O rio Lima tem a sua nascente na
serra de São Mamede (província de
Orense), em Espanha, e a sua foz é
junto a Viana do Castelo, após um
percurso de 108 Km, dos quais 65 em
Portugal. Em território português é
navegável até Ponte da Barca, que
fica a 40 Km. Os seus principais
afluentes são os rios Laboreiro e o
Vez e no seu curso localiza-se o
empreendimento hidroeléctrico do
Lindoso. Na sua foz encontra-se o
porto e os estaleiros navais de
Viana do Castelo. Este rio foi
apelidado de "Lethes" (Lete) por
Estrabão, e fabulado profusamente na
mitologia Greco-Romana como o rio do
esquecimento, da dissimulação.
Também era chamado de Belion.
Mitologia e geografia cruzaram-se
num momento histórico, em 138 a.C.,
quando o general Romano Decimus
Junius Brutus dispõe-se a derrubar o
mito, já que o rio impedia a
progressão da sua campanha militar
na região. Atravessou o Lima só e,
da outra margem, chamou os seus
soldados, um por um, pelos seus
nomes. Os seus soldados, espantados
pelo facto do seu general manter a
memória, atravessaram então o rio,
sem medo, claudicando o mito do
Lethes.
Rio Cávado
O rio Cávado, depois de nascer na
serra do Larouco, percorre 118 Km,
sendo 6 dos quais navegáveis até
Barca do Lago, antes de desaguar em
Esposende. Abastece a cidade de
Braga, e é um rio essencialmente de
montanha, com diversos
empreendimentos hidroeléctricos no
seu percurso que possui um caudal
médio de 94 m3/segundo. Tem uma
orientação aproximada este-oeste. A
bacia hidrográfica do rio Cávado é
limitada, a norte, pela bacia
hidrográfica do rio Lima e, a este e
sul, pelas bacias dos rios Douro e
Ave; tem uma área de 1600 km2. O
escoamento anual na foz do rio é, em
média, de 2123 hm3. Estima-se que a
bacia hidrográfica do rio Cávado
apresente uma capacidade total de
armazenamento de recursos hídricos
na ordem dos 1180 hm3, em regime
regularizado, valor que corresponde
a quase 30 % do total existente em
Portugal. Os seus principais
afluentes são: o rio Homem, na
margem direita, com um comprimento
de 45 quilómetros, que nasce na
serra do Gerês e drena uma área de
257 Km2; e o rio Rabagão, na margem
esquerda, com um comprimento de 37
quilómetros, que nasce entre as
serras do Barroso e do Larouco e
drena uma área de 246 Km2. Na bacia
hidrográfica do Cávado
construíram-se algumas barragens
para aproveitamento hidroeléctrico.
As mais importantes são: Paradela,
Salamonde e Caniçada, no rio Cávado;
Alto Rabagão e Venda Nova, no rio
Rabagão; e Vilarinho das Furnas, no
rio Homem. Devido às características
topográficas da bacia hidrográfica
do Cávado e aos elevados escoamentos
dos rios principais, os volumes de
água armazenados destinam-se, na
maior parte dos casos, a uma
regularização intra-anual,
transferindo água dos períodos
húmidos para os períodos secos.
Destaca-se, pelo seu volume, a
albufeira do Alto Rabagão, cuja
função principal é de regularização
inter-anual, constituindo assim uma
importante reserva estratégica de
água.
Rio Ave
Rio Ave, nasce na serra da Cabreira
e percorre 85 Km, dois dos quais
navegáveis, antes de ir desaguar a
Sul da Vila do Conde. A sua bacia
hidrográfica é de 1395 Km2 e o seu
caudal médio anual é de 48
m3/segundo. Tem por afluentes
principais os rios Este e Vizela. A
sua bacia hidrográfica tem uma área
aproximada de 1390 km2, abrangendo
15 municípios. O rio banha
sucessivamente os concelhos de
Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso,
Guimarães, Vila Nova de Famalicão,
Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde.
Os seus afluentes mais importantes
são o rio Este (margem direita) e o
rio Vizela (margem esquerda).
Encontra-se bastante poluído, devido
aos efluentes industriais e
domésticos que desde há décadas
contribuem para que, na prática, se
tenha tornado um rio morto, apesar
de ainda ter vida fluvial. A
despoluição que foi prometida não
está a ser bem sucedida.
Rio Douro
Rio da Península Ibérica, com 913 Km
de extensão. A sua bacia mede 98 Km2
e é a maior da Península,
correspondendo a 81% a Espanha e 19%
a Portugal. A sua altitude média é
de 700 metros e o seu declive muito
suave. Nasce na Espanha, nos picos
da serra de Urbión, província de
Sória, a 2080 metros de altitude e
corre na direcção Oeste até à sua
foz na costa atlântica, na cidade do
Porto. Durante 112 Km constituí uma
fronteira natural entre Espanha e
Portugal. A partir de Samora
encaixa-se nas rochas paleozóicas de
peno – planície Lusitano-Leonesa e
corre desse modo até ao Atlântico.
