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"Oceanos e Grandes Rios"

SÉTIMO BLOCO

Rios de Portugal

 

Trabalho de Carlos Leite Ribeiro

 

 


 
Rio Minho
 

 O rio Minho nasce nos Montes Cantábricos, em Espanha e desagua np oceano Atlântico, junto a Caminha, e passa por Melgaço, Monção e Valença. O seu único afluente fica na margem esquerda e é o rio Coura. Rio luso-espanhol que serve de fronteira entre o norte de Portugal e a Galiza, de Melgaço até à sua foz, no oceano Atlântico, em frente a Caminha e a La uardiã. Nasce em Espanha, nos montes Cantábricos, na serra da Meira, a uma altitude de 750 metros, e o seu curso estende-se ao longo de cerca de 340 quilómetros, dos quais 230 são percorridos em Espanha. O troço internacional tem uma extensão de 75 quilómetros.  A área total da bacia hidrográfica do rio Minho é de 22 500 km2, dos quais 800 km2 (cerca de 5%) estão situados em território português e 1934 km2 correspondem à sub-bacia internacional. O seu caudal médio anual é de 304,9 m3 por segundo. Os limites da bacia são constituídos, a sul, pela bacia do rio Lima e pelas ribeiras da costa atlântica portuguesa, a sudeste pela bacia do rio Douro e a norte pelas bacias hidrográficas da costa espanhola. Em Portugal, esta é a segunda mais pequena bacia internacional, a seguir à bacia do rio Lima. O escoamento anual na foz do rio Minho é, em média, de 12 150 hm3, correspondendo 1100 hm3 a Portugal e o restante a Espanha. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Minho, em território nacional, apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos de apenas 0,2 hm3, em regime regularizado.  Os principais afluentes são, em território espanhol e na margem direita, os Tamoga, Ladra, Avia, Tea e Louro, e, na margem esquerda, os Neia, Sil e Arnoya; e, em Portugal, de montante para jusante, os Trancoso, Mouro, Gadanha e Coura.  Como principais obras hidráulicas há a destacar o aproveitamento hidroagrícola da barragem de Lamas de Mouro. O estuário do rio Minho, juntamente com a embocadura do rio Coura, abrange uma área de 3,4 km2. Esta área está incluída na lista dos locais portugueses na Rede Natura 2000. O estuário constitui uma zona húmida de grande valor ecológico. A qualidade das águas do rio Minho e dos seus principais afluentes portugueses é aceitável mas verifica-se uma tendência geral de degradação da qualidade das águas de montante para jusante. O cariz predominantemente florestal e agrícola da bacia hidrográfica do rio Minho, em território português, coloca em destaque o problema da poluição difusa.
 
 

Rio Lima



O rio Lima tem a sua nascente na serra de São Mamede (província de Orense), em Espanha, e a sua foz é junto a Viana do Castelo, após um percurso de 108 Km, dos quais 65 em Portugal. Em território português é navegável até Ponte da Barca, que fica a 40 Km. Os seus principais afluentes são os rios Laboreiro e o Vez e no seu curso localiza-se o empreendimento hidroeléctrico do Lindoso. Na sua foz encontra-se o porto e os estaleiros navais de Viana do Castelo. Este rio foi apelidado de "Lethes" (Lete) por Estrabão, e fabulado profusamente na mitologia Greco-Romana como o rio do esquecimento, da dissimulação. Também era chamado de Belion. Mitologia e geografia cruzaram-se num momento histórico, em 138 a.C., quando o general Romano Decimus Junius Brutus dispõe-se a derrubar o mito, já que o rio impedia a progressão da sua campanha militar na região. Atravessou o Lima só e, da outra margem, chamou os seus soldados, um por um, pelos seus nomes. Os seus soldados, espantados pelo facto do seu general manter a memória, atravessaram então o rio, sem medo, claudicando o mito do Lethes.
 


