quilómetros de distância.
Apesar da análise de ADN chegar para
dar certezas robustas sobre se
estamos a falar dos mesmos seres, há
muita pesquisa pela frente que vai
tentar responder sobre qual é a
origem destes animais e como é que
acabaram por existir nas duas pontas
do mundo.
"Há cem anos, os exploradores da
Antárctida como Scott e Shackleton
viram quase sempre gelo. Em 2009,
vemos vida em todo o lado", disse em
comunicado Victoria Wadley, da
Divisão Australiana da Antárctida, e
uma das líderes do Censo da
Antárctida para a Vida Marinha, que
coordenou as 18 maiores viagens
durante o Ano Internacional Polar
que ocorreu em 2007 e 2008. A
informação recolhida nos pólos vai
integrar os resultados do CVM e
ajudar a completar a investigação,
que começou em 2000, sobre a
diversidade, distribuição e
abundância da vida nos oceanos.
A investigação feita na Antárctida
durante as últimas décadas sugeriu
que o oceano que rodeava o
continente gelado continha várias
regiões biológicas distintas. No
entanto, o que os novos dados
revelam, com a ajuda de informação
recolhida em quase um milhão de
locais diferentes, é que existe uma
só região biológica. Esta região foi
influenciada pelos avanços e recuos
do gelo nos últimos 30 milhões de
anos devido às sucessivas eras
glaciares. Através de técnicas
moleculares os cientistas perceberam
que a Antárctida é uma incubadora de
espécies marinhas que vivem
actualmente mais a norte. O mar que
rodeia o continente refresca
regularmente os oceanos do mundo com
nova espécies de aranhas-marinhas,
crustáceos e polvos. "Os cientistas
acreditam que as novas espécies
desenvolvem-se durante a expansão da
camada de gelo da Antárctida, quando
o gelo retrai “durante as eras
interglaciares” os novos animais
irradiam para norte". Ao mesmo
tempo, as expedições ao Pólo Norte
estudaram territórios inexplorados.
"Conseguimos preencher enormes
lacunas de informação no mapa do
Árctico, ainda assim existem áreas
que não foram observadas", explicou
Russ Hopcroft, um dos líderes do
projecto Diversidade do oceano
Árctico. O projecto já fez quase um
milhão de observações de mais de
5500 espécies distintas. Uma das
descobertas mais alarmantes do
projecto é que há espécies marinhas
mais pequenas que estão a substituir
espécies maiores. Apesar de não se
saber a causa do fenómeno, os
cientistas acreditam que vai ter
efeitos profundos na cadeia
alimentar do Árctico. Nestas
expedições, os efeitos do
aquecimento global também foram
documentados. No fiorde de Hornsund,
na Noruega, registou-se um aumento
de espécies de anfípodes, um grupo
de crustáceos, que costumavam viver
a sul, em águas mais quentes. No mar
de Chukchi, na Rússia, verificou-se
a expansão de três espécies para
norte. Segundos os investigadores,
estes registos, apesar de ainda
estarem incompletos, dão-nos
informações presente das águas mais
geladas do globo e, permitir-nos-ão
fazer comparações com registos
futuros.
Pelo navio “Polarstern” no Mar de
Weddell - Fonte: Público PT
Três expedições realizadas entre
2002 e 2005 pelo navio oceanográfico
alemão “Polarstern” permitiram
descobrir 700 espécies novas para a
ciência nos fundos do oceano
antárctico, no Mar de Weddell. A
biodiversidade encontrada apanhou de
surpresa os investigadores dos 14
institutos que compuseram a equipa
internacional.
“As profundidades do oceano
antárctico são, potencialmente, o
berço da vida das espécies marinhas
do planeta. As nossas conclusões vão
de encontro às sugestões segundo as
quais a biodiversidade nas águas
profundas é fraca no oceano
Austral”, diz Angelika Brandt, do
Museu Zoológico de Hamburgo, num
artigo publicado na revista “Nature”
de 17 de Maio.
O “Polarstern” explorou todos os
tipos de habitats do Mar de Weddell
entre os 748 e os 6348 metros de
profundidade. As três expedições
fizeram parte do projecto ANDEEP (Antarctic
benthic deep-sea biodiversity),
responsável pelo primeiro estudo
completo sobre os animais marinhos
das profundidades do oceano
antárctico, no qual participam 17
institutos espalhados por todo o
mundo.
Estas expedições permitiram aos
cientistas recolher 674 espécie de
isópodes (variedade de crustáceos),
585 das quais até agora
desconhecidas para a ciência, e mais
de 200 espécies de poliquetos, 81
dos quais novos para a ciência.