Nesse troço, o rio foi aproveitado
pela construção de centrais
hidroeléctricas. Em Espanha os seus
principais afluentes são os rios
Pisuerga e o Esla, na margem
direita, e o Tormes e Terá, na
margem esquerda. As principais
barragens espanholas do seu curso
são: Lá Cuerda del Pozo, Villalcampo,
Castro, Aldeadávila e Saucelle. Em
Portugal o seu caudal médio é de 527
m3/segundo, mas nas grandes cheias
chega a ultrapassar os 17 mil
m3/segundo. Seus afluentes
principais na margem direita são os
rios Sabor, Tua, Corgo, Tâmega e o
Sousa; na margem esquerda, os rios
Águeda, Côa, Távora e o Paiva. No
início do seu curso é um rio largo e
pouco caudaloso. De Zamora à sua
foz, corre entre fraguedos em canais
profundos. O forte declive do rio,
as curvas apertadas, as rochas
salientes, os caudais violentos, as
múltiplas irregularidades, os
rápidos e os inúmeros "saltos" ou
"pontos" tornavam este rio
indomável. Aproveitando o elevado
desnível, sobretudo na zona do Douro
Internacional, onde o desnível médio
é de 3m/km, a partir de 1961, foi
levado a cabo o aproveitamento
hidroeléctrico do Douro. Com a
construção das barragens, criaram-se
grandes albufeiras de águas
tranquilas, que vieram incentivar a
navegação turística e recreativa,
assim como a pesca desportiva.
Excluindo-se os períodos de grandes
cheias, pode dizer-se que o rio
ficou domado definitivamente. No
troço nacional do Douro, a
instalação de eclusas em paralelo
com as barragens hidroeléctricas
permitiu a criação de um canal de
navegação fluvio-marítima. No seu
curso, entre Bemposta e Picote, pode
ser visto, nas suas águas
espelhadas, tudo o que rodeia este
ambiente: as nuvens, o sol, (que
queima os olhos, reflectido na
água), os montes, as fragas, as aves
(patos, garças, águias, abutres,
gaivotas). Nas fragas mais altas
podem ser vistas aves de rapina,
guardando os seus ninhos. Por outro
lado, no rio, espécies indígenas,
como o escalo, a enguia e a truta,
têm sido dizimadas ou pela pesca à
rede descontrolada e/ou pela
modificação das condições ambientais
(parte do ano estão perto do limite
de resistência de algumas espécies).
Após a construção da barragem, foi
feita a introdução da carpa que,
podendo atingir acima dos 20 kg, tem
a propriedade de se alimentar de
tudo, fazendo a limpeza das
barragens mesmo em condições
precárias de oxigenação das águas.
Mais recentemente, surgiram o achigã,
a perca, o lúcio (peixes carnívoros)
e o lagostim-vermelho, (todos eles
originários de outros países). Pode
ainda encontrar-se, com abundância,
a boga e o barbo e até mexilhão
(idêntico ao do mar). Porém, passar
junto a fragas gigantes, tingidas de
várias tonalidades, pela separação
de fragmentos de rocha, causadas por
dilatações e contracções bruscas,
motivadas pelo clima, é esmagador.
Viajando até junto do Douro, que
serpenteia entre as arribas, pode
ver-se onde vivem e/ou nidificam
abutres, grifos, águias, pombos
bravos, andorinhas, etc., e nas
ladeiras do mesmo, a perdiz, a rola,
o estorninho, o melro, o papa figo,
etc. Dentro das matas de zimbros,
estevas, carvalhos, sobreiros e
pinheiros e outras variedades de
vegetação das encostas do Douro,
podem ainda encontrar-se espécies
cinegéticas, que são uma das maiores
riquezas naturais da região: o
corso, o javali, o coelho, a lebre,
o lobo, a raposa, o texugo, a
gineta, etc. O Rio Douro foi, e é,
uma fonte de riqueza para a região e
para a aldeia. Antigamente, fazia
mover as azenhas que se espalhavam
nas suas margens, tais como as
azenhas do Sr. António Luís, dos
Fróis, dos Melgos e dos Velhos,
permitia a pesca, irrigava campos ou
enchia os poços das melhores hortas
de Bemposta, existentes perto deles,
onde se cultivavam as novidades e as
árvores de fruta, base de sustento
das populações. Mais tarde, com o
aproveitamento hidroeléctrico,
Bemposta passa a contribuir para a
riqueza nacional, distribuindo
energia eléctrica ao país.
