"Oceanos e Grandes
Rios"
Rios Brasileiros
Trabalho de
Carlos Leite Ribeiro
Rio São Francisco
É um rio brasileiro que nasce no
Estado de Minas Gerais, e corre para
Norte atravessando o Estado da Bahia e
inflecte depois para NE, servindo de
divisa entre os Estados de Pernambuco e
Alagoas e entre Alagoas e Sergipe, indo
desaguar no oceano Atlântico, depois de
um percurso de 3161 Km. É o mais extenso
dos rios que correm apenas no Brasil.
Como escreveu Guimarães Rosa, sua
história tem sido a história do
sofrimento de um rio que há mais de
quinhentos anos é fonte de vida e
riqueza. Seu descobrimento é atribuído
ao navegador genovês Américo Vespúcio,
que navegou em sua foz em 1501. O nome é
homenagem a São Francisco de Assis,
festejado naquela data. A 4 de Outubro
de 1501, uma expedição de reconhecimento
descia a costa brasileira, rente ao
litoral, comandada por André Gonçalves e
Américo Vespúcio e vinda do Cabo de São
Roque. A região da foz era habitada
pelos índios, que a chamavam Opará, que
significa algo como “rio-mar”. Outra
expedição, em 1503, chegou à foz,
comandada por Gonçalo Coelho, outra vez
com Américo Vespúcio. O rio era visitado
apenas nas cercanias da foz, pois a
mata, a caatinga desconhecida e as
tribos ferozes impediam os brancos de
penetrar na terra. Em 1522, o primeiro
donatário da capitania de Pernambuco,
Duarte Coelho Pereira, fundou a cidade
de Penedo, no actual estado de Alagoas.
Foi o primeiro núcleo povoador das
margens, fundada a quase 40 quilómetros
da costa. A localização estratégica do
povoado, à porta do sertão, mereceu
também atenção dos holandeses, tanto
que, mais tarde, em 1637, conseguiram
nele erigir um forte. Os franceses já
frequentavam a costa, e com certeza por
volta de 1526 na foz do rio São
Francisco, tanto que uma pequena baía,
próxima à foz, recebeu o nome de Porto
dos Franceses. Nas proximidades, ocorreu
o famoso naufrágio de uma nau que levava
D. Pêro Fernandes Sardinha, primeiro
bispo do Brasil. Escapando do naufrágio,
em 1556, foi preso e devorado pelos
índios Caetés que aí viviam. As tribos
indígenas que ali viviam eram chamadas,
pelos Tupis, de Tapuias pois era assim
que chamavam qualquer tribo que não
tivesse a mesma língua. Havia
basicamente na costa do Brasil dois
grupos distintos: os Tupis e os Gês. A
colonização do vale do médio rio se
efectuou em duas épocas distintas, a
segunda delas quase um século depois da
outra. Os primeiros estabelecimentos no
médio São Francisco iniciaram-se no
extremo a jusante. Exploradores de
Olinda, fundada em 1534, e de Salvador,
em 1549, se aventuraram pelo vale do rio
entre dificuldades imensas, dadas a
agressividade da natureza e a presença
de selvagens. Um dos primeiros núcleos
de colonização foi estabelecido em Bom
Jesus da Lapa. Uma expedição vinda de
Olinda, entre 1534 e 1550, chegou à
região, atingindo Lapa. Anos depois
outra expedição, de Salvador, aí esteve.
Na metade do século, um grupo de 200
homens fundou ali um estabelecimento e
numerosas fazendas de gado. No final do
século XVII a história regista a
existência de uma fazenda de gado,
próxima à actual cidade da Barra, o
principal posto de abastecimento do
médio São Francisco. Com a autorização
da Coroa, em 1543 começou a criação de
gado, actividade que marca a história do
vale. A exploração se limitava ao
litoral, principalmente por causa dos
indígenas. Os Pankararu, Atikum, Kimbiwa,
Truká, Kiriri, Tuxás e Pankararé, são
remanescentes actuais dos povos antigos.
Mas lendas sobre riquezas inacreditáveis
atraíam aventureiros. A cobiça, pois se
pensava encontrar ouro e pedras
preciosas, acabou fazendo com que se
aventurassem. Corriam, sobretudo em
Porto Seguro, informações delirantes
sobre tribos que se enfeitavam com ouro,
pedras verdes, cristalinos diamantes.
Por ordem do rei D. João III, o
Governador-Geral Tomé de Sousa
determinou a exploração do rio, em 1553,
a Francisco Bruza de Espinosa, que
formou a primeira entrada de penetração,
levando um jesuíta basco, João de
Azpilcueta Navarro. O roteiro dessa
viagem e uma carta do padre são os
primeiros documentos que descrevem o rio
São Francisco. Não se acharam, porém, as
sonhadas minas de ouro e prata como
havia nas terras espanholas do Alto
Peru. Duarte Coelho Pereira, governador,
organizou uma expedição cujos navios
entraram pela foz, tendo lutado contra
os franceses ali encontrados, que faziam
escambo com os indígenas, e os expulsou.