Rio Cávado



O rio Cávado, depois de nascer na serra do Larouco, percorre 118 Km, sendo 6 dos quais navegáveis até Barca do Lago, antes de desaguar em Esposende. Abastece a cidade de Braga, e é um rio essencialmente de montanha, com diversos empreendimentos hidroeléctricos no seu percurso que possui um caudal médio de 94 m3/segundo. Tem uma orientação aproximada este-oeste.  A bacia hidrográfica do rio Cávado é limitada, a norte, pela bacia hidrográfica do rio Lima e, a este e sul, pelas bacias dos rios Douro e Ave; tem uma área de 1600 km2. O escoamento anual na foz do rio é, em média, de 2123 hm3. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Cávado apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos na ordem dos 1180 hm3, em regime regularizado, valor que corresponde a quase 30 % do total existente em Portugal.  Os seus principais afluentes são: o rio Homem, na margem direita, com um comprimento de 45 quilómetros, que nasce na serra do Gerês e drena uma área de 257 Km2; e o rio Rabagão, na margem esquerda, com um comprimento de 37 quilómetros, que nasce entre as serras do Barroso e do Larouco e drena uma área de 246 Km2. Na bacia hidrográfica do Cávado construíram-se algumas barragens para aproveitamento hidroeléctrico. As mais importantes são: Paradela, Salamonde e Caniçada, no rio Cávado; Alto Rabagão e Venda Nova, no rio Rabagão; e Vilarinho das Furnas, no rio Homem. Devido às características topográficas da bacia hidrográfica do Cávado e aos elevados escoamentos dos rios principais, os volumes de água armazenados destinam-se, na maior parte dos casos, a uma regularização intra-anual, transferindo água dos períodos húmidos para os períodos secos. Destaca-se, pelo seu volume, a albufeira do Alto Rabagão, cuja função principal é de regularização inter-anual, constituindo assim uma importante reserva estratégica de água.
 


Rio Ave


Rio Ave, nasce na serra da Cabreira e percorre 85 Km, dois dos quais navegáveis, antes de ir desaguar a Sul da Vila do Conde. A sua bacia hidrográfica é de 1395 Km2 e o seu caudal médio anual é de 48 m3/segundo. Tem por afluentes principais os rios Este e Vizela. A sua bacia hidrográfica tem uma área aproximada de 1390 km2, abrangendo 15 municípios. O rio banha sucessivamente os concelhos de Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde. Os seus afluentes mais importantes são o rio Este (margem direita) e o rio Vizela (margem esquerda). Encontra-se bastante poluído, devido aos efluentes industriais e domésticos que desde há décadas contribuem para que, na prática, se tenha tornado um rio morto, apesar de ainda ter vida fluvial. A despoluição que foi prometida não está a ser bem sucedida.
 