Proporcionou também maior abundância
de peixe, através das albufeiras,
criando alguns postos de trabalho
com a pesca profissional, a que se
dedicaram algumas famílias.
O escoamento anual do rio Douro é,
em média, de 22 860 hm3,
correspondendo 9 200 hm3 a Portugal
e o restante a Espanha. Estima-se
que a bacia hidrográfica do rio
Douro, em território nacional,
apresente uma capacidade total de
armazenamento de recursos hídricos
de 1 078 hm3, em regime
regularizado. A bacia hidrográfica
do rio Douro é a bacia nacional que
apresenta o maior valor de
escoamento na sua foz, em termos de
volume de águas. É nos terraços do
vale do Douro superior, em
acentuados declives talhados no
xisto, que se cultivam as vinhas de
cujas uvas se fabrica o vinho do
Porto.
Rio Vouga
Rio com origem na serra da Lapa e
que, após um percurso de 136
quilómetros, dos quais 50 Km
navegáveis, até ao Pessegueiro,
desagua no oceano Atlântico através
de um delta impropriamente designado
por "ria de Aveiro". A área da sua
bacia hidrográfica é de 3700 km2. O
escoamento anual na foz do rio Vouga
é, em média, de 1900 hm3. Estima-se
que a bacia hidrográfica do rio
Vouga apresente uma capacidade total
de armazenamento de recursos
hídricos de somente 1 hm3, em regime
regularizado. O rio Vouga,
designado por muitos como "o Nilo
português", tem no seu curso três
secções bem marcadas. Começa por ser
um rio de planalto até S. Pedro do
Sul; depois, corre entre zonas
montanhosas, recebe a água de vários
afluentes e passa num vale profundo
com meandros encaixados - rio de
montanha; finalmente, ao deixar o
Maciço Antigo, o Vouga muda de
aspecto, corre entre margens largas
e baixas, descrevendo meandros com
uma forte acção acumuladora: rio de
planície. Pouco depois de passar a
vila de Cacia, situada no concelho e
Distrito de Aveiro e a 7 quilómetros
da sede de concelho e de distrito,
as sua águas separam-se em inúmeros
canais de terreno baixo e pantanoso,
dando-se início à formação da Ria de
Aveiro. O seu percurso é,
predominantemente, feito de leste
para oeste tendo um total de 148
quilómetros de extensão. Tem como
afluentes principais os rios Caima,
Mau e Sul, na margem direita, e
Águeda, na margem esquerda. A sua
bacia hidrográfica, contando com as
pequenas bacias hidrográficas
afluentes directas da Ria de Aveiro,
cobre uma extensão de 3 635 km². É
represado pela barragem de Ribafeita.
A Ria de Aveiro
A ria de Aveiro, é uma laguna de
ramos sinuosos que se estendem numa
rede de braços de grande
complexidade no centro da qual se
situa a cidade de Aveiro. A ria de
Aveiro é bastante utilizada para
fins turísticos, nomeadamente
através dos seus barcos
característicos, os moliceiros.
Localidades turísticas: cidades de
Aveiro e Ílhavo, praias da Barra,
Costa Nova, Torreira, Murtosa, São
Jacinto, Furadouro, Ovar, Cortegaça,
Barrinha, Esmoriz, Vagos, Vagueira e
Mira. A Ria é o resultado do recuo
do mar, com a formação de cordões
litorais que, a partir do século
XVI, formaram uma laguna que
constitui um dos mais importantes e
belos acidentes hidrográficos da
costa portuguesa. Abarca onze mil
hectares, dos quais seis mil estão
permanentemente alagados,
desdobra-se em quatro importantes
canais ramificados em esteiros que
circundam um sem número de ilhas e
ilhotes. Nela desaguam o rio Vouga,
o Antuã, o Boco e o Fontão, tendo
como única comunicação com o mar um
canal que corta o cordão litoral
entre a Barra e S. Jacinto,
permitindo o acesso ao Porto de
Aveiro, de embarcações de grande
calado. Rica em peixes e aves
aquáticas, possui grandes planos de
água, locais de eleição para a
prática de todos os desportos
náuticos. Ainda que tenha vindo a
perder, de ano para ano, a
importância que já teve na economia
aveirense, a produção de sal,
utilizando técnicas milenares, é,
ainda, uma das actividades
tradicionais mais características de
Aveiro. Com as suas várias ribeiras,
proporciona às populações das suas
margens actividades como a
construção naval (barcos de
madeira), a agricultura, o
aproveitamento do sal e a apanha de
algas para fertilizante das terras
de cultivo.