Nessa oportunidade, navegou poucas
léguas rio acima. Em 1560, um filho de
Duarte Coelho, Duarte Coelho de
Albuquerque, o segundo donatário de
Pernambuco, juntamente com Jorge, seu
irmão, lutou cinco anos contra os
caetés. Em 1561, o rio foi visitado pela
expedição de Vasco Rodrigues de Sousa e,
em 1575, na entrada denominada de
"Mata-Negro". Marco de Azevedo viajou ao
interior com um grupo, em 1577. Sabe-se,
também, que em 1583 João Coelho de Sousa
penetrou o sertão e chegou ao rio. Em
1587, o governador Luís de Brito
determinou a exploração do rio São
Francisco e entregou a responsabilidade
a Sebastião Álvares, numa iniciativa
fracassada. Gaspar Dias de Ataíde e
Francisco Caldas viram uma sua expedição
dizimada em 1588. Em 1590, Cristóvão de
Barros entrou pela região que hoje é o
estado de Sergipe, até o baixo São
Francisco, estabelecendo um caminho que
serviria aos colonizadores e como defesa
contra os franceses. Em 1595, um
descendente de Caramuru, Melchior Dias
Moreira, de acordo com carta escrita ao
Conde de Sabugosa, teria penetrado e
ultrapassado o rio São Francisco.
Guiados pela cobiça, os colonizadores
foram dizimando os índios, que fugiam
para o planalto central. Assim,
ergueram-se os primeiros e pequenos
arraiais, iniciando o domínio da região,
onde o ouro e as pedras preciosas. A
alcunha «rio da integração nacional» se
deve às entradas e bandeiras que nos
séculos XVII e XVIII usaram-no como rota
para penetrar no interior. Seu outro
nome, «rio dos Currais» se deve por ter
servido de trilha para fazer descer o
gado do Nordeste até a região das Minas
Gerais, sobretudo, no início do século
XVIII, quando se achava ali o ouro que
fez afluir milhões de pessoas à terra e
fazendo, assim, a fortuna de muita gente
e, afinal, integrando a região Nordeste
às regiões Leste, Centro-Oeste e
Sudeste. Em 1675, jazidas de ouro são
encontradas em afluentes do São
Francisco pela bandeira de Lourenço de
Castanho que massacrou os cataguazes da
região. Entre as dezenas de expedições
dos bandeirantes que palmilharam o São
Francisco contam-se Matias Cardoso,
Domingos Jorge Velho, Domingos Sertão,
Borba Gato e Domingos Mafrense - este
último subiu alguns afluentes, chegando
às nascentes do rio Parnaíba. Em sua
homenagem, há uma cidade chamada Vila
Mafrense, no município de Paulistana,
Piauí. Nesta época, os reinóis
enfrentavam ainda a resistência de
escravos fugitivos. Os quilombos
formavam uma verdadeira república negra
que desafiou por muito tempo o domínio
da Coroa. Em 20 de Dezembro de 1695, uma
tropa mercenária, contratada por
Portugal e os produtores de açúcar da
capitania de Pernambuco, destruiu o
último foco da resistência armada dos
escravos, ligadas ao famoso Quilombo dos
Palmares. O Ciclo do ouro começou
realmente com a bandeira de Fernão Dias
Pais, nas últimas décadas do século
XVII. O rio das Velhas e o rio São
Francisco formavam o caminho natural
para o litoral e para o Reino. São
Francisco acima subiam as mercadorias
necessárias às minerações e fazendas, os
barcos que regressavam traziam ouro.
Logo se formaram quadrilhas de
assaltantes nas estradas e,
principalmente, no rio. Para
combatê-las, as autoridades designaram
bandeirantes como Matias Cardoso de
Almeida, seu filho Januário Cardoso e
Domingos do Prado Oliveira. Como muitas
quadrilhas se refugiavam nas aldeias
indígenas, o fato serviu de pretexto a
expedições genocidas, como a que
Januário Cardoso e o português Manuel
Pires Maciel Parente comandaram,
destruindo a da maior aldeia indígena
daquela região - Itapiraçaba, dos índios
Caiapós. Também no século seguinte o
bando de Domingos do Prado Oliveira
destroçou a grande aldeia dos Guaiabas,
na ilha fronteira a São Romão, pavoroso
genocídio no início do século XVIII.
Este bandeirante e sua gente tinham como
base o povoado de Pedras de Cima, depois
denominado Pedras dos Angicos. Haveria
mais de cem famílias paulistas chamado
desde 1690 no chamado «distrito dos
couros», que era o vale do São
Francisco, com as zonas ribeirinhas dos
afluentes, que teriam origem nos
expedicionários bandeirantes chamados ao
Norte contra os tapuias e os quilombos,
que como Borba Gato se dedicam
inicialmente ao gado - entre seus
descendentes muitos dos contrabandistas
que no século XVIII sangram os Quintos
do rei, rio abaixo, de bubuia, pelos
direitos que se arrogam como detentores
das datas e por crescentes exacções da
Real Fazenda, como o quinto e as
capitações. Os Pauistas estarão sempre
entre os fautores dos movimentos armados
do início da capitania de Minas - a
guerra dos Emboabas, a rebelião de
Pitangui, os famigerados motins do
sertão com as românticas figuras de D.