Rio Douro



Rio da Península Ibérica, com 913 Km de extensão. A sua bacia mede 98 Km2 e é a maior da Península, correspondendo a 81% a Espanha e 19% a Portugal. A sua altitude média é de 700 metros e o seu declive muito suave. Nasce na Espanha, nos picos da serra de Urbión, província de Sória, a 2080 metros de altitude e corre na direcção Oeste até à sua foz na costa atlântica, na cidade do Porto. Durante 112 Km constituí uma fronteira natural entre Espanha e Portugal. A partir de Samora encaixa-se nas rochas paleozóicas de peno – planície Lusitano-Leonesa e corre desse modo até ao Atlântico. Nesse troço, o rio foi aproveitado pela construção de centrais hidroeléctricas. Em Espanha os seus principais afluentes são os rios Pisuerga e o Esla, na margem direita, e o Tormes e Terá, na margem esquerda. As principais barragens espanholas do seu curso são: Lá Cuerda del Pozo, Villalcampo, Castro, Aldeadávila e Saucelle. Em Portugal o seu caudal médio é de 527 m3/segundo, mas nas grandes cheias chega a ultrapassar os 17 mil m3/segundo. Seus afluentes principais na margem direita são os rios Sabor, Tua, Corgo, Tâmega e o Sousa; na margem esquerda, os rios Águeda, Côa, Távora e o Paiva.  No início do seu curso é um rio largo e pouco caudaloso. De Zamora à sua foz, corre entre fraguedos em canais profundos. O forte declive do rio, as curvas apertadas, as rochas salientes, os caudais violentos, as múltiplas irregularidades, os rápidos e os inúmeros "saltos" ou "pontos" tornavam este rio indomável. Aproveitando o elevado desnível, sobretudo na zona do Douro Internacional, onde o desnível médio é de 3m/km, a partir de 1961, foi levado a cabo o aproveitamento hidroeléctrico do Douro. Com a construção das barragens, criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas, que vieram incentivar a navegação turística e recreativa, assim como a pesca desportiva. Excluindo-se os períodos de grandes cheias, pode dizer-se que o rio ficou domado definitivamente. No troço nacional do Douro, a instalação de eclusas em paralelo com as barragens hidroeléctricas permitiu a criação de um canal de navegação fluvio-marítima. No seu curso, entre Bemposta e Picote, pode ser visto, nas suas águas espelhadas, tudo o que rodeia este ambiente: as nuvens, o sol, (que queima os olhos, reflectido na água), os montes, as fragas, as aves (patos, garças, águias, abutres, gaivotas). Nas fragas mais altas podem ser vistas aves de rapina, guardando os seus ninhos. Por outro lado, no rio, espécies indígenas, como o escalo, a enguia e a truta, têm sido dizimadas ou pela pesca à rede descontrolada e/ou pela modificação das condições ambientais (parte do ano estão perto do limite de resistência de algumas espécies). Após a construção da barragem, foi feita a introdução da carpa que, podendo atingir acima dos 20 kg, tem a propriedade de se alimentar de tudo, fazendo a limpeza das barragens mesmo em condições precárias de oxigenação das águas. Mais recentemente, surgiram o achigã, a perca, o lúcio (peixes carnívoros) e o lagostim-vermelho, (todos eles originários de outros países). Pode ainda encontrar-se, com abundância, a boga e o barbo e até mexilhão (idêntico ao do mar). Porém, passar junto a fragas gigantes, tingidas de várias tonalidades, pela separação de fragmentos de rocha, causadas por dilatações e contracções bruscas, motivadas pelo clima, é esmagador. Viajando até junto do Douro, que serpenteia entre as arribas, pode ver-se onde vivem e/ou nidificam abutres, grifos, águias, pombos bravos, andorinhas, etc., e nas ladeiras do mesmo, a perdiz, a rola, o estorninho, o melro, o papa figo, etc. Dentro das matas de zimbros, estevas, carvalhos, sobreiros e pinheiros e outras variedades de vegetação das encostas do Douro, podem ainda encontrar-se espécies cinegéticas, que são uma das maiores riquezas naturais da região: o corso, o javali, o coelho, a lebre, o lobo, a raposa, o texugo, a gineta, etc. O Rio Douro foi, e é, uma fonte de riqueza para a região e para a aldeia. Antigamente, fazia mover as azenhas que se espalhavam nas suas margens, tais como as azenhas do Sr. António Luís, dos Fróis, dos Melgos e dos Velhos, permitia a pesca, irrigava campos ou enchia os poços das melhores hortas de Bemposta, existentes perto deles, onde se cultivavam as novidades e as árvores de fruta, base de sustento das populações. Mais tarde, com o aproveitamento hidroeléctrico, Bemposta passa a contribuir para a riqueza nacional, distribuindo energia eléctrica ao país. Proporcionou também maior abundância de peixe, através das albufeiras, criando alguns postos de trabalho com a pesca profissional, a que se dedicaram algumas famílias.
O escoamento anual do rio Douro é, em média, de 22 860 hm3, correspondendo 9 200 hm3 a Portugal e o restante a Espanha. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Douro, em território nacional, apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos de 1 078 hm3, em regime regularizado. A bacia hidrográfica do rio Douro é a bacia nacional que apresenta o maior valor de escoamento na sua foz, em termos de volume de águas. É nos terraços do vale do Douro superior, em acentuados declives talhados no xisto, que se cultivam as vinhas de cujas uvas se fabrica o vinho do Porto.


Rio Vouga


 
Rio com origem na serra da Lapa e que, após um percurso de 136 quilómetros, dos quais 50 Km navegáveis, até ao Pessegueiro, desagua no oceano Atlântico através de um delta impropriamente designado por "ria de Aveiro". A área da sua bacia hidrográfica é de 3700 km2. O escoamento anual na foz do rio Vouga é, em média, de 1900 hm3. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Vouga apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos de somente 1 hm3, em regime regularizado.  O rio Vouga, designado por muitos como "o Nilo português", tem no seu curso três secções bem marcadas. Começa por ser um rio de planalto até S. Pedro do Sul; depois, corre entre zonas montanhosas, recebe a água de vários afluentes e passa num vale profundo com meandros encaixados - rio de montanha; finalmente, ao deixar o Maciço Antigo, o Vouga muda de aspecto, corre entre margens largas e baixas, descrevendo meandros com uma forte acção acumuladora: rio de planície. Pouco depois de passar a vila de Cacia, situada no concelho e Distrito de Aveiro e a 7 quilómetros da sede de concelho e de distrito, as sua águas separam-se em inúmeros canais de terreno baixo e pantanoso, dando-se início à formação da Ria de Aveiro. O seu percurso é, predominantemente, feito de leste para oeste tendo um total de 148 quilómetros de extensão. Tem como afluentes principais os rios Caima, Mau e Sul, na margem direita, e Águeda, na margem esquerda. A sua bacia hidrográfica, contando com as pequenas bacias hidrográficas afluentes directas da Ria de Aveiro, cobre uma extensão de 3 635 km². É represado pela barragem de Ribafeita.