Rio Mondego
Este belo rio, desde o tempo dos
romanos tem chamado a atenção de
viajantes, geógrafos, historiadores,
em virtude das suas belezas
naturais. Nasce na serra da Estrela,
a 1425 metros de altura e percorre
227 Km até desaguar na Figueira da
Foz. Os seus principais afluentes
são, na margem direita, o rio Dão e
na esquerda os rios Alva, Ceira e
Arunca. Os romanos chamavam Munda ao
rio Mondego. Munda significa
transparência, claridade e pureza.
Nesses tempos as suas águas eram
assim. Ao longo da Idade Média o rio
continuou a chamar-se Munda. A
navegabilidade fazia-se desde a
ocupação fenícia. Durante a ocupação
Romana, os navios de mar ainda
deveriam chegar a Coimbra, mas o
progressivo assoreamento foi
reduzindo a navegação para montante,
exigindo barcos de menor porte: as
barcas serranas, meio de transporte
privilegiado no contacto entre o
interior e o litoral, vinham do
Oceano Atlântico até Coimbra e os
mais pequenos chegavam a ir mesmo
até Penacova. Estes serviam para que
as mulheres de Penacova viessem a
Coimbra, buscar roupa suja e depois
a trazerem lavada e passada a ferro,
e para os Homens levarem lenha para
o litoral e trazer peixe para o
interior. No século XVII o estuário
já só se alargava a jusante de
Montemor-o-Velho, cerca de 20km a
montante da desembocadura actual. O
assoreamento, foi progressivamente
dificultando a navegação no Mondego,
levando ao seu desaparecimento na
década de 50. Calcula-se que nos
últimos seiscentos anos o leito terá
subido cerca de um centímetro por
ano, ou seja um metro em cada
século. No século XVIII o rio era
instável e entrançado, com
frequentes fenómenos de avulsão na
planície aluvial, entre Coimbra e
Montemor. Já naquela época era
reconhecido o problema do forte
assoreamento, bem como o carácter
intempestivo do caudal do rio. Para
resolver esses problemas, foi
elaborado, no final do século XVIII,
um plano de encanamento do Mondego a
jusante de Coimbra. Desde 1781 até
1807 a situação dos campos do
Mondego melhorou muito após a
abertura de um novo leito. Mas a
situação foi piorando, devido ao
assoreamento do rio, chegando ao
século XX numa situação
insustentável. Foi preparado então o
Plano Geral de Aproveitamento
Hidráulico da Bacia do Mondego, para
a intervenção hidráulica na década
dos anos sessenta, e implementada
desde a década dos anos oitenta. O
Mondego corre actualmente em canal
artificial desde Coimbra até à
Figueira da Foz. Além das duas
grandes barragens foram construídos
novos leitos aluvionares, incluindo
7,7km de diques de defesa, uma
dragagem de 16 hm3 e revestimentos
com um volume de 0,5 hm3. Por fim,
o Mondego desagua no Atlântico junto
à Figueira da Foz, servindo de porto
e de abrigo para as actividades
ligadas à pesca, ao sal e ao turismo
e recreio.
A sua bacia hidrográfica ocupa uma
área de cerca de 6671 km2. O
escoamento anual na foz do rio
Mondego é, em média, de 3400 hm3.
Estima-se que a bacia hidrográfica
do rio Mondego apresente uma
capacidade total de armazenamento de
recursos hídricos na ordem dos 540
hm3, em regime regularizado. É um
rio de montanha, de forte acção
erosiva, correndo com a direcção
predominante de sudoeste-nordeste,
num vale profundo e estreito, até a
alguns quilómetros a montante de
Celorico da Beira. Encostado ao
rebordo norte da Cordilheira
Central, o Mondego toma então a
direcção nordeste-sudoeste,
insinuando-se pelo planalto da Beira
Alta por um vale cada vez mais
largo. Engrossa o seu caudal com a
ajuda de afluentes (como o rio Dão),
tornando-se um rio de planalto de
grande poder de transporte. Ao
atravessar o rebordo do planalto da
Beira Central, na região de Penacova,
o Mondego corre num vale apertado,
de meandros encaixados; depois de
receber o rio Alva, o seu vale
encaixa-se ainda mais ao atravessar
o contraforte de Entre Penedos,
junto de Penacova; aí se encontram
estratos quartzíticos, muito
fracturados e dispostos como livros
numa estante, o que originou o nome
curioso de Livraria do Mondego.