Os biólogos recensearam 160 espécies
de gastrópodes de concha e de
bivalves e 76 espécies de esponjas,
17 das quais ainda desconhecidas. No
total forma descobertas 700 espécies
novas. “O que antigamente víamos
como abismos sem interesse
revelam-se agora um ambiente
biologicamente rico, dinâmico e
diversificado. A descoberta deste
extraordinário tesouro da vida
marinha é um primeiro passo na nossa
compreensão das complexas relações
entre o oceano profundo e a
distribuição da vida marinha”,
comentou a bióloga marinha Katrin
Linse, do British Antarctic Survey,
em comunicado.
"Agora temos mais informação sobre a
evolução das espécies marinhas e
como se adaptam às alterações no
clima e no ambiente", disse Angelika
Brandt.
Antárctica ou Antárctida - Fonte:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
A Antárctica ou Antárctida é o mais
meridional dos continentes e um dos
menores, com uma superfície de
catorze milhões de quilómetros
quadrados. Rodeia o Pólo Sul, e por
esse motivo está quase completamente
coberto por enormes geleiras
(glaciares), excepção feita a
algumas zonas de elevado declive nas
cadeias montanhosas e à extremidade
norte da Península Antárctica. Sua
formação se deu pela separação do
antigo supercontinente Gondwana há
aproximadamente 100 milhões de anos
e seu resfriamento aconteceu nos
últimos 35 milhões de anos. Possui
baixa precipitação no interior, mas
não pode ser considerado o maior
deserto do planeta devido às baixas
taxas de evapotranspiração (a
quantidade de água que poderia
evaporar numa dada região). Como
tal, apenas espécies muito adaptadas
como pinguins e musgos conseguem
sobreviver.
Juridicamente, a Antárctica está
sujeita ao Tratado da Antárctida,
pelo qual as várias nações que
reivindicavam territórios no
continente (Argentina, Austrália,
Chile, França, Noruega, Nova
Zelândia e Reino Unido) concordam em
suspender as suas reivindicações,
abrindo o continente à exploração
científica. Por esse motivo, e pela
dureza das condições climáticas, não
tem população permanente, embora
tenha uma população provisória de
cientistas e pessoal de apoio nas
bases polares, que oscila entre mil
(no inverno) e quatro mil pessoas
(no verão). Como não há povos
nativos da Antárctica, a sua
história é a da sua exploração. É
muito provável que os povos de
regiões próximas ao continente
tenham sido os primeiros a
explorá-lo: os povos Aush da Terra
do Fogo, por exemplo, falam sobre o
"país do gelo" e um chefe maori de
nome Ui-Te-Rangiora teria atingido a
região em 650 d.C. No entanto, esses
povos não deixaram vestígios de sua
presença. As primeiras expedições
documentadas começam no século XVI.
Américo Vespúcio relatou o registo
visual de terras a 52°S. Várias
expedições aproximaram-se
gradativamente do continente sem, no
entanto, ter-se a certeza de que se
tratava realmente de um continente
ou de um conjunto de ilhas, até às
expedições de James Cook, o primeiro
a circum-navegá-lo entre 1772 e 1775
sem o avistar, devido à névoa e aos
icebergs. A ocupação humana
propriamente dita começa na primeira
metade do século XIX, quando navios
baleeiros chegavam à região das
Ilhas Sandwich do Sul. Nesse
período, James Weddell e James Clark
Ross descobriram os mares que hoje
levam seus nomes. Este último fez
uma viagem de exploração na qual
descobriu ainda a Ilha de Ross, os
montes Erebus e Terror e a Terra de
Vitória, retornando em 1843.
Realizados em 1895 e 1889, os dois
Congressos Internacionais de
Geografia obtêm relativo sucesso em
seu chamado pela exploração do
continente meridional, pois diversas
expedições nacionais foram
realizadas. No início do século XX,
os exploradores se voltam para a
conquista do Pólo Sul. Ernest Henry
Shackleton organizou uma expedição
em 20 de Outubro de 1908, sendo
obrigado a retornar sem atingir o
Pólo. Seguem-se a ele Roald Amundsen
e Robert Falcon Scott em uma
verdadeira corrida, pois partem com
apenas duas semanas de diferença em
Outubro de 1911 a partir da
Plataforma de Ross. Amundsen atinge
o pólo em 14 de Dezembro de 1911,
retornando em Janeiro. O grupo de
Scott chega ao ponto em 17 de
Janeiro e encontra a bandeira
norueguesa. No caminho de volta, os
cinco expedicionários morrem de fome
e exaustão. Após a conquista do
pólo, restava ainda a façanha de
atravessar o continente de costa a
costa. Shackleton assumiu a tarefa
na Expedição Imperial Transantártica,
em 1914, que não obteve sucesso por
uma série de dificuldades, a
primeira delas foi os navios terem
ficado presos no gelo e afundado.