A Ria de Aveiro



 A ria de Aveiro, é uma laguna de ramos sinuosos que se estendem numa rede de braços de grande complexidade no centro da qual se situa a cidade de Aveiro. A ria de Aveiro é bastante utilizada para fins turísticos, nomeadamente através dos seus barcos característicos, os moliceiros. Localidades turísticas: cidades de Aveiro e Ílhavo, praias da Barra, Costa Nova, Torreira, Murtosa, São Jacinto, Furadouro, Ovar, Cortegaça, Barrinha, Esmoriz, Vagos, Vagueira e Mira. A Ria é o resultado do recuo do mar, com a formação de cordões litorais que, a partir do século XVI, formaram uma laguna que constitui um dos mais importantes e belos acidentes hidrográficos da costa portuguesa. Abarca onze mil hectares, dos quais seis mil estão permanentemente alagados, desdobra-se em quatro importantes canais ramificados em esteiros que circundam um sem número de ilhas e ilhotes. Nela desaguam o rio Vouga, o Antuã, o Boco e o Fontão, tendo como única comunicação com o mar um canal que corta o cordão litoral entre a Barra e S. Jacinto, permitindo o acesso ao Porto de Aveiro, de embarcações de grande calado. Rica em peixes e aves aquáticas, possui grandes planos de água, locais de eleição para a prática de todos os desportos náuticos. Ainda que tenha vindo a perder, de ano para ano, a importância que já teve na economia aveirense, a produção de sal, utilizando técnicas milenares, é, ainda, uma das actividades tradicionais mais características de Aveiro. Com as suas várias ribeiras, proporciona às populações das suas margens actividades como a construção naval (barcos de madeira), a agricultura, o aproveitamento do sal e a apanha de algas para fertilizante das terras de cultivo.


 
Rio Mondego


 
Este belo rio, desde o tempo dos romanos tem chamado a atenção de viajantes, geógrafos, historiadores, em virtude das suas belezas naturais. Nasce na serra da Estrela, a 1425 metros de altura e percorre 227 Km até desaguar na Figueira da Foz. Os seus principais afluentes são, na margem direita, o rio Dão e na esquerda os rios Alva, Ceira e Arunca. Os romanos chamavam Munda ao rio Mondego. Munda significa transparência, claridade e pureza. Nesses tempos as suas águas eram assim. Ao longo da Idade Média o rio continuou a chamar-se Munda. A  navegabilidade fazia-se desde a ocupação fenícia. Durante a ocupação Romana, os navios de mar ainda deveriam chegar a Coimbra, mas o progressivo assoreamento foi reduzindo a navegação para montante, exigindo barcos de menor porte: as barcas serranas, meio de transporte privilegiado no contacto entre o interior e o litoral, vinham do Oceano Atlântico até Coimbra e os mais pequenos chegavam a ir mesmo até Penacova. Estes serviam para que as mulheres de Penacova viessem a Coimbra, buscar roupa suja e depois a trazerem lavada e passada a ferro, e para os Homens levarem lenha para o litoral e trazer peixe para o interior.  No século XVII o estuário já só se alargava a jusante de Montemor-o-Velho, cerca de 20km a montante da desembocadura actual. O assoreamento, foi progressivamente dificultando a navegação no Mondego, levando ao seu desaparecimento na década de 50. Calcula-se que nos últimos seiscentos anos o leito terá subido cerca de um centímetro por ano, ou seja um metro em cada século.  No século XVIII o rio era instável e entrançado, com frequentes fenómenos de avulsão na planície aluvial, entre Coimbra e Montemor. Já naquela época era reconhecido o problema do forte assoreamento, bem como o carácter intempestivo do caudal do rio. Para resolver esses problemas, foi elaborado, no final do século XVIII, um plano de encanamento do Mondego a jusante de Coimbra. Desde 1781 até 1807 a situação dos campos do Mondego melhorou muito após a abertura de um novo leito. Mas a situação foi piorando, devido ao assoreamento do rio, chegando ao século XX numa situação insustentável. Foi preparado então o Plano Geral de Aproveitamento Hidráulico da Bacia do Mondego, para a intervenção hidráulica na década dos anos sessenta, e implementada desde a década dos anos oitenta. O Mondego corre actualmente em canal artificial desde Coimbra até à Figueira da Foz. Além das duas grandes barragens foram construídos novos leitos aluvionares, incluindo 7,7km de diques de defesa, uma dragagem de 16 hm3 e revestimentos com um volume de 0,5 hm3.  Por fim, o Mondego desagua no Atlântico junto à Figueira da Foz, servindo de porto e de abrigo para as actividades ligadas à pesca, ao sal e ao turismo e recreio.
A sua bacia hidrográfica ocupa uma área de cerca de 6671 km2. O escoamento anual na foz do rio Mondego é, em média, de 3400 hm3. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Mondego apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos na ordem dos 540 hm3, em regime regularizado. É um rio de montanha, de forte acção erosiva, correndo com a direcção predominante de sudoeste-nordeste, num vale profundo e estreito, até a alguns quilómetros a montante de Celorico da Beira. Encostado ao rebordo norte da Cordilheira Central, o Mondego toma então a direcção nordeste-sudoeste, insinuando-se pelo planalto da Beira Alta por um vale cada vez mais largo. Engrossa o seu caudal com a ajuda de afluentes (como o rio Dão), tornando-se um rio de planalto de grande poder de transporte. Ao atravessar o rebordo do planalto da Beira Central, na região de Penacova, o Mondego corre num vale apertado, de meandros encaixados; depois de receber o rio Alva, o seu vale encaixa-se ainda mais ao atravessar o contraforte de Entre Penedos, junto de Penacova; aí se encontram estratos quartzíticos, muito fracturados e dispostos como livros numa estante, o que originou o nome curioso de Livraria do Mondego. Próximo de Coimbra, o rio corre numa extensa área de sedimentação, os campos do Mondego. É, então, um rio de planície, que atinge com dificuldade o oceano, junto à cidade da Figueira da Foz.  Era popularmente designado por "bazófias", dada a irregularidade do seu caudal, ora de grandes cheias, ora diminuto. Actualmente encontra-se muito intervencionado e regularizado por diversas barragens, a mais importante das quais é a da Aguieira, situada a 400 metros a jusante da confluência do rio Dão com o rio Mondego.
 