Próximo de Coimbra, o rio corre numa
extensa área de sedimentação, os
campos do Mondego. É, então, um rio
de planície, que atinge com
dificuldade o oceano, junto à cidade
da Figueira da Foz. Era
popularmente designado por
"bazófias", dada a irregularidade do
seu caudal, ora de grandes cheias,
ora diminuto. Actualmente
encontra-se muito intervencionado e
regularizado por diversas barragens,
a mais importante das quais é a da
Aguieira, situada a 400 metros a
jusante da confluência do rio Dão
com o rio Mondego.
Rio Tejo
O rio Tejo percorre 1038 Km, dos
quais 275 em território português e
47 em território comum a Portugal e
a Espanha, sendo de maior extensão
na Península Ibérica. Nas ce em
Muela de San Juan, em plena serra
espanhola de Albarracin, a 1593
metros de altitude e banha as
cidades de Toledo, Santarém e Lisboa
desaguando no Oceano Atlântico a
Oeste da capital portuguesa,
formando o estuário o chamado Mar da
Palha, o mais importante da
Península Ibérica, tanto pelas
dimensões como pela relevância
sociodemográfica. Na parte norte,
este espaço está protegido
legalmente mediante a Reserva
Natural do Estuário do Tejo, criada
em 1916, com uma área de 14.560
hectares.
Aqui se integram zonas húmidas,
lodos, salinas, ilhotas e terrenos
agrícolas que, a cada inverno, dão
abrigo a cerca de 80.000 aves. A
vila de Alcochete, situada na margem
esquerda do estuário, pode ser
considerada como a principal
localidade de referência deste
espaço protegido. O rio prossegue
até Lisboa, sob a ponte Vasco da
Gama, considerada a mais comprida da
Europa. Tem 17,2 km de comprimento,
10 dos quais sobre o leito do rio.
Liga desde 1998 as cidades de
Montijo e Sacavém, integradas na
área metropolitana de Lisboa.
Passada a ponte, surge logo à
direita Lisboa. Conforme se aproxima
da capital portuguesa, a largura do
estuário vai pouco a pouco
reduzindo-se. Num dos pontos mais
estreitos foi construído a Ponte 25
de Abril, que também tem grande
interesse arquitectónico e
estrutural. Foi inaugurada em 1966 e
tem um comprimento de quase 2 km,
ligando Lisboa e Almada. O rio
bordeja a parte oriental e
meridional de Lisboa, onde se
encontram diversos monumentos,
erigidos praticamente na margem,
como a Torre de Belém e o Mosteiro
dos Jerónimos, ambos de estilo
manuelino, declarados Património da
Humanidade. O Tejo desagua no oceano
Atlântico, por um largo estuário com
cerca de 260 km2, alguns quilómetros
adiante de Lisboa, em S. Julião da
Barra. Depois de atravessar o
planalto de Castela-a-Nova e a
Extremadura espanhola, entre
desfiladeiros e vales apertados,
entra em Portugal. Antes disso, faz
fronteira entre Espanha e Portugal
através do troço internacional do
Tejo, com uma extensão de cerca de
50 km. As margens são rochosas e
abruptas e o vale estreito. O
leito está cheio de penedias,
cascalho e algumas ilhas como a do
Castelo de Almourol. De Abrantes até
à foz, o Tejo corre nas planícies
ribatejanas, onde deposita nateiros
de grande fertilidade e provoca
inundações catastróficas. Da foz do
Tejo partiram as naus e as caravelas
dos descobrimentos portugueses. A
onda que assolou Portugal no dia do
terramoto de 1755 subiu o rio e
inundou Lisboa e outras localidades
na margem. Em Lisboa o rio Tejo é
atravessado por duas pontes. A mais
antiga é a Ponte 25 de Abril
(inaugurada em 1966, então Ponte
Salazar), uma das maiores pontes
suspensas da Europa, e que liga a
capital de Portugal a Almada. A
outra é a Ponte Vasco da Gama, de
cerca de 17 km de comprimento. Foi
inaugurada em 1998 e liga Lisboa (Sacavém)
a Alcochete e Montijo. O local mais
largo deste rio chama-se Mar da
Palha e fica entre a Lisboa, Vila
Franca de Xira e Benavente. Junto a
Vila Franca de Xira existe ainda a
Ponte Marechal Carmona que liga as
duas margens. Era muito utilizada,
mas com a construção da Ponte Vasco
da Gama perdeu tráfego. Existe à
entrada da barra deste rio uma
fortaleza, que é o forte de São
Julião da Barra. Todos os anos no
porto de Lisboa, atracam centenas de
paquetes de luxo, principalmente na
doca de Alcântara. No seu estuário
existe uma reserva ecológica
(Reserva Natural do Estuário do
Tejo, com sede em Alcochete) onde
nidificam várias espécies de aves.