Maria da Cruz e do Padre António Mendes
Santiago.
Rio
Tocantins
Rio brasileiro, dos Estados de Goiás,
Tocantins, Maranhão e Pará. Nasce na
Serra Dourada e percorre 2500 Km, indo
desaguar na baía de Marajó, onde se
mistura com o Amazonas e com outros rios
da região. Banha as cidades de Carolina
e Belém do Pará, entre outras. O rio
Tocantins tem 2.416km de extensão;
corre no sentido de Sul para Norte,
ligando a Amazónia ao Planalto Central,
onde nascem os seus dois afluentes: O
Rio das Almas, oriundo da serra dos
Pirenéus (Goiás), e Maranhão, da Serra
Geral do Panará. O Tocantins atravessa
os Estados de Goiás e de Tocantins,
separando este último, no extremo norte,
do Maranhão. Ao receber pela esquerda o
Araguaia, penetra em terras paraenses,
onde desemboca num amplo estuário, a que
dão o nome de rio Pará. A nascente mais
longínqua do Rio Tocantins fica
localizada na divisa entre os municípios
de Ouro Verde de Goiás - GO e Petrolina
de Goiás - GO, bem próximo à divisa de
ambos com o município de Anápolis - GO.
A partir deste ponto, o rio surge com o
nome de Rio Padre Sousa no município de
Pirenópolis - GO.
Rio
Negro
Rio do Brasil e do Uruguai que nasce
perto de Bajé, no Estado do Rio Grande
do Sul. Corre para Sudoeste e depois de
percorrer 50 Km em território brasileiro
e 750 Km em território uruguaio desagua
no rio Uruguai, junto à localidade de
Soriano. As duas maiores barragens do
Uruguai – Rincón del Bonete e Rincón de
Baygorria – situam-se no seu curso
médio. É navegável nos últimos 80 Km. As
primeiras expedições portuguesas na
região remontam ao início da década de
1660, em busca de drogas do sertão,
metais e pedras preciosas, e de
indígenas para o apresamento. Entre
estas, destaca-se a do Capitão Francisco
Ferreira, que penetrou o vale do rio
Branco em 1718. A partir de 1725,
missionários Carmelitas iniciaram a
tarefa de conversão do indígena na
região. A criação da Capitania Real de
São José do Rio Negro, pela Carta-régia
de 3 de março de 1755, foi fruto da
preocupação da Coroa portuguesa com as
fronteiras do rio Negro e do rio Branco,
a primeira ameaçada pelos espanhóis do
Vice-reino do Peru, e a segunda pelas
expedições dos holandeses do Suriname,
com fins de comércio e de apresamento de
indígenas. A medida foi ainda
grandemente influenciada pelas
demarcações previstas pelo Tratado de
Madrid em 1750: com a criação de uma
nova unidade administrativa na região,
pretendia-se implementar, na prática, a
colonização do alto rio Negro,
criando-se a infra-estrutura necessária
ao encontro e aos trabalhos das
comissões de demarcação portuguesa e
espanhola, encontro esse que jamais
ocorreu, tendo forças portuguesas
ocupado nesse ínterim, provisoriamente,
o curso do baixo rio Branco, efectuando
plantações de mandioca e de outros
víveres, para o aprovisionamento da
Comissão. Com o estabelecimento do Forte
de São Joaquim do rio Branco a partir de
1775, diversos aldeamentos de indígenas
convertidos foram estabelecidos para o
seu serviço, entre os quais a povoação
de Nossa Senhora do Carmo, fundada por
religiosos Carmelitas. Durante o Brasil
Império (1822-1889), esta foi elevada a
vila e sede de freguesia com o nome de
Boa Vista (1858). Com a proclamação da
República (1889), a freguesia foi
transformada no município de Boa Vista
do Rio Branco (1890), integrante do
Estado do Amazonas.
A pretensão britânica a alguns
rios afluentes do rio Branco - afluente
do rio Amazonas- , conduziu à chamada
Questão do Pirara em1904. Submetida à
arbitragem do rei Vítor Emanuel III da
Itália, a região em litígio foi
repartida entre ambas as partes,
garantindo à Guiana inglesa uma saída
fluvial para o Amazonas, e perdendo o
Brasil a região oriental do Pirara. A
região foi desmembrada do Estado do
Amazonas pelo Decreto-lei Nº 5.812, de
13 de Setembro de 1943, que criou o
território federal do Rio Branco, mais
tarde denominado como território federal
de Roraima em 1962, e elevada a Estado
pela Constituição brasileira de 1988. Se
a colonização da região foi incentivada
em fins do século XIX com o
estabelecimento de Fazendas Nacionais,
um século mais tarde os garimpos de ouro
e diamantes atraíram levas migratórias
de diversas regiões do país. Esta
imigração e exploração desordenadas
ocasionaram muitos conflitos e mortes
por doenças e assassinatos, sobretudo
nas populações indígenas. Apoiados por
políticos locais, os garimpeiros foram
substituídos pela exploração agrícola em
grande escala (agronegócio) em terras
indígenas, gerando novos conflitos ao
final do século XX e XXI.