Rio Tejo


O rio Tejo percorre 1038 Km, dos quais 275 em território português e 47 em território comum a Portugal e a Espanha, sendo de maior extensão na Península Ibérica. Nas ce em Muela de San Juan, em plena serra espanhola de Albarracin, a 1593 metros de altitude e banha as cidades de Toledo, Santarém e Lisboa desaguando no Oceano Atlântico a Oeste da capital portuguesa, formando o estuário o chamado Mar da Palha, o mais importante da Península Ibérica, tanto pelas dimensões como pela relevância sociodemográfica. Na parte norte, este espaço está protegido legalmente mediante a Reserva Natural do Estuário do Tejo, criada em 1916, com uma área de 14.560 hectares.
Aqui se integram zonas húmidas, lodos, salinas, ilhotas e terrenos agrícolas que, a cada inverno, dão abrigo a cerca de 80.000 aves. A vila de Alcochete, situada na margem esquerda do estuário, pode ser considerada como a principal localidade de referência deste espaço protegido. O rio prossegue até Lisboa, sob a ponte Vasco da Gama, considerada a mais comprida da Europa. Tem 17,2 km de comprimento, 10 dos quais sobre o leito do rio. Liga desde 1998 as cidades de Montijo e Sacavém, integradas na área metropolitana de Lisboa. Passada a ponte, surge logo à direita Lisboa. Conforme se aproxima da capital portuguesa, a largura do estuário vai pouco a pouco reduzindo-se. Num dos pontos mais estreitos foi construído a Ponte 25 de Abril, que também tem grande interesse arquitectónico e estrutural. Foi inaugurada em 1966 e tem um comprimento de quase 2 km, ligando Lisboa e Almada. O rio bordeja a parte oriental e meridional de Lisboa, onde se encontram diversos monumentos, erigidos praticamente na margem, como a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, ambos de estilo manuelino, declarados Património da Humanidade. O Tejo desagua no oceano Atlântico, por um largo estuário com cerca de 260 km2, alguns quilómetros adiante de Lisboa, em S. Julião da Barra. Depois de atravessar o planalto de Castela-a-Nova e a Extremadura espanhola, entre desfiladeiros e vales apertados, entra em Portugal. Antes disso, faz fronteira entre Espanha e Portugal através do troço internacional do Tejo, com uma extensão de cerca de 50 km. As margens são rochosas e abruptas e o vale estreito.   O leito está cheio de penedias, cascalho e algumas ilhas como a do Castelo de Almourol. De Abrantes até à foz, o Tejo corre nas planícies ribatejanas, onde deposita nateiros de grande fertilidade e provoca inundações catastróficas. Da foz do Tejo partiram as naus e as caravelas dos descobrimentos portugueses. A onda que assolou Portugal no dia do terramoto de 1755 subiu o rio e inundou Lisboa e outras localidades na margem. Em Lisboa o rio Tejo é atravessado por duas pontes. A mais antiga é a Ponte 25 de Abril (inaugurada em 1966, então Ponte Salazar), uma das maiores pontes suspensas da Europa, e que liga a capital de Portugal a Almada. A outra é a Ponte Vasco da Gama, de cerca de 17 km de comprimento. Foi inaugurada em 1998 e liga Lisboa (Sacavém) a Alcochete e Montijo. O local mais largo deste rio chama-se Mar da Palha e fica entre a Lisboa, Vila Franca de Xira e Benavente. Junto a Vila Franca de Xira existe ainda a Ponte Marechal Carmona que liga as duas margens. Era muito utilizada, mas com a construção da Ponte