Richard Evelyn Byrd, explorador dos
Estados Unidos, foi o primeiro a
sobrevoar o Pólo Sul em 28 e 29 de
Novembro de 1929 após o que conduziu
diversas viagens de avião à
Antárctica nos anos 30 e nos anos
40. Ele também realizou extensas
pesquisas geológicas e biológicas.
Actualmente, após o Tratado da
Antárctica, muitos países mantêm
bases de pesquisa permanente e a
ocupação humana é constante. A maior
parte do continente austral está
localizada ao sul do Círculo Polar
Antárctico e circundada pelo Oceano
Antárctico. É a massa de terra mais
meridional e compreende mais de 14
milhões de quilómetros quadrados,
tornando-se o quinto maior
continente. Sua costa mede 17 968
quilómetros e é caracterizada por
formações de gelo, como mostra a
tabela: Fisicamente, ela é dividida
em duas partes pelos Montes
Transantárticos perto do
estreitamento entre o Mar de Ross e
o Mar de Weddell: a Antártica
Oriental, ou Maior, e a Antárctica
Ocidental, ou Menor, porque
correspondem aproximadamente aos
hemisférios ocidental e oriental em
relação ao meridiano de Greenwich.
Aproximadamente 98% da Antárctica
está coberta por um manto de gelo. O
manto de gelo tem em média dois
quilómetros de espessura. Essa
cobertura de gelo contém 70% de toda
a água doce do planeta e torna o
continente antárctico aquele de
maior altitude média. O gelo forma
barreiras que se estendem para além
da costa, formando banquisas, ou
plataformas, a maior das quais é a
de Ross. De sua ruptura originam-se
os icebergs. Graças ao peso desse
gelo, a maior parte da massa
continental encontra-se abaixo do
nível do mar. Em grande parte do
interior do continente a
precipitação média anual fica entre
30 e 70 mm; em algumas áreas de
"gelo azul" a precipitação é mais
baixa do que a perda de massa pela
sublimação e, assim, o balanço local
é negativo. Nos vales secos o mesmo
efeito ocorre sobre uma base de
rochas, conduzindo a uma paisagem
esturricada. A Antárctica Ocidental
é coberta pela manto de gelo da
Antárctica Ocidental. Este chamou
atenção recentemente por causa da
possibilidade real de seu colapso.
Se derretesse, o nível do mar
elevar-se-ia em vários metros em um
curto espaço de tempo geológico,
talvez em questão de séculos.
Diversos fluxos de gelo antárctico,
que correspondem a aproximadamente
10% da cobertura de gelo, correm
para uma das muitas plataformas. A
Antárctica tem mais de 70 lagos que
se encontram sob a superfície de
gelo continental. O lago Vostok,
descoberto abaixo da estação Vostok
Russa em 1996, é o maior deles.
Acredita-se que o lago esteve selado
por 35 milhões de anos. Há também
alguns rios no continente, o maior
do qual é o rio Onyx, com 30
quilómetros de extensão, que desagua
no lago Vanda a 75 metros de
profundidade. Na Antárctica Oriental
encontram-se os Montes
Transantárticos (ou Cadeia
Transantártica) que se estende por
4800 quilómetros, desde a Terra de
Vitória à Terra de Coasts. Na
Ocidental está a Península
Antárctica, ao sul da qual se
encontram os Montes Ellsworth e o
Maciço Vinson, ponto mais elevado do
continente com 5140 metros.
Localizadas entre suas cordilheiras,
há sete geleiras na Antárctica, das
quais a maior é a Geleira Byrd.
Embora seja lar de muitos vulcões,
apenas uma cratera na Ilha Decepção
e o Monte Erebus expelem lava
actualmente, a primeira desde 1967.
O Monte Erebus, de 4023 metros de
altitude e localizado na Ilha de
Ross, é o vulcão activo mais
meridional do mundo. Pequenas
erupções são comuns e fluxos de lava
foram observados em anos recentes. A
Antárctica é o continente mais frio
e seco da Terra, um grande deserto.
A precipitação média anual fica
entre 30 e 70 mm. Além disso, as
temperaturas médias em sua região
central ficam entre -30 °C e -65
°C. sendo a menor temperatura do
mundo, -89,2 °C, documentada na base
russa de Vostok, a aproximadamente
3400 metros de altitude no dia 21 de
Julho de 1983. Devido à influência
das correntes marítimas, as zonas
costeiras apresentam temperaturas
mais amenas, entre os -10 °C e -20
°C. Estima-se que apesar dos seis
meses de escuridão do inverno, a
incidência da energia solar no Pólo
Sul seja semelhante à recebida
anualmente no equador, mas 75% dessa
energia é reflectida pela superfície
de gelo. A Antárctica Oriental é
mais fria que a Ocidental por ser
mais elevada. As massas de ar
raramente penetram muito no
continente, deixando seu interior
frio e seco. O gelo no interior do
continente dura muito tempo, apesar
da falta de precipitação para
renová-lo. A queda de neve não é
rara no litoral, onde já se registou
a queda de 1,22 metro em 48 horas.