Rio
Tapajós
Rio brasileiro, afluente do rio
Amazonas, nasce na serra dos Parecis, no
Estado de Mato Grosso, com o nome de
Juruena. Depois de confluir com o rio
Teles Pires, passa a chamar-se Tapajós.
Desemboca no rio Amazonas, por altura de
Santarém no Estado do Pará, depois de
percorrer grande extensão de floresta.
Durante muitos anos, grande parte do que
se conhece hoje pela Amazónia pertencia
aos espanhóis - graças ao Tratado de
Tordesilhas, assinado com Portugal em
1494. Mas as primeiras expedições à
região foram acontecer apenas anos
depois, a partir de 1540. Apesar de a
maior parte da terra estar sob domínio
dos espanhóis, foram os portugueses que
mais se interessaram sobre aquela área:
era preciso protegê-la da invasão de
outros países, como Inglaterra, França e
Holanda. Em 1637, Portugal encomenda a
primeira grande expedição à região, com
cerca de 2 mil pessoas. A exploração de
frutos como o cacau e a castanha ganham
uma forte conotação comercial. A partir
do século XVIII, a agricultura e a
pecuária passam a ter papel fundamental
na região. Como a mão-de-obra indígena
já não era mais suficiente, os negros
africanos também chegam à região como
escravos. Em 1750, com o Tratado de
Madrid, Portugal passa a ter direito
sobre as terras ocupadas na região Norte
do país. É o início do estabelecimento
da fronteira brasileira na região
amazónica, que culmina finalmente no
século 20 com a anexação do Estado do
Acre. Outro grande marco na história da
ocupação da Amazónia foi a Revolução
Industrial. Com suas fábricas operando a
todo vapor, a Inglaterra encontrou na
floresta brasileira uma importante
matéria-prima: a borracha, também
chamada na época de "ouro negro".
Incentivados pelo governo, milhares de
brasileiros e estrangeiros decidem
migrar para a região. Estima-se que,
entre 1870 e 1900, 300 mil nordestinos
tenham migrado para região. Os
imigrantes eram recrutados para
trabalhar nos seringais, mas não tinham
direito às terras. Os seringais eram
administrados por famílias tradicionais
locais, que lidavam directamente com as
exportadoras inglesas instaladas na
região. A exportação da borracha gera
riquezas nunca antes vistas na região, o
que permite construir as primeiras
grandes obras, como o Teatro da Paz em
Belém, no ano 1878 e o Teatro Amazonas,
em Manaus, em 1898. Caminhos de ferro,
como a Madeira-Mamoré, também são
erguidas. O primeiro boom da borracha
dura pouco. Já em 1900, o produto começa
a ser fortemente explorado na Ásia,
interrompendo a primazia brasileira
nesse mercado. A região amazônica entra
em decadência. Na década de 1940, a
borracha brasileira encontra uma segunda
chance: com a Segunda Guerra Mundial, os
aliados perdem acesso ao produto
asiático, colocando o Brasil novamente
na rota do comércio mundial. País em
plena expansão, os Estados Unidos tinham
especial interesse na borracha
brasileira. Ciente disso, o governo
brasileiro firma um acordo com os
americanos: eles investem no Brasil e o
governo brasileiro se encarrega de
arregimentar nova mão-de-obra para os
seringais da Amazónia. O então
presidente Getúlio Vargas, defende a
"Marcha para o Oeste". De acordo com a
historiadora Maria Liege Freitas, da
Universidade Federal do Ceará, Getúlio é
o primeiro presidente brasileiro a ver
na Amazónia uma "importância
estratégica". O esforço de seu governo
para atrair trabalhadores à floresta
surte efeitos. Nas principais capitais
do país, especialmente no Nordeste, são
instalados postos de recrutamento. O
suíço Jean-Pierre Chabloz é contratado
para criar uma campanha chamando os
brasileiros à Amazónia, que passa a ser
conhecida como o "Novo Eldorado". Mais
uma vez, o ciclo de riqueza dura pouco.
Terminada a guerra, os Estados Unidos
suspendem os investimentos, e a Amazónia
volta a sofrer com a decadência
económica.
Rio
Xingu
Rio brasileiro, afluente do rio
Amazonas, que nasce nos planaltos de
Mato Grosso e percorre 2000 Km, indo
desembocar no Amazonas, a Sul da ilha
Grande de Guarupá. Os seus principais
afluentes são os rios Iriri, Fresco e o
Pacajá Grande. Junção dos rios Koluene (Culuene),
a Oeste, e Sete de Setembro, a leste, dá
inicio ao chamado rio Xingu. Na região
de sua cabeceira abriga o Parque
Indígena do Xingu, o primeiro parque
indígena do Brasil, sendo a principal
fonte de água e alimentos para uma
população de cerca de 4.500 índios que
vivem no Parque. Constantemente ameaçado
pela expansão da fronteira agrícola, com
o consequente desfazimento na região de
seus principais formadores, que se
encontram todos fora da área do Parque.