Vasco da Gama perdeu tráfego. Existe à entrada da barra deste rio uma fortaleza, que é o  forte de São Julião da Barra. Todos os anos no porto de Lisboa, atracam centenas de paquetes de luxo, principalmente na doca de Alcântara. No seu estuário existe uma reserva ecológica (Reserva Natural do Estuário do Tejo, com sede em Alcochete) onde nidificam várias espécies de aves. Devido à grande poluição do rio deixaram de existir golfinhos, aparecendo raramente um exemplar, que por engano entra no estuário, voltando ao mar sempre que possível.  A área da sua bacia hidrográfica é de 79 800 km2, dos quais 24 900 são em Portugal. O escoamento anual na foz do rio Tejo é, em média, de 17 080 hm3, sendo 6200 hm3 em Portugal e o restante em Espanha. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Tejo, em território nacional, apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos na ordem dos 2750 hm3, em regime regularizado. Na bacia hidrográfica do rio Tejo é nítido o contraste entre os afluentes da margem norte, com elevadas disponibilidades de recursos hídricos em regime natural, e os afluentes da margem sul, bastante pobres em recursos hídricos. Os seus principais afluentes em território português são, na margem direita, os rios Erges, Ponsul, Ocreza, Zêzere (01), Almonda, Alviela, Maior e Trancão; na margem esquerda, os rios Sever, Nisa, Torto, Alpiarça, Muge, Sorraia, Montijo e Coina. No seu curso encontram-se empreendimentos hidroeléctricos de Belver, Bouça, Cabril, Castelo do Bode, Fratel, Maranhão e Montargil. Nas suas margens, entre o curso internacional e a foz do Ocreza, foram descobertos em 1971, mais de 20 mil gravuras rupestres, que cerca de 80% ficaram submersas pela albufeira da barragem de Fratel.
(01) O rio Zêzere (Afluente do Tejo) é o segundo maior rio exclusivamente português, após o rio Mondego. Os seus principais afluentes na margem direita são: o rio Alge, o rio Cabril, a ribeira de Unhais, o rio Nabão, a ribeira de Paul e a ribeira de Pêra. Na margem esquerda encontramos a ribeira de Bogas, a ribeira de Rio Caria, a ribeira da Malhadancha, a ribeira da Isna, a ribeira de Meimoa, a ribeira da Sertã e a ribeira de Teixeira. Da sua bacia hidrográfica com 5043 km², 1056 km² pertencem ao rio Nabão. Os grandes desníveis, aliados ao volume de água (por vezes superior a 10.000 m³/s.), representam uma notável riqueza hidroeléctrica, aproveitada em três barragens (Bouçã, Cabril e Castelo de Bode), que produzem anualmente 700 milhões de kW/hora.
Ferreira de Castro, imigrante no Brasil e autor do livro "A Selva" que tão bem retrata a vida de antigos seringueiros, escreveu  Zêzere: "Era uma pobre, trémula fita de água, ora muito estreita, ora mais larguita, às vezes quase invisível, que se lançava lá do alto por um sulco ou diáclese da rocha negra, aberta para lhe dar melhor caminho." O tempo estava esplêndido, com uma temperatura amena, e o Cântaro Magro brilhava ao sol oblíquo do amanhecer. Junto aos abrigos de pedra e telhado de colmo, pastores conduzem os seus rebanhos monte acima, em direcção a pastos mais abundantes, enquanto os animais vão mordiscando a erva que encontram pelo caminho. Um quadro de uma imensa beleza e tranquilidade, só perturbada, de vez em quando, por algum carro que passa na estrada alcatroada a meio da encosta...".