Devido à grande poluição do rio
deixaram de existir golfinhos,
aparecendo raramente um exemplar,
que por engano entra no estuário,
voltando ao mar sempre que
possível. A área da sua bacia
hidrográfica é de 79 800 km2, dos
quais 24 900 são em Portugal. O
escoamento anual na foz do rio Tejo
é, em média, de 17 080 hm3, sendo
6200 hm3 em Portugal e o restante em
Espanha. Estima-se que a bacia
hidrográfica do rio Tejo, em
território nacional, apresente uma
capacidade total de armazenamento de
recursos hídricos na ordem dos 2750
hm3, em regime regularizado. Na
bacia hidrográfica do rio Tejo é
nítido o contraste entre os
afluentes da margem norte, com
elevadas disponibilidades de
recursos hídricos em regime natural,
e os afluentes da margem sul,
bastante pobres em recursos
hídricos. Os seus principais
afluentes em território português
são, na margem direita, os rios
Erges, Ponsul, Ocreza, Zêzere (01),
Almonda, Alviela, Maior e Trancão;
na margem esquerda, os rios Sever,
Nisa, Torto, Alpiarça, Muge, Sorraia,
Montijo e Coina. No seu curso
encontram-se empreendimentos
hidroeléctricos de Belver, Bouça,
Cabril, Castelo do Bode, Fratel,
Maranhão e Montargil. Nas suas
margens, entre o curso internacional
e a foz do Ocreza, foram descobertos
em 1971, mais de 20 mil gravuras
rupestres, que cerca de 80% ficaram
submersas pela albufeira da barragem
de Fratel.
(01) O rio Zêzere (Afluente do Tejo)
é o segundo maior rio exclusivamente
português, após o rio Mondego. Os
seus principais afluentes na margem
direita são: o rio Alge, o rio
Cabril, a ribeira de Unhais, o rio
Nabão, a ribeira de Paul e a ribeira
de Pêra. Na margem esquerda
encontramos a ribeira de Bogas, a
ribeira de Rio Caria, a ribeira da
Malhadancha, a ribeira da Isna, a
ribeira de Meimoa, a ribeira da
Sertã e a ribeira de Teixeira. Da
sua bacia hidrográfica com 5043 km²,
1056 km² pertencem ao rio Nabão. Os
grandes desníveis, aliados ao volume
de água (por vezes superior a 10.000
m³/s.), representam uma notável
riqueza hidroeléctrica, aproveitada
em três barragens (Bouçã, Cabril e
Castelo de Bode), que produzem
anualmente 700 milhões de kW/hora.
Ferreira de Castro, imigrante no
Brasil e autor do livro "A Selva"
que tão bem retrata a vida de
antigos seringueiros, escreveu
Zêzere: "Era uma pobre, trémula fita
de água, ora muito estreita, ora
mais larguita, às vezes quase
invisível, que se lançava lá do alto
por um sulco ou diáclese da rocha
negra, aberta para lhe dar melhor
caminho." O tempo estava esplêndido,
com uma temperatura amena, e o
Cântaro Magro brilhava ao sol
oblíquo do amanhecer. Junto aos
abrigos de pedra e telhado de colmo,
pastores conduzem os seus rebanhos
monte acima, em direcção a pastos
mais abundantes, enquanto os animais
vão mordiscando a erva que encontram
pelo caminho. Um quadro de uma
imensa beleza e tranquilidade, só
perturbada, de vez em quando, por
algum carro que passa na estrada
alcatroada a meio da encosta...".
Rio Sado
No seu percurso passa por Alvalade e
por Alcácer do Sal, sendo o seu
estuário a separar Setúbal de Tróia.