Rio
Araguaia
Rio afluente da margem esquerda do
rio brasileiro Tocantins, pertencente à
bacia amazónica. Nasce na serra do
Caiapó, corre ao longo de 1902 Km no
sentido Norte – Sul e serve de divisa
entre os Estados de Mato Grosso, Goiás e
Pará, acabando por juntar-se ao rio
Tocantins na confluência das fronteira
de Góiás, Maranhão e Pará. A meio do seu
curso fica a maior ilha fluvial do mundo
– a ilha do bananal com 20 mil Km de
área. Para preservação do rio Araguaia,
cujas margens são ricas em caça e pesca,
foi criado a Parque Nacional do
Araguaia, no Estado do Góiás. O rio é
navegável ao longo de 1300 Km do seu
percurso. É considerado um dos mais
piscosos do mundo. Porém vem sofrendo
nos últimos anos com a pesca predatória
que tem diminuido o número de peixes,
sendo outro factor para a diminuição de
peixes nesse rio foi a construção da
hidroeléctrica de Tucurui, sendo que a
mesmo não possui recursos necessários
para a subida natural de peixes em
período de desova.
Durante a seca nos meses de Julho e
Agosto, formam-se em seu leito ilhas de
areia que são utilizada como área de
acampamento por turistas. Cadastros
realizados pela Agência Ambiental de
Goiás mostram que mais de 50 mil pessoas
passam pelos acampamentos montados entre
os municípios de Aragarças e Luís Alves,
em Goiás, em trecho de cerca de 600 km.
O maior número de acampamentos no trecho
que o rio passa pelo Estado de Goiás são
montados no município de Aruanã. Há
desde acampamentos montados por pequenas
famílias a acampamentos comerciais
frequentados por milhares de pessoas
durante a temporada de praia
principalmente no mês de Julho. Para
acampar os órgãos de meio ambiente
exigem dos acampados o cumprimento das
normas de convivência com o Rio
Araguaia. Algumas delas: não utilizar
madeira nativa da região, não caçar, não
pescar sem licença dos órgãos
ambientais, não soltar fogos, construir
o banheiro afastado da margem do rio
pelo menos 30 metros e não utilizar
latas no interior e levar todo o lixo
produzido no acampamento para as
cidades. Há vários anos órgãos
ambientais, como a Agência Ambiental de
Goíás e ONGs realizam no trecho do rio
Araguaia em Goiás trabalho de Educação
Ambiental principalmente durante a
temporada de praia buscando sensibilizar
e conscientizar os milhares de turistas
que frequentam o rio. Em 2007, nos
últimos meses do ano, em Aragarças, as
águas do Rio Araguaia baixaram tanto que
foi possível atravessar o rio andando.
Já em Fevereiro de 2008 ocorreu
enchentes que em Aruanã quase cobriram a
sede da Associação dos Barqueiros. O que
mostra a mudança no ciclo das águas, com
atraso das chuvas e chuvas intensas e
alguns períodos. O Rio nasce no Sudoeste
de Goiás, que tem grande exploração da
agricultura. Com o solo desprotegido em
grande parte do ano, as águas correm
para o rio levando agrotóxico e o
próprio solo. Assim observa-se a
importância de uma agricultura
sustentável e não apenas monocultura sem
respeito às leis de meio ambiente. Em
muitos lugares as matas ciliares também
foram retiradas pelos próprios
fazendeiros. O rio sofre com
assoreamentos e pode ter o seu curso
mudado ao longo dos anos. Com os
trabalhos de Educação Ambiental
realizados há várias décadas pela
Agência Ambiental de Goiás foi possível
conseguir importantes avanços já que na
década de 1970 o rio chegou a ser
chamado de lixão. Hoje, há uma minoria
que ainda acampa nas margens do rio e
não se preocupa com o acondicionamento
do lixo. Mas a maioria já possui
conscientização ambiental, faz colecta
do lixo inorgânico e leva para a cidade
mais próxima, enterra nas margens o lixo
orgânico e ao desmontar o acampamento
não deixa lixo nas praias. Acampados que
não cumprem as normas de convivência
podem ser multados e até responderem a
processo. O por do sol visto das margens
do Rio Araguaia é uma das imagens mais
belas captadas por turistas e veículos
de comunicação. Mas não é difícil também
ver botos subindo rapidamente para
respirar, gaivotas, mergulhões, jacarés
e até cardumes de peixes subindo o rio
durante a piracema - período em que é
proibida a pesca de qualquer espécie. Já
três espécies são proibidas de serem
pescadas em qualquer época do ano:
Pirarucu, Pirarara e Filhote. Na
Amazónia estão sendo desenvolvidos
projectos de criação do Pirarucu em
cativeiro. Na natureza sua pesca é
proibida.