 
Rio Sado



No seu percurso passa por Alvalade e por Alcácer do Sal, sendo o seu estuário a separar Setúbal de Tróia. É dos poucos rios da Europa que corre de Sul para Norte, tal como o Rio Mira (Odemira, Alentejo), que é de menor dimensão. Os seus principais afluentes são os rios Xarrama, Alcáçovas, Marateca, Alvalade e Arção. Percorre 175 Km desde que nasce a Sueste de  Ourique até que desagua a Oeste da cidade de Setúbal. É navegável até Porto de Rei, ou seja, ao longo de 70 Km. Tem uma bacia hidrográfica com 7628 Km2, um caudal médio de 27 m3/segundo e um estuário com 1600 metros de largura na foz. No estuário do Sado habita uma população de golfinhos (roaz-corvineiro), que tem resistido à invasão do seu habitat pelo homem, ao tráfego marítimo para os estaleiros da Mitrena, para o porto de Setúbal e decorrente da pesca e da doca de recreio, além do ferry-boat de ligação entre margens. O rio Sado não tem um grande caudal devido a vários factores, destacando-se dois: o clima mais árido do Alentejo, onde se encontra a sua nascente, e o desnível, pequeno, entre a altitude da nascente e a altitude da foz. A sua bacia hidrográfica tem uma área de 7640 km2. desagua no oceano Atlântico por um largo estuário com cerca de 100 km2, em frente da cidade de Setúbal, após um percurso de 175 quilómetros.  O rio Sado tem um traçado que apresenta uma orientação pouco vulgar em Portugal, correndo praticamente na direcção sul-norte até à confluência com a ribeira de Odivelas, inflectindo, a partir daqui, para noroeste até à foz. É considerado como exemplo de um rio de planície, uma vez que mais de metade do seu percurso se situa abaixo dos 50 metros. A sua bacia é delimitada a norte pela bacia hidrográfica do Tejo, a sul pela do rio Mira, a este pela do rio Guadiana e a oeste por pequenas bacias da costa alentejana, que vão desde a Península de Tróia, a norte, até Porto Covo, a sul. A bacia hidrográfica ocupa uma área de cerca de 7650 km2, pelo que é a maior dos rios exclusivamente portugueses. O escoamento anual na foz do rio Sado é, em média, de 1000 hm3. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Sado apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos na ordem dos 771 hm3, em regime regularizado. É a bacia hidrográfica portuguesa que dispõe de menos recursos superficiais anuais médios por unidade de área.  Além dos recursos endógenos, na bacia do Sado, estão previstos transvases provenientes de bacias vizinhas, nomeadamente do sistema do Alqueva, integrado na bacia do Guadiana.


 
Rio Mira


Percorre 130 Km desde que nasce na serra de Um até desaguar em Vila Nova de Milfontes, sendo navegável até Odemira, ou seja cerca de 30 Km. O seu principal afluente é o rio Torto. Na maioria do seu curso, o desnível é baixo, podendo por isso o rio ser considerado envelhecido (Andrade, 1986). A bacia hidrográfica do rio Mira, localizada no sudoeste de Portugal, tem uma área total de 1600 km². A norte é limitada pela bacia hidrográfica do rio Sado, a sul pelas bacias hidrográficas das ribeiras provenientes da Serra de Monchique, a leste pela bacia hidrográfica do rio Guadiana e a oeste pela orla costeira. Na orla costeira, as linhas de água correm perpendicularmente à costa e drenam directamente para o mar. O vale do rio Mira, desde a vila de Odemira até à foz, está inserido no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A bacia hidrográfica do rio Mira é limitada a norte pela bacia do Sado, a sul pelas bacias hidrográficas das ribeiras provenientes da serra de Monchique e a leste pela bacia hidrográfica do rio Guadiana. É um rio com fraco caudal e a área total da sua bacia hidrográfica é de 1800 km2. O escoamento anual na foz do rio Mira é, em média, de 300 hm3. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Mira apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos na ordem dos 486 hm3, em regime regularizado. O estuário do Mira tem cerca de 32 quilómetros de comprimento e uma largura máxima de 150 metros. Junto de Vila Nova de Mil Fontes os seus fundos apresentam bancos de areia que ficam a descoberto na baixa mar e formam um sistema de canais.
 