É dos poucos rios da Europa que
corre de Sul para Norte, tal como o
Rio Mira (Odemira, Alentejo), que é
de menor dimensão. Os seus
principais afluentes são os rios
Xarrama, Alcáçovas, Marateca,
Alvalade e Arção. Percorre 175 Km
desde que nasce a Sueste de Ourique
até que desagua a Oeste da cidade de
Setúbal. É navegável até Porto de
Rei, ou seja, ao longo de 70 Km. Tem
uma bacia hidrográfica com 7628 Km2,
um caudal médio de 27 m3/segundo e
um estuário com 1600 metros de
largura na foz. No estuário do Sado
habita uma população de golfinhos (roaz-corvineiro),
que tem resistido à invasão do seu
habitat pelo homem, ao tráfego
marítimo para os estaleiros da
Mitrena, para o porto de Setúbal e
decorrente da pesca e da doca de
recreio, além do ferry-boat de
ligação entre margens. O rio Sado
não tem um grande caudal devido a
vários factores, destacando-se dois:
o clima mais árido do Alentejo, onde
se encontra a sua nascente, e o
desnível, pequeno, entre a altitude
da nascente e a altitude da foz. A
sua bacia hidrográfica tem uma área
de 7640 km2. desagua no oceano
Atlântico por um largo estuário com
cerca de 100 km2, em frente da
cidade de Setúbal, após um percurso
de 175 quilómetros. O rio Sado tem
um traçado que apresenta uma
orientação pouco vulgar em Portugal,
correndo praticamente na direcção
sul-norte até à confluência com a
ribeira de Odivelas, inflectindo, a
partir daqui, para noroeste até à
foz. É considerado como exemplo de
um rio de planície, uma vez que mais
de metade do seu percurso se situa
abaixo dos 50 metros. A sua bacia é
delimitada a norte pela bacia
hidrográfica do Tejo, a sul pela do
rio Mira, a este pela do rio
Guadiana e a oeste por pequenas
bacias da costa alentejana, que vão
desde a Península de Tróia, a norte,
até Porto Covo, a sul. A bacia
hidrográfica ocupa uma área de cerca
de 7650 km2, pelo que é a maior dos
rios exclusivamente portugueses. O
escoamento anual na foz do rio Sado
é, em média, de 1000 hm3. Estima-se
que a bacia hidrográfica do rio Sado
apresente uma capacidade total de
armazenamento de recursos hídricos
na ordem dos 771 hm3, em regime
regularizado. É a bacia hidrográfica
portuguesa que dispõe de menos
recursos superficiais anuais médios
por unidade de área. Além dos
recursos endógenos, na bacia do
Sado, estão previstos transvases
provenientes de bacias vizinhas,
nomeadamente do sistema do Alqueva,
integrado na bacia do Guadiana.
Rio Mira
Percorre 130 Km desde que nasce na
serra de Um até desaguar em Vila
Nova de Milfontes, sendo navegável
até Odemira, ou seja cerca de 30 Km.
O seu principal afluente é o rio
Torto. Na maioria do seu curso, o
desnível é baixo, podendo por isso o
rio ser considerado envelhecido
(Andrade, 1986). A bacia
hidrográfica do rio Mira, localizada
no sudoeste de Portugal, tem uma
área total de 1600 km². A norte é
limitada pela bacia hidrográfica do
rio Sado, a sul pelas bacias
hidrográficas das ribeiras
provenientes da Serra de Monchique,
a leste pela bacia hidrográfica do
rio Guadiana e a oeste pela orla
costeira. Na orla costeira, as
linhas de água correm
perpendicularmente à costa e drenam
directamente para o mar. O vale do
rio Mira, desde a vila de Odemira
até à foz, está inserido no Parque
Natural do Sudoeste Alentejano e
Costa Vicentina. A bacia
hidrográfica do rio Mira é limitada
a norte pela bacia do Sado, a sul
pelas bacias hidrográficas das
ribeiras provenientes da serra de
Monchique e a leste pela bacia
hidrográfica do rio Guadiana. É um
rio com fraco caudal e a área total
da sua bacia hidrográfica é de 1800
km2. O escoamento anual na foz do
rio Mira é, em média, de 300 hm3.
Estima-se que a bacia hidrográfica
do rio Mira apresente uma capacidade
total de armazenamento de recursos
hídricos na ordem dos 486 hm3, em
regime regularizado. O estuário do
Mira tem cerca de 32 quilómetros de
comprimento e uma largura máxima de
150 metros. Junto de Vila Nova de
Mil Fontes os seus fundos apresentam
bancos de areia que ficam a
descoberto na baixa mar e formam um
sistema de canais.
Rio Guadiana
Pelo seu comprimento, 820 Km, e
dimensão da bacia hidrográfica com
67500 K2, é o quarto rio da
Península Ibérica. Nasce em Espanha,
que detém 743 Km do seu percurso,
nas lagoas de Ruidera e a partir de
Badajoz acompanha ao longo de 60 Km
a fronteira entre os dois países.