Rio
Madeira
Rio brasileiro, afluente da margem
direita do rio Amazonas, atravessa o
território da Rondónia e o Estado do
Amazonas, indo lançar-se no rio do mesmo
nome perto de Itacoatiara. O seu
percurso é de 3200 Km, na sua maior
parte navegáveis. É, pelo volume de água
e extensão, um dos principais rios do
mundo. Seus principais afluentes, são os
rios Jamari, Jiparané Ou Machado, Canumã,
Marmelos e o Roosevelt. O rio Madeira
nasce com o nome de rio Beni na
Cordilheira dos Andes, Bolívia. Ele
desce das cordilheiras em direção ao
norte recebendo então o rio
mamoré-guaporé e tornando-se o rio
madeira e cujo o qual traça a linha
divisória entre Brasil e Bolívia. O rio
Madeira recebe este nome, pois no
período de chuvas seu nível sobe e
inunda as margens, trazendo troncos e
restos de madeira das árvores. O Rio
Mamoré ao encontrar-se pela margem
esquerda o rio Beni e se juntar a ele,
forma o Rio Madeira. Da confluência, o
Madeira faz a fronteira entre Brasil e
Bolívia até o encontro deste rio com o
rio Abunã. A partir daí, o rio segue em
direcção ao nordeste atravessando
dezenas de cachoeiras até chegar a Porto
Velho, onde se inicia a Hidrovia do
Madeira. No delta do Madeira fica a Ilha
Tupinambarana em uma região de alagados.
Entre a estação chuvosa e a seca o rio
varia bastante de profundidade. Na
estação seca, as águas do rio, que fluem
em direcção ao Amazonas, formam praias
(de água doce, naturalmente) ao longo de
suas margens. Neste período, no seu
leito pode ser avistada a grande
quantidade de pedras que ajudam a formar
as corredeiras (ou cachoeiras, como os
amazónicas costumam denominá-las).
Coincidente ou não com a estação chuvosa
(Dezembro a Maio), ao mesmo tempo em que
o rio enche com as águas das chuvas, em
sentido contrário ao delta, é invadido
pelas águas do Amazonas e sobe cerca de
17m , alagando todas as cachoeiras em
seu leito até formar um espelho de água
que tanto invade florestas como cobre as
praias e toda a planície amazónica.
Nesse momento, o rio Madeira deixa de
ser um simples tributário do Rio
Amazonas e se torna um canal de
navegação dependente da "maré" desta
confluência.
Rio
Paraná
Rio da América do Sul, que drena uma
bacia perto de dois milhões e meio de
quilómetros quadrados, antes de desaguar
no Atlântico, através do estuário do rio
da Prata. A maior parte do curso, 3000
Km, é no Brasil. Formado pelos rios
Paranaíba e Grande, delimita a fronteira
entre o Brasil e o Paraguai, e recebe o
Iguaçu, correndo depois entre a
Argentina e o Paraguai. Recebe o
Paraguai e penetra na Argentina, onde
atravessa uma parte da Pampa. Os navios
de mar sobem até Rosário, onde o débito
se aproxima de 15000 m3/segundo. O rio
Paraná serve de fronteira entre o
Paraguai, o Brasil e a Argentina. No
local em que as fronteiras destes três
países se juntam, recebe as águas do rio
Iguaçu ("água grande", em tupi-guarani),
cerca de 18 quilómetros depois da
formação das suas famosas cataratas. Ao
entrar em território argentino,
junta-se-lhe o rio Paraguai. Antes de
desaguar no rio da Prata, o rio Paraná
forma um extenso delta, com grandes
braços que permitem a entrada de navios
transoceânicos até à cidade argentina de
Rosário. A sua vazão na foz, de 16.000
m³/s, é comparável à de rios como o rio
Mississípi com 18k m³/segundo e o rio
Ganges de 16k m³/segundo. No trecho
brasileiro há a barragem de Jupiá, que
está localizada a 21 quilómetros da
confluência com o rio Tietê, assim como
também a barragem de Ilha Solteira,
enquanto na fronteira do Paraguai com o
Brasil está a usina-barragem de Itaipu,
e na fronteira entre a Argentina e o
Paraguai, Yacyretá. As duas
hidroeléctricas fornecem 99% da
electricidade do Paraguai (90% só de
Itaipú), e fazem do país o maior
exportador de electricidade do mundo. A
floresta tropical e subtropical que
antes ocupava boa parte da bacia do
Paraná encontra-se largamente extinta; a
área mais preservada encontra-se na
província argentina de Misiones. O rio
Paraná serve de fronteira entre o
Paraguai, o Brasil e a Argentina. No
local em que as fronteiras destes três
países se juntam, recebe as águas do rio
Iguaçu ("água grande", em tupi-guarani),
cerca de 18 quilómetros depois da
formação das suas famosas cataratas. Ao
entrar em território argentino,
junta-se-lhe o rio Paraguai. Antes de
desaguar no rio da Prata, o rio Paraná
forma um extenso delta, com grandes
braços que permitem a entrada de navios
transoceânicos até à cidade argentina de
Rosario. A sua vazão na foz, de 16.000
m³/s, é comparável à de rios como o rio
Mississípi é de 18k m³/segundo e o rio
Ganges é de 16k m³/segundo. No trecho
brasileiro há a barragem de Jupiá, que
está localizada a 21 quilómetros da
confluência com o rio Tietê, assim como
também a barragem de Ilha Solteira,
enquanto na fronteira do Paraguai com o
Brasil está a usina-barragem de Itaipu,
e na fronteira entre a Argentina e o
Paraguai, Yacyretá. As duas
hidroelétricas fornecem 99% da
electricidade do Paraguai (90% só de
Itaipú), e fazem do país o maior
exportador de electricidade do mundo. A
floresta tropical e subtropical que
antes ocupava boa parte da bacia do
Paraná encontra-se largamente extinta; a
área mais preservada encontra-se na
província argentina de Misiones.