Rio Guadiana


 
Pelo seu comprimento, 820 Km, e dimensão da bacia hidrográfica com 67500 K2, é o quarto rio da Península Ibérica. Nasce em Espanha, que detém 743 Km do seu percurso, nas lagoas de Ruidera e a partir de Badajoz acompanha ao longo de 60 Km a fronteira entre os dois países. Entra em Portugal, que detém 12 mil Km2 do seu percurso, até Pomarão, voltando a ser froneira até à foz, no oceano Atlântico, entre Aiamonte e Vila Real de Santo António. A amplitude das suas marés chega a Mértola, a 75 Km da foz, e o seu leito atinge a fronteira portuguesa até à cota de 155 metros. Depois do rio Tejo, é o mais navegável dos rios portugueses e, os seus principais afluentes em Portugal, são os rios Ardila, Caia, Chanca, Degebe, Cobres, Oeiras, Odeleite e Vascão. Em Portugal o Guadiana tem pouca inclinação à excepção da zona de rápidos entre Serpa e Mértola, onde fica o maior desnível, e o Pulo do Lobo que tem uma altura de 13,5 metros. Quanto ao aproveitamento das suas águas, em Espanha, no âmbito do Plano Badajoz, permite a irrigação de 130 mil hectares e a florestação de 50 mil hectares. Em Portugal, apenas se construiu a Barragem do Caia e o Alqueva e prevista a da Rocha da Galé. Os romanos chamavam-lhe Anas (="dos patos"), ao que os Mouros juntaram uádi (a palavra árabe para "rio") sendo então o Uádi Ana, passando ao português como Ouadiana e, mais tarde ainda para Odiana. Porém, desde o século XVI que, por influência castelhana, foi ganhando terreno a forma Guadiana, cognata de outros nomes árabes designando rios e que passaram ao castelhano com a forma inicial guad, como Guadalquivir, Guadalete, Guadalajara ou Guadarrama, sendo, hoje em dia, a forma consagrada. O rio Guadiana desagua no oceano Atlântico (mais precisamente no Golfo de Cádis), entre a cidade portuguesa de Vila Real de Santo António e a espanhola de Ayamonte, totalizando um curso total de 829km. A bacia hidrográfica tem uma área de 68.200km², situada, em grande parte, em Espanha (cerca de 55.000km²). O Guadiana faz por duas vezes fronteira entre Portugal e Espanha. Primeiro entre o rio Caia e a ribeira de Cuncos, e depois desde o rio Chança até à foz. O primeiro sector da fronteira não está demarcado entre a ribeira de Olivença e a ribeira de Táliga, devido ao litígio fronteiriço de Olivença. O Guadiana é navegável até Mértola numa distância de 68 km. No seu curso português foi construída a Barragem de Alqueva, na região do Alentejo, que criou o maior lago artificial da Europa.
Este rio serve de fronteira entre Portugal e a Espanha,  até ao ponto em que penetra em território português, a norte de Mourão, e toma a direcção norte-sul. O vale por ele formado encaixa-se na superfície polimórfica alentejana a partir da foz do Ardila, com muitos meandros e, entre Serpa e Mértola, apresenta rápidos e quedas de água sendo a mais importante a do Pulo do Lobo, que corresponde a um estreitamento súbito e desnivelado das suas margens. A partir de Mértola, o Guadiana torna-se navegável. Volta a servir de fronteira entre Pomarão e Vila Real de Santo António, onde desagua no oceano Atlântico. Ao todo passa por cerca de 810 quilómetros, desde a sua nascente até à foz, percorrendo 260 quilómetros em Portugal, dos quais 110 servem de fronteira com Espanha. Em Portugal o escoamento anual médio é de 1 900 hm3 e em Espanha é de 5 470 hm3, perfazendo um total de 7 370 hm3. Estima-se que a bacia hidrográfica do rio Guadiana, em território português, apresente uma capacidade total de armazenamento de recursos hídricos na ordem dos 460 hm3, em regime regularizado. Os espanhóis construíram no seu leito diversas barragens. Portugal, por sua vez, destinou-lhe um mega projecto, a construção da barragem do Alqueva, cuja água se destina a abastecer e irrigar uma boa parte do Alentejo.  O rio Guadiana possui um caudal muito variável, quer à escala sazonal, quer à escala inter-anual: em situação de tempestade o caudal pode exceder os 10 000 m3/s, mas, no Verão, são frequentes as situações de caudal praticamente nulo. O caudal médio corresponde aproximadamente a 80 m3/s.  A sua bacia hidrográfica é aproveitada na Estremadura espanhola e na zona de Castilha-La Mancha, principalmente em planos de desenvolvimento e aproveitamento para a agricultura e pecuária. Em Portugal o seu aproveitamento nas províncias alentejanas (Alto e Baixo Alentejo) era, até há poucos anos, para a agricultura. Com o projecto de Alqueva, supõe-se que as suas águas vão mais longe; quando todo o plano de rega estiver em funcionamento, o Alentejo poderá então deixar as tradicionais culturas de sequeiro e passar às culturas de regadio. O estuário é alongado e estreito, típico de um rio de vale encaixado; no entanto, na região correspondente à foz, surgem áreas de sapal - na margem portuguesa, trata-se do sapal de Castro Marim e, na margem espanhola, do sapal de Ayamonte. Ambas as regiões de sapal são zonas protegidas, com estatuto de Reserva Natural, constituindo importantes locais de invernada para numerosas espécies limícolas e locais privilegiados para a reprodução de peixes, moluscos e crustáceos.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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