Entra em Portugal, que detém 12 mil
Km2 do seu percurso, até Pomarão,
voltando a ser froneira até à foz,
no oceano Atlântico, entre Aiamonte
e Vila Real de Santo António. A
amplitude das suas marés chega a
Mértola, a 75 Km da foz, e o seu
leito atinge a fronteira portuguesa
até à cota de 155 metros. Depois do
rio Tejo, é o mais navegável dos
rios portugueses e, os seus
principais afluentes em Portugal,
são os rios Ardila, Caia, Chanca,
Degebe, Cobres, Oeiras, Odeleite e
Vascão. Em Portugal o Guadiana tem
pouca inclinação à excepção da zona
de rápidos entre Serpa e Mértola,
onde fica o maior desnível, e o Pulo
do Lobo que tem uma altura de 13,5
metros. Quanto ao aproveitamento das
suas águas, em Espanha, no âmbito do
Plano Badajoz, permite a irrigação
de 130 mil hectares e a florestação
de 50 mil hectares. Em Portugal,
apenas se construiu a Barragem do
Caia e o Alqueva e prevista a da
Rocha da Galé. Os romanos
chamavam-lhe Anas (="dos patos"), ao
que os Mouros juntaram uádi (a
palavra árabe para "rio") sendo
então o Uádi Ana, passando ao
português como Ouadiana e, mais
tarde ainda para Odiana. Porém,
desde o século XVI que, por
influência castelhana, foi ganhando
terreno a forma Guadiana, cognata de
outros nomes árabes designando rios
e que passaram ao castelhano com a
forma inicial guad, como
Guadalquivir, Guadalete, Guadalajara
ou Guadarrama, sendo, hoje em dia, a
forma consagrada. O rio Guadiana
desagua no oceano Atlântico (mais
precisamente no Golfo de Cádis),
entre a cidade portuguesa de Vila
Real de Santo António e a espanhola
de Ayamonte, totalizando um curso
total de 829km. A bacia hidrográfica
tem uma área de 68.200km², situada,
em grande parte, em Espanha (cerca
de 55.000km²). O Guadiana faz por
duas vezes fronteira entre Portugal
e Espanha. Primeiro entre o rio Caia
e a ribeira de Cuncos, e depois
desde o rio Chança até à foz. O
primeiro sector da fronteira não
está demarcado entre a ribeira de
Olivença e a ribeira de Táliga,
devido ao litígio fronteiriço de
Olivença. O Guadiana é navegável até
Mértola numa distância de 68 km. No
seu curso português foi construída a
Barragem de Alqueva, na região do
Alentejo, que criou o maior lago
artificial da Europa.
Este rio serve de fronteira entre
Portugal e a Espanha, até ao ponto
em que penetra em território
português, a norte de Mourão, e toma
a direcção norte-sul. O vale por ele
formado encaixa-se na superfície
polimórfica alentejana a partir da
foz do Ardila, com muitos meandros
e, entre Serpa e Mértola, apresenta
rápidos e quedas de água sendo a
mais importante a do Pulo do Lobo,
que corresponde a um estreitamento
súbito e desnivelado das suas
margens. A partir de Mértola, o
Guadiana torna-se navegável. Volta a
servir de fronteira entre Pomarão e
Vila Real de Santo António, onde
desagua no oceano Atlântico. Ao todo
passa por cerca de 810 quilómetros,
desde a sua nascente até à foz,
percorrendo 260 quilómetros em
Portugal, dos quais 110 servem de
fronteira com Espanha. Em Portugal o
escoamento anual médio é de 1 900
hm3 e em Espanha é de 5 470 hm3,
perfazendo um total de 7 370 hm3.
Estima-se que a bacia hidrográfica
do rio Guadiana, em território
português, apresente uma capacidade
total de armazenamento de recursos
hídricos na ordem dos 460 hm3, em
regime regularizado. Os espanhóis
construíram no seu leito diversas
barragens. Portugal, por sua vez,
destinou-lhe um mega projecto, a
construção da barragem do Alqueva,
cuja água se destina a abastecer e
irrigar uma boa parte do Alentejo.
O rio Guadiana possui um caudal
muito variável, quer à escala
sazonal, quer à escala inter-anual:
em situação de tempestade o caudal
pode exceder os 10 000 m3/s, mas, no
Verão, são frequentes as situações
de caudal praticamente nulo. O
caudal médio corresponde
aproximadamente a 80 m3/s. A sua
bacia hidrográfica é aproveitada na
Estremadura espanhola e na zona de
Castilha-La Mancha, principalmente
em planos de desenvolvimento e
aproveitamento para a agricultura e
pecuária. Em Portugal o seu
aproveitamento nas províncias
alentejanas (Alto e Baixo Alentejo)
era, até há poucos anos, para a
agricultura. Com o projecto de
Alqueva, supõe-se que as suas águas
vão mais longe; quando todo o plano
de rega estiver em funcionamento, o
Alentejo poderá então deixar as
tradicionais culturas de sequeiro e
passar às culturas de regadio. O
estuário é alongado e estreito,
típico de um rio de vale encaixado;
no entanto, na região correspondente
à foz, surgem áreas de sapal - na
margem portuguesa, trata-se do sapal
de Castro Marim e, na margem
espanhola, do sapal de Ayamonte.
Ambas as regiões de sapal são zonas
protegidas, com estatuto de Reserva
Natural, constituindo importantes
locais de invernada para numerosas
espécies limícolas e locais
privilegiados para a reprodução de
peixes, moluscos e crustáceos.