Rio
Paraguai
Rio da América do Sul com o
comprimento de 2500 km e a bacia de
1097000 Km2.
O rio Paraguai nasce na Serra de
Araporé, encosta meridional da Serra dos
Parecis, no Estado de Mato Grosso. A
região dessas nascentes se estende sobre
uma chapada pantanosa, denominada de
Brejal das Sete Lagoas, onde se verifica
as separações das bacias hidrográficas
do Prata e Amazónica. Nascem, também,
nessa região, os rios Diamantino,
Cuiabá, Sepotuba, Cabaçal e Jauru, que
fazem parte da bacia do Prata e os rios
Arinos, Parecis, Sangue, Papagaio,
Buriti e Juruena, todos afluentes do rio
Tapajós, da bacia Amazónica rio Paraguai
nasce na Serra de Araporé, encosta
meridional da Serra dos Parecis, no
Estado de Mato Grosso. A região dessas
nascentes se estende sobre uma chapada
pantanosa, denominada de Brejal das Sete
Lagoas, onde se verifica as separações
das bacias hidrográficas do Prata e
Amazónica. Nascem, também, nessa região,
os rios Diamantino, Cuiabá, Sepotuba,
Cabaçal e Jauru, que fazem parte da
bacia do Prata e os rios Arinos,
Parecis, Sangue, Papagaio, Buriti e
Juruena, todos afluentes do rio Tapajós,
da bacia Amazónica. Atravessa o
Paraguai, ao qual serve de fronteira com
a Argentina antes de se lançar no Paraná
na margem direita. No seu curso médio, o
rio atravessa o Pantanal em mais de 1000
km, que inunda por ocasião das suas
cheias de Verão. Navegável, o rio
Paraguai foi uma das vias de penetração
na América do Sul. No seu trajecto do
meio do Pantanal é tão sinuoso e,
consequentemente, sua velocidade tão
lenta, que uma canoa solta em Cáceres
(MT) tardaria cerca de seis meses para
chegar ao Oceano Atlântico. O rio
Paraguai é o principal rio da Bacia do
rio Paraguai, uma das doze macros bacias
hidrográficas do Brasil.
Rio
Itajaí - Açu
É a mais importante via fluvial do
Estado de Santa Catarina, resultante da
confluência dos rios Trombudo, Itajaí do
Sul e Itajaí do Oeste. Percorre 240 Km,
180 dos quais navegáveis, depois de
nascer na Serra de Santo António e antes
de desaguar no oceano Atlântico, Mede em
média 150 metros de Largura e um mínimo
de 2 metros de profundidade. O seu vale
com 300 Km de extensão, é a região mais
próspera do Estado de Santa Catarina, na
sua agricultura, pecuária e indústria.
No seu curso ergue-se o salto do Pilão,
com 14 metros de altura. O nome
"Itajaí-Açu" é de origem indígena e foi
adoptado pelos índios que ocuparam a
praia de Cabeçudas no município de
Itajaí, estando ligado à formação de
pedra conhecida actualmente como Bico do
Papagaio. Na sua forma original esta
formação assemelhava-se a cabeça de uma
ave, o Jaó. Por este motivo a palavra
Itajaí-Açú significa: "ita" = pedra;
"jaó" = o pássaro, a ave; "yaçu" = rio
grande - do Jaó de Pedra, ou seja, rio
grande - do pássaro de pedra. O rio
Itajaí-Açu é o rio mais importante do
Vale do Itajaí. Forma-se no município de
Rio do Sul, pela confluência do rio
Itajaí do Sul com rio Itajaí do Oeste.
Seus maiores afluentes pela margem
esquerda são o rio Itajaí do Norte (na
divisa de Lontras e Ibirama), o rio
Benedito (em Indaial) e o rio Luís Alves
(em Ilhota). No município de Itajaí,
pouco antes da foz do Oceano Atlântico -
mais precisamente 8 km - o rio
Itajaí-Açú recebe as águas do principal
afluente pela margem direita: o rio
Itajaí-Mirim. Passa, a partir daí, a
chamar-se rio Itajaí. A bacia
hidrográfica do rio Itajaí-Açu, está
situada no domínio da Mata Atlântica, da
qual se encontram os mais significativos
remanescentes no estado na serra do
Itajaí, que constitui o divisor de águas
entre os rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim.
O território da bacia divide-se em três
grandes compartimentos naturais - o
alto, o médio e o baixo vale - em função
das suas características geológicas e
geomorfológicas. O alto vale compreende
toda a área de drenagem à montante da
confluência do rio Hercílio com o rio
Itajaí-Açu, incluindo ainda as
cabeceiras do rio Itajaí-Mirim.
Rio
Tietê
Rio brasileiro do Estado de São
Paulo, Nasce em Salesópolis. na serra do
Mar, a 1120 metros de altitude. Apesar
de estar a apenas 22 quilómetros do
litoral, as escarpas da Serra do Mar
obrigam-no a caminhar sentido inverso,
rumo ao interior, atravessando o estado
de São Paulo de sudeste a noroeste até
desaguar no lago formado pela barragem
de Jupiá no rio Paraná, no município de
Três Lagoas, cerca de 50 quilómetros a
jusante da cidade de Pereira Barreto. O
nome Tietê foi registado pela primeira
vez em um mapa no ano de 1748 no Mapa D'Anvile
e, em tupi, significa "rio verdadeiro",
ou "águas verdadeiras". As nascentes
ficam no Parque Nascentes do Rio Tietê,
que se situa no município de Salesópolis.
São cerca de 134 hectares, dos quais 9,6
já estão sob controle ambiental,
protegendo as diversas nascentes que
irão formar o mais importante rio do
estado de São Paulo. Localiza-se no
bairro da Pedra Rajada, a 17 km do
centro de Salesópolis, junto a divisa
com o município de Paraibuna. O acesso
se dá pela SP-88 (Estrada das Pitas),
onde se acessa uma estrada vicinal de 6
km em terra batida leva à nascente.
Inicialmente nas mãos de particulares,
teve sua flora original destruída.
Tombado pelo Estado, sua área foi
recuperada, apresentando agora floresta
secundária. As nascentes surgem entre
rochas que ladeiam um minúsculo lago. A
água brota em três diferentes pontos e o
lago é povoado por pequenos peixes, os
guarus. Logo a poucos metros de sua
nascente, um vertedouro permite medir o
volume de água gerado pelo lençol
freático. Destaca-se o elevado fluxo de
água produzido pela nascente. Um mural
no local fornece alguns dados da
nascente do rio Tietê. Na data indicada,
verifica-se que as nascentes produziram
mais de 3m³ de água por hora. Ao longo
do seu trecho inicial, o rio Tietê
recebe a contribuição de vários lençóis
freáticos, tornando-se um córrego de
elevado volume de água, no pequeno
trajecto que percorreu. Ainda dentro do
município de Salesópolis, existe uma das
primeiras hidroeléctricas construídas no
Brasil, que é a actual Usina Parque de
Salesópolis. Construída em 1912 pela
antiga Light, gerava energia a partir de
uma queda de 72 m de altura do rio
Tietê. O parque está aberto visitação
pública, sendo que há um museu junto à
usina. Destaca-se a maquinaria antiga lá
instalada. O Tietê cruza a Região
Metropolitana de São Paulo e percorre
1136 quilómetros ao longo de todo o
interior do estado, até o município de
Itapura, em sua foz no rio Paraná, na
divisa com o Mato Grosso do Sul. O padre
Manuel da Nóbrega aconselhava já no
período quinhentista que “todos deveriam
fugir da penúria de Santo André onde não
havia peixe nem farinha e, se chegassem
ao Rio Piratininga (um dos primitivos
nomes do rio), teriam tudo e
sossegariam”. Mas desde que Martim
Afonso de Sousa o reconheceu como “um
rio grande que enveredava pelo
continente”, o Rio Tietê foi
unanimemente apontado como um factor
primordial na interiorização de São
Paulo e do Brasil. Assim, Cassiano
Ricardo enfatizou que o Tietê “era uma
seta apontada para o sertão, a
indicar-lhe o caminho”; Capistrano de
Abreu ressaltou que a função dos Rios
São Francisco e Tietê era da integração
nacional; Afonso E. Taunay ao dissertar
sobre o rio insistiu que seu nome está
“indescritivelmente ligado à história da
constituição territorial do Brasil”;
Mello Nóbrega proclamou que às águas
amarelas e quietas do Tietê despertam
sonhos de aventuras e riquezas” e João
Vampré assinalou: “a história do Tietê é
a narrativa áspera e dramática dos
esforços feitos para dominar e vencer
obstáculos gigantescos que ele levanta
diante dos passos do conquistador
audaz”. Em resumo, foi o Rio Tietê que
propiciou algumas Bandeiras e as
Monções, ou Descidas, até que o ciclo do
muar, o advento do barco a vapor e os
caminhos terrestres passassem a dominar
o cenário da história. Essas expedições
viriam enriquecer e alargar os
horizontes da nação brasileira.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal
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