Também é um continente com ventos
fortes, registando-se ventos com
velocidades superiores a 140 km/h
nas costas. No interior, entretanto,
as velocidades são tipicamente
moderadas. A Antárctica é mais fria
do que o Árctico por dois motivos:
em primeiro lugar, grande parte do
continente está a mais de três
quilómetros acima do nível do mar.
Em segundo lugar, a área do Pólo
Norte é coberta pelo Oceano Árctico
e o relativo calor do oceano é
transferido através do gelo,
impedindo que as temperaturas nas
regiões árcticas alcancem os
extremos típicos da superfície da
terra no sul. Alguns eventos
climáticos são comuns na região. A
aurora austral, conhecida como
"luzes do sul", é um brilho
observado durante a noite perto do
Pólo Sul. Outro acontecimento é o pó
de diamante, neblina composta de
pequenos cristais de gelo. Forma-se
geralmente sob céu limpo, por isso é
referido como precipitação de céu
limpo. Falsos sóis, brilhos formados
pela reflexão da luz solar em
cristais de gelo, conhecidos como
parélio, são uma manifestação óptica
atmosférica comum. É formado por uma
enorme calote de gelo com uma
espessura de até 4.000 metros e um
volume estimado em 30 milhões de
quilómetros cúbicos, equivalente a
30% das reservas de água doce do
planeta. Abriga o pólo geográfico
Sul do planeta, a 90º de latitude S,
e o pólo magnético, cuja localização
não é fixa. Apenas a península
Antártida, com 1.000 km de extensão,
não está sempre coberta por gelo. O
relevo é marcado pela cordilheira
Transantártica, prolongamento
geológico dos Andes. Ela divide o
continente em Antárctida Oriental,
com planícies, colinas baixas e a
geleira Lambert, a maior do mundo, e
Antárctida Ocidental, com
arquipélagos ligados pela cobertura
de gelo permanente. As banquisas
formadas por água do mar congelado
se confunde com o contorno do
continente. Embora a Antárctica não
tenha residentes permanentes, alguns
governos mantêm estações de pesquisa
permanentes por todo o continente. A
população de cientistas no
continente e nas ilhas subantárticas
varia de aproximadamente quatro mil
no verão a mil no inverno. Muitas
das estações de pesquisa mantêm
pessoal durante todo o ano. Os
primeiros habitantes semipermanentes
das áreas subantárticas eram
marinheiros da Inglaterra e Estados
Unidos que costumavam passar um ano
ou mais na Geórgia do Sul, desde
1786. Durante a era da caça à
baleia, que durou até 1966, a
população da ilha variava de mil no
verão (ou dois mil em alguns anos) a
duzentas no inverno. A maioria dos
baleeiros era norueguesa, com
crescente proporção de britânicos.
Os povoados incluíam Grytviken,
Leith Harbour, Ponto Rei Eduardo,
Stromness, Husvik, Prince Olav
Harbour, Ocean Harbour e Godthul. Os
administradores e outros oficiais
encarregues das estações baleeiras
muitas vezes viviam junto com suas
famílias. Entre eles estava o
fundador de Grytviken, o Capitão
Carl Anton Larsen, um importante
baleeiro norueguês e explorador que
adotou a cidadania britânica em 1910
com a família. A primeira criança
nascida na região polar do sul foi
uma menina norueguesa, Solveig
Gunbjörg Jacobsen, na cidade de
Grytviken em 8 de Outubro de 1913, e
seu nascimento foi registado pelo
magistrado britânico residente na
Ilha Geórgia do Sul. Era filha de
Fridthjof Jacobsen, administrador
assistente da estação baleeira, e de
Klara Olette Jacobsen. Jacobsen
chegou à ilha em 1904 para tornar-se
o administrador de Grytviken,
servindo de 1914 a 1921; duas de
suas crianças nasceram na ilha.
Emilio Marcos de Palma foi o
primeiro a nascer no continente, na
Base Esperanza em 1978. Seus pais
haviam sido enviados para lá junto
com sete outras famílias pelo
governo argentino para determinar se
a vida em família era possível no
continente. Em 1984, Juan Pablo
Camacho nasceu na base de Presidente
Eduardo Frei Montalva, sendo o
primeiro chileno nascido na
Antárctica. Diversas bases são agora
lar de famílias com crianças que vão
a escolas em estações.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal